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terça-feira, 5 de novembro de 2019

"A DEMOCRATIZAÇÃO DO PODER Por Alexandre Garcia


04/11/2019
| Foto: Maicon J. Gomes / Gazeta do Povo

A “CPI das Fake-news” é, na verdade, a revelação do medo que os políticos têm de perder o poder para a inevitável democratização do direito de opinião, de manifestação e a pulverização do monopólio do poder. Cobrando impostos à razão de um terço de tudo o que se produz e vende, o estado brasileiro detém o monopólio da riqueza. Ao mesmo tempo, os que têm mandato conferido pelo voto detêm o monopólio de decisões que afetam a vida de todos.

Essa concentração de poder econômico e político está em vias de acabar, principalmente por causa de uma novidade surgida há apenas 50 anos. No início de novembro de 1969, anunciava-se que pela primeira vez um pacote de dados fora transmitido dias antes entre os computadores de duas universidades, na Califórnia.

Aqui no Brasil, essa revolução só foi percebida por muitos políticos na última eleição presidencial, quando as redes sociais e não o dinheiro de empreiteiras e estatais, nem os marqueteiros, nem a propaganda televisiva, elegeram um presidente da República. Os brasileiros não ficam atrás dos navegadores digitais do primeiro mundo. Em mensagens e participação em redes sociais, nos equiparamos aos de países de alta renda. Perdemos ainda em velocidade, mas o 5G vem aí e já foi experimentado no Rock in Rio. A fibra ótica está ajudando a integrar a Amazônia, serpenteando pelos leitos dos rios, e 38 satélites já cobrem o país, que está cada vez mais abastecido de provedores de banda larga.

Nos governos petistas, houve insistente tentativa de controlar os meios de informação, sob o eufemismo de “regulação da mídia”. Não conseguiram. E seria inútil e ultrapassado, pois já surgia a força das redes sociais, livres e soltas. Governos tentam, na China, Coreia do Norte, Cuba. O problema é a diferença de velocidade entre a burocracia estatal e a tecnologia privada. Enquanto a CPI se perde em discussões, o mundo cibernético se renova, se recria, se recicla, se redescobre numa razão mais rápida que a razão humana. A tecnologia vai à frente da política. O mundo digital leva todos para a grande ágora, a praça pública do mundo, onde todos têm voz e onde ninguém tem o monopólio do palanque, onde o carro de som é de todos e ninguém é dono dele.

Os que eram donos do poder tentam controlar esse novo poder, mas como não participaram de seu nascimento, não conseguirão mudar os rumos de um sistema que anda sozinho e à velocidade da luz. O novo poder cibernético pode ser compartilhado mas já não pode ser domado. Legislativo, Executivo e Judiciário, poderes ordenados por Montesquieu em 1748, terão que se adaptar ao que surgiu em 1969 na Califórnia, com base no que foi formulado em 1859, por Charles Darwin: quem sobrevive é quem mais bem se adapta às condições externas. O estado, seus poderes e seus políticos estão destinados, com o tempo, a se adaptar ao novo mundo digital, ou desaparecer."

Alexandre Garcia



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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O QUE ESPERAR DE NÓS? - Alexandre Garcia


"O que esperar de nós?
por Alexandre Garcia
08/10/2019
Reunião ministerial do presidente Jair Bolsonaro.| Foto: Alan Santos / PR

Está acontecendo tudo ao contrário do que prediziam os arautos do caos. Segundo eles, abandonaríamos a democracia, a voz das minorias, seriam perseguidos os negros, os homossexuais, os opositores. Por ironia, essas cassandras foram justamente os agentes do caos do desemprego, da corrupção, dos desvios, da decadência moral, das cotas racistas, da desigualdade por preferências sexuais, dos direitos dos bandidos, da entrega do poder a uma ideologia totalitária e internacional.

A realidade está provando que era apenas mentira, propaganda enganosa, autoajuda para conviver com a derrota nas urnas, mecanismo freudiano de compensação para a culpa de ter sido parte da demolição de valores nacionais.

Fazia tempo que um presidente não abria mão dos poderes que lhe foram conferidos pelas urnas. Em troca de votos no Congresso, entregavam partes do executivo a partidos bem acomodados no Legislativo. Entregavam estatais, bancos públicos e ministérios a partidos políticos, para que enchessem as burras e os bolsos. Encolhia-se o chefe do Executivo ante a barganha da cessão de cargos por votos no painel eletrônico dos plenários.

