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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

SENTADA NUM POTE DE OURO – Péricles Capanema


Péricles Capanema

 

Pote de ouro enterrado. A Venezuela tem o maior volume de reservas de petróleo comprovadas na Terra. Nesse aspecto, reservas de petróleo, é a nação mais rica do mundo. Estão por volta de 300 bilhões de barris de petróleo as reservas comprovadas. Em segundo lugar vem a Arábia Saudita, com 270 bilhões. Têm 39 bilhões de barris comprovados os Estados Unidos. O Brasil, 16 bilhões de barris. Em números redondos, a riqueza de petróleo comprovada da Venezuela é quase 20 vezes superior à do Brasil. São aproximativos os números, variam segundo as fontes consultadas, mas um ponto é comum entre elas: a Venezuela está em primeiro lugar. É preciso ainda considerar que o custo de extração por barril na Venezuela é maior que o da Arábia Saudita, o que diminui a vantagem do país sul-americano. Façam as contas, o barril de petróleo está por volta de 80 dólares; pode subir muito ainda. Para a Venezuela, adiantou muito ser assim o passado, adianta quase nada hoje. Afunda sem parar já faz uns dez anos. Logo abaixo, a causa.

Prosperidade passada. A Venezuela foi chamada de “Venezuela saudita”, “o país que mais consome uísque no mundo”. A riqueza jorrava. Caracas maravilhava pelos prédios modernos. Sua renda per capita em 1998 beirava 16 mil dólares, logo atrás da renda per capita dos argentinos, então no primeiro lugar da América do Sul. É o passado; dele, pensa a maioria esmagadora do país, nada ficou, além das lembranças de uma era dourada.

Desgraça presente; pote de ouro que não serve para nada. O Haiti sempre foi o país mais pobre da América Latina. Não é mais. Quando 2021 acabou, segundo projeções do FMI, ele entrou no penúltimo da lista, com renda per capita de 1.690 dólares. Agora é a Venezuela, com renda per capita de 1.627 dólares, o país mais pobre da América Latina. O país tem mais de 4 milhões de refugiados — venezuelanos que fogem da fome, da perseguição política, do desemprego, da vida sem futuro. Está no oitavo ano consecutivo de recessão, desde 2013 a economia encolheu 80%. Por causa da hiperinflação já cortou 14 zeros da moeda. Na prática, o povo abandonou a moeda nacional e dolarizou a economia. Tudo é comprado e vendido com cotação em dólares. Oito milhões de pessoas estão desempregadas em população de pouco menos de 30 milhões.


O socialismo do século XXI destruiu a Venezuela.
A causa, agora. O chavismo [ou socialismo bolivariano] do coronel Hugo Chávez [na foto, com Fidel Castro] estraçalhou a Venezuela, reduzindo-a a frangalhos. Ela hoje vive dos apoios de Cuba, Nicarágua, China, Rússia. No Brasil, tem um apoio fervoroso, o PT, sempre firme em sua defesa mitomaníaca da igualdade, não importa o sofrimento popular. O PT ocupa hoje no Brasil espaço político similar ao que foi tomado ao longo do século XX pelos PCs de orientação soviética em muitos dos países ocidentais. A propósito das eleições venezuelanas de novembro passado, o PT divulgou comunicado de apoio ao pleito venezuelano, fraudulento e autoritário: “o processo eleitoral ocorreu em total respeito às regras democráticas e concedeu a vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em vinte estados, tendo a oposição vencido nos três restantes”. O presente governo estimula a corrupção entre altos oficiais da Forças Armadas (de onde vem parte de seu apoio) e mantém laços com o tráfico de drogas. Tal situação repercute no Brasil, repercutirá ainda mais, se a situação se perenizar na Venezuela, em especial em nossa região norte. E repercutirá de forma devastadora, se o PT sair vitorioso nas eleições de 2022. É inafastável a constatação: a aplicação das políticas preconizadas pelo PT (parecidas com as políticas do chavismo) precipitará o Brasil em situação semelhante à da Venezuela.

