A Academia Brasileira de Letras homenageia, com mesa-redonda
no Petit Trianon, os 120 anos de nascimento de seu ex-Presidente Austregésilo
de Athayde e os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O evento,
coordenado pelo Presidente da ABL, Marco Lucchesi, se realizará no dia 6 de
novembro, às 17h30, na Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro,
com as participações dos Acadêmicos Arnaldo Niskier, Marcos Vilaça e Cícero
Sandroni, além do dramaturgo Roberto Athayde, filho do homenageado. Entrada
franca.
Saiba mais
Athayde foi considerado, por seus companheiros da Comissão,
formada pela jornalista norte-americana Eleonor Roosevelt, do professor libanês
Charles Malek e do soviético Professor Pavlov, sob assistência do jurista e
filósofo francês René Cassin, como o mais ativo colaborador na redação do
histórico documento. Em 1968, por ocasião do 20º aniversário da Declaração, a
Academia Sueca conferiu o Prêmio Nobel da Paz a Cassin que, ao tomar
conhecimento da homenagem que lhe fora prestada, exatamente pelo papel desempenhado
na elaboração do Documento, convocou os jornalistas e lhes disse:
"Quero dividir a honra desse prêmio com o grande
pensador brasileiro Austregésilo de Athayde que, ao meu lado, durante três
meses, contribuiu para o êxito da obra que estávamos realizando por incumbência
da Organização das Nações Unidas."
Em 1978, no 30º aniversário do documento, o Presidente Jimmy
Carter, dos Estados Unidos, reconheceu, universalmente, através de carta
enviada a Austregésilo de Athayde, a "vital liderança" por ele
exercida na elaboração da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Desde os tempos de colaborador do jornal A Tribuna e
de tradutor na agência de notícias Associated Press, em 1918, até poucas
semanas antes de sua morte, Athayde colocou seus pensamentos e suas ideias no
papel, e poucas vezes deixou de publicar algum artigo nos jornais e revistas
brasileiros. Orgulhava-se de afirmar:
"Jamais escrevi um artigo que não expressasse a linha
de minhas convicções democráticas. Nunca elogiei partidos, homens ou
grupos". (...) "Sou incapaz de ser a favor de homens. Sou a favor de
ideias, de pontos de vista. O que almejo mesmo é o pensamento democrático, a
preservação de nossa unidade nacional e o bem do povo brasileiro."
Austregésilo de Athayde sempre relembrava com prazer e
vaidade os acontecimentos de sua vida, durante a qual recebeu cento e setenta
medalhas, placas e condecorações. Dizia ele que o ato mais importante de sua
vida fora ter escrito a Declaração Universal dos Direitos do Humanos, obra que
o projetara no mundo inteiro e era o seu grande motivo de orgulho.
São duas armas, uma é mortal; a outra vislumbra a
imortalidade. A escolha se impõe. Vamos ao texto.
Cyro de Mattos é um dos muitos escritores baianos da região
do cacau – e um dos poucos cujo trabalho constante e associado ao necessário
talento, é capaz de assegurar-lhe um lugar de destaque no quadro da Literatura
Brasileira.
Sua produção remonta aos emblemáticos anos sessenta, quando
publicou Berro de Fogo, seu primeiro livro, ainda marcado por imperfeições e
outros traços de início de uma aprendizagem. Consciente da falibilidade do
artista, Cyro exclui o livro da sua bibliografia para aproveitar o conto-titulo
e publicar, já em plena maturidade, em 1997, pela Editus e Fundação Jorge
Amado, uma das suas obras clássicas: Berro de Fogo e Outras Histórias.
Alceu Amoroso Lima, crítico e pensador dos mais respeitados,
que adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde, deu-nos um testemunho essencial
para a inclusão do nome do grapiúna no quadro da literatura brasileira do século
vinte:
“Extraordinária capacidade de dar aos aspectos mais típicos
da realidade nacional, em estilo profundamente impregnado da nossa fala
brasileira, a revelação de um escritor visceralmente nosso... admirável
ficcionista”.
