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terça-feira, 14 de maio de 2024

Fátima

Cyro de Mattos

Para Naumin Aizen e Stella Leonardos

 


Fui a Portugal pela primeira vez em 1997 para participar como convidado do Terceiro Encontro Internacional de Poetas organizado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. No saguão do aeroporto de Lisboa vi o meu nome na tabuleta erguida pelo homem. Era o motorista que ia me conduzir até Coimbra. Ele me disse que dois poetas tinham chegado meia hora antes de mim. Estavam na camionete, aguardando-me.

Soube depois com o meu inglês sofrível que o poeta americano era Próspero Saiz, aparentava uns 45 anos de idade, falava muito e ligeiro. A pele do rosto e os cabelos compridos mostravam sinais de suas raízes indígenas. A mulher de cabelos grisalhos e com uma voz rouca era Diana Belessi, poeta da Argentina.

A certa altura da viagem para Coimbra, o motorista da Kombi perguntou se não queríamos conhecer Fátima. Não hesitamos em fazer aquela parada para conhecer o lugar onde a Virgem Maria apareceu aos três pastorinhos no dia 13 de maio. Surpreendi-me no Santuário com o tamanho grande do local para abrigar os peregrinos a céu aberto, no dia de louvor à Virgem santa. E não foi difícil imaginar vozes que subiam ao céu naquele dia especial e entoavam o cântico que falava da aparição da Senhora santa. A procissão com velas acesas por centenas de fiéis, que vinham de países perto de Portugal e de outros pontos longínquos.

Houve uma história de luz ali na cova da Iria. Começava com o anjo que veio por virginal caminho de margaridas e anunciou aos três pastorinhos a aparição breve da Virgem Maria. Ela vinha ensinar aos meninos Lúcia,

Francisco e Jacinta orações e sacrifícios pelos pecadores. Vinha trazer o amor de um sol sem crepúsculo para iluminar a humanidade. Houve quem não acreditasse na Virgem Maria Aparecida porque não acreditava em Deus, tudo aquilo não passava de maluquice dos meninos, dizia-se.

Depois de algumas aparições da Virgem Maria, os meninos Francisco, Lúcia e Jacinta foram sequestrados por um prefeito. Se não contassem o segredo confiado por Nossa Senhora, iam ser jogados num caldeirão de água quente, ele ameaçou. Não revelaram o segredo na prisão. Penduraram uma medalha de Nossa Senhora na parede e rezaram. Comoveram os presos, que também rezaram. Foram recebidos como heróis quando retornaram para suas casas.

Naquelas aparições de Nossa Senhora houve um grande dia. Uma multidão de setenta mil pessoas acompanhou os pastorinhos, rumo mais uma vez à Cova da Iria onde costumavam brincar e rezar. A Vigem Maria apareceu e disse que era Nossa Senhora do Rosário, a mãe de Deus. Os meninos pediram que ela fizesse um milagre. E de repente todos viram o sol virar uma bola de fogo e dançar no céu. Enquanto todos viam a bola de fogo, os três pastorinhos puderam ver a Sagrada Família: São José, Nossa Senhora e o Menino Jesus. E também viram aparecendo nas nuvens Nossa Senhora das Dores. E Jesus com a cruz. Abençoavam a multidão.

Certa vez achei uma imagem de Nossa Senhora de Fátima deixada na casa que eu tinha alugado a um médico. Pertencia à mulher dele, que por sinal era portuguesa. Ela estava se separando do marido, tinha poucos anos de casada com o médico. Como ela não quis mais a imagem da santa, entreguei à minha esposa Mariza para que a colocasse no oratório.

De vez em quando rogo à Nossa Senhora de Fátima que me ensine a escrever crônicas inspiradas no amor pela vida para que possa enriquecer os outros com uma prosa generosa. Talvez como esta que está terminando, mas sem deixar o cronista de revelar antes um fato que considera importante em sua trajetória dedicada à poesia. Poucos meses depois que levei a imagem de Nossa Senhora de Fátima para meu apartamento, chegou uma correspondência pelo correio, na qual a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra convidava-me para participar do Terceiro Encontro Internacional de Poetas. Tinha grande vontade de conhecer Portugal, mas nunca me passou pela cabeça que isso fosse acontecer um dia pelas mãos de Nossa Senhora de Fátima.

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Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).  Possui prêmios importantes.

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quinta-feira, 28 de abril de 2022

WILLIAM THOMAS WALSH — Escritor e Historiador Genuinamente Católico

 


Plinio Maria Solimeo

É difícil encontrar nos últimos tempos um historiador católico que tenha sido em seus livros inteiramente coerente e ufano de sua fé. Na primeira metade do século passado houve um que preencheu esses requisitos. Trata-se do americano William Thomas Walsh [foto acima].

Desse vibrante jornalista, escritor, romancista e historiador diz o site Catholic Authors: “William nasceu em Waterbury, Connecticut, em 11 de setembro de 1891, e ao longo dos anos recebeu uma sólida educação católica que o inspiraria nos anos posteriores com um desejo feroz de defendê-la”. Ao que acrescenta a Wikepedia em inglês: “A obra de Walsh é escrita de um ponto de vista declaradamente católico”.

Thomas Walsh era neto de irlandeses radicados nos Estados Unidos e, como diz o site acima, “recebeu sólida educação católica”. Muito precoce, já aos 16 anos, ainda no ginásio, tornou-se repórter e passou a escrever para alguns jornais. Aos 19 anos, aluno da famosa universidade de Yale, publicou seu primeiro livro, The Mirage of Many (A Miragem de Muitos), alertando contra o socialismo que estava se infiltrando na sociedade americana. Na mesma universidade estudou violino, fazendo-o com tanto sucesso que se tornou regente de sua orquestra sinfônica.

Em 1913, aos 22 anos, recebeu em Yale o título de Bacharel em Artes. No ano seguinte casou-se com Helen Gerard Sherwood, com quem teve seis filhos, entre eles um homônimo que faleceu na infância, e uma filha que se tornou religiosa.

Em 1918 lecionou na Hartford Public School, e depois tornou-se chefe do departamento de inglês da Roxbury School por quase 20 anos. Em 1933 tornou-se professor de inglês no Manhattanville College of the Sacred Heart, em Nova York, no qual lecionou por 14 anos.


Foi em 1930, praticamente 20 anos depois de ter publicado seu primeiro livro e seis anos antes do início da Guerra Civil espanhola, que Walsh escreveu sua segunda obra: Isabella of Spain – The Last Crusader (Isabel da Espanha – A Última Cruzada) [foto ao lado], a primeira de uma série dedicada pelo autor ao Século de Ouro da Espanha. Seu sucesso fez com que a obra fosse traduzida na Espanha, Alemanha e França.

Em 1935 publicou a documentadíssima obra Philip II [foto abaixo], sobre esse grande rei da Espanha, recebendo elogios do London Times e do New York Times, que escreveu: “O livro ’Felipe II’ está tão completamente documentado, que deve permanecer como um retrato calmo e realista de um homem e uma época, muitas vezes mais excitante para a imaginação do que ficção, enquanto a suavidade de seu estilo literário impecável oferece constante deleite.” E a poderosa mega-empresa Amazon diz dessa obra em seu anúncio de venda: “O maior livro de Walsh ‒ sobre o rei mais poderoso da Europa de todos os tempos. Mas, mais do que isso, é um panorama de todo o século XVI. Abrange o nascimento do protestantismo e os esforços secretos para minar a unidade católica, as guerras huguenotes na França, o saque de Roma, o Grande Cerco, a Batalha de Lepanto, a Armada Espanhola, o Concílio de Trento etc.. E, Henrique VIII, Maria Tudor, Isabel I, São Pio V, Santa Teresa de Ávila, Santo Inácio de Loyola etc.”.



A sofreguidão de Walsh em resgatar de toda uma legenda negra uma obra da Igreja levou-o a publicar em 1940 os Characters of the Inquisition (Personagens da Inquisição) [foto abaixo] , a cujo respeito diz a mesma Amazon: “Este livro é sobre a Inquisição, particularmente a Inquisição Espanhola em oposição à Inquisição Romana nos anos seguintes à Reconquista Espanhola. Walsh investiga a Inquisição, sua prática, propósito, história e personalidades. A Inquisição não foi um festival de BDSM [sadomasoquismo] sanguinário que enlouqueceu. Foi uma resposta racional à infiltração da Igreja Católica por inimigos da fé cristã que fingiam ser cristãos para perverter o culto, a doutrina, e enfraquecer a cristandade. Quem quiser entender a Inquisição faria bem em ler Personagens e aprender sobre os heróis da Fé, Cardeal Ximenes, Torquemada e outros que lutaram o bom combate por Jesus Cristo e sua Igreja. Depois de ler este livro, você nunca mais olhará a Inquisição do mesmo modo”.



