Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Rodrigo Constantino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rodrigo Constantino. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A VOLTA DO PT PODERIA REPRESENTAR O CAOS, INCLUSIVE PARA SEUS MILITANTES, Por Juliano Oliveira


25 de setembro de 2018


Por Juliano Oliveira, publicado pelo Instituto Liberal

Inicio este texto com um alerta: é impossível manter um Estado de Bem Estar social num país pobre e contrário ao empreendedorismo.

As motivações dos eleitores de Fernando Haddad são, com poucas variações, quase sempre as mesmas. Todos, ignorando exemplos claros da destruição perpetrada pela confiança na suposta clarividência estatal, acreditam que um forte Estado de Bem Estar Social seria capaz de promover o fim de toda desigualdade (ainda que prosperidade e igualitarismo, como bem sabem os liberais, não possuam qualquer correlação) e que diversidades de toda sorte (leia-se bacanal) teriam seus assentos carimbados nas universidades, igrejas e locais públicos e/ou privados sob o risco, diante de objeções ainda que discretas, de se promover grande perseguição aos propagadores das idéias ditas conservadoras e liberais.

Enfrentamos longos 14 anos de petismo. O saldo dos discursos populistas e do relativismo moral propalado em nossas universidades pelos defensores de movimentos ditos sociais durante este período pode ser facilmente sentido pelo sentimento de impotência e de desalento da parcela da população que é “convidada” a pagar a fatura do discurso da preguiça, da inveja e da irresponsabilidade. No momento em que escrevo este texto, sites de extrema esquerda (que visitei depois de muito relutar), confiantes de que possuem um poder de influência decisivo nas escolhas de pessoas mais simples, estão comemorando um possível retorno do PT ao poder. Militantes travestidos de professores estão, por meio de suas elucubrações sobre coletivismo e igualitarismo, defendendo o ressurgimento do partido que tomou de assalto as nossas instituições, têm achincalhado o judiciário e reunido todas as suas estratégias sórdidas em torno da desconstrução do único candidato que, embora não seja o sonho dos liberais que defendem um Estado Mínimo, tem grandes chances de vencer este pleito (razão pela qual insisto que Bolsonaro é a resposta certa para essa situação de urgência).

O PT, sob a batuta de seu líder já encarcerado, é um partido cuja habilidade de explorar o pior dos sentimentos que o ser humano possui, a inveja, não deve ser desprezada. A inveja sobre a riqueza alheia e, a um só tempo, o desprezo por instituições de mercado que são capazes de elevar até o mais simples dos homens a uma posição de evidência são as principais matérias-primas que têm dado sustentabilidade a anos de demagogia e destruição petistas. Não se deve desprezar, igualmente, todo o esforço de teóricos e professores universitários que, presos na bolha do funcionalismo público, não se cansam de teorizar sobre as causas do desemprego e as mazelas da população mais carente e explorável da sociedade. Em seus discursos ressaltam que a crise que atravessamos, que ganhou contornos ainda mais assustadores com a greve dos caminhoneiros (greve a que me opus e que tem sido utilizada pelo pessoal da esquerda para reforçar que a crise que vivemos é de responsabilidade de uma elite que não suportou a legitimidade do governo Dilma, ressalte-se), foi criada pelo neoliberalismo. Estes intelectuais colocam num mesmo pacote Marina Silva, Alckmin, Jair Bolsonaro e Amoedo e dizem que todos são representantes do neoliberalismo de mercado (que absurdo!!) e que apenas com Haddad veríamos o crescimento econômico.

O efeito retórico do PT sobre os invejosos que veem luta classista em tudo, pode ser muito bem explicado por este pequeno fragmento de um dos textos de Jeffrey Tucker, um dos grandes nomes da Escola Austríaca de Economia:

 A inveja observa a excelência de terceiros e prontamente deseja acabar com ela. A inveja vê a fortuna de outro e imediatamente quer puni-la. A inveja é ativamente destruidora, e vê na destruição do sucesso alheio um fim em si mesmo. A consumação da inveja não traz felicidade para a pessoa que quer prejudicar terceiros; a inveja meramente alcança o objetivo de satisfazer a raiva que você sente ao ver a felicidade de terceiros. A inveja corrói. Destrói. Prejudica. Estraga. Machuca. Mata. Começa com um ressentimento contra as conquistas alheias e termina na agressão pessoal direta.

Quando se analisa a inveja que deseja o fim da riqueza alheia (ainda que construída a duras penas, diferentemente da riqueza erigida por Lula e seus empresários favoritos) e a busca constante por um pantagruélico Estado de Bem Estar Social que satisfaça este sentimento nefasto, entende-se porque o Brasil tem sérias dificuldades de abandonar seu estado já moribundo.

A triste notícia, no entanto, não se destina apenas aos empresários e trabalhadores da iniciativa privada que, apesar da forte intromissão estatal, continuam gerando riquezas para dar sustentação ao modelo progressista de pensamento. Ela se destina também aos recebedores líquidos de benesses que, inevitavelmente, verão suas fontes secarem quando o Brain Drain se intensificar e o esfriamento da economia se consolidar.

Para finalizar, a provocativa fala de Roberto Campos: Sou chamado a responder rotineiramente à pergunta: haverá saída para o Brasil? Respondo dizendo que há três: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo.

 Sobre o autor: Juliano Oliveira é administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e Mestre em Engenharia de Produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.



----------
Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.


* * *

terça-feira, 4 de setembro de 2018

JORNALISMO LACRADOR - Rodrigo Constantino


31/ago/18

Jornalismo lacrador

Havia uma grande esperança do establishment: que Bolsonaro fosse “desidratar” quando a campanha começasse e as entrevistas colocassem o candidato contra a parede. Até agora não se viu nada disso. No Roda Viva, na GloboNews e no Jornal Nacional, o que se viu foi um candidato engolindo seus entrevistadores, todos aprisionados numa bolha cognitiva.

A surra dessa semana foi no JN. Renata Vasconcellos tentou apertar Bolsonaro sobre a questão da desigualdade salarial entre homem e mulher, uma pauta endossada pelo movimento feminista radical. Só há um problema: é falso que mulheres ganham menos, dada a produtividade. Quando o entrevistado puxou da cartola que o próprio William Bonner ganha mais do que a colega, gerou mal estar, mas não mentiu.

