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sábado, 16 de maio de 2020

LIMITES E RESPONSABILIDADES – Antônio Hamilton Martins Mourão


Nenhum país do mundo vem causando tanto mal a si mesmo como o Brasil. Um estrago institucional, que agora atingiu as raias da insensatez, está levando o País ao caos. Há tempo para reverter o desastre. Basta que se respeitem os limites e as responsabilidades das autoridades constituídas.

A esta altura, está claro que a pandemia de covid-19 não é só uma questão de saúde: por seu alcance, sempre foi social; pelos seus efeitos, já se tornou econômica; e por suas consequências pode vir a ser de segurança. A crise que ela causou nunca foi, nem poderia ser, questão afeta exclusivamente a um ministério, a um Poder, a um nível de administração ou a uma classe profissional. É política na medida em que afeta toda a sociedade e esta, enquanto politicamente organizada, só pode enfrentá-la pela ação do Estado.

Para esse mal nenhum país do mundo tem solução imediata, cada qual procura enfrentá-lo de acordo com a sua realidade. Mas nenhum vem causando tanto mal a si mesmo como o Brasil. Um estrago institucional que já vinha ocorrendo, mas agora atingiu as raias da insensatez, está levando o País ao caos e pode ser resumido em quatro pontos.

O primeiro é a polarização que tomou conta de nossa sociedade, outra praga destes dias que tem muitos lados, pois se radicaliza por tudo, a começar pela opinião, que no Brasil corre o risco de ser judicializada, sempre pelo mesmo viés. Tornamo-nos assim incapazes do essencial para enfrentar qualquer problema: sentar à mesa, conversar e debater. A imprensa, a grande instituição da opinião, precisa rever seus procedimentos nesta calamidade que vivemos.

Opiniões distintas, contrárias e favoráveis ao governo, tanto sobre o isolamento como a retomada da economia, enfim, sobre o enfrentamento da crise, devem ter o mesmo espaço nos principais veículos de comunicação. Sem isso teremos descrédito e reação, deteriorando-se o ambiente de convivência e tolerância que deve vigorar numa democracia.

O segundo ponto é a degradação do conhecimento político por quem deveria usá-lo de maneira responsável, governadores, magistrados e legisladores que esquecem que o Brasil não é uma confederação, mas uma federação, a forma de organização política criada pelos EUA em que o governo central não é um agente dos Estados que a constituem, é parte de um sistema federal que se estende por toda a União.

Em O Federalista – a famosa coletânea de artigos que ajudou a convencer quase todos os delegados da convenção federal a assinarem a Constituição norte-americana em 17 de setembro de 1787 –, John Jay, um de seus autores, mostrou como a “administração, os conselhos políticos e as decisões judiciais do governo nacional serão mais sensatos, sistemáticos e judiciosos do que os Estados isoladamente”, simplesmente por que esse sistema permite somar esforços e concentrar os talentos de forma a solucionar os problemas de forma mais eficaz.

O terceiro ponto é a usurpação das prerrogativas do Poder Executivo. A esse respeito, no mesmo Federalista outro de seus autores, James Madison, estabeleceu “como fundamentos básicos que o Legislativo, o Executivo e o Judiciário devem ser separados e distintos, de tal modo que ninguém possa exercer os poderes de mais de um deles ao mesmo tempo”, uma regra estilhaçada no Brasil de hoje pela profusão de decisões de presidentes de outros Poderes, de juízes de todas as instâncias e de procuradores, que, sem deterem mandatos de autoridade executiva, intentam exercê-la.

Na obra brasileira que pode ser considerada equivalente ao Federalista, Amaro Cavalcanti (Regime Federativo e a República Brasileira, 1899), que foi ministro de Interior e ministro do Supremo Tribunal Federal, afirmou, apenas dez anos depois da Proclamação da República, que “muitos Estados da Federação, ou não compreenderam bem o seu papel neste regime político, ou, então, têm procedido sem bastante boa fé”, algo que vem custando caro ao País.

O quarto ponto é o prejuízo à imagem do Brasil no exterior decorrente das manifestações de personalidades que, tendo exercido funções de relevância em administrações anteriores, por se sentirem desprestigiados ou simplesmente inconformados com o governo democraticamente eleito em outubro de 2018, usam seu prestígio para fazer apressadas ilações e apontar o País “como ameaça a si mesmo e aos demais na destruição da Amazônia e no agravamento do aquecimento global”, uma acusação leviana que, neste momento crítico, prejudica ainda mais o esforço do governo para enfrentar o desafio que se coloca ao Brasil naquela imensa região, que desconhecem e pela qual jamais fizeram algo de palpável.

