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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

TRÊS GRANDES REVESES (IRREVERSÍVEIS) DA CHINA COMUNISTA – Marcos Machado

9 de agosto de 2020

Marcos Machado

 

Não esperemos da mídia alinhada com a esquerda um noticiário imparcial sobre os revezes do chamado “gigante” asiático. Nunca vão informar que a China não tem agropecuária suficiente para alimentar seus 1.4 bilhões de habitantes. Nem que lhe faltam matérias-primas como ferro (do Brasil), cobre (do Chile), petróleo. Menos ainda que seu caráter autoritário e ditatorial causa repulsa no mundo livre.

E não são os “deuses” nem as “más fadas” que estão empalidecendo a “estrela” de Pequim. Como veremos, é o próprio comunismo chinês.

Como, aliás, está no mais baixo patamar que se possa imaginar a “estrela” petista, que seus aliados de sempre — o falso Centrão e os bispos de esquerda — tentam salvar. A recente Carta dos 152 bispos progressistas, articulada pelo amigo de Lula, Dom Cláudio Hummes, é disso a mais recente prova.

China, onde o feitiço virou contra o feiticeiro

O desgaste da imagem da China varre o Ocidente e as nações livres do Oriente e se deve em boa medida a uma cartada mal jogada do PCCh com a pandemia.

“As observações do embaixador chinês nos EUA vieram quando uma nova pesquisa da Pew Research descobriu que dois terços do público dos EUA tinham visões desfavoráveis sobre a China — um novo aumento significativo dos 47% quando Trump assumiu o cargo em 2017. Quase três quartos dos americanos disseram não ter ‘nenhuma confiança’ no presidente chinês Xi Jinping para ‘fazer a coisa certa em relação aos assuntos mundiais’. Retórica anti-China, incluindo a repetida descrição de Trump da doença como o ‘vírus chinês’”.1

A culpa da China na pandemia ficou clara aos olhos de todos e os processos trilionários contra ela estão em curso no mundo inteiro. Culpa em encobrir a origem do vírus, em ocultar a sua expansão e periculosidade, em tentar vender medicamentos e suprimentos de má qualidade para combater o vírus.

Esses são fatos notórios, não precisam de demonstração.

O PCCh não entende de diplomacia

Habituados à maneira comunista de ver o mundo, as relações humanas, a diplomacia, os chineses comunistas do PCCh não conseguem ser amáveis, jeitosos, acolhedores. As mesmas táticas que usam intramuros para sufocar dissidências e justas manifestações de liberdade, eles as aplicam na diplomacia, no trato com os países livres.

“A China exigiu no dia 2, que o Canadá pare com a extradição aos Estados Unidos de Meng Wanzhou, diretora financeira da multinacional chinesa de telecomunicações Huawei, um processo autorizado pelo governo do país”.

“‘O abuso por parte de Estados Unidos e do Canadá de suas regras de extradição é uma grave violação dos direitos legítimos de um cidadão chinês’, disse hoje o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Lu Kang”.2

A reação intempestiva contra a Austrália, que pedia uma investigação independente da origem do vírus chinês, foi assim noticiada: “O embaixador chinês Cheng Jingye ameaçou em 26 de abril que o ‘público chinês’ possa boicotar as exportações australianas, o turismo e o setor universitário se o governo continuar com o inquérito”.3

Acrescentamos: falar em “público chinês” num país dirigido ditatorialmente pelo PCCh é cinismo do embaixador.

Guerra comercial com os EUA e violação dos direitos fundamentais

O recente fechamento do consulado chinês em Houston (Texas), por acusações de espionagem, vem numa esteira de medidas do governo Trump contra o PCCh. Ele inclui desde guerra de tarifas, proibição de visto, roubo de propriedade intelectual, suborno de cientistas, até graves denúncias de perseguição religiosa e campos de confinamento de uigures.

A China vence o ranking da violação dos direitos da pessoa humana, da censura na internet, da liberdade de expressão. A Lei de Segurança Nacional de Hong Kong nos dá disso mais uma prova, ao violar os acordos com o Reino Unido em 1985.

A consequência dessa série de violações é clara: o Mundo Livre começa a acordar, a perceber que os comunistas não cumprem acordos e que os planos de dominação mundial traçados pelo PCCh lhe escapam das mãos.

A crescente campanha de denúncias contra a Huawei, instrumento de espionagem do PCCh, encontra eco na Austrália, no Reino Unido e em outras nações.

Engano irreversível: O “perfil” do comunista chinês distancia

A “estrela” de Pequim empalideceu. Cabe ao Mundo Livre corrigir os nefastos erros oriundos do otimismo da era Nixon, cujas viagens à China redundaram na industrialização e no enriquecimento dela em detrimento do Ocidente.

As reações em curso, que apontamos neste artigo, constituem a grande esperança do esmagamento final do dragão comunista chinês que oprime e escraviza seu povo.

O Brasil precisa saber fazer suas verdadeiras alianças internacionais a fim de preservar nossa soberania e a integridade territorial. Acordo com comunistas é agenda de esquerda ou do falso Centrão.

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Notas:

https://ipco.org.br/rejeicao-de-xi-jinping-atinge-3-4-tres-quartos-nos-eua-por-que-a-china-nao-abre-os-portoes/

https://ipco.org.br/mais-uma-imposicao-cinica-da-china-impedir-a-extradicao-de-meng-wanzhou/

https://ipco.org.br/congresso-americano-apoia-australia-contra-ameaca-da-china/

 

http://www.abim.inf.br/tres-grandes-reveses-irreversiveis-da-china-comunista/

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

MÁSCARA SE TRANSFORMA EM MORDAÇA – Marcos Luiz Garcia

13 de julho de 2020
                         
                                                                          Marcos Luiz Garcia


          No dia 1º de julho deu-se mais um passo da distensão gradual da quarentena em São Paulo, anunciada previamente pelo governador. Também foi anunciada a desmontagem do hospital de campanha do estádio do Pacaembu.

         Para quem sai às ruas, dir-se-ia que a vida está quase voltando ao normal. Inesperadamente, no momento mesmo de anunciar o relaxamento da querentena, o governador anunciou que o uso da máscara continuará obrigatório, penalizando com uma multa de 500 reais quem for flagrado sem ela. E se for dentro de um estabelecimento comercial, a multa será de 5.000 reais para o proprietário.

         Tudo isto se torna mais compreensivel se nos reportamos ao que foi anunciado pelo Reinformation TV no dia 15 de junho a propósito do Forum Econômico Mundial. Resumindo, pretendem que o mundo passe por um reset e tudo recomece seguindo a pista de um comunismo mundial sob o nome de globalismo.

O que diz a reportagem?