Em 1943 William Thomas escreveu um de seus mais conhecidos livros, sobre a grande mística e Doutora da Igreja Santa Teresa d’Ávila [foto ao lado], porque: “Quando li uma tradução inglesa da Autobiografia de Santa Teresa […] me perguntei se uma mulher na qual o divino e o humano se encontraram de maneira tão surpreendente poderia realmente ter sido tão banal, tão arrogante , tão conscientemente ‘literária’ como muitas vezes ela aparecia naquelas páginas. Mais tarde, quando pude ler o texto em espanhol, descobri que as qualidades irritantes não eram dela, mas de seu devoto tradutor”. Assim, com o texto original espanhol em mãos, escreveu um livro baseado nas “minhas próprias traduções, e tão literalmente quanto possível, mesmo com algum sacrifício de eufonia, sem excluir os ocasionais lapsos de gramática, referências errôneas e coloquialismos vigorosos de quem escreveu sem olhar para o efeito livresco, mas no momento em que ela falava — rápida, concisa, de vez em quando bastante desajeitada”.



No decurso do ano de 1946 ou 1947, Walsh tomou conhecimento dos surpreendentes acontecimentos em Fátima, Portugal. Impressionou-se tanto com eles, que resolveu deixar de lado todas as suas outras obras para ir àquele país recolher material para um livro que contaria a história do que lá se passou em 1917. Ele estava convencido de que nada é mais importante do que propagar o que a Mãe de Deus pediu nessas aparições tão incompreendidas, e das quais dependem o próprio futuro da humanidade. Entre muitas pessoas, entrevistou no convento das Dorotéias a única testemunha viva dos acontecimentos, a Irmã Maria das Dores (Lúcia), no que resultou o livro Nossa Senhora de Fátima [foto abaixo], que foi fundamental para trazer sua mensagem à atenção de milhões de católicos americanos.



Thomas Walsh escreveu algumas outras obras de vários gêneros, que não tiveram tanta repercussão como as citadas.

O livro São Pedro Apóstolo [foto abaixo] , de 1948, um ano antes de sua morte, foi o último que publicou. Dele diz o site do Good Reads: “‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja’ (Mateus 16:18). Raramente em toda a História um mero homem foi encarregado de uma responsabilidade tão terrível como a que foi delegada ao Príncipe dos Apóstolos quando Nosso Senhor pronunciou essas palavras. E é a história deste humilde pescador, tão curiosamente negligenciado pelos autores modernos, que William Thomas Walsh conta de forma tão brilhante”.



William Thomas Walsh foi premiado com a Medalha Laetare pela Universidade de Notre Dame em 1941, em reconhecimento pelo contributo de um católico americano à Igreja e à nação; e em 1944 foi homenageado pelo governo espanhol com a mais alta honra cultural da Espanha: A Cruz de Comendador da Ordem Civil de Afonso, o Sábio. Walsh foi o primeiro escritor norte-americano a receber tal honra. Muito escrupuloso, ele entrou em contato com o Departamento de Estado para saber se um “leal cidadão dos Estados Unidos” poderia aceitar tal honra de um governo estrangeiro.

Em 1947, enfrentando problemas de saúde, o escritor se aposentou do ensino, concentrando-se em terminar seu romance Nossa Senhora de Fátima. No ano seguinte, agravando-se muito seu estado de saúde, foi internado no Hospital Santa Inês, em White Plains, no estado de Nova Yor, onde haveria de morrer.

Diz a Imitação de Cristo que talis vita finis ita (tal vida, tal morte). Tendo levado uma vida ilibada e sempre segundo os princípios da Igreja, esse grande batalhador morreu como viveu: como verdadeiro filho da Igreja.

Assim, quando lutava entre a vida e a morte, seu dileto amigo, o Pe. William C. Mc Grath, responsável pelas visitas da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a levou a seu quarto. Wash olhou fixamente para a bela Imagem, tendo com ela um profundo colóquio mudo.

No dia 22 de janeiro de 1949, com apenas 58 anos incompletos, o grande batalhador faleceu na esperança de receber no Céu a recompensa demasiadamente grande que Deus reserva aos seus eleitos.

 

https://www.abim.inf.br/william-thomas-walsh-escritor-e-historiador-genuinamente-catolico/

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quinta-feira, 13 de maio de 2021

UMA CONJURAÇÃO ANTICRISTÃ – Padre David Francisquini



Padre David Francisquini*

 

      Ao criar nossos primeiros pais homem e mulher, Deus os abençoou, ordenou-lhes que crescessem e se multiplicassem e enchessem toda a Terra, sujeitando-a, como está escrito no livro Gênesis (1, 27-30): “Eis que vos dei todas as ervas, que dão sementes sobre a terra, e todas as árvores que encerram em si mesmas a semente do seu gênero, para que vos sirvam de alimento, e a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há alma vivente, para que tenham que comer. E assim se fez”.

      Como assim dispôs o Criador, cabe-nos, por nossa natureza e pelas potencialidades e riquezas que nos foram dadas, prover à nossa própria subsistência e trabalhar em função de nosso progresso natural e espiritual, rendendo assim maior glória a Deus. O mesmo Pai não criou seus filhos iguais, antes, os dotou de capacidades diferentes, como se pode depreender da parábola dos talentos.

      Com efeito, nela o servo que soube trabalhar e fazer render os talentos recebidos de seu senhor foi premiado com outros tantos, e o que enterrou o talento foi castigado. Como foi agradável aos olhos de Deus a diligência daquele que se empenhou em fazer progredir suas próprias qualidades, e como foi desagradável a acomodação daquele que se manteve inoperante diante dos benefícios recebidos!

      Todos nós sabemos que a existência do homem é anterior à do Estado, cuja ação deve ser apenas supletiva, ou seja, exercer-se somente quando o corpo social não dispuser de meios para realizar determinada tarefa. O contrário disso — a interferência em todos os aspectos da vida dos indivíduos e das sociedades — é uma característica do Estado socialista.

      Este último contraria a ordem natural e desafia disposições divinas, com consequências desastrosas para todo o corpo social, pois torna os homens negligentes, sem iniciativas e desinteressados, priva-os de sua liberdade de fazer o bem e os leva à miséria e à desolação, embrutecendo da sociedade e levando ao decrescimento da fé.



      Recordamos que há mais de 100 anos Nossa Senhora de Fátima alertou a humanidade para os nefastos erros que o comunismo espalharia pelo mundo por meio da Rússia. Tendo em vista as comemorações do próximo dia 13 de maio, data de sua primeira aparição aos pastorezinhos, vêm-me ao espírito algumas considerações que desejo compartilhar com os leitores.

      Por que, apesar de dotado de inteligência e de vontade — portanto um ser livre — tem o homem tão coarctada e perseguida em nossos dias sua liberdade para fazer o bem? Ele vem há séculos perdendo paulatinamente seus direitos fundamentais, como o de praticar a verdadeira fé, constituir e cuidar de sua família, ter a sua propriedade.

      Isso vem ocorrendo à maneira de um bolo colocado sobre uma mesa. Na medida em que as pessoas vão passando, cada qual tira um pequeno pedaço, e em pouco tempo o bolo desaparece… O mesmo se passa com os valores da alma, recebidos dos nossos maiores, que formavam o arcabouço de toda uma civilização fundamentada nos evangelhos.

      Como demonstra Monsenhor Delassus em seu imperdível livro A conjuração anticristã, existe um verdadeiro conluio para negar o pecado e a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele faz com que o homem vá perdendo espaço no panorama da civilização cristã e resvalando para uma vida tribal diametralmente oposta àquela plasmada pelos nossos incansáveis pregadores que evangelizaram o Ocidente.

      A alma brasileira, indelevelmente marcada pelos ensinamentos do Evangelho, vem sendo desconstruída pelos revolucionários de ontem e de hoje nos seus valores cristãos, como o casamento, a criação dos filhos, a ideia de Deus e da religião, a noção do bem e do mal, a perda das noções fundamentais de justiça, a desarmonia institucional, entre outros.

      De onde o constante apelo dos partidos de esquerda e do Judiciário no sentido de implantar ideologias nefastas, como o aborto, o incesto, a identidade de gênero, a poligamia, a adoção de filhos por parceiros homossexuais — como se tratasse de um casal normal —, o direito de herança, a eutanásia, entre outros crimes. Numa palavra, levando os homens para um despenhadeiro rumo ao caos, como já ocorre na Venezuela e na Argentina.

