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sábado, 4 de novembro de 2017

O ESTABLISHMENT QUER O “CENTRO” (DE ESQUERDA), MAS MESMO CENTRISTAS DEVERIAM VOTAR NA DIREITA - Rodrigo Constantino

3 de novembro de 2017

Há um claro movimento, até meio desesperado, em prol de uma alternativa de “centro” (e coloco aspas porque, no fundo, todas as opções apresentadas até agora são de esquerda, não de centro mesmo). Esse foi o tema do meu vídeo desta semana. O nome de Luciano Huck é o mais cotado para ser o “Macron brasileiro”. Eis aí a prova de que esse “centro” é totalmente de esquerda: Macron era do governo socialista de Hollande!

A revista Veja, cada vez mais esquerdista (a ponto de quase levar à falência a CartaCapital), foi a mais escancarada nessa estratégia do establishment nacional em busca de seu Macron. Na capa desta semana, estampou a urgente necessidade de se encontrar o centro salvador:

Ou seja, a narrativa está dada: no extremo à esquerda, Lula, no extremo à direita, Bolsonaro, e no centro moderado o espaço a ser preenchido por alguém. Quem? Dória, Alckmin, Huck, Meirelles?
Fica claro que esse “centro” tem toda pinta de esquerda.

Centro, no Brasil, é o PMDB, nosso “poder moderador”. Serve para impedir que o Brasil vire a Venezuela, mas também para não permitir que vire o Chile. Com instinto de sobrevivência, o PMDB colocou seu parceiro PT para escanteio, e ensaia uma “ponte para o futuro”. É verdade que dar “continuidade” às reformas (que não saíram do papel ainda) é crucial, como lembra Rogério Werneck em sua coluna de hoje:

O que mais importa, no momento, é como o centro do espectro de forças políticas deverá se apresentar na disputa presidencial. Por sorte, já há sinais de que os principais pré-candidatos de centro perceberam, afinal, que o mais prudente, tendo em vista o que lhes espera, à esquerda e à direita, é unir forças e tentar construir uma ampla coalizão, multipartidária, em torno de um deles.

Não se pode subestimar as enormes dificuldades envolvidas nesse desafio. Mas não há como deixar de enfrentá-las. E parece a cada dia mais claro que a única argamassa que pode dar solidez a uma coalizão tão ampla e heterogênea — que vá de tucanos “cabeças pretas”, de um lado, à tropa de choque de Temer, do outro — é o compromisso comum com a manutenção, no próximo mandato presidencial, da política que vem sendo levada à frente pela equipe econômica do atual governo. Política que Lula vem prometendo, país afora, desmantelar.

É isso que estará em jogo em 2018. E não há tempo a perder.

Respeito a opinião do meu antigo professor, mas gostaria de trazer um contraponto. Se o objetivo é mesmo o centro moderado reformista, então, em primeiro lugar, é preciso deixar claro que os nomes até aqui aventados são de esquerda, não de centro. Em segundo lugar, uso o conceito de física para me auxiliar aqui: para ter o centro como vetor resultante, então é preciso votar na direita.

Sim, porque não vamos esquecer que a extrema-esquerda esteve no poder pelos últimos 14 anos! O governo Temer foi uma leve guinada ao centro. Mas depois de tanto tempo de esquerdismo radical, sem falar dos tempos esquerdistas dos tucanos, parece evidente que o Brasil vem sendo sufocado há tempo demais pelo excesso de esquerdismo.

Quem é realmente moderado, centrista, precisa entender o conceito de movimento pendular. Nosso pêndulo extrapolou para a esquerda.
Logo, para colocá-lo de volta ao centro, não basta ir de centro, menos ainda de um “centro” claramente esquerdista. É preciso ir de direita, para que a síntese seja mais de centro.

A França esquerdista, depois do socialista Hollande, resolveu apostar no “centro” de Macron, um esquerdista que surgiu do nada e era do governo do próprio Hollande. Prometeu muitas reformas.
Onde estão? Entendo o medo com aquela turma nacionalista de Marine Le Pen, mas daí a constatar que o “centro” realmente vai fazer diferença é uma longa distância. A França continua mergulhada no caos esquerdista.

Já os Estados Unidos, depois de oito anos de esquerdismo radical com Obama, não foi de “Macron”, não escolheu Marco Rubio ou Jeb Bush, e sim Donald Trump. “Ah, ele é muito radical”, dizem os “moderados”. Mas talvez seja justamente o remédio amargo necessário para regressar com o pêndulo ao centro, já que o Partido Democrata se radicalizou demais à esquerda. O país precisava de alguém que enfrentasse esse establishment e essa hegemonia “progressista”.

Portanto, não compartilho desse medo todo da direita, como a turma “moderada” que busca desesperadamente um Macron tupiniquim. E busca nos locais errados. Um apresentador da Globo que era simpático até com petistas e que quer mais “igualdade”?
Um ex-conselheiro da J&S, do grupo JBS? Um tucano sem coragem de comprar briga com petistas? São essas as soluções para o Brasil, para desintoxicar a máquina estatal do esquerdismo petista?