Se os jornalistas lessem Thomas Sowell em vez de tentar “lacrar” atendendo as demandas dos movimentos organizados, saberiam que esse papo de desigualdade é pura falácia. O que se faz é manipular estatísticas distorcendo seus resultados, ignorando conceitos como média, comparando laranja com banana.

A agenda LGBT também foi trazida à tona, novamente para “lacrar” com a turma do Projaquistão. No entanto, o candidato lembrou que o problema não é com homossexual, mas sim com a doutrinação em sala de aula, para crianças. Ao mostrar um livro aprovado pelo MEC para escolas infantis, os entrevistadores entraram em pânico e pediram para Bolsonaro não expor o material no ar. Ou seja, o público da Globo não pode ver aquilo que crianças aprendem nas escolas públicas. Outro gol do candidato.

O xis da questão aqui é o mundo à parte em que nossos jornalistas vivem. Trata-se de uma bolha “progressista”, que se fechou para os reais anseios da população, do povo comum. Bolsonaro fala a essa gente, que quer mais segurança, rigor contra marginais, decência nas escolas, empregos e saneamento. Mas a mídia insiste em sua agenda “lacradora”, dominada pelos movimentos coletivistas que mergulharam nessa “revolução das vítimas”.

Ninguém aguenta mais essa asfixia do politicamente correto, a ponto de alguns confundirem o combate a essa postura com ser tosco ou boçal (sem dúvida há uma boa quantidade deles apoiando Bolsonaro). Mas esse papo desarmamentista não seduz mais ninguém. Quando o candidato pergunta se é para reagir aos bandidos com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que não anda em carros blindados.

Bolsonaro está longe de ser um ótimo candidato, e não sabemos se vai mesmo vencer. Mas o fenômeno em si já foi fundamental para retratar o quadro lamentável do nosso jornalismo. Acostumada a só dar voz ao esquerdismo, quando aparece um “homem comum” só resta à imprensa rotular: extrema direita! O povo, porém, enxerga bom senso.
Quando o Bolsonaro pergunta se é para reagir aos bandidos com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que não anda com seguranças ou carros blindados.

Sobre o autor
Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”




* * *


sábado, 11 de agosto de 2018

A RELAÇÃO DE ROBERTO MARINHO COM COMUNISTAS E MILITARES Por Roberto Rachewsky


10 de agosto de 2018
Por Roberto Rachewsky, publicado pelo Instituto Liberal

Boni, o todo poderoso da Globo, braço direito de Roberto Marinho nas três décadas que fizeram da emissora o gigante que se tornou, contou para a revista Piauí um pouco da história daqueles tempos obscuros da ditadura e do período entre a derrubada de Jango e o AI-5. Vale a pena ouvir essa história envolvendo Paulo Francis que teve a participação de Roberto Marinho e do próprio Boni. (Melhor que mensagens do além recebidas pela Miriam Leitão)

“Se alguém pensa que o dr. Roberto foi subserviente aos militares ou que tirou algum proveito pessoal com a ditadura, está absolutamente enganado.

Em 1964, O Globo e todos os jornais mais importantes – o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a Folha – apoiaram a chamada revolução redentora. Nesse período, o dr. Roberto era tratado por alguns detratores como o general civil da revolução, mas não se incomodava. Ele acreditava piamente que o único regime que servia para o Brasil era a democracia, do ponto de vista político, e a economia de mercado, do ponto de vista econômico. Nunca imaginou uma ditadura de longo prazo e se surpreendeu com o decreto do Ato Institucional nº 5 e com o fechamento do Congresso.

Como empresário, nunca fez qualquer restrição à ideologia de seus funcionários, escolhendo-os pelo talento e pela capacidade. Costumava dizer: “Nos meus comunistas mando eu.” Pela Rede Globo passaram alguns dos mais ilustres subversivos, cultuados e admirados pelo dr. Roberto. Ele tinha especial carinho pela obra e pelos textos do Ferreira Gullar, adorava as espertezas do Dias Gomes para driblar a censura e chegou a emprestar dinheiro para o Mário Lago quando ele se atreveu a pedir uma grana para saldar uma dívida. O dr. Roberto fez um cheque e disse:

– Se os comunistas assumirem o poder, peça para me enforcarem com uma corda de seda… bem fininha.

Ele também tinha uma grande capacidade de entender e esquecer desafetos. Um dos exemplos é o Paulo Francis, que fez duras críticas e baixas ofensas. Um dia, o Armando Nogueira, diretor de jornalismo, e eu fomos consultar o dr. Roberto sobre a possível  ida do Paulo Francis para a Globo. Ele estranhou:

– Ué… Ele aceita?

Ao que o Armando respondeu:

– Aceita, dr. Roberto.

– Que bom. Se aceita, quer dizer que ele não pensa mais o que pensava da gente. Pode contratar.”

Paulo Francis esteve do outro lado, como bom comunista que era. Recobrou a consciência e se tornou quase um libertário. Não podemos esquecer que ele foi o primeiro e mais incisivo jornalista a denunciar a corrupção na Petrobrás.


Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

* * *

domingo, 1 de julho de 2018

AS TRÊS PRIORIDADES - Rodrigo Constantino


29/jun/18
As três prioridades


Estive no Brasil nas últimas semanas, rodando por São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nesse não pisava há mais de ano. A deterioração é visível, especialmente do espírito. O clima é o pior possível. Com todos que conversei, desde motoristas e cabeleireiros até grandes empresários, a sensação é de derrota, cansaço e desesperança. Se pudesse, a maioria se mudava ontem.

As três prioridades identificadas são: segurança, emprego e resgate de valores morais. Ninguém aguenta mais ser refém dos bandidos, mas como não é possível se enclausurar e deixar de viver, as pessoas se adaptam, ainda que com medo. No dia em que fui embora, três senhoras foram assaltadas por um motoqueiro e seu cúmplice. Basta ver uma moto com alguém na garupa para sentir calafrios. Isso não é normal, mas o carioca se esquece.