      Em seu processo de apodrecimento generalizado da sociedade, a Revolução gnóstica e igualitária vem aos poucos eliminando, envenenando e matando, aqui, lá e acolá, com uma força de expansão própria à dos gases, esses valores morais que a civilização cristã recebeu da Igreja e nos transmitiu, tentando eliminar assim a própria ligação do homem com Deus. É a crise religiosa instalada nos quatro cantos da Terra.

      Em decorrência do que se propaga sobre o vírus chinês do Cavid-19, parece que o mundo não voltará mais à normalidade anterior. Se Deus não intervier, será o advento de um estado de coisas em que não haverá mais para os homens liberdade de ir e vir, de gerir seus negócios e sua vida como melhor lhes aprouver, nem de praticar a religião, especialmente a única verdadeira — a católica —, numa satânica tentativa de conduzi-los ao desespero e ao ódio a Deus.

      Aqueles que reagem a esta avalanche são tachados arbitrariamente com epítetos de negacionistas, antidemocráticos, obscurantistas, contrários à ciência, todas elas palavras-talismãs cuidadosamente estudadas em laboratórios e utilizadas ad nauseam pela grande mídia para causar o maior estrago possível nas hostes conservadoras.

      Em suma, toda esta urdidura visa atacar no homem naquilo que lhe é natural — um ser racional e livre criado à imagem e semelhança de Deus —, para criar um homem novo à imagem e semelhança do demônio. Em seu frenesi desarticulador, tal é o objetivo final da fúria revolucionária.

      O ponto central da mensagem de Fátima trata dos erros da Rússia que se espalhariam pelo mundo para perder as almas. Urge atender aos apelos de Nossa Senhora, rezar e fazer penitência, recitar diariamente o terço, fazer a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados, e, sobretudo, mudar de vida e de comportamento diante dos descalabros das modas imorais.

      Lutemos e procuremos fazer a nossa parte. Deus, por meio de sua Mãe Santíssima, nos dará a vitória!

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/uma-conjuracao-anticrista/


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quarta-feira, 5 de maio de 2021

NA COVA DA IRIA, A FONTE DE ÁGUAS MILAGROSAS QUE FOI ESQUECIDA


O antigo fontanário de Fátima foi um manancial de incontáveis graças e milagres, de benefícios físicos e conversões até de pecadores empedernidos, a tal ponto que foi considerada como sendo a “Lourdes portuguesa”. Por que se ocultou essa abençoada fonte que fascinava todas as almas, cativava todos os corações?

Transcrição do editorial da revista Catolicismo*, Nº 845, maio/2021

 

Um enorme e dolorido calo no ombro, criado pelas cestas de peixe, depois de algum tempo se ulcerou e tornou-se canceroso. Era esta uma grave enfermidade para o peixeiro lisboeta Joaquim Neto. Contudo, não era o pior. Sua doença mais grave era moral: vivia com uma mulher com quem não era casado, tiveram três filhas, e para nenhuma delas pedira o batismo.

Apesar de tudo, Maria Filomena Macieira, a mulher, residente na Avenida 5 de Outubro, n° 201 (Lisboa), era devota de Nossa Senhora. Compadecida das dores de Joaquim, recebeu uma inspiração sobrenatural e aplicou em seu ombro canceroso algumas gotas da ‘água da fonte de Fátima’, rezando por sua cura.

Na manhã seguinte Joaquim estava completamente curado; e, carregando ao ombro o cesto de peixe, disse à mulher: “Estou doido de alegria. Desde que me pôs a água, não mais senti dores”. Derramando copiosas lágrimas, ambos ficaram sem saber como agradecer o milagre operado pela ‘água de Nossa Senhora’. A Sabedoria divina os iluminou, e decidiram realizar logo o matrimônio religioso segundo a Lei de Deus e batizar as três meninas. O que ocorreu no dia 9 de janeiro de 1927, festa da Sagrada Família.

Neste caso, foram dois os milagres — um físico e outro espiritual — sendo o mais prodigioso a conversão a Deus. A matéria de capa desta edição reproduz outros milagres ocorridos ao se fazer uso das águas da fonte de Fátima — a ‘Lourdes de Portugal’.


Milhares de milagres como este, todos comprovados, aconteceram pelo simples fato de os doentes beberem das ‘águas de Fátima’ ou nelas se molharem. Só o boletim Voz da Fátima (que já em 1937 contava com a excepcional tiragem de 380 mil exemplares) registrou mais de mil curas prodigiosas, que surpreenderam médicos e cientistas.

Cabe aqui uma pergunta: quem ouviu falar ou tem algum conhecimento desses milagres, muitos deles comprovados por médicos e autoridades? Tão geral desconhecimento faz pensar em um ‘tema proibido’. Por que ocultar tanta bondade maternal de Nossa Senhora, manifestada também desse modo a seus devotos em Fátima? Por que foram soterradas as abençoadas fontes?

De posse de documentos idôneos, a revista Catolicismo deste mês [capa acima] expõe pela primeira vez a seus leitores a história das ‘fontes de Fátima’. Uma história comovedora e maravilhosa de curas corpóreas, mas sobretudo de graças espirituais e curas morais, como a de empedernidos pecadores e libertinos que inesperadamente se converteram, fazendo uso das águas da Cova da Iria.

Supliquemos à Senhora de Fátima, Salus Infirmorum, que opere o grande milagre universal da conversão de toda a humanidade neopagã, mesmo que se tenha de passar antes pelos merecidos castigos. E também, como outra graça prometida por Ela, o advento de seu reinado na Terra.


* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

 

https://www.abim.inf.br/na-cova-da-iria-a-fonte-de-aguas-milagrosas-que-foi-esquecida/

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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

POR QUE SE TÊM EMPREGADO O TERMO “ENTREGA” EM VEZ DE “CONSAGRAÇÃO”?

14 de agosto de 2020

Padre David Francisquini


Pergunta — Durante a pandemia do coronavírus, fiéis de vários países pediram a seus episcopados que renovassem a consagração de suas nações a Nossa Senhora, a fim de obter a sua benevolência e o fim da pandemia. Chamou-me a atenção que os bispos da Itália e de Portugal, nos respectivos atos litúrgicos que realizaram para atender a esse pedido, reservaram a palavra “consagração” exclusivamente a Jesus. No que se refere a Maria, empregaram em Fátima o termo “entrega”; e “no santuário italiano de Caravaggio, “affidamento”, que quer dizer a mesma coisa. Achei isso estranho, já que Nossa Senhora em Fátima pediu a “consagração” da Rússia (não apenas a “entrega”) ao Imaculado Coração de Maria. Se a Rússia pode ser consagrada à nossa Mãe do Céu, por que não Portugal ou Itália, quanto mais em uma emergência tão grave como esta?

Resposta — Essa reticência dos prelados e dos teólogos em empregar o termo “consagração” em relação a Nossa Senhora vem desde o tempo anterior ao Concílio Vaticano II, sob pretexto de que “uma consagração propriamente dita não se faz senão a uma Pessoa divina, pois a consagração é um ato de latria, cujo termo final apenas pode ser Deus”, como escreveu o jesuíta Pe. Juan Alfaro.[1]

De fato, em sentido estrito, a consagração é o ato pelo qual uma coisa é transferida de um uso comum e profano para um uso sagrado; ou o ato pelo qual uma pessoa ou coisa é dedicada ao serviço e ao culto de Deus por meio de orações, ritos e cerimônias. Assim, fala-se da consagração de uma igreja, de um altar ou de um bispo. O conceito tem um aspecto positivo, o de pertencer total e exclusivamente a Deus. E um aspecto negativo, que é o de subtrair o uso profano.

Ao longo dos séculos a Igreja não hesitou em empregar a palavra “consagração” para exprimir o dom e a oferenda que uma pessoa, um grupo humano ou uma região fazem de si a uma criatura de Deus, como Nossa Senhora, a Igreja ou uma Ordem religiosa, como um meio para melhor servir ao próprio Deus. Até na linguagem comum se utiliza esse termo para exprimir uma dedicação total. Por exemplo, quando dizemos que uma pessoa se consagrou a uma causa ou a um trabalho.

Como é isso possível, se somente Deus, Criador e Senhor de tudo quanto existe, tem direito à pertença (domínio) total e exclusiva de suas criaturas? A resposta é que se trata aí da aplicação deste princípio conhecido: quando se diz algo de Deus, a referência é em sentido próprio; quando se diz o mesmo de uma criatura, o sentido é apenas analógico.

