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quarta-feira, 15 de março de 2017

POSSE DA NOVA DIRETORIA DA AGRAL, 2017/2019

Foto de Zélia Possidônio
Nova Diretoria da AGRAL


Nesta terça-feira, 14 de Março de 2017, DIA DA POESIA foi empossada a nova diretoria da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL, para o biênio 2017/2019. O salão de eventos da Loja Maçônica 28 de Julho, engalanado, recebeu amigos, parentes, admiradores dos Acadêmicos, imprensa e autoridades da cidade. Os Diretores de Eventos Ari Rodrigues e Eva Lima fizeram a abertura bem ao modo de sua capacidade profissional e intelectual e foram ouvidos no maior silêncio por uma plateia expectante. 

Em seu discurso de despedida, o Presidente Ivann Krebs Montenegro, que atuou desde a fundação e instalação da AGRAL agradeceu o carinho e apoio que sempre recebeu dos confrades e falou da sua alegria em ser sucedido pelo jornalista acadêmico Ramiro Aquino,  que nestes anos todos foi dedicado e atento aos propósitos da entidade. Ivann deixou a presidência, mas continua Presidente de Honra e Primeiro Secretário da Agral. 

Ramiro Aquino em seu pronunciamento deixou claro a sua intenção de dar tudo de si pelo progresso e união da Academia, ressaltando que espera colaboração e fidelidade de todos os confrades, principalmente dos demais membros da diretoria por ele escolhidos. Elogiou a dedicação  dos recém-eleitos Diretores de Eventos, Ari Rodrigues e Eva Lima, que cuidaram de pormenores  da festa, coordenados  pela Vice Presidente eleita,  Zélia Possidônio. Agradeceu a convidados e profissionais  que ali estavam, lamentou o falecimento, ano passado, da acadêmica Jasmínea Benício dos Santos e prometeu total empenho pelo progresso da academia. Ramiro Aquino  nomeou a diretoria e os 14 membros pronunciaram o juramento.

Foi exibido  um vídeo apresentando cada um dos membros da academia e respectivo patrono. Depois aconteceu momento  cultural, quando os acadêmicos Eva Lima, Glória Brandão, Zélia Possidônio, Antonio Baracho e Cláudio Zumaeta se manifestaram. Mas o  ponto alto dessas manifestações foi  o Coral Cantores de Orfeu, da acadêmica maestrina Zélia Lessa, que por trinta minutos apresentou  um pot-pourri com as melhores músicas do seu repertório; foi muito aplaudido.

Muito bem-vindas as confreiras Dra. Sonia Carvalho de Almeida Maron, Presidente da Academia de Letras de Itabuna-ALITA, e a Jornalista Celina Santos, também membro da ALITA. Notáveis presenças das professoras Lucia Saadi, Naná Bittar e Efigênia Oliveira, biógrafa de Zélia Lessa; compareceram também a radialista, poeta e atriz Sonia Amorim,  presidente do  Sindicato  dos  Radialistas, Publicitários e  trabalhadores em TV  de  Itabuna e Jorge Braga, presidente da CDL Itabuna.

Por tudo o que representou e representa para a cidade de Itabuna, o Presidente Ramiro Aquino não teve dificuldades para receber cortesias diversas do  seu rol de amigos e parceiros, como MM Studios, Buffet Maria Célia, Duda Lessa, Loja 28 de Julho.
Toda a festa foi gravada em vídeo pelo cinegrafista Maurício Katita.


NOVA DIRETORIA DA AGRAL:

Presidente de honra:       Ivann Krebs Montenegro

Presidente:                           Ramiro Soares de Aquino

Vice- presidente:               Zélia Possidônio dos Santos

Primeiro secretário:        Ivann Krebs Montenegro

Segundo secretário:         Maria da Glória Brandão
              
Primeiro tesoureiro:        Washington Cerqueira

Segundo tesoureiro:         Antonio da Silva Costa

Relações  públicas:            Jailton Alves de Oliveira
                                                    Antonio Paulo O. Lima

Diretores de eventos:       Eva Lima Machado
                                                    Ari Rodrigues Filho

Diretor de arquivo:           Adeildo Marques Santos

Diretores de revista:         Samuel  Leandro O. Mattos
                                                     Vercil Rodrigues

Diretor de biblioteca:       Eglê Santos Machado


ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL http://cemanosdeitabuna.blogspot.com.br/  esteve lá, participou e fotografou.
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Veja abaixo imagens do evento (fotos ICAL):


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terça-feira, 14 de março de 2017

BELEZAS DE ITABUNA: Eglê S Machado - Ilha do Jegue

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Ilha do Jegue


A ilha perdeu a sua estética.