Convém lembrar que foi em 1968 que Cyro de Mattos viu seu
nome ser incluído entre os bons contistas, quando a narrativa “Inocentes e
Selvagens” – selecionada para figurar neste e-book – recebeu o Prêmio
Internacional Cervantes, da Casa dos Quixotes, para autores portugueses, africanos
e brasileiros de língua comum.
É ele quem revela, em correspondência de outubro de 2018, ao
organizador deste volume:
– “Concorri com mais de 100 autores. Como era um
concurso expressivo na época, lançou-me como autor de ficção curta
no circuito nacional. Eu era desconhecido, estava dando os primeiros
passos, hesitantes, em minhas atividades literárias. Havia publicado Berro
de Fogo, contos, livro riscado de minha bibliografia; nasceu imaturo, cheio de
vícios.”
A atitude consciente do contista, rigoroso a ponto de
abandonar um livro que não mais respondia ao rigor da sua obra, nos remete ao
escritor português Miguel Torga, cujo primeiro volume das suas obras publicadas
no Brasil, pela Nova Fronteira, em 1996, tive a oportunidade de fazer uma introdução
crítica, por sugestão da família do autor. Como foi observado, não apenas
vários contos, mas alguns livros torguianos, na sua forma original, foram
reescritos, repetidamente, em novas e constantes reedições. Nesse particular, o
nosso Cyro de Mattos adota o procedimento do autor português da geração de
presença, diferentemente do que fez o também grapiúna Jorge Amado, fundador e
figura de topo do ciclo do cacau na Literatura Brasileira.
Amado não volta aos seus romances da juventude para
reescrevê-los. Ao contrário, deixa essas obras na forma original, mesmo quando
revelam uma escrita em processo de amadurecimento ou quando traduzem uma
perspectiva ideológica que se modificou ao longo do tempo, especialmente ao
descobrir – com traumas e assombro – as incoerências da prática comunista de
Stálin, contrárias à sua concepção humanista da socialização dos bens e dos
valores.
Voltando ao juízo feito por Cyro de Mattos das suas
narrativas, convém transcrever mais um trecho da já referida correspondência:
– “O conto “Os Recuados”, pungente e denso, é a história de
uma mãe miserável, coitada, que mata o filho por amor, pois não suportava mais
vê-lo chegar em casa bêbado. Ele bebia muito porque se via rejeitado como um
índio pelos humanos, na feira. Deixo que isso seja visto nas entrelinhas.”
Em 1983, a Editora Tchê, de Porto Alegre, deu a lume o livro
Os Recuados, de onde foi retirado o conto título, para compor este livro
digital agora publicado na coleção “Teal” da E-Book.Br. Estes dois contos já
citados são fundamentais na obra do autor e, coincidentemente, ouvindo-o sobre
suas preferências, ele destacou as duas narrativas que ao lado de outras já
tínhamos em vista para integrar este volume.
Surpreendentemente, para mim, Cyro de Matos destacou textos
por ele intitulados de “contos de gente jovem”. O primeiro deles é “História do
Galo Clarim”, que eu não conhecia e creio continuar ainda inédito, e o segundo
é “O Menino e o Boi do Menino”, que completam este volume intitulado Nos Tempos
do Trabuco. Esse último texto saiu em 2007 como um pequeno livro para os novos
leitores infanto-juvenis, através da editora Biruta, de São Paulo.
Pela qualidade dessa faceta do escritor, a de autor de
livros para jovens e crianças, e ainda mais pela natureza das narrativas de múltiplo
alcance, isto é, capazes de interessar ao público adulto e a conquistar jovens
andarilhos que se aventuram pelos caminhos da leitura, tais inclusões valorizam
este e-book..