Esses pontos resumem uma situação grave, mas não insuperável, desde que haja um mínimo de sensibilidade das mais altas autoridades do País.

Pela maneira desordenada como foram decretadas as medidas de isolamento social, a economia do País está paralisada, a ameaça de desorganização do sistema produtivo é real e as maiores quedas nas exportações brasileiras de janeiro a abril deste ano foram as da indústria de transformação, automobilística e aeronáutica, as que mais geram riqueza. Sem falar na catástrofe do desemprego que está no horizonte.

Enquanto os países mais importantes do mundo se organizam para enfrentar a pandemia em todas as frentes, de saúde a produção e consumo, aqui, no Brasil, continuamos entregues a estatísticas seletivas, discórdia, corrupção e oportunismo.

Há tempo para reverter o desastre. Basta que se respeitem os limites e as responsabilidades das autoridades legalmente constituídas.

Antônio Hamilton Martins Mourão

VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA



FONTE: O Estadão
opinião.estadao.com.br

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Antônio Hamilton Martins Mourão é um general da reserva do Exército brasileiro e vice-presidente da República. Elegeu-se para a Vice-Presidência em 2018

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

QUANDO UM HOMEM SE SENTE TRAÍDO – Ignácio de Loyola Brandão


Lembrando de Nirlando Beirão, a pessoa mais gentil que conheci na vida e cujo texto fará falta na imprensa e na literatura. Agora a morte está vindo de batelada. Juntos, o músico Aldir Blanc e o ator Flávio Migliaccio.

Todos nós, diariamente, ligamos para amigos para saber como estão de saúde e suportando a quarentena. Uma dessas ligações foi para Humberto, amigo que faz vídeos de todos os gêneros, alertando que um dia assombrarão. Não sei quem, mas ele jura que assombrarão. Tomara sobreviva, quero ser assombrado.

“Você está bem, Beto? Resistindo?”

“Bem? Bem mal, isso sim! Faz três dias que minha mulher me ignora”.

“Está sendo traído?”

“Não sei se chega a isso, mas agora pareço não existir. Dói.”

“Celeste tem um caso? Não me diga. Vocês são vistos como o casal mais apaixonado, fiel. Loucos um pelo outro. Não estou entendendo.”

Quando digo grupo, refiro-me aos amigos próximos e parentes, não a esses grupos de redes sociais que têm milhares de seguidores e vivem azucrinando os outros.

“Pois é, a Celeste...”

“Conta, conta tudo. Deve ser coisa da sua cabeça. A Celeste? Vamos nos encontrar. Trocar figurinhas. Mas é sério?”

“Esqueceu que não podemos sair? Celeste, ah, que triste. Não liga mais para mim, me esquece, só tem olhos para o outro, vive o dia inteiro atrás dele.”

“Como sabe? Como descobriu? Olhando o celular? Coisa que não se deve fazer. O sujeito mandou flores, bilhetes, joias? Alguém viu e te abriu os olhos?”

“Nada disso, é tudo claro. O outro está aqui? Dentro de casa”

“O quê? Dentro de casa? Você viu? Sabe quem é? Falou com ele?”

“Vi. Não adianta falar com ele. É indiferente, fica na dele! Não responde, nada diz, nada comenta. Fica por aqui, vai para lá volta para cá, indiferente.”

“Minha Nossa Senhora Desatadora de Nós, parece Nelson Rodrigues. Não será efeito do tédio do confinamento? Não dá para peitá-lo? Dizer qual é a tua, bicho?

“Bicho? Gíria de nossa juventude. Nada adianta. Ele circula pela casa, ela vai atrás. Não adianta dizer uma palavra, nem ameaçá-lo. Ele não ouve, me desdenha, ignora, ele vira as costas.”