Está soturna, deprimente, como é deprimente o lodo em que foi transformado o belo rio Cachoeira.

Desapareceram o verde do bambuzal e o viço do capinzal, que se misturavam ao branco das garças formando um quadro poético, inspirador.

Só lhe restam poucos metros dos seus dois hectares de área...

Mas continuam as suas hóspedes, as garças, agora dividindo com negros patos selvagens, o poleiro de galhos tisnados, num contraste que impressiona, produzindo um ruído não tão melodioso, mesmo assim bom de ouvir, principalmente para os “atletas” que fazem sua caminhada matinal ou vespertina ao redor do rio. Até quando essas aves persistirão, ou melhor, resistirão? - Acho que só até a próxima enchente.

O Rio Cachoeira, na certa, carregará nas suas fortes correntezas, para “as Terras do Sem Fim”, os últimos resquícios do que fora a ILHA DO JEGUE.

Para os nossos netos restarão muitas fotos, poemas e alguns outros textos na Internet...

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Se o atual prefeito de Itabuna cumprir promessa de campanha, o que restar da Ilha do Jegue servirá de apoio para colunas que sustentarão uma moderna passarela para pedestres ligando o centro da cidade aos bairros da margem direita do Rio Cachoeira.

Itabuna espera que dê certo o plano do prefeito Fernando Gomes; assim, pelo menos a população vindoura ficará sabendo onde estava localizada a bela Ilha do Jegue.
 



Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
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GRAVIDEZ PRECOCE: UM GIGANTESCO PROBLEMA SOCIAL FRUTO DA CULTURA DA PERMISSIVIDADE – Rodrigo Constantino

13 de março de 2017



Estudos estatísticos comprovam: a gravidez precoce produz enormes problemas sociais, aumenta as chances de miséria e criminalidade dos filhos, impede o avanço da escolarização dessas jovens mães, condenando-as e a seus filhos a uma vida desgraçada. E como está o Brasil nisso?

Adolescentes deram à luz 431 mil bebês em 2016, o equivalente a 21% dos nascimentos no ano no Brasil. A gravidez precoce é hoje no Brasil a maior causa da evasão escolar entre garotas de 10 a 17 anos. Precisamos falar mais desse assunto. É o que faz o jornalista Carlos Alberto Di Franco em sua coluna de hoje, tocando na ferida do problema:

A culpa não é só do entretenimento permissivo ou da TV, que, frequentemente, apresenta bons programas. É de todos nós — governantes, formadores de opinião e pais de família—, que, num exercício de anticidadania, aceitamos que o país seja definido mundo afora como o paraíso do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes.

O governo, assustado com o crescimento da gravidez precoce e com o crescente descaso dos usuários da camisinha, investe pesadamente nas campanhas em defesa do preservativo. A estratégia não funciona. E não funcionará. Afinal, milhões de reais já foram gastos num inglório combate aos efeitos. A raiz do problema, independentemente da irritação que eu possa despertar em certas falanges politicamente corretas, está na onda de baixaria e vulgaridade que tomou conta do ambiente nacional. Hoje, diariamente, na televisão, nos outdoors, nas mensagens publicitárias, o sexo foi guindado à condição de produto de primeira necessidade.

Se quisermos um entretenimento de qualidade, precisamos separar o exercício da liberdade de expressão da prática do entretenimento mundo cão. Há uma liberdade de mercado que produz um mercado da liberdade. De resto, mesmo que exista uma demanda de vulgaridade e perversão, deve-se aceder a ela?

