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sábado, 17 de outubro de 2020

PARA REFRESCAR A MEMÓRIA DOS BISPOS ESQUERDISTAS


152 arcebispos e bispos da CNBB assinaram uma carta com duras críticas ao Presidente Bolsonaro. O que tais prelados fizeram contra os descalabros dos governos petistas que arruinaram o País?

Plinio Maria Solimeo

A esquerda tem memória curta. E a tem também grande parte dos bispos que fazem parte da CNBB e que, seguindo a linha da famigerada Teologia da Libertação, não poupam críticas ao governo e à situação em que se encontra nosso País.

Esquecem-se eles que, há apenas alguns anos, o Partido dos Trabalhadores (PT), bafejado e incentivado por tais bispos, levou o Brasil à bancarrota com toda sorte de corrupção, que eles assistiam passiva e confortavelmente.

Por isso é bom relembrar-lhes que, naquela época, houve dois corajosos prelados que, destoando do resto da CNBB, fizeram duras críticas ao governo petista e à situação que vigorava no Brasil.

Foram eles Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares, no Pernambuco, e Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul.

É-nos grato rememorar aqui as palavras desses destemidos antistites, pronunciadas no início do ano de 2016, em pleno reino petista, para refrescar a memória tão seletiva dos nossos bispos e clero esquerdistas.

O valoroso bispo de Palmares afirmou com todas as letras:

“A situação do nosso País é gravíssima: crise econômica; crise política; crise institucional; crise moral!

A democracia brasileira corre perigo!

O País foi roubado dos brasileiros!

Os que governam se sentem dispensados de dar satisfações ao Povo; não respeitam as instituições, zombam da justiça!

A sordidez, a desfaçatez e o escárnio tornaram-se método de governar e fazer política!

O Congresso Nacional trai e abandona o Povo brasileiro!

Cargos, comissões, sinecuras: é tudo quanto nossos parlamentares procuram!

Congresso indigno, Congresso omisso, eivado pela tortuosidade!

É preciso dar um basta a tudo isto!

O Povo brasileiro deve retomar o seu País, deve recobrar a sua Pátria, a sua dignidade, a sua honradez!

O Brasil está desonrado,

o Povo brasileiro está ferido em sua dignidade!

É o futuro da Pátria que está em jogo!

É preciso cobrar com convicção e firmeza um posicionamento claro do Congresso Nacional! Mas, como, com os líderes que estão ali?

Enquanto isto, crise, desemprego, tensão, desânimo, total falta de esperança!

O Brasil não tem líderes!

Estão destruindo a jovem democracia brasileira, estão colocando em risco o que se construiu com tanto sacrifício!

Que o Povo não o permita!

Que o Povo fale! Que o Povo brade!

O Brasil é dos brasileiros!”

Essas palavras tão duras, pronunciadas em 2016, contra o governo petista, são as que, mais ou menos, agora as de que acusam o atual governo.

Dom Keller não deixa a situação por menos:          

“De início, quero deixar claro que esta postagem não tem direcionamento partidário. Vivemos hoje, no Brasil, uma situação constrangedora: em todas as agremiações partidárias, o mal da corrupção apresenta-se como uma sombra vergonhosa.

O Brasil para os brasileiros! Fomos roubados: roubaram nossa esperança, nosso futuro, nossa dignidade, muito mais do que o nosso dinheiro. Somos um povo doente, sem horizontes. Prevaleceram-se de nosso comodismo, de nossa incapacidade de reação. Compraram nossa consciência cidadã com bolsas, programas, “pacs”, copas e olimpíadas.

Mudaram o rumo de nossa história, impingindo-nos ideologias inaceitáveis. Venderam nosso país a lobbies, que despejam aqui rios de dinheiro, para mudar os rumos de nossa vocação cristã-católica.

Perdemos quase tudo. Agora, querem nos fazer acreditar que tantos escândalos, desvendados a duras penas, não são verdadeiros, nada mais são do que disputa política. É preciso dar um basta a tanta pouca vergonha. É preciso, antes de tudo, resgatar o Brasil e a nacionalidade. Este país precisa ressurgir dos escombros a que foi reduzido. Mais do que nunca, é preciso recomeçar a ser brasileiro. O Brasil e os brasileiros não merecemos tanta humilhação e tanta vergonha”.

Felizmente essas palavras não foram pronunciadas em vão, como demonstraram as gigantescas manifestações populares contra o governo corrupto do partido dito dos trabalhadores.

Citamos essas declarações como publicadas no site católico “Aleteia”, em português, no dia 18 de março de 2016.


http://pt.aleteia.org/2016/03/18/bispo-tambem-e-cidadao-a-indignacao-de-dois-prelados-com-a-crise-moral-do-brasil/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Mar%2021,%202016%2007:01%20am

 

https://www.abim.inf.br/para-refrescar-a-memoria-dos-bispos-esquerdistas/


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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DE NOVO A OPÇÃO PREFERENCIAL PELA EXCLUSÃO - Péricles Capanema

13 de agosto de 2020

Péricles Capanema

 

A jornalista Mônica Bergamo divulgou na “Folha de São Paulo” (26 de julho) “carta ao povo de Deus”, manifesto assinado por 152 bispos (em boa parte, resignatários), que deveria ter sido dado à publicidade quatro dias antes, a 22 de julho. Pelo que afirma a colunista, os signatários queriam, antes de propagá-la, esperar a opinião da Comissão Permanente da CNBB, cuja reunião para análise do texto ocorrerá proximamente. E temiam que a chamada “ala conservadora” da CNBB impedisse sua divulgação.

