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sábado, 20 de outubro de 2018

CYRO DE MATTOS em Antologia Poética que Homenageia Universidade na Espanha


Cyro de Mattos em Antologia
Poética que Homenageia
Universidade na Espanha


Lançada neste mês de outubro, durante o XXI Encontro de Poetas Iberoamericanos, em Salamanca, Espanha,  a antologia poética “Por ochos centurias”, organizada pelo poeta e tradutor Alfredo Pérez Alencart, incluiu o poema inédito  “A Uma Casa de Saber” , do poeta baiano Cyro de Mattos,  dedicado à Universidade de Salamanca.  Figuram também na obra, no elenco dos brasileiros,  os poetas Carlos Nejar, Reynaldo Valinho Alvarez, Astrid  Cabral, Álvaro Alves de Faria, Davi de Medeiros Leite, Paulo de Tarso Correia de Melo e Alíce Spindola.

A antologia, alentado volume de 600 páginas,  é uma publicação da EDIFSA, Editora da  Fundação Salamanca, Cidade de Saber e Cultura, e tem como objetivo homenagear as universidades de Salamanca e São Marcos de Lima, por seus oito séculos de atuação universitária. O livro tem capa do pintor espanhol Miguel Elias, reúne poetas de todos os países iberoamericanos, além de outros, como Israel, Itália, Romênía, Estados Unidos, Croácia, República Checa, Iraque, Alemanha e  Bulgaria, entre outros.

Leia, a seguir, o poema de Cyro de Mattos,  dedicado à Universidade de Salamanca, aqui transcrito.

-  A Uma Casa de Saber -    

Há belezas e sonhos na morada/ Desse sol, que como o fogo arde/ Na palavra cheia de razões.// Safras do saber produzem/ As estações às esperanças./ O que pretendem dizer?// Espelho que me estende a aurora,/ O espírito do homem no elogio/ Dessa vontade em decifrar o ser.// Veste-me com os perfis desse jardim./ As nuvens ensinam-me que a chuva/ É o foi, o é e o será. //Tudo que é labor, / Coisa e forma entre o tempo e o vento./ / Juntamos as lições,/ ouvimos os anos /Com a sua paixão de linguagens.// Converso comigo e os outros/ Nos campos que guardam questões./ Podemos reconhecer um enigma,// A causa de como acontecemos,/ Na penosa mutação das vozes/ À previsão eterna de um hábito.// A exata música com que um dia/  Fray Luís de León ofertou-me/ A flor que se espraia a todo instante.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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DEUS AGINDO

"Não acabou, há um Deus todo poderoso agindo em seu favor "


 Quando Deus diz: Eu cuido de tudo, então sai da frente e deixa Ele fazer.

Não importa o que seja, não importa o quanto esteja difícil, pesado, incerto, longe, Ele toma frente e faz um movimento tremendo, mas cumpre o que diz.

Ele te conhece como a palma da mão dEle, e sabe, sim, sabe do que você precisa, do que te perturba, do que te incomoda, do que te faz sofrer, do que te arranca lágrimas, e do que te silencia a alma.

Não adianta o vento soprar e querer se mostrar forte pra você, porque o Senhor tem o poder de paralisá-lo. Ele sabe qual o momento que você se sente mais fragilizado e sem direção. Ele sabe o que se passa ai dentro do seu coração sem você dizer uma só palavra.

Ele sabe quem é você, e do porque você ainda esta resistindo, orando, buscando, se machucando, se mantendo de pé mesmo sem estar aguentando, ele sabe da sua fé nesse mar revolto que você esta enfrentando. Deus é tão maravilhoso, que ele coloca anjos ao nosso redor para nos proteger.

Portanto, não pense que você esta sozinha (o), que o seu barco vai afundar, que o seu mundo vai cair, que o seu sonho não vai se realizar, ou que nada em sua vida vai mudar.

Tem um exército comandado por Ele agindo nesse exato momento por você. Pode Descansar agora, o seu reforço chegou...

