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quarta-feira, 21 de março de 2018

ZUCKERBERG FECHA CERCO CONTRA VAZAMENTO DE DADOS APÓS ESCÂNDALO

Dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook foram compartilhados com a empresa Cambridge Analytica


access_time  21 mar 2018, 17h13 - Publicado em 21 mar 2018

(Justin Sullivan/Getty Images)

São Paulo – Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, se pronunciou em seu perfil na rede social sobre o escândalo de vazamento de dados, que veio à tona no último final de semana. O fundador da empresa contou toda a história dos bastidores do caso da Cambridge Analytica e afirmou que vai tomar medidas restritivas para impedir que os dados dos usuários saiam do seu controle.

Zuckerberg explica, na publicação em inglês, que o vazamento aconteceu a partir de um aplicativo de quizz de personalidade, criado pelo pesquisador da Universidade de Cambridge Aleksandr Kogan, em 2013. Da forma como o app funcionava à época, ele obteve dados não só das 300 mil pessoas que o instalaram, mas também de seus amigos. Isso era permitido. Por isso, dados de dezenas de milhões de pessoas foram coletados.

No ano seguinte, a rede social mudou seus termos de privacidade para evitar que esses aplicativos abusivos fizessem coisas semelhantes para capturar informações de usuários do Facebook.

Porém, o ajuste chegou tarde demais. Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, Kogan teria compartilhado os dados com a empresa de consultoria Cambridge Analytica. O Facebook solicitou a exclusão das informações e foi informado que tudo havia sido apagado.

Nesta semana, The New York Times, The Guardian e Channel 4 publicaram reportagens sobre o mau uso de dados de usuários.

“Essa falha de confiança entre Kogan, Cambridge Analytica e Facebook. Mas também foi uma falha de segurança entre Facebook e as pessoas que compartilham seus dados conosco e esperam que nós os protejamos. Precisamos consertar isso”, afirmou Zuckerberg.

Para prevenir casos semelhantes, o Facebook vai banir usuários que criaram apps abusivos antes de 2014, restringir ainda mais o acesso dos desenvolvedores às informações pessoais e vai tornar mais transparente os dados que são compartilhados com aplicativos na rede social.

Veja a publicação de Zuckerberg na íntegra a seguir.

Mark Zuckerberg
há 58 minutos
Quero compartilhar uma atualização sobre a situação de Cambridge Analytica -- incluindo os passos que já fizemos e os próximos passos para resolver esta importante questão.

Temos a responsabilidade de proteger os seus dados, e se não podemos, não merecemos servi-lo. Tenho trabalhado para perceber exactamente o que aconteceu e como garantir que isto não volte a acontecer. A boa notícia é que as acções mais importantes para evitar que esta situação volte a acontecer hoje, já já foram tomadas há anos. Mas também fizemos erros, há mais a fazer, e temos de subir e fazê-lo.

Aqui está uma cronologia dos eventos:

Em 2007, lançamos a plataforma do facebook com a visão de que mais aplicativos devem ser sociais. O teu calendário deve poder mostrar os aniversários dos teus amigos, os teus mapas devem mostrar onde os teus amigos vivem e o teu livro de endereços deve mostrar as suas fotos. Para fazer isso, nós permitiu as pessoas a entrar em aplicativos e compartilhar quem seus amigos eram e algumas informações sobre eles.

Em 2013, um pesquisador da Universidade de Cambridge chamado aleksandr kogan criou um aplicativo de teste de personalidade. Foi instalado por cerca de 300,000 pessoas que partilharam os seus dados, bem como alguns dos dados dos seus amigos. Dada a forma como a nossa plataforma funcionou na altura, isto significava que kogan conseguiu aceder a dezenas de milhões de dados dos seus amigos.

Em 2014, para evitar aplicativos abusivos, anunciamos que estávamos mudando toda a plataforma para limitar drasticamente os aplicativos de dados que poderiam acessar. Mais importante, aplicativos como kogan ' s não poderiam mais pedir dados sobre os amigos de uma pessoa, a menos que seus amigos também tivessem autorizado o aplicativo. Também pedimos aos desenvolvedores para obter a aprovação de nós antes que pudessem solicitar dados sensíveis das pessoas. Estas ações que qualquer aplicativo como kogan ' s de poder acessar tanto dados hoje.

