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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

CORTESIA FRUTO DA CIVILIZAÇÃO CRISTÃ


“A cortesia é uma das propriedades de Deus, que dá seu sol e sua chuva aos justos e aos injustos por cortesia, e a cortesia é irmã da caridade, que extingue o ódio e conserva o amor.”

 (São Francisco de Assis)

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“A Revolução Francesa foi satânica porque ela cometeu sacrilégios, entronizou a deusa razão etc. Mas não só por isso. Foi satânica porque representou uma explosão de ódio contra o bem, representado pela pompa, pela graça, pela cortesia, que brilharam naquele tempo.”

(Plinio Corrêa de Oliveira)

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“A polidez é o ritual da sociedade, assim como a oração o é da Igreja.”

(Madame de Staël)

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“A corte é como um edifício de mármore, quer dizer, é composta de homens muito duros, mas muito polidos.”

(Racine)

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“O homem não educado é a caricatura de si próprio.”

(Friedrich von Schlegel)

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“As raízes da educação são amargas, e os frutos dulcíssimos.”

(Aristóteles)

 

https://www.abim.inf.br/cortesia-fruto-da-civilizacao-crista/



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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

MAU USO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS GERA CRIANÇAS ZUMBIS - Luis Dufaur

25 de outubro de 2020

Luis Dufaur

Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes que compareceu com sua filhinha para consultas.  Assim que chegaram a menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora.

O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com vários de problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida tu vista. (https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/).

Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando.

Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais da importância de fazer a menina a passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais. É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das crianças, como pediatras, optometristas etc.


Os pais devem se informar dos graves problemas que provocam nas crianças o mau uso das novas tecnologias, que podem produzir zumbis digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em Digital Zombie: https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Zombie

Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são:

Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia. Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes causar muitos problemas no futuro.

Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo.

Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo.


Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e tablets nas crianças

1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais

Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade infantil, psicose e outros transtornos.

2. Atraso no desenvolvimento infantil

Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas, que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente.

3. Aumento no número de crianças míopes

4. Obesidade infantil

A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais.

5. Distúrbios do sono

6. Agressão

As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais ficam expostas.

7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e dos amigos.

8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED.


A Organização Mundial de Saúde classifica os celulares como um risco à saúde devido à emissão de radiação. A superexposição à luz azul emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. AOMS publicou em 2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê de especialistas. Cfr. “El Universo”.

(https://www.eluniverso.com/noticias/2020/03/27/nota/7797483/enfermedades-ninos-exceso-uso-celulares).

Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos”.


Além desses danos, os especialistas registraram transtornos do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR).

“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos, cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA).

Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a ambientes diferentes. Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso prolongado de celulares podem causar tumores cerebrais.

A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”.


Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições.

A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto. As crianças devem sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais aparelhos mais tempo do que o necessário.

O problema está muito mais nos pais do que nos filhos. Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações.

Se ainda não vê claramente o problema, peça ajuda de um psicólogo — conclui site Cuida tu vista. https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/.

 

https://www.abim.inf.br/mau-uso-de-dispositivos-moveis-gera-criancas-zumbis/

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

2 + 2 = X? - Paulo Roberto Campos

1 de julho de 2020

Paulo Roberto Campos

Está em voga certa pedagogia moderna, segundo a qual não se deve mais, como antigamente, corrigir — e muito menos reprimir — os erros cometidos pelos alunos, pois “poderia provocar traumas”.

Resultado dessa enganosa pedagogia: alunos de diferentes etapas do ensino fundamental são considerados “analfabetos funcionais”. Eles não entendem o texto que lêem, não sabem sequer interpretar uma única frase — entendem palavras soltas, mas não a expressão completa. Não sabem sequer as operações fundamentais de matemática.

Comento isso porque ontem recebi de um amigo carioca um vídeo que, de modo bem didático e cômico, ironiza a situação em que fica o aluno “protegido” por pessoas (às vezes até pelos pais…) que defendem a tese de que não há uma só verdade, mas verdades diferentes (sic!), “verdades alternativas”…, como a de que 2 + 2 são 22 (ou qualquer outro resultado).

E o professor que não aceita o resultado relativista e corrige os erros dos alunos poderá ser acusado de “politicamente incorreto”, extremista, fascista, por querer lhes impor “sua particular visão de mundo”. E sob acusação de “doutrinar e radicalizar os alunos”, o professor “nazista” poderá ser demitido do colégio.

Esse caso entre professor/aluno é apenas um exemplo. Tal relativismo se estende a todos os campos, como o da moral. Hoje, assim como se ensina que a verdade não é única, leciona-se que não há uma única moral, que se pode ir mudando a moral ao longo dos tempos. Entretanto, não acreditar que a moral é imutável é aceitar que a verdade é mutável, ou seja, mentira. E não passa de um ignorante troglodita aquele que nela crê. Daí a consequência: a perseguição aos “intolerantes” que ensinam logicamente que o resultado de 2 + 2 só pode ser 4.

Será que o tal do tão badalado “novo normal” dentro de uma “Nova Ordem Mundial” — da qual tanto se fala a propósito da atual pandemia — é aceitar como normal a ilogicidade, o absurdo e até aberrações?

A continuar assim, aonde vamos parar? Certamente, se não reagirmos, no tribalismo indígena, por meio de uma verdadeira Revolução Cultural, infelizmente já em curso.
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Postscriptum: Vale muito a pena assistir ao criativo vídeo que segue — a resposta final da professora é, além de divertida, brilhante!





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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

CONTEÚDOS INADEQUADOS - Arnaldo Niskier


Onde estiver, agora, o escritor Carlos Heitor Cony deve estar sorrindo com as trapalhadas cometidas pelo governo de Rondônia, ao mandar recolher 43 livros, a maioria do autor de “O ato e o fato”.  A determinação, depois revogada, incluída obras de Franz Kafka, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar e Rubem Fonseca, entre outros.