Bom dia pra você e sua família!


Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

VIGILÂNCIA - Luiz Carlos Nemetz


Bolsonaro já é a expressão do maior movimento de massa do Brasil, de todos os tempos. Contra toda a estrutura de poder, mobilizou a sociedade, de todas as idades, de todas as classes sociais, de todos os Estados, de todos os gêneros. Está operando uma verdadeira revolução sociológica que vai ser estudada na linha da história por muitas décadas. Enfrentou a mídia com maior concentração de poder e o maior monopólio de informação do mundo. E venceu!

 Sem alianças partidárias, afrontou poderosas estruturas políticas, oligarquias e dinastias que mandam no Brasil há mais de 50 anos. E ganhou.

 Sem recursos, teve ao seu lado e a serviço da sua candidatura, um exército de aliados que o carregaram literalmente no colo, sem esmorecer um segundo. E conquistou.

Encarou sozinho, a estrutura da esquerda mais corrupta do mundo, representada não somente pelo PT, mas também pelos seus satélites, o incoerente Ciro e a desconexa e incongruente Marina. E ganhou, no voto. Revelou que o PT (e a esquerda) não tinham o tamanho que diziam e que pensavam ter.

Expôs que essa mesma esquerda nunca passou de uma minoria que mais fazia barulho do que detinha o comando da sociedade. E faz um milagre político e eleitoral: deixa o PT - e a esquerda - desesperados.

Já não lutam mais para vencer as eleições, pois já sabem estarem absolutamente derrotados. 

A luta destas minorias agora é pela sobrevivência. E não medem esforços para se manterem vivos. Tangenciam o ridículo histórico, nunca imaginável como possível. Se travestem na mudança da camiseta com a cara do Lula (o ladrão) pelo terno e gravata. A vice deslumbrada e radical, que incentivou a "marcha da insensatez femista" se diz "cristã" e veste um terninho comportado. Dora, a que só fala a verdade com seu vocabulário nada burguês, diria com muito espanto (e com a minha total censura): - "que bucica!". Se auto mutilam negando seus princípios.

Apontando uma incoerência ideológica absurda, saem correndo da extrema  esquerda anarquista (que é a sua real essência) e  deslocam seu discurso para o centro. Oportunistas, incoerentes, fisiológicos, mudam suas cores e retiram a figura de Lula (o ladrão) das imagens das peças de campanha. Negam seu programa escrito de forma arrogante e procuram as igrejas e flexibilizam os fundamentos do seu programa de governo.

O PT subestima a inteligência da sociedade brasileira e superestimou a sua força. E traem, deixando sem discurso, seus eleitores de boa fé. O PT e a esquerda são a síntese do que a sociedade não quer.

Ao final desse processo eleitoral esses partidos e essas lideranças de esquerda terão passado pelo maior vexame político e eleitoral de todos os tempos. E parte dos seus simpatizantes com algum escrúpulo ético, ainda que de forma retardada, já começam a manifestar os reflexos desse encontro com a realidade. Fazem um silêncio ensurdecedor. Já não se vê mais as bandeiras vermelhas, nem os discursos inflamados nos pescoços com as veias saltadas. Haddad, o boneco de cera do ventríloquo presidiário, vai  minguar no segundo turno. Só o que lhes resta nesta altura do seu desmanche, é o radicalismo, a trapaça, a mentira e o desespero. E é ai que mora o perigo. 

A desestruturação que vai se operar com a vitória de Bolsonaro não vai poupar ninguém. A raia graúda vai tentar ocultar a pilhagem. A raia miúda que foi ludibriada vai ficar sem pai e sem mãe. E a vadiagem vai ter que encontrar trabalho para sustentar a vida.

É por isso que infiltrados nas estruturas de poder, gente sem escrúpulos e sem limites, podem tentar fazer de tudo para fraudar e/ou tumultuar o processo. Daí que toda atenção e todo o cuidado é pouco. Segundo o boletim eleitoral vindo das urnas, o sistema corrupto implantado pelo PT e seus satélites, está na UTI, respirando por aparelhos, com pouco sinal de melhoras. Dia 28 serão declarados mortos. Nas urnas, pelo voto. Coisa linda!