Passividade suicida. A situação dantesca que, sem perspectiva de mudança rápida, padecem Venezuela e Cuba, é mortal entre nós para os objetivos eleitorais do PT? Pode “pegar mal” no povo, já que Venezuela e Cuba são hoje o que poderemos ser amanhã, caso o PT volte e se aninhe no poder.

Acoitados no poder. Cuba, Nicarágua, Venezuela, China, perenidades infernais. São modelos para a ação petista. A esquerda deixa o poder? Certo, admito, essa realidade trágica pode prejudicar a força eleitoral do PT. O prejuízo será mortal para seus objetivos? Tenho minhas dúvidas. Lula e Dilma sempre apoiaram Fidel Castro [modelo de Hugo Chávez e Nicolás Maduro] e ganharam quatro eleições presidenciais. E os deputados do PT formam bancada forte, apesar de sempre terem apoiado o socialismo cubano e venezuelano. O dinheiro brasileiro jorrou solto para os dois países e ninguém acha que um dia voltará. O escândalo não tem sido mortal para os objetivos petistas. Sei que há muitos fatores que atenuam a gravidade, e até a culpabilidade, presentes em tomadas de posição do público em geral.

Alarma regenerador. Contudo, fato é que alarmam os atuais índices obtidos por Lula nas presentes pesquisas (passageiros, pouco consolidados, até em parte falseados, concedo). Tendo-os como fundamento de análise, o Brasil pode ter quatro, oito anos, até mais, de governos que admiram sem rebuços a tortura infligida pelos chavistas ao povo venezuelano. De outro lado, tal fato triste e trágico pode ser alarma regenerador, toque de rebate para o começo de atitudes de reconquista. O que será necessário? Em primeiro lugar, entendo, ver com clareza, sem ilusões, a situação, mesmo em seus pontos mais débeis e preocupantes. A seguir, energia e pertinácia, o que implica emprego intenso e arguto dos instrumentos lícitos, sempre na lei e na ordem. Sem coordenação de esforços dificilmente se evitará a tragédia. Adiante do Brasil que presta estão meses de batalha para evitar que a epidemia socialista tome conta do país. Seria atitude de reconquista. Pois parte do público, hoje passiva, letárgica, indiferente, iludida até, precisa ser reconquistada.

Exemplo de reação salvadora. Winston Churchill foi grande condutor político, sempre traz bons exemplos para horas difíceis e estamos em uma delas. Em situação grave da Inglaterra, até desesperadora, o dirigente não escolheu enfiar a cabeça na areia. Fez o contrário. Pintou com cores sombrias (e reais) para o povo inglês o quadro geral. Lembro palavras suas aos britânicos: “Estamos diante de uma das maiores batalhas da História. Digo para a Câmara dos Comuns o que disse para os que apoiaram o governo. Só vos prometo sangue, fadigas, lágrimas e suor. Temos diante de nós muitos longos meses de luta e sofrimento. Vocês perguntam, qual é nossa política. Digo, fazer a guerra por mar, terra e ar, com todo nosso poder e com toda a força que Deus nos dê, fazer a guerra contra uma tirania monstruosa, nunca ultrapassada no negro e lamentável catálogo do crime humano. Esta é nossa política. Perguntam qual é nosso objetivo. Respondo com uma palavra: vitória. Vitória, não importam os custos”.

Ad augusta per angusta. Vitória não vem sem lutas. E clareza de vistas. Que Deus nos ajude.

 

https://www.abim.inf.br/sentada-num-pote-de-ouro/

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O CANALHA TRANSLÚCIDO – Por Péricles Capanema

O Canalha Translúcido
1 de dezembro de 2016

Fartei-me com a cobertura indecente, desproporcionada e gritantemente sintomática da morte de Fidel Castro. Ditirambos disparatados, análises tendenciosas, críticas suaves. Excetuo palavras como as de Anna Cecília Malmström, Comissária Europeia do Comércio: “Fidel Castro foi um ditador que oprimiu seu povo por 50 anos. Muito estranhos todos os elogios nas notícias de hoje”.