Muitos colegas liberais ou libertários não se dão conta de que nem toda demanda é louvável. Claro que o livre mercado é fundamental para o progresso de uma sociedade, mas o mercado é amoral, não faz julgamento de valor. Quem deve fazer isso são os cidadãos. E por isso a importância, em minha opinião, do casamento intelectual entre liberalismo e conservadorismo: os conservadores são aqueles que focam mais nesses aspectos culturais, e por isso acabam acusados com frequência de “moralistas”.

Mas não é moralismo barato se preocupar com o nosso entorno, com os valores morais disseminados pela sociedade, pois isso tem impacto direto sobre nossas vidas. O argumento da empatia deveria bastar: liberais individualistas não precisam ser sociopatas, e podem muito bem se importar com o destino de estranhos à sua volta, com a vida do próximo. Mas se esse apelo cristão não for suficiente, então que sirva o próprio “egoísmo racional” mesmo: uma sociedade destroçada é muito pior para o próprio indivíduo que vive nela.

Acredito muito na interação entre cultura e instituição, entre valores morais e mecanismo de incentivos. Acho que um não se sustenta sem o outro. A liberdade do mercado não sobrevive num vácuo de valores. Se todas as instituições americanas fossem adotadas no Brasil hoje, não seríamos como a América, pois a cultura ficaria faltando. Precisamos mudar nossa cultura também, não só nossas instituições.

 Se considerarmos como equivalente moral atender a demanda de quem quer consumir alta cultura e a de quem quer consumir pornografia, por exemplo, tratando ambos como “empreendedores de sucesso” sem qualquer juízo de valor, estaremos contribuindo para a decadência cultural de nossa sociedade.

Até onde deve ir o apreço, ou pior, o endeusamento do livre mercado? Di Franco coloca uma questão para nossa reflexão: “Suponhamos que exista um público interessado em abuso sexual de crianças, assassinatos ao vivo, violência desse tipo. Nem por isso a TV deveria ter programas especializados em pedofilia e assassinatos. O mercado não é um juiz inapelável. Não se deve atuar à margem dele, mas não se pode sobrevalorizá-lo”.

Quando algo assim é defendido, não precisamos, como liberais, reagir instintivamente contra alguma censura ou intervenção estatal, pois não é disso que se trata. Estamos falando apenas de uma responsabilidade moral que deveria ser cobrada de qualquer cidadão, mais ainda de quem tem o poder de influenciar milhões de cabeças, como no caso dos grandes grupos de comunicação. Di Franco parece dar um recado direto a essa turma:

 A iniciação sexual precoce, o abuso sexual e a prostituição infantil são, de fato, o resultado da cultura da promiscuidade que está aí. Sem nenhum moralismo, creio que chegou a hora de dar nome aos bois, de repensar o setor de entretenimento, e de investir em programação de qualidade.

Ninguém quer criar um Conselho da Moral e dos Bons Costumes que vai avaliar cada programa. Isso seria absurdo e extremamente perigoso. Mas não podemos cair no extremo oposto, que seria ignorar totalmente qualquer aspecto moral do livre mercado. Sim, a empresa é livre para produzir um programa como “Amor & Sexo”. Sim, cada um é livre para assistir ou não a tal programa. E sim: também somos livres, como cidadãos, para exercer esse papel de condenar publicamente essa mensagem hedonista, imoral e irresponsável.

É nesse campo dos valores que penso que mais liberais deveriam entrar também, sem medo de serem “acusados” de conservadores. A alternativa é negligenciar um grave e crescente problema social, só por receio de ser rotulado pela patrulha. Confundir liberalismo com libertinagem tem sido o “pecado capital” de muito “liberal” moderno. O relativismo moral só interessa aos que defendem a imoralidade.

Como prova de que a cultura importa e tem total ligação com esse problema da gravidez precoce, basta ver a proporção bem maior de meninas latinas que passam por isso, em relação às americanas. Nos Estados Unidos, as hispânicas têm sete vezes mais chance de ter um filho entre 10 e 14 anos do que as brancas (1,4 por cada mil contra 0,2 por cada mil), segundo um estudo do Centers for Disease Control.

Ann Coulter falou disso em seu influente livro Adios, America!, em que alerta para a “latinização” do país e as consequências práticas dessa mudança cultural. Ela cita o caso de Gloria Trevi, a popstar conhecida como a “Madonna mexicana”, que alegou ser aceitável em seu país de origem o sexo com crianças (acima de 12 anos). De fato, em 31 de 32 estados mexicanos a idade de consentimento para sexo é 12 anos, e na Cidade do México é 14.

