Total de visualizações de página

quarta-feira, 23 de maio de 2018

TENTATIVA DE RESSURREIÇÃO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE


23 de Maio de 2018

Teologia da Libertação e CEBs — a doutrina comunista infiltrada nos ambientes católicos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 809, maio/2018

Após o 14º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base(CEBs), realizado em Londrina (PR) entre 23 e 27 de janeiro, o público católico se surpreendeu com a reportagem de Bernardo Pires Küster [foto ao lado] via YouTube, na qual denunciava a reorganização da militância esquerdista nos meios eclesiásticos.

As CEBs pareciam semi-mortas desde as graves denúncias de Plinio Corrêa de Oliveira em 1982, no livro “As CEBs… das quais muito se fala, pouco se conhece — a TFP as descreve como são” (link no final), mas tentam agora sair das cinzas onde jaziam. O Prof. Plinio delineou claramente nesse livro o panorama brasileiro no qual se inscreve a atuação da CNBB, ponta de lança do esquerdismo no País e principal propulsora das Comunidades Eclesiais de Base. E na segunda parte os irmãos Gustavo Antonio Solimeo e Luís Sérgio Solimeo, dois sócios da TFP, revelaram ao público, com base em opulenta documentação, a intensa agitação promovida pelas CEBs no campo, na periferia das cidades e nas fábricas. Agitação que procurava levar o País, pela via das reformas, ao termo final da implantação do regime comunista. Dessa fermentação das CEBs surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT), o MST e a maioria dos grupos de esquerda no Brasil.

Seis edições desse livro totalizaram 72 mil exemplares, divulgados em 1.950 cidades de todos os Estados brasileiros, mas a grande mídia “ignorou” o livro e as denúncias. Também o clero esquerdista fingiu não ter percebido o golpe certeiro e incômodo. Após as enormes manifestações que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e no julgamento, condenação e prisão do ex-presidente Lula, as esquerdas tentam se revitalizar através do acobertamento de entidades católicas e reativação das CEBs.

Segundo Bernardo Küster, o PT perdeu “capilaridade municipal. Os sindicatos também perderam dinheiro, e as CEBs constituiriam nova esperança de reorganização da militância política”.

Residente em Londrina, Bernardo Pires Küster, 30 anos, é pós-graduado em Administração de Empresas. Atua como jornalista, produtor e escritor. Esteve presente no evento das CEBs em Londrina, e os vídeos que produziu, alertando para o que aconteceu nesse encontro, tiveram larga divulgação, um deles com mais de 700 mil visualizações.

No dia 23 de abril, em visita à sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, na capital paulista, Küster concedeu ao nosso colaborador Nelson Ramos Barretto a entrevista abaixo.

*       *       *

Catolicismo — Qual é a sua principal crítica à Campanha da Fraternidade, lançada pela CNBB neste ano? Em vídeos recentes o senhor afirma que falta um controle das doações recebidas, parte das quais estaria indo para ONGs favoráveis ao aborto.

Bernardo Küster — O problema da Campanha da Fraternidade não diz respeito apenas às doações questionáveis feitas a ONGs, algumas favoráveis ao aborto, ao “casamento” homossexual, ao sexo livre e à Reforma Agrária socialista. Essas doações são provenientes dos 40% arrecadados no Brasil inteiro durante o Domingo de Ramos. Encontrei esta informação, pesquisando no próprio site da Campanha da Fraternidade.

O problema é que tal campanha, embora trate a cada ano de temas diferentes, é sempre politizada à esquerda. Creio não ter visto ao longo dos anos nenhuma Campanha da Fraternidade focada num aspecto doutrinário com implicação prática na vida do católico. Ou ainda, que aplique a doutrina social da Igreja. Pesquisei suas edições antigas, dos anos 60, 70, 80… Todas elas, sempre politizadas à esquerda.

No ano passado, a campanha intitulou-se Bioma e a defesa da vida, mas só foi tratado o problema do bioma, ficando de fora a defesa da vida humana. Não se combateu o aborto, a ideologia de gênero ou a eutanásia. O problema da Campanha da Fraternidade é esse. Sua edição deste ano, que trata da fraternidade e da superação da violência, é uma defesa aberta de grandes temas socialistas, como desarmamento civil e maior ingerência do Estado na vida social.