Tem sólidos fundamentos o temor do choque em setores conservadores. E não só da CNBB, em qualquer lugar, pois é traumático o conteúdo; trata-se de lídimo libelo petista, poderia ser assumido pela Comissão Executiva Nacional do PT.

De fato, na 2ª feira, 27 de julho, em nota a CNBB se distanciou (pelo menos, por enquanto) da mencionada tomada de posição, dizendo que “nada tem a ver” com ela, que é “responsabilidade dos signatários”. Teria então havido um vazamento para impedir o engavetamento do texto. Aqui não se trata de apoio ao governo Bolsonaro. É normal a oposição, cumpre papel necessário, terá justificativas que devem ser ponderadas.

O chocante no caso é a assunção da linguagem e das bandeiras da esquerda, mesmo a mais extremada, o apelo a um trabalho coordenado, cujo êxito colocará o Brasil em situação próxima à da Venezuela ou Cuba, retrocesso cruel para todos, em especial para os pobres.

Desde décadas, tem sido excluída a maioria silenciosa dos católicos. 

Existem cerca de 500 bispos atuando no Brasil, pouco mais de 300 efetivos, pouco menos de 200 resignatários. Dos 152 subscritores, repito, parte importante é resignatária. O fato tem sua importância. Convém recordar, o bispo emérito não tem obrigações de pastorear diocese, está mais distante dos fiéis e do Clero, sente-se assim mais livre para agir segundo suas preferências ronceiras; no caso, a militância esquerdista, que por razões prudenciais preferiria esconder quando à frente de dioceses. Ali, precisariam pelo menos fingir levar em conta o clamor da maioria silenciosa e silenciada do povo; recordando linguagem bíblica, não poderiam atirar uma pedra para filhos que pedem pão, nem podem arrojar uma serpente ao escutá-los pedindo peixe.

Com efeito, observando a orfandade em que se encontra desde décadas a imensa maioria do laicato católico, excluída de forma intolerante pela opção preferencial pela esquerda levada a cabo por parte dos pastores, é normal se lembrar de passagens bíblicas atinentes. “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor” (Ex 3, 7). “E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?” (Lc 11, 11). Para os aflitos, a política habitual tem sido pedras e serpentes. O manifesto em análise constitui, dói dizê-lo, mais um dos episódios lacerantes do misterioso processo de autodemolição da Igreja, em que tantas vezes o pastor espanca a ovelha indefesa, abre as portas do redil e saúda alegremente o lobo que avança.

Radicalização da exclusão. Mais um ponto a ter em vista. Os 152 signatários podem estar redondamente iludidos a respeito da real influência que seu demolidor libelo terá na opinião nacional, em especial na católica. Na prática, vai demolir pouca coisa, se tanto. O brasileiro é pacato, abomina agitações e dilacerações. E o intolerante texto as instiga. Imaginarão que sua condição de bispos da Igreja Católica dá à sua voz eco que no caso não existe? Na prática, incomodado com a ácida linguagem revolucionária, o laicato majoritariamente fechará os ouvidos à mensagem.

Outro aspecto importante. Nosso Senhor no Evangelho ensinou: “As minhas ovelhas conhecem a minha voz (Jo 10, 27). O sensus fidei faz com que o católico conheça o timbre da voz do bom pastor. Quando é estranho o timbre, dele se afasta. Em resumo, o palavrório amazônico terá repercussão escassa. Os católicos, em geral desgostosos com o disparatado do texto, sentir-se-ão ainda mais excluídos.

Outra maioria silenciosa. 

Certamente bem mais que 152 bispos foram sondados para darem seu apoio ao texto intoxicado por um esquerdismo primário e descabelado. Recusaram. Temos aqui uma maioria silenciosa, um pouco menos de 350 — destes, quantos foram sondados, não tenho como saber —, que pelas mais variadas razões, inclusive desconhecimento, imagino, abstiveram-se. Preferiram guardar distância do texto revolucionário. Isolaram-se assim dos 152 signatários, tangidos pelo vezo incoercível de se juntar às reinvindicações da esquerda, mesmo as mais radicalizadas.

Em 1976, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou livro de grande repercussão “A Igreja ante a escalada da ameaça comunista — Apelo aos bispos silenciosos”. O trabalho continha o pedido para que os então bispos silenciosos, maioria clara, tomassem a frente do palco, tirando o protagonismo quase monopolístico dos bispos de esquerda.

Agora, também, a maioria está silenciosa. Dizia ele na ocasião: “Importa, com efeito, não ver em tal silêncio apenas a posição cômoda de quem está longe da luta. Mas também o desapego e a retidão que evitam obstinadamente a complacência ativa com o mal. […] Nas mãos dos silenciosos, pôs Deus todos os meios que ainda podem remediar a situação: são eles numerosos, dispõem de posições, de prestígio e de cargos. Atuem. Nós lhes imploramos. Falem, ensinem, lutem”. Estamos hoje em situação parecida. Os excluídos na Igreja, ansiando por inclusão e compreensão, hoje não pedem outra coisaa seus pastores. Não aprofundem ainda mais as valas da exclusão.