Embora apenas os contos “Inocentes e Selvagens” e “Os
Recuados” integrem explicitamente a sangrenta temática do ciclo do cacau na
Literatura Brasileira, o leitor das obras de Cyro de Mattos tende a situar
esses singelos acontecimentos da infância no mesmo cenário geográfico das suas
outras narrativas ficcionais, plenas de heroísmo e vilania que marcam a saga do
cacau.
Convém observar que “Inocentes e Selvagens”, além de ter
aberto espaço para esse escritor nascido em 1939, na cidade de Itabuna, veio a
integrar o livro Duas Narrativas Rústicas, editado no Rio de Janeiro, em 1985,
pela editora Cátedra.
Jorge Amado foi um dos muitos leitores privilegiados da obra
desse escritor a deixar patente a admiração pela sua escrita genuinamente
brasileira:
“Cyro de Mattos possui uma personalidade vigorosa e
original, a condição humana dos personagens que surgem do seu conhecimento e da
sua emoção nada tem de artificialismo... O autor de Os Brabos pisa chão
verdadeiro, toca a carne e o sangue dos homens, entre sombras e abismos.”
Diplomado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, ele
foi atraído pela força e pelo encanto da palavra escrita. Seguindo o caminho da
maioria dos escritores brasileiros da região Nordeste, Cyro também se fez
retirante, levando seu gibão de couro, cheio de histórias pra contar, até a
ex-capital do país, o Rio de Janeiro. Para encontrar audiência, trabalhou como
redator do Diário de Notícias, do Jornal do Comércio e de O
Jornal, de 1966 a 1971; colaborando ainda com artigos e contos
na revista A Cigarra e nos Cadernos Brasileiros e Leitura, além do
Suplemento Literário do Jornal do Brasil e d’O Jornal do Escritor.
Como o bom filho quase sempre retorna à casa paterna, o
escritor Cyro de Mattos voltou a morar em Itabuna, onde exerceu a advocacia e
também encontrou tranquilidade para fazer frondosa a sua obra de mil e uma
facetas.
Cid Seixas é poeta,ensaísta e Doutor em Letras pela USP. Editor da Editora Digital
Universitária. O texto“Do Trabuco à
palavra” é a apresentação do livro “Nos Tempos do Trabuco”, do baiano Cyro de
Mattos, publicado pela e-book Editora Digital Universitária, Salvador, 2018.
31º Domingo do Tempo Comum - Solenidade de todos os Santos –
04/11/2018
Anúncio do Evangelho (Mt 5,1-12a)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao
monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a
ensiná-los:
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o
Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque
serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão
misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão
chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da
justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e
perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de
mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos
céus”.
Ligue o link abaixo e acompanhe a reflexão do Evangelho:
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Amor é o que diz
"sim" em nós
“...amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...
amarás o teu próximo como a ti mesmo”
Há perguntas que realmente não despertam nada; há perguntas
maliciosas e capciosas que só buscam complicar o outro; mas há perguntas
essenciais que despertam nosso “eu profundo”.
No evangelho deste domingo (31º Dom TC) nos encontramos com
alguém sincero que, como outros muitos, se vê enredado em meio a tantos
mandamentos e preceitos que já não sabe por onde começar a caminhar.
Finalmente, alguém quer pôr as coisas em seu lugar; não quer ficar nos ramos,
mas quer ir à raiz, ao verdadeiramente essencial. “Qual é o primeiro de todos
os mandamentos”? Jesus também não é daqueles que soluciona os problemas vitais
multiplicando mandatos, leis, preceitos. Jesus também vai as raízes da
fé.
Possivelmente é a única vez que Jesus responde diretamente à
pergunta, porque a considera interessante e sincera. Significativamente, Jesus
não apela aos dez mandamentos, mas à atitude central da experiência religiosa
judaica: “Escuta, Israel! Amarás o Senhor teu Deus...” Ele não começa pelo
sexto mandamento, nem pelo nono, que são mandamentos fundamentais para a imensa
maioria dos cristãos; nem sequer pelo quinto (não matar) ou pelo sétimo (não
roubar).