Já a economia é o básico: a condição de vida está ruim para todos, com 13 milhões mergulhados no desemprego. Motoristas de Uber têm rodado mais tempo para compensar, e muitos sequer conseguem pagar as contas. Diversos reclamaram que a situação vem piorando. Dois me disseram que pretendem arriscar uma ida para Portugal ou Estados Unidos.

A corrupção generalizada e a degradação de valores morais também jogam lenha na fogueira da revolta. A turma não aguenta mais os políticos do establishment e a mídia “progressista”, que distorce a realidade e ignora as demandas do povo em troca de pautas sem sentido, produzidas por figuras estranhas que querem “lacrar” nas redes sociais. O anseio por algum “outsider” durão que confronte “isso tudo que está aí” e coloque ordem na bagunça vem crescendo.

Em palestras para empresários, não foi difícil identificar o pavor que produz a ideia de um retorno da esquerda radical, por meio de Ciro Gomes ou do PT. Esse pânico, totalmente legítimo, e a fragmentação de um “centrão” que não decola, tem feito muita gente esclarecida flertar com a candidatura de Jair Bolsonaro, como uma alternativa menos pior.

Quando lembram que o liberal Paulo Guedes poderá ser seu ministro da Fazenda, os riscos são mitigados pelo selo de qualidade, ainda que o candidato seja o capitão, não o economista. Mas o desespero tem feito com que o desejo por mudança fale mais alto do que qualquer cautela. Basta andar pelo País para entender como a “análise” de que Bolsonaro vai desidratar não passa de pura torcida. O fenômeno é real e bastante significativo, pois ele já se tornou um símbolo de uma reação a esse caos todo, não importa se com ou sem fundamento.

Por fim, retornei para minha casa na Flórida. Passei pela imigração com toda a documentação em dia. O Trump “malvadão” não me separou dos meus filhos. Os brasileiros esquecem que em países sérios os crimes costumam ser punidos. Por isso são sérios…



Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”

* * *

sábado, 2 de junho de 2018

A GREVE DOS CAMINHONEIROS E O GOSTO PELO CAOS


30 de maio de 2018
Por Thiago Kistenmacher, publicado pelo Instituto Liberal


Para além das discussões econômicas e políticas que envolvem a greve dos caminhoneiros, quero chamar atenção para um fato velado: o gosto que grande parte da população que defende a greve nutre pelo caos. Sim, é isso mesmo.

Santo Agostinho, em suas Confissões, distinguindo prazer e curiosidade, diz que, ao passo que o primeiro busca o que é belo, melodioso e suave, a segunda faz com que a população corra para o cadáver dilacerado, ainda que isso lhe cause horrores.

A partir de tal reflexão e considerando o contexto atual, proponho esse debate que gira em torno dos mais pérfidos anseios humanos e suas contradições.

Que a humanidade tenha gosto pelo caos é um fato inegável. No entanto, penso que podemos separá-lo em três degraus: 1) o gosto pela iminência do caos; 2) o gosto pelo caos em si; 3) o recuo quando ele bate na porta.

O primeiro degrau, o gosto pela iminência do caos, diz respeito exatamente ao que estamos vivendo. Diante da possível desordem, há o deleite de grande parcela da população favorável à greve e à sua radicalização. Há muita gente que, não admitindo seu lado sombrio, torce para que os caminhoneiros continuem paralisados. Não porque estejam verdadeiramente preocupados com as condições de trabalho daqueles homens, mas porque querem experimentar o caos.

É preciso ser muito ingênuo ou hipócrita para dizer que essa sensação não causa prazer nas multidões. Ou você acha que o radicalismo daquele seu amigo que nunca se preocupou com política se dá única e exclusivamente porque ele se compadece pelos caminhoneiros? Ou que aquela desocupada que passa a tarde toda vendo o programa da Sonia Abrão não gosta de falar sobre isso com a outra vizinha desocupada? Ambos sabem, em seu íntimo, o que desejam. Contudo, jamais o admitirão.

Somos todos caminhoneirxs!” branda o fanático que, na verdade, aspira à rebelião generalizada. “Essa luta é nossa!”, exclamam alguns que, no fundo, querem ver uma colisão.

Todos os sujeitos minimamente sinceros sabem o quanto uma enchente ou uma cidade ilhada por causa de uma catástrofe natural causam furor. Moro em Santa Catarina e sei muito bem o quanto as pessoas daqui gostam – sim, exatamente isso! – de ver os rios tomarem as ruas e as casas – que não as delas, de preferência. Vi algumas pessoas fazendo selfies com sorrisos diante de um rio que transbordava. Grotesco! Não é por acaso que as ideias, livros e séries apocalípticas abundam.

A possibilidade do pandemônio excita os ânimos, gera artigos “científicos”, tira as pessoas da rotina livrando-as do trabalho, cancelando suas aulas e dando-lhes assunto – e não é exatamente o que a greve dos caminhoneiros tem feito? Quanto menos abastecidos estiverem os postos de gasolina e os mercados, mais abastecidos estarão os ânimos selvagens.

O segundo degrau, a apreciação do caos em si¸ diz mais respeito à atração pela barbárie quando ela está distante. Ninguém quer, com exceção dos psicopatas revolucionários, estar imerso numa guerra civil, por exemplo. Por esse motivo tal fetiche precisa ser realizado de longe, seja pela televisão ou pela internet, com suas palavras de ordem em caixa alta.

Neste estágio a greve dos caminhoneiros torna-se um espetáculo, um show cujo final o “engajado” acredita que pode alterar ao sabor do seu ímpeto rebelde. Ele também faz campanha de agitação on-line. Mas permanece ali, assistindo do seu apartamento abastecido uma série de TV da qual acredita participar.

Dessa forma o sujeito pode, ainda que inconscientemente, ver como ocupa um lugar privilegiado em comparação aos países miseráveis ou em guerra. Compadece-se da miséria apenas no “gogó”; lamenta a guerra na Síria, mas se apraz assistindo vídeos dos bombardeiros no Youtube. Ao mesmo tempo em que encantado pela anarquia, de certa forma, ele a teme, pois ela balançaria seu conforto que só a serenidade traz.

Assim, neste instante o sujeito extremista deve tomar uma posição mais concreta: ou ele permanecer admirando o caos à distância, de forma segura; ou, mais apaixonado do que nunca pela violência política, avança para o próximo degrau e alimenta ainda mais a desordem. O produto dessa última aspiração, não obstante, são os efeitos com os quais se deparam aqueles que optam pelo agravamento do radicalismo.

