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sábado, 18 de abril de 2020

O AMOR - Gibran Khalil Gibran


            Então, Almitra disse: “Fala-nos do Amor”.


            E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão, e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, ele disse:

            “Quando o amor vos chamar, segui-o.

            Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;

            E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,

            Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;

            E quando ele vos falar, acreditai nele,

            Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.

            Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica. E da mesma forma que ele contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda.

            E da mesma forma que ele sobe à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,

            Assim também desce até vossas raízes a as sacode no seu apego à terra.

            Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.

            Ele vos debulha para expor a vossa nudez.

            Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.

            Ele vos mói até a extrema brancura.

            Ele vos amassa até que vos torneis maleável.

            Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.

            Todas essas coisas, o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.


            Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,

            Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor,

            Para entrar no mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.

            O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.

            O amor não possui e não se deixa possuir.

            Pois o amor basta-se a si mesmo.

            Quando um de vós ama, que não diga: ‘Deus está no meu coração’, mas que diga antes: ‘Eu estou no coração de Deus’.

            E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.

            O amor não tem outro desejo, senão o de atingir a sua plenitude.

            Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes vossos desejos:

            ‘De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta a sua melodia para a noite;

            De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;

            De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor;

            E de sangrardes de boa vontade e com alegria;

            De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;

            De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor;

            De voltardes para casa à noite com gratidão;

            E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança’.”


(O PROFETA)
Gibran Khalil Gibran

           
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Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.
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VIDA E OBRA DE GIBRAN (1)

          Seu nome completo é Gibran Khalil Gibran. Assim assinava em árabe. Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada de Khalil Gibran. É mais comumente conhecido sob o simples nome de Gibran.

Nasceu em 6 de dezembro de 1883, de pais pobres, em Bicharre, na montanha do Líbano, a uma pequena distância dos Cedros milenares. Tinha oito anos quando, um dia um vendaval passa por sua cidade. Gibran olha, fascinado, para a natureza em fúria e, estando sua mãe ocupada, abre a porta e sai a correr com os ventos. Quando a mãe, apavorada, o alcança e repreende, ele lhe responde com todo o ardor de suas paixões nascentes: “Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!” (Seu melhor livro em árabe será intitulado Temporais).

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sexta-feira, 17 de abril de 2020

O CARA É FORTE DEMAIS - Fernando Takeshi

"O cara é forte demais

Em plena guerra cultural, um tiozão de 60 e poucos anos, sentado, de chinelo, na frente do palácio do alvorada, é capaz de fazer arrepiar até o último fio de cabelo de todo um império corrupto.

Todas as tentativas de encurralá-lo foram em vão, todas as vezes que ele parecia fraquejar, ele virou a mesa. Todas as narrativas criadas pela extrema mídia e pela esquerda, viraram pó diante das suas atitudes.

Por que você acha que agora será diferente?

- Fez feminista defender a família.

- Fez abortistas se preocuparem com a vida durante o COVID-19.

- Fez profanos odiarem a expressão "golden shower", após um Carnaval.

- Fez a própria Globo repudiar expressões do médico Drauzio Varella.

- Fez a Globo atacar a própria atriz Regina Duarte, após indicação á cargo.

- Fez pessoas pró-drogas começarem a se questionar acerca de efeitos colaterais de medicamentos.

O tiozão de 60 e poucos anos é o maior estrategista da história do BRASIL!

Muitas coisas ainda estão por vir.

#EstouComBolsonaro"


Texto: Fernando Takeshi

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MANDETTA, O INGRATO! – Cláudio Magnavita


15 Abril 2020
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República

Ministro entrará para a história como o homem que tentou fritar quem o nomeou e jogou uma oportunidade única de escrever seu nome nos anais da medicina

Por Cláudio Magnavita*

Há uma máxima na medicina de que todo o médico ortopedista é grosso, truculento e bruto. Não é função para pessoas sensíveis e delicadas. Não se trata de nenhum demérito à especialidade, mas um pré-requisito até para um bom ortopedista.

Foi exatamente esta a especialidade que o acadêmico da Gama Filho do Rio, Luiz Henrique Mandetta, escolheu para seguir a sua carreira.

Nos últimos dias ele tem exercido com perfeição o papel truculento nas relações que emanavam a sua fonte de poder.