“A melhor prova do colapso de um movimento intelectual é o dia em que ele não tem nada mais a oferecer como um ideal último além da demanda por moderação”, disse Ayn Rand. “Extremismo na defesa da liberdade não é um vício; moderação na busca por justiça não é uma virtude”, disse Barry Goldwater, o senador que foi candidato a presidente em 1964 e abriu o caminho mais liberal-conservador para Reagan depois.

Não é preciso concordar com eles. Não é preciso ser um radical para defender a direita. Mesmo uma pessoa moderada, de centro, pode compreender que, para obter seu resultado desejado mais ao centro, há momentos em que é preciso forçar a barra para o outro lado, especialmente depois que ela foi toda envergada para a esquerda. Edmund Burke era um liberal Whig bem moderado, que se tornou o “pai do conservadorismo” ao ver a radicalização dos jacobinos.

No Brasil de hoje, não há nada de errado, é perfeitamente lógico, alguém gritar: “Voto na direita, mesmo na direita mais radical, porque sou um moderado de centro!” Conheço várias pessoas com esse perfil, que em condições normais de temperatura e pressão jamais cogitariam votar num candidato com perfil mais radical, mas que estão dispostos a abrir uma exceção, pois a alternativa não é o centro, mas a permanência no esquerdismo destrutivo, que já foi longe demais em nosso país.

Rodrigo Constantino
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Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.



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ALGUMAS FRASES PARA REFLEXÃO (II) – Vários autores

4 de novembro de 2017
Agência Boa Imprensa
Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original 
Funeral, obra de Pataky László. Vallatás (1886) 

Comemoração dos Fiéis Defuntos

Aos que do dia 1º ao dia 8 de novembro visitarem o cemitério e rezarem pelos defuntos, concede-se diariamente indulgência plenária, aplicável somente às almas do Purgatório. Para ganhar a indulgência é necessário preencher as condições costumeiras, isto é, ter-se confessado e comungado, e rezar nas intenções do Papa.
Com essas mesmas condições pode-se ganhar uma indulgência plenária só aplicável às almas do Purgatório, visitando-se no dia 1º qualquer igreja ou oratório público ou semipúblico e rezando-se o Credo e o Pai Nosso.

“Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó tornarás”
(Gênesis 3.19)

“Quanta vez junto a um jazigo, alguém murmura de leve: Adeus, para sempre, amigo! E diz-lhe o morto: ‘Até breve!’”
(Belmiro Braga)

“Um epitáfio dizia: Aqui jaz fulano, muito contra sua vontade”
(Pe. Manuel Bernardes)

“É preciso ter vivido muito tempo para reconhecer como é breve a vida”
(Arthur Schopenhauer)

“Tanto barulho, luta, gastos, atenção e cuidados para alguém viver um pouco mais. Outro tanto devemos fazer para viver eternamente”.
(Santo Agostinho)

“A vida consumida em cuidados escusados, e sujeita a desconcertos da ventura, não é vida vital, mas morte pura”
(Camões)

“É o medo de morrer, e não o desejo de viver, que mantém o tolo agarrado ao corpo”
(Michel de Montaigne)

“Aprendei de mim, ó flores,
o que vai de ontem a hoje;
que eu ontem maravilha fui
e hoje sombra do que fui não sou”
(Lope de Vega)



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A FAMÍLIA AMADO - José Pereira da Costa

A família Amado


            O progresso da região cacaueira e sua fama deram lugar aos comentários, promovendo a presença de várias famílias de outros estados, de linhagem, porém empobrecidas, a virem residir nessa região, tal como vieram os flagelados da seca nordestina, e da Guerra de Canudos. Dentre outras está a família Amado, com cerca de 18 membros. Os primeiros aqui aportados foram os srs. João e Álvaro Amado, os quais passaram a residir em Ferradas, onde começaram a vida com o ramo de vendagem de leite adquirido nos produtores  dos distritos e vendido em Itabuna. Mais tarde tornaram-se  conhecidos pela alcunha de “Leite com Água”. Desta ou daquela maneira, não tardou que “Leite com Água” se tornassem senhores do mercado do produto.

            Quando em 9 de abril de 1909, o estudante Gileno Amado aqui chegou, já foi recebido por seus tios, não mais como simples homens do povo, e sim por dois caudilhos políticos, pertencentes ao grupo Leonista, tanto assim que deles nasceu sua acolhida  junto a Olintho Leone sendo aproveitado através de sua inteligência para servir no seu júri, como promotor “ad-hoc”, em vista da falta  do promotor de Ilhéus. Leone absolvido, em sinal de gratidão lhe nomeou secretário da Intendência de Itabuna, da qual era o atual intendente. Dali saiu em 1910, para o Rio de Janeiro, para concluir seus estudos à custa da Intendência de Itabuna, onde formou-se em fins de 1911, voltando a Itabuna.

            Graças ao prestígio político de Olintho foi eleito, em 1912, deputado estadual. Com a morte do Dr. Olintho e do Cel. Fernando Dourado, seu sucessor, a estrela do Dr. Gileno apagou um pouco, mas teve tempo de trazer de Itaporanga, em Sergipe, todos os restantes da sua família. Voltando a política novamente para suas mãos,  nomeou logo o Cel. Melquisedeque, seu pai, como 2º Tabelião de Notas de Itabuna, e seus irmãos em cargos diversos. Em 1918, elegeu-se deputado federal e, em 22, intendente de Itabuna, onde montou sua máquina na política, que só o acaso lhe levou ao chão. Isto porque não se conformando com as atitudes do Dr. Seabra quando escolheu  Dr. Calmon para lhe suceder no governo do Estado, daí seu rompimento com aquele governador e seu afastamento imediato das posições políticas de Itabuna, passando a residir no Rio de Janeiro, em verdadeiro ostracismo.

