MOACIR GOMES DE ALMEIDA, Patrono na Academia Belo-Horizontina de Letras (Cadeira
de número 40) e da Academia Carioca de Letras (Cadeira de número 40), nasceu no Rio de Janeiro em
22/04/1902 e aí faleceu em 30/04/1925, deixou um famoso livro de poesias que
intitulou Gritos Bárbaros, editado em 1925, que é um dos mais interessantes
livros da moderna geração de poetas brasileiros. Pelo apuro da forma é um
parnasiano e pela maneira de tratar os temas foi um condoreiro. Outras produções
poéticas esparsas foram coligidas e editadas, juntamente com Gritos Bárbaros,
sob o título de Poesias Completas por seu irmão (também poeta) Pádua de
Almeida.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus
discípulos: “Vamos para a outra margem!”
Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim
como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele.
Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se
lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. Jesus
estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o
acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”
Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio!
Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus
perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem
é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”
O evangelho deste domingo fala de movimento, de deslocamento
em direção a outras perspectivas, de saída dos próprios espaços de proteção e
segurança, para acolher outras vidas, outras histórias, abrir-se ao novo, ao
diferente. Que significa, para cada um, a outra margem? Desde logo,
não há resposta padrão; ela é muito pessoal, como é pessoal a adesão à pessoa
de Jesus. Convite pessoal e comunitário, de relação amistosa profunda, para
encontrar n’Ele nossa segurança e, assim, continuar a vida com mais inspiração.
É uma grande riqueza ir às margens de nossos irmãos, não
como turista, mas como peregrinos.
Jesus convida a todos nós a cruzar o mar em direção à outra
margem. Estamos tão acostumados em nossa margem rotineira que não é fácil
arriscar e fazer a travessia; nem sequer estamos convencidos de que exista
outra Margem, mais além das comodidades e das seguranças que buscamos. No
entanto, nossa meta está do outro lado do risco e do perigo. A falta de
confiança continua sendo a causa de não nos atrevermos a dar o passo;
resistimos acreditar que Ele vai em nossa própria barca.
“A nossa fé não é uma fé laboratório, mas uma fé caminho,
uma fé histórica. Deus se revelou como história, não como um compendio de
verdades abstratas... Não é preciso levar a fronteira à casa, mas viver em
fronteira e ser audazes” (Papa Francisco).
Entrar na barca com o Mestre significa “embarcar” na vida
d’Ele, correndo riscos de sofrer rejeições, abalos e tempestades.
O contexto social pós-moderno desencadeou uma complexa
turbulência em todos os domínios da vida, gerando novos desafios para a
adaptação do ser humano a seu ambiente. As pessoas sentem-se cada vez mais
ameaçadas, por realidades externas e internas, a sensação de insegurança
aumenta e torna-se mais indefinida; por conseguinte, os níveis de ansiedade e
angústia são cada vez mais elevados, conduzindo a verdadeiras situações de
ruptura e desespero.
Reforçam-se e elevam-se os gradeamentos, mudam-se e
sofisticam-se as fechaduras, as pessoas armam-se, as sociedades ficam cada dia
menos seguras e estáveis. É um círculo dramático e infernal cujo resultado é o
desenvolvimento crescente de uma espiral de medo, de violência, de stress...,
tornando as pessoas insensíveis, passivas e conformadas.
É com esta situação que temos de aprender a lidar e a
conviver. De fato, a pressão rotineira vivida cotidianamente nos diferentes
ambientes demanda uma enorme competência e uma capacidade de adaptação diante
de situações altamente adversas, agressivas e até violentas.
Como seguidores(as) de Jesus que bebemos das fontes do
Evangelho, duas são as “margens” que nos seduzem, nos mobilizam e nos
fazem chegar onde outros não chegam ou encontram dificuldades para
chegar; estas duas “margens” constituem a originalidade de nossa vivência
cristã e de nossa missão no mundo de hoje: a “margem” da interioridade e
a “margem” da universalidade. São “margens” que nos
humanizam, pois nos mobilizam a “descer” em direção àquilo que é
mais humano, em nós e na realidade que nos interpela.