Agora, impõe-se a divisão democrática de poderes. O Presidente não se mete no Legislativo - e não permite que o Legislativo e os partidos que operam na Câmara e no Senado, se metam na Petrobrás, nos Correios, na Caixa Econômica, no BNDES, no Banco do Brasil, nos ministérios, nas autarquias. O segundo artigo da Constituição, que trata dos poderes “independentes e harmônicos” é posto em prática. Democracia na prática, não apenas no discurso da demagogia.

E não encolhe os poderes que lhe atribuíram quase 58 milhões de eleitores. Diante das corporações públicas sob seu comando legal, exercita o comando, da base à ponta. Todos os gestos presidenciais são avisos aos que pretendem testar a autoridade. Com o tempo chegará a ordem, impondo-se à bagunça de casa-de-mãe-joana que vigorava. E com a ordem, por consequência, virá o progresso. Passou o tempo da mentira, das promessas vãs. Aos pedintes por modificações, a resposta de boa-vontade chega com ressalva, quando dependa do Legislativo. A verdade vos libertará.

O fim dos favores com dinheiro público conteve invasões de terras e manifestações de arruaceiros. O fim do aparelhamento já resulta em recordes de produção de petróleo e gás; já resulta em superávit em fundos de previdência que se reerguem do domínio ideológico. O fim da cessão onerosa de ministérios resulta em gratas surpresas com ministros ativos e produtivos.

Vamos ficando iguais. Sem diferenças pela cor da pele, ideologia, preferência sexual, partido político. Não será trabalho para apenas um ano desenterrar um país atolado por décadas de uso indevido do estado, mas não é época, certamente, de esperar pelo governo. É tempo de perguntar o que o Brasil pode esperar de cada um de nós."

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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

PIROTECNIA - Alexandre Garcia


O Papa Francisco e o Presidente Macron geraram a centelha e reacenderam os ânimos daqueles que não perdoam os brasileiros que os derrotaram em outubro. Do outro lado do Atlântico e das redações urbanas a milhares de quilômetros da floresta, atearam fogo à Floresta Amazônica, para demonstrar que o vencedor de outubro é um Nero suicida; é um erro cometido pelos eleitores que ousaram derrotar os que acreditam que detêm o poder de domar neurônios alheios. Desconhecedores da Floresta, não sabem que para ela queimar, precisa antes ser derrubada, secar por meses, e aí atear fogo. É assim que os indígenas ensinaram e sempre fizeram na coivara, usada para criar roças e pastagens. O nome em inglês – rainforest – floresta úmida, não foi entendido por muitos.

No ápice das queimadas de mata derrubada, há uns 15 anos, fecharam os aeroportos da região, como testemunham meus amigos pilotos, que hoje voam sobre a Amazônia sem restrições. E isso acontecia com frequência na primeira década deste século. A diferença é que o presidente era Lula, um santo, e hoje é o maldito Bolsonaro, que ousou derrotar os que só aceitam a ideia única – sem dinheiro, sem marqueteiro, sem TV, apenas com a vontade do eleitor. Agora eles viram a chance de mostrar que o povo errou, mas precisam ser rápidos, porque já começam os sinais de sucesso em todos os campos da recuperação econômica e moral do país.

Os número mostram que a quantidade de incêndios está dentro da média, mas isso não nos deve tranquilizar. A histeria pirotécnica quase tendeu a provocar estragos nas nossas exportações do agronegócio. Oportunidade para entidades como as Confederações da Indústria e da Agricultura tomarem iniciativas para fiscalizar e conter a grilagem e os desafios à lei, como o que aconteceu no Pará, no Dia do Fogo, 10 de agosto. Serviu também para alertar os governos estaduais e federal para o problema sazonal crônico da Amazônia; mas sobretudo serviu para confirmar como real a cobiça que é a causa da tese de “soberania relativa” do Brasil sobre a Amazônia.