         “‘Nada mais será o mesmo’: quantas vezes ouvimos isso durante o auge da pandemia do COVID-19? O mundo ‘pós-COVID’, repetiu o establishment político da mídia, deveria encontrar um ‘novo normal’. E é de fato o que está ocorrendo: viagens fáceis, relacionamentos interpessoais calorosos, grandes encontros, liberdades individuais e até simples apertos de mão devem parecer dar lugar a um longo distanciamento social em última análise, regras exigentes e vigilância potencialmente drástica. Mas isso é apenas parte da imagem. O Fórum Econômico Mundial — o dos famosos encontros mundiais de Davos — em colaboração com o príncipe Charles da Inglaterra e o Fundo Monetário Internacional, lançou uma iniciativa reveladora que já mostra certos objetivos cuja realização é facilitada pelo grande medo do coronavírus chinês. Chamado ‘The Great Reset’, ele busca ‘reconstruir’ o sistema econômico e social global, a fim de torná-lo mais ‘sustentável’.

         “Essa convulsão de cima para baixo é apresentada como necessária devido ao colapso da economia mundial, ela própria consecutiva ao confinamento geral.

         “A ideia recebeu o apoio total do secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, ex-presidente da Internacional Socialista de 1999 a 2005”. 

         A notícia continua, mas o parágrafo destacado confirma o que temos afirmado: o vírus chinês está servindo de pretexto para a criação de alavancas de controle das pessoas, rumo a uma futura ditadura globalista de caráter socialocomunista, exercida principalmente através da cibernética.

         Numerosos médicos desaconselham o uso ininterrupto das máscaras como as que estamos sendo obrigados a usar, por provocar o que a ciência chama de hipoxemia, que é a deficiência anormal de concentração de oxigênio no sangue e nos tecidos orgânicos.

         Essa exigência do uso das máscaras parece mais a imposição de uma doma, de um bridão, que a maioria das pessoas utiliza sem se dar conta de que estão sendo pouco a pouco “domadas” e acostumadas à perda de sua liberdade e personalidade.

         Sim, e isto já vem de longe: quem se acostumou a certos hábitos irracionais como o uso de roupas furadas ou mesmo pré-manchadas de fábrica, a usar adereços completamente extravagantes e antiestéticos, a ouvir músicas caóticas etc., acabará aceitando sem maior avaliação nem reação imposições dessas.         Incluo neste quadro o uso desequilibrado do smartfone, que concorre para essa dependência.

         Para que o processo de “doma” iniciado a pretexto da pandemia possa continuar é necessário encontrar justificativas.

         A observância das normas sanitárias nas igrejas, imposta pela CNBB, não se vê em nenhuma repartição. Como seria bom se a Lei de Deus e a moral fossem observadas com análogo rigor. Teríamos clero e fiéis em alto grau de santidade.

         Outra faceta dessa “doma” é a ditadura do Judiciário. Mas fica para outra ocasião.

         Uma coisa é certa: esse domínio do Estado sobre as pessoas, iniciado a partir do pânico com o coronavírus, é aquilo que o PT sempre tentou realizar.

         Assim, em vários aspectos da realidade, estamos vivendo um petismo sem PT… Falaram tanto contra a lei da mordaça, e agora petistas e aliados querem amordaçar todos os brasileiros sob a forma de uma máscara imposta pela China. É o primeiro passo para o estabelecimento uma ditadura férrea contra a qual devemos lutar!

         Nossa Senhora de Fátima tenha pena de nós e intervenha o quanto antes nos acontecimentos, conforme anunciou em 1917.


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sexta-feira, 3 de julho de 2020

O VÍRUS DA REVOLUÇÃO MATA O CORPO E A ALMA

2 de julho de 2020
Carlos Vitor Santos Valiense

Uma notícia muito chocante viralizou na internet: um homem, durante uma discussão, foi morto pelo gerente de um supermercado por ter-se negado a usar máscara.*

Não narrarei o fato em seus mínimos detalhes, mas apenas o foco principal: “a briga por causa de uma máscara resultou em uma morte”.

Apesar de essa notícia ainda ser considerada chocante para muita gente, a coisa está ficando diferente. Aquele rapaz, aquela mocinha que luta pela “democracia” publicou foto com os dizeres: “sou estudante e antifascista”; “sou mulher e antifascista”; “sou isso, aquilo, aquilo outro e sou antifascista”. Esses mesmos, por sua vez, dizem: “esse aí, sem mascara, mereceu morrer, ele ia contaminar o supermercado inteiro, colocou em risco a coletividade; fascista, merece morrer!
Atira nele, pouuu!”. Isso é sinistro.

Acredito que a Revolução conseguiu em três meses colocar literalmente o mundo em uma maca de hospital, na maior crise sanitária dos últimos tempos, a qual, ainda pior, afetou as almas, como veremos adiante.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, falando em uma reunião no dia 8 de novembro de 1971 sobre “Epidemias comunistas”, fez a seguinte suposição: “Se alguém conseguisse provar — o que, aliás, não é verdade, mas se houvesse uma prova disso — que o comunismo espalha epidemias, o partido comunista ficava reduzido a zero, porque toca num dos ídolos, que é a saúde.” Em tempos de coronavírus essa suposição é prenhe de verossimilhança.

A crise causada pelo Comunavírus não só colocou a população em uma prisão domiciliar, mas levou os sacramentos católicos de volta às catacumbas.

Presenciamos hoje, da pior forma possível, algo que nos seria dado conhecer somente através dos livros que narram a história dos mártires dos primeiros séculos. Os católicos que enfrentavam então as arenas, que eram mortos pelos leões, queimados vivos e esquartejados, ficariam hoje trancados em suas casas, porque o valor supremo passou a ser a vida.

O martírio, então, nem se diga. Segundo a esquerda dita católica, já existem muitos mártires: mártires sem-terra, mártires das favelas, mártires LGBT, mártires das calçadas etc. Esses seriam os verdadeiros mártires que importam nos tempos de fascismo.

Sacramentos? Para quê? “Somos uma igreja doméstica, o sonho do pontificado de João Paulo II está se realizando”, dirá uma freira comunista. Missa pela internet, catequese por live, comunhão na sacolinha, confissão por videoconferência ou no estilo protestante, “confesse-se diretamente com Deus”. Água benta? Nem pensar, álcool gel, já!

Quantos mortos sem os sacramentos? Já pararam para pensar? Quantos ficaram sem a assistência da Igreja no seu momento crucial, naquele momento para o qual rezamos na Ave Maria: “rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”.

Já pararam para pensar? A crise não é somente sanitária, é um reflexo de uma crise muito maior, é uma crise de fé. Os ministros de Deus são impedidos de realizar o seu oficio sagrado não somente pelas autoridades civis; impedem-nos — por exemplo, de reabrir as igrejas — as próprias autoridades eclesiásticas… em nome da vida.

O Prof. Plinio também dizia: “Quando a cúpula de São Pedro balança, o mundo também balança”, ou seja, a crise na sociedade é um reflexo da crise na Igreja.