Em primeiro lugar, “passar para a outra margem” nos
evoca o chamado a assumir um deslocamento social e religioso que tem um
componente de risco e mudança. Implica sair do conhecido, abandonar as próprias
seguranças; mudar de lugar, geográfico e/ou existencial, ir aonde ainda não
temos ido e enfrentar uma travessia incerta; e, por último, atrever-nos a
entrar em contato com o diferente e desconhecido e aceitar ser transformados.
Esse desafio hoje nos sacode e pode gerar em nós inquietude e desassossego,
como a tormenta que ameaça os discípulos depois de entrarem na barca.
Precisamos também fazer a travessia em direção à outra
margem de nós mesmos, aquela que não costumamos visitar. Descobrir nosso
tesouro escondido: a quantidade de qualidades e recursos que ativamos com
mediocridade, ou simplesmente não usamos. Porque, se nos níveis mental e
emocional tendemos a nos instalar, no mais profundo, no entanto, nos habita o
desejo do “mais”, que nos impulsiona, a partir de dentro, numa expansão aberta
a horizontes cada vez maiores.
A “outra margem” é a novidade do presente, a descoberta
incessante, a amplitude sem limites. Mas só poderemos começar a cruzá-la se
estivermos dispostos a deixar nossos caminhos trilhados e nos entregarmos com
docilidade à Vida – outro nome de nosso “mestre interior”.
O primeiro desejo de chegar à outra margem nasce
de dentro, do coração, que entende sua missão como busca e peregrinação
interior, como um colocar-se em movimento... Sair da margem conhecida,
“velha”, rotineira... para encontrar a nova margem: lugar de relação,
de questionamento, de criatividade, de encontro com o novo e
diferente…
A outra margem, lugar provocador,
incitador, que desperta curiosidade... Aqui brotam as grandes experiências
religiosas, as intuições, projetos, ideais vitais.
Caminhar para a outra margem é sair do centro,
da segurança, da acomodação... e ir em busca das surpresas, das
novas descobertas; implica arriscar, ter ousadia, não
ter medo de caminhar para os “confins da terra”, para regiões
desconhecidas em seu próprio interior...
Precisamos, para isso, ativar nossa “inteligência
espiritual”, como a capacidade que nos permite acessar e conectar com essa
dimensão profunda, à qual nos referimos com o termo “espiritualidade”.
Aderir à pessoa de Jesus, portanto, é arriscar-nos à
travessia do mar da vida; não estamos sozinhos; talvez nos encontramos perdidos
em alto mar esperando resgate e não somos capazes de perceber que no interior
de nossa barca há uma presença que nos pacifica. Ao chegarmos à outra margem
descobriremos uma experiência pessoal e comunitária de fé na pessoa de Jesus,
que nos ressuscita por dentro, que nos injeta vida nova e alegria profunda.
No entanto, é na vivência da adversidade que se dá
o encontro das oportunidades para o crescimento.
Muitas vezes, são justamente as circunstâncias adversas,
extremamente difíceis, que despertam na pessoa as condições mais criativas, que
enriquecem suas possibilidades práticas de atuar sobre a realidade em que vive
e transformá-la ou transformar-se.
Isto quer dizer que, diante da adversidade, a
pessoa mobiliza um conjunto de recursos dos quais não tinha consciência
anterior, mas cujo efeito é potencializador de crescimento e enriquecimento
pessoal.
Texto bíblico: Mc. 4,35-41
Na oração: Nas nossas vidas acontece algo
de verdadeiro e belo quando nos dispomos a buscar dentro de nós
mesmos a razão da nossa existência.
- A nossa vida é um êxodo, um sair
constante de uma realidade para entrar em uma outra realidade nova.
O peregrinar é o elemento
determinante e com maior valor simbólico para toda a vida.
- Existem ainda céus por explorar, aventuras por
empreender, pensamentos por experimentar e experiências por
aceitar; falta-nos ainda muito por saber, por ver, por sentir, por
desfrutar...
- No “mapa espiritual” de nosso
interior ainda existe uma “terra desconhecida”, que desperta
interesse à vida, suscita curiosidade, nos põe a caminho... Grandes
surpresas interiores estão à nossa espera, e a capacidade de continuar buscando
é que dá sentido ao esforço e vigor à vida.