No caso do Presidente Macron, o tiro saiu pela culatra. Num usual diversionismo, ele tentou desviar de seus problemas internos com os coletes amarelos, os imigrantes e os eleitores, para a distante Amazônia. Mas nada conseguiu no G7 e só fez catalisar no Brasil a defesa da soberania sobre a nossa Amazônia. Chamou-nos a atenção para as ONGS que não evitam fogo, os estrangeiros que fingem turismo, desconfiamos do dinheiro estrangeiro e suas intenções de intrometer-se nas nossas questões e Macron sequer conseguiu fingir que defendia seus agricultores que não têm área para expandir. Reagimos com altivez de quem tem noção de que o futuro a nós pertence. Quanto aos pirotécnicos, só nos ofuscaram por alguns segundos, enquanto duraram as cores de seus fogos passageiros; na excitação da revanche, geram a autocombustão de sua credibilidade.

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Alexandre Garcia - Jornalista com atuação na TV e rádio, como apresentador, repórter, comentarista e diretor de jornalismo.

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

PACTO SINISTRO - Por Alexandre Garcia

Em 23 de agosto de 1939, os ministros de Relações Exteriores da Alemanha de Hitler e da União Soviética de Stalin - nazistas e comunistas - assinaram o Pacto de Não-Agressão.

Uma semana depois, Hitler invadiu a Polônia, sem reação soviética. Cinco anos depois, quando divisões soviéticas se aproximavam de Varsóvia em contra-ofensiva, fizeram um alto para esperar que os alemães liquidassem os poloneses em revolta. Depois, liquidaram os alemães. Dez anos antes do início da II Guerra, o comunista Gramsci, em prisão italiana, escrevia seus cadernos sobre a dominação pelas mentes.

Pois aqui, nesses últimos 30 anos, o pacto do nazismo com o comunismo voltou a ser aplicado, não para destruir a Polônia, mas para destruir o Brasil. E quase conseguiram. O nazismo entrou com a máxima de Goebbels, de que a mentira repetida se torna verdade; e o comunismo contribuiu com os ensinamentos de Gramsci, aplicados no ensino e na informação, para conquistar as mentes, com sectarismo usual de nazistas e comunistas.

Meu amigo Paulo Vellinho, com a sabedoria de seus 90 anos, demonstrou que fomos usados como cobaias, num projeto fracassado. Para não ficarem expostos como fracassados, sabotam as soluções, como se não tivessem pátria. E, efetivamente, nazistas e comunistas tinham o mesmo projeto cosmopolita.

A sabotagem, pela pregação do pessimismo e divulgação de um lado único da história tem produzido resultados entre os que dependem das mesmas fontes de informação. Nas manifestações de domingo, muitos foram capazes de negar o que as imagens mostravam. A seita dos que querem fechar o Congresso e o Supremo foi usada  pelos agentes da desinformação. No mundo real, a maciça maioria defendeu as reformas combinadas com 58 milhões de eleitores, onde se inclui o fim do conchavo fisiológico.

Houve político afirmando que povo nas ruas significa perigo para a democracia. E, claro, essa falácia máxima foi para a primeira página. Aliás, no plenário da Câmara, na votação que manteve o COAF no seu ministério de origem, alguns reclamavam dos que, com o celular, transmitiam nas redes sociais o voto de cada um. Não queriam que seus mandantes soubessem de como estavam votando. 

 Povo na rua, contra e a favor do governo, é a democracia agindo, funcionando, expressando vontades. As ruas digitais cumprem papel semelhante, agrupando, socializando, agregando vontades e forças, de onde emana todo poder. E são um bom antídoto para a associação Gobbels-Gramsci. Aí, 2G vira passado.


Alexandre Garcia, Jornalista

Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e colunista político brasileiro. Foi porta-voz do último presidente do período do regime militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Wikipédia
Nascimento: 11 de novembro de 1940 (77 anos), Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul


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terça-feira, 14 de maio de 2019

O TSUNAMI DE BOLSONARO – Alexandre Garcia

Aqui sempre damos um jeito de estragar. É masoquismo

Seg, 13/05/2019

O Presidente disse que “talvez tenha um tsunami” pela frente. Talvez já se tenha acostumado, por isso não percebe, que tem tido tsunamis desde que assumiu. Não um tsunami nos mares da oposição, dos derrotados em outubro, mas gerado por erupções digitais por alguns dos vencedores. À luz da razão, um tsunami inexplicavelmente batendo no lado do governo. Uma espécie de ajuda destrutiva, que mais parece uma oposição intestina, com poder de prejudicar o chefe de governo além do que faria seu mais eficiente adversário. 

