Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Teologia da Libertação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia da Libertação. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de outubro de 2020

PARA REFRESCAR A MEMÓRIA DOS BISPOS ESQUERDISTAS


152 arcebispos e bispos da CNBB assinaram uma carta com duras críticas ao Presidente Bolsonaro. O que tais prelados fizeram contra os descalabros dos governos petistas que arruinaram o País?

Plinio Maria Solimeo

A esquerda tem memória curta. E a tem também grande parte dos bispos que fazem parte da CNBB e que, seguindo a linha da famigerada Teologia da Libertação, não poupam críticas ao governo e à situação em que se encontra nosso País.

Esquecem-se eles que, há apenas alguns anos, o Partido dos Trabalhadores (PT), bafejado e incentivado por tais bispos, levou o Brasil à bancarrota com toda sorte de corrupção, que eles assistiam passiva e confortavelmente.

Por isso é bom relembrar-lhes que, naquela época, houve dois corajosos prelados que, destoando do resto da CNBB, fizeram duras críticas ao governo petista e à situação que vigorava no Brasil.

Foram eles Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares, no Pernambuco, e Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul.

É-nos grato rememorar aqui as palavras desses destemidos antistites, pronunciadas no início do ano de 2016, em pleno reino petista, para refrescar a memória tão seletiva dos nossos bispos e clero esquerdistas.

O valoroso bispo de Palmares afirmou com todas as letras:

“A situação do nosso País é gravíssima: crise econômica; crise política; crise institucional; crise moral!

A democracia brasileira corre perigo!

O País foi roubado dos brasileiros!

Os que governam se sentem dispensados de dar satisfações ao Povo; não respeitam as instituições, zombam da justiça!

A sordidez, a desfaçatez e o escárnio tornaram-se método de governar e fazer política!

O Congresso Nacional trai e abandona o Povo brasileiro!

Cargos, comissões, sinecuras: é tudo quanto nossos parlamentares procuram!

Congresso indigno, Congresso omisso, eivado pela tortuosidade!

É preciso dar um basta a tudo isto!

O Povo brasileiro deve retomar o seu País, deve recobrar a sua Pátria, a sua dignidade, a sua honradez!

O Brasil está desonrado,

o Povo brasileiro está ferido em sua dignidade!

É o futuro da Pátria que está em jogo!

É preciso cobrar com convicção e firmeza um posicionamento claro do Congresso Nacional! Mas, como, com os líderes que estão ali?

Enquanto isto, crise, desemprego, tensão, desânimo, total falta de esperança!

O Brasil não tem líderes!

Estão destruindo a jovem democracia brasileira, estão colocando em risco o que se construiu com tanto sacrifício!

Que o Povo não o permita!

Que o Povo fale! Que o Povo brade!

O Brasil é dos brasileiros!”

Essas palavras tão duras, pronunciadas em 2016, contra o governo petista, são as que, mais ou menos, agora as de que acusam o atual governo.

Dom Keller não deixa a situação por menos:          

“De início, quero deixar claro que esta postagem não tem direcionamento partidário. Vivemos hoje, no Brasil, uma situação constrangedora: em todas as agremiações partidárias, o mal da corrupção apresenta-se como uma sombra vergonhosa.

O Brasil para os brasileiros! Fomos roubados: roubaram nossa esperança, nosso futuro, nossa dignidade, muito mais do que o nosso dinheiro. Somos um povo doente, sem horizontes. Prevaleceram-se de nosso comodismo, de nossa incapacidade de reação. Compraram nossa consciência cidadã com bolsas, programas, “pacs”, copas e olimpíadas.

Mudaram o rumo de nossa história, impingindo-nos ideologias inaceitáveis. Venderam nosso país a lobbies, que despejam aqui rios de dinheiro, para mudar os rumos de nossa vocação cristã-católica.

Perdemos quase tudo. Agora, querem nos fazer acreditar que tantos escândalos, desvendados a duras penas, não são verdadeiros, nada mais são do que disputa política. É preciso dar um basta a tanta pouca vergonha. É preciso, antes de tudo, resgatar o Brasil e a nacionalidade. Este país precisa ressurgir dos escombros a que foi reduzido. Mais do que nunca, é preciso recomeçar a ser brasileiro. O Brasil e os brasileiros não merecemos tanta humilhação e tanta vergonha”.

Felizmente essas palavras não foram pronunciadas em vão, como demonstraram as gigantescas manifestações populares contra o governo corrupto do partido dito dos trabalhadores.

Citamos essas declarações como publicadas no site católico “Aleteia”, em português, no dia 18 de março de 2016.


http://pt.aleteia.org/2016/03/18/bispo-tambem-e-cidadao-a-indignacao-de-dois-prelados-com-a-crise-moral-do-brasil/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Mar%2021,%202016%2007:01%20am

 

https://www.abim.inf.br/para-refrescar-a-memoria-dos-bispos-esquerdistas/


* * *

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

VIREM A PÁGINA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO!