Estranho, mas não novo. Provém de mentalidade antiga, embebida de complacência com toda forma de esquerdismo, mesmo o mais extremista. Lembrei-me de crônica de Nelson Rodrigues sobre o embasbacamento subserviente de magotes da intelligentsia brasileira e da sociedade carioca em torno de Jean-Paul Sartre, o velho comunista, que visitou o Rio de Janeiro.

O texto atualíssimo, profilático, é de 22 de abril de 1968:

“De onde vem meu horror a Sartre? Foi numa conferência do mestre. Lembro-me de tudo. Conferência, ali, na ABI. [...] Eu estava na sala superlotada. [...] Por mais estranho que pareça, eu não prestava a menor atenção ao conferencista. Mais que a palavra de Sartre, fascinou-me a cara dos seus admiradores. A cara! [...] A cara dos admiradores de Sartre merecia, sim, a folha de parreira. Homens e mulheres lambiam com a vista o filósofo. Por certo, há admirações nobilíssimas e outras que são abjetas. Naquela tarde, e naquela sala, eu só via admirações abjetas. [...] O meu horror a Sartre começou nos seus admiradores e, mais precisamente, começou na cara dos seus admiradores. Só posteriormente é que tratei de fazer uma revisão da obra sartriana. [...] Sua obra é todo um gigantesco julgamento dos valores de vida. Vamos também julgá-lo. Sartre recusou o Prêmio Nobel. Convém esvaziar tal renúncia de todo o falso patético, de todo pseudossublime. O filósofo não perdeu um tostão. Pelo contrário: — foi um gesto promocional de gênio e que serviu apenas para aumentar a sua bilheteria. [...] Argumenta o filósofo que o Prêmio Nobel foi concedido a Boris Pasternak. Mas quem é Pasternak? Diz ele: — ‘Um escritor que não é lido em sua própria terra’. Vejam: — ‘Um escritor que não é lido em sua própria terra’. Aí está o canalha, o límpido, o translúcido canalha Jean-Paul Sartre. Se disse isso, é um canalha (e o disse num claro e deslavado documento para o mundo). E repito: — de uma simples frase emerge todo o canalha. Vejam bem. Um crime contra a inteligência impediu que Pasternak fosse lido em sua própria língua. E Sartre está a favor do “crime” e contra a vítima. Pasternak é um poeta, um romancista, um pensador que o totalitarismo soviético havia de exterminar, até fisicamente. E Sartre não pinga uma palavra de compaixão sobre o assassinato de um artista. (Preciso falar também de um prodigioso documento. É um manifesto de Oitocentos intelectuais russos. E lá se faz também a excomunhão do autor em desgraça. Oitocentos intelectuais russos, Oitocentos canalhas.) Mas a miséria não para aí. Perguntem aos nossos intelectuais de esquerda: — ‘Vocês leram o que Sartre disse sobre o Pasternak?’. Ninguém leu, ninguém viu, ninguém sabe. O monstruoso documento saiu em todos os idiomas. E nós, que o lemos e o relemos, fingimos um pequeno, irrelevante, cínico lapso de memória. Agora mesmo vejo um telegrama de Moscou, que todos os jornais publicaram: — nove intelectuais russos foram julgados e condenados sumariamente. Imagino se esses também assinaram o manifesto contra Pasternak. Leiam os nossos próximos suplementos dominicais. Os nossos intelectuais de esquerda não vão exalar um mísero e tênue suspiro. É um crime contra a inteligência. Mas Jean-Paul Sartre disse, aqui, que a Rússia era ‘a Revolução’. E, como tal, tem todo o direito de enfiar na cadeia a canalha intelectual. [...] Nunca a inteligência se degradou tanto”.