Parece incrível que essas coisas ainda aconteçam em nosso país.  Consequência, é claro, do clima que se armou no atual governo.  A desculpa é de que as obras vetadas contêm “conteúdos inadequados” quando se referem a leitores como crianças e adolescentes, embora haja incongruência como o veto a “Macunaíma”, de Mário de Andrade, obra normalmente muito solicitada  em exames vestibulares.

A violência da Secretaria de Educação de Rondônia atingiu também o escritor Rubem Alves, morto em 2014, que se especializou em escrever sobre educação.  De onde terá saído tamanha barbaridade?

A acusação oficial de que há muita doutrinação nas escolas brasileiras não justifica a censura aos nossos livros didáticos e paradidáticos.  Para serem distribuídos, foram  antes objeto de uma seleção por parte dos programas oficiais, que certamente não primam pela coerência.

A essa decisão absurda devemos somar o que houve recentemente, quando livros foram atirados pela janela de outra Secretaria de Educação, sob a alegação de que estariam “ultrapassados”.  Custa a crer que exista entre nós tamanho desperdício.

Também é relevante pensar nas pessoas que promovem esse tipo de censura.  Quem são elas? Estudaram até que nível, para achar que livros como “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, de Machado de Assis, “Mar de História”, de Aurélio Buarque de Holanda, e “os Sertões da Luta”, de Euclides da Cunha, são extremamente perigosos e devem por isso ser proibidos.  Parece  piada de mau-gosto.

Sinceramente, achamos que isso tudo é resultado de um descontrole oficial, a partir de posicionamentos dúbios do próprio Ministério da Educação.  O seu programa do livro didático parece uma nau sem rumo, embora se reconheça a sua indiscutível importância.  Não se trata de falta de recursos financeiros, mas sim da ausência de uma orientação segura.

A Academia Brasileira de Letras protestou contra esse gesto deplorável.  Considerou um desrespeito à Constituição de 1988: “É um despautério  imaginar, em pleno século XXI, a retomada de índice de livros proibidos.”

Tribuna do Sertão , 17/02/2020



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Arnaldo Niskier Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

TARSILA E A ANTROPOFAGIA - Arnaldo Niskier


Duas grandes surpresas marcaram a nossa visita ao MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), para assistir à exposição de Tarsila do Amaral. A primeira foi a alegre presença de dezenas de crianças de 6 a 7 anos na plateia, com professoras entusiasmadas explicando o significado da antropofagia. Nesse momento, fui tomado pelo sentimento da nostalgia, pois lembrei a minha passagem pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, de 1979 a 1983, quando pude desenvolver projetos que buscavam valorizar as artes plásticas nas escolas, para que a criançada começasse, desde cedo, a valorizar os nossos artistas.

Lançamos na época o Plano de Ação de Educação e Cultura (PAEC), relacionando diversas ações para os dois setores. O plano quadrienal conseguiu grandes avanços, incorporando e revitalizando o acervo cultural dos municípios, através das atividades curriculares. Em relação às artes plásticas, organizamos visitas orientadas e dinamizamos os nossos principais museus e também desenvolvemos projetos educativos de montagens de exposições (fixas e itinerantes), formando com isso novos públicos para as manifestações culturais e artísticas do Estado do Rio de Janeiro. Proporcionamos aos alunos contato com instituições como o Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico, Museu da República, Museu de Arte Moderna e Museu Imperial. Essas são boas lembranças do Rio de Janeiro que me chegaram graças à imagem das crianças na exposição de Tarsila do Amaral, em São Paulo.

A segunda surpresa foi a presença do quadro “Abaporu” no local. Através de sua dimensão até certo ponto pequena (85 cm x 72 cm), essa pintura de óleo sobre tela nos mostra a grandeza da nossa artista, que a produziu nos anos 1920, no auge do chamado período antropofágico do movimento modernista.

Apesar de hoje ser o quadro brasileiro mais valioso no mercado mundial, à frente de obras de monstros sagrados como Guignard, Cândido Portinari, Lygia Clark, Milton Dacosta e Alfredo Volpi, infelizmente, o “Abaporu” não nos pertence mais. Em 1995, a tela foi adquirida por um colecionador argentino, por US$ 2,5 milhões, num concorrido leilão realizado na Christie’s, uma das empresas de arte mais importantes do mundo, localizada em Londres, no Reino Unido. Atualmente, em valores atualizados, está valendo mais de US$ 40 milhões. Observem a valorização da obra nesses 24 anos. A nova casa do quadro de Tarsila do Amaral é o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), que gentilmente a cedeu para a exposição “Tarsila Popular”.

Dizem que o quadro foi pintado por Tarsila do Amaral para ser ofertado como um presente de aniversário ao seu então marido, o escritor Oswald de Andrade. Outra história bonita está relacionada ao nome da obra. Oswald e o poeta Raul Bopp (autor do livro “Cobra Norato”) capricharam na hora de dar um título para a obra-prima do modernismo brasileiro. Tudo foi muito bem articulado, até chegar a “Abaporu”, que veio à tona com a união de três termos em tupi guarani: aba (homem), pora (gente) e ú (comer), que significa “homem que come gente”. Logo depois foi criado o movimento antropofágico, que se notabilizou por absorver os ingredientes da cultura estrangeira e depois fazer a devida adaptação para a realidade brasileira, “devorando” as más influências, quando necessário. Alguns especialistas também costumam fazer uma analogia da obra de Tarsila do Amaral com “O Pensador”, a famosa escultura de bronze do francês Auguste Rodin. Acho pouco provável, mas o que importa é que são duas grandes obras universais.

Tribuna do Sertão,10/06/2019


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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

AO COLÉGIO ANTÔNIO VIEIRA por Marcus Quadros de Castro



Prezados Senhores,

Venho por meio deste repudiar a paralisação feita nesta data, 15/05, por essa respeitada instituição, tendo como "motivo" um evento de ordem crítica à glosa de verbas públicas destinadas á educação. Explico!

Primeiramente, por se tratar de um evento Político!