O terceiro degrau, o recuo quando ele se bate na porta, é paradoxal – e por enquanto hipotético. Isso porque agora o sujeito que defendia a revolução vê a desordem bater na sua porta. É nesse momento que ele estaca, pois seu instinto de preservação, de pai, de mãe, falam mais alto.

Se antes ele desejava que a população “quebrasse tudo”, agora ele a teme. Antes ele quis inquietar o povo através de mensagens no Whatsapp dizendo que os mercados não seriam abastecidos e que haveria um caos. Naqueles tempos ele estava no primeiro degrau, e provava o gosto ainda doce de uma tragédia. Mas agora os caminhões não mais circulam há meses e diversas outras categorias, encorajadas por inconsequentes como ele, aderiram ao protesto. Há, portanto, a fome. Agora ele se encontra de fato numa situação que antes era apenas teoria e, como era de ser esperado, o apóstolo facebookiano da insurreição encontra-se desesperado.

O caos já não é mais televisionado, mas assistido da varanda; a desordem que ele tanto propagava pelas redes sociais chegou ao seu bairro; as armas que ele queria voltadas contra o palácio do governo começam a tomar as ruas e o exército que ele desprezava perdeu o controle da situação. Eis a barbárie que parecia menos cruel nos livros e na televisão.

Como consequência, o imoderado que antes assistia o caos do sofá e que, não satisfeito, incitou à radicalização, se vê no terceiro último degrau. Agora, lá de cima, ele contempla os efeitos do que favoreceu, observa as sequelas deixadas pelas teorias, por seu discurso inflexível e precisa escolher: ou permanece lá, entrando na guerra e assinando uma declaração de inimigo da paz e da segurança pública ou ele baixa a cabeça humildemente e confessa que sua posição radicalizada redundou numa barbárie que nem ele próprio consegue sustentar.

Quis chamar a atenção para o fato de que muita gente, inclusive os “especialistas” em economia com os quais poderíamos encher um caminhão, emitem opiniões extremas sem o mínimo embasamento.
Além do que, sem calcular os resultados, o discurso do extremista, quando lançado aos quatro ventos, pode criar uma tempestade pela qual ele próprio poderá ser vitimado. Sabemos que quando alguém está convicto de atuar do lado do “bem”, todo mal pode ser justificado. Então, prudência antes de sair por aí estimulando apetites radicais interiores e mal resolvidos disfarçados de cumplicidade.

Claro que aqui também lidamos com situações hipotéticas, pois felizmente não chegamos ainda ao último estágio. Entretanto, além do gosto pelo caos – que é um fato concreto – há o medo dele, como pudemos notar. Eis o paradoxo. Muitas vezes quem propaga a barbárie no calor do momento assim o faz por não medir suas implicações. A propósito, é sempre importante lembrar que Marat e Robespierre, sanguinários como poucos, acabaram também guilhotinados. O extremismo nunca foi um carro a ser seguido, salvo se formos tiranos e suicidas.

Por fim, ainda que a greve dos caminhoneiros tenha sua razão de ser, ou seja, o preço elevado dos combustíveis, não é em função disso que devemos entregar a boleia do nosso caminhão de sentimentos para um irresponsável motorista jacobino. Afinal de contas, sabemos que este não aprendeu nada com as viagens da História e que, por isso, continua trafegando perigosamente na contramão.


Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

* * *

terça-feira, 29 de maio de 2018

TRÊS GRANDES PERDAS – Rodrigo Constantino


25/maio/18
No espaço de poucos dias tivemos três grandes perdas. No dia 14, morreu o escritor Tom Wolfe. Seu refinamento, visão conservadora e elegância, além da forma como retratava a hipocrisia e vaidade das elites “progressistas”, deixarão saudades. Seu radical chic foi influência direta em meu Esquerda Caviar, enquanto seus divertidos ataques aos modismos da “arte contemporânea me renderam boas risadas.

Um de seus últimos livros, Sangue nas Veias fala do caldeirão étnico e cultural repleto de latino-americanos e com poucos americanos “legítimos” em Miami. Morando há três anos nesse ambiente, tenho que constatar que Tom Wolfe é cruel na medida certa com nossas elites vaidosas e abobalhadas. Mesmo com todas as suas qualidades, de “América Latina que deu certo”, convenhamos: Miami, com uma das maiores quantidades de “breguice” por metro quadrado, é um prato cheio para o autor tripudiar dessa classe de nouveau riche, não é mesmo?

A segunda grande perda foi do historiador Richard Pipes, que faleceu no dia 17. Sua especialidade era a história russa, e isso lhe deu uma visão privilegiada do comunismo. Em Propriedade e Liberdade, Pipes resume bem o problema: “A história da Rússia oferece um excelente exemplo do papel que a propriedade desempenha no desenvolvimento dos direitos civis e políticos, demonstrando como a sua ausência torna possível a manutenção de um governo arbitrário e despótico”. Abolir a propriedade privada? Eis o caminho do inferno!

Richard Pipes conclui que “a experiência da Rússia indica que a liberdade não pode ser legislada; ela precisa crescer gradualmente, em forte associação com a propriedade e a lei”. Infelizmente para os russos, a propriedade privada nunca fincou suas raízes por lá, onde o poder sempre esteve arbitrariamente concentrado no Estado. Parece um país que conhecemos bem.

Por fim, morreu no dia 23 o escritor Philip Roth. Gosto muito de seu estilo, da força de suas palavras, sempre econômicas. Também sou atravessado pelo tema recorrente de seus livros: o poder de estrago do imprevisível, a mudança repentina na vida das pessoas por acontecimentos inesperados, o encontro com o “real”, como diria um psicanalista, as contingências do destino. Tudo parece certinho, ordenado, bem ao gosto de um típico obsessivo, quando de repente o mundo desaba, o chão desaparece, tudo fica nebuloso. É angustiante. Mas é realista. É a vida.

E por isso mesmo temos que valorizar a nossa, reconhecendo, com humildade, que não estamos em seu total controle, e que a precariedade de nossa existência é a norma, o que nos demanda coragem e fé. A morte, afinal, chega para todos, e quase sempre sem aviso. Importa, porém, aquilo que fica. No caso desses três gigantes, uma incrível obra como legado.