No meio da geral louvaminha a Sartre no Brasil, Nelson Rodrigues teve a coragem singela de, com base em um fato, exprimir o óbvio ululante: o homem era um canalha translúcido. Até agora, de ninguém escutei o óbvio ululante: Fidel Castro foi um canalha translúcido. E entre a montanha de fatos para embasar o juízo, lembro esses: foi tirano implacável, torturador de seu povo, lambe-botas de Kruschev e Brejnev; destruiu os sonhos de gerações de cubanos. No Brasil, esse amigo próximo do PT, do frei Betto e de gente assemelhada treinou e estimulou guerrilheiros que, na tentativa aloucada de impor ao povo brasileiro renitente a ditadura do proletariado, ceifaram a vida de militares e policiais heroicos, bem como de civis inocentes, hoje em geral dolorosamente esquecidos, tantas vezes com a memória injustamente escarnecida. Eu me associo enfaticamente à alegria dos cubanos exilados na Flórida, esperançosos com a perspectiva de Cuba regressar à trilha da liberdade, da prosperidade e harmonia social, da qual foi arrancada brutalmente há mais de 50 anos.

Péricles Capanema



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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A MORTE DE FIDEL CASTRO E SUAS "CARPIDEIRAS"

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.


A morte de Fidel Castro e suas “carpideiras”
28 de novembro de 2016 
Paulo Roberto Campos

A choradeira das esquerdas nacionais e internacionais — tanto do âmbito temporal quanto religioso — chegou ao auge e beira ao ridículo com a morte do “coma-andante” Fidel Castro. Este representava para as esquerdas uma utopia que precisava a todo custo sobreviver, apesar de ser tão velha quanto o próprio tirano da Ilha-presídio. Mas a Providência Divina o chamou para prestar suas contas no Supremo Tribunal de Deus.

Enquanto rolam as lágrimas das novas “carpideiras” do século XXI — os companheiros de Fidel e a mídia camarada dele —, o autêntico povo cubano comemora [fotos ao lado e abaixo]. Os cubanos celebram a expectativa do início do esperado fim do tirânico regime comunista que torturou de modo tão cruel, física e psicologicamente, lançando-os escravizados na mais negra miséria moral e material.
Sobretudo os cubanos no exílio, longe das garras do regime opressor, comemoraram euforicamente o dia 25 de novembro; celebrações que em Cuba foram evidentemente mais comedidas — aí daqueles que manifestarem grande alegria…. O luto é imposto e obrigatório! “Hay que llorar”…

Para os cubanos autênticos, “No hay que llorar”…

Da obra intitulada O Livro Negro do Comunismo — crimes, terror e repressão(1999) [capa ao lado], muito bem documentada e de autores insuspeitos(*), pois pertencentes à ala esquerdista, no capítulo “Cuba. O interminável totalitarismo tropical” (entre as págs. 769 a 789), copiei para nossos leitores alguns trechinhos que demonstram que não há razão para lamentos e prantos. Marquei em negrito algumas frases.
“[...] Em 8 de janeiro de 1959, Castro, Guevara e os barbudos fazem uma entrada triunfal na capital. Desde a tomada do poder, as prisões de Cabana, em Havana, e de Santa Clara foram palco de execuções em massa. De acordo com a imprensa estrangeira, essa depuração sumária fez 600 vítimas entre os partidários de Batista, em cinco meses. Organizaram-se tribunais de exceção, criados unicamente para pronunciar condenações. ‘As formas dos processos e os princípios sobre os quais o direito foi concebido eram altamente significativos: a natureza totalitária do regime estava ali inscrita desde o início’, comprova Jeannine Verdès-Leroux. Realizaram-se simulacros de julgamentos num ambiente de feira: uma multidão de 18.000 pessoas reunidas no Palácio dos Desportos ‘julga’ o comandante batistiano Jesus Sosa Blanco, acusado de vários assassinatos, apontando os polegares para o chão. ‘É digno da antiga Roma!’, exclamou. Ele foi logo fuzilado.
[...]
“Desde a tomada do poder, surdas lutas viscerais minaram o jovem governo revolucionário. Em 15 de fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Miro Cardona demitiu-se. Já comandante-chefe do exército, Castro substituiu-o. Em junho, decidiu anular o projeto de organizar eleições livres, anteriormente prometidas para um prazo de 18 meses. Perante os habitantes de Havana, justificou a sua decisão através desta interpelação: ‘Eleições! Para quê?’ Negava desse modo um dos pontos fundamentais inscritos no programa dos revolucionários anti-Batista. Além disso, suspendeu a Constituição de 1940, que garantia os direitos fundamentais, para governar exclusivamente por decreto — antes de impor, em 1976, uma Constituição inspirada na da URSS. Teve igualmente o cuidado de promulgar dois textos legais, a Lei nº 54 e a Lei nº 53 (texto relativo à lei sobre as associações), que limitavam o direito dos cidadãos a associarem-se livremente.

