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domingo, 26 de julho de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (194)


17º Domingo do Tempo Comum – 26/07/202


Anúncio do Evangelho (Mt 13,44-52)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.
Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes.
Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.
Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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 “Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44)

As parábolas são uma expressão de surpresa diante da vida, que nos ultrapassa sempre, fazendo-nos capazes de pensar de um modo diferente, captar o outro lado da realidade concreta e abrir-nos à dimensão da transcendência. Dessa forma, elas recolhem e desvelam a vida real dos homens e mulheres de cada tempo, movendo-os a assumir uma atitude mais aberta e mais comprometida com a situação onde estão envolvidos. Isso significa acolher o dom e a missão do Reino.

Em geral, as parábolas evocam experiências desconcertantes e em quase todas elas se revela um dinamismo que rompe os esquemas “normais” da vida, conduzindo o ouvinte (ou leitor) a um outro patamar, mais inspirador e desafiante. Elas removem a vida, arrancando-a da “normose” (normalidade doentia) e despertando outros recursos internos, que não foram ainda mobilizados. Assim, esta mesma vida, começa a adquirir um outro sabor e um outro sentido.

O Evangelho deste domingo recolhe duas pequenas parábolas fulgurantes de Jesus: uma do tesouro e outra da pérola. São relatos de uma enorme eficácia. Elas nos situam frente a uma experiência desencadeante de vida, frente à surpresa de Deus, e assim expõem e põem em marcha o caminho do Reino. Elas também nos situam diante da máxima riqueza e exigem, ao mesmo tempo, o maior desprendimento.

São imagens que pedem radicalidade, ou seja, “vender tudo” para adquirir o tesouro ou a pérola
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Mas, quase não percebemos que há um passo prévio: a descoberta, a iluminação interior, o ver clara-mente. Tanto o caminhante pelos campos como o comerciante de pérolas, vendem tudo porque se convenceram de que o investimento valia a pena. 

Nestas duas pequenas parábolas, são apresentadas duas opções para que cada qual possa identificar-se: ou é aquele que encontra inesperadamente o tesouro e compra o campo, ou é aquele que tem a vocação de comerciante e percorre o mundo procurando pérolas preciosas.

Uns serão aqueles que vão passear, deixando-se surpreender pela vida e pelos acontecimentos, sem perder a capacidade de assombro, de entusiasmo, de admiração. A pessoa de nossa parábola, ao ser encontrada pelo tesouro, “sai” de si para vender quanto tem, procura o proprietário e compra aquele campo. Mas também percebemos que faz tudo isso a partir de dentro, como se houvesse conectado com algo pessoal e íntimo, que lhe permite “sair” do mais profundo de si mesmo. E esse duplo movimento é carregado de uma plenificante alegria.

Outros serão de mentalidade “comercial”: encantam-lhes a aventura, a busca, a estratégia. Não nasceram para estar quietos, nem para se conformar com boas e bonitas pérolas. O específico seu é continuar viajando e buscando sempre a pérola maior até encontrá-la. E quando a encontram, compram-na, e continuam buscando sempre. Porque isso é próprio de um comerciante: apostar, comprar, vender, às vezes ganhar, outras vezes perder... A pérola também sai ao encontro daquele que busca.

A decisão e o risco que assumiram, tanto o comerciante de pérolas quanto o nosso caminhante pelos campos, mudaram suas vidas. O tesouro e a pérola continuarão sendo valiosos, quer eles vivam com fidelidade e paixão ou não. O que os transforma não é o tesouro ou a pérola em si, mas a atitude e a decisão que tomam, atraídos por eles. É um tesouro e uma pérola que exigem uma transformação do antigo e conhecido passado para um novo e desconhecido futuro.

Quando a pessoa se fecha às surpresas da vida, ou quando deixa de esperar algo bom e precioso, ela se invalida para ser descobridora de tesouros ou buscadora de pérolas.