* * *

domingo, 15 de abril de 2018

O HERÓI MORO - Rodrigo Constantino


13/abr/18
Pobre do país que precisa de heróis, disse Brecht. Discordo. Entendo que o papel de heróis, reais ou mitológicos, é fundamental para forjar uma nação livre e próspera, para servir como um norte, uma liderança que motiva os cidadãos comuns. Penso que o verdadeiro problema não é ter heróis, mas sim escolher os heróis errados. Se o herói for Macunaíma, aquele sem caráter, um ditador como Vargas, ou um bandido como Lula, aí sim a sociedade estará em perigo.

Mas se Lula foi o herói de muitos por algum tempo, hoje só lhe restou o apoio de uma militância desesperada com o risco de perder suas boquinhas, ou então daqueles muito alienados que encaram o PT como uma seita religiosa. O verdadeiro herói brasileiro hoje é o juiz Sergio Moro, e isso fica claro pela recepção que ele tem por onde passa. Pude testemunhar bem de perto isso nesta semana, quando ele compareceu ao Fórum da Liberdade em Porto Alegre, evento do qual também participei como palestrante.

Moro foi ovacionado de pé por uma multidão, tratado como um ídolo de rock. Merecido. É fato que, como lembrou o juiz italiano que liderou a Operação Mãos Limpas, feliz é o país que não precisa aplaudir tanto um magistrado que “simplesmente” cumpre sua função. Nesse sentido a frase de Brecht pode até se aplicar: o ideal, claro, seria não precisarmos desses heróis. Mas no mundo real o buraco é mais embaixo.

Afinal, cumprir a lei, no caso, implica em declarar guerra a uma enorme quadrilha poderosa e perigosa. Não é algo trivial. Envolve grandes riscos pessoais, mudanças radicais no estilo de vida, andar cercado de seguranças, temer pela segurança dos filhos. Quem quer que desmereça tal ato de coragem vive numa bolha, aprisionado em abstrações utópicas. Não é à toa que Moro brincou ao dizer que estava feliz por ver seus similares italianos vivos e bem de saúde após tantos anos.

Agir com retidão e firmeza apesar de tantos obstáculos e ameaças demanda coragem e patriotismo, um dever cívico que poucos possuem, e que não pode ser diminuído por séries da Netflix que tentam retratar tudo como pura vaidade pessoal. É fácil falar quando não é o seu na reta. Todos que conhecem o modus operandi dessas máfias, em especial do PT, devem reconhecer que comprar essa briga não é para qualquer um, certamente não é para os fracos e covardes.

Claro que todo herói real, de carne e osso, tem suas falhas, e por isso é mais seguro ter os míticos, alguém como um Batman. Os verdadeiros podem sempre escorregar: são humanos. Até aqui, porém, Moro tem demonstrado humildade e mantém um saudável distanciamento de qualquer pretensão política, o que só aumenta seu valor. Seu reconhecimento pelo público é justo. O Brasil estava mesmo precisando de um herói decente…


Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”

* * *

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

VENEZUELA VIVE IMPASSE, MAS INTERVENÇÃO EXTERNA NÃO DEVE SER DESCARTADA A PRIORI

4 de janeiro de 2018
O ex-ministro do Planejamento da Venezuela (1992-1993) e ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ricardo Hausmann, que é diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard, escreveu um polêmico artigo para a Project Syndicate esta semana considerando uma intervenção militar estrangeira na Venezuela como uma alternativa, uma vez que a ditadura socialista de Maduro vem destruindo o país e jogou a população no completo caos social. Diz ele:

No que se refere a soluções, por que não considerar a seguinte: a Assembleia Nacional poderia declarar o impedimento de Maduro e do vice-presidente Tareck El Aissami, narcotraficante e sancionado pelos EUA.

A Assembleia poderia indicar constitucionalmente um novo governo, que por sua vez poderia pedir ajuda militar a uma coalizão de países dispostos, incluindo latino-americanos, norte-americanos e europeus.

Essa força libertaria a Venezuela, assim como canadenses, australianos, britânicos e americanos libertaram a Europa em 1944-45. Mais perto de nós, seria como quando os EUA libertaram o Panamá da opressão de Manuel Noriega, instalando a democracia e o mais rápido crescimento econômico da América Latina.

Segundo o direito internacional, nada disso exigiria a aprovação do Conselho de Segurança da ONU (o que a Rússia e a China poderiam vetar), porque a força militar seria convidada por um governo legítimo buscando apoio para o cumprimento da Constituição do país. A existência dessa opção poderia até melhorar as perspectivas das atuais negociações na República Dominicana.

Uma implosão na Venezuela não é do interesse da maioria dos países. E as condições lá constituem um crime contra a humanidade que deve ser detido por razões morais.

O fracasso da Operação Mercado Jardim em setembro de 1944, imortalizada no livro e no filme “Uma Ponte Longe Demais”, levou à penúria nos Países Baixos no inverno de 1944-45. A fome na Venezuela hoje já é pior. Quantas vidas devem ser destruídas antes que chegue a salvação?

Hoje, a folha publicou dois textos em resposta. O primeiro foi a coluna de Matias Spektor, que considerou a proposta “estapafúrdia”. Ele apresenta três motivos: a falta de alternativa de poder, a limitação geopolítica de quem poderia realizar tal intervenção, e a falta de legalidade ou legitimidade a ela. Diz ele:
A Venezuela encontra-se em seu pior momento, mas ir à guerra contra o chavismo no que seria a primeira intervenção na América do Sul no século 21 não é solução. Há alternativas para lidar com o problema que não trazem o risco embutido de uma aventura militar questionável e de resultado incerto.

Resta perguntar: quais? Que alternativas são essas, se até hoje só vemos a Venezuela afundar mais e mais no caos ditatorial? Vamos acreditar em “diálogo” ainda? Há algo menos legítimo do que o regime atual? Gostaria de saber quais alternativas concretas o especialista apresenta, pois não consigo nem imaginar quais sejam.
O segundo texto é de Xabier Coscojuela, resposta direta ao original, e que rotula a proposta de Hausmann como “desesperada”. De fato. Mas a situação na Venezuela não é de desespero? “Os males desesperados são aliviados com remédios desesperados ou, então, não têm alívio”, disse Shakespeare em Hamlet. Coscojuela, porém, rejeita a ideia, e diz:

Considero-a uma alternativa totalmente inconveniente para o país. Uma possibilidade que só geraria mais anos de instabilidade para a Venezuela.