“Celeste surtou? Nessa quarentena, tem gente pirando, perdendo o controle, ficando paranoica. Eu mesmo tenho feito besteiras que me preocupam. Hoje, ao colocar a mesa para o almoço, minha tarefa doméstica (uma delas, claro), percebi que coloquei em lugar de garfo e faca, duas facas. Ontem saí perguntando: você viu meu relógio? Não encontro. Você não usa relógio, garantiu minha mulher. Não quer dizer celular? Era. Quantas vezes, com o celular, faço uma ligação e o meu fone fixo toca, estava ligando para mim mesmo. Pior foi no dia em que estava escrevendo anotações com uma BIC. Você conhece o poder das canetas, elas podem tudo. A carga acabou, apanhei um tinteiro – porque tenho caneta tinteiro também, sonho de adolescência. E me vi mergulhando a BIC no tinteiro. Não estou louco, divirto comigo mesmo. Se for preciso, tenho um amigo terapeuta, o Uchikusa, peço, ele me atende, bom sujeito. Qualquer dia escrevo a história dele.”

Ele me ouviu com paciência, sabe que preciso desabafar.

“Pois é a Celeste. Estou em casa, e ela some. Chamo, procuro e descubro, lá está ela junto dele.”

“A coisa é grave. Quem é esse homem? Foi de repente? 

“Faz três dias. Desde que ele chegou fui esquecido. Ela está encantada. Passa o dia para lá e para cá. Preocupa-se com ele, ri dele, ajuda-o com ternura. Não sei o que fazer.”

“Mas quem é esse homem?

“Não é homem, ela está apaixonada pelo robozinho que limpa a casa. Redondinho como se fosse a base de uma antiga enceradeira. Programado, solto, ele vai em frente, bate em um obstáculo, vira, tem sensores que o orientam, é até assustador, vira, vem, avança, parece inteligente, acho que pensa, é pacifico, obcecado, vê uma poeirinha vai lá. Até me deu até saudades daquele robô simpático da série Perdidos no Espaço – só idosos vão se lembrar – ou o R2-D2 do Guerra nas Estrelas. Limpa, e como limpa! Não fica um cisquinho. Penso o que vamos fazer com a diarista da limpeza quando tudo voltar ao normal. A Celeste feliz, disse: agora estou livre, há anos sonho com isso. E vai atrás, feliz, quando ele tenta entrar embaixo de um móvel e fica preso, ela corre e desenrosca. Claro que ela contou às amigas, mandou vídeos, deu uma epidemia, de compra. Todas encomendaram. Tem uma amiga dela, cheia da grana que pesquisa na Amazon, à procura de um robozão que cuide da casa inteira, limpe janelas, lave banheiro, cozinhe, lave roupa, faça as unhas, massageie os pés, atenda telefone, ligue a tevê, faça o café, faça massagem, pratique ioga, corra na esteira, faça compras de supermercado, dê conselhos, jogue na Mega Sena. E principalmente faça amor.” 

Pera?

O Estado de S. Paulo, 08/05/2020


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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

A POESIA DESCUIDADA DE IOLANDA COSTA – Cyro de Mattos



A Poesia Descuidada de Iolanda Costa                           
Cyro de Mattos


Iolanda Costa faz sua estreia com Poemas sem nenhum cuidado (2004), editora da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, com prefácio de Jorge de Souza Araújo, em livro duplo, no qual figura Ricardo Dantas como o outro poeta estreante, com a obra Lembrança de uma infância.  O seu segundo livro é Amarelo por dentro (2009), com prefácio de Florisvaldo Mattos. Ela publicou ainda a plaqueta Alguns poemas,  reunidos em pequeno conjunto,  do  período compreendido entre 2004 e 2015.

           Embora o título do livro seja de Poemas sem nenhum cuidado, dando a impressão de elenco poético estruturado no exercício de estética fácil, o que neles se observa é a aptidão de conduta lúdica com as palavras gravadas no jogo dialético da vida. O anúncio que apregoa o título desconcerta-se face a intimidade de uma estética transgressiva, que se serve do lúdico nos   cantos breves. A dicção   transmuda os instantes do mundo em “água rasa de palavras cheias.”
 
           Iolanda Costa é um poeta experimental, mas que não despreza a emoção, o momento sensível que decorre da metáfora, com figurações, analogias, relações do tempo e passagem,   soluço e abafo,  ternuras que oscilam na mão com a perda, presença  do sol e referências da noite que tudo apaga.  Traçado  o poema com poesia, fruto que se quer comunicativo com o componente  lúdico,  no sistema verbal transgredido,   configuram-se então  o tempo e o modo de  peixes e flores, que hão de nascer da boca entreaberta de ideias.
 