            Mesmo assim precisou voltar a residir em Itabuna, para estar ao lado de seus amigos, daí sua volta à política onde após a vitória da Revolução de 1930, foi ele aproveitado pelo interventor Juracy Magalhães assumindo as diretrizes políticas de Itabuna, com seus amigos chegando a ser secretário da Fazenda, e mais tarde, no governo constituído do Sr. Juracy Magalhães, em 1958, foi escolhido para o cargo de secretário sem pasta, no quatriênio (1958 a 1961) e distinguiu-se nesta região, através dos seus atos.

            O mais admirado em tudo isso é que tendo o Dr. Gileno e todos os seus parentes residido em Itabuna, tendo a melhor acolhida, deles até se capitalizando como João, Álvaro e Gileno Amado, não existe ninguém que aponte qualquer pedra assentada em Itabuna por alguém desta família quando era dirigente. Dirá o adágio: “Aí está a ação fraternal!...” Puro engano. A Ação Fraternal é obra de dona Amélia. Dona Amélia Amado, apesar de ter nascido do lado do Cel. Misael e casada com um Gileno Amado, deu notícia ao mundo que pertence a qualquer casa da divindade, daí sua obra, Ação Fraternal. Não quero com isso dizer que eles fossem indesejáveis, falo apenas que foram pessoas ingratas e que viveram para  a vida lucrativa, haja vista que se ouviu falar por muito tempo que quando Misael morreu seus parentes pagaram a várias pessoas para chorar a sua morte. Na morte de Dr. Gileno, nem mesmo pago pelo Alcântara, seu parceiro, o povo conseguiu chorar e levá-lo a sua última morada.


               Por falar em José de Almeida Alcântara, preciso também relatar este fenômeno. Foi nos idos de 1930, que aqui chegou esse moço de boa aparência, procedente da cidade de Caravelas, neste estado, nomeado coletor estadual da vila de Itaúna, hoje cidade de Itapé, tornando-se em pouco tempo estimado, dado à sua popularidade. Pôde por em prática a sua intenção. Alcântara foi um daqueles que desejava ser grande e para isto ele teve um plano – ser útil à humanidade. Como coletor, tudo fazia em favor do cliente, desprezando muitas vezes até seu interesse e do Estado para facilitá-lo. Sua mão sempre se encontrava estendida a todos os necessitados. Neste dilema constituiu família, desprezando muitas vezes suas necessidades para atender ao próximo. Sem outros recursos  para atender a falanges de precisados foi lançando mão do dinheiro da coletoria sob sua guarda, até que caiu em insolvência. Foi surpreendido por uma denúncia do seu próprio escrivão ao Tesouro do Estado. Com a denúncia, veio a fiscalização e esta apurou os desvios de cerca de 700 contos de réis, e, como ele não tivesse esse dinheiro em mãos para cobrir os desvios, foi afastado do cargo e lhe dado um prazo de 30 dias para recolher aquela importância, sob pena de ser demitido e processado por peculato. Nesta altura, dizem que o seu sogro lhe emprestou a importância e ele pagou ao Estado e voltou ao seu lugar. Acontece que Alcântara, em vez de se abster daquele modo de proceder, continuou a mesma vida e quanto mais os dias se passavam mais aumentava o número de pedintes e sua fama crescia. Foi ameaçado de ser afastado do cargo, por mais outro desfalque de cerca de 3.000 contos de réis, e como não tivesse dinheiro para pagar ao Tesouro do Estado, fora demitido e processado, passando a viver nos esconderijos e perseguido pelos políticos para lhe tirarem a fama e o prestígio popular. Acontece que mesmo processado e perseguido. Acontece que mesmo processado e perseguido, o eleitorado lhe dava preferência para os seus apresentados. Daí os políticos lhe temerem. Certa feita, houve um derrame de selos falsificados do Tesouro do Estado, Alcântara foi caluniado em ser conivente, sendo pedida a sua prisão vivo ou morto. Sendo preso e posto na geladeira por 12 horas, e solto sob fiança pessoal do Dr. Vieira de Melo. Apurado o ‘derrame’ Alcântara nada tinha com aquele caso. Deste modo passou ele 10 anos vivendo dias e noites sem muito sossego, quando certo político lhe procurou e disse: “Trabalhe por minha candidatura e se for eleito lhe absolverei”, efetivamente aquele candidato foi eleito com estrondosa votação pelo município de Itabuna, e a promessa de Alcântara foi cumprida. Alcântara no próximo quatriênio se candidatara a prefeito de Itabuna levando a melhor, fruto de seus trabalhos e de sua perseverança, tornando-se um ídolo do povo de Itabuna. Após seu mandato de prefeito, foi eleito deputado estadual, onde se distinguiu, sendo novamente eleito prefeito de Itabuna em cujo cargo, após dois anos de governo, viera a falecer. Se isto não tivesse acontecido era de se esperar sua votação novamente na câmara Estadual ou Federal, e talvez até ao governo do Estado.