Um movimento pela "educação", repleto de bandeiras vermelhas 🇨🇳, do PSTU, PT, movimento indígena, e "professores" da CUT e CGT, gritando LULA LIVRE e FORA BOLSONARO, não pode ser caraterizado como APARTIDÁRIO!

Em segundo lugar, porque há alguns equívocos de interpretação com relação a esses cortes, promovidos pelo atual Ministério da Educação do Governo Bolsonaro.

Senão Vejamos:
O contingenciamento efetivo das verbas públicas destinadas à educação não será de 30%, como alardeado pela oposição, que visa confundir a cabeça dos menos esclarecidos.

Esse corte será de 30% das despesas DISCRICIONÁRIAS (não obrigatórias) à que as Instituições têm direito, ou seja, aproximadamente 7% do Valor total!

Em terceiro lugar, é bom que se diga, em governos anteriores, a exemplo do Governo Lula (atualmente em cárcere por condenação em 2a. instância por improbidade administrativa, corrupção e lavagem de dinheiro), cortou à sua época, R$ 10 bi da educação.


Por último, e não menos importante, é a finalidade a que tem se destinado essas verbas públicas e as respectivas instituições que tiveram esses valores contingenciados.

Anexo alguns exemplos de como algumas Universidades têm dado destinação diversa do que se pretende aos recursos públicos.

Por fim, acredito que um dos pilares da educação é o de descortinar inverdades e quebrar paradigmas. É esse papel que esperamos e confiamos ao Colégio Antônio Vieira, na condução da educação de nossos filhos.

Sem mais, despeço-me.
Atenciosamente,

Marcus Quadros de Castro
Pai de Aluno.


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quarta-feira, 3 de abril de 2019

ENTREVISTA | WILSON FERREIRA CUNHA

“Brasil levará ao menos 50 anos para se livrar da massificação que o PT criou na educação universitária”

24/09/2016 

Por Editor

Antropólogo, com formação pela antiga União Soviética, cientista político e professor da PUC-GO afirma que lulopetismo levou o Brasil ao atraso e garante: “Lula é carta fora do baralho na política nacional”

Para professor, 13 anos de PT no poder levaram a educação brasileira ao atraso | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Wilson Ferreira Cunha é daqueles professores que não têm medo de opinar e que gostam de basear suas opiniões no conhecimento adquirido ao longo dos anos. E, como historiador, antropólogo e cientista político, é possível dizer que conhecimento não lhe falta.

Nesta entrevista, o professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) faz duras críticas à educação brasileira e diz que os 13 anos da era PT à frente do governo federal levaram a educação brasileira ao atraso. Segundo ele, o lulopetismo institucionalizou um patrulhamento na Educação brasileira que pode ser comparado ao que viu quando estudou na União Soviética durante o período de Leonid Ilitch Brejnev, último ditador soviético.

“Começa pelos reitores das instituições federais de ensino e até das universidades particulares, que são atrelados aos programas obsoletos do Ministério da Educação. Há um “puxa-saquismo” geral nos meios da Educação. É preciso tirar isso, o que será muito difícil, porque é um sistema orgânico inserido na Educação brasileira, que vai levar uns 50 anos”, diz.

Euler de França Belém – A detenção do ex-ministro Guido Mantega em um hospital causou indignação, mas a indignação com a corrupção do PT não teria de ser muito maior? 
O PT está perdendo o foco principal, que é a ladroagem, a corrupção. Claro que o juiz Sérgio Moro e a Polícia Federal não tinham conhecimento da gravidade da saúde da mulher de Guido Mantega, e o juiz mandou soltá-lo imediatamente após reconhecer esse fato. Só que isso não tira a ilegalidade da posição do ex-ministro durante sua gestão, tanto que já foram bloqueados R$ 10 milhões das contas dele. O PT, como sempre, tenta desvirtuar o principal foco do problema que é a corrupção, a ladroeira que ocorreu neste país nos últimos 13 anos. Isso é uma estratégia de pessoas que têm uma imaginação totalitária de únicos detentores da verdade, os únicos que podem fazer o bem.

Euler de França Belém – Como o sr. interpreta a atitude do ex-presidente Lula, que nessa história toda parece não viver no Brasil, e parece, sobretudo, que está acima das leis?
Não é só Lula, o PT se acha privilegiado, acima de todos os brasileiros, acima da lei. Tanto que ele também fica indignado, bravo com o que foi noticiado como se fosse uma pirotecnia. Maior pirotecnia é o roubo de toneladas de dinheiro das instituições públicas como nunca aconteceu em outra parte do planeta. Esse é o principal problema. Lula e todo o lulopetismo estão identificados com o poder e não com a administração do poder, e para isso, desde 2002, começaram a ter essa estratégia de como permanecer per saecula saeculorum no poder ao longo de sua administração. Todas as ações do PT foram canalizadas para esse objetivo.

Euler de França Belém – O sr. estudou na União Soviética no período brejneviano [Leonid Ilitch Brejnev liderou o país entre 1964 e 1982], marcado por muita corrupção. Mas parece que a corrupção da esquerda soviética foi muito menor do que a que ocorreu agora no Brasil na era petista. O sr. se surpreendeu com a escala de corrupção do PT?
Todos nós nos surpreendemos, porque o PT tinha um discurso de ética, de moralismo com a coisa pública e fez exatamente o contrário; aliás, pior que os outros partidos tradicionais.

Cezar Santos – O sr. diria, então, que o PT montou uma mecânica para domínio total das instâncias de poder para benefício próprio, através da apropriação de dinheiro público?
E isso começou nos primeiros meses do governo Lula, em que foram se apropriando das instituições públicas, com o objetivo de cooptar, conciliar com os outros partidos, principalmente com o PMDB, para ter uma permanência duradoura no poder. E para isso eles precisavam de dinheiro, e tiraram o dinheiro das instituições públicas, como Petrobrás, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), fundos de pensão, Caixa Econômica Federal etc. Eles chegaram a falir a Petrobrás tamanha a roubalheira. Essa corrupção no Brasil é um marco mundial inédito, porque nunca houve no mundo tamanha usurpação do dinheiro público por parte de um partido político, no caso o PT.