           Anote-se que há poesia na vida, sem  poema. Há poema, vazio de significado, sem poesia. A poesia é essa energia que ilumina o ser  e alcança nossa harmonia no mundo. Diz de  sonho acordado, do sentimento  germinado no onírico,  como feixe de  brilhos na visão que absorve  beleza e encantamento dos seres e coisas ante o efêmero e o eterno.  Já o poema resulta da experiência do sentir e do pensar, que se atreve ser  na aventura da  palavra  com  múltiplas faces.   Constituído de tremores,  mora    na asa do ser. Sua capacidade devolve  à existência o que é apenas um momento, um curto  prelúdio  a que  segue o desencanto ou de novo  um outro som ou cor.

        Em Iolanda Costa desprende-se  o poema com poesia aglutinada em ritmos livres, cada verso dá-nos a impressão de total espontaneidade, apenas a impressão. A  ideia que  inaugura proposições novas  vem  com o vocábulo no jogo da semântica,  que se reconhece no instante e desnuda o todo, espraia a sensação de que o enunciado não tem  margens, princípio,  nem fim. Nessa poética do  jogo e apuro da palavra,  a cor e o som  são inscritos numa faixa de presságio, inauguram-se na  benevolência dos contatos,  da carícia que a ave  traz no bico como  sentimento forte do amor. Testemunho de vida, tábua de surpresas,  essa poética  sem a  métrica e a sonoridade da rima  confronta com facilidade,  em nível de  mimese, o eu de um lado e o objeto do outro, mas também faz seus mergulhos no pensamento, transmuda a emoção em ritmos que soam entrecortados de alusões, frente a  mudanças e nudez das linhas.

        Esse jogo usual dos instantes, em conversa constante com a vida, essa ideia de ternura da mão que oscila, entre sons e cores, está dentro de Iolanda Costa. Ressurge nas letras,  fixa-se na escrita gravada por  linhas e situações obtusas, captadas pela  vocação autêntica da  poeta, que sabe armar a brincadeira do poema no ser–estar do mundo  com o fácil, mas  que é sério. Intercala-se respeitável no  interior do mundo, diz de  homens tristes,  desaparecidos no horizonte. A poesia apreendida  nessa música vocabular  está presente em tudo, valoriza-se entre  luzes e sombras, duvidosa não sabe que cor estará vestindo na próxima estação.

        Transforma a  emoção com a forma  de  letras descuidadas,  determinantes do ânimo que impinge no   poema, cunha representações como “sinos, sorrisos, santuários e sendas.”  Entreabertas de sonhos, em espelhos  raros, de madrugada quando são contumazes segredos,  no  vento de amanhecer quando sopram a face órfã das claves  agudas,  ou  quando  desaparecem como objetos nas  sombras.  A fatura do poema revestido de jogo vocabular  dá-se com competência,  torna-se instigante nessas normas inversas  de criatividade. Apresentam-se com a  feição de lúdicas invenções   para com sinais novos  imprimir na pele   segredos e efingies/ impressões  partituras e notas/ de antigos altares.

         Às vezes, o poema que   nasce com os objetos é como um facho  aceso no instante  e  desaparece na sombra, toma forma fugitiva    com  o  seu jeito de breve observação do sentimento.  É emoção e  forma em síntese, reprodução de clima anímico  liricamente coeso no instante. Está no poema “Distância” que “a felicidade/ titubeia / entre o / amor e a / saudade.”
                           
            O exercício qualificado  desses poemas, sinalizados pelo poeta  sem nenhum cuidado, surge também  com os vazios nas linhas,  que servem  como reforço das associações e sugestões do caráter do verso,  composto de  sutilezas determinantes,   nuances  de  ritmo e significado. Poemas sem nenhum cuidado  é livro de poeta estreante com resultados positivos na   estrutura inovadora.  Sua  clara funcionalidade moderna forma o canto  capaz de  atrair o leitor paciente   para  escutar o som interior do mundo,  testemunhar “o fervilhar das cores na disputa dos matizes.”