            O sul do estado da Bahia deu o maior líder político já visto. Sonho realizado de um gênio que atravessando os maiores impasses de sua vida através do sofrimento, tornou-se o maior líder popular de todo o estado da Bahia. Após sua morte, seu prestígio político conseguiu eleger mais dois prefeitos em Itabuna, o primeiro em sua substituição para o término do seu mandato e o segundo o Dr. Simão Fitermann  para completar sua obra.

Alcântara levava milhares à praça em seus comícios, passeatas, etc. seu lema era De colher.


(TERRA, SUOR E SANGUE – HISTÓRIA DA REGIÃO CACAUEIRA, Cap. XX)

José Pereira da Costa

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

DOM CESLAU STANULA: MEDITAÇÕES

Foto: PortalCatólico
01/11/2017:

Neste mês de novembro, o mês dos finados, gostaria serenamente apresentar algumas meditações sobre a Escatologia. O que é a escatologia?

A palavra escatologia é formada de duas palavras gregas: eschatos = último, fim e lógos = palavra, instrução, ensino.

Portanto escatologia é o estudo do fim ou o estudo das últimas coisas, ou ainda o estudo dos últimos dias.

A Escatologia no sentido individual é o estudo a respeito dos acontecimentos que afetarão cada pessoa individualmente, sem exceção, no fim de sua jornada terrestre. São eles: Morte e o Juízo Particular, e depois ou o Purgatório ou  Inferno ou o Céu.

A Escatologia no sentido coletivo trata dos acontecimentos relacionados com o fim dos tempos, que é a Parusia (2a. vinda de Cristo), Ressurreição da Carne, Juízo Final ou Universal e os “Novos Céus e Nova Terra”.

 Hoje pouco se fala sobre este tema, no entanto é o tema tão importante para cada um de nós. Em cada instante alguém neste planeta experimenta estes momentos escatológicos. Por isso rezamos pelos agonizantes, para que tenham o sereno encontro com o Senhor na glória.

Uma boa e santa Noite com a proteção dos Anjos. Com a oração e a benção; Dom Ceslau.
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02/11/2017:

A vida, nós a vivemos em três dimensões: a vida intrauterina, a vida no mundo que experimentamos agora, e a definitiva – a vida eterna. A entrada para cada uma destas dimensões é dolorosa e traumatizante.

A passagem da vida do seio materno, chamamos o parto, a criança parte do aconchego do seio materno para o desconhecido. Para ela o “parto” é traumatizante, e só se  acalma nos braços da mãe. O parto para a última e definitiva dimensão de vida, chamamos a MORTE. Também é o parto.

No primeiro parto nós nos separamos da mãe. Na morte, a alma se separa do corpo. A cada uma destas separações acompanha o medo pela falta de evidência do que nos espera na nova dimensão. Na morte, a certeza nos vem da fé, (o que veremos em diante).

A Igreja afirma da existência da alma,elemento distinto do corpo físico, mas unido com ele e a define assim: “....é um elemento espiritual, dotado de consciência e de vontade, de tal modo que o « eu humano » subsista. Para designar esse elemento, a Igreja emprega a palavra « alma », consagrada pelo uso que dela fazem a Sagrada Escritura e a Tradição”. (Carta da Cong. da Doutrina sobre algumas questões da Escatologia de 17.05.1979)

Reflexão: Deus não é o autor da morte. A morte veio como consequência do pecado, (Rom 5,12).
Maria não morreu, mas foi assunta ao céu porque não teve pecado.

Com a benção de Deus que é o nosso Pai, e a minha oração. Boa noite.
Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula, bispo emérito da Diocese de Itabuna/BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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ITABUNA CENTENÁRIA: UM SONETO - Rosas Brancas – Oscar Benício dos Santos

Rosas Brancas

Para Eglê


Rosas Brancas, numa velha roseira,
brotaram n’outono qual na primavera
o fizera, numa florida leira
que, agora, ainda mais reverbera.

São onze rosas que esperam a derradeira 
numa saudosa e ansiosa espera,
como uma benevolente hospedeira
que alegre aguarda o filho que gera.

Formarão de brancas rosas buquê,
quando a última vier, sabe por quê?
Porque, juntar-se-ão numa dúzia clara:

brancas, alvas, claras, são todas rosas,
amarelas e vermelhas, formosas
cultivadas no alegre jardim de Yara .

Oscar Benicio Dos Santos

Faz. Guanabara

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ABL HOMENAGEIA, COM REALIZAÇÃO DE MESA-REDONDA, INTITULADA ‘CENTENÁRIOS’, OS ACADÊMICOS LAFAYETTE RODRIGUES PEREIRA, HERBERTO SALES E JOSUÉ MONTELLO

A Academia Brasileira de Letras realiza, no dia 09 de novembro, quinta-feira, às 17h30min, no Salão Nobre do Petit Trianon, mesa-redonda intitulada “Centenários”, em homenagem ao centenário de falecimento do Acadêmico Lafayette Rodrigues Pereira (1834-1917), e de nascimento dos Acadêmicos Herberto Sales (1917-1999) e Josué Montello (1017-2006).