Luiz Carlos Nemetz

(Recebi via WhatsApp)

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UM ESTADO FUNDAMENTALMENTE CATÓLICO - Paulo Corrêa de Brito Filho


 15 de outubro de 2018

A relação do católico com a ação política, da Igreja com o Estado e a necessária subordinação da política à moral

Paulo Corrêa de Brito Filho


“Queremos a civilização católica, inteira e exclusivamente católica, viva e pujante, imunizada contra todos os gérmens de paganismo e orientada pela Igreja que a fez surgir e lhe deu toda a sua grandeza.” Este anseio foi expresso por Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de outubro de 1937 no Legionário, semanário que então dirigia, o qual foi transformado por ele de simples folha paroquial no mais influente órgão católico de imprensa no Brasil.

Foi sem dúvida na redação do Legionário que começou a história da revista Catolicismo. Os propugnadores do neomodernismo não concordavam com o “Grupo do Plinio” — como eram conhecidos os colaboradores do Legionário — devido ao seu rijo combate às ideias modernistas condenadas por São Pio X. Por esse motivo eles foram obrigados a deixar em 1947 a direção do jornal. Quatro anos depois, em 1951, esse grupo fundou e passou a dedicar-se a um novo órgão de publicação. Nascia assim o mensário Catolicismo, cujos princípios doutrinários são os mesmos que haviam norteado o Legionário.

O artigo principal da edição deste mês de nossa revista [capa acima] reproduz um verdadeiro manifesto publicado naquela edição de 1937, no qual o Prof. Plinio expõe os ideais do Legionário sobre um Estado fundamentalmente católico. Tais ideais permanecem exatamente os nossos. Substituindo no título Legionário por Catolicismo, podemos hoje afirmar: Posição de Catolicismo em face da política brasileira. Nesse artigo, o leitor deve deter sua atenção especialmente na relação do católico com a ação política — ou seja, na relação da Igreja com o Estado e na necessária subordinação da política à moral. É matéria de caráter atemporal, plenamente aplicável à situação nacional às vésperas das eleições.

Duas outras matérias da referida edição relacionam-se também com as próximas eleições. A coluna de Mons. José Luiz Villac demonstra por que um católico não pode votar em candidatos que defendem práticas contrárias às Leis de Deus; e o artigo de José Carlos Sepúlveda da Fonseca aborda o choque entre o Brasil de superfície e o Brasil profundo, a propósito dos 30 anos da Constituinte.

Recomendo atenta leitura de tais matérias. Elas encontram-se disponíveis no site da revista: www.catolicismo.com.br



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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

CONTRADIÇÕES DO MOVIMENTO FEMINISTA - Paulo Henrique Américo de Araújo


18 de outubro de 2018
As feministas alegam defender os interesses das mulheres, mas os fatos as desmentem

♦  Paulo Henrique Américo de Araújo
Simone de Beauvoir

Uma das iniciativas mais funestas, na tarefa em que se empenham os destruidores da Civilização Cristã, é o chamado feminismo. As raízes relativistas, hegelianas e marxistas desse movimento se encontram, em boa medida, nas ideias de Simone de Beauvoir, “companheira” de Jean Paul Sartre, o criador da escola existencialista.1 Beauvoir baseou-se no princípio da luta de classes, arma que Marx inventou contra a “opressão” dos ricos sobre os pobres, e estendeu o conceito à “opressão” do homem sobre a mulher. Assim, deve ser combatidoqualquer aspecto da convivência humana que não seja regido pela igualdade entre os sexos, mesmo em questões cujas diferenças biológicas são flagrantes.