          Iolanda Costa é graduada em Filosofia e especialista em História Regional pela Universidade Estadual de Santa  Cruz. Participou da antologia Poetas Novos da Região Cacaueira. Sua dissertação no curso de mestrado intitula-se Cinema: Sedução, Lazer e Entretenimento no Cotidiano Itabunense.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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quarta-feira, 13 de maio de 2020

A QUARENTENA FALIU - Guilherme Fiuza


A quarentena faliu
por: Guilherme Fiuza

Das redes sociais aos telejornais, a patrulha viral está em pé de guerra – recitando números de mortos para dizer que mortos não são números. E quem é que pensa que mortos são números? Você! (segundo eles). A mensagem é clara: quem não se converter à Seita da Terra Parada é desumano e está brincando com vidas. Aí aconteceu o que ninguém esperava.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, adversário de Donald Trump e adepto do isolamento horizontal, deu uma entrevista bombástica. Nota rápida: governadores e prefeitos em várias partes do mundo hoje em dia passam a vida dando entrevistas bombásticas – e intermináveis, porque com recordes sucessivos de audiência não se brinca. Frequentemente são entrevistas macabras, como aquela do prefeito de São Paulo enumerando urnas funerárias, sacos para cadáveres e abertura de valas. Mas essa de Andrew Cuomo mudou tudo.

Segundo o governador do estado americano mais atingido pela epidemia de coronavírus, 84% das pessoas que estão hoje hospitalizadas com Covid-19 estavam cumprindo as medidas de confinamento. Vamos repetir, porque você está achando que leu errado: apenas 16% dos pacientes de coronavírus internados hoje na rede hospitalar de Nova York não estavam na quarentena horizontal. Andrew Cuomo, que é adepto fervoroso do “fique em casa”, informou com todas as letras, “chocado” (nas palavras dele mesmo), que a imensa maioria dos doentes de Covid-19 estava em casa.

E agora?

Agora é o seguinte: você aí, militante furibundo da Seita da Terra Parada, que passa o dia patrulhando os outros nessa sua obsessão doentia de apontar assassinos, vai ter que se virar. Abrir a porta de casa e botar o pé na calçada, querido caçador de bruxas, não pode mais ter tipificado por você e seus capangas ideológicos como tentativa de homicídio. Que pena, né? Tava tão bom brincar de bancar o herói da ética humanitária contra o genocida da esquina, não tava? Pois é, mas agora acabou.

O seu pretexto covarde, que nunca teve nada de científico (mas você fingia que tinha) se desmanchou ao vivo na televisão – logo ela, que tanto te serviu para perseguir os outros. E veja que coisa curiosa: a revelação do governador de Nova York sumiu – simplesmente sumiu – do noticiário. Uma informação que demarca absolutamente todo o conjunto de premissas no combate à pandemia caiu na clandestinidade – ao menos nas primeiras 48 horas, o que é uma eternidade para quem vive gritando que cada minuto é precioso para salvar vidas enfiando todo mundo em casa.

A própria OMS – principal referência de vocês, os falsos seguidores da ciência, para a política do trancamento geral – já tinha alertado sobre a migração das frentes de contágio para dentro das casas. E não era culpa do velhinho que foi à padaria – como vocês, sempre covardemente, tentavam alegar para manter o seu dogma. Era culpa do vírus. Ele é que foi à padaria, ao banheiro, ao quarto, à sala e a todos os lugares de carona com humanos que nem sabiam dele.

Mas vocês, os científicos oniscientes, sempre souberam onde estava cada covid, e mandaram a humanidade se trancar em casa que o vírus ia morrer de fome do lado de fora. Mas ele fez a festa no aconchego dos lares, e será eternamente grato a vocês, os talibãs da quarentena burra (e devastadora).

Agora vamos ver como as vítimas do sequestro consentido farão para recuperar a liberdade – aquela que é muito fácil perder e muito difícil conquistar. Os tiranetes de São Paulo, João Dória e Bruno Covas, estão soldando as portas do comércio, numa boa, como se estivessem na União Soviética. Os tiranetes do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e Marcelo Crivella, querem o lockdown total – para que o cidadão só possa ir à farmácia pedindo a autorização deles.

Nunca se viu tanta estupidez e covardia per capita. Acordem, antes que a noite se instale de vez.