O prejuízo já começa a ser sentido, passados os 100 dias de expectativa de sedimentação dos arroubos iniciais. Não se culpem os jornalistas, pois eles apenas transmitem as mensagens que geram dissenso. Se alguém defendeu o candidato, mas agora está atrapalhando o eleito, isso é notícia, porque notícia é tudo aquilo que é surpreendente, raro, esquisito ou estranho. O prejuízo é sentido na confiança de investidores, porque não veem rumo. O prejuízo é sentido entre os aliados do governo no Congresso, porque não sentem mão do Palácio a indicar rumos, como tem sido usual na história do parlamento.

Se alguém ofendesse com palavras de baixo calão e termos chulos um auxiliar meu, se eu fosse Presidente, eu de público encorajaria os auxiliares ofendidos a buscar compensação na Justiça, não apenas por danos morais, mas punição por injúria e difamação. Porque do contrário, iriam pensar que o presidente se encolhe perante o ofensor e não se importa com auxiliares da  honorabilidade e do mérito dos ofendidos.

Tenho escrito e dito que o Brasil tem uma forte tendência ao masoquismo. Quando tudo vai bem, damos um jeito de estragar, porque nos sentimos melhor sofrendo. Alguns entre os que ajudaram a eleger Bolsonaro, em vez de ajudá-lo a governar, parecem estar organizados para atrapalhar. Como ninguém está acostumado tocar um barco em que alguns remam num sentido e outros remam na direção contrária, a embarcação, com forças que se anulam, fica ao sabor da corrente. A menos que o capitão do navio imponha a disciplina nos remadores, segurando firme no leme e mostrando que há rumo, como foi indicado na bússola das urnas. Um barco bem comandado pode resistir a tsunami.


Alexandre Garcia <news@newsgazetadopovo.com.br>

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

O FLANELINHA E O NAVIO – Alexandre Garcia


Domingo último, o presidente da República foi ao cemitério para o enterro da mãe de um ex-funcionário do seu gabinete de deputado federal. Caminhou até a sepultura com o braço sobre os ombros do filho órfão, entre as pessoas do cortejo.

Três dias antes, havia ido a uma favela construída sobre um antigo lixão, a Cidade Estrutural, para retribuir a visita que recém lhe fizera, no Palácio do Planalto, a menina usada para uma fakenews, em que supostamente recusava o cumprimento do Presidente. Mais uma vez se expôs.

Essas últimas sortidas do presidente mostram que nem o cargo maior da República nem a facada do ex-PSOL Adélio Bispo mudaram o seu modo de ser Bolsonaro. Um risco para a segurança, tal como acontecia, durante a campanha, e teve resultado dramático.

O sonho da oposição é que esse Bolsonaro mude, pois foi esse Bolsonaro que derrotou todos os candidatos - ao contrário do que afirmavam pesquisas. Derrotou as pesquisas e os que pensavam, com arrogância, que poderiam conduzir a cabeça do eleitor. Com as redes sociais, o eleitor se libertou.

Nesses quatro meses de governo, o que se tem visto e ouvido é que os opositores parecem estar ainda em campanha, num terceiro turno, com sede de vingança pela derrota nas urnas.

O estilo aprovado nas urnas virou governo do país, mas muita gente gostaria que o setor público federal continuasse com os velhos vícios, para manter as mamatas, os cargos, os benefícios, a pregação destrutiva do país. Não aceitam a mudança e criam ficções, ainda na tentativa de convencer a opinião pública e enfraquecer o governo. Uma parte mais ingênua do governo é usada, ao dar respostas a provocações.

Um flanelinha num Centro Comercial de Brasília me abordou, outro dia, dizendo que não havia votado em Bolsonaro, e que não gosta dele, "mas agora que ele é presidente, não adianta mais chorar, porque estamos todos no mesmo barco. Não dá prá deixar o navio afundar só porque eu não gosto do capitão”.

Pragmatismo do cidadão flanelinha. Reforma da Previdência, reforma das leis penais, liberdade econômica; corte de mordomias, benefícios, favores e populismos; respeito à independência de poderes, aposta na responsabilidade do Legislativo, enxugamento do estado. É o mínimo necessário para o país se recuperar de anos de corrupção, desperdício e negação da ideia de Ordem e Progresso.
 