Em 2015, aprendemos com jornalistas do the guardian que kogan tinha compartilhado dados de seu aplicativo com Cambridge Analytica. É contra nossas políticas de desenvolvedores compartilhar dados sem o consentimento das pessoas, então nós imediatamente baniram o aplicativo de kogan da nossa plataforma, e exigimos que kogan e Cambridge analytica formalmente certificam que eles tinham apagado todos os dados indevidamente adquiridos. Eles forneceram estas certificações.

Na semana passada, aprendemos com o the guardian, the New York times e CHANNEL 4 que Cambridge analytica pode não ter apagado os dados como tinham certificado. Nós imediatamente os proibi de usar qualquer um dos nossos serviços. Cambridge Analytica afirma que já suprimiu os dados e concordou com uma auditoria forense por uma firma que contratámos para confirmar isto. Também estamos a trabalhar com reguladores enquanto investigam o que aconteceu.

Isto foi uma quebra de confiança entre kogan, Cambridge analytica e facebook. Mas também foi uma quebra de confiança entre o facebook e as pessoas que partilham os seus dados connosco e esperam que a protejam. Temos de resolver isso.

Neste caso, já fizemos os passos mais importantes há alguns anos, em 2014, para evitar que os maus actores acedam à informação das pessoas desta forma. Mas há mais que temos de fazer e eu vou delinear esses passos aqui:

Primeiro, vamos investigar todos os aplicativos que tiveram acesso a grandes quantidades de informação antes de mudar nossa plataforma para reduzir drasticamente o acesso de dados em 2014, e vamos realizar uma auditoria completa de qualquer aplicativo com atividade suspeita. Vamos banir qualquer desenvolvedor da nossa plataforma que não concorde com uma auditoria completa. E se encontrarmos programadores que usurpação informações pessoalmente identificáveis, vamos proibi-los e dizer a todos os afetados por esses aplicativos. Isso inclui pessoas cujos dados kogan também são usados aqui.

Em segundo, vamos restringir ainda mais o acesso aos dados dos programadores para evitar outros tipos de abusos. Por exemplo, vamos remover o acesso dos desenvolvedores aos seus dados se você não tiver usado seu aplicativo em 3 MESES. Vamos reduzir os dados que você dá a um aplicativo quando você assinar -- para apenas seu nome, foto de perfil e endereço de email. Vamos exigir que os programadores não só sejam aprovados, mas também assinem um contrato para pedir a qualquer pessoa que aceda às suas publicações ou outros dados privados. E vamos ter mais mudanças para partilhar nos próximos dias.

Em terceiro lugar, queremos ter a certeza de que compreendes quais as aplicações que tens permitido aceder aos teus dados. No próximo mês, vamos mostrar a todos uma ferramenta na parte superior do teu feed de notícias com os aplicativos que usaste e uma forma fácil de revogar as permissões dos teus aplicativos aos teus dados. Já temos uma ferramenta para fazer isto nas tuas definições de privacidade e agora vamos colocar esta ferramenta na parte superior do teu feed de notícias para garantir que todos o vejam.

Para além dos passos que já tínhamos tomado em 2014, creio que estes são os próximos passos que temos de tomar para continuar a garantir a nossa plataforma.

Comecei o facebook, e no final do dia sou responsável pelo que acontece na nossa plataforma. Estou a falar a sério sobre fazer o que é preciso para proteger a nossa comunidade. Enquanto esta questão específica envolvendo Cambridge Analytica já não deve acontecer com novos aplicativos hoje, isso não muda o que aconteceu no passado. Vamos aprender com esta experiência para garantir mais a nossa plataforma e tornar a nossa comunidade mais segura para todos os que estão a avançar.

Quero agradecer a todos os que continuam a acreditar na nossa missão e trabalhar para construir esta comunidade juntos. Sei que demora mais para resolver todas estas questões do que queremos, mas prometo-te que vamos trabalhar nisto e construir um serviço melhor a longo prazo.


terça-feira, 20 de março de 2018

TEMER EM ÁGUAS MANSAS - Arnaldo Niskier


EDUCAÇÃO:
Temer em águas mansas

Nem tudo é agitação na vida do presidente Michel Temer. Ao entregar a Ordem Nacional do Mérito Educativo a 110 personalidades, no Palácio do Planalto, viveu momentos de tranquilidade e até de um certo prazer, quando pode elogiar os governadores do Ceará e do Espírito Santo, pelas ações em favor da educação brasileira. Foi justo com o ministro Mendonça Filho que, em seus dois anos de trabalho, deixou marcas extremamente favoráveis.