Guilherme Fiuza - (Rio de Janeiro30 de maio de 1965


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UM MANTO DE LUZ QUE ATRAVESSA O MUNDO A PARTIR DE FÁTIMA


Antoine Mekary | ALETEIA

Redação da Aleteia | Maio 12, 2020

Celebrações do dia de Nossa Senhora de Fátima não terão a presença dos fiéis no seu santuário, em Portugal. Mas será possível acompanhar tudo pela internet


Pela primeira vez na sua história, o Santuário de Fátima vai celebrar os dias 12 e 13 de maio sem peregrinos nos seus espaços. Isso devido às decisões sanitárias impostas pelas autoridades por causa da pandemia provocada pela Covid-19.

“Este é um momento doloroso: o Santuário existe para acolher os peregrinos e não o podermos fazer é motivo de grande tristeza; mas esta decisão é igualmente um ato de responsabilidade para com os peregrinos, defendendo a sua saúde e o seu bem-estar”, disse o reitor do Santuário de Fátima.

“Não podemos contar com a vossa presença física, mas gostaríamos de poder contar convosco. Porque não se peregrina só com os pés, mas também com o coração, propomos-vos que façais conosco uma peregrinação pelo coração, em que o caminho não é físico, mas interior”, afirma ainda o padre Carlos Cabecinhas, desafiando os peregrinos a acenderem, na noite do dia 12 de maio, a partir das 21h30 (horário local), nas janelas de suas casas, uma vela, repetindo assim um dos gestos mais icônicos de Fátima.

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“Neste maio, o Santuário de Fátima é do tamanho do mundo. Celebraremos, em festa, a primeira Aparição de Nossa Senhora neste lugar, aonde veio para deixar uma mensagem de esperança, num tempo que também era marcado por tantas tribulações. ‘Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus’, disse Nossa Senhora a Lúcia. Que esta esperança , que deve ser marca presente em cada cristão, nos dê alento e nos guie até ao dia em que vamos, por certo, voltar a poder estar todos reunidos na Cova da Iria para, juntos, celebrarmos a nossa fé” afirmou o padre Carlos Cabecinhas.

Como assistir às celebrações

As celebrações destes dias 12 e 13 de maio decorrerão no Recinto de Oração, que estará fechado ao público. No entanto, os peregrinos de Fátima podem acompanhar as celebrações através da internet, nomeadamente no canal do Youtube, no site ou no Facebook do Santuário.

As celebrações, sem a presença física de peregrinos e apenas com a presença das pessoas diretamente implicadas nos diferentes momentos celebrativos, começam no dia 12, às 21h30 (horário local), com o Lucernário, na Capelinha das Aparições; segue-se a oração do Rosário e Procissão de Velas, num trajeto mais curto até ao Altar do Recinto. Aí haverá uma celebração da Palavra, regressando depois a Imagem de Nossa Senhora à Capelinha das Aparições.

No dia 13, a habitual oração do Rosário começa às 9h00, na Capelinha das Aparições e às 10h00 (horário local) será celebrada a Missa da Solenidade de Nossa Senhora de Fátima, presidida pelo cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. As celebrações terminam com a Procissão do Adeus.



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terça-feira, 12 de maio de 2020

VÍRUS DO PÂNICO: Gigantesca e catastrófica operação de baldeação ideológica


6 de maio de 2020

Capa da revista Catolicismo, Nº 833, Maio/2020

A pretexto do novo coronavírus, forças ponderosas parecem visar o domínio das mentes e das nações por meio de uma ditadura do pensamento único. Isso nos faz recordar de uma experiência orwelliana rumo a uma nova (des)ordem mundial para a implantação de um governo totalitário que ditaria normas para tudo. Todos seriam obrigados a levar um estilo de vida neo-comunista e miserabilista.

Enquanto a mídia se encarrega de espalhar ad nauseam previsões apocalípticas do contágio do vírus chinês, o mundo inteiro parece contagiado pelo vírus do medo. Mas muitos já começam a desconfiar dessa mesma mídia e estranhar os despóticos decretos governamentais de confinamento; por exemplo, a ordem “fique em casa”. Alguns acatam de modo pacifico tal ordem, e voluntariamente ficam em “prisão domiciliar”. Mas outros percebem que se está manipulando a opinião pública numa experiência orwelliana.

No célebre romance “1984” (publicado em 1949 sob o pseudônimo George Orwell), o escritor Eric Blair prenuncia o advento de uma governança mundial, que mandaria em todo o mundo, perseguindo quem pensasse por si próprio ao invés de pensar de acordo com a coletividade. A tecnologia chinesa de reconhecimento facial dos cidadãos, inspirada na vigilância policial do “grande irmão” imaginado por Orwell, teria condições para espionar e controlar os passos de todos, suas emoções, o que veem na internet, o que falam e fazem, os arquivos de uso dos celulares etc.