Tenho insistido nisso, pois há um apelo excessivo às funções sociais do Estado, como se ele fosse responsável pelas políticas públicas. O Estado, segundo a doutrina social da Igreja, deve atuar conforme o princípio de subsidiariedade, ou seja, não deve chamar a si todas as atribuições, mas deixar para as instâncias inferiores as que elas são capazes de realizar. Na Campanha da Fraternidade de 2018 há também um apelo à questão de gênero, com sugestões relacionadas ao aborto e ao feminismo.

Catolicismo — Na verdade, uma agenda revolucionária…

Bernardo Küster — Sim, uma agenda revolucionária na Campanha da Fraternidade. Essas são as minhas principais críticas. Por que não trata da violência contra os cristãos, contra o genocídio representado pelo aborto, contra a família que vem sendo dizimada pela imoralidade e pela ideologia de gênero? Por que não se refere à violência que o socialismo causa na China, na Nicarágua, na Venezuela, na Bolívia, na Coreia do Norte, em Cuba, no Brasil? Por quê?

Catolicismo — Suas denúncias repercutiram muito, tendo recebido apoio de muita gente. Mas também alguns críticos levantaram a objeção: um simples leigo não pode criticar a ação de Bispos. Como o senhor se defendeu?

Bernardo Küster — De fato, trata-se de uma questão espinhosa, mas a resposta é simples: Pode sim! E esta resposta está ancorada no próprio Catecismo da Igreja e no Código de Direito Canônico, onde se define que um leigo pode não apenas chamar a atenção da autoridade eclesiástica, mas em certas circunstâncias tem até mesmo esse dever, desde que o faça com o devido respeito.

Santo Tomás de Aquino, estudando o episódio em que São Paulo repreendeu São Pedro, escreve: “Aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos súditos (foi dado) exemplo de zelo e liberdade, para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos […].

“A repreensão foi justa e útil, e o seu motivo não foi leve: tratava-se de um perigo para a preservação da verdade evangélica […]. O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto. Por isso, São Paulo escreve: ‘Falei a Cefas’, isto é, a Pedro, ‘diante de todos’, pois a simulação praticada por São Pedro acarretava perigo para todos” (S. Tomás de Aquino, Suma Theol., II-II, 33, 4, 2. / S. Tomás de Aq., ad Gal., 2, 11-14, lect. III. n).

Portanto, quando há perigo para a Fé, o fiel pode repreender a autoridade eclesiástica. Se um bispo ensinar esse tipo de erro, nós temos o direito de denunciar.

Cena do Encontro das CEBs em Londrina
Catolicismo — O senhor percebeu esse perigo para a Fé, nas campanhas promovidas pela CNBB?

Bernardo Küster — O apoio da CNBB à esquerda pode ser constatado em vídeos, textos e tantos documentos. E esse apoio público representa não pequeno risco para a fé dos católicos, pois o comunismo é uma ideologia anticristã. A chamada Teologia da Libertação é anticristã na base, por ser marxista. Trata-se, portanto, de um perigo real para a Fé. Quando há perigo para a Fé e a Moral, temos o direito de denunciar.

É importante que a denúncia seja sustentada por provas, como fotografias, vídeos, áudios; documentos, enfim. Caso contrário, poderia ser invalidada como infundada ou fraudulenta, e se tornaria infrutífera. Deve também ser conduzida com o devido respeito, é claro. Eu desaprovo, desaconselho e condeno quem usa palavras vulgares contra um Bispo da Santa Igreja. Além de ser falta de respeito, não resolve nada. Só piora, pois desvia o foco da discussão.

Catolicismo — Tendo presenciado o encontro das CEBs em Londrina, em janeiro último, o que lhe pareceu mais grave?