Participarão da mesa os Acadêmicos Antônio Torres, Arnaldo Niskier e Alberto Venancio Filho, sob coordenação do Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício Proença Filho.

Alberto Venancio Filho falará sobre Lafayette Rodrigues Pereira, cabendo a Antônio Torres a palestra sobre Herberto Sales. Arnaldo Niskier homenageará Josué Montello. O evento será transmitido ao vivo pelo portal da ABL.

Saiba mais

LAFAYETTE RODRIGUES PEREIRA

Segundo ocupante da cadeira 23, foi eleito em 1º de maio de 1909, na sucessão de Machado de Assis, Lafayette Rodrigues Pereira, jurista e político, nasceu em Queluz, hoje Conselheiro Lafayette, MG, em 28 de março de 1834, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29 de janeiro de 1917.

Em 1853 matriculou-se na Faculdade de Direito, em São Paulo. Ao término dos estudos, em 1857, partiu para Ouro Preto, onde se dedicou à advocacia. No ano seguinte, mudou-se para a capital do Império e foi trabalhar no escritório de Teixeira de Freitas.

Simultaneamente, dedicou-se ao jornalismo. Fundou, com Pedro Luís e Flávio Farnese, A Atualidade, jornal em que escreveu artigos, de 1858 a 1860. Nos anos seguintes, foi redator também no Le Brésil, no Diário do Povo e, de 1870 a 1874, em A República. Colaborou em A Opinião Liberal e no Diário do Povo.

Lafayette publicou Direitos de Família (1869) e Direito das Cousas (1877), além de volumes de pareceres. Em 1898, escreveu no Jornal do Commercio, com o pseudônimo de Labieno, Vindiciae, posteriormente editado em livro.

HERBERTO SALES

Quarto ocupante da Cadeira 3, eleito em 6 de abril de 1971, na sucessão de Aníbal Freire da Fonseca e recebido pelo Acadêmico Marques Rebelo em 21 de setembro de 1971, Herberto Sales, jornalista, contista, romancista e memorialista, nasceu em Andaraí, BA, em 21 de setembro de 1917. Faleceu no dia 13 de agosto de 1999, no Rio de Janeiro.

Abandonou o curso ginasial na 5ª série do Colégio Antônio Vieira, dos jesuítas. O professor Agenor Almeida descobriu, numa prova, a vocação literária de Herberto Sales, chamando para isso a atenção do padre Cabral que, por sua vez, foi o descobridor, alguns anos antes, no mesmo colégio, da vocação literária de Jorge Amado.

Abandonados os estudos, Herberto Sales voltou para Andaraí, onde viveu até 1948. Com a publicação, em 1944, de Cascalho, seu romance de estreia, projetou de impacto seu nome nos meios literários do país. No Rio de Janeiro, para onde então se transferiu e residiu até 1974, foi jornalista nos Diários Associados, na área da revista O Cruzeiro, da qual foi assistente de redação.

Em 1974, mudou-se para Brasília, onde foi, por dez anos, diretor do Instituto Nacional do Livro, e, por um ano, assessor da Presidência da República, sob José Sarney. A partir de 1986, por quatro anos, residiu em Paris, servindo como adido cultural na Embaixada brasileira. Regressando ao Brasil, fixou residência em São Pedro da Aldeia, onde levou vida isolada.

JOSUÉ MONTELLO

Quarto ocupante da cadeira 29, eleito em 4 de novembro de 1954, na sucessão de Cláudio de Sousa, sendo recebido por Viriato Correia, Josué Montello Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1994 e 1995. Nasceu em São Luís do Maranhão, em 21 de agosto de 1917, e faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 2006.

Em 1932, passou a integrar a Sociedade Literária Cenáculo Graça Aranha, na qual se congregaram os escritores do Maranhão de filiação modernista. Até 1936, colaborou nos principais jornais maranhenses. Mudou-se, a seguir, para Belém do Pará, onde é eleito, aos 18 anos, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

No fim de 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro, passando a fazer parte do grupo que fundou o semanário de literatura Dom Casmurro. No mesmo período, colaborou em outras publicações, como Careta, O Malho e Ilustração Brasileira, além de jornais diários.

Publicou o primeiro romance, Janelas fechadas, em 1941. Seis anos mais tarde foi nomeado Diretor-Geral da Biblioteca Nacional, exercendo também a direção do Serviço Nacional do Teatro.

Em 1953, a convite do Itamaraty, inaugurou e regeu por dois anos a cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, no Peru. A partir de 1954, tornou-se colaborador permanente do Jornal do Brasil, no qual manteve uma coluna semanal até 1990.Novamente convidado pelo Itamaraty, regeu, em 1957, a cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, e, em 1958, na Universidade de Madri. Entre 1969 e 1970, ocupou o cargo de conselheiro cultural da Embaixada do Brasil em Paris, e, de 1985 a 1989, foi embaixador do Brasil junto à Unesco.

Publicou mais de uma centena de livros, entre eles, Os tambores de São Luís, seu romance de maior destaque.