Alexandre Garcia
Jornalista
Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e colunista político brasileiro. Foi porta-voz do último presidente do período do regime militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Wikipédia
Nascimento: 11 de novembro de 1940 (79 anos), Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

DATAS DO PASSADO Por Alexandre Garcia


22/04/2019

Esses últimos dias estiveram prenhes de datas marcantes, a nos lembrar de nossa História e ainda impregnados da religiosidade das festas judaico-cristãs da Aleluia e Páscoa.

Dia 19 foi Dia do Índio e Dia do Exército. O Dia do Índio me recorda a reportagem que fiz, em disputa com outros candidatos, que me valeu uma vaga na maior escola de jornalismo da época, o Jornal do Brasil, em 1971.

O Dia do Exército nos lembra que a instituição se forjou com índios, negros, luso-brasileiros e portugueses, que se uniram, há 371 anos, na colina dos Guararapes, para derrotar e expulsar os holandeses. Eu fiz o primário no Grupo Escolar Vidal de Negreiros; minha irmã no Grupo Escolar Fernandes Vieira, nomes dos chefes vitoriosos. Com eles, o negro Henrique Dias e o indígena Filipe Camarão. Cidadãos em armas, tal como hoje, marcam o início da nacionalidade, no Brasil ainda colônia.

Dia 21 foi o aniversário do enforcamento e esquartejamento, de um precursor da Independência, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Aconteceu 141 anos depois da expulsão dos holandeses. Um imposto de 20% sobre o ouro encontrado foi a causa da conspiração, que a coroa portuguesa português reprimiu exemplarmente. Isso aconteceu no mesmo ano em que começava a Revolução Francesa, pelas liberdades. Hoje nossa carga tributária mostra que pagamos quase o dobro disso para os três níveis de governo.

Dia 21 também marca os 59 anos da inauguração de Brasília, uma decisão estratégica já prevista nas constituições desde 1891. Brasília inaugurou a ocupação do território, antes concentrada no litoral.

Neste dia 22, o aniversário oficial do Brasil: 519 anos desde a Descoberta. Na verdade, uma carta náutica de 1424 já identificava, no Atlântico Sul, uma ilha chamada de Braxil, por seu pau cor de braxa. O pesquisador Lenine Barros Pinto escreve que Vasco da Gama reabasteceu sua frota em direção às índias, de água fresca e frutas, no saliente nordestino. Era uma rota secreta portuguesa, que evitava calmarias e piratas da costa africana.

Afirma que Cabral, antes de seguir para as índias, fora mandado chantar(plantar) marcos portugueses, com a Cruz da Ordem de Cristo, para assinalar a posse, prevenindo-se dos espanhóis, que já haviam chegado no novo continente. Fez isso por “2 mil milhas de costa". O último marco está em Cananéia, São Paulo. Contada essa distância para o Norte, vai dar em Touros, RN, e não em Porto Seguro, como pensava o historiador Varnhagen. O Cabugi vê-se do mar; o Monte Pascoal, não.

Ao fim dessas memórias sobre nosso passado, deixo aqui a polêmica, para que busquemos a verdade sobre nosso nascimento.
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 Alexandre Garcia, jornalista, apresentador e colunista de política brasileiro, tendo sido porta-voz do último presidente do período da ditadura militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Atuou no Jornal do Brasil, na extinta TV Manchete e na Rede Globo. 

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domingo, 2 de dezembro de 2018

ALEXANDRE GARCIA: “ANTES MESMO DE O VITORIOSO TOMAR POSSE, AS IDEIAS VENCEDORAS DA ELEIÇÃO JÁ SE IMPÕEM”


1 de dezembro de 2018

Em dois meses, minha mãe completa 100 anos de vida e diz que nunca viu nada igual ao que está testemunhando hoje.

Ela passou pela ditadura Vargas, pelas tentativas comunistas de tomada do poder, a começar em novembro de 1935, depois por tantos governos diferentes e tantos planos de salvação nacional, mas nunca viu uma reação como agora, contra o estado de coisas em que enterraram o país. Uma reação popular e pacífica, de uma maioria que cansou de ser enrolada, ludibriada, enganada – desculpem usar tantos sinônimos para a mesma mentira.

Eu mesmo, em meus quase 80 anos de Brasil, nunca vi nada igual.

Eu diria que se trata de uma revolução de ideias, tal a força do que surgiu do cansaço de sermos enganados.