“Castro, que trabalhava então em estreita relação com os seus próximos, tratou de afastar os democratas do governo e, para conseguir esse objetivo, apoiou-se no seu irmão Raul (membro do Partido Socialista Popular, isto é, do PC) e em Guevara, sovietófilo convicto. Em junho de 1959, cristalizava-se a oposição entre liberais e radicais acerca da reforma agrária lançada em 17 de maio. O projeto inicial visava constituir uma média burguesia fundiária através de uma redistribuição de terras. Castro escolheu uma política mais radical, sob a égide do Instituto Nacional de Reforma Agraria (INRA), confiado a marxistas ortodoxos e do qual ele foi o primeiro presidente. Rapidamente, anulou o plano proposto pelo ministro da Agricultura, Humberto Sori Marin. Em junho de 1959, e para acelerar a reforma agrária, ordenou ao exército que tornasse o controle de cem latifúndios na província de Camagiiey.
[...]
“A violência do regime penitenciário atingiu tanto os presos políticos quanto os de direito comum. Começava com os interrogatórios conduzidos pelo Departemento Técnico de Investigaciones, a seção encarregada dos inquéritos. O DTI utilizava o isolamento e explorava as fobias dos detidos: uma mulher que tinha horror a insetos foi encarcerada numa cela infestada de baratas. O DTI usou pressões físicas violentas: havia prisioneiros que eram forçados a subir escadas calçando sapatos recheados com chumbo, e em seguida eram atirados degraus abaixo. À tortura física juntava-se a tortura psíquica, frequentemente com acompanhamento médico; os guardas utilizavam o pentotal e outras drogas, a fim de manter os presos acordados. No hospital de Mazzora, os eletrochoques eram usados com fins repressivos, sem qualquer restrição. Os guardas empregavam cães de guarda, procediam a simulações de execução; as celas disciplinares não tinham água nem eletricidade; o detido que se pretendia despersonalizar era mantido em completo isolamento.
[...]