O protestantismo é contrário à vassalagem a Nossa Senhora


Na Basílica de São Pedro, imagem de São Luís Maria Grignion de Montfort

Já no século IV a noção de pertencer a Nossa Senhora aparece nos escritos de Santo Efrem, o Siríaco; e no século seguinte, uma “santa servidão” a Ela, pela qual os que a praticavam eram chamados “servos de Maria”. No século VII, provavelmente em 626, depois do cerco dos ávaros e dos persas, a cidade de Constantinopla exprimiu no hino Akathistos sua pertença Àquela que os tinha salvo: “A Vós, capitã e defesa, canções de vitória e de gratidão. Mãe de Deus, eu consagro vossa cidade, libertada de ameaças horríveis”. Santo Ildefonso de Toledo (+667) difundiu a ideia da consagração a Nossa Senhora, ou mais precisamente “da dedicação plena ao seu serviço”.

No século VIII, São João Damasceno elaborou ainda mais o tema da consagração a Maria. Numa passagem de seu sermão sobre a dormição, escreveu: “A Vós consagramos nossas mentes, nossas almas e nossos corpos – em uma palavra, todo nosso ser”. Empregou sem hesitar o verbo grego anathemeni, que significa reservar para uso sagrado, configurar como presente votivo, dedicar, separar.

Na sociedade feudal da Idade Média, não causava nenhuma estranheza a ideia da dedicação total a um senhor feudal inferior. A sociedade era então baseada sobre um sistema de vassalagens sucessivas, pelo qual o senhor de um vassalo era, por sua vez, vassalo de um senhor mais alto, até chegar ao rei. E todos compreendiam que, se cada vassalo em seu respectivo nível servisse bem ao seu senhor, o maior beneficiário final dessas dedicações era o soberano.

Assim, a ideia da consagração a Deus por meio de Maria entrou muito fundo na espiritualidade de muitos santos, de várias Ordens, congregações e do próprio povo. O conceito de vassalagem a Nossa Senhora só foi questionado pela revolução protestante, com a orgulhosa pretensão de que cada batizado estabeleça uma relação direta com Deus, sem nenhuma intermediação da Igreja, de seus sacramentos e de seu magistério. O pretexto para isso é que tal vassalagem afastaria de Cristo, único Mediador.

O Cardeal Pierre de Bérulle (+1629), fundador da chamada “escola francesa” de espiritualidade, impôs à Congregação do Oratório e aos carmelitas o voto de servidão a Maria. Levantou-se então grande ofensiva de libelos anônimos motivados pelo jansenismo, que era uma versão moderada dos erros protestantes. O voto de escravidão proposto pelo Cardeal de Bérulle foi condenado pelas universidades de Louvain e Douai.

Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria

No Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort fundamenta de modo irrefutável que a escravidão a Maria é o meio mais rápido, fácil e seguro de se conformar a Jesus Cristo. Para evitar uma condenação semelhante à do Cardeal de Bérulle, o grande santo mariano tomou o cuidado de intitular sua fórmula de escravidão mariana “Ato de consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, pelas mãos de Maria”. A descoberta desse livro em meados do século XIX fez com que a Mariologia se desenvolvesse resolutamente nos meios teológicos, e que dezenas de milhares de fiéis fizessem sua consagração a Nossa Senhora nos termos propostos por São Luís de Montfort.

Esse movimento de entusiasmo por parte dos escravos de amor da Santíssima Virgem foi indiretamente convalidado pelas aparições de Nossa Senhora em Fátima, nas quais Ela disse que viria solicitar a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, a ser realizada pelo Papa em união com todos os bispos do mundo.

No dia 31 de outubro de 1942, num momento crítico da Segunda Guerra Mundial, o Papa Pio XII, numa Radiomensagem aos fiéis portugueses, fez um ato de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, nos seguintes termos: “A Vós, ao vosso Coração Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos, consagramos não só a Santa Igreja, corpo místico de vosso Jesus, que pena e sangra em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo, dilacerado por mortíferas discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de suas próprias iniquidades”. Um pouco adiante o Papa fez uma analogia entre seu ato e aquele de seu predecessor Leão XIII: “Como ao Coração do vosso Jesus foram consagrados a Igreja e todo o gênero humano, […] assim desde hoje Vos sejam perpetuamente consagrados também a Vós e ao vosso Coração Imaculado, ó Mãe nossa e Rainha do mundo”.

Honrando a Santíssima Virgem, honra-se Jesus Cristo

Papa Pio XII

Dez anos mais tarde, em julho de 1952, o mesmo Pio XII, atendendo às instantes súplicas recebidas do mundo inteiro, declarou solenemente na Carta Apostólica Sacro Vergente Anno: “Tal como há alguns anos Nós consagramos todo o gênero humano ao Coração Imaculado de Maria, Mãe de Deus, hoje consagramos e confiamos todos os povos da Rússia a este Imaculado Coração”.

Durante sua visita a Fátima, no cinquentenário das aparições, Paulo VI publicou a exortação Signum Magnum,na qual encorajou todos os filhos da Igreja “a renovar sua consagração ao Imaculado Coração de Maria”. No sermão que fez em Fátima no dia 13 de maio de 1982, João Paulo II declarou: “Consagrar o mundo ao Coração Imaculado de Maria significa aproximar-nos, mediante a intercessão da Mãe, da própria Fonte da Vida, nascida no Gólgota. […] Consagrar o mundo ao Imaculado Coração da Mãe significa voltar de novo junto da Cruz do Filho. Mais quer dizer, ainda: consagrar este mundo ao Coração transpassado do Salvador, reconduzindo-o à própria fonte da Redenção”. Em 25 de março de 1984, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, levada a Roma para a ocasião, João Paulo II proclamou: “Abraçai, com o amor da Mãe e Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos. De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade”.

Não obstante essa utilização pelos Papas da expressão “consagração”, em ocasiões solenes, para referir-se à entrega do mundo a Maria ou ao seu Imaculado Coração, nos ambientes progressistas o emprego dessa expressão é asperamente contestado, em nome dos princípios do Concílio Vaticano II. Para os prelados e os teólogos dessa corrente, a inserção da Igreja no mundo leva a uma minoração do sagrado e da ideia de consagração, enquanto implicando uma separação do mundo, em lugar de uma presença e comunhão fraternas junto a ele. Além do mais, a redescoberta da consagração fundamental a Deus, no batismo, tornaria supérfluas quaisquer outras consagrações ou devoções. E alegam finalmente que um maior rigor na linguagem teológica desaconselharia aplicar o mesmo vocábulo para se referir à entrega a Deus e a Maria.


No peito da imagem, o medalhão com as belas palavras: “Consagração da Paróquia d’Ars a Maria concebida sem pecado, feita em maio de 1836 pelo Pe. João Maria Vianney, o cura d’Ars”. [Foto: Frederico Viotti]

Essas críticas fazem lembrar aquilo que São Luís Grignion de Montfort diz a respeito dos devotos escrupulosos: “São pessoas que têm receio de desonrar o Filho ao honrar a Mãe, de rebaixar o primeiro ao elevar a segunda. Eles conseguem suportar que se deem à Santa Virgem louvores muito justos, como lhe deram os santos Padres; eles não suportam senão com dificuldade que haja mais gente de joelhos diante de um altar da Santa Virgem do que diante do Santíssimo Sacramento, como se um fosse contrário ao outro; como se aqueles que rezam à Santa Virgem não rezassem a Jesus Cristo! […] Trata-se de uma perigosa e sutil armadilha do maligno, com a desculpa de promover um bem maior; pois jamais se honra mais a Jesus Cristo do que quando se honra a Santíssima Virgem, porquanto não se honra a Mãe a não ser com a finalidade de honrar mais perfeitamente o Filho, pois só se vai a Ela como sendo o caminho para encontrar o termo aonde se vai, que é Jesus Cristo”.

A conclusão do santo é de que a melhor forma de devoção a Nossa Senhora é consagrar-se a Ela como escravo, pois “esta Consagração é feita conjuntamente à Santíssima Virgem e a Jesus Cristo: à Santíssima Virgem como ao meio perfeito que Jesus Cristo escolheu para se unir a nós e nos unir a Ele; a Nosso Senhor como ao nosso fim último, a quem devemos tudo o que somos, como a nosso Redentor e nosso Deus. Com esta devoção damos a Jesus Cristo tudo o que lhe podemos dar, e da maneira mais perfeita, porque o fazemos pelas próprias mãos de Maria”.