Nunca um brasileiro jogou fora uma oportunidade histórica por puro egocentrismo e a incapacidade de perceber que parte da bajulação que recebia tinha um objetivo único: ferrar o seu chefe, constranger aquele que o ungiu ao cargo mais importante da saúde no Brasil.

Por ter tido dois mandatos de deputado e por ter tido duas campanhas financiadas por patrocinadores, que depois viraram fornecedores do próprio Ministério sem ter licitação, não se pode dizer que Mandetta foi um inocente útil na mão de uma oposição velada, e por parte da mídia que quer implodir a popularidade de Bolsonaro.

O certo é que o ministro foi inábil, partiu para o confronto, acreditando que em plena crise ninguém seria capaz de exonerá-lo. O apoio que recebeu de colegas e até da turma verde-amarela do Palácio se esfacelou por pura deslealdade.

Faltou humildade a Mandetta, faltou perceber que ele não era mais detentor de um mandato, no qual teria imunidade por fazer e desfazer ao bel prazer.

Ele estava preso a uma cadeia de comando, a uma delegação de poderes, a uma hierarquia que um dia o nomeou e, como falamos antes, o ungiu ao cargo mais alto da saúde do país. E o que ele fez? Passou os últimos dias, destruindo os tênues fios que o ainda o sustentava.

Como um médico, um brasileiro, um pseudo apaixonado pela ciência, joga fora a maior oportunidade de sua vida por simples orgulho? Por vaidade. Ele não poderia ter usado o seu charme para convencer o presidente dos seus pontos de vista? Não poderia usar a sua eloqüência para equilibrar os ritos do poder?

Por que ser irônico? Por que se aliar a inimigos? Será que o cansaço e o esgotamento físico levou um tarimbado homem público a perde o dom do diálogo?

Mandetta cometeu todos os pecados que um ocupante de uma função de confiança não deveria cometer. Desafiou publicamente o chefe. Foi desleal com os colegas que enfrentaram o presidente e avalizaram sua permanência. Foi desleal com o seu currículo, jogando fora o juramento de Hipócrates, pilotando o maior plano de emergência de saúde da história da humanidade.

Ele vai sair do Governo e vai se abrigar em São Paulo ou em Goiás, atrás de uma trincheira nitidamente de oposição. Será julgado pela história não pela sua capacidade de tentar acertar, mas de não ter a humildade e o jogo de cintura para permanecer em uma função que o destino lhe deu e que, por burrice política, deixou escapar pelas mãos.

A história será implacável, mas o carimbo de traidor e sobretudo de ingrato está fixado em seu currículo. Um ministro que durante semanas fritou o seu próprio presidente e que foi incapaz de perceber que estava fazendo o jogo de uma oposição inconformada de ter no Palácio do Planalto um homem disposto a quebrar paradigmas, acabar com privilégios e que, pela primeira vez, deu carta branca e porteira fechada a todos os seus ministros. Infelizmente, no caso do ortopedista Luiz Henrique Mandetta, ele não soube usar.

*Cláudio Magnavita é diretor de Redação do Correio da Manhã


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quinta-feira, 16 de abril de 2020

HISTÓRIA DE LAURA PALMER – Cyro de Mattos


História de Laura Palmer
Por Cyro de Mattos

              
           Ela nunca soubera o tempo de escutar a própria voz e se sentir em disponibilidade de si mesma. Pouco a pouco, uma realidade foi sendo constatada em seus ângulos desconhecidos. Respirava entre pessoas que se encontravam para manter um ritmo sem qualquer atrativo humano especial, apenas para alimentar certo rótulo social e econômico, exibido com enorme satisfação como um trunfo que poucos na vida conseguem. Perfis da vitória nos seus acentos circunflexos, gestos redondos que se intumesciam de prazer, na mesa a prata castiça, iguarias e bebidas raras. Os dias desfilavam sob o peso de uma mentira constante. Por acaso existirá no mundo algo mais triste do que a solidão em família com as palavras encobrindo verdades e ferindo como faca? Ela tinha tudo em suas mãos, mas o sonho de viver livre era um passo que parecia impossível de ser dado. Um pássaro que não voava, com o seu canto prisioneiro guardado numa gaiola de ouro era mesmo uma coisa sem sentido. E o dissabor da realidade desse pássaro artificial atingiu o ponto máximo quando ela percebeu que os filhos não precisavam mais dela, e o marido, o banqueiro mais famoso da cidade, fechado no mundo dos negócios, era uma pedra que se lançara para o fundo de um poço.