Essa cultura da permissividade, que confunde liberdade com libertinagem, que acha legal ser vista como a “sociedade do sexo fácil”, que incentiva a sexualidade cada vez mais precoce e que condena como “moralismo” qualquer tentativa de se impor limites aos jovens, é a grande responsável por essa situação calamitosa, que condena milhões a um futuro sombrio. Não se importar com isso não é ser liberal individualista; é ser um monstro moral!

Rodrigo Constantino



Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

http://rodrigoconstantino.com/artigos/gravidez-precoce-um-gigantesco-problema-social-fruto-da-cultura-da-permissividade/?utm_medium=feed&utm_source=feedpress.me&utm_campaign=Feed%3A+rconstantino

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14 DE MARÇO: DIA DE CASTRO ALVES E "DIA DA POESIA"

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
POETA



Poeta, o brilho intenso que fulgura
No céu, da luz do sol, não tem primor
Diante do enlevo e da ternura
Que há nos teus poemas de amor!


Poeta, dos teus versos a brandura,
Mais cândida que o aroma de uma flor
Expressa o teu mundo de ventura
Talvez glorificado pela dor...


Poeta, no reinado da ilusão
Tu tens por companhia o esplendor
Da tua preciosa inspiração!


E quando se findarem os dias teus,
No céu farás também versos de amor
E os depositarás aos pés de Deus! 



Eglê S Machado, poetisa
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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segunda-feira, 13 de março de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO (5) – Hoje eu me Lembrei

Hoje eu me Lembrei...


Hoje eu me lembrei...
Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.
Eu sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como ser humano na escola terrestre.

Hoje eu me lembrei...
Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.
Eu sou uma consciência oriunda do plano extra-físico, uma centelha vital do Todo que está em tudo!

Hoje eu me lembrei...
Que tenho a cor da Luz, pois vim lá das estrelas.
E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

Hoje eu me lembrei...
Que não há nenhuma religião acima da verdade.
E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

Hoje eu me lembrei...
Que só se escuta a música das esferas com o coração.
E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

Hoje eu me lembrei...
Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.
Na verdade, é um estado de consciência do Ser.

Hoje eu me lembrei...
Que ninguém compra Discernimento ou Amor.
E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

Hoje eu me lembrei...
Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.
E no dia em que eu partir, também não será!

Hoje eu me lembrei...
Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura.
E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).

Hoje eu me lembrei...
Que não vim de férias para o mundo.
Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).

Hoje eu me lembrei...
Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!
Sem Amor, o meu coração fica seco... e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.

Hoje eu me lembrei...
Que os guias espirituais não são minhas babás extrafísicas.
Eles são meus amigos de fé e trabalho... e, sem eles, eu estaria frito!

Hoje eu me lembrei...
Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.
Todos nós somos professores e alunos uns dos outros (e, acima de tudo, o Mestre de todos, o Grande Arquiteto Do Universo).

Hoje eu me lembrei...
Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.
Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).

Hoje eu me lembrei...
Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.
Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

Hoje eu me lembrei...
Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.
E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.

Hoje eu me lembrei...
Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!

Hoje eu me lembrei...
Que, sem Amor, ninguém segue.
E que o meu mantra se resume
numa só palavra: Gratidão!



Leia mais: 

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OS VELÓRIOS DO POVOADO – Sherney Pereira

Os velórios do povoado

            Os velórios no Salobrinho sempre foram ambientes de algazarra e confusão, especialmente quando se tratava do falecimento de pessoas humildes. Logo a notícia corria levando pesar aos mais sensíveis e contentamento a outros, que encaravam o episódio com naturalidade, porque viam naquilo uma opção para uma noitada alegre, já que a presença de contadores de lorotas era certeza.