Esta pandemia do vírus chinês está mostrando ao mundo não apenas o poder e a protuberância da Revolução, mas também sua notória influência sobre a estrutura eclesiástica. Está mostrando que a Revolução mata não apenas o corpo, mas também a alma.

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terça-feira, 12 de maio de 2020

VÍRUS DO PÂNICO: Gigantesca e catastrófica operação de baldeação ideológica


6 de maio de 2020

Capa da revista Catolicismo, Nº 833, Maio/2020

A pretexto do novo coronavírus, forças ponderosas parecem visar o domínio das mentes e das nações por meio de uma ditadura do pensamento único. Isso nos faz recordar de uma experiência orwelliana rumo a uma nova (des)ordem mundial para a implantação de um governo totalitário que ditaria normas para tudo. Todos seriam obrigados a levar um estilo de vida neo-comunista e miserabilista.

Enquanto a mídia se encarrega de espalhar ad nauseam previsões apocalípticas do contágio do vírus chinês, o mundo inteiro parece contagiado pelo vírus do medo. Mas muitos já começam a desconfiar dessa mesma mídia e estranhar os despóticos decretos governamentais de confinamento; por exemplo, a ordem “fique em casa”. Alguns acatam de modo pacifico tal ordem, e voluntariamente ficam em “prisão domiciliar”. Mas outros percebem que se está manipulando a opinião pública numa experiência orwelliana.

No célebre romance “1984” (publicado em 1949 sob o pseudônimo George Orwell), o escritor Eric Blair prenuncia o advento de uma governança mundial, que mandaria em todo o mundo, perseguindo quem pensasse por si próprio ao invés de pensar de acordo com a coletividade. A tecnologia chinesa de reconhecimento facial dos cidadãos, inspirada na vigilância policial do “grande irmão” imaginado por Orwell, teria condições para espionar e controlar os passos de todos, suas emoções, o que veem na internet, o que falam e fazem, os arquivos de uso dos celulares etc.

Muitos comentam que nada no mundo será como antes da pandemia Covid-19. Certos próceres, entre os quais o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, subserviente à China comunista, repetem sem cessar a palavra de ordem: o mundo pós-coronavírus será um “novo mundo”, no qual teremos “um novo normal” numa “nova ordem”.

Estaria a opinião pública mundial passando por um processo de “baldeação ideológica” para aceitar semelhante sistema de controle planetário? Passaria ela por um teste para o estabelecimento de uma República Universal, com um só governo totalitário ditando normas para tudo e para todos? Haveria forças poderosas desejando implantar um “mundo novo”, nos moldes de um “mundo chinês”? Esse governo mundial imporia a todos um mesmo estilo coletivista de vida? O brusco confinamento das pessoas, com graves consequências econômicas e a falência de inúmeras empresas, jogará muitas regiões na extrema pobreza? Pretende-se fazer desaparecer os derradeiros restos de uma Cristandade hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal? Seria ela substituída por uma sociedade mundial igualitária, miserabilista e tribalista?

Alguns elementos para resposta, nossos leitores os encontrarão na matéria de capa da revista Catolicismo deste mês. Nesta mesma edição, como é natural, outras matérias se relacionam com essas questões. O fechamento de igrejas, não só no Brasil mas em todo o Ocidente, é decisão com a qual concorda a maior parte das autoridades eclesiásticas, comprazendo o regime chinês, comunista e ateu. Responsável, aliás, por ferrenha perseguição à Igreja, com o fechamento de templos, destruição de cruzes e imagens sagradas.




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quarta-feira, 15 de abril de 2020

CARDEAL BIRMANÊS ATACA O PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

15 de abril de 2020

Péricles Capanema

O cardeal na linha de frente. O cardeal Charles Bo é arcebispo da arquidiocese de Yangon em Myanmar. É o primeiro cardeal birmanês, nasceu em 1948, foi bispo em 2003, cardeal em 2015, preside a Conferência da Federação dos Bispos Asiáticos.

Localização. A antiga Birmânia, hoje República da União de Myanmar, 678 mil km2, por volta de 55 milhões de habitantes. Cerca de 700 mil de seus habitantes são católicos.

Declaração histórica contra o despótico PCC. O cardeal-arcebispo, cujo país tem fronteiras com a China (quase 10 milhões de km2, 1,5 bilhão de habitantes) divulgou em fins de março, a propósito da crise do coronavírus, corajosa e esclarecedora declaração contra o Partido Comunista Chinês. A declaração foi entregue à imprensa, repercutiu em particular na Europa, e encontra-se na íntegra no site da Arquidiocese. [neste site da ABIM encontra-se a tradução no seguinte link: http://www.abim.inf.br/o-regime-chines-e-sua-culpabilidade-moral-pelo-contagio-global-covid-19/ ]. Logo no começo, afirma o Purpurado: “Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi Jinping”.

Estudos demolidores. Continua o arcebispo de Yangon: O London Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas reivindicações em trilhões (de dólares)”.

Prossegue o cardeal Bo, citando estudos: “Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso desencadeou um contágio global matando milhares”.

O PCC é réu. Pondera o hierarca: “Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo, devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados ​​de não se terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan. Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo”.

Mentiras disseminadas, verdades escondidas. O cardeal avança: “Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme — como o Dr. Li Wenliang no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para ‘parar de fazer comentários falsos’. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado de que seria investigado por ‘espalhar boatos’ e foi forçado pela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair coronavírus. Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do regime chinês”. 

Perseguição religiosa crescente. O cardeal Charles Bo denuncia a perseguição crescente na China: “Mentiras e propaganda colocaram em perigo milhões de vidas em todo o mundo. A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência”.

O PCC, ameaça para o mundo. O cardeal sobe o tom: “Através de seu tratamento desumano e irresponsável do coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma ameaça ao mundo”. 

Responsabilização lógica. E conclui: “O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse regime”.

Exemplo para ser imitado. O purpurado desafiou perseguidores, evidenciou clareza, firmeza e coragem. É o que infelizmente falta a sem-número de dirigentes ocidentais, comodamente instalados a milhares de quilômetros de Pequim. Que sigam o exemplo do Purpurado birmanês, voz desassombrada ecoando de um país fraco e limítrofe com a China. Seu brado soa como o de guerreiro solitário resistindo investida de chusmas soldadescas. Que Deus o proteja.