Jesus entende muito bem o que aquele homem sente. Quando na
religião vão se acumulando normas e preceitos, costumes e ritos, é fácil viver
dispersos, sem saber exatamente o que é fundamental para orientar a vida de
maneira sadia. Algo disto acontece muito entre nós cristãos. Jesus, diante da
pergunta do escriba, atreveu-se a ir mais longe: há uma realidade em nossas
vidas capaz de fazer emergir o melhor que há em todos nós, e é simplesmente o
amor. E não há outra experiência de que mais necessitamos e que mais nos
realiza como humanos como essa: “amar e ser amado”.
Comecemos pela experiência básica: no princípio não está o
“faça isso”, nem o “amarás”, mas o “escuta”: acolha a voz de Deus! Só a partir
dessa “escuta” se pode falar de amor a Deus e ao próximo. “Escuta”: este é o
princípio de todo mandamento. No fundo, esta expressão quer dizer: “não te
feches, não faças de tua vida um espaço enclausurado, onde só se escutam tuas
vozes e as vozes de teu mundo”. Para além do que fazemos ou pensamos, daquilo
que desejamos e buscamos, estende-se o amplo campo da manifestação de Deus; abrir-nos
à sua voz, manter ativa a atenção à sua presença, ser receptivos frente sua
Palavra..., esse é o princípio e sentido do qual brota toda vida e todo
mandamento.
Cada ouvinte é um “tu” de Deus, chamado a responder-lhe com
amor. Este amor que aqui se pede deve surgir como resposta: não é uma “obra”
que o ser humano possa suscitar por si mesmo, mas um dinamismo pleno que brota
ali onde cada ser humano acolhe a voz de Deus. Não pode responder quem não
escutou; não pode amar quem não entrou no fluxo do amor de Deus, eleito por sua
graça. Só porque Deus o chamou e o amou primeiro, é que o ser humano pode lhe
responder.
Quando entramos em sintonia e escutamos o verdadeiro Deus,
desperta-se naturalmente em nós uma atração para o amor. O “mandamento do Amor”
não é propriamente uma ordem ou imposição. É o que brota em nós ao abrir-nos ao
Mistério último da vida. “Amarás”. O mandamento do Amor não é lei que se impõe
a partir de fora; ele “emana” (mandamento) do nosso próprio interior, pois o
Amor tem como Fonte o coração do próprio Deus. Amar Aquele que é a Fonte e a
origem da vida é viver amando a vida, a criação e, sobretudo, as pessoas. Jesus
fala do amar “com todo o coração, com toda a alma, com todo o ser”: sem
mediocridade nem cálculos interesseiros, mas de maneira generosa e confiada.
O importante não é conhecer preceitos e cumpri-los. O
decisivo é nos deter a escutar o Deus que nos fala ao coração, ativando a
“faísca de amor” que aí está presente. Nesta experiência, não há intermediários
religiosos, não há teólogos nem moralistas. Não precisamos que alguém nos diga
a partir de fora. Sabemos que o essencial é amar. E isto basta!
De fato, só merece o nome de Amor aquele que brota a partir
da mais profunda liberdade e sem outra motivação que a atração desse mesmo
amor. “Palavra grande, realidade maior”, dizia S. Agostinho a respeito do
amor.
Nas duas tradições, judaica e cristã, o centro da pessoa é o
coração. Amar é fazer tudo com o coração. Falamos do Amor Ágape que transborda,
que nada pede em troca, que ama sem ter nada de particular para amar. É amor de
pura gratuidade, como dom total de si mesmo. Não é motivado pelo valor do
outro, ou pela recompensa que o outra possa trazer. Com efeito, neste caso não
se ama o outro porque ele é bom, mas para que seja bom, já que o amor quer o
bem do amado. “O amor é comunicação mútua de dons” (S. Inácio)
O amor ágape é expansivo: nos alarga através dos nossos
membros, mãos e pés. O Amor Ágape não é o amor que sacia nossa sede, pois ele
não nasce da nossa sede, mas ele nasce da nossa fonte que corre. Não é o amor
da falta, da carência, mas é o amor da plenitude.