Rita Mazzoni, parente minha e neta de Sebastião Bandeira,
contou que Mário de Andrade, certa tarde em que esteve em Araraquara, em uma de
suas visitas à chácara de Pio Lourenço, desceu a Avenida Guaianases, hoje
Djalma Dutra. Foi visitar Sebastião Bandeira, famoso por estar desenvolvendo um
moto-contínuo. Ao chegar, Mário deu com Sebastião a conversar com José Maria
Brandão. Entrou na conversa e foram confirmar os progressos de Sebastião. Assim
teria sido o encontro de meu avô com um dos mais célebres intelectuais
brasileiros. Vovô Gegé, como dizia vovó Branca, vindo de Matão, morou até o
final da vida na esquina da rua 8, número 842. Aquela casa faz parte da memória
afetiva de gerações. Ali vivi o episódio que me angustiou a vida inteira até
que, 60 anos depois, consegui escrever Os Olhos Cegos do Cavalos Loucos,
um dos cinco Jabutis que ganhei.
Esta casa voltou a fazer parte de minha vida depois de 40
anos. Há décadas ela desligou-se da família e de repente ressurge. Acabou de
chegar um e-mail de dois jovens, Flávia e Gabriel Paduan, contando que se
casaram e compraram a casa. Souberam que ela tinha pertencido ao meu avô e
gostariam de saber o que o lugar significa para mim. “Que espaço é este em que
vamos morar?”, indagaram. Aquela casa ainda tem para mim a fragrância das
madeiras amontoadas na marcenaria de meu avô. O cheiro dos pudins que vovó
Branca assava no fogão a lenha com brasas na tampa. O aroma espesso do “virado”
de banana e farinha de milho, no qual tia Maria era tão craque quanto Rita
Lobo. O cheiro de licor de abacaxi, criado a partir da casca da fruta
fermentada, e também o dos pães quentinhos trazidos pela carrocinha do Pasetto.
O perfume de tia Ignácia, minha madrinha, flutuando pela casa, quando ela saia
domingo para a sessão de cinema. O verde transparente e mágico dos olhos de tia
Terezinha, mulher do tio José. As arruaças dos netos vindos de Bauru ou de
alguma cidade da Araraquarense, ansiosos por ouvir tia Margarida ler os contos
da Carochinha. Os perfumes diferentes (franceses?) de tia Inez, mais bela que
Rita Hayworth, mulher do tio Geraldo, quando vinham encontrar a família, para
irem a um teatro, cinema ou reza solene. Tio Geraldo, conhecido como Celso
Davila, foi dos melhores atores das novelas da PRD-4 Rádio Cultura.
O número 842 ficava na frente da casa de Cristina Machado,
Iaia, minha primeira professora. Ela vendeu sua escola para Lourdes Prado, que
ficava na esquina oposta. Lourdes me ensinou redação. Naquela esquina, aos 11
anos, durante o ano inteiro de 1947, no começo da noite de quarta-feira, eu
esperava por Carmem de Paula. Ela assinava o Diário de São Paulo e me
entregava o suplemento juvenil que trazia os quadrinhos de Drago, clássico de
Burne Hogart (um dos criadores de Tarzan nos gibis) e de Brick Bradford, de
William Ritt e Clarece Day. Incendiavam minha imaginação. Sôfrego, eu lia
sentado na sarjeta à luz do poste e tremia com vilões como o assassino
Stiletto, o nazista Barão Zodiac e a bela Tosca.
Na esquina da rua 8, em frente à escolinha da Lourdes,
ficava o ônibus circular à gasogênio do Braz Pirolla, que tinha uma oficina
mecânica. Brincávamos dentro, até que Braz aparecia e fim da festa. “Dirigi”
tanto aquele ônibus que nunca mais dirigi na vida. Poucos souberam que na
esquina oposta a de vovô, na avenida 7 de Setembro, morou uma mulher vinda de
Santa Rita do Passa Quatro, de nome Branca, paixão de Zequinha de Abreu, o
compositor de Tico-tico no Fubá. Para ela, Zequinha escreveu a valsa que leva
seu nome, um clássico. Branca foi vivida no cinema por Tônia Carrero em filme
de 1952 dirigido por Adolfo Celli e produzido por um dos melhores amigos que
tive, Fernando de Barros. Vizinhos, os Carmona, produziam macarrão eu ia lá
buscar letrinhas de massa para fazer sopa, mas eu preferia escrever frases
colando-as em papel.