Apelo à união da esquerda em torno de programa demolidor. 

O libelo dos 152 está na rede e na imprensa escrita. Dele extraio trechos de maior significado. Ponto central, recusa qualquer complacência com o governo: “É dever […] posicionar-se claramente. […] A narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justifica a inércia e a omissão”. Aos que não têm nenhuma complacência (os sem complacência) com o governo, a proposta: “O momento é de unidade. […] Por isso, propomos um amplo diálogo nacional”. A finalidade de tal frente popular salta do texto apaixonado: “As reformas trabalhista e previdenciária mostraram-se como armadilhas. […] É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo. […] uma ‘economia que mata’. […] O desprezo pela educação, cultura, saúde e diplomacia também nos estarrece. […] Demonstrações de raiva pela educação pública. […] escolha da educação como inimiga. […] No plano econômico, o ministro da economia […] privilegiando apenas grandes grupos […] grupos financeiros que nada produzem. […] O governo federal demonstra rechaço pelos mais pobres e vulneráveis. […] Este tempo não é para divisões”.

Esperemos que a CNBB recuse seu apoio a um texto favorecedor de retrocessos e exclusões. E que, enfim, para o bem do Brasil, falem os silenciosos do Episcopado.

 

http://www.abim.inf.br/de-novo-a-opcao-preferencial-pela-exclusao/ 

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segunda-feira, 16 de março de 2020

A ESQUERDA QUER A INSTABILIDADE, MAS O BRASIL NÃO!


16 de março de 2020
Comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Derrotada nas eleições, a esquerda pretende tornar o Brasil inviável para voltar ao Poder.

Os acontecimentos dos últimos anos são motivos de esperanças, mas também de apreensões.

Livramo-nos de uma seita vermelha, socialista, profundamente contrária à índole cristã de nosso povo, que estava nos conduzindo para uma situação semelhante à da Venezuela.

Derrotada nas últimas eleições, a esquerda não descansa um minuto em seu afã de tornar o Brasil inviável, de criar uma crescente instabilidade e de propalar em todo o mundo uma suposta deriva autoritária decorrente da eleição do atual presidente Jair Bolsonaro.

Em sucessivos estrondos publicitários, somos continuamente caluniados por entidades internacionais, em palestras e jornais de grande tiragem, e até mesmo em certos púlpitos e sacristias.

Contrariando a realidade, boa parte da imprensa nacional interessada em reconduzir a esquerda ao Poder faz eco contínuo a tais acusações, numa verdadeira campanha para impedir o reerguimento moral e material de nossa Pátria.

Nenhuma menção é feita ao gradual desaparelhamento do Estado, ao processo de desburocratização, ao espetacular sucesso do agronegócio, à melhoria dos índices econômicos e da segurança pública, à tranquilidade das ruas marcada pela natural bonomia do brasileiro. Nada disso interessa aos “profetas do fracasso”.

Para tais “profetas”, o alvo não é apenas o atual governo, mas também toda a reação conservadora surgida na última década no Brasil.

Há mais de 60 anos o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, grande líder católico, homem de pensamento e ação, iniciou uma cruzada ideológica em defesa dos valores básicos de nossa civilização ocidental e cristã — a tradição, a família e a propriedade —, a qual se difundiu rapidamente pelos cinco continentes, tornando-se a maior reação anticomunista de inspiração católica do mundo.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, que assume hoje no Brasil esses ideais, continua sempre presente nas ruas e nas redes sociais, alertando a opinião pública, denunciando a esquerda e conclamando os brasileiros para uma reação autenticamente anticomunista em nossa Pátria.

Tal reação – cuja expressão mais característica pode ser sintetizada no brado em uníssono “quero o meu Brasil de volta”, ouvido nas manifestações multitudinárias —, é a recusa de uma sociedade desfigurada pela agenda da esquerda, que incluía, entre outras propostas, a aprovação do aborto, do “casamento homossexual”, da ideologia de gênero… Os brasileiros de bem se sentiam discriminados e perseguidos por aqueles mesmos que tanto falavam contra a “discriminação”.

O que nosso povo realmente quer é um Brasil fiel a si mesmo, ao seu passado glorioso, que realize o futuro promissor que lhe está destinado pela Divina Providência, progredindo sempre na obediência à Lei Natural, isto é, àquela lei que, segundo o Apóstolo São Paulo, está “escrita pelo dedo de Deus na alma do homem”.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira é apartidário, mas não pode omitir-se quando a esquerda — com o apoio de políticos, de boa parte da mídia e de líderes socialistas estrangeiros — pretende impor a “velha política”, chegando a aventar um absurdo impeachment do Presidente da República. Para isso procuram criar o desânimo e a divisão entre aqueles que se levantaram em defesa do País.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação” (Mt 26, 41), é o que ensina nosso Divino Salvador. O Brasil se livrou de um regime que caminhava para o fim da família e o desrespeito dos valores mais caros ao Cristianismo. Incumbe-nos agora consolidar a reconquista ocorrida, confiando sempre na Divina Providência, que nunca nos faltou.