Podemos dizer que o amor tem mãos e pés: mãos que cuidam,
curam, abençoam... e pés que nos arrancam de nossos lugares rotineiros e nos
deslocam para as margens, junto aos mais excluídos. Uma das maiores razões para
o Amor ser uma experiência de expansão se deve à sensação de imortalidade e
eternidade que nos proporciona. Quem ama vê o tempo se alargar e a vida ganhar
mais sentido. Em outras palavras, o Amor traz em si a marca da
eternidade, pois se trata da “faísca de Javé” colocado por Ele no coração do
ser humano, impregnando toda a sua vida.
Quando o Amor nos habita tudo se torna sagrado. Não há
“Terra Santa”, há uma maneira santa de caminhar sobre a terra. “O amor é o que
diz sim, em nós”: sim à vida, sim ao compromisso, sim à compaixão... É preciso
encontrar dentro de nós este estado de “sim” ao que é. É necessário que
descubramos em nosso interior, o sim mais profundo que se faz visível no amor
oblativo.
Quando o amor nos habita, tudo se torna sagrado; nossos
olhos se tornam contemplativos, ou seja, o olhar que libera o que há de melhor
em nós e nos outros. Transformamo-nos naquilo que olhamos e tornamo-nos aquilo
que amamos. O amor é uma irradiação do nosso ser.
A originalidade de Jesus é a de nos revelar um amor
horizontal no qual o movimento do eu em direção ao outro é reprodução e
prolongamento do movimento de Deus em direção ao ser humano. Este amor a Deus é
inseparável do amor ao próximo. Só se pode amar a Deus amando o próximo; do
contrário, o amor a Deus é falso. Como vamos amar o Pai sem amar os seus filhos
e filhas?
O texto de hoje não só reafirma o amor ao próximo, mas, ao
mesmo tempo, realça sua modalidade: “ame a seu próximo como a si mesmo”. O que
significa amar o próximo “como a si mesmo”? É como se dissesse: “ame seu
próximo, é você mesmo”; “esse amor ao próximo é você mesmo”; “ame o seu
próximo, tudo isso é você mesmo”; “ame o seu próximo, porque o seu próximo é
justamente como você mesmo”.
A medida do amor de Deus é não ter medida, ou seja,
experiência de abertura infinita, pois Deus ultrapassa os limites e normas da
humanidade. “Como a ti mesmo”: a medida do amor ao próximo é agora a do próprio
amor: amar o outro como a mim mesmo, ou seja, senti-lo como “outro eu” a meu
lado, fazendo de sua vida espaço e centro de minha própria vida.
Texto bíblico: Mc. 12,28-34
Na oração:
- entoar um hino de louvor e gratidão a Deus pelo Seu “amor
em excesso” que se revela no cotidiano da vida;
- ter sempre presente na memória que fomos criados
para viver em relação de amor e solidariedade com todos;
- considere que toda a Criação saiu das mãos do Criador como
presente especial e gratuito, como uma mensagem de Amor a cada um de nós.
Caro Juiz Sergio Moro, queremos primeiramente lhe
parabenizar pelo seu trabalho no combate a corrupção e a tirania em nosso
querido país, se não fosse vossa excelência e com sua inteligencia e
honestidade no cumprimento ortodoxo da lei, nossa nação não teria dado o passo
tão grande quanto o que foi dado pela Operação Lava Jato e nós teríamos
sucumbido a uma verdadeira ditadura como acontece na Venezuela.
Juiz Moro, gostaria de dizer em nome de milhões de
Brasileiros, o senhor não estará sozinho nesta nova empreitada no Ministério da
Justiça. Nós sabemos que para o senhor foi uma decisão difícil deixar a sua
longa carreira como magistrado para trás, por este motivo e ainda mais , será
uma honra sem tamanho ter o senhor como parte de nosso novo governo.
