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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE ITABUNA: O Futebol Itabunense

História do futebol Itabunense



O primeiro clube de futebol de Itabuna foi o 
União Brasil. Foi fundado no dia 20 de julho de 1910 pelos Srs. Pedro Celestino Bastos, Nestor José Ferreira, Adelmo Viana, Américo de Oliveira Lima, Alcebíades Rebouças, Flávio Batista de Oliveira, Lanulfo Durval e outros.

Em Outubro do mesmo ano surgiu o “Guarany Esporte Clube”, fundado por Pompílio Silveira, Ismael Alves Casaes, Rosemiro Pereira, Isaltino Mota e outros. Entre os seus componentes figurava como jogador o Coronel Oscar Marinho Falcão, o chamado “rei do cacau”, que jogava na posição de quarto zagueiro.

Estes dois times jogavam todos os domingos, disputando um contra o outro, dividindo a torcida entre si.

Esquisitos eram os seus uniformes: calções que chegavam abaixo dos joelhos, camisas de gola, mangas compridas, bonés ou gorros feitos com a mesma fazenda das camisas e alguns usavam até gravatas...

Com o tempo foram surgindo outros times, que não duraram muito tempo, quase todos com nomes de vultos ou datas de nossa história: Castro Alves, Ruy Barbosa, Olavo Bilac, Princesa Isabel, Tiradentes, Dois de Julho, 7 de Setembro...

Em 1922, existindo aqui dois times de futebol, Ypiranga e Rio Branco, formou-se um combinado, que tomou parte no PRIMEIRO TORNEIO INTERMUNICIPAL DE PÉ-BOLA, realizado em Salvador, obtendo um honroso terceiro lugar.

Daí em diante, tendo sempre como palco a Praça da Matriz, sucederam-se disputas entre Ypiranga e Rio Branco. Às vezes eram disputadas partidas entre as equipes de Ilhéus, Rio do Braço, Água Preta, Pirangi e outras.

Em 1924, o Intendente Laudelino Lorena iniciou a construção do Jardim da Praça da Matriz (Olinto Leone), acabando com as festas dos times Ypiranga e Rio Branco.
Neste mesmo ano, (1924), surgiu na Rua da Jaqueira, o Esporte Clube São José, que tinha o seu campo no pasto do Senhor Berilo Guimarães, onde depois foi instalado o Campo da Desportiva. Neste espaço hoje está o Centro de Cultura Adonias Filho.

Em 1930, os times ItabunaSão José e Atlético criaram a LIGA ITABUNENSE DE DESPORTOS ATLÉTICOS, que com a inclusão do Janízaros, time fundado depois, realizou o primeiro campeonato de futebol de Itabuna. O São José, mais tarde tomou o nome de Grêmio Esportivo Itabunense.
Depois surgiram outros times que se filiaram à liga: Vasco, América e São Cristóvão.

Seguiram-se anos de bom futebol e perfeito amadorismo. O campo da Jaqueira serviu por muito tempo de palco aos bons espetáculos futebolísticos, até que em 1936 foi fundada a SOCIEDADE DESPORTIVA ITABUNENSE que cercou o campo, primeiramente de zinco, depois com muro.

Atlético, América e Vasco encerraram suas atividades e surgiu a Associação Atlética Itabunense e o Coríntians.  A Associação Atlética Itabunense chegou a ser considerada um dos melhores times de amadores do interior do Estado da Bahia. Tivemos também o Itabuna Futebol Clube em ótima fase.

Depois de longo período de estagnação, em 1954, o Departamento de Esportes da F.I.A.R. reconstruiu o Campo da Desportiva e os times ressurgiram num bom ritmo de entusiasmo. Tivemos visitas do Botafogo, Flamengo, Fluminense, América, Santa Cruz de Recife e outros clubes de categoria.

Já nessa época, quando a associação Atlética Itabunense estava substituída pelo Clube Recreativo Flamengo, surgiram mais dois novos times, Fluminense e Botafogo e, três anos depois, (1957), o futebol amadorista de Itabuna, sagrando-se campeão do Torneio Antonio Balbino, iniciou através de sua briosa seleção a marcha para a conquista de um título inédito no Brasil: HEXA-CAMPEÃ DE FUTEBOL AMADOR.