Nascido sob o Cruzeiro do Sul, tendo como primeiro ato oficial uma Santa Missa e como primeiro nome Terra de Santa Cruz — não é por acaso que o Cristo Redentor no alto do Corcovado é o monumento mais expressivo dessa realidade —, o Brasil saberá, como sempre soube, ser fiel a si mesmo e, acima de tudo, ser fiel a Deus Nosso Senhor.

Não cederemos, não recuaremos! Essa reação conservadora não veio para ser uma onda passageira, mas para marcar os séculos futuros; para denunciar e desmascarar a esquerda em todas as suas formas; e para combater, de modo firme e claro, dentro da lei e da ordem, todos os desvios que os socialistas tentaram — e continuam tentando — impor ao nosso País.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nos mantenha firmes nesse propósito.

São Paulo, 15 de março de 2020
Instituto Plinio Correa de Oliveira



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domingo, 23 de fevereiro de 2020

UMA DECLARAÇÃO EPISCOPAL DIGNA DE REPÚDIO - José Antonio Ureta


21 de fevereiro de 2020

Bispos da CNBB norte 1 manifestam repúdio ao projeto de lei do presidente Jair Bolsonaro que estabelece mineração em terras indígenas

José Antonio Ureta

A tinta utilizada na Querida Amazônia – nome da exortação pós-sinodal do Papa Francisco – ainda não havia secado e os prelados da Regional Norte 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já publicavam, com base nela, uma nota de repúdio a um projeto de lei do governo Bolsonaro [nota abaixo] viabilizando a exploração de recursos minerais e a geração de energia elétrica em terras indígenas. A referida nota foi pressurosamente noticiada pelo Vatican News, órgão central da rede de mídia da Santa Sé. Clique aqui para ampliar a nota de repúdio da CNBB norte 1

Os bispos citam em seu apoio o n° 14 da referida exortação, segundo o qual as operações econômicas que danificarem a Amazônia e não respeitarem os direitos dos povos originários deveriam ser rotuladas de “injustiça e crime”. O condicional, assaz retórico, é da própria exortação.

Seria o Projeto de Lei 191/20 injusto e criminoso, danificaria a Amazônia e não respeitaria os direitos dos índios?

Um católico deve avaliar o respeito à justiça – ou a violação criminosa da mesma – primeiramente com base na doutrina social católica e, logo depois, em função da legislação do país concernido.

O que ensina a doutrina social católica a respeito da utilização dos recursos naturais de um país? O Compêndio da doutrina social da Igreja, publicado pelo Pontifício Conselho “Justiça e Paz” no pontificado de João Paulo II, nos fornece alguns elementos básicos.

O primeiro desses elementos é que “o bem comum empenha todos os membros da sociedade” e “exige ser servido plenamente, não segundo visões redutivas subordinadas às vantagens de parte que se podem tirar” (n° 167). Esse princípio aplica-se não somente à maioria da população urbanizada, mas também às populações que habitam em terras indígenas.

Por causa dessa validez universal, “a responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade política” (n° 168), para o que “o governo de cada País tem a tarefa específica de harmonizar com justiça os diversos interesses setoriais” (n° 169). No caso em apreço, trata-se da harmonização dos interesses nacionais com os interesses das populações indígenas.

O segundo elemento importante a ser considerado é o princípio da destinação universal dos bens (n° 171), que não significa “que tudo esteja à disposição de cada um ou de todos, e nem mesmo que a mesma coisa sirva ou pertença a cada um ou a todos” (n° 173), posto que a propriedade privada é um elemento essencial ao desenvolvimento individual, ao bom uso dos bens e a uma reta ordem social (n° 176). Mas a destinação universal dos bens faz com que o direito à propriedade privada não seja considerado como um direito absoluto e intocável, mas esteja subordinado ao bem comum (n° 177). Também isso é válido para o direito dos índios sobre suas reservas.

Por esse motivo, há de se reconhecer que toda forma de posse privada tem uma função social em relação “às exigências imprescindíveis do bem comum”. Daí decorre “o dever dos proprietários de não manter ociosos os bens possuídos e de destiná-los à atividade produtiva, confiando-os também a quem tem desejo e capacidade de levá-los a produzir” (n° 178). Como é óbvio, esse dever grava não somente o direito dos produtores privados na exploração das suas propriedades, mas também o direito dos povos indígenas enquanto proprietários das suas reservas.

O terceiro elemento a se ter em vista é o princípio de subsidiariedade, o qual impede privar os indivíduos ou as sociedades intermediárias daquilo que eles podem realizar por força e indústria próprias a fim de confiá-lo à comunidade nacional (n° 186), mas que, em sentido contrário, pode aconselhar o Estado a exercer uma função supletiva nas situações em que os primeiros não sejam capazes de assumir autonomamente uma iniciativa necessária ao bem comum (n° 188). É o caso, por exemplo, dos empreendimentos hidroelétricos ou de gás, que exigem grandes investimentos.