Mencionei a primeira tentativa comunista de tomada do poder, há 83 anos. Naquele 1935, houve reação pelas armas. Nas outras tentativas, no início dos anos 60, a reação veio das ruas, que atraiu as armas dos quartéis. A última, veio pelo voto, na mesma linguagem desarmada, com que começou a sutil tentativa tucana, para desaguar nos anos petistas, já com a tomada das escolas, dos meios de informação, da cultura – com aquela conversa que todos conhecemos. De repente, acordamos com a família destroçada, as escolas dominadas, os brasileiros separados por cor e renda, a cultura nacional subjugada, a História transformada. Mas acordamos.

Reagimos no voto, 57 milhões, mais alguns milhões que tão descrentes estavam que nem sequer foram votar.

O candidato havia sido esfaqueado para morrer, nem fez campanha, não tinha horário na TV, nem dinheiro para marqueteiro. Mas ficou à frente do outro em 10 milhões de votos. Ainda não se recuperou da facada, a nova intentona; precisa de mais uma cirurgia delicada, mas representou a reação da maioria que não quer aquelas ideias que fracassaram no mundo inteiro, que mataram milhões para se impor e ainda assim não se impuseram.

O que minha mãe nunca viu é que antes mesmo de o vitorioso tomar posse, as ideias vencedoras da eleição já se impõem.

Policiais que tiram bandidos das ruas já são aplaudidos pela população; juízes se sentem mais confiantes; pregadores do mal já percebem que não são donos das consciências; as pessoas estão perdendo o medo da ditadura do politicamente correto, a sociedade por si vai retomando os caminhos perdidos, com a mesma iniciativa que teve na eleição de outubro, sem tutor, sem protetor, sem condutor. Ela se conduz.

O exemplo mais claro desse movimento prévio ao novo governo é a retirada cubana, no rompimento unilateral de um acordo fajuto, de seus médicos, alugados como escravos ao Brasil.

Cuba “passou recibo” na malandragem e tratou de retirá-los antes que assumisse o novo governo, na prática confessando uma imoralidade que vai precisar ser investigada no Brasil, para apontar as responsabilidades, tal como ainda precisam ser esclarecidos créditos do BNDES a ditaduras, doação de instalações da Petrobras à Bolívia, compra de refinaria enferrujada no Texas, e tantas outras falcatruas contra as quais a maioria dos brasileiros votou em outubro.

(Texto do jornalista Alexandre Garcia)


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sábado, 17 de novembro de 2018

A OPOSIÇÃO – Alexandre Garcia


15 de novembro de 2018

A Oposição

Engana-se quem pensa que a oposição será o PT. Talvez seja apenas a oposição mais evidente, mais barulhenta, mais exposta com suas ameaças. Nisso, o PT parece que vai estar acompanhado pela PSOL e seus coadjuvantes do MST e MTST, e só. Pelo que se tem visto, o PDT, o PSB, o PC do B, o PTB, querem ficar um pouco distantes, porque perceberam o quanto as urnas revelaram de antipetismo – e não querem também ser alvo dessa onda. Pois bem; o PT vai fazer oposição, mas certamente não será essa a resistência que mais vai dar trabalho ao governo.

A mais forte oposição será silenciosa, sub-reptícia, forte, eficiente, de todos os que não querem perder privilégios, mamatas, garantias, direitos adquiridos mas não merecidos. É aquele pessoal convicto de que conquistou a boquinha e já tem estabilidade nela. Gente que está tanto dentro do estado como fora dele. São alguns poderosos, donos de parte do estado brasileiro; são partidos, que têm seus cartórios dentro de ministérios e estatais; são os milhares de comissionados que nunca prestaram concurso; são os que estão de olho em suas estabilidades, aposentadorias integrais, auxílios de todos os nomes. São os donos dos caminhos secretos do serviço público; são os cafetões e leões-de-chácara que vendem os prostituídos do estado brasileiro. Esses vão fingir que aplaudem o novo governo, pois é de sua essência aplaudir, mas o que querem é assegurar o botim.

Bolsonaro e seus auxiliares vão ter muito trabalho com essa oposição camuflada, blindada e bem armada.

Paulo Guedes vai pegar uma pedreira com os subsídios, os favores fiscais, os protecionismos dos bem-aventurados protegidos do estado brasileiro.