Em conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, a Profª. Fernanda Takitani afirmou que “a origem das atuais discussões sobre ‘gênero’ pode ser buscada no movimento feminista, que nega a complementaridade entre o homem e a mulher”.2 Tanto o feminismo quanto a ideologia de gênero negam essa complementaridade, portanto são parceiros na guerra infame que movem contra a concepção católica de família; no fundo, contra a Civilização Cristã.

Atualmente, o viés mais radical do feminismo chega inclusive a promover rituais místicos dos mais bizarros, segundo observou Julio Loredo em recente estudo.3 Todas essas tendências não conseguem, no entanto, esconder as contradições e falsidades em que se baseiam. Para demonstrá-lo, convido o leitor a acompanhar o raciocínio a seguir, que possibilita reconhecer os reais fundamentos do feminismo.

Incoerência feminista

Se o feminismo fosse coerente com seus princípios, não faria acepção ideológica em relação às mulheres. Entretanto, nem sempre essa alegada “defesa das mulheres” se apresenta no currículo feminista. Vejamos um exemplo.

No último mês de maio, correu como rastilho de pólvora na imprensa brasileira a ação da policial Katia Sastre, que evitou um assalto em frente à escola de sua filha em São Paulo.4 Vestida à paisana, por estar fora do seu horário de trabalho, com rapidez e perícia ela atirou no assaltante, que ameaçava com uma pistola as crianças e seus pais, e o imobilizou no meio da rua. Pouco depois ele veio a falecer no hospital.

Muitos especialistas atribuíram principalmente ao treinamento e profissionalismo a eficácia da policial, e algumas vozes apontaram riscos e agressividade na sua atitude. De qualquer modo, é estranho não se ter conhecimento de nenhuma manifestação de apoio proveniente dos arraiais feministas,5 mesmo diante dessa patente vitória de uma mulher contra um homem criminoso que

Katia Sastre, policial que evitou um assalto
em frente à escola de sua filha em São Paulo

intimidava impunemente mulheres e crianças. Por que o movimento feminista silenciou a respeito? Afinal, a policial Sastre demonstrou agilidade e “sangue frio”, tornando-se uma verdadeira heroína na defesa da sociedade. Por que não é ela um modelo para as feministas?

Uma das muitas hipóteses sobre as razões desse silêncio seria a de que as feministas são contra qualquer tipo de violência, mas tal hipótese não se coaduna com a realidade dos fatos, como veremos.

Um peso, duas medidas

Em dezembro de 2016, o então presidente da França, François Hollande, concedeu liberdade a uma mulher que havia assassinado o próprio marido com três tiros nas costas.6 Ela sofrera abusos dele durante décadas, havia sido condenada pelos tribunais, e cumpria pena desde 2012. No imenso alarido midiático desse fato, as ONGs feministas comemoraram a libertação.

Nesse caso, as feministas consideraram que a violência da mulher estaria justificada por ter sido praticada contra a “opressão” em um casamento abusivo. Mas a atitude da heróica policial brasileira, enfrentando a “opressão” do bandido, recebeu apenas o silêncio dessas mesmas feministas. Endossaram a ação violenta da mulher francesa, mas não a da policial brasileira. Como desvendar esse enigma?

A resposta só pode estar em outro fator, e não na simples questão da violência. No fundo, o feminismo não visa defender as mulheres contra a “opressão da sociedade patriarcal”. Tendo sua origem na Revolução gnóstica e igualitária, na realidade ele pretende subverter o que resta da boa ordem desejada por Deus no convívio humano.

Não interessa às feministas defender uma mulher policial que mata um bandido numa ação legítima. Tal ação se apresenta aos olhos do público como uma vitória contra a criminalidade e o caos moderno, expressões uma e outro da Revolução que visa destruir os restos da Civilização Cristã. E o feminismo é parte dessa Revolução.

Além disso, a policial paulista agiu para defender sua filha e os filhos de outras mães, que corriam risco em frente à mencionada escola. Ora, as feministas, nas suas correntes mais extremadas, repudiam até a maternidade, daí o seu invariável apoio ao aborto. Nada mais natural, portanto, que elas tenham se calado quando uma mãe policial saiu vencedora.