De fato, “uma das questões prioritárias na economia é o emprego dos recursos”, para o que cada sociedade deve “empregá-los do modo mais racional possível, seguindo a lógica ditada pelo princípio de economia” (n° 346). Por isso, “a tarefa fundamental do Estado no âmbito econômico é a de definir um quadro jurídico apto a regular as relações econômicas”, salvaguardando as condições primárias de uma economia livre (n° 352).

Uma vez definido esse marco jurídico, “deve-se sempre perseguir com constante determinação o objetivo de um justo equilíbrio entre liberdade privada e ação pública”, o qual deve ater-se a “critérios de equidade, racionalidade e eficiência”, tendo sempre em vista o bem comum (n° 354). O emprego racional dos recursos é uma exigência válida para todo o território de um país, incluída a Amazônia, que não merece ser transformada numa favela verde.

No que se refere ao respeito à natureza, a doutrina social da Igreja também fornece alguns princípios importantes, válidos para a imensa região em questão.

O primeiro deles é que “os resultados da ciência e da técnica são, em si mesmos, positivos”, pelo que “o Magistério tem repetidas vezes sublinhado que a Igreja católica não se opõe de modo algum ao progresso” (n° 457) e suas considerações “valem também para a sua aplicação ao ambiente natural e à agricultura” (n° 458). É o que pensa não somente a imensa maioria da população amazônica, mas também a maioria dos índios, que não querem viver de programas de assistência social, mas de seu próprio trabalho e engenho.

De fato, uma correta concepção do meio ambiente não pode absolutizar a natureza a ponto de divinizá-la, “como se pode facilmente divisar em alguns movimentos ecologistas”, razão pela qual o Magistério tem manifestado sua oposição “e sua contrariedade a uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo” (n° 463). É precisamente essa sacralização da Amazônia que leva as ONGs ambientalistas e os neomissionários adeptos da Teologia da Libertação a se oporem a qualquer projeto de desenvolvimento econômico na Amazônia.

Nada há, portanto, na doutrina social da Igreja Católica, que se oponha em princípio a uma exploração dos recursos da Amazônia existentes no solo das reservas indígenas, se tal exploração for requerida pelo bem comum do País. Obviamente, a limitação dos direitos de uso e usufruto, bem como os eventuais prejuízos que dita exploração vier a acarretar para as respectivas populações devem ser compensados, como tem sido feito em projetos prévios em outras áreas não indígenas.

Se não há um impedimento moral, haverá pelo menos algum empecilho legal?

Dois artigos da Constituição Federal do Brasil justificam o projeto de exploração introduzido pelo governo Bolsonaro no Legislativo.

O art. 176 estipula que as jazidas e demais recursos minerais, assim como os potenciais de energia hidráulica “constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra”.

Por sua vez, o inciso 3º do art. 231 declara que o aproveitamento dos recursos hídricos e das riquezas minerais em terras indígenas “só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei”.

Presidente Jair Bolsonaro com lideres indígenas

Foto: Carolina Antunes / Presidência da República


É precisamente isto que o projeto de lei 191/20 regulamenta. A justificação do mesmo – inteiramente coerente com o ensino da doutrina social da Igreja acima resumida – foi feita repetidas vezes pelo presidente Jair Bolsonaro, que desde a sua posse defende o aproveitamento econômico de territórios indígenas:

“Em Roraima há R$ 3 trilhões embaixo da terra. E o índio tem o direito de explorar isso de forma racional, obviamente. O índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica”, declarou o mandatário em abril de 2019, com o caloroso aplauso de representantes de várias etnias que reivindicam o direito de explorar as reservas tradicionais.

Em concordância com o princípio de justiça enunciado pela moral social católica, o texto do Executivo garante uma indenização às comunidades afetadas por um projeto ao verem restringido seu direito ao usufruto dessa área de suas terras. Tal indenização deverá levar em conta o grau de restrição imposto pelo respectivo empreendimento.

Respeitando o teor do art. 231 da Constituição, além da justa indenização, o projeto reserva às comunidades indígenas cujas áreas sejam utilizadas para a exploração econômica o direito de receber quantias volumosas a título de participação nos resultados:  0,7% do valor da energia elétrica produzida; entre 0,5% e 1% do valor da produção de petróleo ou gás natural; e 50% da compensação financeira pela exploração de recursos minerais. Calculados per capita, esses valores serão muito altos, porquanto se sabe que as populações das reservas indígenas são muito pouco numerosas em proporção com o tamanho dos respectivos territórios.

Para garantir os direitos dos nativos e respeitar o princípio de subsidiariedade, o texto prevê ainda a criação de conselhos curadores, de natureza privada, que serão compostos por indígenas e por responsáveis pela gestão dos recursos financeiros. Os pagamentos deverão ser depositados pelos empreendedores privados, por meio de transferência bancária, na conta do conselho curador. E, na distribuição desses recursos, os conselhos curadores deverão respeitar a autonomia dos povos envolvidos, o respeito aos seus modos tradicionais de organização e a legitimidade das associações representativas das comunidades indígenas afetadas.

Finalmente, qualquer projeto de exploração de recursos deverá ser antecedido por estudos técnicos acerca de sua factibilidade e caberá ao órgão ou entidade responsável pelo estudo prévio solicitar à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) um diálogo com as comunidades indígenas, para que sejam respeitados usos, costumes e tradições dos povos envolvidos.