Cezar Santos – Além do roubo em si, qual consequência essa escalada de corrupção promovida pelo PT causa aos brasileiros?
Isso é triste para o País porque despolitiza a política. Política não é roubalheira, política deve ser movimento para construir e desenvolver um país. Mas não é só na área financeira que o PT fez um desgoverno. Os danos foram em todas as áreas, como a educacional.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. pode citar exemplos?
Institucionalizou-se um patrulhamento inimaginável na Edu­cação brasileira, talvez pior do que o que vivi na ditadura socialista de Brejnev, que foi um dos últimos ditadores soviéticos. Há uma militância que se diz a favor dos pobres e oprimidos, dos não acolhidos, e isso reflete no ensino, tanto fundamental quanto médio e principalmente no terceiro grau. Há uma baixaria enorme na área educacional que a gente não pensaria ser possível numa democracia republicana.

Começa pelos reitores das instituições federais de ensino e até das universidades particulares, que são atrelados aos programas ob­soletos do Ministério da Edu­cação. Há um “puxa-saquismo” geral nos meios da Educação. É preciso tirar isso, o que será muito difícil, porque é um sistema orgânico inserido na Educação brasileira, que vai levar uns 50 anos. Crianças que nasceram em 2002, atravessaram os 13 anos de petismo no poder, e aqueles que tinham 15 anos, quer dizer, a geração que menos 35 anos não tem outra imagem do Brasil a não ser a dos governos petistas. Com isso, houve um prejuízo enorme na consciência, na formação do estudante, do cidadão brasileiro.

Euler de França Belém – O sr. é historiador, antropólogo, cientista político. Na sua avaliação, como fi­cará a imagem do PT na história?
Vai ficar muito ruim, será uma marca desastrosa. Com o PT erigiram-se alguns paradigmas na Educação brasileira que precisam ser destruídos. Por exemplo, criou-se o pensamento de que trabalho em grupo é que movimenta o ensino no País. Ora, trabalho em grupo justifica a imagem de que na universidade tudo se copia e nada se cria e isso se institucionalizou. Na verdade, um aluno faz o trabalho e os outros integrantes do grupo assinam. Então, isso precisa ser extirpado do ensino brasileiro.

Outro dano é a postura crítica, entre aspas, que se sobrepõe à absorção do conhecimento. A crítica é só para aquele que pensa o contrário, não é a crítica que constrói o conhecimento. Outro ponto é a frouxidão e a permissividade em vez da disciplina e da cobrança do aluno. Quer dizer, o aluno é um frequentador de aulas, sem nenhum compromisso, nenhuma responsabilidade. Veja que isso não existia nem na ditadura, época em que pelo menos os alunos procuravam adquirir conhecimento. Hoje, temos o analfabeto virtual dentro da universidade, que não sabe escrever nem falar direito.

Outros absurdos (Wilson consulta um texto que trouxe): a prioridade das atividades chamadas sociais; os trabalhos fora do estudo persistente, que é ajudar a incluir. Essa lengalenga de ajudar a justiça social, entre aspas, se tornou quase um padrão de direcionamento da política educacional brasileira. E, penúltimo, a valorização de pesquisadores de banalidades. Vê-se que as teses de mestrado e doutorado de excelência no Brasil não chegam a 2%, isso é constatado pelo próprio MEC. Gente que fez mestrado e doutorado por fazer, como se fosse uma indústria, sem nenhuma qualidade, sem resultado e sem nenhuma utilidade. É um autêntico besteirol, um festival de besteira nacional a nível de ensino.

Por último, a palavra metodologia virou assim um suprassumo da sapiência, um mantra. Fala-se de metodologia e está tudo resolvido, em detrimento dos conteúdos. Não se pode ter metodologia sem conteúdo, senão vai haver esse tipo de aluno que é o pior tipo de estudante não só no terceiro grau, mas também nos ensinos fundamental e médio. (enfático) Tanto que o MEC, agora sob nova gestão, dobrou a carga horária no ensino médio; de 800 passou para 1,6 mil horas e, nos três últimos anos, o aluno terá de escolher uma das áreas de interesse dele. Já é uma mudança positiva no ensino brasileiro.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. diz que, no período petista, a educação brasileira foi posta a serviço do partido?
Educação deveria ser uma das políticas prioritárias de qualquer partido que chega ao poder, porque não se faz um país sem educação de qualidade. Aliás, a educação no Brasil virou uma massificação, principalmente no ensino universitário. Veja que o lulopetismo instalou, em 13 anos, praticamente o mesmo número de universidades federais no País que havia nos 100 anos anteriores. O resultado é baixa qualidade e o malefício maior se dá principalmente na área da saúde. Há diversas faculdades de medicina que não têm estrutura adequada para proporcionar um ensino de qualidade. Nem precisa ir às universidades para ver, basta ir aos hospitais, ao SUS. Ao lulopetismo interessa aquele reitor alinhado e aliado ao governo federal. Na eleição de Dilma Rousseff, todos os reitores de universidades federais manifestaram apoio a ela. Isso despolitiza e deixa desânimo na população, que está percebendo isso no bolso, no dia a dia.

Euler de França Belém – Fala-se em “entulho autoritário” da ditadura. E esse “entulho petista” vai durar quanto tempo?
Na educação, deve durar cinco décadas, porque são novas gerações que terão de vir para limpar isso. Esse entulho autoritário pseudomarxista-socialista-comunista tornou de esquerda a esmagadora maioria dos professores de história. Os livros e até as questões do Enade são tendenciosas.

Cezar Santos – Sobre isso, há livros didáticos aprovados pelo MEC para alunos do ensino fundamental que trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso e elogios à gestão de Lula. 
Isso é uma estratégia política de permanência no poder a qualquer custo. A corrupção do PT veio para manter esse tipo de orientação ideológica.