Do livro DOCUMENTO HISTÓRICO E ILUSTRADO DE ITABUNA de José Dantas de Andrade


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ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE...

12 sinais de deficiência de vitamina D


           A vitamina D é muito importante para o nosso corpo. Ela fortalece os dentes e os ossos, pois promove uma maior absorção de cálcio no sangue. Também reduz o risco de certos tipos de câncer, como o de próstata, de mama e de cólon.
          E ajuda a regenerar e a estimular o nosso sistema imunológico.
          Devido ao fato de a vitamina D influenciar a produção de hormônios no corpo, também pode melhorar determinadas condições de pele, como psoríase, vitiligo e esclerodermia, além de controlar o humor.
Recentemente, algumas pesquisas estão considerando a vitamina D muito importante para a prevenção de esclerose múltipla, doenças cardiovasculares, infecções bacterianas e ataques virais.
          A principal fonte da vitamina D é o sol.
          Por isso, os banhos de sol, em horários adequados e sem exageros, devem fazer parte de uma vida saudável.
          Em países que têm condições de luz solar baixa durante alguns meses do ano, o organismo é incapaz de obter a sua quota adequada de vitamina D através da síntese natural.
Nesse período, suplementos de vitamina D3 podem ajudar para evitar a carência desta vitamina.
          Como saber se você está com deficiência de vitamina D?
          Existem 12 sinais que são fortes indicativos dessa carência.
          Na ocorrência de um ou mais deles de forma simultânea, fique atento: seu corpo pode estar carente de vitamina D.
          Converse com seu médico e peça-lhe exames que comprovem este déficit.

Estes são os 12 sinais de carência de vitamina D:

1. Fragilidade dos músculos e ossos
Se começar a sentir menos força, fraqueza nos dentes e ossos, você pode estar com deficit de vitamina D.

2. Angústia constante e depressão
Estudos têm mostrado que as mulheres com baixos níveis de vitamina D tendem a ficar deprimidas ou a enfrentar estados de profunda tristeza.
3. Sensibilidade corporal crônica
As pessoas que sofrem de dor crônica sem causa aparente podem estar com carência de vitaminsa D.
4. Queda da saúde bucal
A ocorrência frequente de gengivite, sangramento, acúmulo de placa e enfraquecimentos dos dentes pode indicar níveis baixos de vitamina D.
5. Aumento da pressão arterial
A vitamina ajuda a saúde do coração, estimulando a circulação sanguínea.
Quando há uma deficiência dela, a pressão arterial tende a aumentar.
6. Sonolência
Quando não tem níveis adequados de vitamina D, o corpo pode ter pouca energia, apresentando fadiga e sonolência.
7. Mudança de humor repentina
A vitamina D influencia na produção de serotonina.
A serotonina é um neurotransmissor encarregado de manter equilibrado nosso estado de ânimo.
8. Diminuição da resistência em atletas
Todas as alterações aqui citadas têm um impacto muito forte na vida dos atletas, que sentem uma perda intensa de sua disposição.
Isso ocorre porque a carência de vitamina D não só reduz os níveis de energia, mas também enfraquece os músculos.
9. Obesidade
Se você está com excesso de peso, você precisa de mais vitamina D.
Ocorre que esta vitamina é solúvel em gordura.
Ou seja, as células de gordura armazenam vitamina D.
Logo, quem está com quilos extras precisa de um reforço deste nutriente.
10. Doenças intestinais
Pesquisas mostraram que as pessoas que têm distúrbios intestinais, como doença de Crohn, colite, alergia ao glúten ou intestino irritável, têm níveis mais baixos de vitamina D.
11. Sudorese na cabeça
Um dos sintomas mais comuns de deficiência de vitamina D é a transpiração excessiva na cabeça.
12. Intensificação das alergias
Pessoas alérgicas têm o quadro agravado quando estão carentes de vitamina D.