Para deixar-nos encontrar pelo tesouro e pela pérola é preciso deslumbrar-nos, fascinar-nos, encantar-nos, apaixonar-nos. Parece simples, mas é muito aberto e evocador. “Aquilo pelo qual nos encantamos mobiliza nossa imaginação e acaba por deixar sua marca em tudo”, dizia Pe. Pedro Arrupe.

E como encantar-nos? Não é só questão de vontade, mas de viver com os olhos abertos, atento à realidade, externa e interna, ser poroso para que nos deixemos encontrar pela pérola preciosa e pelo tesouro escondido; diante deste surpresa, não poderemos deixar de ficar fascinados.

E então, sim, estaremos dispostos a queimar barcos, vender tudo, dar o salto. Talvez nosso maior problema é que, na realidade, o que nos interessa são nossas posses, poder, objetos, apegos à auto-imagem e não descobrimos ainda o tesouro escondido e a pérola fina, que não estão distantes de nós; pelo contrário, encontram-se no mais profundo de nós mesmos.

“Descer” ao chão de nossa interioridade é a oportunidade para descobrir regiões novas e novos horizontes, para conhecer o reino interior, para encontrar a riqueza interior e assim experimentar a transformação. O caminho para uma nova qualidade de vida passa pela “descida” aos campos de nosso coração. Isso requer coragem para passar por todas as regiões, mesmo as sombrias, e chegar ao mais profundo. Mas essa descida nos possibilita descobrir um mundo diferente que não conhecíamos, ou que havíamos perdido. Lá no fundo, encontra-se um bem precioso que podemos levar conosco, que nos ajuda em nosso caminho e que nos faz totalmente originais e criativos.

É preciso “descer” até o fundo para descobrirmos uma nova riqueza para a nossa vida; é “descendo” que poderemos revitalizar a vida que se tornara vazia e ressequida.

Trata-se de despertarmos, de escavarmos, de avançarmos em direção ao “veio de ouro” e de sabermos que este não é nossa propriedade; ele nos é oferecido como dom. Não basta falar de “pedra preciosa”, é também necessário “escavar” nosso “chão interior”, alargar nosso coração, garimpar em direção às riquezas que estão no eu mais profundo, assim como o “fio de ouro” no meio dos cascalhos.

Cada um de nós possui uma fonte inesgotável de qualidades-habilidades; podemos dizer: “somos um presente”, um valor para os outros. A vida sempre está oculta nas profundezas. A pessoa superficial é aquela que se confunde com suas ideias, coisas... A pessoa do “eu profundo” é aquela que vive a partir da raiz, da fonte mesma da vida, e deixa vir à tona todas as suas riquezas, dons, capacidades...

É no coração que existem, em abundância, os aspectos positivos de nossa personalidade, os talentos naturais e as boas tendências. Aí se aninham imensas riquezas que se exprimem de maneira diferente, dando a cada um, uma fisionomia própria, um caráter único.

Esta região profunda coincide com o mundo das certezas, dos valores, das ideias-força... que formam o eixo da nossa existência, o melhor de nós, o lugar de nossa recuperação e de nossa realização, o positivo que nos solicita continuamente a nos tornar o que devemos ser. 

A força da transformação, portanto, nós não a encontramos na superfície ou distante de nós, mas sim, nas profundezas. Para ter acesso à riqueza no interior de nós mesmos, podemos imitar, simbolicamente, os hábitos dos pescadores de certo atol do Pacífico. Eles vivem pauperrimamente sobre uma terra desprovida de vegetação e açoitada pelos ventos; mas o fundo do seu mar é muito rico em pérolas.

Desenvolveram aí aptidões excepcionais para o mergulho; descem sem qualquer aparelho, ao fundo do mar, localizam as pérolas, arrancam-nas, trazem-nas para a superfície, atiram-nas no barco, para depois mergulharem de novo.

Este é o caminho da verdadeira espiritualidade: “descer” até o fundo, mergulhar no oceano interior onde estão escondidas as pérolas que dão significado e sentido às nossas vidas.