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terça-feira, 14 de abril de 2020

A GRIPE, A CHINA, A REVOLUÇÃO CULTURAL E FÁTIMA


14 de abril de 2020
 Lidador

Tanto a perspectiva histórica como a análise rigorosa dos fatos favorecem uma lúcida e objetiva percepção da realidade presente e futura. Por isso, dizia o nosso grande Padre António Vieira: “Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro”.[1]

Há cerca de três décadas, ruiu o muro de Berlim [foto] e desmoronou-se, com estrondo e vergonha, o mundo soviético, ponta de lança do imperialismo comunista, o qual propugnava a implantação de Estados totalitários no mundo inteiro, os quais, por sua vez, haveriam de conduzir a humanidade a uma “igualdade” absoluta entre todos os homens e a uma radical “liberdade”. O igualitarismo radical e anárquico era a sua meta última. Não se pense, porém, que tal meta foi, depois disso, abandonada. A queda do muro não foi, ao contrário do que muitos disseram, o canto de cisne do comunismo. Persistiram sob o mesmo jugo totalitário a Coreia do Norte, o Vietnã, Cuba, a China Maoista, a Venezuela e muitos outros países, sobretudo na África…

Vinte anos antes da queda do comunismo soviético, já fora anunciada, para quem quisesse ver, uma das metamorfoses que deveria sofrer o coletivismo. Foi em Paris que se deu este anúncio, em Maio de 68. A Revolução Cultural então propugnada visava transformar radicalmente as mentalidades, constituindo um novo capítulo da guerra psicológica revolucionária. Tratava-se de uma guerra de conquista psicológica total, visando o homem na sua integridade.

Uma das modalidades dessa guerra psicológica pós-Sorbonne, que numerosos autores socialistas[2] e comunistas passaram a reconhecer como indispensável para escapar ao pântano em que se afundara o comunismo, que acabara por revelar toda a sua hedionda fisionomia sanguinária, entre “gulags”, deportações em massa, genocídios e campos de trabalhos forçados, seria uma silenciosa e sorrateira transformação operada agora na vida quotidiana dos países “capitalistas”; nos seus costumes, mentalidades, modos de ser, de sentir, de viver… Tal transformação prepararia, então, as mudanças socioeconômicas destinadas a submeter totalmente as consciências ao todo-poderoso Estado totalitário.

Esta fase revolucionária, então desencadeada, é, na verdade, uma subtil guerra psicológica e tendencial que pretende tornar possível a tão almejada utopia igualitária e libertária. Sem estas mudanças, as vitórias revolucionárias no campo político-ideológico tornar-se-iam necessariamente efêmeras, pois a reações inevitavelmente suscitadas pela implantação do totalitarismo coletivista serão sempre um empecilho para o avanço do projeto.[3]

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Ora, aconteceu precisamente que, ao longo dos últimos trinta anos, se difundiu pelo mundo um grande movimento de resistência à dita agenda única, que se tornara a principal promotora do aborto, da eutanásia, da união e adoção homossexual, da ideologia de gênero, do ecologismo, do animalismo, etc.. Países com grande importância na geopolítica mundial viram a sua opinião pública despertar da letargia em que caíra e eleger políticos que se apresentavam, de algum modo, como opositores da dita agenda. Nesse sentido, pode-se afirmar que a revolução perdeu terreno.

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Enquanto tudo isto acontecia, o gigante chinês, alentado pelas faraônicas concessões ocidentais, a partir da visita de Nixon à China, em 1972[4], pelos suicidas acordos de Xangai,[5] e por uma parcial liberalização interna da iniciativa privada — sob a forma de verdadeiro “capitalismo selvagem” — e sem nada abandonar do seu comunismo totalitário e ferreamente despótico, começou a tomar posição claramente dominante no panorama internacional,[6] com o objetivo — nas palavras de Xi Jinping —, de “recuperar todo o poder da China imperial». As nações ocidentais «estúpidas e decadentes” passaram a colaborar entusiasticamente para fortalecer ao máximo a potência amarela.[7] Esta, de seu lado, dedicou-se, entretanto, a incrementar o seu potencial bélico, sempre servido pelo portentoso aparato de um partido com os seus alegados 90 milhões de membros, e avançou em todo o mundo para a aquisição de incontáveis bancos, empresas, sociedades comerciais, tecnologia de ponta, matérias-primas e bens de toda a espécie. Começaram a instalar bases militares, no estratégico porto de Djibuti (Mar Vermelho), no sul da Argentina, no norte do Afeganistão, em numerosas ilhas e atóis do Índico e do Pacífico, além de diversos pontos da chamada “Rota da Seda”. Também passaram a controlar pontos estratégicos do planeta, em troca de infra-estruturas que os países necessitavam, mas não conseguiam pagar. É o caso do porto mais importante do Sri Lanka, da linha de caminho-de-ferro de Benguela, em Angola, de diversas obras em Moçambique, do porto do Pireu na Grécia ou do aeroporto de Toulouse, em França. Dez por cento dos portos europeus passaram, deste modo, para controle chinês.
Um povo disciplinado ferreamente pela estatolatria, e acolhido benevolamente pela OMC, despejou pelo mundo inteiro os seus produtos — muitíssimos deles contrafeitos e a preços irrecusáveis — assim competindo de forma arrasadora na economia de mercado. Competição muitas vezes desleal, dado o baixíssimo custo da sua mão-de-obra, que não se vê como qualificar senão como “escrava”.
Assim, pois, o mínimo que se poderia esperar de tal potência — dotada agora de um incrível poderio militar — é que procurasse a expansão da sua influência e da sua ideologia numa colossal manobra geopolítica.

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Em Sevilha, a Ponte de Triana totalmente abarrotada numa das procissões de Semana Santa de 2019. Na imagem inferior, foto do mesmo lugar no recente Domingo de Ramos.

Ora, precisamente neste ano de 2020, encontramos de súbito, como num imprevisto passe de mágica, o modus vivendi chinês implantado em quase todo o Ocidente. Com efeito, desde que se disseminou a nova e perigosa gripe que teve origem naquele país, as populações viram-se, de repente, confinadas em casa, sem liberdade de ir e vir, e numa total dependência da vontade do Estado. As próprias igrejas foram fechadas e os fiéis privados dos sacramentos, até mesmo os moribundos. Justamente durante a Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa, cujas cerimônias litúrgicas foram banidas das igrejas…[8]

Tal como na China, as liberdades em geral tornaram-se absolutamente restritas e controladas pelo poder central. Esta crise, empolada ad nauseam pelos media,[9] desencadeará inevitavelmente uma gravíssima crise econômica em todo o Ocidente, já confirmada pelos mais abalizados economistas, que levará os povos ocidentais a dependerem ainda mais dos respectivos Estados, e, sobretudo, de uma China, súbita e surpreendentemente curada da gripe, e que aparece, de repente, a controlar toda a economia global de um mundo sem fronteiras.

Curiosamente, em todo o mundo ocidental, os partidos da esquerda, de centro-esquerda e ecologistas parecem perceber que tudo isto leva justamente aonde eles queriam. O Courrier internacional, corifeu da esquerda internacional, suplemento do Le Monde, que em Portugal é uma revista mensal, tem afirmado reiteradamente, que só o pânico poderá alterar a forma de viver dos consumistas.[10] Numa das suas capas chegou a perguntar solenemente se não terá chegado o momento de impor ao mundo a agenda climática.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, com Xi Jinping

O securitarismo hodierno pretende a todo o custo ver na OMS um oráculo da verdade. O seu diretor-geral declarou, há algumas semanas, que a presente gripe constituía uma pandemia. As tubas da mídia continuam a dar repetido eco às suas palavras de tons apocalípticos. Convém não esquecer, contudo, que este senhor é um marxista militante, que foi ministro da saúde da Etiópia, envolvido em diversas controvérsias no seu país, como a de ter encoberto epidemias de cólera e de estar acusado de graves escândalos de corrupção fiscal. Outro pormenor inquietante: o governo comunista chinês não deixou de manifestar especial regozijo quando da sua nomeação como diretor-geral da OMS.