Nos finais de tarde, vizinhos e amigos sentavam-se na
calçada para a roda de conversas e café, encontro que seguia até 10 da noite,
quando a sirene da Meias Lupo tocava, para o novo turno de funcionários. Alguém
alertava: “A sereia da Lupo tocou, vamos entrar”. A cidade ia dormir. Sereia
era a sirene. Este costume foi retratado por Zé Celso Martinez Corrêa em sua
primeira peça teatral Cadeiras na Calçada.
Agora, vejam só, Flávia é bisneta de Vicente Gullo,
imigrante italiano que montou seu açougue na esquina da rua 6 com a avenida
Sete. Vicente e Domingas, dona Didi, são avós de Marcia, minha mulher. Dona
Didi foi das melhores amigas de minha mãe, Maria do Rosario, unidas pela
devoção a São José. De vestido preto e fitas amarelas iam juntas para a Matriz,
no começo da noite. Morando na casa 842, o que é a vida? Pontos soltos se
encontram. Acaso, ou simultaneidade?
A virtude da fé é a regra da vida, e a conduta virtuosa
o espelho da alma de quem crê em Jesus Cristo e se conforma com os seus
ensinamentos. Com efeito, aqueles que amam e temem a Deus constituem exemplo
para todos, de modo especial para os inocentes, luz reflexa de integridade
moral.
A vida delas apresenta-se fácil aos olhos dos adultos, pois
possuem uma espécie de bússola que as guia diante de exemplos que as encantam.
Nosso Senhor serviu-se delas como exemplo para alcançarmos o reino dos céus,
tornando-nos como crianças.
Enquanto os incrédulos e orgulhosos do mundo as ofendem, os
pequeninos em Cristo edificam-nas e honram-nas, por isso mesmo Nosso Senhor
disse aos que as escandalizam que melhor lhes fora pendurar a mó de um moinho
ao pescoço e se atirarem nas profundezas do mar.
O Filho de Deus usa a linguagem corrente da época para nos
ensinar esta verdade, pois a prática de amarrar a mó ao pescoço era própria
para castigar os grandes criminosos, sobretudo pelos pecados de escândalo.
As crianças devem ser alvo de carinho, afeto e predileção,
uma vez que seus anjos contemplam a face de Deus Pai que está nos céus.
Seria grosseiro não se comover por isso, pois o próprio
Jesus disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de
Céu”.
É para os que não se deixam comover que Nosso Senhor adverte
severamente com a figura da mó ao pescoço, anatematizando os escandalosos que
desviam as crianças do bom caminho, da luz da verdade e da ciência, do brilho
da fé e do esplendor da virtude.
Quem mais escandaliza em nossos dias? Impossível responder
sem entrar no campo político-social. Ao propor o ensino da ideologia de gênero,
por exemplo, a esquerda procede em relação às crianças de modo escandaloso,
ensinando o amor livre, a pedofilia, e tudo o que decorre disso.
Fazer o mal moral à criança é operar contra o próprio Jesus
Cristo: “Quem recebe uma criança, a Mim recebe”. Na verdade, a
esquerda anela por uma sociedade sem Deus, sem virtude, sem regras nem
disciplina. Uma sociedade assim moldada resvalará infalivelmente para o caos e
a anarquia.
Se o futuro de uma nação tiver suas raízes na família, no
seio da qual as crianças sejam bem educadas, podemos esperar o que há de melhor
para a sociedade. Caso contrário, ela resvalará para a própria destruição.
Com os meios de comunicação atuais, torna-se impossível não
ver isso acontecendo na Venezuela, na Argentina, bem como em todos os países
dominados pelos regimes da esquerda, onde, ao lado da pobreza moral e
espiritual, haverá sempre carência e miséria material.
Ao falar do homem sábio e prudente que edifica a sua casa,
Nosso Senhor ensina: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e
não as pratica, será semelhante ao homem insensato, que edificou a sua casa
sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e
investiram contra aquela casa e ela caiu e foi grande a sua ruína” (Mt 7,
26-27).