Aplicando-se o princípio segundo o qual o bem comum prevalece sobre o bem individual e considerando que a propriedade privada não é um direito absoluto, se dita interlocução não for possível ou a se autorização para ingresso na terra indígena não for obtida, o estudo técnico poderá ser elaborado com dados e elementos disponíveis.

Após a conclusão do estudo prévio, o governo federal definirá quais áreas poderão ser exploradas. No caso de minérios, as áreas autorizadas pelo Congresso Nacional para a realização de pesquisa e lavra serão licitadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), mas, no caso específico da lavra garimpeira, as comunidades indígenas concernidas terão o direito de decidir realizá-la diretamente ou em parceria com não indígenas, o que importa num direito de veto.

De todo o anterior se deduz que não há nenhum óbice moral ou legal à aprovação do projeto de lei do governo brasileiro que viabiliza a exploração de recursos minerais e a geração de energia elétrica em terras indígenas.

O repúdio dos bispos da Regional Norte 1 ao referido projeto, sob o pretexto de que ele  danificará a Amazônia e não respeitará os direitos dos índios, é motivado pelos preconceitos ideológicos das ONGs ambientalistas, da moribunda Teologia da Libertação e de seu filhote, o Partido dos Trabalhadores.

Ainda mais absurdo é o repúdio dos Senhores Bispos da região amazônica, o qual figura na mesma declaração, às iniciativas do governo brasileiro no sentido de dar assistência aos povos indígenas isolados, sob o pretexto de que ditas iniciativas ameaçam “o direito de existência livre desses povos, com seus usos, costumes, crenças e tradições”. É o isolamento a principal ameaça à existência desses povos.

Crime seria não lhes estender a mão e recusar-lhes saúde, educação e melhores condições de vida. Pior crime, sobretudo, seria não procurá-los no seu isolamento para lhes fazer chegar a Boa-Nova da Redenção e a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo!



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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

INFANTICÍDIO INDÍGENA: UMA QUESTÃO CULTURAL? – Carlos Sodré Lanna


 28 de dezembro de 2019
Neos-missionários se jactam de não evangelizar os silvícolas, entretanto o Apóstolo São Paulo admostou:  “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).

Carlos Sodré Lanna

A questão do infanticídio indígena, “Triste realidade ocultada no Brasil” foi tratada por mim em recente artigo para esta coluna e, como havia prometido, volto hoje ao tema com outras informações e considerações.

O bispo austríaco Dom Erwin Krautler [foto abaixo], prelado emérito do Xingu, ex-presidente do CIMI e coordenador da rede Panamazônica (REPAM), admitiu que “entre algumas tribos indígenas brasileiras ainda existe a prática cultural do infanticídio”[1]. Convém recordar que a REPAM ajudou a preparar o muito discutível documento Instrumentum laboris do Sínodo sobre a Amazônia, realizado no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro.

Informação triste mas útil ao leitor: esse prelado é ardente defensor da abolição do celibato para o clero, da ordenação sacerdotal de homens casados e do diaconato para mulheres, contrariando assim o que foi estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo e praticado pela Santa Igreja durante dois mil anos.

Como se não bastasse, ele ainda discorda da idéia segundo a qual o estado deve condenar os que cometem o infanticídio indígena, e se diz mais favorável a “convencer essas populações com paciência pastoral que a morte de uma criança prescrita por sua cultura é anacrônica e prejudica a sua estratégia de vida”[2].

E acrescenta: “Temos combatido sempre pela sobrevivência física e cultural dos índios e o fazemos baseando-nos no evangelho e não com o apoio do evangelho do fundamentalismo”[3].

Ele rechaça, portanto, a ideia de penalizar o infanticídio. “Em nome dos direitos humanos e com o pretexto de eliminar o infanticídio está se levando a cabo um etnocídio maior um assassinato cultural”[4]. Na realidade, tanto o CIMI quanto a Funai estão de acordo com essa prática abominável do infanticídio em nome do respeito da cultura indígena , e negam a ajudar os índios a repudiar tais abominações.

O CIMI nasceu em 1972 e vem mantendo desde sua origem as mesmas doutrinas, teorias e práticas em relação às populações indígenas no Brasil. Os bispos e os novos missionários do CIMI não pregam mais o evangelho em sua plenitude, pois ele estaria impregnado da cultura européia.

Numa omissão voluntária e consciente, não batizam mais os silvícolas deixando-os viver no paganismo e na barbárie de suas culturas primitivas.

Sob o pretexto de manter essa cultura ancestral os novos missionários deixam milhares de crianças serem assassinadas, nada fazendo para por fim nesse macabro morticínio infantil.

Eles não consideram tal morticínio uma prática anti-natural e selvagem, antes o justificam dizendo que é parte de uma cultura que não pode ser mudada de uma hora para outra.

Fazem tábula rasa de que essas crianças são tão humanas como nós, portanto sujeitas aos mesmos direitos assegurados pela lei de Deus e pela lei dos homens.

Segundo a pastoral dos bispos da Amazônia , “a principal missão a Igreja não á catequizar nem converter os índios, mas garantir os seus valores e encaminhar o seu processo cultural de modo a evitar choques e sincretismos”[5].