Cezar Santos – A história desse período só vai poder ser lida com mais realidade quando historiadores não petistas começarem a escrever os livros de análise?
Claro, e observo que os não petistas hoje são perseguidos. Há uma patrulha enorme sobre as pessoas que contestam esse sistema de interesse político esquerdista, e são poucos historiadores e antropólogos que discutem isso abertamente. Quando fazem isso são imediatamente destroçados, alijados do processo. Para se ter uma ideia, o Departamento de História da PUC tirou do currículo a disciplina antropologia. E por quê? É uma postura ideológica, porque a antropologia não se filia a nenhuma corrente, é uma concorrente ao marxismo-leninismo, é uma disciplina que não interessa a isso. Aliás, não existe neutralidade em nenhuma disciplina. O grande historiador judeu francês Marc Bloch (1886-1944), que foi fuzilado pela Gestapo de Hitler, propõe uma história na busca de problemas, uma história problemática, digamos. Esse é o foco da história: levantar os problemas do passado para não repeti-los no presente. E esse pós-socialismo, principalmente no Brasil e em países latino-americanos, está querendo introduzir de novo ideias marxistas e socialistas que foram colocadas na prateleira. Hoje, nem os próprios russos as defendem, nem os chineses; sobram aí o Vietnam do Norte, a Coreia do Norte, Cuba e talvez Equador, Venezuela. Tudo isso querendo se contrapor a um movimento globalizante, capitalista, que é inexorável. Aliás, esses ditos esquerdistas adotam as benesses do capitalismo. Eu pergunto: por que eles não trazem os economistas desses países para instaurar um modelo deles? Mas é uma questão de estratégia usar o processo representativo democrático do Brasil e utilizar eleições, com falatório de inclusão, de justiça social, de igualdade, para espalhar ideias ultrapassadas e obsoletas.

“Petistas não têm coragem de mostrar a sigla”

Euler de França Belém – Em texto recente, o filósofo Luiz Felipe Pondé diz que numa escola de elite em São Paulo, o professor determinou aos alunos um trabalho sob o tema “Fora, Temer golpista”… 
Isso não fica só nas escolas. O próprio Jornal Opção já falou sobre o corporativismo, que é muito forte no Brasil. A criação de sindicatos em qualquer esquina se deu para fortalecer seguimentos de trabalhadores, mas que eram cooptados pelo governo federal. Isso é uma aberração. São mais de 11 mil sindicatos no País e todos defendendo essa linha. Dizem que o impeachment foi golpe. Como golpe, se Michel Temer foi escolha de Dilma? Se fosse golpe, ela deveria ter convocado as forças armadas para bloquear esse movimento golpista. “Golpe”, no Brasil, é uma me­táfora porque a palavra é nefasta no País, que se lembra do período da ditadura. Então, esse foi um argumento usado para penetrar na população e, até certo ponto, deu certo, porque tem gente que repete esse discurso. Eles não têm mais o governo federal nas mãos, mas ainda têm esses núcleos militantes, que são fortes.

Cezar Santos – O lulopetismo e, de alguma forma, a esquerda abdicou de discutir a ética e a moral. Como o sr. vê esse movimento?
Há um discurso de afirmação de grupos, por questões políticas e de defesa do seu próprio umbigo. Tanto que essas eleições serão uma amostra do que será a vida do PT pós-impeachment: em São Paulo, nas eleições passadas, eram mais de 9 mil candidatos a vereador e, hoje, não são 4 mil. Aliás, os candidatos do PT não têm coragem sequer de mostrar a sigla do partido junto com a sua foto. A estrelinha está o menor possível. Eles mesmos estão envergonhados de si, pois, mesmo entre os petistas, existe gente honesta.

Euler de França Belém – Qual será o Brasil após esse período conturbado? Estamos ven­do a cara dos nossos políticos, empresários e dos nossos intelectuais, mas vemos também as instituições funcionando, como Polícia Federal, Minis­tério Público e o Poder Judi­ciário. A sociedade brasileira melhora depois disso?
A perspectiva não é a do avanço de um regime totalitário, apesar de que a briga atual, não apenas no Brasil mas no planeta, é das posições totalitárias contra as posições abertas. E é claro que a esquerda defende, com arrogância, ser a única dona da verdade e consegue ter adeptos, porque é a narrativa de uma utopia acerca de algo que poderia acontecer e que foi visto por Rousseau ou Marx, nos séculos XVIII e XIX. Quer dizer, o mundo já está caminhando para outro lado e o Brasil, que não é um país como Equador ou Venezuela, deve se beneficiar desse novo quadro. O Brasil tem uma sociedade mais evoluída e um capitalismo presente, mesmo que muitos empresários tenham sido cooptados pelo governo federal e agora estão presos. Então, o País pode, por meio da Lava Jato, que é uma nova leitura jurídica dos ilícitos corridos no Brasil, dar mais valor aos fatos e não à narrativa criada.

Temos linhas jurídicas diferenciadas em que é possível pe­gar o bandido, principalmente o de colarinho branco, verificando o caminho percorrido pelo di­nheiro, pela propina. É a “propinocracia”, palavra criada por Deltan [Dallagnol, procurador Mi­nistério Público Federal e co­ordenador da força-tarefa da O­peração Lava Jato]. Isto é, o “go­verno da propina”, que realmente foi instituído no País. Quem participou ficou indignado quando a denúncia foi feita, mas não ficou indignado com o uso da propina. Agora, denúncia não significa acusação. A acusação foi aceita e o processo foi ini­ciado. Os méritos do processo, os fatos, é que são inquestionáveis. Veja o caso de Mantega, que teve a prisão decretada exatamente porque há fatos concretos mostrando que ele pegou propina.