Por outro lado, quando uma esposa mata o próprio marido e é libertada antes de cumprir toda a pena estabelecida pela justiça, as feministas aplaudem e festejam, pois isso representa, em tese, uma rejeição aos ideais do casamento e da família. Estes são restos da Cristandade, ainda presentes na sociedade, que a vertente feminista detesta.

Muçulmanos poupados pelo feminismo

Feminista protesta nos EUA

As feministas são sempre contrárias a agressões sexuais contra mulheres? Seria normal elas sempre levantarem protestos indignados diante de qualquer fato desse gênero. No entanto, vejamos o que aconteceu em Colônia (Alemanha), no final de 20157. Centenas de mulheres alemãs relataram assédio sexual ou agressões físicas por homens de origem árabe, na celebração de Ano Novo no centro da cidade. Em dois meses, 73 suspeitos foram identificados como imigrantes do norte da África.

Dias depois, em resposta aos ataques, a prefeita de Colônia, Henriette Reker, tida como feminista, simplesmente instruiu as mulheres alemãs a se manterem “a um braço de distância de desconhecidos, para evitar agressões”.8 A declaração foi muito criticada, bem como todo o movimento feminista, pois não se ouviu dele nenhuma manifestação relevante repudiando os ataques.

Por cima do cinismo escancarado da prefeita alemã, e do silêncio das feministas, fica a marca de sua indiferença — para dizer o mínimo — quanto aos perigos que representam para a Civilização Cristã as atuais ondas de imigração na Europa. Aparentemente, para o feminismo vale mais a conivência com a multidão desenfreada de imigrantes do que a proteção das mulheres europeias.

Em resumo, o feminismo é sinônimo de subversão, de Revolução anticristã, não de verdadeira defesa das mulheres.

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Notas
Cfr. Catolicismo, novembro/2005. A Revolução Sexual destrói a família.
Teologia da Libertação – Um salva-vidas de chumbo para os pobres, p. 407.


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O GOLEADOR TINDOLA E O GOLEIRO ASCLEPÍADES


O Goleador Tindola e 
O Goleiro Asclepíades

Crônica de Cyro de Mattos


O Janízaros era um dos times grandes do campeonato da Liga.  Um dos seus ídolos era o centroavante Tindola, apelidado de “Cabecinha de Ouro”, pelo cabeceio forte que sempre terminava em gol. Era um preto baixo, troncudo e musculoso. Fora responsável por vitórias maiúsculas do esquadrão azul e branco quando tudo parecia que estava perdido.

Quando o Janízaros jogava contra o Flamengo, os desportistas na semana não falavam em outra coisa pela cidade que não fosse o duelo entre os dois grandes times do futebol amador da Liga.  Surgiam comentários sobre o duelo à parte entre o centroavante Tindola, o implacável goleador no cabeceio, e o arrojado goleiro Asclepíades, o que tinha punhos de ferro e peito de aço.

Asclepíades era um preto forte, de estatura baixa para jogar no gol, mas saltava como uma fera esfomeada  para com as mãos fechadas  socar a bola. Saía  muito bem do gol, nas bolas cruzadas da intermediária  ou nas que vinham do escanteio. Havia sido um dos heróis da seleção amadora da cidade, que se sagrou campeã  no Torneio Intermunicipal Governador Antonio Balbino, disputado no Estádio da Fonte Nova, em Salvador. Fechou o gol na última partida contra a seleção de Alagoinhas.

O centroavante Tindola não resistiu ao soco que lhe desferiu o furioso goleiro Asclepíades no final da partida, em disputa pelo título do campeonato.  Ali mesmo na pequena área caiu estrebuchando. Foi levado às pressas para o hospital da Santa Casa de Misericórdia. E lá por vários dias permaneceu em observação pelos médicos de plantão, até que acordou no oitavo, a custo de muitas injeções e massagens no peito.