            Um grito então aconteceu. Como algo especial que se aqueceu em segredo e apareceu na paisagem para se propagar com os dias plenos de ardor. Laura Palmer, senhora de alta sociedade, mãe de três filhos, todos casados, em romance com Clarindo Mali, compositor negro, cantor do bloco Olodum, que neste ano vai apresentar durante o carnaval o tema “Dogons, o povo das estrelas”, e mostrará como se deu a criação, a origem da vida, do nosso planeta e do universo. O bloco irá mostrar no desfile dessa temporada a importância do respeito às águas, o amor às estrelas, de onde viemos e para onde vamos voltar um dia. Milionária divorciada grava o seu primeiro CD e entra com surpreendente sucesso no mundo apaixonante da música popular. E fofocas e comentários e disse me disse. Ela assim conheceu que aquele grito deveria ter sido dado muito antes. Aos dezessete anos talvez. Na plena força da idade quando o coração pulsa com o fulgor maravilhoso de um sol, a irradiar luz por todos os recantos. É bom caminhar assim e sorrir e chorar. Esta a vida do ar, do amar e do sonhar, pensou.

          Na medida em que se via penetrada das cores da realidade nova, ela se sentia levada por ondas que iam deixando para trás cenas de uma alma saturada de coisas insignificantes. Havia circulado naquele tempo habitado por rostos sem brilho, beijos sem afeto, dedos sem entrelaço. Que droga, aquela havia sido a sua estrada? Quanta insinceridade, meu Deus, as pessoas haviam colocado nisso tudo, nessa estrada horrível, a essa altura comprida. Pessoas de seu círculo formaram logo opiniões. Quiseram tomar detalhes, reincidiram nas visitas, mostraram-se inconformadas com aquela mudança súbita. No fundo mesmo ficaram revoltadas com a altivez acentuada que surgiu dos traços harmoniosos de seu rosto. Alguns parentes, não conseguindo ferir os encobertos objetivos, utilizaram-se das armas do desprezo, coação e censura.

         A propósito, há poucos dias sua mãe fez a seguinte observação: Depois de velha, você entendeu de ser artista... E ela, agora eu sou livre, l-i-v-r-e. E seu ex-marido, o banqueiro Carlos, deixou um pouco de lado o mundo dos sucessos econômicos e resolveu também interferir. É essa a maneira de você retribuir aos filhos o amor que eles sempre dedicaram a você? E ela: Na minha maneira de ser nada mudou para eles, apenas agora eu estou vivendo. E os filhos por sua vez disseram que não acreditavam no que estava sendo publicado nas colunas sociais dos jornais e revistas. Esses comentários chocam muito. E ela, não vendo qualquer motivo que justificasse esconder a verdade, procurou deixá-los a par de tudo.  Vocês não devem sofrer por isso, gostaria de dizer a vocês o inverso do que eu ouvi dos meus pais, o oposto de tudo o que eu aprendi com eles. Concluindo: Sinto-me na vida. E mil coisas agradáveis, marcantes, ela passou a conhecer.

         Aconteceu ela cruzar inúmeros caminhos, descobrir-se com uma infinidade de pessoas, cuja beleza consistia em fazer da vida uma realidade simples, espontânea, habitada nos seus movimentos cotidianos à vontade por ondas de calor e brilho forte.. E recentemente lhe tocou uma emoção grande quando aquele rosto tão jovem aproximou-se dela e perguntou qual seria o título do seu livro de memórias e ela, irradiando serenidade e alegria, sem hesitar um minuto sequer, respondeu: Viver.
                                    

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Cyro de Mattos - Ficcionista e poeta. Publicado em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, dinamarquês, russo. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. É membro titular da Academia de Letras da Bahia e da Academia de Letras de Ilhéus. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC.