Euler de França Belém – Muitos acreditam que Lula já ficou no passado e deve ser debatido como figura histórica. O sr. acredita que Lula tem algum futuro político?
Não deveríamos acreditar nisso, porque Lula é uma carta tirada do baralho a nível político nacional. Mas quem vai referendar essa conclusão é o eleitor brasileiro e, provavelmente, nem será candidato em 2018. Essa já é uma aposentadoria, porque a marca do governo petista foi, desde 2003, corrupção. E os demais partidos, sobretudo o PMDB, assim como os empresários, também são culpados disso. E outra coisa: há um conluio para barrar a Lava Jato. No Congresso, há mais centenas de deputados e senadores envolvidos na “propinocracia”, tanto que tentaram, na calada da noite, absolver aqueles que estavam envolvidos em esquemas de caixa dois, isto é, dar aos políticos evolvidos nisso, anistia. Caixa dois é algo usado até hoje. Nessas eleições, o próprio Tribunal Superior Eleitoral já denunciou quase 20 mil casos, no País inteiro, de mortos e pessoas que recebem Bolsa Família doando quantidades grandes de dinheiro. Esse é o jeitinho, a malandragem, que não é só do político, mas também é parte da cultura, do comportamento antropológico brasileiro.

Euler de França Belém – O sr. acha que a política exterior do Brasil já melhorou com José Serra?
Claro. Isso trouxe oxigênio ao País, o que é bom politica e economicamente, porque há certa confiabilidade na trajetória do governo Temer. Os resultados são vistos na economia. Agora, é engraçado que as pessoas do governo passado não assumem o que é atribuído a ele, mas querem que Temer resolva, em três meses, o rombo de treze anos.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. não vê nada de positivo nos governos da última década?
O que esses governos trouxeram de positivo foi o entendimento de que não se pode confiar em político. Quem disse isso pela primeira vez foi Maquiavel, de que política se faz com humanos e não com santos, com messias. E humanos são capazes de prejudicar pessoas e também o País. Então, isso é um aprendizado. O prejuízo foi que o lulopetismo misturou o público e o privado.

O Brasil foi patrimônio dos portugueses durante 400 anos e patrimônio do lulopetismo du­ran­te 13 anos, como se a “coisa pública” pertencesse àquele partido que chegasse ao poder. Por isso, a população deve se indignar com a ladroagem que aconteceu nesses 13 anos, porque foi dinheiro público, fruto de impostos que a população pagou, que foi direcionado a empresas privadas, partidos políticos e até para o bolso particular de uma quantidade enorme de políticos. Então, o Brasil viu que não se pode confiar em muitas pessoas.

A democracia tem que ser reavaliada sempre, pois é muito vulnerável. Todos participam e vemos pessoas desonestas participando e que estão ali para atender a interesses pessoais. E também é uma oportunidade de a população perceber quem está falando a verdade, tanto que o melhor político hoje, no sentido de ganhar voto, é aquele que fica em cima do muro. É o genérico da política e quanto menos atitudes e posições ele tiver, melhor. Tanto que os políticos só faltam prometer vida eterna, saúde e fortuna.

Euler de França Belém – É possível perceber um descompasso no Brasil. Goiânia, por exemplo, é uma cidade moderna, mas que tem um candidato como Iris Rezende, que não tem uma visão moderna de cidade. Por que existem, no Brasil, figuras retardatárias como essa?
Iris deve ser o último populista que nós temos, cheio de proselitismo e retóricas tradicionais. Mas a culpa disso está na discussão política que começa na escola e na universidade e que foi aplacada durante esses 13 anos. Então, não se viu surgir novas lideranças no País. Por isso, temos as “familiocracias” que governam desde as capitanias hereditárias, transmitindo de geração para geração a mesmice, sem nenhuma mudança significativa.

E Iris não é único. Existem muitos “Iris” espalhados pelo Brasil, assim como muitos “Lulas”, pessoas que se veem em uma missão messiânica, de chamamento para resolver os problemas de uma cidade que é muito complexa, da saúde ao transporte público. Os candidatos não têm coragem de colocar sobre a mesa ideias, propostas e planos viáveis com o orçamento da cidade, afinal, existem limites. Veja que tem candidato propondo colocar videomonitoramento em todas as esquinas da cidade. Fala-se em construir um hospital 24 horas, pagando R$ 3 mil a um médico? Então, esse discurso se mantém porque não hou­ve renovação durante 13 anos. Es­sa cooptação do governo federal em todas as áreas atrasou o Brasil por décadas. Se fosse um país verdadeira, que discutisse a realidade das cidades, dos Estados e do País, não teríamos esse atraso. Nós regredimos ao invés de avançar.

A sociedade avançou, Goiânia avançou, é moderna. A sociedade evoluiu, mas os políticos permaneceram. Então, essa eleição pode mudar a forma de fazer política para as próximas eleições. Como? Uma reforma política que extinga o fundo partidário, que é uma aberração. Tem partido que vive só pelo fundo partidário, que chega a garantir de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por ano. Isso é uma loteria esportiva. (enfático) São partidos nanicos e que têm meia dúzia de militantes que ficam aí, sem produzir, sem trabalhar.

Cientista político Wilson Ferreira da Cunha: “Política eleitoral não é tudo numa sociedade. Quem faz sociedade é a própria sociedade. Os próprios moradores que vão fazer a cidade” | Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – O sr. tem notado o eleitor de Goiânia perceptivo? Parece que o eleitor tem avaliado inclusive os candidatos a vice.
Sim. Ele examina quantas vezes, por exemplo, Iris deixou a Prefeitura. Iris não termina um mandato. A perspectiva de ele se colocar como candidato foi praticamente no último minuto do segundo tempo. Ele não era candidato. Quando percebeu que o PMDB não tinha preparado um nome para ter visibilidade e densidade eleitoral, ele se apresentou como candidato.

Foi ingenuidade nossa acreditar que não seria candidato. Claro que ele tinha a possibilidade de perder a oportunidade de o PMDB conseguir a Prefeitura de Goiânia. Isso é determinante. Com relação a Vanderlan, provavelmente graças à sua campanha, ele foi subindo nas pesquisas, que não é a eleição. Pesquisa é o retrato do momento, não é resultado eleitoral. Isso pode parar também ou continuar. A gente não sabe.