5 de agosto de 2020

Carta Aberta do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira ao Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil 

Excelências: Chegou a hora de virar a página da Teologia da Libertação!

“Errar é humano, mas perseverar no erro por arrogância é diabólico”
(Santo Agostinho)

Segundo notícias de imprensa, o Conselho Permanente da CNBB irá discutir, no dia 5 de agosto, a “Carta ao Povo de Deus”, vazada para uma colunista da Folha de S. Paulo e assinada presumidamente por 152 bispos.A carta é um forte ataque ao atual Governo, baseado muito mais em uma posição ideológica de esquerda do que na doutrina social da Igreja.


                                Titulo da matéria sobre a “Carta ao Povo de Deus” na Folha de S. Paulo


Os primeiros nomes dos signatários, que se tornaram públicos, são representativos de uma corrente episcopal cuja doutrina claramente inspirou a redação do documento. São prelados de ascendência alemã, hoje aposentados, que vibraram na sua juventude com a revolução marxista promovida pelos corifeus da Teologia da Libertação. Após o colapso da URSS, esses prelados — e outros da mesma corrente ideológica — se reciclaram com as utopias ambientalistas e indigenistas e, em outubro passado, promoveram o escandaloso culto à Pachamama nos jardins do Vaticano [foto abaixo].

Culto a Pachamama promovido em outubro do ano passado nos jardins do Vaticano

Enquanto estavam na ativa e à frente das suas dioceses, esses prelados foram os mentores do Partido dos Trabalhadores, seus maiores promotores, através das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e seus principais aliados quando o partido conseguiu chegar ao poder e tentou implantar no Brasil o regime socialista com o qual sonhavam.

Descontentes com o “aburguesamento” dos quadros do PT e sua demora em fazer as reformas estruturais que a passagem para o socialismo necessitava, esses prelados aliaram-se ao MST e aos “movimentos populares”, que representavam a ala ardida da esquerda.

Comissão Pastoral da Terra

Através da Pastoral da Terra, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e de outros organismos eclesiais, incentivaram e abençoaram as invasões de terras e de prédios urbanos, a destruição de campos de pesquisa científica, as greves e os distúrbios nas ruas, os arrastões e a impunidade para os criminosos, como meio de pressão política sobre a opinião pública nacional e sobre um Governo que, para eles, não estava sendo suficientemente radical em suas reformas.

Mas esse desgosto não impediu esses prelados de manter seu apoio ao sistema petista quando este compensou a relativa lentidão na aplicação das reformas econômicas com uma radicalização apressada da agenda de corrupção dos costumes, mediante a legalização de alguns casos de aborto, o reconhecimento das uniões extraconjugais e de parceiros homossexuais, a paulatina introdução da ideologia de gênero na educação das crianças, o financiamento de expressões “artísticas” imorais e blasfemas etc.

Por fim, quando explodiu o descontentamento da população pelo aparelhamento do Estado, promovido pelo PT, e pela instalação do maior sistema de corrupção financeira da história do Brasil e talvez da história da humanidade, esses prelados fizeram tudo que estava ao seu alcance para salvar esse Governo que eles julgavam ser o mal menor. Mas, acima de tudo, para evitar que a onda conservadora das ruas se traduzisse em um movimento de restauração moral em nosso País, apressando-se a retirar qualquer apoio religioso aos que se levantavam contra o processo de socialização do Brasil.

Entretanto, a atuação militante dessa ala mais à esquerda do episcopado não impediu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a posterior eleição do Sr. Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Amargurados pela derrota eleitoral, incluindo o estrondoso fracasso do Sr. Boulos e das outras correntes da extrema esquerda com as quais esses prelados melhor se identificavam, ainda viram ser eleito, escolhido pela maioria dos brasileiros, um homem que representava o oposto ideológico do que defendiam.

Diante do gradual desmantelamento dos fracassados assentamentos de Reforma Agrária, dos guetos indígenas, do combate à impunidade etc, esses Bispos, minoritários e aposentados, vociferam agora sua frustração, voltando-se raivosamente contra as autoridades federais com o pretexto da má condução da crise sanitária.

Trata-se provavelmente de sua derradeira tentativa (que seria incongruente qualificar de canto de cisne), de persuadir o povo brasileiro da bondade de suas utopias, agora já nas vésperas de deixar o palco e passar a engrossar a longa série dos “iluminados” que fracassaram nessa missão de levar o Brasil para a esquerda.