26/10/2017

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CREMAÇÃO INDÍCIO DA ATUAL DESCRISTIANIZAÇÃO - Nelson Ribeiro Fragelli

1 de novembro de 2017
Nelson Ribeiro Fragelli

Georges  D. era aposentado, gozava de boa pensão e possuía atraente cultura. Bom observador, sua acuidade penetrava a realidade dos acontecimentos, degustava-a, e, ao narrá-la, integrava seus interlocutores na cena descrita. Quem o ouvia tinha a impressão de ter participado no evento narrado.

Os amigos renunciavam ao teatro ou ao futebol para estar num domingo à tarde com ele. Francês de velha estirpe burguesa, Georges manejava com naturalidade e despretensão a arte da conversa. Nascido e criado na Lorena, próximo da fronteira alemã, começara ainda moço sua carreira de engenheiro de minas, durante a Segunda Guerra Mundial.

Sobreviveu aos dias de provação que se seguiram ao conflito mundial. As dificuldades lhe ensinaram a distinguir as situações e a conhecer as mentalidades. Este conhecimento era o sal de sua conversa. Embora casado havia mais de 50 anos, sua esposa Jeanne também não se cansava de ouvi-lo. Ele era de fato interessante.

Georges faleceu. Não houve enterro – fato que estranhou os amigos, embora ninguém dissesse nada. Houve cremação.
Expedita, com orações ecumênicas gravadas em fita magnética e música New Agebanhando com gotas de inquietante mistério aquela despedida. Nenhum ritual piedoso, embora ele e a mulher fossem católicos. Nunca se soube qual dos dois optou pela cremação.

Jeanne depositou as cinzas do marido dentro de uma caixa em forma de livro e “arquivou-a” em sua estante, acima da televisão, na sala de visitas, entre seus volumes de arte culinária. Quem quisesse fazer uma oração ou levar uma flor à sepultura do amigo, relembrar as conversas com ele, as tardes de domingo passadas juntos, seus ditos, a subtilidade de suas observações, não podia.

Contudo, a velha amizade dos amigos reclamava por essa singela homenagem. Mas ela não era possível. As mesmas chamas que rápida e violentamente reduziram a cinzas seu corpo pareciam ter também consumido sua lembrança. Vinte centímetros acima da profanidade dos programas de televisão, das comédias ou das novelas obscenas jazia Georges com sua simpatia e sua verve borbulhante. Era impossível, ali, dizer sequer uma Ave-Maria por sua alma.

Renato Bialetti, falecido no início do ano passado, 
inventor de uma cafeteira de grande sucesso – a Moka 
–, quis ser cremado e ter suas cinzas postas dentro de 
uma das unidades de sua invenção…

Cremação, revolucionária transformação de costumes

Segundo artigo de A. Favole (“Corriere della Sera”, 28-2-17), Renato Bialetti, falecido no início do ano passado, inventor de uma cafeteira de grande sucesso ­– a Moka –, quis ser cremado e ter suas cinzas postas dentro de uma das unidades de sua invenção. Sua maquineta de coar café foi sua sepultura. Ela presidiu seus funerais. Gene Roddenberry, famoso produtor e cenarista da televisão norte-americana, quis que suas cinzas, bem como as de sua mulher, fossem lançadas no espaço extraterrestre. Há mesmo uma firma comercial que se encarrega desses funerais cósmicos.

François Michaud Nérard (Une révolution rituelle, Atelier, 2012), mostra a cremação como uma profunda transformação nos hábitos dos franceses. Em menos de 40 anos os ritos de réquiemimemoriais foram convulsionados. Até 1980 somente 1% dos franceses optava pela cremação. Hoje cerca de 50% dizem preferi-la. Nos países do Norte da Europa essa preferência pode chegar a 75%.

A cremação avança com a materialização dos costumes. Por ocasião de funerais, lentamente se sobrepõem à ideia de Deus outras concepções de estilo econômico [a cremação custa menos], ou utilitário [imensas áreas ocupadas por cemitérios podem servir melhor à comunidade de outra maneira], ou de ordem higiênica [não contaminar o subsolo], ou sentimentais. Testamentos dispõem que as cinzas sejam jogadas no mar, dispersas nas montanhas ou em campos de futebol. Favole afirma nesse mesmo artigo que agora se propugna também a dispersão das cinzas dentro de cemitérios, em lugares chamados “jardim da lembrança”. O que se vê, na realidade, é o avanço de ideias anticristãs sob pretextos vários.

Sacralidade da sepultura X costume pagão

Túmulo de cristãos na catacumba de Santa Priscilla, em Roma
Por que recusar a sepultura e a sacralidade da inumação, preferindo a brutal e imediata destruição do corpo? Enterrar os mortos sempre foi grave dever dos cristãos. Desde o início da Cristandade a Igreja adotou essa prática, não só em razão de seus ensinamentos, mas também pelo aspecto simbólico da inumação. Por essa razão, os corpos dos mortos sempre foram objeto de respeitosa atenção. Houve condenações de Papas em tempos idos aos procedimentos abjetos com os mortos para conservá-los ou transportá-los. Queimá-los era também considerado um procedimento indigno, próprios aos pagãos.

Noutra localidade da Lorena, também pequena e não longe da casa de Georges, vivia solitário Antoine M.. Viúvo, sem filhos, com os poucos parentes dispersos, ele costumava dizer ao pároco de sua cidade, Pe. Michel R., que no mundo só tinha um amigo verdadeiro: a bela árvore de seu quintal. Ele amava aquela árvore. Cuidava dela, regando-a e adubando-a. De fato, era um frondoso castanheiro.

