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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

MORO PROPÕE ALTERAÇÃO NO PROJETO DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE

Sérgio Moro encontra-se com o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) nesta quinta (1º) para propor alteração no projeto de lei de abuso de autoridade
01/12/2016
Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo

O juiz federal Sérgio Moro entrega ao Senado, nesta quinta-feira (1º), um ofício em que propõe uma alteração no projeto de lei de abuso de autoridade. A mudança afastaria riscos de juízes e membros do Ministério Público serem responsabilizados criminalmente pela interpretação da lei.

"Imprescindível evitar que seja criminalizada, na prática, interpretação da lei, avaliação dos fatos, provas pela autoridade judicial, pela autoridade do Ministério Público, pela autoridade policial", registra Moro, no documento a ser entregue a senadores.

O Senado discute projeto de lei apresentado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que reformula a Lei de Abuso de Autoridade. Moro e os investigadores da Lava Jato têm criticado a proposta, por abrir brecha para que pessoas denunciadas criminalmente ou alvo de processos acionem criminalmente procuradores e juízes, caso as acusações não sejam confirmadas.

"Entendo, respeitosamente, que este não melhor momento para deliberação sobre referido projeto", informa Moro. "Uma vez que a eventual aprovação poderia ser interpretada como tratando-se de medida destinada a prevenir avanço de investigações criminais importantes, entre elas a assim denominada Operação Lava Jato."

O juiz da Lava Jato foi convidado pelo presidente do Senado, fortemente investigado na operação, a apresentar propostas de adequação do projeto de lei.

Recomendação

Moro recomendou inserir no texto um item que veta a criminalização da "divergência na interpretação da legislação penal e na avaliação de fatos e provas". "Não configura crime previsto nesta lei a divergência na interpretação da lei penal ou processual penal ou na avaliação de fatos e provas", diz o item sugerido pelo juiz.

O magistrado repetiu uma frase que tem usado para pedir a revisão da proposta, de que "o direito não é matemática" e "que pessoas razoáveis podem divergir razoavelmente na interpretação da lei na avaliação de fatos provas."

"Sem salvaguardas, a lei terá efeito prático de restringir atuação de juízes, desembargadores, ministros, promotores e policiais de acusações ou ameaças temerárias por parte de criminosos, quer membros de organizações criminosas, traficantes, terroristas ou mesmo envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro", escreveu Moro.


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/12/01/moro-propoe-alteracao-no-projeto-da-lei-de-abuso-de-autoridade.htm?mkt_tok=eyJpIjoiT1RCbE5XRXhNREk0TURCaCIsInQiOiJwOTJ3S2l6bVRVbmpPRmhTZ0N3VWFnZHZrakpXNlFQcGo4YlJydDVDbVRhMzg1QUdtbTZsQkpWbzc3aWFrOHl1Z2hPMENDNlwvVDV1QnpkN3ZuMEgweSt6NUdWNG9lY3hiOWtPa1JuRE5kU1k9In0%3D

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02 DE DEZEMBRO - DIA NACIONAL DO SAMBA

Dia Nacional do  Samba


O Brasil não é apenas conhecido pelas belas paisagens, pelos craques fantásticos de futebol, nem muito menos pelas novelas televisivas que fazem sucesso no exterior. Quando alguém pensa em Brasil, geralmente a mente salta: mulheres, carnaval e, samba. Isso mesmo, o Samba, um estilo musical que une a diversidade e o swing de uma nação inteira.

No dia 02 de Dezembro é comemorado o dia nacional do samba, um estilo musical que leva a identidade brasileira para o exterior, claro, existem uma série de modalidades deste estilo musical, desde o samba raiz até aqueles que mantêm a tradição viva até os dias de hoje. Isso mesmo, apesar de toda modernidade que nos cerca, o samba ainda pede passagem entre os grandes sucessos de nossos dias.

No inicio o dia do samba era comemorado apenas em Salvador, mas como o estilo nunca respeitou fronteiras, aos poucos foi aumentando até se tornar uma comemoração nacional. Era algo esperado devido a quantidade de talentos que tornaram o samba esse estilo musical que leva a tradição, amor e a vivacidade de uma nação inteira. Mesmo com tantos estilos musicais completamente diferentes, o samba é entre todos o mais pitoresco do Brasil, o estilo musical que traduz a essência do povo brasileiro.