Um enfermeiro comentou mais tarde  com um dos torcedores do Janízaros que o centroavante Tindola,  também exímio cabeleireiro, em sua tenda instalada no Beco do Fuxico,  teve febre alta, suando muito quando deu entrada no hospital.  O quadro era  muito preocupante. Foi levado para a unidade de terapia intensiva, sem perda de tempo.

Quando retornou de lá para o apartamento, depois de alguns dias conseguiu com dificuldade pronunciar as primeiras palavras.  No delírio dizia com a voz trêmula:

          - Eu te perdoo, Asclepíades, meu caro amigo... mas não faça mais isso comigo... ainda quero criar meus filhos...

  Quando perguntaram ao Asclepíades, se não estava preocupado com a situação do Tindola, que dera para falar bobagens com os clientes, depois que saiu do hospital e retomou seu ofício de  cabeleireiro caprichoso  e barbeiro de navalha hábil,  na tenda “Gol  Cabeça de Ouro”,   ele respondeu que não via nada de mais no que tinha acontecido.

Afirmou com o rosto sério:

- Futebol é pra homem!” -  acrescentando:  -  Atacante que se cuide. Cara feia do Tindola ou de outro jogador atrevido, metido a goleador no cabeceio, nunca me meteu medo.
  
E, dando uma cusparada para o lado, com aquela cara feia que fazia quando partia para esmurrar a bola,  vinda na direção do atacante, em atenta posição para o cabeceio, finalizou:

- Na pequena área, atacante saia da frente, a bola é minha!


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

ELIANA CALMON: EM MENSAGEM A COLEGA EX-MINISTRA CORREGEDORA DA JUSTIÇA DIZ POR QUE APOIA BOLSONARO



"Prezada colega,

Em resposta à sua perplexidade confirmo o meu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro, não é fake. Nas eleições de 2014, concorri pela Bahia ao Senado, estando filiada simbolicamente à Rede que, sem oficialização, abrigou-se no PSB de Eduardo Campos. O nosso sonho, à época, era cavar a terceira via para em, 2018, termos condições de vencer as eleições: era sabido que Dilma não tinha condições de governar o pais por mais quatro anos, terminou acontecendo.

Infelizmente, Eduardo Campos, que despontou como um líder crescente, ameaçando o PT, acabou morrendo tragicamente e Marina Silva, massacrada publicamente pelo partido da situação não chegou ao segundo turno.

Diante do que vivenciei, dentro dos partidos políticos, dos boicotes aos seus próprios filiados por venda da bandeira partidária a outros partidos, decidi afastar-me da política em definitivo, voltando a me filiar à Rede nas proximidades das eleições de agora, por insistência de Marina, mas sem candidatura.

Com o resultado do primeiro turno, tive algumas surpresas. A mais agradável, a maturidade do eleitor brasileiro que, do Oiapoque ao Chuí varreu antigas lideranças, arquivou velhas raposas e deu espaço a novos e jovens candidatos que concorreram sem dinheiro e sem espaço partidário, usando simplesmente as redes sociais e a inteligência. Quero dizer com orgulho que até o Nordeste recebeu esses novos ventos, com algumas poucas exceções, sendo a Bahia um caso à parte, digno de um estudo sociológico em separado.

A segunda grande surpresa foi a manutenção do PT no segundo turno, um partido que, depois de dezesseis anos no poder, deixou o Brasil em frangalhos, foi publicamente desmascarado como abrigo da quadrilha que devastou os cofres públicos, saqueou as estatais e aparelhou o serviço público, o que valeu a prisão de toda a cúpula, inclusive do seu chefe maior, em julgamento de lisura absoluta, acompanhado ao vivo e a cores por toda a nação. Para completar, seguiu-se o afastamento da ex-Presidente da República, também petista, por um Congresso majoritariamente filiado ao partido da situação, seguindo-se a posse de um vice escolhido pelo PT e por ele apresentado como conveniente, eleito democraticamente na dobradinha da chapa Dilma x Temer.