No verão Antoine comia prazenteiro à sua sombra, e no inverno queimava na lareira alguns poucos ramos podados com cuidados cirúrgicos no início do outono. Olhando o fogo, encantava-se com a elegância incomparável das labaredas liberadas por seus galhos ao entrar em combustão, e respirava fundo o agradável odor do seu lenho abrasado. Tudo vinha de seu castanheiro.

Sentindo vacilantes suas forças, Antoine fez testamento. Sua última vontade determinava a cremação de seu corpo e a subsequente deposição das cinzas em torno da árvore tão amada. Seria sua última homenagem a este ser que tanto o consolara em vida. E de fato, poucos anos mais tarde, Antoine morreu. Tudo foi feito conforme seu testamento: cremação e cinzas depositadas ao pé da árvore.

Herdeiro da casa — e consequentemente da árvore — foi um sobrinho de Antoine, que nela veio morar. Veio de Marselha, onde residia ao falecer Antoine. Acostumado a temperaturas tépidas do Mediterrâneo, o sobrinho achou que na Lorena o sol se mostra bem menos. A árvore do finado tio tirava-lhe o pouco de calor solar de que dispunha. Mandou cortar a árvore. Uma impiedosa motosserra reduziu então o único amigo de Antoine a achas de lenha. E junto com a terra em volta do belo arvoredo e as cinzas dele, tudo foi levado à lixeira pública. Fingindo-se horrorizado e com sorriso matreiro, o Pe. Michel contava o fato a todos do lugar.

Os restos mortais aguardam o dia ressurreição

Missa de corpo presente nas catacumbas pela alma de Santa Cecília mártir

Do ponto de vista da Religião, São Paulo diz:“Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus, como um culto razoável. E não vos conformeis com este século, mas reformai-vos com a renovação do vosso espírito, para que conheçais qual é a vontade de Deus boa, perfeita e agradável.” [Rom I, 1-2].

Como calcinar como rejeito indesejável esse corpo, ao qual se refere o Apóstolo, santificado pelo Batismo e pela recepção da Sagrada Eucaristia, vivificado por uma alma elevada à vida divina pela graça e templo do Espírito Santo?

No hábito da cremação não está presente a ideia do repouso de quem entregou sua alma a Deus — requiescat in pace (descanse em paz). Tudo se passa de modo expedito. O funeral perde seu sentido solene e os ritos de réquiem são despidos de grandeza. O ato se reveste da aparência de uma aniquilação absoluta no momento em que as chamas reduzem violentamente a cinzas feições por anos contempladas no lar com estima e amor.

Com o sepultamento a Igreja torna sensível, de modo simbólico, a crença no dogma da ressurreição dos corpos. Para a Igreja, o sepulcro é um dormitório no qual aguardam a ressurreição os restos mortais que ali repousam quais sementes depositadas no solo, das quais germinará, após o Juízo Final, a imortalidade. Numa terra consagrada, à sombra da cruz, o corpo do fiel aguarda a ressurreição tal como Jesus que, morto e sepultado, ressurgiu dos mortos. Esse corpo merece respeito em vista daquilo que ele foi e será por toda a eternidade.

O aspecto profano da incineração num forno crematório viola este respeito aos olhos de quem presencia tal procedimento. Dispôs a Igreja, ao dizer aos mortais “Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”, que lenta e naturalmente o corpo deve retornar ao pó da terra no qual teve origem. Trata-se de numa transformação natural, segundo os ritmos orgânicos, e não de uma destruição artificial.

Mãe compassiva, a Igreja toma em consideração a estima existente entre entes queridos. O amor paterno ou o amor filial, todo afeto humano, se sublimam no momento da morte. Imaginá-los nas contorções da incineração repugna aos bons sentimentos. Entretanto a todos consola saber que, sob a terra abençoada, aquela figura aos poucos desaparecerá, segundo a ordem natural estabelecida por Deus: “… in pulverem reverteris” — em pó te hás de converter.

Costume cristão de inumar os corpos dos fiéis

Famílias visitam seus parentes e amigos no Dia de Finados

A cremação também é um gesto simbólico. Seu procedimento visa obscurecer a presença do dogma da ressurreição da carne. Pelo contrário, a esperança da ressurreição está clara ao se encomendar a alma a Deus. Os primeiros propugnadores da incineração desejavam afastar a presença da Religião dos atos realizados em torno da morte.

Na França, foi a Revolução de 1789 a primeira a propugnar a cremação. Sua concepção anticristã lançou de modo organizado a campanha pela incineração. Nos anos que se seguiram à Revolução Francesa, durante o início do século XIX, doutrinas materialistas e ateias intensificaram a propaganda em prol da incineração. Assim, no início do século XX, sob diversos pretextos, os fornos crematórios começaram a se estabelecer na Europa.

A Igreja mostrava decidida oposição à cremação. Ao longo do ano de 1886, o Santo Ofício promulgou documentos refutando as falsas doutrinas dos propugnadores da queima de cadáveres. A refutação mostrava que “artifícios e sofismas enganadores contribuíam insensivelmente à diminuição da estima e do respeito do costume cristão de inumar os corpos dos fiéis, costume este de uso constante e consagrado pelos ritos solenes da Igreja”.