Sérgio Moro vai descobrir sujeitos do direito por toda a parte e poucos dispostos a cumprir antes seus deveres.

Joaquim Levy vai ter que lidar com os apadrinhados do BNDES. Os líderes do governo na Câmara e no Senado vão penar com os aliados que apoiam o governo, mas não apoiam as medidas necessárias que venham a ser propostas para que todos sejam iguais perante a lei, sem foros privilegiados e sem proteção para delinquir.

Quem vê o estado inchado, nos três poderes, voltado para si mesmo, no pedestal fora do alcance dos brasileiros comuns, com muita, muita gente, não tem como deixar de perguntar: produz o quê? Bons serviços públicos? Boas leis? Boa justiça?

Ou tem por finalidade manter seus privilégios, servindo a si em lugar de servir ao povo brasileiro?

Não estou inventando essas perguntas. Elas tem sido feitas nas redes sociais e nas ruas há cinco anos, e foram se tornando cada vez mais eloquentes, até que troaram nas urnas como um terremoto.

Há pouco, quando o Senado, mostrando como funciona essa oposição, surpreendeu o país elevando o teto do Supremo e de todos no serviço público, os protestos voltaram à Avenida Paulista.
Os 41 senadores que criaram o novo teto, não votaram contra Bolsonaro, que vai ter que pagar; votaram contra os brasileiros, que realmente pagarão. Esses é que são o alvo dessa oposição que quer manter o seu quinhão no Brasil que deveria ser de todos.

Alexandre Garcia - Jornalista



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terça-feira, 17 de julho de 2018

UMA TRAGÉDIA ESTÁ ACONTECENDO NO BRASIL - Alexandre Garcia resume porque as pessoas estão fugindo do País

17/07/2018
Milhões de brasileiros estão unidos por um pensamento. Deixar o país.

Sair para viver e trabalhar, principalmente nos Estados Unidos e Portugal. É resultado de uma pesquisa do Datafolha, divulgada há poucos dias. A maior parte, jovens entre 16 e 24 anos. Nessa faixa etária, 60% dos jovens pesquisados gostariam de ir embora. Entre 25 e 34 anos, metade dos brasileiros ouvidos gostariam de abandonar o país. Entre 35 e 44 anos, 44% sonham em deixar o Brasil. De 45 a 59 anos, um em cada três pesquisados pensam em ir embora. Entre os acima de 60 anos, um em cada quatro. Como se nota, na medida em que a idade avança, em que as pessoas têm mais compromissos familiares, empresariais, laborais - raízes, enfim - o percentual diminui. Mas entre os jovens que buscam oportunidades, seis em cada dez gostariam de ir embora.

As razões dessa ideia de tanta gente são muitas. Jovens que já estudaram no exterior e experimentaram mais segurança, mais valorização ao conhecimento e a ciência, mais oportunidades de melhores salários, voltam e ficam chocados. Brasileiros que passaram a viajar mais para o exterior, ficaram conhecendo ambiente mais organizado, mais seguro, mais previsível. Os de mais idade fazem planos para uma aposentadoria longe de assaltos, balas perdidas, trânsito caótico; em lugares onde possam passear, sair à noite, ir a restaurantes e a espetáculos com mais frequência. Todos dizem que fora do Brasil e vida é mais barata e, óbvio, mais segura.

As gerações mais jovens são o maior patrimônio de uma nação; elas são a garantia de sobrevivência, de continuidade, de futuro. Por isso, uma país como Portugal, nossa matriz, abre as portas para jovens com conhecimento. Com 11 milhões de habitantes e natalidade baixa, Portugal incentiva a vinda de jovens bem formados, que vão ser cidadãos úteis e produtivos para o país. Nossa pátria-mãe tem noção de algo que o Brasil parece ter perdido. Interessante que haja milhares de brasileiros ilegais nos Estados Unidos - calculam em mais de 100 mil - que fugiram do país cheio de leis trabalhistas para buscarem emprego no país que não tem leis trabalhistas.

O que está havendo conosco? Que desânimo é esse? O que perdemos ou o que nos tiraram? Já que estamos em clima de Copa do Mundo, lembro do tricampeonato no México, em 1970. Eu tinha quase 30 anos e testemunhei o entusiasmo do “Pra Frente Brasil”, do “80 Milhões em Ação”, que ajudou a fazer o Milagre Econômico: o país cresceu, por três anos consecutivos, à média de 11,2% ao ano - um crescimento chinês. Não havia desemprego. Atividade econômica plena.