            Ao anoitecer, as pessoas iam chegando, e as mais curiosas se aproximavam do ataúde com certa inibição, suspendiam timidamente o lençol que envolvia o corpo, olhavam rapidamente a cara do finado, e ficavam por ali aguardando a chegada dos potoqueiros. Os homens, notadamente ficavam no terreiro e se acomodavam em qualquer lugar. As mulheres, na cozinha, preparavam o café que normalmente era servido com bolacha; os fiéis à cachaça preferiam tomar repetidas doses de aguardente, que servia de estímulo para abrir o repertório de piadas, e as mulheres rezadeiras, quando ficavam desinibidas, danavam-se a cantar benditos em sufrágio da alma do defunto, num canto triste, que ressoava como um agouro por todo o povoado e, varando madrugada a dentro ia até à manhã.

            Os inveterados se realizavam: eram atraídos aos velórios mais pela certeza de que não faltaria cachaça, que propriamente por solidariedade e os mais assíduos frequentadores eram: João Paulo, Mestre Vitorino, Manoel Crispim, Pedro Lagoa, Eugênio, José Pinto, Gaudêncio – este era pedinte, e “trabalhava” em Itabuna - , Pedro Pôia, Raimundo Francisco da Hora (Cardeal), o último morreu na mais completa miséria há pouco tempo. Eram tantos, que relacioná-los seria impossível.

            Em relação aos contadores de estórias, podemos citar aqui dois nomes célebres na matéria: João Paulo e Alberto. Foi justamente num velório, que ouvimos de Alberto, sertanejo destemido, uma série de casos engraçados, e o mais interessante é que ele os contava com uma seriedade incrível que realmente pareciam verdadeiros.

            “Foi lá pras bandas de Xique-Xique”, assim começava a sua estória... Contou-nos que um certo dia, ao cair da tarde, deixou o acampamento e, pegando a sua espingarda, saiu para uma rápida caçada. Penetrou a caatinga a procura de uma caça qualquer porém sem lograr êxito, resolveu retornar; eis que de repente uma musiquinha suave soou aos seus ouvidos. Parou... Estava surpreso com o que ouvia. Olhando para os lados não viu nenhum sinal de presença humana: como explicar tal fenômeno? Por ali não havia nada que comprovasse existência de aparelho sonoro. Alberto, ficava cada vez mais estarrecido, todavia procurou certificar-se de que realmente não estava delirando e calmamente foi andando em direção a um mandacaru que ficava perto dali. O vento forte quebrava a quietude com  o farfalhar dos arbustos tostados pelo sol. O caçador estranhando aqueles acordes, aos poucos,  foi se aproximando da árvore e aí sentiu que a música ficava cada vez mais audível e, ao olhar para o alto, viu, com surpresa, que tratava-se de um antigo LP, rotação 78, preso entre os galhos do velho mandacaru. Segundo Alberto, à proporção que o vento balançava o arbusto, o espinho corria suave nos sulcos do disco, emitindo baixinho uma velha e conhecida canção: “olê mulher rendeira/olê mulher rendá/tu me ensina a fazer renda/ que eu te ensino a namorar”. Assim era demais. Não havia quem não sorrisse ante tamanho absurdo: até mesmo os parentes do falecido, por um momento esqueciam o dissabor, pois quando davam conta de si, estavam também, participando do festival de gargalhadas. Menos “sêo” Alberto, que acendendo mais um cigarro já se preparava  para dar início a mais um potoca. Na verdade, eram realmente assim os velórios do povoado.

(Salobrinho – ENCANTOS E DESENCANTOS DE UM POVOADO)
Sherney Pereira

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Sherney de Souza Pereira - nasceu a 11 de outubro de 1948 no eixo Ilhéus/Itabuna, mais precisamente no município de Ilhéus.

É cordelista, com vários trabalhos publicados e autor do Hino da Universidade de Santa Cruz, premiado em concurso público por ocasião do 4º aniversário da FESPI.

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ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - Geraldo Maia

Olha a lua lá


Lua
Não eh minha
Nem eh sua
Nem de quem anda na rua
Da lua eh sim
A lua assim: Cheia de luz
Nova não se vê
E quando cresce
Mais parece
Um sorriso no céu
Minguante reduz
A sua atração
E envergonhada
Se esconde
Em meu coração
Olha
A lua
La 

Geraldo Maia
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Geraldo Maia, poeta
Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto)
Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA
Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon
Trabalha na empresa Folha Notícias,

Filho de Itabuna/BA/BRASIL, reside em Louveira /SP.

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