Era então negada aos fiéis que por sua própria vontade tinham optado pela cremação, não só sepultura eclesiástica, mas também a celebração de Missas públicas. Esses faltosos eram também declarados indignos dos últimos sacramentos. A Igreja assim agia por conveniências dogmáticas, a fim de salvaguardar o culto e os hábitos morais dos fiéis. (Dictionnaire Apologétique de la Foi Chrétienne, « Incinération », Beauchesne éditeurs, Paris 1911).

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         A ânsia de reformas por ocasião do Concílio Vaticano II levou o Santo Ofício a promulgar, em 5 de julho de 1963, a Instrução “Piam et Constantem”, abrindo-se a possibilidade de cremação. “A cremação não afeta a alma nem impede a Deus onipotente de restaurar o corpo, nem significa em si mesma uma negação objetiva dos dogmas mencionados. [...] Havendo motivos justos, baseados em razões sérias, particularmente de ordem pública, a Igreja não objetava nem objeta contra esta prática”. Não é fácil perceber como esta Instrução não contradiga as palavras de São Paulo acima citadas: “E não vos conformeis com este século…”

Orações especiais pelos falecidos

A Igreja estabeleceu 2 de novembro como o “Dia dos Mortos”. Nessa data, em quase toda a Cristandade os cemitérios se enchem de visitantes. Sobre túmulos dos antepassados fotos perpetuam suas fisionomias queridas ao lado de imagens de santos e anjos a velar sobre o morto.

Em oposição a este hábito imemorial, o respeito devotado aos mortos fica obnubilado pela ausência das cerimônias: pequenas urnas contendo restos incinerados são guardadas “estocadas” em prateleiras. Vendo-as sente-se, erroneamente, que tudo terminou nesta terra. A ideia da vida após a morte fica obscurecida. Fenece também assim o sentimento tão humano e natural de apreço pelos mortos.

No Dia de Finados, parentes e amigos levam flores e velas às sepulturas de seus entes queridos; Missas são celebradas e Rosários rezados pelas almas dos fiéis defuntos. Esta é a assistência poderosa e materna da Igreja em sufrágio das almas que gemem no Lugar da Purificação. A Igreja Militante pede a Deus junto aos sepulcros que as almas do Purgatório possam logo subir aos Céus, para integrar a Igreja Triunfante e assim contemplar a Deus face a face.

“Livrai, ó Senhor, as almas dos fiéis defuntos de todo vínculo da culpa”, canta a liturgia dos mortos. Reza-se também em louvor daqueles que já estão no Céu, pedindo sua intercessão pela santificação dos que ainda estão na dura contenda desta Terra. Já no século XI, Santo Odilon, abade de Cluny, prescreveu para seus monges a celebração de Missas pelos defuntos no dia 2 de novembro. Em Roma encontram-se antigas referências a esta comemoração no século XIV. (“Missa pelos Defuntos”, Das Römische Meßbuch, A. Schott O.S.B.).

Dia de Finados em Cracóvia

A comemoração de Finados em Cracóvia recebe da índole profundamente católica do povo polonês sua nota de dolente elevação. Intenso é o concurso da população aos cemitérios. Novembro, já em meados do outono europeu, antes do fim da tarde a noite baixa sobre a cidade junto com fina garoa. O campo santo ficaria imerso em inteira escuridão se não fossem os milhares de lâmpadas votivas, vermelhas em sua maioria, piedosamente trazidas aos mortos por familiares. Contritos, eles se movem como sombras entre túmulos e mausoléus portando esses lúmines incandescentes com o cuidado de ceroferários.

Nas sepulturas, feitas as preces em família, as pequenas tochas cintilam na noite como constelações de chamas em vigília de orações. São as orações dos vivos por aqueles que passaram à Eternidade. Gotas de garoa caindo sobre as lâmpadas evolam-se imediatamente, e num cicio, como pequenas nuvens de vapor, sobem ao alto fazendo imaginar as almas que partiram deste mundo.

Por vezes murmuram uns aos outros. Crianças indagam sobre os antepassados. De mãos postas imitam os pais em oração e emoção. No limiar da vida a inocência se compraz com o mistério do além. Estreitam-se quietas junto aos pais, parecendo assim estreitar-se à vida.

Somente a Igreja pode harmonizar docemente sentimentos tão opostos: o tempo e a eternidade; a morte como semente de vida eterna. Daquele cenário, tal como a garoa ao pousar sobre as lâmpadas ardentes, evaporam-se tristeza e compenetração cheias de esperança e resignação. Aquelas sombras movendo-se no Tempo procuram o invisível na Eternidade e desse encontro evola-se uma afirmação da Fé.

Tivesse Cracóvia generalizado a cremação, reduzindo seus cemitérios ao vazio dos “jardins da lembrança” — sem túmulos ornamentais nem jazigos ou monumentos funerários —, seus fiéis não mais teriam no Dia de Finados aqueles momentos de reflexão religiosa. A cremação, abolindo aos poucos sepulturas e cemitérios, deseja principalmente banir a Religião dos ritos mortuários e o sufrágio dos antepassados que “nos precederam com o sinal da Fé”.
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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 799, Julho/2017.



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