“A prisão mais tristemente célebre foi, durante muito tempo, a de Cabana [foto ao lado], onde foram executados Sori Marin e Carreras. Ainda em 1982, cerca de cem prisioneiros foram ali fuzilados. A ‘especialidade’ de Cabana eram as masmorras de reduzidas dimensões chamadas ratoneras (buracos de rato). Ela foi desativada em 1985. Mas as execuções prosseguem em Columbio, em Boniato, prisão de alta segurança onde reina uma violência sem limites e onde dezenas de políticos são mortos de fome. Para não serem violentados pelos presos de direito comum, alguns se lambuzam com excrementos. Boniato continua a ser ainda hoje a prisão dos condenados à morte, sejam políticos ou de direito comum. É célebre pelas suas celas de rede de arame, as tapiadas. Por falta de assistência médica, dezenas de prisioneiros encontraram a morte nessas celas. Os poetas Jorge Valls, que devia cumprir 7.340 dias de prisão, e Ernesto Diaz Rodriguez, assim como o comandante Eloy Guttierrez Menoyo, testemunharam as condições particularmente duras que ali vigoram. Em agosto de 1995, ocorreu uma greve de fome lançada conjuntamente pelos presos políticos e pelos de direito comum, a fim de denunciar as condições de vida deploráveis: alimentação péssima e doenças infecciosas (tifo, leptospirose). A greve durou quase um mês.
“Algumas prisões voltaram a pôr em vigor as jaulas de ferro. No fim dos anos 60, na prisão de Três Macios dei Oriente, as gavetas (celas), destinadas originalmente aos presos de direito comum, foram ocupadas pelos presos políticos. Tratava-se de uma cela de 1 metro de largura por 1,8 metro de altura, e com um comprimento de uma dezena de metros. Nesse universo fechado, em que a promiscuidade é dificilmente suportável, sem água nem higiene, os prisioneiros permaneciam semanas, às vezes vários meses.
[...]
“As visitas dos familiares proporcionavam aos guardas o ensejo de humilhar os detidos. Em Cabana, eles deviam se apresentar nus perante a família. Os maridos encarcerados eram obrigados a assistir à revista íntima das esposas.
“No universo carcerário de Cuba, a situação das mulheres é especialmente dramática, uma vez que elas são entregues sem defesa ao sadismo dos guardas. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. Em 1963 elas eram encarceradas na prisão de Guanajay. Os testemunhos reunidos estabelecem o uso de sessões de espancamento e de humilhações diversas. Um exemplo: antes de passarem pela ducha, as detidas deviam despir-se diante dos guardas, que lhes batiam. No campo de Potosi, na zona de Lãs Victorias de Ias Tunas, contavam-se, em 1986(**), três mil mulheres encarceradas — estando misturadas delinquentes, prostitutas e políticas. Em Havana, a prisão de Nuevo Amenacer continua a ser a mais importante. Amiga de Castro de longa data, representante de Cuba na UNESCO nos anos 70, a doutora Martha Frayde descreveu assim esse centro carcerário, onde as condições de vida eram particularmente duras:
‘A minha cela tinha seis metros por cinco. cinco. Éramos 22 dormindo em catres sobrepostos a dois ou a três. [...] Na nossa cela, chegou a acontecer de sermos 42. [...] As condições de higiene tornavam-se totalmente insuportáveis. As tinas onde devíamos nos lavar estavam cheias de imundícies. Tornara-se absolutamente impossível fazer a nossa toilette. [...] Começou a faltar água. A limpeza dos banheiros tornou-se impossível. Primeiro encheram e depois transbordaram. Formou-se uma camada de excrementos que invadiu as nossas celas. Depois, como uma onda irreprimível, atingiu o corredor e depois a escada, escoando-se até o jardim’.[...]

“No decorrer do verão de 1994, Havana foi palco, pela primeira vez desde 1959, de violentos tumultos. Candidatos à partida, não podendo embarcar nas balsas, as jangadas improvisadas [foto ao lado], confrontaram-se com a polícia. Nas ruas do bairro Colomb, a avenida marginal — o Malecón — foi saqueada. O restabelecimento da ordem implicou várias dezenas de detenções, mas, finalmente, Castro autorizou novo êxodo de 25 mil pessoas. Posteriormente, as partidas não cessaram, e as bases americanas de Guantánamo e do Panamá estão saturadas de exilados voluntários. Castro tentou igualmente travar essas fugas em jangadas, enviando helicópteros para bombardear as frágeis embarcações com sacos de areia. Cerca de sete mil pessoas pereceram no mar durante o verão de 1994. Ao todo, estima-se que um terço dos balseros morreu durante a fuga. Em 30 anos, teriam sido entre 25 mil e 35 mil os cubanos que tentaram a fuga pelo mar. No total, os diversos êxodos fazem com que Cuba tenha atualmente 20% dos seus cidadãos no exílio. Numa população global de 11 milhões de habitantes, perto de 2 milhões de cubanos vivem fora da ilha. O exílio desarticulou as famílias, e são incontáveis as que estão dispersas entre Havana, Miami, Espanha ou Porto Rico…
[...]
“Em 1978, havia entre 15.000 e 20.000 prisioneiros de opinião. Muitos vinham do M-26, dos movimentos estudantis antibatistianos, das guerrilhas de Escambray ou dos antigos da baía dos Porcos. Em 1986, estimava-se de 12.000 a 15.000 o número de prisioneiros políticos encarcerados em 50 prisões ‘regionais’ distribuídas por toda a ilha.
“Desde 1959, mais de cem mil cubanos conheceram os campos, as prisões ou as frentes abertas. Entre 15.000 e 17.000 pessoas foram fuziladas. [...]”.
(Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, ”O livro negro do comunismo. Crimes, terror e repressão”, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro).