O sensato, o conveniente, é que as negociações que estão sendo realizadas na República Dominicana terminem com acordos nos quais se inclua a eleição presidencial com garantias de respeito à vontade popular ali expressada e que também se eliminem ou se imponham limites, muito precisos, à atuação da Assembleia Nacional Constituinte.

Não tenho nenhuma dúvida de que os que governam a Venezuela não são democratas, que utilizaram e utilizarão todas as alternativas ao seu alcance para manter-se no poder, sem importar a opinião da maioria dos venezuelanos, mas é preciso tirá-los do poder mediante o voto e constituir um governo de muita amplitude porque a crise nacional é das mais graves que a Venezuela teve em toda a sua história.

Se o próprio autor reconhece que Maduro não vai sair por livre e espontânea vontade, como ele será retirado por meio do voto? Se ele manipula as “eleições”, como os votos vão derruba-lo? Entendo o argumento dele, e também de Colette Capriles, de que propor essa intervenção já serve como arma para Maduro justificar a intensificação da opressão. Mas não é por isso que será um erro considerar esta opção.

Não sei se a ideia é exequível, se há como colocá-la em prática mesmo, se haveria coordenação de vários países, ou se o governo americano tomaria uma decisão dessas de forma unilateral. Só sei que o “diálogo” não vai resolver nada, e acreditar nisso é uma quimera perigosa, típica de românticos pacifistas, os mesmos que vibraram quando Chamberlain assinou um pacto com Hitler, ou quando Obama assinou um pacto com o Irã.

A Venezuela vive um grande impasse. Não há saída fácil. É sempre assim com experimentos socialistas: todos terminam em miséria, terror e escravidão. E a imensa maioria só caiu com luta, com intervenção externa, com muita pressão. Com “diálogo” realmente não temos caso na história para contar…

Rodrigo Constantino

..........


Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.
* * *

domingo, 10 de dezembro de 2017

ISRAEL, JERUSALÉM E TRUMP: A ESPANTOSA IGNORÂNCIA (OU MÁ-FÉ) DA MÍDIA MAINSTREAM

8 de dezembro de 2017

O texto abaixo anda circulando pelas redes sociais, mas infelizmente não sei quem é o autor. Compartilho com o meu leitor pois ele traz bons argumentos e questionamentos, que não veremos na grande imprensa, quase toda ela dominada pelo viés esquerdista anti-Israel, antiamericano e, acima de tudo, anti-Trump.

Vendo as notícias desesperadas da mídia sobre o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e os comentários dos “especialistas”, só há uma palavra para definir: PATÉTICO.

Pelo tom, pelas falas, pelas caras, parece que teremos o apocalipse. Uma bomba atômica no Irã não causa tal preocupação. Idem, os mísseis da Coreia do Norte. As lideranças mundiais pareciam recém desembarcadas de Marte, porque as suas declarações não tinham a mínima base na realidade e denotavam uma surpresa e temor completamente infundados.

O presidente da Turquia (que não faz fronteira com Israel) e que é furiosamente antissemita, protestou. Disse que a decisão vai beneficiar grupos terroristas (que ele, aliás, apoia, como o Hamas)…. alguma surpresa? esperavam que ele gostasse? para completar o ridículo, ele ameaçou cortar relações com Israel (e não com os EUA….)

O papa, um total desastrado em política externa, que chamou Mahmoud Abbas de “homem de paz”, disse que os direitos de todos deveriam ser respeitados. Desde quando os direitos de todos são respeitados nos locais sob soberania islâmica? Desde quando os árabes reconhecem o direito dos judeus de ter seu Estado?

Os líderes europeus falaram em “prejuízo às negociações de paz”…. como assim, há negociações ocorrendo ou mesmo marcadas? Há anos ninguém senta na mesa para discutir nada. O que eles não têm coragem de dizer é uma única coisa: têm medo que os árabes fiquem furiosos e cometam mais atentados do que já cometem. Só não dizem para não serem politicamente incorretos e acusados de islamofóbicos. Eles sabem que os países árabes não vão romper tratados nem declarar guerra; sabem que não haverá boicote petrolífero; então têm medo mesmo é do terrorismo islâmico, que ganharia mais um pretexto (como se precisassem de algum).

Theresa May e o Secretário-Geral da ONU disseram que o futuro de Jerusalém deveria ser decidido pelos dois lados (judeus e palestinos). Alguém pode avisá-los que os palestinos não aceitam negociar a paz e nem reconhecer Israel, e que há 70 anos, ou seja, independente da decisão americana de hoje, os árabes estão decididos a destruir Israel?

A Liga Árabe protestou também. Mas não é esta entidade que desde 1967 segue a política dos Três Nãos (Não à paz com Israel , Não ao reconhecimento de Israel, Não a negociações com Israel)? Curiosamente, os países árabes mais importantes em relação ao problema (Arábia Saudita, Jordânia e Egito) deram declarações protocolares, sinalizando que está-se fazendo muito barulho por nada…

O Irã protestou… mas esse país já não planeja destruir Israel, independente de qualquer coisa?

O Hamas disse que a decisão de Trump sepulta a solução de dois Estados… desde quando o Hamas defendia isso, dois Estados???? Até hoje, defendia a destruição de Israel e continua defendendo. O que fará o Hamas? Jogará foguetes e praticará atentados? Por favor, me contem uma novidade…

Uns dizem que os EUA perderão a capacidade de serem mediadores do processo de paz porque tomaram partido de um dos lados. Até onde eu sei, os EUA já eram aliados de Israel. Além disso, quem vai substituir os EUA? E se aparecer alguém para esse papel, que ótimo! A paz é o maior sonho de Israel, desde que foi criado.