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RELACIONAMENTOS - Rubem Alves

Relacionamentos


Psiquiatra Brasileiro Faz Uma Comparação Entre relacionamentos e Jogos de Tênis e Frescobol


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzsche com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria, capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice”? Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Sheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.

O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ”Eu te amo...”

Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética”. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua “cortada”, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.

O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o  jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.

Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...


Rubem Azevedo Alves foi um psicanalista, educador, teólogo, escritor e ex-pastor presbiteriano brasileiro. Foi autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis. 
Nascimento: 15 de setembro de 1933, Boa Esperança, Minas Gerais
Falecimento: 19 de julho de 2014, Campinas, São Paulo


http://pt.slideshare.net/INTERCAMBIANDO/relacionamentos-rubem-alves


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO (2)

De onde viemos...

(Simplesmente espetacular! Não sei quem é o autor. Recebi assim)


"Eu venho de lá, onde o bem é maior. De onde a maldade seca, não brota. De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.

Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.

Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.

Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.

Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.

Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria.

Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe.

Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho.

Eu venho de lá e não estou sozinho, “sou catador de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.

Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar.

Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar.

Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim.

Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho...

Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo: tem sim, é fácil encontrar.

Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho. Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente buscar."



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HISTÓRIA DE ITABUNA: Pânico no Montepio

Pânico no Montepio
(Humor)

Em 1930, alguns dias após a vitória da revolução, houve em Itabuna uma reunião na sede da Sociedade Montepio dos Artistas para se tratar de assuntos relativos aos preenchimentos dos cargos públicos, abandonados pelos seus titulares.
      A esta reunião compareceram os representantes de todas as classes, autoridades militares e também um contingente de atiradores do tiro de guerra 500 de ilhéus, sob o comando do tenente Astor Badaró.
      No decorrer da reunião, surgiram algumas discussões acaloradas, com os ânimos um pouco exaltados. Justamente numa destas ocasiões, um dos atiradores notando que o seu fuzil estava com o ferrolho aberto tratou de consertá-lo, sendo que para isso teve de fazer a devida manobra. Ouvindo o barulho característico da manobra do fuzil, o tenente Astor, inadvertidamente, apitou para pedir atenção. foi o bastante para se estabelecer o pânico no apertado salão do Montepio, sendo inteiramente impossível evitar-se a debandada dos que ali se encontravam.
      Apavorados, enquanto uns tratavam de sair pelos fundos, galgando os muros e os telhados das casas que davam para a Avenida Sete de Setembro, outros tentavam sair pela frente.
      Logo na entrada do salão, existia uma grande vitrine, com algumas selas em exposição, obra do artista seleiro José Cupertino de Sousa Gomes. Com o atropelo, os vidros dessa vitrine foram os primeiros que se quebraram, causando ferimentos em alguns.
      Entretanto, um dos apavorados, na carreira em que vinha, entrou pela vitrina adentro, julgando que a mesma fosse a porta de saída. Neste exato momento, uma das selas lhe caiu sobre as costas e ele julgando que fosse alguém que lhe estivesse embargando a carreira, investiu forte carregando a sela nas costas até o meio da rua.


José Dantas de Andrade

Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna – 1ª Edição - 1968

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ITABUNA VIVE IMERSA NUM ETERNO VELÓRIO – Braulino Santana