Encontro das CEBs

De tal maneira esses prelados derrotados estão cientes do abismo que os separa das aspirações da maioria da população brasileira que, na sua carta-vitupério, nem sequer tiveram a coragem de afirmar em alto e bom som os princípios comunistas que os animam. Servindo-se de circunlóquios e de outras ginásticas verbais, procuraram exprimir seu pensamento: o Brasil seria uma “sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta”, o sistema do atual Governo colocaria no centro “a defesa intransigente dos interesses de uma ‘economia que mata’, centrada no mercado e no lucro a qualquer preço”, seu desprezo pela educação e a cultura ficaria visível “no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil” (não teria sido mais simples e transparente dizer “a ‘pedagogia dos oprimidos’ de Paulo Freire”?) etc.

O fanatismo ideológico desses prelados os leva a ver o cisco no olho alheio e a não perceber a trave no próprio. “Até a religião é utilizada”, afirmam eles incautamente, “para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões”, como se não fosse precisamente isso que fizeram durante décadas por meios das CEBs e das pastorais de apoio às atividades incendiárias dos movimentos ditos “populares”.

Por terem sido esses prelados os responsáveis em promover, durante décadas, a luta de classes e o comunismo, são eles que se fazem merecedores da apóstrofe que dirigem ao presidente Bolsonaro e ao seu Governo: “Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?”

Presidente Jair Bolsonaro recebendo a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima em Brasília

Na realidade, o que os bispos signatários da «Carta ao Povo de Deus» rejeitam é, sobretudo, o apoio que o Presidente Bolsonaro recebe de católicos conservadores, assim como de lideranças pentecostais que contam com um eleitorado também conservador nos costumes.

Paradoxalmente, os principais responsáveis pela perda de fiéis católicos e pelo crescimento dessas igrejas pentecostais, tão atuantes na política, foram esses mesmos bispos da “esquerda católica”, que hoje se queixam do resultado de seus próprios desatinos.

Os próprios protestantes não hesitam em reconhecer que seu crescimento exponencial se deu no período em que a corrente desses prelados, adeptos da Teologia da Libertação, dirigia a CNBB.

Ao apoiarem o PT, o MST e outros movimentos de esquerda, conferindo um viés político às suas pastorais, esses bispos católicos desagradaram milhões de fiéis que, sentindo-se órfãos de uma verdadeira assistência religiosa, migraram para as seitas protestantes.

Em 2001, o então líder da Convenção Batista do Brasil, o pastor Nilson Fanini, resumiu para a revista americana Time1, em um comentário, ao qual não falta uma nota de sarcasmo, como e por qual motivo isso se deu: “A Igreja Católica optou pelos pobres, mas os pobres optaram pelos evangélicos”. Por quê? Simplesmente porque “essas pessoas estavam famintas de algo mais do que simplesmente comida; os evangélicos supriram melhor as necessidades emocionais e espirituais do povo”, afirmou para a mesma revista o Sr. Henrique Mafra Caldeira de Andrada, diretor do programa protestante no Instituto de Estudos Religiosos de Rio de Janeiro.

Bispo e padres celebram missa em assentamento do MST

Em nome da interpretação marxista da “opção preferencial pelos pobres”, feita pela Teologia da Libertação, as conferências episcopais da América Latina deram apoio à agenda revolucionária de esquerda. O resultado foi o abandono de milhões de almas, sobretudo das pessoas mais simples, nas mãos dos pastores protestantes.

Um estudo do Conselho Episcopal Latino-Americano—CELAM revelou, no fim dos anos 1990, que, já naqueles anos, 8.000 latino-americanos abandonavam a Igreja Católica por dia e passavam para os evangélicos!2

Em apenas quatro décadas — levando-se em conta o crescimento populacional do Brasil —, essa mal interpretada “opção preferencial pelos pobres” de viés esquerdista fez com que os protestantes ganhassem 30 milhões de adeptos e a Igreja Católica perdesse mais de 50 milhões de fiéis, para eles ou para as diversas seitas, ou até para a irreligião.

Essa é a triste evidencia dos fatos. Ela é uma prova flagrante de que foi por ter apoiado correntes revolucionárias e demagógicas que a Igreja Católica se desacreditou junto aos pobres e aos excluídos. Os mesmos “excluídos” que esses bispos ‘foice e martelo’ dizem querer libertar!

Vossas Excelências não são da mesma geração desses frustrados e fracassados bispos que assinaram a famigerada Carta ao Povo de Deus. Como os jovens israelitas nascidos no cativeiro da Babilônia, os Senhores podem justificadamente murmurar: “Os pais comeram uvas verdes, e prejudicados ficaram os dentes dos filhos” (Jer 31, 29). Em outras palavras, a atual direção da CNBB herdou uma situação catastrófica que foi criada pelos seus antecessores imediatos. Incumbe agora aos Senhores reparar o dano.

Para isso foram sagrados Bispos da Santa Igreja, chamados por Deus à altíssima missão de restaurar o Catolicismo no Brasil, para cujo cumprimento podem contar com o apoio dos fiéis católicos que frequentam os sacramentos, muito mais numerosos do que as minguadas tropas dos militantes das CEBs.