Bernardo Küster — Vou enumerar do mais grave para o menos grave, do ponto de vista da doutrina católica. O mais grave, para mim, foi o abuso da liturgia. Tenho vontade de chorar, pelo que vi ser feito com o Corpo de Nosso Senhor na hóstia consagrada, naquele encontro em Londrina. Foi simplesmente abominável! Estavam presentes 60 bispos da Igreja Católica, entre eles o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, que havia sido Arcebispo em Londrina, e trouxe o 14º Intereclesial das CEBs para a nossa cidade. Ele esteve presente e participou de tudo aquilo, servindo o Sangue de Cristo em jarra de suco. As hóstias pareciam pão árabe, colocadas em tacho de barro. Eles entravam dançando, distribuindo-as de qualquer jeito às pessoas. Quem entregava as hóstias enxugava o suor com a mão, em seguida pegava a hóstia e entregava aos presentes. Houve outros abusos litúrgicos, como danças de candomblé, deturpação das Escrituras. Estas foram para mim as partes mais graves, pois envolvem uma questão central da Igreja, que é a Fé.

O nível um tanto mais baixo foi a preocupação política, financeira e jurídica do evento, devido às seguintes razões: 1) a presidente Dilma sofrera impeachment em 31 de agosto de 2016; 2) os sindicatos, que são e sempre foram linhas auxiliares importantes para a agenda esquerdista, perderam a contribuição sindical obrigatória; 3) Lula seria preso, muito possivelmente, pois já estava condenado em 1ª e 2ª instâncias; 4) nas eleições de 2016, o PT perdeu 64% das prefeituras e das vereanças no Brasil; 5) o movimento conservador e liberal vem crescendo consideravelmente no Brasil.

Para uma análise da conjuntura, considerando esses cinco pontos, podemos colocar-nos no lugar de um petista, e constaremos que a situação é crítica. O que se faz numa situação crítica, quando a casa parece prestes a desabar? Deve-se voltar para os fundamentos. E qual é a pedra fundamental do PT? As CEBs.

Dom Paulo Evaristo Arns, Lula e Frei Betto: a esquerda católica nas orignes do PT.

Catolicismo — Quem foi o principal mentor dessa reunião das Comunidades Eclesiais de Base, e o que se conhece dele?

Bernardo Küster — Frei Betto, que foi também o mais constante mentor intelectual de Lula. Foi ele quem levou Lula a Cuba e o apresentou a Fidel Castro. Isso está relatado na biografia dele, onde conta como a esquerda conseguiu vencer em Cuba. Todo católico deveria ler essa biografia, para conhecer melhor o personagem e aumentar o repúdio a ele. Frei Betto descreve que teve a ideia de criar o PT com o Lula, por causa de uma conversa que tivera com Fernando Henrique Cardoso, Plinio de Arruda Sampaio e Almino Afonso. Fernando Henrique queria constituir um partido com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), mas Frei Betto não aceitou. Foi então para o ABC Paulista e deu a sugestão a Lula. Um ano e meio depois, estava fundado o PT. O nome saiu da boca de Frei Tito, que era outro comunista. Esse Frei Tito chegou a ser preso pelo regime militar. Em 1974, cometeu suicídio quando já vivia na França.

Foi Frei Betto, portanto, quem teve a ideia de criar o PT. O mesmo Frei Betto que militou na Ação Libertadora Nacional, que teve a ideia de realizar o Foro de São Paulo, e que terminou de consolidar a infiltração comunista na Ordem Dominicana no Brasil (junto com Frei Ivo e Frei Fernando). Amigo pessoal de Marighela e de Fidel Castro, ajudou na revolução sandinista na Nicarágua e fez frequentes viagens ao mundo socialista, como relata no livro Paraíso perdido, viagens ao mundo socialista. Nesse livro ele conta que levava cartas de Dom Paulo Evaristo Arns a Fidel Castro e cartas de Brizola. Ali ele inclui uma frase de Fidel Castro para Dom Pedro Casaldáliga, que ele ouviu em 1985: “A Teologia da Libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana”. Esse homem estava presente agora em Londrina, como o mentor e guru das CEBs, que ele sempre foi. O primeiro inter-eclesial foi lançado por ele em 1985, em Vitória, para poder capitalizar a Teologia da Libertação e a revolução no Brasil, como ele mesmo afirmou. Esse é o objetivo.

Catolicismo — Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP, denunciou com insistência a infiltração comunista nos ambientes católicos, inclusive como autor do mencionado livro sobre as CEBs. Muitos do seu tempo não lhe deram ouvidos, mas hoje a opinião pública está prestando mais atenção e reagindo diante de uma realidade que lhes penetra olhos adentro. Como o senhor avalia a reação que existe hoje diante dessa infiltração comunista?