Pelo exposto, compreende-se que é totalmente infundado, e contrário ao ensino constante do Magistério e dos santos, o receio dos bispos italianos e portugueses de empregar o termo “consagração” no ato de confiar seus países e seus povos a Nossa Senhora, pedindo sua proteção na atual epidemia.

Não duvidamos em afirmar que essa frieza de altos prelados em relação à sua Mãe é o espinho mais doloroso que fere o Sagrado Coração de seu Filho. Ofereçamos a Ele, em reparação, nossa mais terna devoção a Nossa Senhora e nossa consagração a Ela, de preferência segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.


[1] “Il cristocentrismo della consacrazione a Maria nella congregazione mariana”, Stella mattutina, Roma, 1962, p. 21.

https://www.abim.inf.br/por-que-se-tem-empregado-o-termo-entrega-em-vez-de-consagracao/


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sexta-feira, 19 de junho de 2020

ALGUMAS FRASES PARA MEDITAÇÃO NESTE DIA 19 DE JUNHO, NO QUAL A SANTA IGREJA CELEBRA O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

19 de junho de 2020

“Vistes o inferno para onde vão as almas dos pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado”.
(Revelação de Nossa Senhora de Fátima)
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“Deus concede-nos as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; que as peçam a Ela; o Coração de Jesus quer que, a Seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria”.
(Santa Jacinta de Fátima)
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“A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele quem curará todos os nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.
(Pio IX)
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“Nossa Senhora saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande tarefa de nosso reerguimento moral. Com o Coração de Maria, todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu, aberta de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta, ninguém a poderá fechar — nem o demônio, nem o mundo, nem a carne”.
(Plinio Corrêa de Oliveira)




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sexta-feira, 12 de junho de 2020

PENSAR — UMA NOVA MODA? – Marcos Luiz Garcia

12 de junho de 2020
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Marcos Luiz Garcia

          Não poucas pessoas obrigadas a ficar em casa devido a imposições de autoridades locais vêm se entregando a uma atividade que lhe é própria, mas estava ficando ultrapassada: pensar. Sim, nolens, volens, a Covid-19 está propiciando o exercício da faculdade que nos distingue dos irracionais, além de outra, ainda mais nobre, que é a oração.
         Tal é a catadupa de informações sobre ovírus chinês e a guerra movida pela esquerda — de todos os naipes — para derrubar o governo eleito e implantar no Brasil um regime comunista semelhante ao da China, que todos que tomam conhecimento delas vão ficando atordoados. Quanto mais informação a pessoa procura, tanto mais confusa ela fica.
          À medida que se começa a deixar de lado, por instintiva defesa mental, as informações com que somos diuturnamente bombardeados, vai-se percebendo que os números de doentes e mortos apresentados pela estatísticas não inspiram confiança.
          Por exemplo, não fica claro porque a mídia não publica fotos de engarrafamento de ambulâncias e carros fúnebres diante dos hospitais e dos cemitérios. Se não publica é porque o número desses veículos é pequeno.
         Uma pessoa conhecida minha, que reside nas cercanias do estádio do Pacaembu (onde o governo do Estado montou tendas de emergência para tratamento de Covid), me disse que quase não se vê movimento de ambulâncias ou de carros fúnebres no local.
          Também no cemitério da Vila Formosa, designado para sepultar os mortos vitimados pelo coronavírus cujas famílias são mais desprovidas de recursos, a mídia não publica nenhuma foto de engarrafamento.
           Habituada a exagerar o que convém à esquerda, a mídia brasileira exploraria cenas dessas até o delírio, se elas existissem de fato. Pergunto: Qual o interesse em exagerar os números, uma vez que mesmo os contagiados anunciados pela Prefeitura de São Paulo, cidade com 12 milhões de habitantes, não equivalem a mais do que 0,58%, e o de mortos a 0,034% da população? Convenhamos, há outras doenças que matam muito mais do que essa.
          Outro aspecto que chama a atenção é a “coincidência” de os cinco estados cujos governadores são mais entranhadamente contra o governo federal — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Amazonas — com um total de 82 milhões de habitantes — somarem maior cifra de óbitos do que os cinco estados mais favoráveis ao governo central — Minas, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e Santa Catarina —, com uma população total de 52.500.000.
          Para aumentar a confusão, veja o que a UOL publicou no dia 31 de março p.p.:
          “O porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, lançou um alerta hoje sobre o uso indiscriminado de máscaras pelas pessoas que não querem se infectar pelo novo coronavírus, garantindo que possa haver uma falsa sensação de segurança. O uso não é requerido para pessoas saudáveis. Em vez disso, as pessoas com sintomas é que devem usá-las, para proteger os demais, assim como os que cuidam dos doentes em casa e estão mais expostos ao vírus, explicou o representante da entidade.”
          Ora, usar máscara é norma geral no Brasil, que afirma seguir as normas da OMS. Como fica a contradição?      O mais grave, entretanto, é o lado espiritual da situação: as igrejas fechadas e as pessoas sentindo pouco a falta dos sacramentos. Muitos estão se adaptando à nova maneira de praticar a religião via internet. Em casa mesmo, diante de uma tela, largados num sofá, em muitos casos semidespidos, comendo um pedaço de pão e tomando um pouco de vinho, à guisa de comunhão.
          No final das contas ficam satisfeitos, pois com décadas de deformação conciliar, consideram normal que essa seja a nova forma de cumprir suas obrigações em relação a Deus… Afinal, como isso tudo vai acabar? — A primeira parte das previsões de Fátima está se cumprindo e se espera grande número de conversões. Depois virá o cumprimento total das previsões: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!”, conforme Ela garantiu.


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quarta-feira, 13 de maio de 2020

UM MANTO DE LUZ QUE ATRAVESSA O MUNDO A PARTIR DE FÁTIMA


Antoine Mekary | ALETEIA

Redação da Aleteia | Maio 12, 2020

Celebrações do dia de Nossa Senhora de Fátima não terão a presença dos fiéis no seu santuário, em Portugal. Mas será possível acompanhar tudo pela internet


Pela primeira vez na sua história, o Santuário de Fátima vai celebrar os dias 12 e 13 de maio sem peregrinos nos seus espaços. Isso devido às decisões sanitárias impostas pelas autoridades por causa da pandemia provocada pela Covid-19.

“Este é um momento doloroso: o Santuário existe para acolher os peregrinos e não o podermos fazer é motivo de grande tristeza; mas esta decisão é igualmente um ato de responsabilidade para com os peregrinos, defendendo a sua saúde e o seu bem-estar”, disse o reitor do Santuário de Fátima.

“Não podemos contar com a vossa presença física, mas gostaríamos de poder contar convosco. Porque não se peregrina só com os pés, mas também com o coração, propomos-vos que façais conosco uma peregrinação pelo coração, em que o caminho não é físico, mas interior”, afirma ainda o padre Carlos Cabecinhas, desafiando os peregrinos a acenderem, na noite do dia 12 de maio, a partir das 21h30 (horário local), nas janelas de suas casas, uma vela, repetindo assim um dos gestos mais icônicos de Fátima.

Shutterstock

“Neste maio, o Santuário de Fátima é do tamanho do mundo. Celebraremos, em festa, a primeira Aparição de Nossa Senhora neste lugar, aonde veio para deixar uma mensagem de esperança, num tempo que também era marcado por tantas tribulações. ‘Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus’, disse Nossa Senhora a Lúcia. Que esta esperança , que deve ser marca presente em cada cristão, nos dê alento e nos guie até ao dia em que vamos, por certo, voltar a poder estar todos reunidos na Cova da Iria para, juntos, celebrarmos a nossa fé” afirmou o padre Carlos Cabecinhas.

Como assistir às celebrações

As celebrações destes dias 12 e 13 de maio decorrerão no Recinto de Oração, que estará fechado ao público. No entanto, os peregrinos de Fátima podem acompanhar as celebrações através da internet, nomeadamente no canal do Youtube, no site ou no Facebook do Santuário.

As celebrações, sem a presença física de peregrinos e apenas com a presença das pessoas diretamente implicadas nos diferentes momentos celebrativos, começam no dia 12, às 21h30 (horário local), com o Lucernário, na Capelinha das Aparições; segue-se a oração do Rosário e Procissão de Velas, num trajeto mais curto até ao Altar do Recinto. Aí haverá uma celebração da Palavra, regressando depois a Imagem de Nossa Senhora à Capelinha das Aparições.

No dia 13, a habitual oração do Rosário começa às 9h00, na Capelinha das Aparições e às 10h00 (horário local) será celebrada a Missa da Solenidade de Nossa Senhora de Fátima, presidida pelo cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. As celebrações terminam com a Procissão do Adeus.