Um estilo musical cheio de gingado e melodia que encanta pelas danças e também pela execução que exige harmonia e talento de todos os músicos envolvidos na roda de samba.


Dia Nacional do Samba

O Dia Nacional do Samba é comemorado em dois de Dezembro, onde se celebra esse ritmo musical criado no Brasil e que é tido como forma de expressão em diversas regiões. E conhecido mundialmente como símbolo da música brasileira.

Apesar de ser extremamente popular em muitas regiões do Brasil, a origem do samba como Bahia e São Paulo, este gênero de música está muito ligado ao Rio de Janeiro, onde nasceu por volta do final do século XIX e começo do século XX. Era uma dança de escravos que misturaram suas danças com os ritmos regionais do maxixe, xote, entre outros, criando o samba carioca.

Origem do Dia do Samba

A data de 2 de Dezembro foi escolhida como o dia do Samba pois foi nesse dia que o famoso compositor Ary Barroso, um dos mais famosos compositores de samba da história, visitou pela primeira vez Salvador na Bahia. O então vereador Luís Monteiro Costa propôs então homenageá-lo, celebrando o dia do Samba nesta data no calendário regional, que com o passar dos anos acabou se tornando uma comemoração a nível nacional.

Tipos de samba:

Samba enredo - com origem no Rio de Janeiro na década de 30 é um samba que determina o ritmo dos desfiles das escolas de samba, e aborda temas sociais e culturais.

Samba de partido alto - é um samba de origem pobre, que tenta demonstrar a realidade de regiões carentes. Seus principais compositores são Moreira da Silva, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila

Samba Pagode - um dos ritmos dentro do samba que mais fazem sucesso surgiu no Rio de Janeiro nos anos 70, com letras românticas e ritmo repetitivo, tem como principais representantes grupos como: Fundo de Quintal, Raça Negra, Só Pra Contraria, entre outros.

Samba canção - com origem na década de 20 tem característica ritmo lento e letras românticas.

Samba carnavalesco - são as famosas marchinhas que embalavam os carnavais antigos e bailes típicos.

Samba exaltação - esse tipo de samba trazia um saudosismo com letras que mostravam as maravilhas brasileiras, junto com acompanhamento de orquestra.

Samba de breque - tipo de samba que tem interrupções para comentários no meio da música, com temáticas críticas ou humorísticas.

Samba de gafieira - com origem nos anos 40, tem ritmo rápido e forte com acompanhamento, muito comum em danças de salão.

Sambalanço ou Samba Rock - Com influência do jazz o surgiu entre as décadas de 50 e 60 e embalou boates em São Paulo e Rio de Janeiro. Tem como principais representantes Jorge Ben Jor, Wilson Simonal e mais recentemente Seu Jorge.



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O QUE É MESMO EDUCAÇÃO? – Agenilda Palmeira

O que é mesmo Educação?

          Educação palavra feminina como  a terra que nossos pés  pisam. Educar vem do latim educere e significa também criar, nutrir, cultivar  ou seja, ações intimamente ligadas ao trato da terra e ao trato entre as pessoas.

          O mundo de  hoje  não é igual ao mundo de ontem, essa frase, repetida milhões de vezes, encontra na educação  a sua expressão mais acentuada. Os relacionamentos familiares de hoje parecem delegar  a responsabilidade de educar para a escola.  Seria prejudicial  para o nosso aluno. Alguns pais   têm dificuldade de educar seus filhos. E a escola tem um nome ligado a educação infantil, fundamental,   médio e  superior. Eles (os pais) pensam ser cômodo  entender que a escola é que educa e que as crianças  estão em um  “período de educar” outro quesito: ao mesmo tempo em que o pai quer dar o melhor para o filho, acaba dando uma coisa comum. É como se a gente colocasse o filho para andar de uniforme! Ademais, a maioria das escolas não  são preparadas  para isso. Para elas o aluno é um simples transeunte  curricular.  Os filhos são para sempre. E os danos e prejuízos, quem vai pagar com a  má educação dos filhos são os próprios pais.

          Devemos observar que a família é a matriz social, a mais importante agência socializadora que transfere para os filhos a herança biológica, psicológica, cultural e espiritual e está sob a responsabilidade direta dos pais e das mães.