Escrevo este texto emocionado, pois sei que o senhor é a esperança
para o nosso Brasil. Tenha certeza que não estará sozinho nesta luta, o povo
brasileiro está ao seu lado e sempre estará disposto a lutar em sua defesa e em
defesa da Lei e da Ordem.
Juiz Moro, que o senhor seja muito abençoado nesta nova
etapa e que possa colocar muito mais corruptos atrás das grades, porque o povo
não aguenta mais sofrer nas mãos deste tipo de criminoso. Oraremos todos os
dias pela sua vida e por sua família, que Deus o abençoe o guarde e o Ilumine,
amém!
Saíra
cedo, muito cedo, ao romper do dia, trinando alegremente pelo espaço de fora,
caminho da mata, onde ia buscar alimentos para os filhinhos.
E partira
despreocupadamente, naquela formosa manhã de primavera, quando o sol começava a
iluminar a terra,espalhando suaves e
doces reflexos de luz na relva dos caminhos e por sobre a verde folhagem dos
arvoredos, onde se dependuravam prenhes de cintilações prismáticas, as gotas de
orvalho, as brilhantes lágrimas da madrugada.
Os
camponeses dirigiam-se para o trabalho, ferramenta ao ombro, entoando uma
cantiga simples, repassada de tons bucólicos, fresca e alegre.
Ouvia-se o
balir das ovelhinhas, o mugir prolongado do gado nos currais, de onde se
levanta um vapor enfumaçado, bom e sadio, sadio e agradável, que tonificava os
pulmões e a todos dava umgrande bem
estar.
Os carros
de bois chiavam cadencialmente pelos caminhos, em demanda das roças, onde iam
carregar-se dos produtos das colheitas.
Das
árvores do pomar e do centro da mata virgem partia o trinar da passarada e o
canto sonoro e distinto do inhambu a reboar ruidosamente pelo ar...
Ouvia-se todo esse ruído poético que
anuncia a vida do campo ao amanhecer.
E ela que
partira tão cedo em busca de alimento para os filhinhos, não adivinhara talvez
que se ia separar para sempre deles, naquele dia tão azul e tão cheio de luz.
Dirigira-se para a entrada da mata, e ali, descuidosamente, revolvia a
terra úmida, os pequenos seixos e gravetos que encontrava pelo chão, as folhas
secas e orvalhadas...
Súbito
ouviu-se um estampido...
Rápido,
abriu ela as asas, distendeu-as, pretendendo alçar o voo, procurando fugir.
Fora,
porém, certeira, a pontaria do bárbaro caçador. Mas, lembrando-se dos filhotes,
ela, ferida, quase agonizante, fez um supremo esforço um esforço heroico de que
só as mães são capazes e... Voou.
Recordando
o azul em voo incerto, caindo aqui, depois levantando-se acolá, correndo por
entre os espinheiros para voar de novo, atravessando com dificuldade os moitais
ou as touceiras de capim, uns felpudos, outros cortantes, foi cair por fim
exânime ao lado do ninho – uma laranjeira copada no centro do pomar, coberta de
flores e de orvalho, dourada pelo sol. Os filhotes, num pipio triste e
desesperado, viram a carinhosa mãe com as penas empastadas de sangue, o peito
arfando, os olhos semicerrados, cheios de terra como um cristal embaciado, já
sem luz, - viram-na exalar o último suspiro, entreabrindo o pequeno bico de
onde caíram alguns vermes e insetos – o alimento que fora buscar para eles,
para a sua prole estremecida.
... No dia
seguinte cedo, muito cedo, logo ao romper do dia, quando o sol começava de
iluminar a terra espalhando suaves e doces reflexos de luz na relva dos
caminhos, as avezinhas implumes foram encontradas frias, inteiriçadas, no
pequeno ninho de filamentos de capim e penugens brancas e acinzentadas da
laranjeira copada no centro do pomar.