Se Vossas Excelências não abandonarem resolutamente a via errada pela qual se embrenharam seus predecessores e entrarem em clara consonância com as aspirações religiosas profundas do povo brasileiro e, em particular, de seu próprio rebanho católico, o abismo psicológico que hoje separa as ovelhas dos pastores não fará senão crescer, com a perda suplementar de milhões de almas!

Quando os Srs. estudaram no seminário, o latim já tinha sido abandonado no currículo acadêmico. Mas ser-lhes-á fácil compreender a frase, outrora famosa, de Santo Agostinho: “Humanum fuit errare, diabolicum est per animositatem in errore manere”.[3]

Na atual emergência nacional, que requer a união de todos os brasileiros num projeto que atraia a imensa maioria da população, seria realmente diabólico obstinar-se no erro humano que levou à trágica perda de incontáveis fiéis e grave prejuízo para todo o País.

Apelamos, portanto, para o bom senso do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pedindo a Vossas Excelências que repudiem, com a máxima energia, o documento escandaloso assinado por 152 dos seus irmãos no episcopado e o façam saber do alto dos púlpitos. É preciso ficar claro, à maioria conservadora do público brasileiro, que essa posição minoritária não corresponde à dos bispos do Brasil.

A mais importante reforma que o Brasil tanto necessita — e que espera ver encampada por seus bispos — é a moral: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

É com essas esperanças que nos dirigimos respeitosamente a Vossas Excelências, pedindo sua bênção,

In Jesu et Maria,


Eduardo de Barros Brotero

Diretor


INSTITUTO PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA

São Paulo, 4 de agosto de 2020

Festa litúrgica de S. João Maria Vianney, o Cura d’Ars

___________________

[1]http://content.time.com/time/magazine/article/0,9171,156277,00.html

[2] https://www.ncronline.org/blogs/all-things-catholic/dramatic-growth-evangelicals-latin-america

[3] Sermões 164.14.

 

http://www.abim.inf.br/virem-a-pagina-da-teologia-da-libertacao/


* * *

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

QUEM AMA REALMENTE OS POBRES? - Marcos Luiz Garcia


8 de Fevereiro de 2019
A sopa do mosteiro franciscano — Ferdinand Georg Waldmüller (1793-1865). Österreichischen Galerie, Belvedere, Viena

♦  Marcos Luiz Garcia

Entramos em 2019, e se renovam as esperanças de dias melhores. O presidente Bolsonaro tomou posse reafirmando suas promessas de termos nosso Brasil de volta, deixando para trás a atmosfera de desordem e caos da era comuno-petista e socialo-psdbista. Prometeu proteger as nossas tradições e a família, bem como a propriedade privada e a livre iniciativa. Isso significa estimular as forças empreendedoras da Nação, que já se aprontam para corresponder ao estímulo.

Essas perspectivas vêm causando profundo desagrado nos arraiais da esquerda, sobretudo no setor do clero e do laicato alinhados com a “Teologia da Libertação”, todo ele amplamente comprometido com a ideologia petista. Para esse tipo de gente, um governo que estimule a propriedade privada e a livre iniciativa pode até gerar riquezas, mas à custa do que para eles é o supremo mal: a desigualdade. Preferem o achatamento de todos na miséria a permitir que os ricos se diferenciem dos pobres. Afirmam que se trata de “opção preferencial pelos pobres”, quando na verdade propugnam pela “opção preferencial pela luta de classes”.

Afinal, quem são os verdadeiros amigos dos pobres? Seriam os que desejam vê-los perpetuamente achatados na miséria, desde que não haja desigualdade? Ou são os que procuram criar condições para eles trabalharem e se enriquecerem? Por que não aproveitar em favor dos pobres a força dos que sabem fazer fortuna? Se estes dispõem das condições para trabalhar e enriquecer, criam também condições para enriquecer os que dependem de empregos. Dessa forma, dentro de uma benéfica e harmoniosa desigualdade, o pobre deixa de ser pobre e pode elevar-se a uma condição de vida melhor. Mas isso não é tolerado pelos adeptos da “Teologia da Libertação”.

Que mal há numa situação de harmônica desigualdade, com enriquecimento justo, honesto e digno? Foi para proteger esse direito que Deus estabeleceu dois Mandamentos: “Não roubar” e “Não cobiçar as coisas alheias”. Lamentavelmente, eles são sistematicamente omitidos nas homilias de padres progressistas.

“Pobres sempre os tereis entre vós”, disse Nosso Senhor Jesus Cristo. E São Tomás de Aquino nos ensina que é dever do homem praticar a caridade. Mas para que ela se torne possível, é necessário que uns tenham bens, e outros tenham carência de bens. Se Deus permite pobres no mundo, também suscita os ricos que os ajudam, fomentando assim a caridade cristã.