Por outro lado, convém não deixar de sublinhar que a Covid 19, embora provoque elevada mortalidade, não se aproxima, nem de longe, dos números de outras epidemias, como foi o caso da tuberculose e da gripe espanhola ou pneumônica. Esta matou 50 milhões de pessoas e infectou mais de um terço da população mundial, nos anos de 1918 e 1919,[11] causando mais mortes do que a 1ª Guerra Mundial. Por sua vez, a gripe H1N1 matou entre 200 e 400 mil pessoas segundo diversas estimativas, só no ano de 2009.[12] Na última década, houve um aumento dramático do número de variantes graves do vírus influenza, que entra na população humana a partir de reservatórios animais.

Convém referir ainda que a gripe do Covid-19 atinge de modo especialmente letal ou perigoso aqueles que já estão fragilizados por diversos outros motivos e, embora ainda não exista uma vacina, a esmagadora maioria dos infectados — mais de 80% [13] — recupera-se naturalmente pela reação dos seus próprios anticorpos, ou por medicamentos já disponíveis para doenças afins, mas altamente eficazes contra o coronavírus.[14]

No entanto, o diktat da imprensa e de muitos governantes, contrariando a opinião de abalizados cientistas, é de que se torna indispensável impor uma drástica quarentena, confinamento em casa e cordões sanitários em torno das cidades, obrigando ao encerramento da maior parte das empresas. Tal paralisação, que muitos especialistas qualificam como contraproducente do ponto de vista epidemiológico,[15] produzirá inevitavelmente consequências econômicas catastróficas, com as suas sequelas de desemprego, fome, desordens sociais e até guerras. Ao mesmo tempo, de cá e de lá, vão surgindo melífluas vozes de sereia a anunciar o advento de uma radical mudança de paradigma social e econômico no mundo inteiro, rumo a uma sociedade claramente miserabilista. Outros vão dizendo que o mundo jamais será o mesmo e que teremos de alterar radicalmente, nesse mesmo sentido, os nossos hábitos.

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Imagem de Na. Sra. de Fátima (ladeada por Francisco e Jacinta) da Basílica da Estrela, Lisboa [Foto PRC]

Neste ponto, seria oportuno regressarmos a uma perspectiva histórica, olhando para o início do século XX, quando outra gripe, chamada espanhola ou pneumônica, de fato causou uma verdadeira hecatombe. Duas das suas vítimas foram precisamente os pequeninos pastores a quem Nossa Senhora aparecera: Francisco e Jacinta Marto.

Num lugar perdido da Serra d’Aire, um acontecimento histórico acabara de colocar Portugal novamente no centro da História, no ano de 1917. Foram as aparições de Nossa Senhora em Fátima, exatamente quando rebentava na Rússia a revolução bolchevique. O milagre do Sol, as previsões sobre as guerras mundiais, sobre a expansão dos erros do comunismo e futura conversão da Rússia marcaram uma impressionante manifestação da misericórdia divina. A Mãe de Deus viera pedir uma verdadeira conversão dos povos, num grande movimento de oração e penitência, que afastasse para longe as calamidades da guerra, das revoluções e da fome, — embora se dirigisse a três crianças de um lugarejo perdido, que nem sequer sabiam o que a palavra Rússia significava.

Sempre foi doutrina da Igreja que a peste, a fome e a guerra[16] (Jer 29, 17) são castigos de Deus, provocados pela infidelidade dos homens ao seu Criador. “As guerras não são senão castigos pelos pecados dos homens” dizia a pequena Jacinta, hoje elevada às honras dos altares.

Esta é outra chave para analisar os acontecimentos dos nossos dias: a chave sobrenatural. O grande ausente das tubas da mídia, das considerações da maioria dos governantes, e até, infelizmente, dos próprios homens da Igreja, é Deus nosso Senhor. O homem moderno, cada vez mais descrente, despreza qualquer consideração que ultrapasse a linha do puramente horizontal, natural, prosaico e terreno. As análises dos números, referentes à saúde pública, à economia, à geopolítica, à educação, etc., omitem como despiciendas quaisquer referências ao Criador dos Céus e da Terra.

As Igrejas foram fechadas. Os sacramentos quase completamente negados, até mesmo aos infelizes moribundos, o Santo Sacrifício da Missa, com a presença real de Deus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é recusado aos fiéis, que parecem ter voltado aos tempos das catacumbas.[17]

Seja como for, a vitória sobre os erros que a Rússia espalhou pelo mundo, anunciada em Fátima pela Mãe de Deus, virá. O triunfo do Imaculado Coração de Maria é certíssimo!

Porém, tal não significa que antes de isso acontecer a Humanidade não tenha de ser purificada através de tremendas provações. A peste, que talvez produza a fome e quiçá a guerra, sempre foi, repito, considerada pela doutrina tradicional da Igreja como castigo merecido pelos pecados dos homens.

“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!” Esta foi a grande promessa de Nossa Senhora em Fátima.

Este triunfo virá após um castigo, que se tornou merecido pela apostasia generalizada, tanto dos governantes, temporais e espirituais, como dos povos que aceitaram sem indignação, viver num mundo em que a Lei de Deus é conculcada por uma legislação que permite a eliminação diária de incontáveis criaturas inocentes através do crime do aborto — mais do que as vítimas do coronavírus! (Por ano, realizam-se só em Portugal cerca de 15.000 abortos!!!); legislação que também escancarou as portas ao divórcio, à eutanásia, ao chamado casamento homossexual e às piores perversões, desde a pornografia e a profanação da inocência das crianças, até às práticas mais contrárias aos direitos de Deus e aos princípios da Civilização Cristã.