Por puro entusiasmo, que mandava os que pegaram em armas para implantar aqui uma ditadura socialista(como conta um deles, Fernando Gabeira), irem embora: “Brasil, ame-o ou deixe-o” dizia o plástico nos vidros de grande parte dos automóveis. 

Pois agora querem deixar o país aqueles que o amam. Uma tragédia.

Alexandre Garcia

Texto extraído do Facebook Oficial de Alexandre Garcia


segunda-feira, 9 de abril de 2018

O MODELO MORO - Alexandre Garcia


O Modelo Moro 

Um juiz que tem em mãos processos envolvendo tanta gente poderosa e que aceita ser o alvo das perguntas e câmeras de um programa como Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, tem que ser uma pessoa extremamente confiante em sua própria sensatez. O risco é enorme. Qualquer pré-julgamento, qualquer opinião fora dos autos, pode ser argumento para ser contestado pelas defesas - que por tantas vezes já pediram seu afastamento de processos de corrupção. Pois por hora e meia o juiz Sérgio Moro correu esse risco, submetendo-se a perguntas de cinco jornalistas e aos olhares implacáveis das câmeras que acompanharam seus gestos, feições e olhos de todos os ângulos. E não tropeçou nenhuma vez; nenhum vacilo, nenhuma irritação, nenhum arroubo de estrelismo diante das luzes daquele plenário que o cercava.

Em pergunta alguma perdeu a naturalidade. Mostrou que é um juiz equilibrado, calmo, racional, sem paixões e preconceitos. Com profundo conhecimento do mundo que o cerca, respondeu, no entanto com humildade, com simplicidade, passando a imagem de sinceridade nas posições. Em nenhum momento foi além dos limites da lei e de seus deveres como julgador. Depois do que se viu e ouviu na semana passada no Supremo Tribunal, Moro foi um jato de esperança a robustecer a aposta na Justiça, no país que vai perdendo referências civilizatórias. Quando o programa terminou, ficou a impressão de que o Brasil teve muita sorte quando a operação que começou num lava-jato de Brasília, envolvendo pessoas com domicílio no Paraná, tenha ficado na Vara Federal do juiz Sérgio Moro.

Quando tinha em mãos o caso do escândalo do Banestado(Banco do Estado do Paraná), com evasão em dezenas de bilhões em divisas, o juiz Sérgio Moro foi criticado por excessos e levado, por isso, ao Conselho Superior de Justiça, que arquivou o caso. Com humildade, inscreveu-se em cursos da Polícia Federal para aprender mais sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Sentou-se nos bancos escolares da PF e acabou considerado pelos policiais como um exemplo de juiz que se aproxima da origem da Justiça - o inquérito policial - para aprender. O juiz mostrava então que a toga serve com mais justiça quanto mais conhecimento tiver do crime. Por isso suas sentenças têm sido irrepreensíveis. Ao se expor no programa da TV Cultura, em nenhum momento foi acuado por perguntas de jornalistas que certamente se prepararam para o interrogatório.

Moro virou celebridade mas não sai de si nem levita. Continua sendo um juiz de primeira instância e não um artista. Ainda que se deva repetir que juiz só fala nos autos, a situação por que passa o país precisa de manifestações públicas dele, porque se tornou um símbolo da lei e da justiça  - no país da impunidade, da desordem civil, das leis circunstanciais, em que o princípio de que todos são iguais perante a lei se tornou uma farsa em que fingimos acreditar. Um país que fala em democracia todos os dias é porque tem apenas um arremedo dela. Estados Unidos e Alemanha não ficam falando em democracia - porque é o fato básico, corriqueiro. Sem ordem, sem justiça que desestimule os corruptos e criminosos em geral, jamais chegaremos a ser uma democracia. Sérgio Moro é uma esperança, um modelo, de que sem histrionismo, sem populismo e com simplicidade, revela um modelo para recuperarmos o caminho perdido.
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Alexandre Garcia
Jornalista
Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e colunista político brasileiro. Foi porta-voz do último presidente do período do regime militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Wikipédia
Nascimento: 11 de novembro de 1940 (77 anos), Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul


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