Em nenhum lugar o Evangelho relata conduta igualitária de Nosso Senhor. Não há um só caso em que Ele tenha tirado um pobre da pobreza, nem rebaixado um rico da sua condição de riqueza. Ele curou, deu esmolas, mas não modificou o status econômico ou social de ninguém. Nem pregou a luta de classes.

Tomemos, por exemplo, a parábola dos talentos. Um senhor (já aqui surge a relação desigual entre servo e senhor), dizendo que ia se ausentar, deu cinco talentos a um servo, dois a outro, um para o terceiro, com a recomendação de fazê-los render. Por que Nosso Senhor não exemplificou com alguém que distribuísse por igual, a mesma quantidade de talentos a cada um dos servos? Por que essa desigualdade? Certamente porque tinha avaliado em cada um a capacidade de aproveitar esses talentos, e os distribuiu de acordo com essa capacidade. E ao final censurou o servo mau, que enterrou a moeda recebida e não a fez render.

Jesus Cristo indicou nessa parábola que respeita a livre iniciativa e o direito de propriedade, sem os quais não há progresso. Quando os mais capazes se elevam, elevam também os menos capazes. Assim todos gozam dos frutos do trabalho bem ordenado e planejado. Sobram motivos para admirarmos quem é dotado por Deus com superior capacidade, e não para ódio de classes igualitário. Num regime igualitário, ninguém tolera que um possua mais do que outro. É um mundo inóspito em que predomina o pecado capital da inveja.

Por mais que os defensores da “Teologia da Libertação” encenem caras humildes, na ideologia comunista e socialista predomina a inveja e não a humildade. Por exemplo, não têm pena dos miseráveis de Cuba, da Venezuela e de outros países em situações semelhantes. Querem a pobreza como se isso fosse um bem.

O verdadeiro espírito do Evangelho cria a harmonia e o amor recíproco entre as classes. O da “Teologia da Libertação” fomenta o ódio entre ricos e pobres, prejudica uns sem resolver o problema dos outros. (Fonte: Revista Catolicismo, Nº 818, Fevereiro/2019).


* * *

quarta-feira, 23 de maio de 2018

TENTATIVA DE RESSURREIÇÃO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE


23 de Maio de 2018

Teologia da Libertação e CEBs — a doutrina comunista infiltrada nos ambientes católicos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 809, maio/2018

Após o 14º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base(CEBs), realizado em Londrina (PR) entre 23 e 27 de janeiro, o público católico se surpreendeu com a reportagem de Bernardo Pires Küster [foto ao lado] via YouTube, na qual denunciava a reorganização da militância esquerdista nos meios eclesiásticos.

As CEBs pareciam semi-mortas desde as graves denúncias de Plinio Corrêa de Oliveira em 1982, no livro “As CEBs… das quais muito se fala, pouco se conhece — a TFP as descreve como são” (link no final), mas tentam agora sair das cinzas onde jaziam. O Prof. Plinio delineou claramente nesse livro o panorama brasileiro no qual se inscreve a atuação da CNBB, ponta de lança do esquerdismo no País e principal propulsora das Comunidades Eclesiais de Base. E na segunda parte os irmãos Gustavo Antonio Solimeo e Luís Sérgio Solimeo, dois sócios da TFP, revelaram ao público, com base em opulenta documentação, a intensa agitação promovida pelas CEBs no campo, na periferia das cidades e nas fábricas. Agitação que procurava levar o País, pela via das reformas, ao termo final da implantação do regime comunista. Dessa fermentação das CEBs surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT), o MST e a maioria dos grupos de esquerda no Brasil.

Seis edições desse livro totalizaram 72 mil exemplares, divulgados em 1.950 cidades de todos os Estados brasileiros, mas a grande mídia “ignorou” o livro e as denúncias. Também o clero esquerdista fingiu não ter percebido o golpe certeiro e incômodo. Após as enormes manifestações que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e no julgamento, condenação e prisão do ex-presidente Lula, as esquerdas tentam se revitalizar através do acobertamento de entidades católicas e reativação das CEBs.

Segundo Bernardo Küster, o PT perdeu “capilaridade municipal. Os sindicatos também perderam dinheiro, e as CEBs constituiriam nova esperança de reorganização da militância política”.

Residente em Londrina, Bernardo Pires Küster, 30 anos, é pós-graduado em Administração de Empresas. Atua como jornalista, produtor e escritor. Esteve presente no evento das CEBs em Londrina, e os vídeos que produziu, alertando para o que aconteceu nesse encontro, tiveram larga divulgação, um deles com mais de 700 mil visualizações.

No dia 23 de abril, em visita à sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, na capital paulista, Küster concedeu ao nosso colaborador Nelson Ramos Barretto a entrevista abaixo.