Encantados com a descoberta, trazê-las à tona e colocá-las a serviço dos outros, multiplicando-as.

Textos bíblicos:  Mt. 13,44-52    
Na oração:  Para realizar-te e desenvolver toda a tua potencialidade, busca, na oração, cavar mais profundamente, até atingir as raízes de teu ser, o núcleo original de tua personalidade.
- Olha no profundo de teu coração, olha no íntimo de ti mesmo, e pergunta: “tenho um coração que deseja o maior (“magis”) ou um coração adormecido pelas coisas? Meu coração conserva a inquietude da busca ou deixa-se sufocar pelos apegos, que acabam por atrofiar-me?”

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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sábado, 25 de julho de 2020

DEUS DESEJA SER AMADO NÃO APENAS PELA SUA MISERICÓRDIA, MAS TAMBÉM NA SUA JUSTIÇA E NA SUA SEVERIDADE

20 de julho de 2020
Neste dia 20 de julho a Santa Igreja celebra a festa litúrgica do Profeta Elias. Em sua memória segue a transcrição de um comentário feito por Plinio Corrêa de Oliveira em conferência realizada em 14-11-1969. Esse texto não passou pela revisão do autor.


O Rei Ocozias mandou um capitão com cinquenta homens prender o Profeta Elias. Disse-lhe então o capitão: “Ó tu que te tens por homem de Deus, o rei mandou que venhas. Respondendo Elias, disse ao capitão de 50 homens: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu e te devore, a ti e a teus 50 homens”. (2 Reis, 1, 1). O capitão e todos os soldados foram liquidados.

A primeira reação que este fato poderia produzir em um católico piegas seria a seguinte: Coitados! Afinal de contas, que culpa eles tinham para morrerem dessa maneira?

O fato é relatado como um castigo, e para que esse castigo se explique, devemos considerar que os profetas davam provas de sua missão profética, e os que não queriam reconhecer essa missão profética incorriam no castigo de Deus. Aqueles homens tinham aceitado a incumbência do rei, de prender o profeta Elias, daí concluirmos que eles não reconheciam o profeta; ou se reconheciam, temiam mais o rei do que o profeta. Portanto, nessas condições, mereciam ser duramente castigados.

Qual o sentido desse castigo? Deus não é só justo nem só severo, é também infinitamente misericordioso. Ele não seria Deus se não fosse justo e misericordioso. Mostra-nos todas as suas perfeições, entre elas sua justiça e severidade infinitas.

Nós temos que amá-lo em todas as suas manifestações, inclusive quando a manifestação é de sua justiça. Quando Deus nos mostra sua justiça, Ele o faz para nos atemorizar. É claro que o temor é um dos frutos da manifestação da justiça de Deus, mas não é o único fruto, pois outro fruto é o amor a Deus. Ele quer ser amado na sua justiça e na sua severidade. A severidade para com o mal deve despertar o amor. Esta é a lição que devemos tirar nas tomadas de atitude severas.

Quais são as coisas que a Revolução nega nesse sentido? Prestando atenção, vemos que a Revolução vai cada vez mais dando a ideia de que o homem que detém autoridade só é digno de amor se nunca for severo. Isso se nota em todas as escalas da autoridade. Segundo tal ideia, o pai que jamais é severo é o pai bom e digno de amor, e a autoridade policial que tem pena do ladrão e o deixa escapar é a autoridade policial boa e digna de amor. Está subjacente nisso a ideia de que é preciso não ser severo com o criminoso. E a autoridade que não pune, não castiga, não faz sofrer, essa é a autoridade boa, que deve ser objeto de simpatia.

Ora, essa é uma ideia falsa! Para um homem de coração reto, a severidade atrai o amor. A severidade não é brutalidade, nem vulgaridade. A alguém que nos censure com severidade, com respeito e com a força dos Mandamentos, nós devemos ficar agradecidos. É um sinal de que somos humildes, e que as portas do Céu estão abertas para nós. Caso contrário, seria sinal de que não somos humildes, nem de que as portas do Céu estão abertas para nós. Portanto, devemos amar em Deus também a sua severidade.