Bernardo Küster — Com a perda de peso dos sindicatos, perda de prefeituras, impeachment de Dilma, condenação de Lula, o movimento conservador cresceu muito. Em parte esse crescimento se deve ao Dr. Plinio, que criou um ambiente cultural, um caldo de cultura junto à opinião pública para que isso fosse possível. Obviamente, outros também tiveram papel importante no trabalho de criar esse ambiente e furar a barreira da agenda da esquerda que se impunha.

O conhecimento que essas pessoas nos passaram permitiu que víssemos a perversidade, a perfídia dessa gente. O próprio Frei Betto escreveu que, quando ele participava da JEC (Juventude Estudantil Católica), o objetivo dela era a revolução. Desde os anos 70, esse pessoal entrava na Igreja Católica para fazer a revolução, e a leitura desses livros nos ajuda muito a confirmar isso.

Catolicismo — O senhor não teme ser perseguido, punido, como que “excomungado” pela CNBB em razão de suas denúncias?

Bernardo Küster — Sei que isso pode acontecer, como de fato está acontecendo, mas não temo. Ressalto e digo tudo publicamente, porque foram declarações públicas feitas por bispos da Igreja. Fui chamado de excomungado, verme, protestante, marxista, e também de católico reformado (em referência à reforma protestante). Nem menciono os xingamentos recebidos de padres, muitos de baixo calão. Mas argumento sério, que é o importante, nenhum. Quando o argumento cai, e permanece o ataque pessoal, é porque eles tentam esvaziar a mensagem e tirar a credibilidade do mensageiro. Mas diante de fatos contundentes, bem apresentados e de forma pedagógica, eles não têm o que dizer.

Sobre a questão que levantei, das doações da CNBB para a ABONG, ela emitiu nota dizendo: “O dinheiro não ficou com a ABONG”. No entanto, a própria ABONG divulgou nota no dia 26 de fevereiro, na qual afirma: “Nós mesmos administramos o dinheiro”. Portanto, a própria ABONG o confirmou! Por que a CNBB não se retratou? Porque não tem o que dizer. Eu poderia replicar, como Nosso Senhor Jesus Cristo fez diante dos que o insultavam e agrediam: “Se eu faço mal, por que não me dizem o mal que fiz? Se faço o bem, por que me batem e me criticam?”.

Se falei uma mentira, que eu seja desmentido. Se assim for feito, eu vou pedir perdão, sem nenhum problema. Mas se é verdade o que eu disse, corrijam-se, peçam perdão pelo erro cometido, e se proponham a reparar os danos praticados. Esta seria uma atitude de coerência e humildade cristã.

 Ion Mihai Pacepa
Catolicismo — O senhor poderia dizer aos nossos leitores o que pensa da Teologia da Libertação, descrever suas origens e seus objetivos?

Bernardo Küster — Sucintamente, a Teologia da Libertação, segundo afirmou o próprio Bento XVI, não pode ser chamada de heresia, pois a heresia pega apenas um ou dois pontos de doutrina, e ora os exalta demais, ora os apaga. Já a Teologia da Libertação é uma revisão total e absoluta do Cristianismo.

Segundo Ion Mihai Pacepa [foto ao lado], que foi chefe do serviço de espionagem romeno e braço da KGB, a origem da Teologia da Libertação estaria em Nikita Kruschev, sucessor de Stalin. Ele percebeu que na América Latina o comunismo só tinha entrado em Cuba através de Fidel Castro e Che Guevara, e no resto do continente eles tinham dificuldade de entrar. Kruschev percebeu que o comunismo não lograva êxito devido à existência do catolicismo. Desde o Padre Anchieta até os anos 60, o catolicismo imperou no Brasil e plasmou a nossa civilização. Também não era possível entrar na Bolívia e em outros países da América Latina, por causa do catolicismo. Se não conseguiam entrar devido ao catolicismo, a solução seria eles se infiltrarem no catolicismo e entrarem por meio dele.

Catolicismo — Quem financiou o evento das CEBS em Londrina?