Em nome dos 110 agraciados, falou Viviane Senna, irmã do grande Ayrton Senna.  Ela lembrou que o campeão costumava valorizar o que ele chamava de “oportunidade” – e isso não pode ser nunca desprezado.

Ainda estamos longe de nos ombrear com as nações mais desenvolvidas, como Finlândia e Cingapura, mas assinalamos pontos favoráveis.  Tanto o presidente da República quanto o ministro da Educação foram objetivos quando mostraram que alcançamos a reforma do ensino médio e, graças ao Conselho Nacional de Educação, teremos o Bloco Único Curricular, uma necessidade que não poderia mais tardar.

Foram investidos mais de 700 milhões de reais no FIES, a juros subsidiados, o que deu nova dimensão ao ensino superior. E o presidente falou da ampliação do tempo integral nas escolas.
Os oradores concordaram com um ponto de vista: a prioridade na formação do magistério. Não existe a possibilidade de um bom ensino sem professores devidamente competentes, como acontece nas nações mais desenvolvidas do mundo. Temos a experiência comprovada do Japão, por exemplo, após a II Guerra mundial. Depois da destruição do país, a reação aconteceu com a prioridade dada à educação, particularmente na formação dos professores – e assim se explica o espantoso crescimento do Império do Sol Nascente

Devemos estar atentos à existência hoje da educação online, uma realidade indiscutível a partir do ensino fundamental. Conseguimos ampliar as oportunidades educacionais, nesse nível de ensino, mas é necessário que se leve qualidade a essa etapa, o que se faz também com a criação de laboratórios e bibliotecas, que abranjam os níveis fundamental e médio.

Deve-se louvar a atual gestão do Ministério da Educação. Não tem sido pouco o trabalho do ministro Mendonça Filho – e ele é digno dos nossos louvores. Mas é preciso ter a consciência de que ainda há muito a ser feito, num país onde não podemos nos conformar com a existência de dois milhões de jovens que, na idade adequada, não estudam nem trabalham.

O Brasil é uma federação e o ideal seria que os Estados se comportassem de forma solidária, em matéria de educação, como acaba de ser reconhecido pelo presidente da República em relação ao Ceará e ao Espírito Santo. Inclusive na utilização de recursos financeiros, que em geral faltam para as maiores necessidades, o que não é medida defensável.

Diário da manhã (GO), 14/03/2018

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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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AGUERRIDA BOLA NO PÉ - Cyro de Mattos


Aguerrida bola no pé

            Um time de futebol não se faz somente com  jogadores que têm o fino trato com a bola, aqueles que constroem o jogo  e funcionam como o cérebro da equipe. Precisa daquele jogador que, impelindo-se na jogada com esforço, coragem e tenacidade destrua a intenção do  adversário. Na defesa é preciso que jogue sério, não enfeite, nem faça filigrana, antecipe-se no lance, deixando o atacante sem pegar na bola ou impedido de armar a jogada, frustrado. Entre os jogadores aguerridos, que se apresentaram no Campo da Desportiva,  lembro do  quarto zagueiro Itajaí e de Neném, o coringa.

            Itajaí era quarto zagueiro vigoroso.  Jogou no Janízaros e na seleção amadora de Itabuna. Não perdia a jogada, entrava  duro, mas era  leal na marcação do atacante. Com ele, a bola tinha que ficar fora da zona de perigo. Acontecia que às  vezes sua jogada impetuosa cometia infração no atacante, recebia a vaia estrondosa do torcedor rival. Ele mais se inflamava, mais se empenhava, mais procurava anular o atacante. Só faltava comer a grama, queria a vitória do seu querido Janízaros ou da seleção de Itabuna, sem medir esforço. Uma de suas qualidades era não perder o tempo da bola.

            Neném era o coringa do Janízaros. Defendeu também a  seleção amadora de Itabuna, meta maior que qualquer jogador  daquele tempo queria alcançar para se sentir realizado como atleta. O fôlego nele sobrava. Como lateral direito, o ala como é chamado hoje, incrível como corria e não cansava pela beirada do campo. Nessa posição tanto defendia como atacava. No vaivém do jogo, como um lateral moderno, era de uma entrega total na defensiva e ofensiva da faixa lateral do campo. Comum ir até a linha de fundo do time rival e cruzar a bola para o atacante de seu time fazer o gol.