Antigamente o pai, dentro de sua casa, apresentava-se sempre um tanto distante, enigmático e majestoso em relação aos filhos. Nem por isso os filhos deixavam de amá-lo. Pai indigno de amor é o que se orienta por uma fórmula como esta: “Eu sou o melhor amigo do meu filho; não temos relações de pai e filho, mas de amigos”. Um pai assim profana sua própria autoridade, pois o pai é muito mais do que amigo. Compreende-se então por que Deus manifesta de vez em quando sua severidade, e a manifesta de modo terrível.

Um bispo antigo de São Paulo escreveu esta frase numa carta pastoral: “A misericórdia de Deus tem mandado mais gente ao inferno do que a sua justiça”. A frase é um pouco desconcertante, mas significa que vão para o inferno mais almas por terem abusado da misericórdia de Deus do que por terem temido demais a justiça de d´Ele. Os abusos da misericórdia são mais frequentes do que defeitos morais por temor excessivo da justiça.

Alguém poderia objetar: Mas onde é que o senhor coloca a bondade? Dou minha resposta com base na figura de Santa Teresinha do Menino Jesus, que tinha amor profundo à bondade de Deus, mas também uma noção profunda da justiça d´Ele. A tal ponto que estremecia ao ouvir falar dela, mesmo sabendo que ela é adorável. Tal era nela o senso da justiça de Deus, que fazia como os anjos no Céu: velava a face diante dela. Por assim dizer, desviava os olhos da justiça, cuja grandeza tremenda, no entanto, a enchia de admiração.

Não é esta a atitude do relaxado que tem o hábito de pecar, despreza a justiça de Deus, zomba dela, não a teme. Para o relaxado, a meditação sobre a justiça tem um efeito bem diferente do que produzia na alma insondavelmente sensível e delicada de Santa Teresinha. Se temos motivos para achar que não somos tão sensíveis quanto Santa Teresinha em relação à justiça de Deus, nem tão inocentes quanto essa santa carmelita, faremos muito bem em meditar sobre o inferno.

Mais uma objeção que alguém poderia fazer: Eu sou de uma contextura espiritual especial, e lucro mais meditando sobre a bondade de Deus do que sobre o inferno. Respondo que considero esta uma via espiritual legítima, e a respeito inteiramente. Mas tantas vezes o homem é levado a pôr um sofisma assim diante dos olhos, para evitar olhar a justiça de Deus, que o meu conselho é examinar-se muito atentamente antes de admitir essa conclusão.


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sexta-feira, 24 de julho de 2020

EDITORA LANÇA LIVRO COMEMORATIVO AO ANIVERSÁRIO DE 12 ANOS DO JORNAL DIREITOS

Em homenagem ao aniversário de 12 anos do jornal, a Editora Direitos lança o livro JORNAL DIREITOS, 12 ANOS DE HISTÓRIA...ENTREVISTAS.

A obra que é de autoria do advogado Vercil Rodrigues, que também é jornalista e editor do jornal Direitos, tem a apresentação do jornalista e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus, Zé Carlinhos Silva, que declarou: “Percebo que o autor ergue um brinde à comunidade regional, de forma inédita, ao compilar as principais entrevistas publicadas para comemorar o “jubileu de ônix” deste seu primeiro veículo de comunicação lançado. E que se trata de um trabalho no contexto do jornalismo informativo e opinativo em que o autor talvez pretenda imortalizar os entrevistados, ao tempo que retrata o pensamento da região em determinado período da história, e cumpre com fidelidade o respeito às datas e ao conteúdo das entrevistas”.

Disse ainda o jornalista e assessor de comunicação: “No elenco de entrevistados, estão operadores do direito, autoridades do Poder Legislativo, presidentes de academias de letras e de letras maçônicas, veneráveis e autoridades maçônicas, magistrados, professores, psicólogo, psicanalista, colunista social, escritor, jornalista, presidentes de seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, coordenadores e diretores de cursos e colégios particulares e públicos, dentre outros.