[1] “Citações e Pensamentos de Padre António Vieira” (2ª edição), 650 Citações, 170 Textos, 256 Páginas, Casa das Letras, Lisboa 2010.
[2]Entre eles destacaram-se autores franceses, como Alain Touraine, Pierre Fougueirollas, Pierre Rosanvallon, Laurent Joffrin, o austríaco-francês André Gorz e o teórico socialista espanhol Ignacio Sotelo.
[3]Diz, neste sentido, o socialista francês Pierre Fougueirollas: «Os jovens aspiram a novas relações interpessoais entre pais e filhos, entre professores e alunos, enfim, entre os próprios jovens, a partir de uma sexualidade expansiva.A revolução psicosexual que se gera actualmete na juventude, constitui uma força decisiva para alcançar a revolução total» (Marx, Freud e a Revolução total,pp. 336-367). Por sua vez, Marcuse diz: «Podemos falar indiscutivelmente de revolução cultural, posto que o protesto se dirige contra todo o stablishment cultural, incluindo a moral da sociedade existente (A sociedade carnívora).
[4]Comentando o “calamitoso” acordo de Xangai, para promover a “colaboração” em matérias como a ciência, a tecnologia, a cultura, o desporto e o jornalismo, dizia em 1972, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: «dada a candura liberal dos norte-americanos e a astúcia comunista dos chineses, tal tratado dará um resultado altamente conveniente para os comunistas. Estes entrarão em tais relações com o único objectivo de aproveitar todas as ocasiões para fazer aceitar a sua ideologia pela outra parte (…). Noutros termos, as relações sino-americanas irão desenvolver-se numa base da qual os chinos saberão tirar partido, e os americanos não».
E concluía o saudoso pensador brasileiro: «Yalta foi uma calamidade maior do que Munique. Foi Munique multiplicada por Munique. A Declaração de Xangai, é uma Yalta multiplicada por Yalta.— Onde nos levará ela?» (Folha de S. Paulo, 12 de Março de 1972).
[5]Na capital amarela, Nixon encontrou uma camarilha política ambiciosa e decidida a levar a cabo de forma inexorável a expansão do comunismo, conhecendo todas as fraquezas do parceiro americano e disposto a explorá-las a fundo, trocando concessões palpáveis por promessas vagas. Foi muito semelhante o que aconteceu nos acordos de Munique de 1939. A França e a Inglaterra, fizeram ao eixo Roma-Berlim as maiores concessões. Em troca, pediam a Hitler vagas promessas de paz. Assinado o tratado, Chamberlain e Daladier receberam nas respectivas capitais, ovações apoteóticas de populações que só pensavam em gozar pacatamente a vidinha quotidiana. Churchill exclamou, então, com perspicácia: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: preferistes a vergonha e tereis a guerra”.
[6]Entretanto, milhões de católicos chineses, que resistiram heroicamente ao regime comunista, continuam a ser ferreamente perseguidos. Em 2014, por exemplo, uma campanha contra alegados edifícios “ilegais” na província de Zhejiang levou à demolição de mais de duas mil construções cristãs e de 600 cruzes.
[7]«Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida. Começaremos por lançar o mais espectacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições electrizantes e concessões extraordinárias. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade. No mesmo instante em que baixem a sua guarda, esmagá-los-emos com o nosso punho fechado». (Dimitri Z. Manuilsky, conferência pronunciada em 1931, na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113 – Manuilsky foi eleito presidente do Conselho de Segurança da ONU em 1949).
[8]Devemos dizer que há, pelo menos, uma muito honrosa excepção: o episcopado da Polónia decidiu não fechar as igrejas e, pelo contrário, multiplicar as Missas, a fim de criar espaços entre os fiéis durante as celebrações. A Sagrada Comunhão continuou a ser dada, como sempre, de joelhos e na boca. A Polónia é um dos países onde o número de infectados é mais reduzido…
[9]O The Daily Telegraph, de 23/03/20, noticia que em Itália seestão a contabilizar como vítimas do Covid-19 pessoas que morrem por outras causas, e transcreve, nesse sentido, as declarações de um cientista italiano, o Prof. Walter Ricciardi, assessor do Ministério da Saúde, nas quais admite que 88% dessaspessoas já tinham problemas graves que conduziriam à morte.
[10] “Courrier internacional”, Lisboa, Julho 2019, nº 281, «Chegou a hora de entrar em pânico»; «O medo pode ser a nossa salvação»; «Só o medo pode mudar os hábitos altamente carbonizados do mundo capitalista».
[11]US National Library of Medicine (Relatório de Kirsty R. Short, Katherine Kerdsierska, Carolien van de Sandt, professores de microbiologia e imunologia da Universidade de Melbourne e Queensland, Austrália, publicado online em 8 de Outubro de 2018).
[12]O vírus “H5N1”, assim como o “H1N1”, o “H2N2”, o “H3N2”, o “H3N8”, o “H7N2”, o “H9N2” e outras 190 codificações de variações genéticas do vírus da “Influenza A”, conhecido também como “vírus da gripe das aves”, ou simplesmente, “vírus da gripe”, é muito mais letal do que o coronavírus, matando no mundo cerca de 5.000 pessoas por dia. Para confirmar estes dados, basta consultar as estatísticas da própria OMS.
[13] Dados oficiais da OMS divulgados a 17/02/2020.
[14]O médico e microbiologista francês Didier Raoult, director do serviço de infectologia do Hospital de Marselha, tornou-se mundialmente conhecido nos últimos dias por dar a conhecer o único tratamento que realmente provou ser eficaz contra o virus chinês causador da Covid-19.O Dr. Raoult estuda há 13 anos os efeitos da cloroquina(mais precisamente, um dos seus derivados, a hidroxicloroquina)como antiviral (associado com o único antibiótico que funciona sobre os virus, a azitromicina). «São moléculas antigas, sem problemas de maior de toxicidade, e imediatamente disponíveis»,é o que afirma esteconceituado professor da Universidade de Marselha, que é o cientista com mais estudos e experiências produzidas sobre doenças virais no mundo. Surpreendentemente – ou não!? – enfrentauma tentativa de ridicularização e uma espantosa campanha de silêncio por parte da grande imprensa internacional (Ver: “Le Parisien”, de 27 de Março de 2020).
[15]Expresso, 19/03/20.
[16]«Eis o que diz o Senhor dos exércitos: Vou enviar contra eles a espada, a fome e a peste, e tratá-los-ei como figos deteriorados, tão maus que não se podem mais comer.Irei persegui-los com a espada, a fome e a peste, e deles farei objeto de horror ante todos os reinos da terra (…) porque não escutaram as minhas palavras – oráculo do Senhor – quando, sem cessar, lhes enviava os profetas, meus servos, aos quais também não ouviram – oráculo do Senhor». Jeremias, 29, 17-19.
[17]«Ao concentrarem-se exclusivamente em todas as medidas de protecção higiénica (os bispos que fecharam as suas igrejas) perderam uma visão sobrenatural e abandonaram a primazia do bem eterno das almas» afirmou o Bispo D. Athanasius Schneider, em 31 de Março de 2020.


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quarta-feira, 8 de abril de 2020

MENSAGEM DO CARDEAL BURKE PARA A SEMANA MAIS SANTA DO ANO


7 de abril de 2020

Caros amigos,

Desde o início de meu ministério como bispo de uma diocese, parecia que todos os anos, à medida que as celebrações do Natal e da Páscoa se aproximavam, havia um evento profundamente triste na diocese ou uma crise difícil de enfrentar pelo bem da diocese. Assim, enquanto eu antecipava com alegria as celebrações dos grandes mistérios de nossa salvação, algo acontecia que, do ponto de vista humano, colocava uma nuvem negra sobre as celebrações e questionava a alegria que elas inspiravam. Certa vez, quando comentei com um irmão bispo sobre essa experiência terrivelmente angustiante, ele simplesmente respondeu: “É Satanás, tentando roubar sua alegria”.