*       *       *

Como acima mencionei, os autores do “O Livro Negro do Comunismo” são esquerdistas. Assim sendo, as cifras por eles citadas devem ser ampliadas, pois, o número de prisioneiros, torturados, fuzilados no famoso “paredón” está baseado em registros oficiais. Mas quantos infelizes “desapareceram” sem nenhum registro? Há outras informações seguras — por exemplo, as que constam no livro “Cuba comunista: vergonha de nosso tempo e de nosso continente” (1997), de autoria do cubano Sergio F. de Paz — denunciando que quase 500.000 de seus conterrâneos foram encarcerados ou passaram por campos de trabalho forçado. Sem falar de dezenas de milhares de cubanos afogados nas tentativas de fuga pelo mar. Também sem registrar que, devido à ideologia materialista do regime comunista, Cuba conta com altos índices de suicídios e abortos. A respeito, recomendo outro excelente livro “Hasta cuándo las Américas tolerarán al dictador Castro, el implacable stalinista que continua oprimiendo al pueblo cubano, y amenazando a naciones Hermanas?”, publicado em 1990 por iniciativa de “Cubanos Desterrados” (Miami). [Foto acima].

Fidel Castro — palavras inesquecíveis
Com tal “curriculum” nas costas, acumulado por quase 50 anos de tirania comunista, não causa surpresa a declaração de Fidel Castro ao jornalista Jean-Luc Mano, da revista “Paris Match”, em 29-10-1994:
“Eu irei para o inferno, e sei que o calor ali será insuportável… E lá chegando, encontrarei Marx, Engels, Lenine. E também encontrarei você, porque os capitalistas também vão para o inferno, sobretudo se desejam gozar a vida”.
Não se pode desejar o Inferno para ninguém. Convém, entretanto, lembrar que Fidel sabia perfeitamente da existência do Céu e do Inferno, pois estudou em colégio dos Padres Jesuítas, onde fez o catecismo.
Com o desaparecimento de sua única figura carismática e “legendária”, como a esquerda sobreviverá? Como tentará manter-se viva após a morte do tirano? Surgirá algum líder esquerdista substituto ao qual ela possa agarrar-se para não naufragar? Tal homem será do mundo laico ou do mundo eclesial? Conseguirá esse novo líder manter Cuba num regime castrista sem Castro? Quem viver, verá!
Mas, considerado sob outro aspecto, a choradeira dos companheiros do velho tirano é compreensível. Eles temem que um dia Cuba se veja totalmente livre do regime comunista e, desse modo, a antiga “Pérola do Caribe” volte à prosperidade de que outrora gozava.
Encerro transcrevendo o artigo abaixo, que explica esse temor das esquerdas e aponta o papel que Cuba exerce (exercia?) para o comunismo internacional. Seu autor é Plinio Corrêa de Oliveira — o líder anticomunista que mais se dedicou na defesa do povo cubano — e foi divulgado pela “Agência Boa Imprensa” em julho de 1992, ano em que a URSS desmoronava.