Outros dizem que vai aumentar a instabilidade no Oriente Médio? Como assim? Vai surgir uma outra guerra para rivalizar com a da Síria? Ou com a guerra do Iêmen? Outro grupo surgirá para ocupar o espaço do Estado Islâmico? O Hezbollah vai, finalmente, assassinar o primeiro-ministro do Líbano? O que isso tem a ver com Jerusalém?

Há os que dizem que pode despertar a fúria palestina e levar até mesmo a uma nova intifada. Já não houve duas, sem o reconhecimento de Jerusalém como capital? Ou seja, não é preciso nada disso para fazerem uma intifada. Terrorismo? Israel já convive com isso desde antes da sua criação…

Demétrio Magnoli superou-se: disse que o reconhecimento é uma vitória de Netanyahu, mas não de Israel, como se o governo israelense não tivesse legitimidade ou os cidadãos de Israel, em geral, não apoiassem a decisão de Trump….desde a eleição de Trump, desconfio que ele está tendo alucinações.

Nenhum desses atores reclamou ou protestou quando a Unesco adotou decisões malucas contra Israel, reconhecendo a suposta ligação de Jerusalém com o Islã e negando a ligação entre os judeus e a cidade conquistada pelo Rei Davi há 3000 anos, 14 séculos antes do surgimento do islamismo…

Não é demais lembrar que, embora haja uma ligação religiosa entre muçulmanos e Jerusalém, a cidade é citada no Velho Testamento 619 vezes e NENHUMA no Corão. A parte leste, onde estão os monumentos religiosos, esteve sob soberania árabe por 19 anos (entre 1948 e 1967). Era um centro de peregrinação muçulmana? Não. Foi alvo de cuidados, com restauração dos monumentos? Não, ao contrário, muitos foram vilipendiados. Havia liberdade de culto para todas as religiões? Não. Na verdade, toda a pressão árabe em cima do tema tem apenas um objetivo: chantagear Israel, em razão da importância espiritual da cidade para os judeus. É, simplesmente, para “criar caso”, porque nunca deram efetiva importância à cidade como centro religioso. Na verdade, é um empecilho para a paz. Sem esse trunfo, talvez eles passem a negociar seriamente, porque perdem o instrumento de chantagem.

Também é importante lembrar que o desejo dos judeus de ter um Estado era tão grande que aceitaram a partilha da ONU, mesmo sem Jerusalém. Os árabes é que não aceitaram a criação do Estado judeu, ainda que esse Estado não tivesse a cidade sagrada. Portanto, o problema dos árabes não é Jerusalém, pouco importa em qual mão ela esteja. É a existência de Israel, que se recusam a aceitar. Jerusalém é só o assunto do dia.

Aliás, em 1947 os árabes também protestaram. Ben Gurion não deveria ter declarado a independência?



Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

* * *

sábado, 4 de novembro de 2017

O ESTABLISHMENT QUER O “CENTRO” (DE ESQUERDA), MAS MESMO CENTRISTAS DEVERIAM VOTAR NA DIREITA - Rodrigo Constantino

3 de novembro de 2017

Há um claro movimento, até meio desesperado, em prol de uma alternativa de “centro” (e coloco aspas porque, no fundo, todas as opções apresentadas até agora são de esquerda, não de centro mesmo). Esse foi o tema do meu vídeo desta semana. O nome de Luciano Huck é o mais cotado para ser o “Macron brasileiro”. Eis aí a prova de que esse “centro” é totalmente de esquerda: Macron era do governo socialista de Hollande!

A revista Veja, cada vez mais esquerdista (a ponto de quase levar à falência a CartaCapital), foi a mais escancarada nessa estratégia do establishment nacional em busca de seu Macron. Na capa desta semana, estampou a urgente necessidade de se encontrar o centro salvador:

Ou seja, a narrativa está dada: no extremo à esquerda, Lula, no extremo à direita, Bolsonaro, e no centro moderado o espaço a ser preenchido por alguém. Quem? Dória, Alckmin, Huck, Meirelles?
Fica claro que esse “centro” tem toda pinta de esquerda.

Centro, no Brasil, é o PMDB, nosso “poder moderador”. Serve para impedir que o Brasil vire a Venezuela, mas também para não permitir que vire o Chile. Com instinto de sobrevivência, o PMDB colocou seu parceiro PT para escanteio, e ensaia uma “ponte para o futuro”. É verdade que dar “continuidade” às reformas (que não saíram do papel ainda) é crucial, como lembra Rogério Werneck em sua coluna de hoje:

O que mais importa, no momento, é como o centro do espectro de forças políticas deverá se apresentar na disputa presidencial. Por sorte, já há sinais de que os principais pré-candidatos de centro perceberam, afinal, que o mais prudente, tendo em vista o que lhes espera, à esquerda e à direita, é unir forças e tentar construir uma ampla coalizão, multipartidária, em torno de um deles.

Não se pode subestimar as enormes dificuldades envolvidas nesse desafio. Mas não há como deixar de enfrentá-las. E parece a cada dia mais claro que a única argamassa que pode dar solidez a uma coalizão tão ampla e heterogênea — que vá de tucanos “cabeças pretas”, de um lado, à tropa de choque de Temer, do outro — é o compromisso comum com a manutenção, no próximo mandato presidencial, da política que vem sendo levada à frente pela equipe econômica do atual governo. Política que Lula vem prometendo, país afora, desmantelar.

É isso que estará em jogo em 2018. E não há tempo a perder.

Respeito a opinião do meu antigo professor, mas gostaria de trazer um contraponto. Se o objetivo é mesmo o centro moderado reformista, então, em primeiro lugar, é preciso deixar claro que os nomes até aqui aventados são de esquerda, não de centro. Em segundo lugar, uso o conceito de física para me auxiliar aqui: para ter o centro como vetor resultante, então é preciso votar na direita.

Sim, porque não vamos esquecer que a extrema-esquerda esteve no poder pelos últimos 14 anos! O governo Temer foi uma leve guinada ao centro. Mas depois de tanto tempo de esquerdismo radical, sem falar dos tempos esquerdistas dos tucanos, parece evidente que o Brasil vem sendo sufocado há tempo demais pelo excesso de esquerdismo.

Quem é realmente moderado, centrista, precisa entender o conceito de movimento pendular. Nosso pêndulo extrapolou para a esquerda.
Logo, para colocá-lo de volta ao centro, não basta ir de centro, menos ainda de um “centro” claramente esquerdista. É preciso ir de direita, para que a síntese seja mais de centro.