Faz sentido que Satanás, a quem Nosso Senhor descreve como um “homicida desde o principio, […] mentiroso e o pai da mentira” (Jo 8, 44), queira esconder de nossos olhos as grandes realidades da Encarnação e da Redenção, queira distrair-nos dos ritos litúrgicos através dos quais não apenas celebramos essas verdades, mas também recebemos as graças imensuráveis ​​e incessantes que elas conquistaram para nós. Satanás quer nos convencer de que a perda de um ente querido e a morte, a tristeza e o medo que naturalmente as acompanham mostram que Cristo é falso, falsificam a sua Encarnação redentora e mostram nossa fé e a alegria que ela naturalmente inspira como mentirosas.

Quem é falso é Satanás. Ele é o mentiroso. Cristo, Deus Filho, de fato tornou-se homem, sofreu a mais cruel Paixão e Morte a fim de redimir nossa natureza humana, restaurar-nos a verdadeira vida, a vida divina que supera os piores sofrimentos e até a própria morte, e conduzir-nos com certeza e segurança para o nosso verdadeiro destino: a vida eterna com Ele.

São Paulo, diante de tantas provações profundamente desencorajadoras ao longo de seu ministério apostólico, culminando com seu martírio em Roma, escreveu aos cristãos de Colossos: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). Para ele, como deveria ser também para nós, sofrer com Cristo pela Igreja, pelo amor de Deus e ao próximo, é a fonte inatacável e infalível de nossa alegria. É a mais alta expressão de nossa comunhão com Cristo, Deus Filho Encarnado, compartilhando com Ele o mistério do amor divino de Deus — Pai, Filho e Espírito Santo. A vida de Cristo, a graça do Espírito Santo derramada do Coração de Cristo para habitar em nossos corações, inspira e fortalece-nos a abraçar a perda de alguém e a morte com o seu amor que os conquista e os transforma em ganho eterno e vida sem fim. Nossa alegria, então, não é um prazer ou emoção superficial, mas o fruto do amor que é ‘forte como a morte’, que “as torrentes não poderiam extinguir […] nem os rios o poderiam submergir” (Ct 8, 6-7).

Nossa alegria não tira o aguilhão agudo da perda e da morte, mas, com confiança e coragem, as enfrenta como parte do combate ao longo da vida do amor que somos chamados a travar durante esta vida — afinal, pela graça de Deus, somos verdadeiros soldados de Cristo (2 Tm 2, 3) — na certeza da vitória da vida eterna. Assim, no fim de sua vida, São Paulo poderia escrever a seu filho espiritual e companheiro no pastoreio do rebanho, São Timóteo: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (2 Tm 4, 6-8 ).

Amamos Nosso Senhor, amamos a Encarnação redentora pela qual Ele está vivo por nós na Igreja, e, portanto, estamos felizes por lutar o bom combate com Ele, em continuar a corrida, não importando as provações que enfrentamos, e em manter a fé quando o Pai da Mentira nos tenta a duvidar de Cristo e até a negá-Lo.

Talvez Satanás nunca tenha tido uma ferramenta melhor do que o coronavírus para roubar nossa alegria de celebrar os dias mais sagrados do ano, os dias em que Cristo ganhou para nós a vida eterna. Como ele gostaria de extirpar a santidade da única semana do ano que é conhecida simplesmente como Semana Santa! A atual crise sanitária internacional causada pelo coronavírus (COVID-19) continua sua trágica colheita de mortes, gerando profunda tristeza e medo no coração humano. Certamente, Satanás está usando o sofrimento que assolou tantos lares, bairros, cidades e nações a fim de nos fazer duvidar de Nosso Senhor e da Fé, da Esperança e da Caridade, que são seus grandes presentes para nós em nossa vida diária. O efeito da intenção assassina de Satanás e de suas mentiras aumenta quando estamos mais distantes do Senhor, quando consideramos sua vida dentro de nós como assegurada, quando até O abandonamos ao buscar prazeres, interesses ou sucessos mundanos.

Na própria Igreja, temos sido testemunhas da omissão em ensinar, sobretudo, a Cristo como Senhor. Quantos hoje sofrem profundamente de um medo inútil porque esqueceram ou até rejeitaram o Reinado do Coração de Jesus em seus corações e lares. Lembrem-se das palavras de Nosso Senhor a Jairo, que procurou a ajuda de sua filha moribunda: “Não temas; crê somente” (Mc 5, 36). Quantos hoje estão sem esperança, porque acham que a vitória sobre o mal do coronavírus (COVID-19) depende totalmente de nós, porque se esqueceram de que, embora devamos fazer tudo o que podemos humanamente para combater um grande mal, somente Deus pode abençoar nossos esforços e nos dar a vitória sobre as privações de todo tipo e a morte. É tão triste ler documentos — mesmo documentos da Igreja — que pretendem tratar das dificuldades mais importantes que enfrentamos e não encontrar neles nenhum reconhecimento do Senhorio de Cristo, da verdade que dependemos completamente de Deus para nosso ser, por tudo o que somos e tudo o que temos, e que, portanto, a oração e o culto divino constituem o nosso primeiro e mais importante meio de combater qualquer mal.

Alguns dias atrás, um jovem católico me disse, como se fosse uma evidência, que este ano ele não celebraria a Páscoa por causa do coronavírus. Se as alegrias da celebração da Páscoa fossem simplesmente uma questão de sentir-se bem, entenderia o sentimento dele. Mas a alegria da Páscoa está enraizada na verdade eterna, na vitória de Cristo sobre o que claramente se parecia com a Sua aniquilação, a vitória conquistada em sua natureza humana para obter a mesma vitória em nossa natureza humana, quaisquer que sejam as dificuldades que possamos estar sofrendo. Se crermos em Cristo, se confiarmos em suas promessas, devemos celebrar com alegria sua grande obra da Redenção. Celebrar os mistérios de Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo não é uma falta de respeito ao sofrimento de tantos hoje, mas reconhecer que Cristo está conosco para superar nossos sofrimentos com seu amor. Nossa celebração é um farol de esperança para aqueles cujas vidas são severamente provadas e os convida a depositar sua confiança em Nosso Senhor.