Agora, há uma teoria política onde 40% dos eleitores seguem a maioria. Se aquele candidato está tendo mais votos, os 40% que vêm aí vão desembocar na urna a favor desse mais favorito.

Marcos Nunes Carreiro – As pesquisas acabam pautando o voto do eleitor?
Sim.

Marcos Nunes Carreiro – Essa é a primeira eleição após essa minirreforma eleitoral, que não pautou mudanças profundas, mesmo com o financiamento de campanha e o tempo modificados. Já é possível ter alguma avaliação do resultado prático disso ou é preciso esperar a eleição acabar para poder analisar?

Esperando é melhor, mas já é possível falar alguma coisa. Vimos a diminuição do marketing. Praticamente fazia-se um produto, não um candidato. Apresentava-se o melhor produto. O marqueteiro fazia isso e ga­nhava a eleição com esse raciocínio de que os 40% seguem aquele mais vitorioso. Mas haverá a possibilidade de ter uma reforma política e mudar o jeito de votar. Talvez com a intenção dos próprios candidatos. Porque eles estão vendo que é muito mais difícil chegar ao eleitor.

Se houvesse distribuição dos eleitores por distrito, dos votos, o contato seria mais presente e mais eficiente, com o número delimitado de eleitores que iria votar naquele candidato. Eles vão sentir isso lá na frente. Não precisa fazer uma reforma política, basta mudar o voto proporcional majoritário para proporcional para acabar com esse distanciamento.

Outra coisa é acabar com as coligações e depois implantar um mínimo necessário como existência para partido político. Ele pode continuar a ser da política, mas não como partido político.

E sem dinheiro do fundo partidário. Não vai proibir que haja manifestação, pois na democracia você tem o livre direito à manifestação, mas não entrar na composição político-jurídica do País. Aí você vai filtrar mais e ter partidos com mais representatividade de ideias, de projetos e vai haver mais transparência e identidade.

Política eleitoral não é tudo numa sociedade. Quem faz sociedade é a própria sociedade. Os próprios moradores que vão fazer a cidade.

Cezar Santos – Em democracias mais maduras o voto não é obrigatório.
Outra coisa é deixar de ser obrigatório o voto. Tanto que nas eleições dos Estados Unidos nem 50% dos eleitores comparece no dia da votação. E o país deslancha. A gente dá muita atenção e poder àquele profissional político. Precisamos diminuir o papel do político profissional na sociedade, diminuir o papel do governo, do Estado. Aí você terá menos interferência na vida da própria sociedade nos aspectos econômico, político e individual.

E vai aflorar indivíduos com mais compromisso e responsabilidade quando se apresenta co­mo candidato. E não como salvador da pátria, como Messias, insubstituível. Praticamente quase todos os candidatos se creem insubstituíveis. Se não for ele, outro não presta. Com isso você terá administrações municipais e não administrações de partidos e de indivíduos que eventualmente estão no poder.

Você administra em uma gestão pública para o município. E não para aquele partido. Então você descaracteriza essa marca partidária e põe um gestor público, que é o que mais interessa ao município, Estado e União. Nós temos que pensar um novo pacto federativo.

Marcos Nunes Carreiro – O número de municípios é muito grande, na visão do sr.?
Será que o Brasil suporta 5.770 municípios? Não. Mais de 3 mil municípios são dependentes do governo federal e estadual. Nessas eleições deveria ser discutido isso. Eu acredito que isso seja a primeira pauta da agenda dos municípios brasileiros. Discutir o novo pacto federativo e uma nova forma de implantar municípios. Município é um lugar que deve ter autonomia econômica, autonomia financeira, gestão própria para sustentar os três poderes. É uma discussão muito interessante que vai refletir a nível estadual e federal.

Aqueles 3 mil municípios dependentes serão colocados como distritos ou povoados. Se ele alcançar uma autonomia, que é feito pelos moradores daquele povoado ou distrito, onde as pessoas crescem, enriquecem e sobe de degrau para distrito ou município. Essa discussão ela está não está sendo colocada em nenhum Estado brasileiro. Nem os candidatos estão colocando isso em discussão. Goiânia mesmo tem que discutir com cidades do entorno.

Cezar Santos – Não se fala de uma política de maior alcance, só se trata das coisas pequenas.
Existe mais um populismo demagógico, proselitismo, não há discussão política. Isso desqualifica a política municipal. Isso é gravíssimo. É um dos momentos mais importantes para se colocar em pauta.

Política se faz escolhas de ideias e posições, de doutrinas. A democracia precisa se reavaliar sempre. Não significa que isso será um ponto final na discussão política. Não há terminalidade. São três pontinhos. Isso é um processo, não é fechar a questão.

Todas as gestões públicas só devem ser avaliadas depois de terminadas essas gestões. No processo se houver algum desvio, como no caso da trapalhada da Dilma, você interferir. Está aí a existência dos três poderes autônomos. As regras democráticas exigem que cada um dos poderes seja independente e cada um tenha a sua atribuição, autonomia e prerrogativa.

Um caso interessante é analisar os candidatos a vereador, e mesmo a prefeito. Eles têm que saber reconhecer qual o terreno deles. Goiânia, por exemplo, termina ali na primeira rua em contato com Aparecida de Goiânia. Ele acha que vai sair da Câmara Municipal algum decreto para resolver o problema da inflação, da saúde, dos preços.




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domingo, 18 de novembro de 2018

O NOVO GOVERNO E A EDUCAÇÃO - Arnaldo Niskier


O novo governo e a educação

Jair Bolsonaro, o candidato do PSL - Partido Social Liberal, foi eleito o novo presidente do Brasil, e no discurso que fez, no anúncio de sua vitória, prometeu transformar o Brasil em uma grande, livre e próspera nação, “reduzindo a sua estrutura e a burocracia, cortando desperdícios e privilégios, para que as pessoas possam dar muitos passos à frente”. Esperamos que ele seja feliz em seus objetivos, mas quais serão os seus planos para o setor da educação?