Muitos comentam que nada no mundo será como antes da pandemia Covid-19. Certos próceres, entre os quais o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, subserviente à China comunista, repetem sem cessar a palavra de ordem: o mundo pós-coronavírus será um “novo mundo”, no qual teremos “um novo normal” numa “nova ordem”.

Estaria a opinião pública mundial passando por um processo de “baldeação ideológica” para aceitar semelhante sistema de controle planetário? Passaria ela por um teste para o estabelecimento de uma República Universal, com um só governo totalitário ditando normas para tudo e para todos? Haveria forças poderosas desejando implantar um “mundo novo”, nos moldes de um “mundo chinês”? Esse governo mundial imporia a todos um mesmo estilo coletivista de vida? O brusco confinamento das pessoas, com graves consequências econômicas e a falência de inúmeras empresas, jogará muitas regiões na extrema pobreza? Pretende-se fazer desaparecer os derradeiros restos de uma Cristandade hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal? Seria ela substituída por uma sociedade mundial igualitária, miserabilista e tribalista?

Alguns elementos para resposta, nossos leitores os encontrarão na matéria de capa da revista Catolicismo deste mês. Nesta mesma edição, como é natural, outras matérias se relacionam com essas questões. O fechamento de igrejas, não só no Brasil mas em todo o Ocidente, é decisão com a qual concorda a maior parte das autoridades eclesiásticas, comprazendo o regime chinês, comunista e ateu. Responsável, aliás, por ferrenha perseguição à Igreja, com o fechamento de templos, destruição de cruzes e imagens sagradas.




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segunda-feira, 11 de maio de 2020

NINGUÉM PODE NOS OBRIGAR A COMETER SUICÍDIO – John Horvat II


10 de maio de 2020

John Horvat II *

O navio-hospital da Marinha Americana Comfort [foto acima] foi despachado rapidamente para o porto de Nova York a fim de ajudar a cuidar das dezenas de milhares de pacientes de coronavírus que, esperava-se, ocupariam todos os leitos da embarcação. Por garantia, foram adicionados 1.000 leitos àqueles normalmente ali existentes.

Contudo, o navio está deixando o porto com um índice baixíssimo de utilização, pois na cidade de Nova York o temido colapso do sistema de saúde de fato nunca aconteceu. Ventiladores extras de pulmão, que haviam sido providenciados para o Comfort, estão agora disponíveis para outros lugares.

A estadia do navio na zona “quente” da pandemia e sua partida são altamente simbólicas.

Em todo o país, hospitais foram preparados para o anunciado Armagedon e atender assim as sucessivas ondas de vítimas do COVID-19. No entanto, o sistema de saúde desapontou por ter-se preparado para um Armagedon que nunca veio. Agora, muitos hospitais estão despedindo parte de sua equipe médica ou até mesmo indo à falência. A falta de pacientes e o cancelamento de cirurgias não urgentes lhes estão trazendo graves prejuízos financeiros. Tem gente morrendo porque estão adiando cirurgias vitais.

Algo deu seriamente errado com os modelos usados para fazer a projeção da ameaça à saúde pública. Tais modelos não estavam sequer próximos da realidade. O mais citado foi fornecido por uma equipe do Imperial College de Londres, dirigida pelo Prof. Neil Ferguson. Sua projeção acabou sendo usada por um grande número de governos para impor severas medidas de confinamento de seus cidadãos. Esses líderes políticos manifestaram ter mais fé e reverência nessas previsões distorcidas do que nos quatro Evangelhos.

Concomitantemente, os especialistas londrinos,nos quais eles se baseavam, estimaram que morressem nos EUA 2.2 milhões de pessoas. Na realidade, apenas uma diminuta fracção americanos sucumbiu. O principal autor do estudo mais tarde admitiu que as tais previsões bárbaras foram baseadas em milhares de linhas de um código não documentado escrito 13 anos atrás para estabelecer um modelo de pandemias de gripe. Esses modelos iniciais eram não somente erros de cálculo, mas também avaliações baseadas em uma péssima aplicação da ciência. A mídia politizada se aproveitou para espalhar o máximo possível esses cálculos.