Sim, a Semana Santa deste ano é muito diferente para nós. O sofrimento associado ao coronavírus levou a uma situação em que muitos católicos, durante a Semana Santa, não terão acesso aos Sacramentos da Penitência e à Sagrada Eucaristia, que são os nossos extraordinários, mas também ordinários encontros com Cristo ressuscitado, de maneira que Ele possa nos renovar e fortalecer com sua vida. Mas continua sendo a Semana mais santa do ano, pois comemora os eventos pelos quais vivemos em Cristo, pelos quais a vida eterna nos pertence, mesmo diante de uma pandemia, de uma crise sanitária mundial. Peço-lhes, portanto, que não cedam à mentira de Satanás, que deseja nos convencer de que este ano não temos nada para comemorar durante a Semana Santa. Não, temos tudo para celebrar, pois Cristo nos precedeu em todos os sofrimentos e agora nos acompanha em nossos sofrimentos, para que permaneçamos fortes em seu amor, o amor que vence todo mal.

Hoje celebramos o Domingo de Ramos, quando Cristo entrou em Jerusalém, conhecendo plenamente a Paixão e Morte que O esperava. Jesus sabia quão efêmera era a sua acolhida, uma acolhida apropriada ao Rei do Céu e da Terra, mas superficial, porque aqueles que a estenderam tinham apenas uma compreensão mundana da salvação que Ele veio trazer para nós. Eles não estavam prontos para ser um com Cristo no estabelecimento de seu Reino eterno através dos eventos de sua Paixão e Morte. Após o Domingo de Ramos, cada dia da Semana Santa é justamente chamado de santo porque é um episódio da firmeza de Cristo ao abraçar a sua missão salvadora rumo ao seu ponto culminante.

Consigam um tempo para meditar sobre a acolhida verdadeiramente régia que ofereceram a Cristo em seu coração e em seu lar. Leiam novamente o relato da entrada d’Ele em Jerusalém e de como, depois de sua entrada triunfante, Ele chorou sobre Jerusalém com estas palavras: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus fi­lhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas… e tu não quiseste!” (Mt 23, 37).

Se vocês ou seus lares estiverem longe de Nosso Senhor, recordem-se de como Ele deseja estar perto de vocês, ser o hóspede constante de seu coração e de seu lar.

Permaneçam com Cristo durante toda a Semana Santa. De maneira particular, façam da Quinta-feira Santa um dia de profunda gratidão pelos sacramentos da Sagrada Eucaristia e pelo Santo Sacerdócio instituído por Nosso Senhor na Última Ceia. Façam da Sexta-feira Santa um dia de silencio, durante o qual sejam praticados atos penitenciais para entrar mais profundamente no mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Na Sexta-feira Santa, encham-se de gratidão pelos sacramentos da penitência e pela unção dos enfermos. No Sábado Santo, façam vigília com Nosso Senhor, louvando-O e agradecendo-Lhe pelo dom de sua graça em nossas almas através da infusão do Espírito Santo a partir de seu glorioso Coração trespassado. Meditem especialmente como sua graça está dentro de suas almas pelos Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Sagrada Eucaristia. Durante todos esses dias, reflitam e agradeçam a Deus pelo dom do Sacramento do Santo Matrimônio e seus frutos, a família — a “Igreja doméstica” ou pequena igreja do lar —, o primeiro lugar em que aprendemos a conhecer a Deus, a oferecer-Lhe a oração e o culto e a disciplinar nossas vidas de acordo com sua Lei.

Se não puderem participar dos ritos litúrgicos nesses dias mais sagrados, o que é realmente uma grande privação, pois nada pode substituir o encontro com Cristo através dos sacramentos durante esses dias, esforcem-se em seus lares para participar na Liturgia Sagrada através do desejo de estar na companhia de Nosso Senhor, especialmente no mistério de sua obra salvadora. Nosso Senhor não espera de nós o impossível, mas que façamos o melhor que pudermos para estar com Ele durante esses dias de sua graça eficaz.

Existem muitas maravilhosas ajudas para nutrir esse santo desejo. Antes de tudo, há um rico tesouro de oração na Igreja. Por exemplo, a leitura das Escrituras Sagradas, os Salmos Penitenciais, especialmente o Salmo 51 [50] e o relato da Paixão de Nosso Senhor nos quatro Evangelhos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a meditação sobre os mistérios da nossa fé através da recitação do Santo Rosário, especialmente dos Mistérios dolorosos, as Ladainhas do Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem (de Loreto), de São José e dos santos, a Via Sacra — que também pode ser feita em casa usando as imagens das catorze estações estampadas em um livro de orações ou sobre um objeto sagrado —, o Terço da Divina Misericórdia, visitas a santuários, grutas e outros lugares consagrados a Nosso Senhor e aos mistérios da Encarnação Redentora, e a devoção aos santos que foram poderosos para nos ajudar, especialmente São Roque, protetor contra as pestilências.

Em nossa época, temos o privilégio de ter acesso, através dos meios de comunicação, aos ritos sagrados e aos atos públicos de devoção, enquanto são celebrados em certas igrejas, especialmente nas igrejas de mosteiros e conventos nos quais toda a comunidade religiosa está participando. Observar um rito sagrado que é transmitido não é evidentemente o mesmo que participar diretamente dele, mas se é tudo o que nos é possível fazer, certamente é agradável a Nosso Senhor, que nunca deixará de nos encher com sua graça em resposta ao nosso humilde ato de devoção e amor.

Em qualquer caso, a Semana Santa não pode ser para nós como outra semana qualquer, mas deve ser marcada pelos sentimentos mais profundos de fé em Cristo, que é a nossa única salvação. Os sentimentos de fé durante os dias mais sagrados são igualmente sentimentos de profunda gratidão e amor. Se a gratidão e o amor não puderem ter sua expressão mais alta através da participação na Sagrada Liturgia, que eles a encontrem na devoção de seus corações e de seus lares. Comemorando com Cristo, com sua Mãe Santíssima e com todos os santos os eventos do Tríduo Sagrado, contemplamos o mistério de sua vida dentro de cada um de nós. Todo o tempo gasto em oração e devoção diárias, meditando sobre a Paixão de Nosso Senhor, nos ajudará a estar unidos da melhor forma possível a Ele durante esses dias mais sagrados. Quanto o sofrimento do tempo presente deve nos ensinar sobre o dom incomparável que é a Sagrada Liturgia e os Sacramentos!

Para encerrar, quero assegurar-lhes que suas intenções estão hoje em minhas orações e permanecerão nelas durante toda a Semana Santa, de modo especial durante o Tríduo Sagrado da Quinta-feira, Sexta-feira e Sábado Santos. Que todos nós possamos fazer companhia a Cristo com a mais profunda fé, esperança e caridade, ao celebrarmos os dias mais sagrados nos quais Ele sofreu, morreu e ressuscitou dentre os mortos para nos libertar do pecado e de todo mal e obter para nós a vida eterna. Que nossa observância da Semana Santa este ano seja nossa arma poderosa no contínuo combate ao coronavírus (COVID-19). Em Cristo, a vitória será nossa. “Não temas; crê somente” (Mc 5, 36).

Raymond Leo Cardeal BURKE
5 de abril de 2020, Domingo de Ramos
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(Tradução do inglês por Hélio Dias Viana).

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