Itabuna vive imersa num eterno velório


          O cortejo dos desesperados, uma leva de gatos pingados e mulambentos, calçados de sandália de dedo de feira, arrasta-se conduzindo o defunto ladeira acima. Repousa no caixão, olhos cerrados e boca em agonia, mais um garoto de 16 anos, apunhalado a facadas na periferia de Itabuna. O velório, numa noite longa, é interrompido vez ou outra por um choro em desconforto. A sensação de abandono sufoca o ambiente, e flagra a ausência de qualquer autoridade pública – um delegado, o prefeito, um promotor, um vereador, nada nem ninguém que ouça aquela história e não a deixe esvair-se em vão.
          Aquela história termina em melancolia, como a de centenas de outras e codifica a falência completa de organização social mínima. É o décimo sexto rapaz assassinado, em menos de dois meses, na cidade que ostenta a macabra cifra de mais violenta da Bahia – a Nigéria do Boko Haram é aqui. Um dilúvio ou uma bola de fogo vinda de um céu com aquelas nuvens de fumaça enegrecida de campos de concentração resolveriam a inação da classe média da outrora ‘capital do cacau’: Itabuna precisa morrer de uma certa forma (na verdade, já está morta, pois lidera o macabro ranking no Brasil com o maior índice de assassinato de jovens em cidades com mais de 200 mil habitantes – a Bahia ocupa o posto de segundo estado no país nesse ranking) para que as suas cinzas modelem um novo começo, novas consciências – a frieza de conviver com índices de violência atormentadores e se fechar num silêncio cúmplice é atitude de gente-defunta. A violência se intensifica e se cronifica por incidir sobre as classes mais desassistidas e periféricas, entregues à própria sorte.
          A bola de fogo poderia começar abatendo certeira, rápida e lancinante as ideias ensinadas nos Departamentos de Direito e de Filosofia da UESC. Aliás, o governo do Estado deveria interditar a UESC – ou lacrar aquilo ali, emulando o fechamento da tampa do caixão de dezenas de jovens que morrem a faca, a bala, a marteladas. Como é possível uma cidade estampar números obscenos de violência e uma faculdade de Direito – lugar onde a noção de Justiça deve ser ensinada e aprendida – sair impune? Para que serve investir tanto dinheiro público em um ambiente narcisista e simbolicamente violento ele mesmo? Quando vociferam por aqueles corredores a demagógica manutenção do “estado de direito”, “estado de direito” é traduzido aqui como a manutenção dos privilégios da classe média calculista no poder ali.
          Se uma universidade não consegue apresentar estudos e alternativas de políticas que combatam aberrações como a violência, ela é defunta por si mesma, e já passou da hora de ser enterrada junto com o banho de sangue com o qual lava as mãos e as enxuga com seus currículos duvidosos. Desconfia-se, portanto, de que onde há violência ou miséria, isso é ensinado e aprendido por gerações, e desconfia-se de que a própria universidade eduque para a morte, já que ela não consegue ensinar a conviver pacificamente ou a estabelecer discussões políticas mínimas que combatam os problemas que suas comunidades pagam para ela ajudar a resolver.
          Sequências de ocupantes daquela reitoria (a atual reitora aparece vestida de vermelho na internet e maquiada na imprensa pedindo ao DNIT, socorro!, uma lombada em frente à UESC) disputam a gestão da universidade sem ser capaz de escrever uma linha sequer sobre os graves problemas da região. Não atuam como intelectuais. Estão ali para ostentar seus carros, maquiagens, perfumes caros, e não apresentam estratégias para refletir sobre o que quer que seja. A reitoria da UESC deveria promover a criação de um núcleo permanente de estudos e pesquisas sobre a violência na região. Estimular e obrigar sociólogos, pesquisadores do direito, pedagogos, economistas, filósofos, cientistas políticos a responder para a sociedade por que ganham salários públicos e se escondem em suas casas de praia, no conforto de suas vidas vazias, deixando a sociedade assolada por problemas sociais inadmissíveis, como a ausência de saneamento e a incidência de violência há décadas.
          Há décadas Itabuna vive imersa em esgotos (o canal do São Caetano e o do bairro Santo Antônio são dois exemplos horripilantes) como se fossem bocas com todos os dentes podres. Carnes são vendidas a poucos metros de fezes naquelas feiras livres – se as autoridades públicas abandonam as populações a comprar víveres ao lado de fezes, isso estimula e justifica a violência numa outra ponta, já que homens e mulheres vão devolver uns para os outros o que receberam. Os investimentos públicos que conseguem escapar da gatunagem do superfaturamento e da corrupção se concentram nos bairros do centro e da classe média. A reforma da Avenida do Cinquentenário – rua central – e o calçamento de bairros como o Jardim Vitória (onde mora boa parte da gente rica) é prova da valorização dos lugares dos endinheirados.
          No ano de 2834, quando essa história for contada como ela de fato ocorreu, Itabuna será lembrada como a cidade do esgoto e dos assassinatos abertos contra pretos pobres da periferia. E suas memórias serão reconstruídas a partir das histórias de diplomados funcionais em direito, economia, pedagogia e filosofia da UESC, reconhecida, então, como a universidade que promovia a morte ou, no mínimo, deixava a morte acontecer.