            Não se sabia onde era que arranjava tanto fôlego para correr com aquela disposição. Era adepto da boêmia, dizendo que com uma boa dama na dança,  cerveja gelada e bom papo com os colegas da noite, conseguia inspiração para atuar no domingo seguinte como um lateral direito eficiente, de mobilidade rara no vaivém da partida.

            Era dançarino com passos que chamavam a atenção, os malabarismos engraçados que fazia com a dama sobressaíam entre os pares no salão. Arrancava suspiros da parceira no samba ou  bolero, somente ele sabia dançar o tango. No domingo seguinte,  como se não tivesse  a gosto,  durante a noite animada do sábado, véspera de jogo, corria os noventa minutos como um velocista nato. Fazia o torcedor vibrar,  a arquibancada tremer, quando tomava a bola do atacante e saía disparado na direção da linha de fundo do time adversário. Ninguém segurava o homem.

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Cyro de Mattos é contista, poeta,romancista, ensaísta, cronista e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha e Dinamarca. Conquistou o Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro, em Gênova, Itália, com o livro “Cancioneiro do Cacau”, o Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, com “Os Brabos”, contos,  o APCA com “O Menino Camelô” e O Prêmio Nacional Pen Clube do Brasil com o romance “Os Ventos Gemedores”. Finalista do Jabuti três vezes.  Distinguido com a Ordem do Mérito da Bahia. Pertence ao Pen Clube do Brasil.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - A árvore e o fogo


A árvore e o fogo 

Quando o fogo passa na floresta todos correm…

O homem corre,
Os pássaros voam para outro abrigo,
E até o leão, mais forte, dominador,
e temido da floresta também corre.
A única que não corre é a árvore.

O fogo pergunta para a árvore:
– Árvore, todos correram e você não vai correr?
A árvore responde:
– Eu sou árvore plantada por Deus.
Você passará por mim, queimara os meus frutos e folhas.
Mas…Dentro de alguns meses eu volto a florescer.
Porque a minha raiz você não queimará.
Minhas folhas, galhos e frutos novamente aparecerão.
Pois a árvore que Deus planta ninguém arranca.
....................
“Deus Te Sustentará Em Toda Sua Vida Nessa Terra.
Venha o fogo que vier, fica firme.
Pois Você é uma árvore plantada por Deus”
.

Então não importa a situação que você esteja passando;
Suas raízes estão firmadas naquele que tudo pode.

(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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segunda-feira, 19 de março de 2018

SÃO JOSÉ, PATRONO DA IGREJA - Plinio Corrêa Oliveira


18 de Março de 2018

Alma ardente, contemplativa e cheia de carinho
Plinio Corrêa Oliveira*

Esta foi a melhor estampa de São José que conheci em minha vida. Trata-se claramente de uma pintura executada por alguém que interpretou bem o papel de São José, e que soube exprimir isso em uma obra artística de boa qualidade.

Viajando pela Europa, estive em muitas catedrais e igrejas famosas onde se encontram imagens de São José. Nunca me deparei com outra que representasse tão bem a fisionomia espiritual do Santo Patrono da Igreja. Não são os traços físicos o que importa, mas a fisionomia espiritual do castíssimo esposo de Maria Santíssima.

Habitualmente os traços apresentados de São José deformam um tanto aquilo que ele deve ter sido. As imagens correntes dele apresentam um homem que, à força de ser simples, torna-se um pouco simplório, olhando e sorrindo à maneira de quem não está compreendendo bem as coisas, a quem falta firmeza de vontade, e que não é um verdadeiro chefe.

É preciso ressaltar que nas mãos dele Deus entregou o maior tesouro que houve na Terra, do qual jamais haverá similar na História: Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus humanado! É forçoso compreender que Deus só pode ter designado para isso um homem de alto critério, alta prudência, alto discernimento e alto carinho. Mas ao mesmo tempo capaz de enfrentar, com inteligência e força, qualquer dificuldade e qualquer adversário que se lhe opusesse.

Adversários surgiram logo no início. Conhecemos bem a perseguição que Herodes quis mover contra o Menino Jesus, o massacre dos inocentes, a necessidade de fugir para o Egito. Que mentalidade precisava ter esse homem, que coração, que alma de fogo para guiar através de tantos riscos a Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora.