“Os índios já vivem as bem-aventuranças. Os misssionários trabalham com eles sem nenhuma pretensão de catequese”.

Segundo dados recentes de órgãos do governo federal ligados aos direitos humanos, aproximadamente 360 crianças indígenas são assassinadas anualmente no Brasil sob qualquer motivo ou desculpa.

A decisão dos novos missionários de não mais pregar o evangelho constitui uma traição à missão de evangelizar que lhes foi outogarda pela Igreja Católica, permitindo assim que os índios continuem vivendo e morrendo no mais completo paganismo. Existem locais em que esses missionários se gabam de não terem batizado um só índio em mais de 60 anos, contrariando per diametrum o mandato de Jesus Cristo contido no evangelho de São Mateus , de batizar a todos os povos em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo.

São Paulo admoestou: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).

SÃO FRANCISCO XAVIER E SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS PADROEIROS DAS MISSÕES

Citarei em seguida alguns exemplos conhecidos sobre a importância das missões na história da Igreja Católica desde o tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo e a situação terrível em que nos encontramos hoje onde os neo-missionários nem batizam mais os indígenas.

No dia 3 de dezembro a Igreja celebra a memória de São Francisco Xavier, que em 1925, junto com Santa Teresinha de Jesus, foi proclamado pelo Papa Pio XI, padroeiro das missões.

Espanhol, nasceu em 1505 juntou-se os grupo de Santo Inácio e foi cofundador da Companhia de Jesus. Incansável missionário jesuíta, evangelizou na Índia, Indonésia e no Japão. A Igreja considera que São Francisco Xavier foi o missionário que mais converteu pessoas ao cristianismo desde o Apóstolo São Paulo, merecendo o cognome de “apóstolo do oriente”. No anúncio do Evangelho em curto espaço de tempo (10 anos) visitou vários países e catequizou povos e nações.

Santa Teresinha de Jesus também é padroeira das missões. Temos como padroeira das missões alguém que nunca saiu do Carmelo de Lisieux (França), entretanto uma alma essencialmente missionária. Ela escreveu em seus Manuscritos Autobiográficos:

“No coração me repercutia, continuamente o brado de Jesus na cruz: ‘Tenho sede!’ Estas palavras acendiam em mim um ardor estranho e muito vivo. Sinto-me chamada a ser um Apóstolo, quisera viajar pelo mundo todo pregando o Vosso nome e plantando a Vossa Cruz gloriosa em terras pagãs. Uma só missão não seria suficiente para mim: eu queria proclamar o Evangelho nos quatro cantos do mundo, nas ilhas mais distantes e esquecidas, todas de uma só vez. Quisera ser uma missionária não somente por alguns anos, mas desde a criação do mundo até a consumação dos tempos”.


PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA ESCREVEU SOBRE OS MISSIONÁRIOS

Ensina a Igreja que a via normal para o homem se salvar consiste em ser batizado, crer e professar a doutrina católica e a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo. Trazer os homens para a Igreja é pois abrir-lhes a porta do Céu e salvá-los. É esse o fim das missões. A glória de Deus e a perpétua felicidade dos homens são fins missionários da mais alta transcendência. Isso não impede que a missão tenha efeitos terrenos, também dos mais elevados. Daí decorre que a lei de Deus é o fundamento da grandeza e do bem estar de todos os povos. Cristianizar e civilizar são termos correlatos é impossível cristianizar seriamente sem civilizar.

Ser missionário, no Brasil, é principalmente levar o Evangelho aos índios. É levar-lhes também os meios sobrenaturais para que, pela prática dos Dez Mandamentos da Lei e Deus, alcancem seu fim celeste. É persuadi-los a se libertarem das superstições e dos costumes bárbaros que os escravizam em sua milenar estagnação. Em consequência, é civilizá-los.

Enquanto é próprio ao homem cristianizado e civilizado progredir sempre no reto e livre exercício de suas atividades intelectuais e físicas, o índio é escravo de uma imobilidade estagnada, a qual de tempos imemoriais lhe tolhe todas as possibilidades de reto progresso.

Apresentando-se ao índio, está o missionário de Jesus Cristo no direito de lhe dizer: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).[7]

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Notas:
Info Catolica, 30-11-2019
L’ Espresso, Sandro Magister, 10-10-2019
Id., ibidem.
Church Militant, 8-10-2019
ACI Prensa, 9-10-2019
Santa Teresinha do Menino Jesuswww.pantokrator.org.br
Plinio Corrêa de Oliveira, www.pliniocorreadeoliveira.info
Outras obras consultas:
Plinio Corrêa de Oliveira, Tribalismo Indígena, Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1977.
Alberto Caturelli, El Nuevo Mundo El Descubrimiento, La Conquista y La Evangelización de América, Centro Cultural Edamex, Cidade do México, 1991.
A voz das vítimas, editora Vozes, Petrópolis, 1990.