*       *       *

Catolicismo — Qual é a sua principal crítica à Campanha da Fraternidade, lançada pela CNBB neste ano? Em vídeos recentes o senhor afirma que falta um controle das doações recebidas, parte das quais estaria indo para ONGs favoráveis ao aborto.

Bernardo Küster — O problema da Campanha da Fraternidade não diz respeito apenas às doações questionáveis feitas a ONGs, algumas favoráveis ao aborto, ao “casamento” homossexual, ao sexo livre e à Reforma Agrária socialista. Essas doações são provenientes dos 40% arrecadados no Brasil inteiro durante o Domingo de Ramos. Encontrei esta informação, pesquisando no próprio site da Campanha da Fraternidade.

O problema é que tal campanha, embora trate a cada ano de temas diferentes, é sempre politizada à esquerda. Creio não ter visto ao longo dos anos nenhuma Campanha da Fraternidade focada num aspecto doutrinário com implicação prática na vida do católico. Ou ainda, que aplique a doutrina social da Igreja. Pesquisei suas edições antigas, dos anos 60, 70, 80… Todas elas, sempre politizadas à esquerda.

No ano passado, a campanha intitulou-se Bioma e a defesa da vida, mas só foi tratado o problema do bioma, ficando de fora a defesa da vida humana. Não se combateu o aborto, a ideologia de gênero ou a eutanásia. O problema da Campanha da Fraternidade é esse. Sua edição deste ano, que trata da fraternidade e da superação da violência, é uma defesa aberta de grandes temas socialistas, como desarmamento civil e maior ingerência do Estado na vida social.

Tenho insistido nisso, pois há um apelo excessivo às funções sociais do Estado, como se ele fosse responsável pelas políticas públicas. O Estado, segundo a doutrina social da Igreja, deve atuar conforme o princípio de subsidiariedade, ou seja, não deve chamar a si todas as atribuições, mas deixar para as instâncias inferiores as que elas são capazes de realizar. Na Campanha da Fraternidade de 2018 há também um apelo à questão de gênero, com sugestões relacionadas ao aborto e ao feminismo.

Catolicismo — Na verdade, uma agenda revolucionária…

Bernardo Küster — Sim, uma agenda revolucionária na Campanha da Fraternidade. Essas são as minhas principais críticas. Por que não trata da violência contra os cristãos, contra o genocídio representado pelo aborto, contra a família que vem sendo dizimada pela imoralidade e pela ideologia de gênero? Por que não se refere à violência que o socialismo causa na China, na Nicarágua, na Venezuela, na Bolívia, na Coreia do Norte, em Cuba, no Brasil? Por quê?

Catolicismo — Suas denúncias repercutiram muito, tendo recebido apoio de muita gente. Mas também alguns críticos levantaram a objeção: um simples leigo não pode criticar a ação de Bispos. Como o senhor se defendeu?

Bernardo Küster — De fato, trata-se de uma questão espinhosa, mas a resposta é simples: Pode sim! E esta resposta está ancorada no próprio Catecismo da Igreja e no Código de Direito Canônico, onde se define que um leigo pode não apenas chamar a atenção da autoridade eclesiástica, mas em certas circunstâncias tem até mesmo esse dever, desde que o faça com o devido respeito.

Santo Tomás de Aquino, estudando o episódio em que São Paulo repreendeu São Pedro, escreve: “Aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos súditos (foi dado) exemplo de zelo e liberdade, para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos […].

“A repreensão foi justa e útil, e o seu motivo não foi leve: tratava-se de um perigo para a preservação da verdade evangélica […]. O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto. Por isso, São Paulo escreve: ‘Falei a Cefas’, isto é, a Pedro, ‘diante de todos’, pois a simulação praticada por São Pedro acarretava perigo para todos” (S. Tomás de Aquino, Suma Theol., II-II, 33, 4, 2. / S. Tomás de Aq., ad Gal., 2, 11-14, lect. III. n).

Portanto, quando há perigo para a Fé, o fiel pode repreender a autoridade eclesiástica. Se um bispo ensinar esse tipo de erro, nós temos o direito de denunciar.

Cena do Encontro das CEBs em Londrina
Catolicismo — O senhor percebeu esse perigo para a Fé, nas campanhas promovidas pela CNBB?

Bernardo Küster — O apoio da CNBB à esquerda pode ser constatado em vídeos, textos e tantos documentos. E esse apoio público representa não pequeno risco para a fé dos católicos, pois o comunismo é uma ideologia anticristã. A chamada Teologia da Libertação é anticristã na base, por ser marxista. Trata-se, portanto, de um perigo real para a Fé. Quando há perigo para a Fé e a Moral, temos o direito de denunciar.

É importante que a denúncia seja sustentada por provas, como fotografias, vídeos, áudios; documentos, enfim. Caso contrário, poderia ser invalidada como infundada ou fraudulenta, e se tornaria infrutífera. Deve também ser conduzida com o devido respeito, é claro. Eu desaprovo, desaconselho e condeno quem usa palavras vulgares contra um Bispo da Santa Igreja. Além de ser falta de respeito, não resolve nada. Só piora, pois desvia o foco da discussão.