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BIOS CONTRA MAMON - Marcos Luiz Garcia


16 de abril de 2020


Marcos Luiz Garcia

O coronavírus está mudando a fisionomia do mundo. Mais precisamente, as medidas preventivas estão mudando completamente a situação mundial. Será razoável? Será proporcional?

As autoridades divergem em suas avaliações. Só uma coisa é sólida: o empobrecimento acentuado dos países.

Antigamente, o zelo do clero e a fé dos fiéis se traduziam em tais ocasiões em cerimônias nas quais orações acompanhadas de ardentes e ininterruptos pedidos de misericórdia subiam ao Céu até obter de Deus a cessação da epidemia, da catástrofe, da guerra.

Hoje, não. As igrejas estão fechadas, inclusive não ocorreram as cerimônias de Semana Santa com os fiéis. Por quê?

Porque não se acredita mais que dessas celebrações se obtêm os grandes auxílios sobrenaturais. Até fontes de milagres como Lourdes foram fechadas!

Acompanhe-me, por favor, no seguinte raciocínio.

Após as transformações operadas pelo Concílio Vaticano II acentuou-se no mundo moderno a ideia de que o mais importante na vida é ter saúde e dinheiro.

Mesmo dentro das igrejas, o maior empenho era pela vida, simplesmente, não pela vida humana que é espiritual, mas pela vida humana no que ela tem de “animal”. “Somos pela vida” era o que mais se ouvia.

Além disso, a sociedade em geral sobrevalorizou a um grau extremo a ideia de que, além da saúde, o importante era ganhar dinheiro e, consequentemente, de que as pessoas, com ou sem vocação, deveriam cobiçar um diploma universitário, em detrimento de outras profissões dignas e indispensáveis à sociedade.

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira disse inúmeras vezes que a sociedade estava ficando de tal maneira paganizada, que Deus já não lhe dizia quase nada. Mas que a saúde e o dinheiro diziam tudo. Esse duplo interesse ele o comparou aos dois deuses da mitologia pagã: Bios (o deus da vida, da saúde) e Mamon (o deus do dinheiro).

Esses falsos deuses imperaram até há pouco.

O Sínodo da Amazônia, conforme afirmado por Dom Claudio Hummes, estava preparando uma Igreja com nova fisionomia, não só para a Amazônia, mas para o mundo inteiro. Seria a igreja dos pobres, ela mesma pobre e miserável.

Eis palavras de Dom Hummes na catacumba de Santa Domitila, por ocasião de uma renovação do Pacto das Catacumbas, realizado durante o Sínodo da Amazônia: “Todas as grandes maldades do mundo são por causa do dinheiro; é a corrupção, é o roubo, guerras, conflitos, são mentiras. Tudo para juntar dinheiro, para ganhar dinheiro às custas de qualquer coisa. O dinheiro é o grande inimigo de Jesus, pois você não pode servir a Deus e ao dinheiro.”

Estranha coincidência o fato de todas as medidas preventivas globais contra o Covid-19 serem de molde a empobrecer sensivelmente os povos não comunistas…

Mas como fazer para que uma população mundial ávida de dinheiro e de prazer se resigne a abrir mão de seu dinheiro, dinheirão ou dinheirinho?

A estratégia foi jogar o deus Bios contra o deus Mamon, ou seja, a saúde contra o dinheiro, pois viver é ainda mais forte do que possuir. É preferível empobrecer a morrer.

Se este raciocínio for verdadeiro, não estranharia que as esquerdas tentassem de tudo para aproveitar essa tragédia para empurrar a população mundial rumo a uma pobreza cubana, venezuelana ou chinesa.

Verdade ou não, o certo é que aos olhos dos devotos de Nossa Senhora de Fátima se trata do descumprimento total dos desejos manifestados por Ela em sua Mensagem, ou seja, que os homens fizessem penitência e se convertessem de seus pecados. O que estamos vendo é a degringolada moral pasmosa que atingiu toda a humanidade.

Hoje estamos com todas as igrejas fechadas, inclusive a própria basílica de São Pedro, no Vaticano, fechadas. O clero católico se curvou diante de Bios e mostrou que sua fé é fraca, se é que ainda existe. Porque outrora seus membros iam para junto dos enfermos para atendê-los e confortá-los na hora extrema. E muitos morriam por se exporem heroicamente à contaminação pelo bem das almas.