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quinta-feira, 16 de abril de 2020

BIOS CONTRA MAMON - Marcos Luiz Garcia


16 de abril de 2020


Marcos Luiz Garcia

O coronavírus está mudando a fisionomia do mundo. Mais precisamente, as medidas preventivas estão mudando completamente a situação mundial. Será razoável? Será proporcional?

As autoridades divergem em suas avaliações. Só uma coisa é sólida: o empobrecimento acentuado dos países.

Antigamente, o zelo do clero e a fé dos fiéis se traduziam em tais ocasiões em cerimônias nas quais orações acompanhadas de ardentes e ininterruptos pedidos de misericórdia subiam ao Céu até obter de Deus a cessação da epidemia, da catástrofe, da guerra.

Hoje, não. As igrejas estão fechadas, inclusive não ocorreram as cerimônias de Semana Santa com os fiéis. Por quê?

Porque não se acredita mais que dessas celebrações se obtêm os grandes auxílios sobrenaturais. Até fontes de milagres como Lourdes foram fechadas!

Acompanhe-me, por favor, no seguinte raciocínio.

Após as transformações operadas pelo Concílio Vaticano II acentuou-se no mundo moderno a ideia de que o mais importante na vida é ter saúde e dinheiro.

Mesmo dentro das igrejas, o maior empenho era pela vida, simplesmente, não pela vida humana que é espiritual, mas pela vida humana no que ela tem de “animal”. “Somos pela vida” era o que mais se ouvia.

Além disso, a sociedade em geral sobrevalorizou a um grau extremo a ideia de que, além da saúde, o importante era ganhar dinheiro e, consequentemente, de que as pessoas, com ou sem vocação, deveriam cobiçar um diploma universitário, em detrimento de outras profissões dignas e indispensáveis à sociedade.

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira disse inúmeras vezes que a sociedade estava ficando de tal maneira paganizada, que Deus já não lhe dizia quase nada. Mas que a saúde e o dinheiro diziam tudo. Esse duplo interesse ele o comparou aos dois deuses da mitologia pagã: Bios (o deus da vida, da saúde) e Mamon (o deus do dinheiro).

Esses falsos deuses imperaram até há pouco.

O Sínodo da Amazônia, conforme afirmado por Dom Claudio Hummes, estava preparando uma Igreja com nova fisionomia, não só para a Amazônia, mas para o mundo inteiro. Seria a igreja dos pobres, ela mesma pobre e miserável.

Eis palavras de Dom Hummes na catacumba de Santa Domitila, por ocasião de uma renovação do Pacto das Catacumbas, realizado durante o Sínodo da Amazônia: “Todas as grandes maldades do mundo são por causa do dinheiro; é a corrupção, é o roubo, guerras, conflitos, são mentiras. Tudo para juntar dinheiro, para ganhar dinheiro às custas de qualquer coisa. O dinheiro é o grande inimigo de Jesus, pois você não pode servir a Deus e ao dinheiro.”

Estranha coincidência o fato de todas as medidas preventivas globais contra o Covid-19 serem de molde a empobrecer sensivelmente os povos não comunistas…

Mas como fazer para que uma população mundial ávida de dinheiro e de prazer se resigne a abrir mão de seu dinheiro, dinheirão ou dinheirinho?

A estratégia foi jogar o deus Bios contra o deus Mamon, ou seja, a saúde contra o dinheiro, pois viver é ainda mais forte do que possuir. É preferível empobrecer a morrer.

Se este raciocínio for verdadeiro, não estranharia que as esquerdas tentassem de tudo para aproveitar essa tragédia para empurrar a população mundial rumo a uma pobreza cubana, venezuelana ou chinesa.

Verdade ou não, o certo é que aos olhos dos devotos de Nossa Senhora de Fátima se trata do descumprimento total dos desejos manifestados por Ela em sua Mensagem, ou seja, que os homens fizessem penitência e se convertessem de seus pecados. O que estamos vendo é a degringolada moral pasmosa que atingiu toda a humanidade.

Hoje estamos com todas as igrejas fechadas, inclusive a própria basílica de São Pedro, no Vaticano, fechadas. O clero católico se curvou diante de Bios e mostrou que sua fé é fraca, se é que ainda existe. Porque outrora seus membros iam para junto dos enfermos para atendê-los e confortá-los na hora extrema. E muitos morriam por se exporem heroicamente à contaminação pelo bem das almas.

Como não poderia deixar de ser, Nosso Senhor Jesus Cristo está suscitando clérigos heroicos, com fé ardente e inabalável, capazes de não se vergarem diante de Bios nem de Mamon, nem do Covid-19, mas de cumprir heroicamente sua missão de preencher os tronos do Céu com almas santas.

Embora minoritários, crescem a cada dia. Rezemos a Nossa Senhora de Fátima por eles. E peçamos acima de tudo a Ela que não permita a extinção da Santa Missa e dos demais sacramentos da única Igreja verdadeira e faça vir o quanto antes o triunfo do seu Imaculado Coração.


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terça-feira, 14 de abril de 2020

A GRIPE, A CHINA, A REVOLUÇÃO CULTURAL E FÁTIMA


14 de abril de 2020
 Lidador

Tanto a perspectiva histórica como a análise rigorosa dos fatos favorecem uma lúcida e objetiva percepção da realidade presente e futura. Por isso, dizia o nosso grande Padre António Vieira: “Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro”.[1]

Há cerca de três décadas, ruiu o muro de Berlim [foto] e desmoronou-se, com estrondo e vergonha, o mundo soviético, ponta de lança do imperialismo comunista, o qual propugnava a implantação de Estados totalitários no mundo inteiro, os quais, por sua vez, haveriam de conduzir a humanidade a uma “igualdade” absoluta entre todos os homens e a uma radical “liberdade”. O igualitarismo radical e anárquico era a sua meta última. Não se pense, porém, que tal meta foi, depois disso, abandonada. A queda do muro não foi, ao contrário do que muitos disseram, o canto de cisne do comunismo. Persistiram sob o mesmo jugo totalitário a Coreia do Norte, o Vietnã, Cuba, a China Maoista, a Venezuela e muitos outros países, sobretudo na África…

Vinte anos antes da queda do comunismo soviético, já fora anunciada, para quem quisesse ver, uma das metamorfoses que deveria sofrer o coletivismo. Foi em Paris que se deu este anúncio, em Maio de 68. A Revolução Cultural então propugnada visava transformar radicalmente as mentalidades, constituindo um novo capítulo da guerra psicológica revolucionária. Tratava-se de uma guerra de conquista psicológica total, visando o homem na sua integridade.

Uma das modalidades dessa guerra psicológica pós-Sorbonne, que numerosos autores socialistas[2] e comunistas passaram a reconhecer como indispensável para escapar ao pântano em que se afundara o comunismo, que acabara por revelar toda a sua hedionda fisionomia sanguinária, entre “gulags”, deportações em massa, genocídios e campos de trabalhos forçados, seria uma silenciosa e sorrateira transformação operada agora na vida quotidiana dos países “capitalistas”; nos seus costumes, mentalidades, modos de ser, de sentir, de viver… Tal transformação prepararia, então, as mudanças socioeconômicas destinadas a submeter totalmente as consciências ao todo-poderoso Estado totalitário.

Esta fase revolucionária, então desencadeada, é, na verdade, uma subtil guerra psicológica e tendencial que pretende tornar possível a tão almejada utopia igualitária e libertária. Sem estas mudanças, as vitórias revolucionárias no campo político-ideológico tornar-se-iam necessariamente efêmeras, pois a reações inevitavelmente suscitadas pela implantação do totalitarismo coletivista serão sempre um empecilho para o avanço do projeto.[3]

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Ora, aconteceu precisamente que, ao longo dos últimos trinta anos, se difundiu pelo mundo um grande movimento de resistência à dita agenda única, que se tornara a principal promotora do aborto, da eutanásia, da união e adoção homossexual, da ideologia de gênero, do ecologismo, do animalismo, etc.. Países com grande importância na geopolítica mundial viram a sua opinião pública despertar da letargia em que caíra e eleger políticos que se apresentavam, de algum modo, como opositores da dita agenda. Nesse sentido, pode-se afirmar que a revolução perdeu terreno.