Ninguém até hoje foi responsabilizado por um erro tão brutal. Esses cientistas conservam seus empregos, os líderes políticos que com açodamento e sem investigação aceitaram e agiram em função de seus números inflados se mantêm em seus cargos. E a mídia irresponsável continua a fomentar impunemente histeria.

Ao mesmo tempo, líderes políticos ignoraram presunçosamente doutores e cientistas como o Dr. John Ioannidis, da Universidade de Stanford, cujos estudos e compreensão da conjuntura eram bastante próximos da realidade, pois previam que o índice de mortalidade seria bem próximo da gripe de estação. Se lhes tivessem dado atenção, ter-se-ia poupado muito tempo e dinheiro ao sistema hospitalar. O seu conhecimento politicamente incorreto, mas epidemiologicamente correto poderia ter salvado vidas e problemas.

Não satisfeitos com seu desastroso manuseio da crise no campo médico, os líderes governamentais insistiram e decidiram repetir seus erros na economia e na sociedade. As rodas da indústria e do comércio foram obrigadas a parar, na antecipação da pandemia que mataria milhões. Boa parte do mundo ainda está com certa paralisação. Essas decisões foram também baseadas nos mesmos modelos defeituosos e estão provocando um colapso geral.

Decisões governamentais deveriam ser baseadas em dados reais e científicos confiáveis. A continuação do confinamento extremo baseado em previsões defeituosas não é nada menos que suicídio sociopolítico e econômico.

Amplas partes dos EUA com pouco ou nenhum caso do vírus foram tratadas com o mesmo rigor que a cidade de Nova York, centro da epidemia. Empresas e operações estuantes de vitalidade foram simplisticamente divididas em dois grupos: “essenciais” e “não essenciais”. Já sabemos quais foram os critérios duvidosos que determinaram essas decisões muito pouco salomônicas em que muitos estados consideravam as clínicas de aborto, os dispensários de maconha e as lojas de bebidas alcoólicas “essenciais”, mas negavam o mesmo tratamento às igrejas e reuniões religiosas.

Quando as economias modernas integradas param, o mesmo acontece com as cadeias de abastecimento. Partes integrantes do processo com frequência não podem mais ser readaptadas. Quantidades maciças de bens e alimentos têm que ser doados ou jogados fora.

O alcance total da destruição econômica é de dar vertigem. Em março e abril, os mercados perderam trilhões de dólares em valor. Indústrias importantes, como hotelaria e transporte, fecharam as portas. O débito subiu às nuvens. Os gastos governamentais inflaram fora de controle. Dezenas de milhões de pessoas ficaram sem trabalho e recebem ajuda do governo.

O pior é que o mundo dos negócios, desejoso de reabrir, está sujeito aos mesmos caprichos desses mesmos políticos que foram os primeiros a colocá-los na situação que estão. Muitos líderes governamentais estão estendendo o lockdown, numa tentativa oca de evitar humilhação e poder “provar” que os fechamentos eram de fato necessários. Outros funcionários públicos são ideologizados e pouco se preocupam com a calamidade econômica. Eles veem a crise como uma oportunidade de forçar a aceitação de suas agendas socialistas e ecológicas.

O grande perigo não é o vírus, mas o incompetente manuseio da crise. Isso levou a medidas que estão destruindo a ordem socioeconômica. A atitude de fazer qualquer coisa que der na telha está queimando a casa, quando simplesmente uma lanterna teria sido suficiente para iluminá-la e encontrar uma solução para o problema.

Um dia a História vai julgar com grande severidade a culpa de todos aqueles envolvidos em criar o pânico e a histeria geradores da presente crise. Ela condenará severamente aqueles que aberta e despudoradamente usaram a crise para promover suas metas subversivas. Em vários graus, cada um deverá assumir certa quota de responsabilidade por esta calamidade médica e econômica. Eles serão corresponsáveis por todos que pereceram por doença, suicídio, ansiedade, bem como por outras causas indiretas de morte provocadas pelo pânico mundial.

A única saída da crise é pular fora desta rota de suicídio. Agora. Imediatamente. Ninguém pode ser obrigado a cometer suicídio. Assim como o navio-hospital Comfort, urge deixar para trás o porto de Nova York!
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* John Horvat II, é vice-presidente da TFP norte-americana, autor do best-seller “Return to Order”. Artigo traduzido do ingles por João Carlos Leal da Costa.


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