Como não poderia deixar de ser, Nosso Senhor Jesus Cristo está suscitando clérigos heroicos, com fé ardente e inabalável, capazes de não se vergarem diante de Bios nem de Mamon, nem do Covid-19, mas de cumprir heroicamente sua missão de preencher os tronos do Céu com almas santas.

Embora minoritários, crescem a cada dia. Rezemos a Nossa Senhora de Fátima por eles. E peçamos acima de tudo a Ela que não permita a extinção da Santa Missa e dos demais sacramentos da única Igreja verdadeira e faça vir o quanto antes o triunfo do seu Imaculado Coração.


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quarta-feira, 15 de abril de 2020

“PROGRAMAÇÃO PREDITIVA” E A PROPAGANDA EM TEMPOS DE CRISE – Daniel Lopez


O anseio por explicações angustia a população, presa às incertezas do futuro. Uma coisa, porém, é certa: há muita manipulação em jogo, seja econômica, política ou ideológica. Em círculos mais restritos, esse processo de falsificação da realidade é chamado de “propaganda”

Daniel Lopez, teólogo e doutor em linguística: “A pandemia trouxe uma oportunidade de reflexão sobre os jogos de propaganda midiática”

Em tempos de pandemia, sentimos prazer ao observarmos a virtude humana sobressair no trabalho incansável dos profissionais dedicados a manter minimamente a ordem social em meio ao caos. Por outro lado, vícios também são revelados. Fraudes online crescem vertiginosamente, homicídios aumentam em determinados locais, ainda que, em certos casos, o indício de furtos tenha decaído, provavelmente em virtude da menor circulação de pessoas.

Multidões buscam, na internet, respostas para perguntas que nem os maiores especialistas ainda encontraram. O anseio por explicações angustia boa parte da população, presa na incerteza do que virá no futuro. Não sabemos ao certo como acabará essa história. Uma coisa, porém, é certa: há muita manipulação em jogo, seja econômica, política e ideológica. Em círculos mais restritos, esse processo de falsificação da realidade é chamado de “propaganda”. É nesse mundo da perversão dos fatos para fins particulares que se situa, por exemplo, a Programação Preditiva, conceito que aqui utilizo como ensejo para uma reflexão sobre a estranha realidade dos dias atuais.
Programação Preditiva é uma teoria – um tanto conspiratória - segundo a qual governos ou uma elite poderosa estariam usando filmes, programas televisivos e livros de ficção como ferramentas de controle das massas. O objetivo seria adestrar a população para aceitar como válidos eventos projetados para o futuro. Proposta pela primeira vez pelo pesquisador Alan Watt, a estratégia tornaria as pessoas mais propensas a aceitar uma nova realidade imposta. 
Nesse contexto, a indústria cultural funcionaria como veículo para implementar essa tática de propaganda. Isso porque, ao assistir algo que uma pessoa normalmente percebe como entretenimento, a resistência crítica é reduzida e as mensagens são recebidas com maior facilidade.
Há quem aponte uma relação entre a Programação Preditiva e a Teoria da Aprendizagem Social. A Aprendizagem Social é a capacidade de reproduzir um comportamento observado, funcionando, portanto, com base na imitação. No experimento mais popular relacionado a essa teoria, as crianças batem ou ignoram um boneco de palhaço, dependendo do comportamento que viram ser exibido por um adulto.
Muitos reputam como exagerada essa concepção da maneira como os eventos são premeditados. Um nome, porém, é capaz de trazer um fio de realidade a essa teoria. Estou me referindo a Chase Brandon. Ele trabalhou durante trinta e cinco anos como oficial de operações clandestinas da CIA. Aposentou-se em 2006, mas continua prestando consultoria para diversas instâncias da comunidade de inteligência, do Departamento de Defesa e para várias organizações estaduais e federais americanas. 
Em sua missão final, Brandon era um oficial sênior da diretoria da Agência Central de Inteligência, atuando como porta-voz da organização e - o mais importante para nós aqui - como contato oficial da CIA com a indústria do entretenimento. Ele prestou consultoria técnica a muitos filmes, séries e documentários, como Missão Impossível III, Identidade Bourne e 24 Horas, além dos canais Discovery, Learning e Military. Chase Brandon era exatamente a conexão entre os projetos do serviço de inteligência e os produtores de Hollywood. A mais poderosa indústria cultural do mundo tinha nele a ligação com a maior agência de propaganda americana.
Supondo que a Programação Preditiva não seja tão delirante, e sabendo que há um link direto dos serviços de inteligência com a indústria do entretenimento, proponho um exercício prático. Nele, analisaremos um episódio dos Simpsons, que pode funcionar como um importante exercício para entendermos o que está acontecendo no mundo hoje. Não quero dizer que o episódio previu o futuro, mas creio que serve como uma perfeita metáfora para extrairmos algumas reflexões sobre a estranha realidade que hoje nos cerca. 