Catolicismo — Tendo presenciado o encontro das CEBs em Londrina, em janeiro último, o que lhe pareceu mais grave?

Bernardo Küster — Vou enumerar do mais grave para o menos grave, do ponto de vista da doutrina católica. O mais grave, para mim, foi o abuso da liturgia. Tenho vontade de chorar, pelo que vi ser feito com o Corpo de Nosso Senhor na hóstia consagrada, naquele encontro em Londrina. Foi simplesmente abominável! Estavam presentes 60 bispos da Igreja Católica, entre eles o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, que havia sido Arcebispo em Londrina, e trouxe o 14º Intereclesial das CEBs para a nossa cidade. Ele esteve presente e participou de tudo aquilo, servindo o Sangue de Cristo em jarra de suco. As hóstias pareciam pão árabe, colocadas em tacho de barro. Eles entravam dançando, distribuindo-as de qualquer jeito às pessoas. Quem entregava as hóstias enxugava o suor com a mão, em seguida pegava a hóstia e entregava aos presentes. Houve outros abusos litúrgicos, como danças de candomblé, deturpação das Escrituras. Estas foram para mim as partes mais graves, pois envolvem uma questão central da Igreja, que é a Fé.

O nível um tanto mais baixo foi a preocupação política, financeira e jurídica do evento, devido às seguintes razões: 1) a presidente Dilma sofrera impeachment em 31 de agosto de 2016; 2) os sindicatos, que são e sempre foram linhas auxiliares importantes para a agenda esquerdista, perderam a contribuição sindical obrigatória; 3) Lula seria preso, muito possivelmente, pois já estava condenado em 1ª e 2ª instâncias; 4) nas eleições de 2016, o PT perdeu 64% das prefeituras e das vereanças no Brasil; 5) o movimento conservador e liberal vem crescendo consideravelmente no Brasil.

Para uma análise da conjuntura, considerando esses cinco pontos, podemos colocar-nos no lugar de um petista, e constaremos que a situação é crítica. O que se faz numa situação crítica, quando a casa parece prestes a desabar? Deve-se voltar para os fundamentos. E qual é a pedra fundamental do PT? As CEBs.

Dom Paulo Evaristo Arns, Lula e Frei Betto: a esquerda católica nas orignes do PT.

Catolicismo — Quem foi o principal mentor dessa reunião das Comunidades Eclesiais de Base, e o que se conhece dele?

Bernardo Küster — Frei Betto, que foi também o mais constante mentor intelectual de Lula. Foi ele quem levou Lula a Cuba e o apresentou a Fidel Castro. Isso está relatado na biografia dele, onde conta como a esquerda conseguiu vencer em Cuba. Todo católico deveria ler essa biografia, para conhecer melhor o personagem e aumentar o repúdio a ele. Frei Betto descreve que teve a ideia de criar o PT com o Lula, por causa de uma conversa que tivera com Fernando Henrique Cardoso, Plinio de Arruda Sampaio e Almino Afonso. Fernando Henrique queria constituir um partido com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), mas Frei Betto não aceitou. Foi então para o ABC Paulista e deu a sugestão a Lula. Um ano e meio depois, estava fundado o PT. O nome saiu da boca de Frei Tito, que era outro comunista. Esse Frei Tito chegou a ser preso pelo regime militar. Em 1974, cometeu suicídio quando já vivia na França.

Foi Frei Betto, portanto, quem teve a ideia de criar o PT. O mesmo Frei Betto que militou na Ação Libertadora Nacional, que teve a ideia de realizar o Foro de São Paulo, e que terminou de consolidar a infiltração comunista na Ordem Dominicana no Brasil (junto com Frei Ivo e Frei Fernando). Amigo pessoal de Marighela e de Fidel Castro, ajudou na revolução sandinista na Nicarágua e fez frequentes viagens ao mundo socialista, como relata no livro Paraíso perdido, viagens ao mundo socialista. Nesse livro ele conta que levava cartas de Dom Paulo Evaristo Arns a Fidel Castro e cartas de Brizola. Ali ele inclui uma frase de Fidel Castro para Dom Pedro Casaldáliga, que ele ouviu em 1985: “A Teologia da Libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana”. Esse homem estava presente agora em Londrina, como o mentor e guru das CEBs, que ele sempre foi. O primeiro inter-eclesial foi lançado por ele em 1985, em Vitória, para poder capitalizar a Teologia da Libertação e a revolução no Brasil, como ele mesmo afirmou. Esse é o objetivo.