          No livro de Içami Tiba Quem ama educa ele afirma que há  algo que os professores podem fazer para envolver os pais diretamente no processo e a isso  chama-se educação a seis mãos. Diz Içami: Se o pai  diz vinho e a mãe diz água o filho “dezanda” . É a mesma coisa se  a  família diz vinho e a escola diz água o aluno “dezanda” . É importante que as pessoas que estão ligadas à educação daquela criança tenha o que ele (Içami) chama de “coerência, constância e consequência”. Não adianta    o  professor jogar a bola para a família quando na escola ele também pode fazer alguma coisa. A repetição entre tarefas é muito tênue no espaço limítrofe mas no  centro as coisas não são muito claras. A escola tem de convocar a família toda  vez que a obrigação não está sendo cumprida. E provavelmente a família  deve  ir até  a escola para ver se tem alguma coisa que ela não está cumprindo. É a educação a seis mãos  feita à base do caminho e da razão, dos  pais, mães  e escola.

          A educação a seis  mãos faz correlação com  o início da  nossa crônica educar é criar, nutrir, cultivar ações intimamente ligadas a terra.  O homem é barro e sopro. O barro, que vem da terra,  e o sopro que vem de Deus. Ao primeiro compete a ciência que alimenta o corpo enquanto ao segundo compete a  arte que alimenta a  alma: o animal é dirigido pelas necessidades do corpo: não tem arte, o homem dirige o corpo com a alma. Nesse sentido há dois sentidos básicos e imprescindíveis a favor do bom relacionamento família e escola: a criação de grupos que implica o cultivo das relações  interpessoais e a educação da afetividade, e o aprender a conviver, que é fundamentado na resolução positiva dos conflitos. Hoje a educação acabou se convertendo em uma verdadeira  “batata quente” que  ninguém quer segurar o impasse entre pais e professores atingiu o seu clímax.

          O clichê da unanimidade. A solução para o Brasil é a educação. Mas que tipo de educação é a ideal? Educação depende da visão que temos sobre a praticidade da argumentação. Argumentar é defender ideais. E tanto a família quanto a escola não estão preparadas para este procedimento. Segundo Rorty “educar é agir seguindo a ideia de que as pessoas podem não seguir nossos argumentos, mas tendo a esperança de modificá-las para que um dia possam. Já argumentar é pressupor que os outros seguirão o que dissermos. Ai está o xis da questão o modo como os professores relacionam e correlacionam o que fazem a  situação de comunicação que vivenciam denuncia a adesão a uma dessas concepções profissionais.

          Porque uma coisa é querer convencer o aluno, outra é deixá-lo preparado para abandonar os próprios pontos de vista quando ouvir coisa melhor. A maioria das vezes, ficamos no meio desses extremos,  diz Richard Roty. Professores desejam formar alunos capazes de encarar uma questão por vários ângulos, de dar respostas consistentes independentemente do contexto e da transformação tecnológica que testemunham ao longo  da vida; de deixar de lado o ódio, imaturidade e a crendice; De saber seus direitos e deveres.

          Em ambientes instáveis de encarar perspectivas sem se sentirem ameaçados de que possam permitir a relação civilizada com os outros e oportunar pessoas a lerem obras de Marx, Machado de  Assis, Tomás de Aquino sem enjoar.

          Conclusão. Essa é a educação crítica dos sonhos de muita gente. A educação nesse olhar com tanta complexidade é necessário pensar conceitos que tragam à tona a realidade do indivíduo. Se pode ele tangenciar  ao tema a abordagem parcial, ou marginal, do tema dentro do assunto. E o seu caminhar é a  educação. Respeitemos os limites. Não podemos perder o foco do caminhar. Para poder ensinar, antes é necessário aprender. Jesus era peripatético.  Aquele que ensina caminhando. Ele (Jesus) é o mestre por excelência. Nesta semana da educação vamos entender que educar   não é desistir de si mesmo, mas descobrir que a vida  é o maior de todos os espetáculos – Um espetáculo dado pelo Autor da existência.