O episódio em questão se chama “The Fool Mounty, e foi ao ar na vigésima segunda temporada dos Simpsons, no dia 21 de novembro de 2010. No enredo, preocupado com a queda de receita, um grupo de executivos da televisão marca um encontro secreto para descobrir como fazer as pessoas assistirem mais TV. A ideia seria criar uma crise de saúde pública, para que os telespectadores fossem forçados a voltar a assistir o noticiário em busca de informações importantes sobre a epidemia.

Eles decidiram que uma epidemia causada por uma "gripe do gato doméstico” traria o resultado esperado, uma vez que causaria medo a um grande número de pessoas. O agente da gripe foi testado pela primeira vez num representante da emissora NBC, e provou ser eficaz, quando a “cobaia” sofreu uma morte horrível e dolorosa. A notícia da gripe doméstica foi anunciada na TV. As pessoas ficaram com medo de seus gatos, e algumas até tomaram medidas extremas, como queimar todos os itens que seus animais domésticos haviam tocado.

Mais tarde, uma vacina foi anunciada e as pessoas enfrentavam longas filas para obtê-la. Porém, como meio para manter o pânico (e impedir que a audiência caísse), a vacina foi racionada para uma criança por família. No final da história, não se sabe como a epidemia foi resolvida ou se o público descobriu o que a causou.

O mais curioso, porém, está nos diálogos. Quando olhamos as falas dos personagens no episódio em questão, alguns detalhes curiosos saltam aos olhos. No topo da Estátua da Liberdade, acontece a reunião secreta dos donos de todas as grandes empresas de mídia dos Estados Unidos. O líder da reunião diz: “Eu telefonei para vocês para reunir este grupo secreto dos impérios da mídia americana. Estamos aqui para apresentar a próxima crise falsa para colocar os americanos de volta onde eles pertencem - em salas escuras, colados às suas televisões, aterrorizados demais para pular os comerciais”. O chefe continua dizendo: "Eu acho que devemos usar a velha estratégia de criar uma crise de saúde”.

Neste momento, uma das mulheres participantes diz: "Uma nova doença! Ninguém está imune! É como o Verão do Tubarão, exceto que, em vez de um tubarão, é uma epidemia. E, em vez do verão, é o tempo todo!”. Permitam-me abrir um parêntesis aqui para explicar um detalhe.

O “Verão do Tubarão" refere-se à cobertura de ataques de tubarão pela mídia americana no verão de 2001. A abordagem sensacionalista começou após um incidente no fim de semana de quatro de julho, que vitimou Jessie Arbogast, um menino de 8 anos, e continuou quase inabalável - apesar de não haver evidências de um aumento real dos ataques - até quando aconteceu da derrubada das Torres Gêmeas no dia onze de setembro, que desviou a atenção da mídia. Desde então, o “Verão do Tubarão" é lembrado como um exemplo de sensacionalismo televisivo, que perpetua uma história sem fundamento como parte de uma estratégia para aumentar a audiência.

Voltando aos diálogos do episódio dos Simpsons, temos, agora, o detalhe mais importante. Um dos homens diz: “Olha eu odeio ser o cara que que estraga a festa, mas nós temos padrões. Isso não pode ser uma doença inventada. A única coisa moral a fazer é lançar um vírus mortal no público em geral". O líder da reunião responde o seguinte: "Temos algo em que estamos trabalhando, mas ainda não foi testado”.