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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

FIM DE VIDA AMARGO - Péricles Capanema


11 de novembro de 2018
  Péricles Capanema

Desde há muitos anos a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem sido linha auxiliar do PT. O CIMI (Conselho Indigenista Missionário), órgão da CNBB, a mesma coisa, estridência maior a favor da esquerda. A CPT (Comissão Pastoral da Terra), também órgão da CNBB, igual, escarcéu favorecedor do comunismo de arrebentar os tímpanos. Congruentemente, recebiam elogios de morubixabas da esquerda, do tipo Fidel ou Raul Castro — os lobos uivavam em defesa dos pastores. E assim, dentro da Igreja, para tristeza dos católicos, tais entidades têm presença desagregadora. São fermentos de discórdia e fatores de exclusão, pois a maioria dos fiéis se julga rejeitada por elas. Tais fatos se tornaram largamente anacrônicos? Aspectos do Brasil de ontem? O quadro está se movendo.

Diante da inconformidade generalizada contra o lulopetismo, sentimentos que elegeram Jair Bolsonaro, parte da esquerda está se distanciando rápida e ruidosamente do PT e de Lula, buscando assim se viabilizar eleitoralmente para os próximos anos. Seria uma esquerda em que a roubalheira, a malandragem e a incompetência não constituiriam traços repugnantes e dominantes.

Como a tal esquerda em formação (o esboço está no PDT, PC do B, PSB, acenos à Rede, parlamentares do PSDB e PPS) tratará a esquerda católica, suja dos pés à cabeça, com os abraços líricos e os auxílios efetivos que propiciou ao petismo? Todos se lembram, durante todos esses anos, ela calou-se vergonhosamente diante do desastre econômico e da gatunagem. As primeiras manifestações sugerem que a tal nova esquerda não faz tanta questão de apoios na esquerda católica. A razão é simples: não quer se sujar e, com isso, arriscar-se a perder votos.

Vejamos. Da nova corrente, o corifeu mais em evidência é Ciro Gomes. Logo após as eleições, o antigo governador do Ceará, agindo em uníssono com fornido grupo de políticos, pôs em prática o plano, que envolveu muitos encontros e articulações de bastidor. Contudo o mais vistoso dele foram as entrevistas.

Delas, comento uma, concedida ao repórter Gustavo Uribe, da “Folha de S. Paulo”. Ali Ciro se lamentou de ter sido “miseravelmente traído” por Lula e seus “asseclas”. Comentou: “A cúpula exacerbada do PT já começou a campanha de agressão. O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado. Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana”.

Acusa Lula e a cúpula do PT de falta de caráter, de traição, de serem vendilhões, de duplicidade. E deles quer afastamento para, óbvio, ficar próximo ao povo e ter votos. Expõe o objetivo: “Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda, não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulos, oportunismo”.

É ataque ao plantel político que a CNBB e suas organizações vêm favorecendo há décadas. Duas figuras aqui têm papel especialmente simbólico: frei Betto e o ex-frei Leonardo Boff.

Deles, o que diz Ciro Gomes? Boff, primeiro: “Eles podem inventar o que quiserem [ou seja, são mentirosos]. Pega um … [estrume humano] como esse Leonardo Boff. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e o petrolão?” Para o presidenciável, a mera adjacência já irá incomodar o eleitor. Sobre frei Betto, também quis falar: “O Lula está cercado de bajulador. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, frei Betto”. O primeiro, bajulador e, ademais, estrume humano; o segundo, bajulador sem caráter. Avisos que os quer distantes.

Leonardo Boff, pelo contrário, anseia a proximidade de Ciro. Declarou patético: “Precisamos de uma Arca de Noé onde todos possamos nos abrigar, abstraindo das diferentes extrações ideológicas, para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade e das violências”. Só que, na opinião de Ciro, se gente como Boff e frei Betto subirem na arca, o barco afunda.

De outro modo, políticos, como Ciro Gomes, que desejam a imagem de esquerda limpa, inimiga de traficâncias, não buscarão apoio em figuras como Boff e frei Betto. E, em boa medida, eles representam a esquerda católica. Amigos de ditaduras, admiradores de F. Castro, chegando ao ocaso da vida (frei Betto, 74 anos; Leonardo Boff, 79 anos), depois de favorecer o comunismo por décadas, na hora normal de recolher agradecimentos dos favorecidos pelo combate indigno, recebem chibatadas de um corifeu da esquerda: “Não quero estar ao seu lado, vocês me tiram votos e mancham a reputação”. A lógica nos empurra até lá, tal situação respinga na CPT, CIMI, CNBB.
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Comentário: 

Luiz Guilherme Winther de Castro
12 de novembro de 2018

Dizem que a esquerda sempre foi burra. Pelo jeito, continua sendo e sempre será. Esquerda significa socialismo, comunismo, enfim, ditadura cruel. Ciro Gomes chegou a afirmar que a Venezuela é uma democracia. Pelo que fala e pensa não é nada diferente do tal Beto e do tal Boff. Enfim, eles que se entendam ou desapareçam.
Infelizmente, essa gente ainda infernizará o novo governo, portanto, que nós rezemos e torçamos para que dê certo. Melhor que os últimos quatorze anos, tenho certeza que será, apesar da precária situação que o “pt” deixou o país. O governo Temer conseguiu endireitar um pouco o leme, apesar de ter compactuado com os governos petistas anteriormente.
Quanto ao Ciro Gomes ainda, ele não disse que deixaria a política caso o capitão Bolsonaro ganhasse a eleição? Cumprirá a promessa ou mostrará que está provado que a maioria dos políticos não tem palavra?


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