Esse episódio político foi considerado pelo partido como golpe. Como golpe? Certamente um golpe democrático e constitucionalmente previsto, o que ocorreu porque o impeachment fugiu ao controle das forças dominadoras, que não contavam com o desenrolar dos fatos e a atuação parlamentar, acuada com a mobilização de uma população enfurecida com a escancarada corrupção.

Depois de desfilar aos nossos olhos os bilhões dos saques e as consequências nas políticas públicas, volta o PT com um candidato que me repugna, como magistrada de carreira, espectadora política e cidadã. Assisti-lo debochando da nação, desrespeitando o Judiciário, empunhando na propaganda eleitoral uma máscara de um presidiário que, submetido em três instâncias a julgamentos, inclusive por magistrados que conheço de perto e sei da lisura e competência, anuncia sorridente que no dia 1º de janeiro subirá a rampa do Palácio do Planalto com ele, para governarem o Brasil.

Mas não é só. O partido dito dos trabalhadores, ao sentir que não foi bem sucedido no deboche caricato de Lula-Haddad, Haddad-Lula, rapidamente mudou de tática ou de marqueteiro, passou a abolir a cor vermelha e a estrela da corrupção, aderindo às cores da bandeira brasileira e com o seu candidato posando de bom moço junto a uma destrambelhada garota desajuizada, que não sabe sequer articular as ideias, mesmo que sejam elas boas ou ruins, não diz nada que tenha lógica.

Bolsonaro não seria a minha escolha primeira,  mas foi o que restou de decência e pudor ao povo brasileiro, diante do que ficou. Acusam-no de fascista porque é militar? E o radicalismo do Partido dos Trabalhadores, o que é? E o apoio dado a conhecidas ditaduras da América Latina e a outras mais longínquas, em detrimento das nossas necessidades básicas de saúde, segurança e educação? Qual o nome que se pode dar a esse fenômeno dito democrático?

Não posso mais me enganar, colega,  já sei o que é o PT, convivo com ele há16 anos e sofro as consequências de um pais destroçado financeira e eticamente, desacreditado e desmoralizado fora das nossa fronteiras. Tenho hoje pudor em dizer que pertenço a um país que tem a desfaçatez de permitir que as linhas mestras da política sejam dadas por dois presidiários, ou melhor, dois condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula e José Dirceu, usando mais uma vez a técnica dos factoides, Fernando Haddad e Manoela 
D´Ávila, dois bobalhões que se submetem ao ridículo com naturalidade.

Esta é a primeira vez que estou revelando as razões de minha postura política. É também um desabafo, o primeiro que faço desde que, na quarta-feira, dia 11 de outubro, atendi ao convite para participar da campanha de um candidato de um partido minúsculo, sem fundo partidário, sem dinheiro de empresário e sem recursos dos cofres públicos, em favor de um candidato ficha limpa que há mais de 30 anos é político e nunca se misturou com a podridão parlamentar usada pelo PT como seu passaporte para os milionários desfalques. Não consegui encontrar na vida do candidato nada que possa denegrir a sua imagem, senão tolas fases soltas, até pueris ou em tom de bravata, quando se viu acuado pelos adversários e pela mídia que sequer respeitam o seu estado de saúde.

Estou tranquila, estou em paz com a minha consciência e, tenha a certeza: farei o que estiver ao meu alcance, para que o Brasil experimente o novo, o mais adequado para esse momento em que estamos pretendendo inaugurar um país com moralidade e dignidade cívica, ingredientes sem os quais de nada valerá fortalecer a economia. Os valores da nação precisam voltar aos seus lugares.

Obrigada, colega, pela oportunidade que me deu de falar com o coração e dizer, com tranquilidade, que escolhi o que melhor me pareceu sem estar influenciada por mídia alguma, senão pela minha experiência de vida.

Afinal, “o diabo é sabido não por ser diabo, mas porque é velho”.

Em sáb, 13 de out de 2018 às 22:30,

Eliana Calmon"


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