No seu programa de governo, Jair Bolsonaro reclama do baixo desempenho registrado no país no segmento da educação. Ele utiliza frases de efeito – do tipo “gastamos como os melhores” e “educamos como os piores” - para mostrar que os investimentos financeiros no setor (mais de R$ 100 bilhões) são incompatíveis com o péssimo nível educacional dos estudantes. Mais adiante, defende uma inversão na pirâmide, ou seja: o governo precisa destinar maiores aportes de recursos na educação infantil, ao contrário do que ocorre hoje, quando prioriza a educação superior. Essa proposta, se aplicada, traria uma mudança radical na política do setor.

O programa também prevê o estabelecimento de pelo menos um colégio militar em cada capital brasileira até 2020. Esse projeto de militarização das escolas como uma opção para o futuro do país foi muito defendida durante a campanha. Segundo ele, os alunos de colégios em regiões violentas melhoraram o desempenho quando militares se tornaram diretores. Ele cita os exemplos das unidades existentes no Amazonas e em Goiás, e vai listar os estados que não tenham colégio militar para que passem a contar com uma unidade. O maior deles seria construído no Campo de Marte, em São Paulo.

Além de acabar com a aprovação automática, o novo presidente apresenta uma proposta de fundo social que chama muito a atenção: alunos e professores de universidades públicas privadas seriam destacados para dar aulas de reforço escolar em áreas carentes. Ele também quer a volta das disciplinas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil (OSPB), e para isso será preciso trabalhar em novos estudos para propiciar mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Lembramos que até hoje o BNCC do ensino médio está em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE) e não foi liberado.

Ao abordar a questão do método de gestão na educação, o programa de governo do PSL fala em revisão e modernização do conteúdo. O objetivo é claro: expurgar do sistema todas as referências às doutrinas marxistas na formação dos professores e também na alfabetização dos alunos. Em relação ao trinômio “inovação-ciência-tecnologia”, Jair Bolsonaro, que visitou diversos países, considera esgotado o modelo atual, que é centralizado e comandado de Brasília. Ele chama a atenção para os programas desenvolvidos em Israel, Estados Unidos, Taiwan, Coreia do Sul e Japão, que dão grande ênfase aos cursos técnicos e às carreiras de exatas.

Vamos esperar 2019, quando começa a gestão do presidente eleito, para que tenhamos uma visão real das suas propostas. De antemão, ele admite que é possível fazer muito mais com os atuais recursos disponibilizados para o Ministério da Educação, e isso é um bom indício. Em seu discurso, também podemos destacar o aceno que ele fez à juventude: “Aos jovens, palavra do fundo do meu coração: vocês têm vivido um período de incerteza e estagnação econômica, vocês foram e estão sendo testados a provar sua capacidade de resistir. Prometo que isso vai mudar, essa é a nossa missão. Governaremos com os olhos nas futuras gerações e não na próxima eleição”.

Tribuna de Petrópolis , 08/11/2018


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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

UMA INTELIGENTE SABATINA - Arnaldo Niskier


Uma inteligente sabatina

Conduzidos pela professora Bilba, os alunos da segunda série do ensino fundamental da Escola Eliezer Max, do Rio de Janeiro, submeteram este autor a uma inteligente sabatina, com perguntas de todos os calibres. É verdade que o sr. nasceu em Pilares e que os seus pais eram poloneses? Por que vieram para o Brasil?

Tive que explicar o que era o nazismo na Europa e a terrível perseguição aos judeus. Estudei em escolas públicas e delas não saí nem quando passei à vida universitária, toda ela realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei em Matemática e Pedagogia. Porque escolhi a profissão do magistério e, nos primeiros tempos, a minha matéria preferida era a Matemática. Tive que explicar a influência dos meus irmãos mais velhos, dois dos quais eram engenheiros.

Quando escrevi o primeiro livro? Foi em 1964 e o título, “Administração Escolar”. Tinha acabado de fazer um concurso na UERJ e uma editora de Porto Alegre (Tabajara) me ofereceu para publicar a tese, o que aceitei de imediato. Depois, em parceria com a minha colega, professora Beatriz Helena Magno, resolvi elaborar a coleção de livros de Matemática para o ensino fundamental (“A Nova Matemática”), por Bloch Editores, um sucesso incomparável. Vendemos cerca de 10 milhões de livros, muitos dos quais para o programa do livro didático do MEC.

Hoje, escrevo uma crônica semanal que é distribuída para 13 jornais do país inteiro. O tema costuma ser educação, sem dúvida a minha grande preferência. Quando chego a 100 artigos, reúno e faço um livro, como vai acontecer com o próximo: “Identidade Brasil”. Espero que saia até o final do ano.

A garotada queria saber quais os últimos livros lidos. Levei um susto quando falei no “Homo Deus”, de Yuval Harari, e um menino de óculos disse que era a obra que estava sendo lida por seu pai, como se já estivesse familiarizado com esse bestseller. Tão cedo!

A turma ficou espantada quando contei que já tinha escrito mais de 100 livros, a maioria para crianças. Por que essa preferência? Tive que explicar a minha admiração desde cedo por Monteiro Lobato e, consequentemente, a sua influência sobre o meu trabalho.

Alguns meninos queriam saber também o que representou ser secretário de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, que fui em dois mandatos. O Rio tem muitas escolas e é preciso que elas sejam devidamente administradas. Já as meninas estavam mais interessadas na minha vida acadêmica. Quando disse que já estava há 34 anos na Academia Brasileira de Letras, de onde hoje sou o vice-decano, houve uma certa comoção, sobretudo quando citei o prazer de conviver com autores como Jorge Amado. É mesmo? – perguntou uma lourinha, como se não estivesse acreditando.

Diário Regional, 19/08/2018


Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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