A França esquerdista, depois do socialista Hollande, resolveu apostar no “centro” de Macron, um esquerdista que surgiu do nada e era do governo do próprio Hollande. Prometeu muitas reformas.
Onde estão? Entendo o medo com aquela turma nacionalista de Marine Le Pen, mas daí a constatar que o “centro” realmente vai fazer diferença é uma longa distância. A França continua mergulhada no caos esquerdista.

Já os Estados Unidos, depois de oito anos de esquerdismo radical com Obama, não foi de “Macron”, não escolheu Marco Rubio ou Jeb Bush, e sim Donald Trump. “Ah, ele é muito radical”, dizem os “moderados”. Mas talvez seja justamente o remédio amargo necessário para regressar com o pêndulo ao centro, já que o Partido Democrata se radicalizou demais à esquerda. O país precisava de alguém que enfrentasse esse establishment e essa hegemonia “progressista”.

Portanto, não compartilho desse medo todo da direita, como a turma “moderada” que busca desesperadamente um Macron tupiniquim. E busca nos locais errados. Um apresentador da Globo que era simpático até com petistas e que quer mais “igualdade”?
Um ex-conselheiro da J&S, do grupo JBS? Um tucano sem coragem de comprar briga com petistas? São essas as soluções para o Brasil, para desintoxicar a máquina estatal do esquerdismo petista?

“A melhor prova do colapso de um movimento intelectual é o dia em que ele não tem nada mais a oferecer como um ideal último além da demanda por moderação”, disse Ayn Rand. “Extremismo na defesa da liberdade não é um vício; moderação na busca por justiça não é uma virtude”, disse Barry Goldwater, o senador que foi candidato a presidente em 1964 e abriu o caminho mais liberal-conservador para Reagan depois.

Não é preciso concordar com eles. Não é preciso ser um radical para defender a direita. Mesmo uma pessoa moderada, de centro, pode compreender que, para obter seu resultado desejado mais ao centro, há momentos em que é preciso forçar a barra para o outro lado, especialmente depois que ela foi toda envergada para a esquerda. Edmund Burke era um liberal Whig bem moderado, que se tornou o “pai do conservadorismo” ao ver a radicalização dos jacobinos.

No Brasil de hoje, não há nada de errado, é perfeitamente lógico, alguém gritar: “Voto na direita, mesmo na direita mais radical, porque sou um moderado de centro!” Conheço várias pessoas com esse perfil, que em condições normais de temperatura e pressão jamais cogitariam votar num candidato com perfil mais radical, mas que estão dispostos a abrir uma exceção, pois a alternativa não é o centro, mas a permanência no esquerdismo destrutivo, que já foi longe demais em nosso país.

Rodrigo Constantino
----------

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.



* * *

domingo, 29 de outubro de 2017

A CRENÇA ABALADA NA DEMOCRACIA: QUAIS AS CAUSAS E O QUE FAZER?

28 de outubro de 2017

Em sua coluna de hoje, Merval Pereira fala sobre corrupção e democracia, mostrando como a crença popular no sistema democrático tem sido abalada pelos constantes casos de corrupção.
Eis um trecho:

A conclusão é que a democracia latino-americana está em crise, e uma das principais razões é o descrédito dos sistemas políticos, dos partidos, das lideranças. O Latinobarômetro mostra que 70% dos cidadãos da região criticaram seus governos por pensarem apenas em seus interesses individuais e não no bem comum, sendo que no Brasil, esse percentual alcançou 97%.

Não é por acaso, portanto, que a questão da corrupção, a partir do caso brasileiro, tenha se espraiado pela América Latina, já que o esquema montado pelo PT nos governos Lula e Dilma exportou para diversos países chamados “bolivarianos” o mesmo sistema de compra de apoio político com o apoio da empreiteira Odebrecht.

Esse sistema de corrupção que agora está sendo desvelado, corroeu os frágeis sistemas democráticos em diversos países da região e fez com que a descrença na democracia representativa aumentasse nos últimos anos.

Após falar do “capitalismo de estado”, a simbiose nefasta entre governo e grandes grupos, Merval conclui: “Crise econômica, desmoralização da classe política pela prática sistemática da corrupção, e violência urbana são ingredientes que se misturam para desacreditar a democracia representativa”.

Em sua coluna na Gazeta do Povo, Alexandre Borges, que esteve recentemente em seminário sobre a operação Mãos Limpas na Itália, fala que mais leis e prisões não bastam, que é preciso um resgate de valores éticos, e também a redução do estado, principal causa da corrupção:

A lição mais importante que se pode tirar do alegado fracasso da megaoperação italiana é que o combate ao crime não pode e não deve ser baseado apenas em ações penais mas numa mudança estrutural das relações entre estado e sociedade em que o judiciário é uma parte de um esforço muito maior de refundação do país em bases mais morais e éticas. Sem o envolvimento e o apoio direto da população, o remédio não só não vai curar o paciente como ele acabará pior do que antes do tratamento.

[…]

O combate da corrupção sistêmica, que envolve os principais escalões do governo e estatais, passa necessariamente por uma diminuição das garras do estado, a descentralização da administração pública e a devolução do poder aos estados e municípios. No lugar dos corruptos atuais, não basta “profissionalizar” o estado, como imaginam certos liberais iludidos e inocentes que compram a ideia positivista de uma burocracia científica em substituição aos cleptocratas atuais. Sempre que houver alguém com poder para criar dificuldades, haverá venda de facilidades. Não adianta trocar a CUT por ex-alunos de Harvard, é preciso menos estado.

O descrédito com a democracia foi também o tema do nosso podcast Ideias esta semana. Eu, Borges e Narloch trouxemos pensadores diferentes para mostrar que o excesso de confiança no estado pode estar por trás dessa decepção. É preciso ser mais cético, acreditar menos no governo, e reduzir a esfera da política em nossas vidas, diminuir o escopo do estado:
Debater os limites da própria democracia é uma forma de salvá-la, não de ser antidemocrático. Falta um debate sério sobre isso em nosso país.

Rodrigo Constantino
------------

RODRIGO CONSTANTINO

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.



* * *