JESUS, O EDUCADOR POR EXCELÊNCIA

Agenilda Palmeira, professora Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CNH: UM DOCUMENTO CARO E OBSOLETO – Kleber Galvêas

CNH: um documento caro e obsoleto

          Desenvolver o sentimento de cidadania é missão do Estado e interesse dos cidadãos propagado pela Revolução Francesa. O número de leis de um país é diretamente proporcional ao grau de subordinação do seu povo. A tutela legal “condiciona a liberdade” e inibe o sentimento de cidadania, que é a mola propulsora do progresso dos povos, em todos os períodos da História. 
          Pensando em valorizar o sentimento de responsabilidade, trouxe um tema objetivo para a discussão: Carteira de Motorista. 
          A carteira de motorista é o documento mais importante do americano. Nos Estados Unidos não existe carteira de identidade universal. No Brasil todos portam carteira de identidade. 
          Adquirindo um bem, é sua a responsabilidade no uso. Cometeu erro? Deve ser responsabilizado. Autoescolas estarão sempre disponíveis. A segurança no trânsito é fundamental, vital, não o interesse pecuniário do governo. A circulação de veículos é como uma sinfonia onde não cabe nenhuma nota desafinada, mesmo que o músico tenha diploma do melhor conservatório. 
          Recursos eletrônicos tornaram a CNH obsoleta. É diploma caro, envolve várias pessoas e tem extensa burocracia. Radar faz a leitura das placas, mostrando o histórico do veículo e do proprietário. Havendo algo errado ou acontecido uma infração de trânsito, o guarda mais próximo é informado, e o infrator multado ou levado imediatamente à presença do juiz. O motorista correto será estimulado, respeitado e só poderá ser parado se errar.   Errando, receberá imediatamente punição proporcional à infração cometida. Recursos materiais e humanos para essa mudança serão obtidos: no governo, com a extinção da burocracia da CNH e transferência dos seus burocratas para a fiscalização eletrônica; o cidadão, economizando taxas e tempo poderá investir em mais treinamento.
          A carteira de motorista, nos Estados Unidos, fica em torno de U$ 35,00. Aqui, renovar a minha carteira, categoria “B”, pela décima vez (2016), com validade para mais três anos, vai me custar no mínimo R$ 300,00 e horas perdidas. Obtê-la pela primeira vez fica em torno de R$ 3 mil. Quase mil dólares!
          A CNH poderia ser substituída por uma declaração pública do cidadão afirmando estar apto a conduzir veículos. Isto constaria em sua CI. O órgão do governo responsável pelo trânsito convocaria (por amostragem) alguns dos que se declararam aptos a dirigir, para teste de direção. A maioria esmagadora das perturbações no trânsito é causada por motoristas com a CNH em dia. Afinal, ela é um diploma e não consagração.
          A primeira legislação sobre trânsito surgiu na Inglaterra (1836–triciclo a vapor). Limitava a velocidade a 10 Km/h e era necessário, que 60 metros à frente do veículo um homem a pé conduzisse uma bandeira como alerta. As coisas mudaram com o tempo: do vapor à informática.
          Considerando-se a quantidade de veículos, o número de infratores é muito pequeno. Dar crédito ao sentimento de cidadania, respeitando-se o cidadão e confiando nele, será sempre positivo, e os resultados obtidos serão permanentes, propiciando colaboração espontânea. 
          “Tá tá tá tá tá na hora. Vá vá vá vale tudo agora. Sou mo-mole pra falar. Mas um Pintacuda pra beijar...” Sucesso musical do carnaval de 1950, cantava as proezas do piloto italiano Carlo Maria Pintacuda, campão de automobilismo. Ele não tinha CNH, mas seu sobrenome se tornou, em português, sinônimo de rapidez e perícia ao volante. 
          A transição do cidadão, de dependente do governo para parceiro agente do progresso, deve ser estimulada. Fé no progresso, esperança na harmonia e generosidade cidadã são virtudes que florescem na democracia. Se cultivarmos a liberdade e o respeito ao cidadão.


Kleber Galvêas, pintor. 
Tel, (27) 3244 7115 www.galveas.com novembro, 2016

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O CANALHA TRANSLÚCIDO – Por Péricles Capanema

O Canalha Translúcido
1 de dezembro de 2016

Fartei-me com a cobertura indecente, desproporcionada e gritantemente sintomática da morte de Fidel Castro. Ditirambos disparatados, análises tendenciosas, críticas suaves. Excetuo palavras como as de Anna Cecília Malmström, Comissária Europeia do Comércio: “Fidel Castro foi um ditador que oprimiu seu povo por 50 anos. Muito estranhos todos os elogios nas notícias de hoje”.