Bernardo Küster — Boa parte foi financiada pela Fundação Adveniat, da Conferência dos Bispos alemães, que é muito progressista, a ponto de autorizar a comunhão para luteranos. O responsável dessa fundação no Brasil é Norbert Bout. Durante o 14º intereclesial das CEBs, ele se reuniu com Frei Betto e mais 60 bispos, cujos nomes tenho listados. Trataram de quê? Teria sido o assunto financiamento? Não foi divulgado. Uma parte, segundo me informaram, foi doada por dioceses, principalmente pela diocese de Londrina.
____________


* * *

PHILIP ROTH, ESCRITOR AMERICANO, MORRE AOS 85 ANOS NOS ESTADOS UNIDOS


Vencedor do prêmio Pulitzer, premiado autor de 'O complexo de Portnoy' é considerado um dos maiores autores do século XX.
Por G1
23/05/2018

O escritor Philip Roth durante entrevista em março de 1993 (Foto: Arquivo / AP Photo )



            O escritor americano Philip Roth, um dos ícones da literatura dos Estados Unidos do século XX, morreu nesta terça-feira (22), aos 85 anos.

O premiado romancista, autor de de mais de 30 livros, morreu em um hospital em Nova York de insuficiência cardíaca, informou o seu agente literário, Andrew Wylie.

Roth conquistou praticamente todos os prêmios literários relevantes em mais de 60 anos de carreira. Morreu, no entanto, sem o Prêmio Nobel de Literatura, para o qual foi considerado favorito em diversas ocasiões.


Nascido em 1933 na cidade de Newark, Nova Jersey, em uma família judaica, Roth teve sua obra associada a esta comunidade.
Muitos de seus romances refletem as questões de identidade dos judeus dos EUA, o que o vincula a outros autores como Saul Bellow, laureado com o Nobel de Literatura de 1976, e Bernard Malamud.

Roth era ateu e se considerava antirreligioso. Seus relatos provocadores sobre a moral pequeno burguesa judaico-americana, sátiras políticas, reflexões sobre o peso da história, ou mais recentemente sobre o envelhecimento, ficam com frequência na fronteira entre a autobiografia e a ficção.

"Escrevo ficção e me dizem que é autobiografia. Escrevo autobiografia e me dizem que é ficção. Então, como sou tão bobo e eles tão espertos, deixem que eles decidam o que é e o que não é", afirmou.

Ele é conhecido sobretudo por seus romances, embora também tenha escrito contos e ensaios. É dono de um estilo realista, direto e irônico. Parte da sua obra explora a natureza do desejo sexual e a autocompreensão.

A marca registrada da sua ficção é o monólogo íntimo "O complexo de Portnoy", livro que lhe rendeu fama mundial. Nele, o jovem protagonista fala ao seu psicanalista, sem qualquer reserva, sobre a sua obsessão pela masturbação e o relacionamento com a mãe possessiva, os Estados Unidos e o judaísmo.

"Fico feliz de escrever sobre sexo. Um tema extenso! Mas a maioria das coisas que conto em meus livros nunca aconteceram. No entanto, são necessários alguns elementos de realidade para começar a inventar", disse anos depois.

Representantes da comunidade judaica consideraram que o romance estava impregnado de antissemitismo. Outros enxergaram pura e simplesmente pornografia. Mas o fato é que ele mudou a cara da literatura norte-americana, derrubando barreiras entre a comédia e a alta literatura.

Nos últimos anos, Roth se virou para uma crise existencial e sexual de média idade, sem nunca abandonar o seu compromisso de explorar a vergonha, o constrangimento e outras culpas secretas do ser humano, ainda que sempre com uma dose de humor.

Pouco antes de morrer, o escritor se dedicava à produção da sua biografia, que está sendo escrita por Blake Bailey.

Além do "Complexo de Portnoy", entre as suas obras mais conhecidas, estão a coleção de contos “Goodbye, Columbus” (1959) e a trilogia americana, publicada na década de 1990, composta por “Pastoral americana” (1997), “Casei com um comunista” (1998) e “A marca humana”.

Morre, aos 85 anos, em Nova York, Philip Roth

No Brasil, a maior parte da obra é editada pela Companhia das Letras.