Ele então injeta uma seringa no representante da NBC, que cai, aparentemente morto. Todos na sala dizem: "Uau. Uau! Oh sim! Então, nós temos nossa doença mortal. Agora só temos que culpar algo que está em todas as casas, algo que as pessoas já têm um pouco de medo”. Logo em seguida, corta para uma notícia urgente na televisão, em que o apresentador diz: "A gripe do gato doméstico está chegando, pessoal! O Centro de Desinformação de Doenças prevê com algum grau de probabilidade que a gripe do gato doméstico irá espalhar-se de forma rápida”. E o programa segue com o desenrolar da história.

Comparando com o que estamos vivendo hoje, será que se trata de um exemplo da Programação Preditiva em ação?

Não. Mas tais coincidências nos oferecem uma oportunidade de reflexão sobre os jogos de propaganda midiática que estamos vendo diante de nossos olhos. Enquanto americanos culpam a China, e chineses afirmam que foi o Pentágono que levou o vírus a Wuhan durante os Jogos Mundial Militares em outubro de 2019, a mídia segue aumentando sua audiência. Em vez do gato doméstico, temos o morcego, o pangolim e até um tigre do zoológico de Nova York. O problema é real, vidas estão sendo perdidas e ainda não sabemos como isso vai terminar. Mas uma coisa é certa: a guerra de propaganda segue forte como nunca.

Daniel Lopez (@Daniel_L_Lopez no Twitter)
Teólogo, doutor em linguística e pastor da Bola de Neve

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CARDEAL BIRMANÊS ATACA O PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

15 de abril de 2020

Péricles Capanema

O cardeal na linha de frente. O cardeal Charles Bo é arcebispo da arquidiocese de Yangon em Myanmar. É o primeiro cardeal birmanês, nasceu em 1948, foi bispo em 2003, cardeal em 2015, preside a Conferência da Federação dos Bispos Asiáticos.

Localização. A antiga Birmânia, hoje República da União de Myanmar, 678 mil km2, por volta de 55 milhões de habitantes. Cerca de 700 mil de seus habitantes são católicos.

Declaração histórica contra o despótico PCC. O cardeal-arcebispo, cujo país tem fronteiras com a China (quase 10 milhões de km2, 1,5 bilhão de habitantes) divulgou em fins de março, a propósito da crise do coronavírus, corajosa e esclarecedora declaração contra o Partido Comunista Chinês. A declaração foi entregue à imprensa, repercutiu em particular na Europa, e encontra-se na íntegra no site da Arquidiocese. [neste site da ABIM encontra-se a tradução no seguinte link: http://www.abim.inf.br/o-regime-chines-e-sua-culpabilidade-moral-pelo-contagio-global-covid-19/ ]. Logo no começo, afirma o Purpurado: “Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi Jinping”.

Estudos demolidores. Continua o arcebispo de Yangon: O London Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas reivindicações em trilhões (de dólares)”.

Prossegue o cardeal Bo, citando estudos: “Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso desencadeou um contágio global matando milhares”.

O PCC é réu. Pondera o hierarca: “Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo, devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados ​​de não se terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan. Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo”.

Mentiras disseminadas, verdades escondidas. O cardeal avança: “Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme — como o Dr. Li Wenliang no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para ‘parar de fazer comentários falsos’. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado de que seria investigado por ‘espalhar boatos’ e foi forçado pela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair coronavírus. Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do regime chinês”. 

Perseguição religiosa crescente. O cardeal Charles Bo denuncia a perseguição crescente na China: “Mentiras e propaganda colocaram em perigo milhões de vidas em todo o mundo. A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência”.

O PCC, ameaça para o mundo. O cardeal sobe o tom: “Através de seu tratamento desumano e irresponsável do coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma ameaça ao mundo”. 

Responsabilização lógica. E conclui: “O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse regime”.

Exemplo para ser imitado. O purpurado desafiou perseguidores, evidenciou clareza, firmeza e coragem. É o que infelizmente falta a sem-número de dirigentes ocidentais, comodamente instalados a milhares de quilômetros de Pequim. Que sigam o exemplo do Purpurado birmanês, voz desassombrada ecoando de um país fraco e limítrofe com a China. Seu brado soa como o de guerreiro solitário resistindo investida de chusmas soldadescas. Que Deus o proteja.



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