Estranho, mas não novo. Provém de mentalidade antiga, embebida de complacência com toda forma de esquerdismo, mesmo o mais extremista. Lembrei-me de crônica de Nelson Rodrigues sobre o embasbacamento subserviente de magotes da intelligentsia brasileira e da sociedade carioca em torno de Jean-Paul Sartre, o velho comunista, que visitou o Rio de Janeiro.

O texto atualíssimo, profilático, é de 22 de abril de 1968:

“De onde vem meu horror a Sartre? Foi numa conferência do mestre. Lembro-me de tudo. Conferência, ali, na ABI. [...] Eu estava na sala superlotada. [...] Por mais estranho que pareça, eu não prestava a menor atenção ao conferencista. Mais que a palavra de Sartre, fascinou-me a cara dos seus admiradores. A cara! [...] A cara dos admiradores de Sartre merecia, sim, a folha de parreira. Homens e mulheres lambiam com a vista o filósofo. Por certo, há admirações nobilíssimas e outras que são abjetas. Naquela tarde, e naquela sala, eu só via admirações abjetas. [...] O meu horror a Sartre começou nos seus admiradores e, mais precisamente, começou na cara dos seus admiradores. Só posteriormente é que tratei de fazer uma revisão da obra sartriana. [...] Sua obra é todo um gigantesco julgamento dos valores de vida. Vamos também julgá-lo. Sartre recusou o Prêmio Nobel. Convém esvaziar tal renúncia de todo o falso patético, de todo pseudossublime. O filósofo não perdeu um tostão. Pelo contrário: — foi um gesto promocional de gênio e que serviu apenas para aumentar a sua bilheteria. [...] Argumenta o filósofo que o Prêmio Nobel foi concedido a Boris Pasternak. Mas quem é Pasternak? Diz ele: — ‘Um escritor que não é lido em sua própria terra’. Vejam: — ‘Um escritor que não é lido em sua própria terra’. Aí está o canalha, o límpido, o translúcido canalha Jean-Paul Sartre. Se disse isso, é um canalha (e o disse num claro e deslavado documento para o mundo). E repito: — de uma simples frase emerge todo o canalha. Vejam bem. Um crime contra a inteligência impediu que Pasternak fosse lido em sua própria língua. E Sartre está a favor do “crime” e contra a vítima. Pasternak é um poeta, um romancista, um pensador que o totalitarismo soviético havia de exterminar, até fisicamente. E Sartre não pinga uma palavra de compaixão sobre o assassinato de um artista. (Preciso falar também de um prodigioso documento. É um manifesto de Oitocentos intelectuais russos. E lá se faz também a excomunhão do autor em desgraça. Oitocentos intelectuais russos, Oitocentos canalhas.) Mas a miséria não para aí. Perguntem aos nossos intelectuais de esquerda: — ‘Vocês leram o que Sartre disse sobre o Pasternak?’. Ninguém leu, ninguém viu, ninguém sabe. O monstruoso documento saiu em todos os idiomas. E nós, que o lemos e o relemos, fingimos um pequeno, irrelevante, cínico lapso de memória. Agora mesmo vejo um telegrama de Moscou, que todos os jornais publicaram: — nove intelectuais russos foram julgados e condenados sumariamente. Imagino se esses também assinaram o manifesto contra Pasternak. Leiam os nossos próximos suplementos dominicais. Os nossos intelectuais de esquerda não vão exalar um mísero e tênue suspiro. É um crime contra a inteligência. Mas Jean-Paul Sartre disse, aqui, que a Rússia era ‘a Revolução’. E, como tal, tem todo o direito de enfiar na cadeia a canalha intelectual. [...] Nunca a inteligência se degradou tanto”.