Catolicismo — Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP, denunciou com insistência a infiltração comunista nos ambientes católicos, inclusive como autor do mencionado livro sobre as CEBs. Muitos do seu tempo não lhe deram ouvidos, mas hoje a opinião pública está prestando mais atenção e reagindo diante de uma realidade que lhes penetra olhos adentro. Como o senhor avalia a reação que existe hoje diante dessa infiltração comunista?

Bernardo Küster — Com a perda de peso dos sindicatos, perda de prefeituras, impeachment de Dilma, condenação de Lula, o movimento conservador cresceu muito. Em parte esse crescimento se deve ao Dr. Plinio, que criou um ambiente cultural, um caldo de cultura junto à opinião pública para que isso fosse possível. Obviamente, outros também tiveram papel importante no trabalho de criar esse ambiente e furar a barreira da agenda da esquerda que se impunha.

O conhecimento que essas pessoas nos passaram permitiu que víssemos a perversidade, a perfídia dessa gente. O próprio Frei Betto escreveu que, quando ele participava da JEC (Juventude Estudantil Católica), o objetivo dela era a revolução. Desde os anos 70, esse pessoal entrava na Igreja Católica para fazer a revolução, e a leitura desses livros nos ajuda muito a confirmar isso.

Catolicismo — O senhor não teme ser perseguido, punido, como que “excomungado” pela CNBB em razão de suas denúncias?

Bernardo Küster — Sei que isso pode acontecer, como de fato está acontecendo, mas não temo. Ressalto e digo tudo publicamente, porque foram declarações públicas feitas por bispos da Igreja. Fui chamado de excomungado, verme, protestante, marxista, e também de católico reformado (em referência à reforma protestante). Nem menciono os xingamentos recebidos de padres, muitos de baixo calão. Mas argumento sério, que é o importante, nenhum. Quando o argumento cai, e permanece o ataque pessoal, é porque eles tentam esvaziar a mensagem e tirar a credibilidade do mensageiro. Mas diante de fatos contundentes, bem apresentados e de forma pedagógica, eles não têm o que dizer.

Sobre a questão que levantei, das doações da CNBB para a ABONG, ela emitiu nota dizendo: “O dinheiro não ficou com a ABONG”. No entanto, a própria ABONG divulgou nota no dia 26 de fevereiro, na qual afirma: “Nós mesmos administramos o dinheiro”. Portanto, a própria ABONG o confirmou! Por que a CNBB não se retratou? Porque não tem o que dizer. Eu poderia replicar, como Nosso Senhor Jesus Cristo fez diante dos que o insultavam e agrediam: “Se eu faço mal, por que não me dizem o mal que fiz? Se faço o bem, por que me batem e me criticam?”.

Se falei uma mentira, que eu seja desmentido. Se assim for feito, eu vou pedir perdão, sem nenhum problema. Mas se é verdade o que eu disse, corrijam-se, peçam perdão pelo erro cometido, e se proponham a reparar os danos praticados. Esta seria uma atitude de coerência e humildade cristã.

 Ion Mihai Pacepa
Catolicismo — O senhor poderia dizer aos nossos leitores o que pensa da Teologia da Libertação, descrever suas origens e seus objetivos?

Bernardo Küster — Sucintamente, a Teologia da Libertação, segundo afirmou o próprio Bento XVI, não pode ser chamada de heresia, pois a heresia pega apenas um ou dois pontos de doutrina, e ora os exalta demais, ora os apaga. Já a Teologia da Libertação é uma revisão total e absoluta do Cristianismo.

Segundo Ion Mihai Pacepa [foto ao lado], que foi chefe do serviço de espionagem romeno e braço da KGB, a origem da Teologia da Libertação estaria em Nikita Kruschev, sucessor de Stalin. Ele percebeu que na América Latina o comunismo só tinha entrado em Cuba através de Fidel Castro e Che Guevara, e no resto do continente eles tinham dificuldade de entrar. Kruschev percebeu que o comunismo não lograva êxito devido à existência do catolicismo. Desde o Padre Anchieta até os anos 60, o catolicismo imperou no Brasil e plasmou a nossa civilização. Também não era possível entrar na Bolívia e em outros países da América Latina, por causa do catolicismo. Se não conseguiam entrar devido ao catolicismo, a solução seria eles se infiltrarem no catolicismo e entrarem por meio dele.

Catolicismo — Quem financiou o evento das CEBS em Londrina?

Bernardo Küster — Boa parte foi financiada pela Fundação Adveniat, da Conferência dos Bispos alemães, que é muito progressista, a ponto de autorizar a comunhão para luteranos. O responsável dessa fundação no Brasil é Norbert Bout. Durante o 14º intereclesial das CEBs, ele se reuniu com Frei Betto e mais 60 bispos, cujos nomes tenho listados. Trataram de quê? Teria sido o assunto financiamento? Não foi divulgado. Uma parte, segundo me informaram, foi doada por dioceses, principalmente pela diocese de Londrina.
____________


* * *