Alguns dos livros de Roth traduzidos para o português:

"Adeus, Columbus" (1959)
"O Complexo de Portnoy" (1969)
"O professor de desejo" (1977)
"Diário de uma ilusão" (1979); publicado pela Círculo do Livro, mas esgotado
"Zuckerman Acorrentado" (1981)
"O avesso da vida" (1986)
"Os fatos" (1988); autobiografia
"Patrimônio" (1991); relato biográfico do pai
"Operação Shylock" (1993)
"Teatro de Sabath" (1995)
"Pastoral americana" (1997)
"Casei com um comunista" (1998)
"A marca humana" (2000)
"O animal agonizante" (2001)
"Entre nós" (2001)
"Complô contra a América" (2004)
"Homem comum" (2006)
"Fantasma sai de cena" (2007)
"Indignação" (2008)
"A humilhação" (2009)
"Nêmesis" (2010)
"Nêmesis" (2010) foi o último romance publicado pelo escritor, que vivia entre seu apartamento no Upper East Side de Nova York e uma casa em Connecticut.
Em 2017, ele publicou "Why Write" (sem tradução em português), uma coleção de ensaios e trabalhos não-ficcionais escritos entre 1960 e 2013.
Roth é o único autor americano a ter suas obras completas publicadas em vida pela Library of America, que tem como missão editorial preservar as obras consideradas como parte da herança cultural americana.

Aposentadoria

Depois de mais de meio século de uma carreira que o tornou famoso em todo o mundo, em 2012 o autor anunciou que não tinha "mais nada para escrever".
---------
"Não tenho mais energia suficiente para suportar a frustração. A escrita é frustração, uma frustração cotidiana, para não dizer humilhação", declarou ao 'New York Times'.

"Não posso mais enfrentar os dias em que escrevo cinco páginas e jogo fora", completou Roth, que escrevia de pé desde que percebeu que andar de um lado para o outro liberava sua mente.
Em agosto de 2017, ele voltou a explicar a decisão ao jornal francês "Libération":

"Contar histórias, isto que foi tão precioso durante toda minha existência, já não é o centro da minha vida. É estranho. Nunca imaginei que algo assim poderia acontecer".

Vida familiar e acadêmica

Philip Roth era filho de um vendedor de seguros e pertencia à segunda geração de uma família judaica que emigrou da região europeia de Galícia (Polônia/Ucrânia).

Formou-se pela Universidade Bucknell (Pensilvânia) e obteve o pós-graduação em literatura inglesa pela Universidade de Chicago, onde atuou como professor de escrita criativa. Também lecionou nas universidades de Iowa, Pensilvânia e Princeton (Nova Jersey).

Ele largou o programa de doutorado em 1959 para escrever críticas de filmes para a revista "New Republic" antes de publicar “Adeus, Columbus”.

Roth ensinou literatura comparativa na Universidade da Pensilvânia. Ele se aposentou da carreira de professor em 1992, quando o sucesso editorial era tão grande que teve que se dedicar integralmente à carreira de escritor. Suas obras eram sempre alvo de escândalo e impacto na sociedade americana.

Foi casado duas vezes. A primeira com Margaret Martinson (1959-1963), que morreu em 1968, em um acidente de carro. A segunda com a atriz inglesa Claire Bloom, da qual se divorciou em 1994 após um casamento turbulento. Ela se sentiu traída ao ler o manuscrito de "Engano" (1990), que continha uma mulher de meia-idade entediada chamada Claire, casada com um escritor adúltero chamado Philip.

Principais prêmios

Philip Roth recebe em 2010 do então presidente dos EUA, Barack Obama, a Medalha Nacional de Humanidades (Foto: Mark Wilson / Getty Images / AFP Photo)

1960: National Book Award, por "Adeus, Columbus"
1987: National Book Critics Circle Award, por "O avesso da vida"
1991: National Book Critics Circle Award, por "Patrimônio"
1994: PEN Faulkner, por "Operação Shylock"
1995: National Book Award, por "O Teatro de Sabbath"
1998: Prêmio Pulitzer de Ficção por “Pastoral americana”
2001: Prêmio Franz Kafka
2001: PEN Faulkner, por "A marca humana"
2006: PEN/Nabokov
2007: PEN Faulkner, por "Homem comum"
2011: Prêmio Internacional Man Booker
2012: Prêmio Príncipe das Astúrias de Literatura


* * *