Braulino Pereira de Santana, doutor em Linguística pela UFBA 


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DE SANTOS DUMONT A EIKE BATISTA – Por Kleber Galvêas

De Santos Dumont a Eike Batista

          Poucos anos após inventar uma maneira de dirigir balões, fazendo-os retornar ao ponto de partida, Santos Dumont decolou com o seu Demoiselle (“senhorita”), o primeiro avião a sair do chão sem um empurrão. O dos Irmãos Wright foi empurrado do chão para cima: através de uma catapulta; pelo interesse do exército americano; financiado por empresários e incentivado pela propaganda nacionalista cabotina.

          Santos Dumont atuava com recursos próprios. Romântico, voltou para o Brasil. Os Irmãos Wright, com espirito weberiano, apoio da mídia, do governo e de empresários, criaram uma empresa. Seus descendentes fabricam peças para aeronaves nos EUA.

          Transcorrido um século, brasileiros continuam desacreditados por parte expressiva da mídia, pelo espírito provinciano, comum entre nós (“Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal” — Tom Jobin) e principalmente pelo governo que nos descapitaliza tomando o nosso dinheiro, com taxas e impostos abusivos. Não adianta nossa criatividade e espirito empreendedor se não há capital, e os juros sufocam.

          O empresário nacional, mesmo o pequeno, tem que ter manha de camelô: “um olho na esquina, outro no freguês”, ou melhor, um olho no governo e o outro na empresa. Tamanha a burocracia, diversidade e instabilidade legal vigentes.  Em alguns casos, agentes do governo induzem o incauto a saltar obstáculos legais (propinas), como a única maneira de continuar trabalhando.

          A cultura antecede a política que prevalece sobre ela, porque promulga as leis. Culturas diferentes propiciam diferentes políticas e leis próprias.

          Dizem os historiadores que a instituição da propina no Brasil remonta ao tempo das Capitanias Hereditárias. A coisa aqui se fez tão antiga, universal, volumosa e descarada, que acabou se tornando um monstro perigoso para todo mundo, visto por outros países como expressão da deslealdade comercial.

          Uma empresa, ao se expandir, se torna responsável por mais bocas dependentes do salário. O empresário que conhece a cultura local encara a ação paralela (propina) como vital, e, assim, contrata consultores e cria um departamento específico para agir com competência, consoante o ambiente.

          Embora tenha uma boa formação, ele se torna condescendente com o crime quando avalia o interesse pessoal, o da sua empresa e a responsabilidade para com terceiros. Então filosofa: se a Cultura concebe a Política, e os políticos fazem as Leis que nos convidam a transgredir, não há risco. Não será abandonado, com tantas informações, em barco furado, no meio de um oceano de denúncias.
Aconteceu!

          Daí o interesse pelas oportunas palavras do empresário Eike Batista ao embarcar para ser preso no Brasil: havendo culpa, pagar pelos erros cometidos, apoiar a Operação Lava Jato e apostar que, daqui para frente, a relação empresa-governo será diferente, transparente. Subliminarmente ele justificou as delações e indicou que, como a Operação Lava Jato alcança os políticos, a participação das empresas na nefasta rede de corrupção será esclarecida.

          Empresas criam riquezas. Mesmo a elite chinesa, que ontem “xingava” a Rússia de “revisionista”, percebeu que, sem formar uma classe empresarial, não conseguiria sustentar o seu povo e se manter no poder. O gigante chinês, deitado em berço esplêndido, compreendeu e cresceu.

          Acorda Brasil! Punição aos criminosos, vida longa e saudável para nossas empresas! 


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com fevereiro, 2017.

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