Ele era o esposo fidelíssimo de Nossa Senhora. Entre esposo e esposa é necessário haver certa proporcionalidade. Não pode o esposo ser demasiadamente superior à esposa; nem a esposa ser desmedidamente superior ao esposo. Portanto, deveria ser um homem que tivesse proporção com Maria Santíssima, mas as imagens habitualmente difundidas não exprimem isto.

Entretanto, neste quadro contemplamos São José em sua pobreza, sua singeleza, um simples operário em Nazaré; mas também um homem de inteligência, de critério e firme. Não é um sábio, nem universitário. Contudo, dotado das credenciais para ser depositário dos segredos de Deus. O que é preciso para isso? Ter alma de fogo, alma ardente, alma contemplativa, alma cheia de carinho. Por essas razões, gosto muito desse quadro.
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(*) Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de março de 1987. Sem revisão do autor.



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CONHECENDO E DISSEMINANDO A MENSAGEM (IV) – Clóvis Silveira Góis Júnior


4.4. Em busca do ministro



            Em boqueirão, por volta do ano de 1915, fiéis já declinavam dos labores no sétimo dia. Liam a pouca literatura que possuíam, mas faltava-lhes alguém preparado para oficiar sermões e dirigir cerimônias e rituais cristãos. Anelavam por batismos! Queriam selar sua fé publicamente e obter o referendo dos céus! Mas como? Nunca UM PASTOR HAVIA PISADO EM Boqueirão. Depois dos folhetos, vieram colportores, mas estes não foram ordenados pela igreja para oficiar batismos. Estavam certos de que já obedeciam a Deus em tudo. Porém, tinham lido em Marcos 16:16 que “quem crer e for batizado será salvo”. Então, eles precisavam cumprir esta segunda parte. A volta de Jesus lhes parecia iminente e poderiam assim ficar fora do céu.

            A comunidade campesina do Boqueirão havia enviado cartas anunciando ao responsável interino pela Obra na Bahia a existência de interessados na localidade, mas sem sucesso. Insatisfeito com a situação, João Roberto Ramos encetou viagem a São Salvador para homologar sua salvação por meio do batismo. Imagine as dificuldades e os custos inerentes a uma viagem como essa há 100 anos. Não havia estradas carroçáveis para a capital e viagens marítimas via porto de Ilhéus deviam onerar bastante qualquer reserva financeira.

            Chegou a Salvador, inquirindo onde residiam os adventistas. Por fim, recomendaram-lhe uma Igreja Batista, onde, inicialmente, foi afavelmente recebido por quem lá se encontrava, naquele momento, fora do horário do culto: o zelador. Todas as dependências do complexo religioso lhe foram mostradas: templo, escola paroquial, salas de reuniões e o tanque batismal, onde, segundo o aplicado funcionário, João Roberto seria batizado no domingo. Aquela última palavra não soou bem para os seus ouvidos do nosso protagonista: Domingo!?

            “Que dia observam os cristãos dessa comunidade?” perguntou o irmão Roberto. Prontamente, próprio daqueles que tem o zelo missionário na veia, já certo de testemunhar mais uma conversão no próximo culto dominical, o zelador respondeu: “Guardamos o Domingo, dia da ressurreição de Cristo!” Começava naquele momento mais um embate teológico-leigo dos muitos que o fazendeiro Grapiúna iria travar em sua longa vida de cristão adventista. Fazendo uso de sua retórica e habilidade no conhecimento textual, garantiu: “Tenho lido a Bíblia muitas vezes durante os anos passados, porém nunca li que os filhos de Deus devem guardar o Domingo!”. O semblante do interlocutor decaiu rapidamente e, dando por finalizado o pequeno debate, exasperou: “Se o senhor quer ser judeu e guardar o Sábado, não deve nos procurar, mas ir procurar os sabatistas”. Provavelmente, apontando o dedo com certo desprezo para um determinado local, o zelador mostrou onde encontraria o ministro desejado. E lá se foi o dedicado irmão.