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Enquanto tudo isto acontecia, o gigante chinês, alentado pelas faraônicas concessões ocidentais, a partir da visita de Nixon à China, em 1972[4], pelos suicidas acordos de Xangai,[5] e por uma parcial liberalização interna da iniciativa privada — sob a forma de verdadeiro “capitalismo selvagem” — e sem nada abandonar do seu comunismo totalitário e ferreamente despótico, começou a tomar posição claramente dominante no panorama internacional,[6] com o objetivo — nas palavras de Xi Jinping —, de “recuperar todo o poder da China imperial». As nações ocidentais «estúpidas e decadentes” passaram a colaborar entusiasticamente para fortalecer ao máximo a potência amarela.[7] Esta, de seu lado, dedicou-se, entretanto, a incrementar o seu potencial bélico, sempre servido pelo portentoso aparato de um partido com os seus alegados 90 milhões de membros, e avançou em todo o mundo para a aquisição de incontáveis bancos, empresas, sociedades comerciais, tecnologia de ponta, matérias-primas e bens de toda a espécie. Começaram a instalar bases militares, no estratégico porto de Djibuti (Mar Vermelho), no sul da Argentina, no norte do Afeganistão, em numerosas ilhas e atóis do Índico e do Pacífico, além de diversos pontos da chamada “Rota da Seda”. Também passaram a controlar pontos estratégicos do planeta, em troca de infra-estruturas que os países necessitavam, mas não conseguiam pagar. É o caso do porto mais importante do Sri Lanka, da linha de caminho-de-ferro de Benguela, em Angola, de diversas obras em Moçambique, do porto do Pireu na Grécia ou do aeroporto de Toulouse, em França. Dez por cento dos portos europeus passaram, deste modo, para controle chinês.
Um povo disciplinado ferreamente pela estatolatria, e acolhido benevolamente pela OMC, despejou pelo mundo inteiro os seus produtos — muitíssimos deles contrafeitos e a preços irrecusáveis — assim competindo de forma arrasadora na economia de mercado. Competição muitas vezes desleal, dado o baixíssimo custo da sua mão-de-obra, que não se vê como qualificar senão como “escrava”.
Assim, pois, o mínimo que se poderia esperar de tal potência — dotada agora de um incrível poderio militar — é que procurasse a expansão da sua influência e da sua ideologia numa colossal manobra geopolítica.

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Em Sevilha, a Ponte de Triana totalmente abarrotada numa das procissões de Semana Santa de 2019. Na imagem inferior, foto do mesmo lugar no recente Domingo de Ramos.

Ora, precisamente neste ano de 2020, encontramos de súbito, como num imprevisto passe de mágica, o modus vivendi chinês implantado em quase todo o Ocidente. Com efeito, desde que se disseminou a nova e perigosa gripe que teve origem naquele país, as populações viram-se, de repente, confinadas em casa, sem liberdade de ir e vir, e numa total dependência da vontade do Estado. As próprias igrejas foram fechadas e os fiéis privados dos sacramentos, até mesmo os moribundos. Justamente durante a Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa, cujas cerimônias litúrgicas foram banidas das igrejas…[8]

Tal como na China, as liberdades em geral tornaram-se absolutamente restritas e controladas pelo poder central. Esta crise, empolada ad nauseam pelos media,[9] desencadeará inevitavelmente uma gravíssima crise econômica em todo o Ocidente, já confirmada pelos mais abalizados economistas, que levará os povos ocidentais a dependerem ainda mais dos respectivos Estados, e, sobretudo, de uma China, súbita e surpreendentemente curada da gripe, e que aparece, de repente, a controlar toda a economia global de um mundo sem fronteiras.

Curiosamente, em todo o mundo ocidental, os partidos da esquerda, de centro-esquerda e ecologistas parecem perceber que tudo isto leva justamente aonde eles queriam. O Courrier internacional, corifeu da esquerda internacional, suplemento do Le Monde, que em Portugal é uma revista mensal, tem afirmado reiteradamente, que só o pânico poderá alterar a forma de viver dos consumistas.[10] Numa das suas capas chegou a perguntar solenemente se não terá chegado o momento de impor ao mundo a agenda climática.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, com Xi Jinping

O securitarismo hodierno pretende a todo o custo ver na OMS um oráculo da verdade. O seu diretor-geral declarou, há algumas semanas, que a presente gripe constituía uma pandemia. As tubas da mídia continuam a dar repetido eco às suas palavras de tons apocalípticos. Convém não esquecer, contudo, que este senhor é um marxista militante, que foi ministro da saúde da Etiópia, envolvido em diversas controvérsias no seu país, como a de ter encoberto epidemias de cólera e de estar acusado de graves escândalos de corrupção fiscal. Outro pormenor inquietante: o governo comunista chinês não deixou de manifestar especial regozijo quando da sua nomeação como diretor-geral da OMS.

Por outro lado, convém não deixar de sublinhar que a Covid 19, embora provoque elevada mortalidade, não se aproxima, nem de longe, dos números de outras epidemias, como foi o caso da tuberculose e da gripe espanhola ou pneumônica. Esta matou 50 milhões de pessoas e infectou mais de um terço da população mundial, nos anos de 1918 e 1919,[11] causando mais mortes do que a 1ª Guerra Mundial. Por sua vez, a gripe H1N1 matou entre 200 e 400 mil pessoas segundo diversas estimativas, só no ano de 2009.[12] Na última década, houve um aumento dramático do número de variantes graves do vírus influenza, que entra na população humana a partir de reservatórios animais.

Convém referir ainda que a gripe do Covid-19 atinge de modo especialmente letal ou perigoso aqueles que já estão fragilizados por diversos outros motivos e, embora ainda não exista uma vacina, a esmagadora maioria dos infectados — mais de 80% [13] — recupera-se naturalmente pela reação dos seus próprios anticorpos, ou por medicamentos já disponíveis para doenças afins, mas altamente eficazes contra o coronavírus.[14]

No entanto, o diktat da imprensa e de muitos governantes, contrariando a opinião de abalizados cientistas, é de que se torna indispensável impor uma drástica quarentena, confinamento em casa e cordões sanitários em torno das cidades, obrigando ao encerramento da maior parte das empresas. Tal paralisação, que muitos especialistas qualificam como contraproducente do ponto de vista epidemiológico,[15] produzirá inevitavelmente consequências econômicas catastróficas, com as suas sequelas de desemprego, fome, desordens sociais e até guerras. Ao mesmo tempo, de cá e de lá, vão surgindo melífluas vozes de sereia a anunciar o advento de uma radical mudança de paradigma social e econômico no mundo inteiro, rumo a uma sociedade claramente miserabilista. Outros vão dizendo que o mundo jamais será o mesmo e que teremos de alterar radicalmente, nesse mesmo sentido, os nossos hábitos.

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Imagem de Na. Sra. de Fátima (ladeada por Francisco e Jacinta) da Basílica da Estrela, Lisboa [Foto PRC]

Neste ponto, seria oportuno regressarmos a uma perspectiva histórica, olhando para o início do século XX, quando outra gripe, chamada espanhola ou pneumônica, de fato causou uma verdadeira hecatombe. Duas das suas vítimas foram precisamente os pequeninos pastores a quem Nossa Senhora aparecera: Francisco e Jacinta Marto.

Num lugar perdido da Serra d’Aire, um acontecimento histórico acabara de colocar Portugal novamente no centro da História, no ano de 1917. Foram as aparições de Nossa Senhora em Fátima, exatamente quando rebentava na Rússia a revolução bolchevique. O milagre do Sol, as previsões sobre as guerras mundiais, sobre a expansão dos erros do comunismo e futura conversão da Rússia marcaram uma impressionante manifestação da misericórdia divina. A Mãe de Deus viera pedir uma verdadeira conversão dos povos, num grande movimento de oração e penitência, que afastasse para longe as calamidades da guerra, das revoluções e da fome, — embora se dirigisse a três crianças de um lugarejo perdido, que nem sequer sabiam o que a palavra Rússia significava.

Sempre foi doutrina da Igreja que a peste, a fome e a guerra[16] (Jer 29, 17) são castigos de Deus, provocados pela infidelidade dos homens ao seu Criador. “As guerras não são senão castigos pelos pecados dos homens” dizia a pequena Jacinta, hoje elevada às honras dos altares.

Esta é outra chave para analisar os acontecimentos dos nossos dias: a chave sobrenatural. O grande ausente das tubas da mídia, das considerações da maioria dos governantes, e até, infelizmente, dos próprios homens da Igreja, é Deus nosso Senhor. O homem moderno, cada vez mais descrente, despreza qualquer consideração que ultrapasse a linha do puramente horizontal, natural, prosaico e terreno. As análises dos números, referentes à saúde pública, à economia, à geopolítica, à educação, etc., omitem como despiciendas quaisquer referências ao Criador dos Céus e da Terra.