No meio da geral louvaminha a Sartre no Brasil, Nelson Rodrigues teve a coragem singela de, com base em um fato, exprimir o óbvio ululante: o homem era um canalha translúcido. Até agora, de ninguém escutei o óbvio ululante: Fidel Castro foi um canalha translúcido. E entre a montanha de fatos para embasar o juízo, lembro esses: foi tirano implacável, torturador de seu povo, lambe-botas de Kruschev e Brejnev; destruiu os sonhos de gerações de cubanos. No Brasil, esse amigo próximo do PT, do frei Betto e de gente assemelhada treinou e estimulou guerrilheiros que, na tentativa aloucada de impor ao povo brasileiro renitente a ditadura do proletariado, ceifaram a vida de militares e policiais heroicos, bem como de civis inocentes, hoje em geral dolorosamente esquecidos, tantas vezes com a memória injustamente escarnecida. Eu me associo enfaticamente à alegria dos cubanos exilados na Flórida, esperançosos com a perspectiva de Cuba regressar à trilha da liberdade, da prosperidade e harmonia social, da qual foi arrancada brutalmente há mais de 50 anos.

Péricles Capanema



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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

INCERTEZAS - Mírian Warttusch

Incertezas
  

Eu não te quero ver assim amargurado...
É triste a tua rima - chora de saudade...
Têm os teus versos uma obscura realidade,
Pois não estás feliz... Escuta o meu chamado.

Finges que não vês, o que se passa ao teu redor,
Fulgentes bênçãos descendo do infinito!
- Tu acreditas que sofrer é que é bonito?
Meu caro deves ver que o mundo é bem melhor.

Agora me diga: que incertezas são aquelas,
Sofrimento e dor, misérias e mazelas?
Faça um verso de amor, de fé e de esperança,

Viva feliz, sorria como se fosse uma criança!
Atualiza o amor, esquece dos abrolhos,
Deixe que a alegria se espelhe nos teus olhos...


Mírian Warttusch


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‎ MARICOTA SENTE SAUDADE - Geraldo Maia

Maricota sente saudade
Geraldo Maia

A gata também não consegue te esquecer
anda triste e reclamando do teu abandono
mudou até o local de dormir
anda carente demais zoando pela casa
"cadê ela?", "cadê ela?", "cadê ela?"
a gata anda muito nervosa e irritada
ontem mesmo brigou com a gata do vizinho
está muito estressada com a tua partida
ela ouviu você dizer ao ir embora
que da casa só teria saudades dela
ela ouviu, mas não pode dizer
que também iria sentir muita saudade.
A gata Maricota anda muito nervosa
anda miando demais de saudade pelos cantos
eu pego, abraço, beijo e acarinho
a gota Maricota com saudades,
Mas de repente ela não quer saber do meu carinho
É do teu que ela sente mais falta
Como vou dizer que não vais voltar?
Que já tens um novo amor e vais casar
Um novo amor mais belo, mais jovem e muito rico
Como vou explicar que você se foi
porque não queria mais um velho pobre imprestável
um velho sem nada para oferecer a uma mulher
não possuía nem uma merda de um computador
um velho tolo descartável em qualquer lata de lixo
como as latas que a gata Maricota gosta de derrubar
como se fosse um cachorro vira latas
uma gata realmente muito louca e apaixonada
irritada porque você ainda não voltou
sem saber que você se foi para sempre
tomou um avião rumo ao paraíso da juventude e riqueza
Rumo à uma nova casa e a um novo marido jovem e reluzente
E até mesmo tenha por lá uma nova gata, mas com certeza
nunca terá a terrível gata voadora e determinada
a gata que toda noite me espera no portão
como se dissesse "ela devia estar aqui no meu lugar
devia ter te esperado todas as noites
porque eu gosto de receber teu carinho
e não precisa ter alguma coisa para me fazer feliz
não precisa ter computador ou carro novo
basta a tua atenção, teu cuidado e a segurança
de saber que você sempre volta para casa
e que por isso eu posso te esperar no portão
porque isso me torna útil e a minha vida
em vez de buscar um novo lugar ou uma nova pessoa
passa a ter um sentido novo de servir
de ser feliz ao ser usada em função de fazer o outro feliz
dizem que os gatos são egoístas, mas não concordo
porque adoro te esperar à noite no portão
e miar toda feliz com a tua chegada".

Geraldo Maia - Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto)
Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA
Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon
Trabalha na empresa Folha Notícias,
Filho de Itabuna/BA/BRASIL, reside em Louveira /SP.


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