Cuba e o submarino
Plinio Corrêa de Oliveira
Se há no mundo atual um reduto revolucionário onde a bandeira comunista parece insultar os raios do sol com sua presença, esse reduto é Cuba.
Um pouco por toda parte, os comunistas ficaram estarrecidos e desconcertados com a espetacular degringolada do bloco soviético. Ora, o constatar que a Rússia soviética de repente se pulveriza, representou um baque psicológico espantoso para os comunistas no mundo inteiro.
Entretanto, é um fator de alento para todos eles ver que, na pequenina Cuba, ainda arde uma Tróia comunista, irradiando para as três Américas os seus malfazejos eflúvios eletro-políticos.
A Ilha-Prisão das Antilhas, porém, está imersa no caos. Castro parece estar com ‘falta de ar’, e a única saída possível para a sua delicada situação é o apoio propagandístico que lhe venha do exterior. Nesse sentido, caravanas faceiras de forâneos não têm faltado para lhe dar o indispensável respaldo.

Alegres próceres da esquerda católica brasileira, como Frei Betto [na foto ao lado, à esq. de Fidel Castro], Frei Boff e quejandos, lá estiveram. Fazendo coro com ecologistas e tribalistas, esses homens-show da teologia da libertação entregaram-se à mesma lenga-lenga de sempre, cujos termos são mais ou menos os seguintes: Em Cuba, vive-se feliz. Lá há miséria, é verdade. Mas qual é a diferença entre miséria e pobreza? E, no total, uma suportável pobreza não será melhor do que o consumismo?
Não podendo fazer outra defesa da ilha-cárcere, seus propugnadores entregam-se a essas desajeitadas defesas do miserabilismo. E pouco se incomodam de, por essa forma, concorrerem para que ali se perpetuem as brutalidades, as inclemências e os crimes do comunismo staliniano, fracassado no Leste europeu.

Tudo isso não obstante, o melhor proveito da presente situação cubana para os interesses do comunismo internacional, ainda acaba sendo aquele de porta-bandeira.
Só para comparar, afigure-se o leitor um submarino no qual o periscópio, ademais de sua função ótica, exercesse também outra, à maneira de escafandro, sendo responsável pela introdução do ar no interior da nave.
Pois bem, Cuba, de momento, representa o papel desse periscópio hipotético. Em meio à tripulação comunista sub-aquática, imersa nas águas da miséria, minguada, desanimada e asfixiada à vista do naufrágio do comunismo russo, ela introduz o ar nesses pulmões. De maneira que, se eles ainda respiram, é porque Cuba respira. E isso é de muito grande alcance.

sábado, 26 de novembro de 2016

MORRE FIDEL CASTRO, UM DOS MAIORES ASSASSINOS DO SÉCULO 20

Morre Fidel Castro, um dos maiores assassinos do século 20


O ex-ditador cubano Fidel Castro faleceu, aos 90 anos, nesta sexta (25) às 22h29 em Havana.  A morte foi anunciada por Raúl Castro, irmão e atual ditador de Cuba, em um pronunciamento na TV. Seu corpo será cremado. Até o momento, não há maiores informações reveladas pela ditadura cubana.
A última aparição pública de Fidel Castro foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

Números da ditadura cubana, de 1959 até 2004:
“Fuzilados: 5.621. Assassinados extrajudicialmente: 1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258. Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14.160. Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país: 77.824. Civis mortos em ataques químicos em Mavinga, Angola: 5.000. Guerrilheiros da Unita mortos em combate contra tropas cubanas: 9.380. Total: 115.127 (não inclui mortes causadas por atividades subversivas no exterior).” FONTE. *

Seu legado de morte, perseguição, miséria e autoritarismo persistirá por muito tempo no coração dos imbecis.
Aqueles que se inspiram em Fidel Castro devem ser sempre repelidos do poder.



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