A ruína de que fala Nosso Senhor não se restringe à matéria,
mas toca nos aspectos transcendentes, pois uma sociedade que nega Jesus Cristo
e seus ensinamentos tem como meta a ruína moral, espiritual, econômica e
social.
Em próximo artigo pretendo dar continuidade a este tema, tão
importante para guardarmos a fé e fazermos da virtude a regra de nossas vidas.
Caso contrário, ser-nos-á inútil levantar de madrugada…
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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
Estava com o
lado esquerdo todo paralisado, a fala comprometida. Alimentava-se por sonda.
Talvez fosse irreversível seu estado. Rezava por ele. “Se tivesse alta do
hospital, provavelmente irá para uma clínica”, pensou.
Requeria
cuidados, durante 24 horas por dia.
Foi
visitá-lo no hospital e ficou muito sensibilizada. Não entendeu nada do que ele
falou. Ele pegou sua mão e deu um beijo. Era como se despedia dela. Agradecia
todos os momentos que habitara com ela, envoltos na alegria e na tristeza.
Voltou para
casa sabe como... Lamentou daí a instante quando soube que ele acabara de
falecer. Em lugar da máscara, a pele enrugada cobrindo o rosto ossudo,
levava uma expressão serena, assinalada pelo gesto que fez quando lhe beijou a
mão. Deixava assim para ela uma saudade formada de afeição e entendimento nos
momentos que viveram juntos.
Durante
sessenta anos de casados. O tempo havia ofertado a eles cinco filhos e quinze
netos.
O Espetáculo
De repente o menino se fez homem.
De repente o homem se fez idoso.
De repente o idoso se fez velhinho.
As cortinas fecharam-se.
Não mais que de repente.
Presente
O pai disse que ia lhe dar um grande presente.
Estava fazendo cinco anos no domingo.
- Pai, é esse o mar?
- É
- De quem é, pai?
- É seu.
O mar rugia sem parar. A água molhava seus pés pequenos.
Na poça que se formou ali perto, encheu de água o balde de
plástico.
Ficou cavando com a pá a areia.
O vento soprava nos cabelos.
Aquele marzão era todo seu.
De contente sorriu.
Um sorriso do tamanho do mar.
Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e
autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).Possui prêmios importantes. Publicado no exterior.
No último dia 10/6, quinta-feira, às 19 horas, a Academia
Grapiúna de Letras (AGRAL), sediada em Itabuna, realizou via plataforma google
meet, em função da inviabilidade de reunião presencial, por causa das medidas
restritivas acerca de distanciamento social, face à Covid-19, reunião ordinária
e extraordinária.
Na reunião ordinária, presidida pelo acadêmico-presidente
Samuel Leandro Oliveira de Matos [foto acima], com as presenças de confrades/confreiras,
foram homologadas pelos acadêmicos duas importantes comissões a de Avaliação de
Textos para Publicação, composta pela confreira Lílian Pereira como presidente
e os confrades Jailton Alves e Samuel Mattos como membros e a Comissão de
Análise e Seleção de Currículos e de Eleição de candidatos a acadêmicos da
“Casa das Letras Grapiúna”, tendo o confrade Vercil Rodrigues na presidência e
os confrades José Carlos Oliveira e Washington Cerqueira como membros.
O presidente Samuel Leandro , falou da importância de cada
acadêmico (a) escrever sobre seu próprio patrono ou patronesse, com vistas a
futura publicação da AGRAL, e apresentou informações biográficas do seu
patrono, Sosígenes Costa e um áudio, de poema seu, na voz da atriz Nevolanda
Pinheiro (“Flor de Cacau”).
Encerrada a reunião
ordinária, iniciou-se a extraordinária, aberta ao público, quando o
professor-doutor em educação física e membro da Academia Grapiúna de Letras
Samuel Macêdo Guimarães [foto abaixo], proferiu brilhante e elucidativa palestra intitulada
“Acentuações Terapêuticas Corporais na Saúde Mental: Uma Contemporaneidade de
Saúde Pública em tempos de Pandemia”, que pela qualidade do palestrante e da
temática mereceu elogios dos acadêmicos e convidados.