            A esperança de ver seu objetivo alcançado esmoreceu momentos depois, quando constatou a ausência do ministro por ele procurado. Não se encontrava em Salvador aquele que cerimonialmente e humanamente lhe conduziria aos pés de Cristo e Este anotaria seu nome no Livro da Vida. Na verdade, o presidente responsável pela Missão Nordeste (Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Pernambuco), no período de 1914 a 1920, era o pastor Ricardo José Wilfart, que morava em Caruaru/PE, e quem atendia interinamente no Estado da Bahia era o obreiro Zacarias Martins Rodrigues. Depreende-se daí que a casa apontada como residência do pastor na verdade era onde residia o obreiro e colportor Zacarias (que era considerado pelos leigos como um pastor), e este, quando escrevia algum artigo param a Revista Adventista, o fazia datando e assinando da Bahia, nome mais conhecido de Salvador à época. Ele próprio reconheceu, na Revista Adventista de fevereiro de 1918, p. 11, que estava ausente na visita que João Roberto fizera a sua casa. E, no mesmo ano, sua ausência foi justificada por meio da Review and Herald. São suas as seguintes palavras: “veio em minha casa uma série de interessados que haviam viajado longa distância do Boqueirão para Bahia, para convidar-me para ir lá. Eles voltaram, no entanto, muito desapontados, já que na época eu estava buscando outros interessados em outras partes do estado”.

            Chateado pela situação, mas não desesperançoso, magoado, mas não desiludido; abatido, mas não desanimado, retornou ao Boqueirão. Sua fé lhe sussurrava aos ouvidos que logo mais chegaria o dia em que não somente ele, mas todos os fiéis de sua comunidade mergulhariam nas águas, morrendo para o mundo secular e nascendo salvos para Cristo!

            Retornando aos seus, novas missivas são produzidas e encaminhadas ao obreiro Zacharias Martins Rodrigues. Ele responde-as alegando ausência em virtude de falta de tempo e também por questões administrativas:

“Ultimamente, recebi uma carta
destes irmãos, convidando-me que lhes
fizesse uma visita, pois, que existe ali
um bom grupo, a cujo pedido, porém,
não pude atender imediatamente por
falta de tempo e porque estava
esperando aqui o irmão Lipke”.


(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.4.)
Clóvis Silveira Góis Júnior


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PRECONCEITO OU DESPEITO? - Antonio Nunes de Souza


Preconceito ou despeito?

Essa pergunta tem bastante sentido e, se analisada com critério, chega-se a conclusão que os negros estão meio cegos com relação a clara realidade!

Comprovadamente, sem sombras de dúvidas, que a etnia negra é tão inteligente e capaz como qualquer outra, tendo ainda o privilégio de em algumas vertentes, se projetar com mais habilidades e destrezas. E, talvez essa melhor qualificação não seja aceita pelos que se julgam brancos, inclusive os mestiços que nasceram mais esbranquiçados que, idiotamente, se julgam superiores.

Podemos, sem margem de erros, destacar as áreas esportivas onde os negros são exímios e bastante qualificados. Na música e instrumentação musical, atualmente nos teatros, cinemas, televisão, literatura e muitas e muitas profissões liberais na saúde e nas pesquisas científicas. Enfim, em todas as vertentes da sociedade, temos a honra de ver a participação forte e importante dos negros!
Talvez por esse crescimento vertiginoso dos negros, possa estar havendo um despeito que torna-se acentuado parecendo ser preconceito, por acharem que seus espaços estão sendo tomados por uma sub-raça. Está na hora, ou até já passou a hora dos negros caírem na realidade e, sem parcimônia, ajudar as suas comunidades, demonstrando amor e solidariedade aos seus irmãos de cor que, absurdamente, não são abençoados pelas ajudas governamentais!

Bastam aqueles mais idiotizados que, quando alcançam os sucessos financeiros, escolhem logo uma loura para namorar e se casar, dando uma prova que, eles mesmos, não gostam e desprezam a etnia negra. Esse fato é comum e serve de deboche e chacota nas rodas sociais.

Os negros são bonitos, guerreiros, competentes, qualificados, mas, infelizmente, são pouco oportunizados pelos governante e, curiosamente, existe uma desunião nem tanto sutil dentro das comunidades. Na Bahia por exemplo, onde a população é de maioria negra, você vê poucos administradores e legisladores negros, não trabalham para eleger um governador afrodescendente que, certamente, ajudaria muito mais nas suas necessidades básicas.
Isso já é um preconceito interno, como repetem nas esquinas e papos de botequins: “Preto não vota em preto e mulher não vota em mulher”. É curiosa, porém uma observação verdadeira, dado aos normais resultados eletivos!

Portanto, é preciso que essa honrada etnia seja mais unida, bastante solidária, aproveite toda oportunidade e crie novas, vencendo assim os obstáculos naturais de crescimento, impondo por direito, uma grande margem de respeito e dignidade!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL

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