E do fundo
da mata virgem partia o trinar da passarada, o chilrear dos pequenos
passarinhos e o canto sonoro e distinto do inhambu a voar ruidosamente pelo ar.
Ao longe,
na quebrada dos caminhos orvalhados,chiavam os carros de bois, ouvia-se a cantiga simples, alegre e fresca
dos aldeões e o balido das ovelhas e o mugir prolongado do gado nos currais...
(LÍNGUA PORTUGUESA
Luso=Brasileira
ANTOLOGIA F. T. D. – livro de leitura
Organizado por Mário Bachelet)
LIVRARIA FRANCISCO ALVES
1944
.................
Tancredo do Amaral - nasceu na cidade de São Paulo em 18 de
fevereiro de 1866. Era filho do Comendador Manuel Leite do Amaral e de Dona
Josefa Gaudie Leroy do Amaral.Escreveu
diversos livros didáticos, entre os quais O Livro das Escolas, Geografia
Elementar, História de São Pauloensinada pela biografia de seus vultos mais
notáveis e O Estado de São Paulo, todos aprovados oficialmente e
adotados nas escolas públicas. Tancredo foi ainda nomeado Inspetor Escolar, chegando
a ser interinamente Diretor Geral da Instrução Pública do Estado.
Como Nosso Senhor Jesus Cristo nos advertiu, a morte virá de
repente, como um ladrão, oculto e de noite (I Tes. 5, 2) e como nos ensina e
reafirmamos no Símbolo dos Apóstolos: “Creio na ressurreição da carne, na vida
eterna. Amém”.
♦ Paulo
Corrêa de Brito Filho
Em nossos dias impregnados de materialismo e ateísmo,
procura-se evitar a lembrança da morte, embora seja ela a única coisa que nos
acontecerá com absoluta certeza.
Causa-nos temor recordar essa verdade, a ponto de muitos
evitarem passar pelo cemitério até mesmo por ocasião de algum enterro, e outros
procuram eliminar os aspectos trágicos, pungentes e tristes da morte. Chega-se
ao extremo de tornar festivos os ambientes dos funerais, parecidos a lugares
para encontros sociais mundanos.
Contrapondo-se a essa tendência materialista, a Santa Igreja
nos faz lembrar de uma vida eterna após a morte. Incentiva-nos a meditar os
“novíssimos do homem” — morte, juízo final, céu e inferno — e aconselha: “Em
todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e jamais pecarás (Ecl.
7, 40).
Como mãe, a Igreja associa-se às nossas lágrimas e consola
nossas dores na perda de um ente querido. Também nos incentiva a tributar todo
respeito aos mortos, participar de funerais, sepultar dignamente os cadáveres,
visitar as famílias enlutadas, rezar, oferecer sacrifícios e assistir à Missa
em sufrágio das almas dos falecidos, para que sejam libertadas das penas do
Purgatório e conduzidas ao Céu.
No dia de Finados, é especialmente louvável
recordar as almas dos fiéis defuntos, de modo particular de nossos parentes e
conhecidos, rezar por eles e visitar seus restos mortais nos cemitérios.
Para que nossos leitores possam medir quanto o mundo moderno
se encontra distante de uma atitude varonil e católica perante o luto e a
morte, a revista Catolicismo reproduz na edição de novembro um
conjunto de oportunas considerações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o
luto — os costumes tradicionais, as honras fúnebres, as manifestações e a
concepção cristã de luto — e como esses valores vão sendo esquecidos e
abandonados, devido ao conceito materialista de viver como se nunca fôssemos
morrer. Como Jesus nos advertiu, a morte virá de repente, como um ladrão,
oculto e de noite (I Tes. 5, 2).
Desejo aos prezados leitores uma proveitosa leitura de tal
matéria, peço à Sagrada Família, Jesus, Maria e José, que nos conceda a todos a
graça de uma boa morte. E peço também que aumente em nós a esperança da
ressurreição, conforme nos ensina e reafirmamos no Símbolo dos Apóstolos: “Creio
na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém”.