As Igrejas foram fechadas. Os sacramentos quase completamente negados, até mesmo aos infelizes moribundos, o Santo Sacrifício da Missa, com a presença real de Deus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é recusado aos fiéis, que parecem ter voltado aos tempos das catacumbas.[17]

Seja como for, a vitória sobre os erros que a Rússia espalhou pelo mundo, anunciada em Fátima pela Mãe de Deus, virá. O triunfo do Imaculado Coração de Maria é certíssimo!

Porém, tal não significa que antes de isso acontecer a Humanidade não tenha de ser purificada através de tremendas provações. A peste, que talvez produza a fome e quiçá a guerra, sempre foi, repito, considerada pela doutrina tradicional da Igreja como castigo merecido pelos pecados dos homens.

“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!” Esta foi a grande promessa de Nossa Senhora em Fátima.

Este triunfo virá após um castigo, que se tornou merecido pela apostasia generalizada, tanto dos governantes, temporais e espirituais, como dos povos que aceitaram sem indignação, viver num mundo em que a Lei de Deus é conculcada por uma legislação que permite a eliminação diária de incontáveis criaturas inocentes através do crime do aborto — mais do que as vítimas do coronavírus! (Por ano, realizam-se só em Portugal cerca de 15.000 abortos!!!); legislação que também escancarou as portas ao divórcio, à eutanásia, ao chamado casamento homossexual e às piores perversões, desde a pornografia e a profanação da inocência das crianças, até às práticas mais contrárias aos direitos de Deus e aos princípios da Civilização Cristã.


[1] “Citações e Pensamentos de Padre António Vieira” (2ª edição), 650 Citações, 170 Textos, 256 Páginas, Casa das Letras, Lisboa 2010.
[2]Entre eles destacaram-se autores franceses, como Alain Touraine, Pierre Fougueirollas, Pierre Rosanvallon, Laurent Joffrin, o austríaco-francês André Gorz e o teórico socialista espanhol Ignacio Sotelo.
[3]Diz, neste sentido, o socialista francês Pierre Fougueirollas: «Os jovens aspiram a novas relações interpessoais entre pais e filhos, entre professores e alunos, enfim, entre os próprios jovens, a partir de uma sexualidade expansiva.A revolução psicosexual que se gera actualmete na juventude, constitui uma força decisiva para alcançar a revolução total» (Marx, Freud e a Revolução total,pp. 336-367). Por sua vez, Marcuse diz: «Podemos falar indiscutivelmente de revolução cultural, posto que o protesto se dirige contra todo o stablishment cultural, incluindo a moral da sociedade existente (A sociedade carnívora).
[4]Comentando o “calamitoso” acordo de Xangai, para promover a “colaboração” em matérias como a ciência, a tecnologia, a cultura, o desporto e o jornalismo, dizia em 1972, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: «dada a candura liberal dos norte-americanos e a astúcia comunista dos chineses, tal tratado dará um resultado altamente conveniente para os comunistas. Estes entrarão em tais relações com o único objectivo de aproveitar todas as ocasiões para fazer aceitar a sua ideologia pela outra parte (…). Noutros termos, as relações sino-americanas irão desenvolver-se numa base da qual os chinos saberão tirar partido, e os americanos não».
E concluía o saudoso pensador brasileiro: «Yalta foi uma calamidade maior do que Munique. Foi Munique multiplicada por Munique. A Declaração de Xangai, é uma Yalta multiplicada por Yalta.— Onde nos levará ela?» (Folha de S. Paulo, 12 de Março de 1972).
[5]Na capital amarela, Nixon encontrou uma camarilha política ambiciosa e decidida a levar a cabo de forma inexorável a expansão do comunismo, conhecendo todas as fraquezas do parceiro americano e disposto a explorá-las a fundo, trocando concessões palpáveis por promessas vagas. Foi muito semelhante o que aconteceu nos acordos de Munique de 1939. A França e a Inglaterra, fizeram ao eixo Roma-Berlim as maiores concessões. Em troca, pediam a Hitler vagas promessas de paz. Assinado o tratado, Chamberlain e Daladier receberam nas respectivas capitais, ovações apoteóticas de populações que só pensavam em gozar pacatamente a vidinha quotidiana. Churchill exclamou, então, com perspicácia: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: preferistes a vergonha e tereis a guerra”.
[6]Entretanto, milhões de católicos chineses, que resistiram heroicamente ao regime comunista, continuam a ser ferreamente perseguidos. Em 2014, por exemplo, uma campanha contra alegados edifícios “ilegais” na província de Zhejiang levou à demolição de mais de duas mil construções cristãs e de 600 cruzes.
[7]«Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida. Começaremos por lançar o mais espectacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições electrizantes e concessões extraordinárias. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade. No mesmo instante em que baixem a sua guarda, esmagá-los-emos com o nosso punho fechado». (Dimitri Z. Manuilsky, conferência pronunciada em 1931, na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113 – Manuilsky foi eleito presidente do Conselho de Segurança da ONU em 1949).
[8]Devemos dizer que há, pelo menos, uma muito honrosa excepção: o episcopado da Polónia decidiu não fechar as igrejas e, pelo contrário, multiplicar as Missas, a fim de criar espaços entre os fiéis durante as celebrações. A Sagrada Comunhão continuou a ser dada, como sempre, de joelhos e na boca. A Polónia é um dos países onde o número de infectados é mais reduzido…
[9]O The Daily Telegraph, de 23/03/20, noticia que em Itália seestão a contabilizar como vítimas do Covid-19 pessoas que morrem por outras causas, e transcreve, nesse sentido, as declarações de um cientista italiano, o Prof. Walter Ricciardi, assessor do Ministério da Saúde, nas quais admite que 88% dessaspessoas já tinham problemas graves que conduziriam à morte.
[10] “Courrier internacional”, Lisboa, Julho 2019, nº 281, «Chegou a hora de entrar em pânico»; «O medo pode ser a nossa salvação»; «Só o medo pode mudar os hábitos altamente carbonizados do mundo capitalista».
[11]US National Library of Medicine (Relatório de Kirsty R. Short, Katherine Kerdsierska, Carolien van de Sandt, professores de microbiologia e imunologia da Universidade de Melbourne e Queensland, Austrália, publicado online em 8 de Outubro de 2018).
[12]O vírus “H5N1”, assim como o “H1N1”, o “H2N2”, o “H3N2”, o “H3N8”, o “H7N2”, o “H9N2” e outras 190 codificações de variações genéticas do vírus da “Influenza A”, conhecido também como “vírus da gripe das aves”, ou simplesmente, “vírus da gripe”, é muito mais letal do que o coronavírus, matando no mundo cerca de 5.000 pessoas por dia. Para confirmar estes dados, basta consultar as estatísticas da própria OMS.
[13] Dados oficiais da OMS divulgados a 17/02/2020.
[14]O médico e microbiologista francês Didier Raoult, director do serviço de infectologia do Hospital de Marselha, tornou-se mundialmente conhecido nos últimos dias por dar a conhecer o único tratamento que realmente provou ser eficaz contra o virus chinês causador da Covid-19.O Dr. Raoult estuda há 13 anos os efeitos da cloroquina(mais precisamente, um dos seus derivados, a hidroxicloroquina)como antiviral (associado com o único antibiótico que funciona sobre os virus, a azitromicina). «São moléculas antigas, sem problemas de maior de toxicidade, e imediatamente disponíveis»,é o que afirma esteconceituado professor da Universidade de Marselha, que é o cientista com mais estudos e experiências produzidas sobre doenças virais no mundo. Surpreendentemente – ou não!? – enfrentauma tentativa de ridicularização e uma espantosa campanha de silêncio por parte da grande imprensa internacional (Ver: “Le Parisien”, de 27 de Março de 2020).
[15]Expresso, 19/03/20.
[16]«Eis o que diz o Senhor dos exércitos: Vou enviar contra eles a espada, a fome e a peste, e tratá-los-ei como figos deteriorados, tão maus que não se podem mais comer.Irei persegui-los com a espada, a fome e a peste, e deles farei objeto de horror ante todos os reinos da terra (…) porque não escutaram as minhas palavras – oráculo do Senhor – quando, sem cessar, lhes enviava os profetas, meus servos, aos quais também não ouviram – oráculo do Senhor». Jeremias, 29, 17-19.
[17]«Ao concentrarem-se exclusivamente em todas as medidas de protecção higiénica (os bispos que fecharam as suas igrejas) perderam uma visão sobrenatural e abandonaram a primazia do bem eterno das almas» afirmou o Bispo D. Athanasius Schneider, em 31 de Março de 2020.


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