O jornalista Daniel Thame, a quem coube o prefácio do livro: Direitos, 12 Anos de História...Entrevistas, declarou: “O Jornal Direitos, voltado a uma área essencial da vida brasileira, é fruto da abnegação e do espírito empreendedor de Vercil Rodrigues, um homem de múltiplas atividades, todas elas exercidas com competência, profissionalismo e ética”.

O diretor regional Sul do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia – SINJORBA, continuou: “É sabido, em tempos de mídias virtuais, a dificuldade de se manter um veículo impresso, com circulação regular. E são 12 anos de Jornal Direitos, um tempo respeitável em termos de mídia impressa. 12 anos que devem e merecem ser celebrados”.

No Prefácio, disse ainda: “Vale destacar o ineditismo de se publicar um livro com entrevistas imprescindíveis para comemorar o aniversário de um jornal (impresso e on line), o que reforça essa capacidade de Vercil Rodrigues, de surpreender e inovar. E será também uma referência para as gerações futuras de pessoas que construíram uma região que nos orgulha pela sua capacidade de se reinventar”.

Esse livro não é apenas homenagem a pessoas que se destacam na comunidade grapiúna, mas principalmente a celebração justíssima dessa conquista que é fazer do jornal Direitos um veículo de comunicação indispensável à sociedade regional.
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quinta-feira, 23 de julho de 2020

ITABUNA VIVA COM POESIA – Cyro de Mattos

                  Itabuna Viva com Poesia
Cyro de Mattos

Apesar desses tempos difíceis que vivemos com o impiedoso coronavírus, parabenizo Itabuna, meu berço, por mais um aniversário de sua emancipação política, em 28 de julho de 2020, dedicando-lhe os dois poemas que transcrevo abaixo.  Acredito que bons tempos voltarão, breve.
      
                                                 * * *
Soneto de Itabuna
                                           
Encontro-me no verde de teus anos,
Como sonho menino nos outeiros,
Afoitas minhas mãos de cata-vento
Desfraldando estandartes nessas ruas.

São meus todos esses frutos maduros:
Jaca, cacau, mamão, sapoti, manga.
E esta canção que trago na capanga
É o vento soprando nos quintais.

Quem me fez estilingue tão certeiro
Nos verões das caçadas ideais?
Quem nesse chão me plantou com raízes

Fundas até que me dispersem ventos
Da saudade e solidão? Ó poema!
Ó recantos! Ó águas do meu rio!

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Canção de Itabuna

Uma canção de Itabuna
Nessa estrada ressoa,
A essa altura comprida,
Vem de dentro da infância,
Nesses ventos da aventura.

Pelejando nos campinhos,
Festejando nos quintais,
São meninos como sonho,
Cada um quer ser herói,
Nesses ventos da esperança.

Todos eles um rio conhece
Nos mergulhos do verão,
Nos acenos da aurora,
Que desponta radiante
Nesses ventos da ilusão.


Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

ELEIÇÕES – Péricles Capanema

22 de julho de 2020
Péricles Capanema

No Brasil teremos eleições municipais em 15 de novembro; nos casos de 2º turno, ainda em 29 de novembro, votações para prefeitos. Sem dúvida importantes, fornecerão estimativa, instantâneo, de como se posiciona a opinião pública e tornarão mais plausíveis os prognósticos para 2022.

Aqui as eleições brasileiras serão tocadas de raspão, não é sobre elas que pretendo discorrer. Eleições presidenciais norte-americanas serão o tema. Muita gente já comentou em blague, repito o gracejo, as eleições presidenciais nos Estados Unidos influenciam tanto, que todo mundo deveria votar delas.

A conhecida revista inglesa “The Economist”, em sua última avaliação sobre o pleito de 3 de novembro, coloca Joe Biden com 54% dos votos populares, Trump com 46%. Ainda segundo “The Economist”, de momento Biden tem 90% de chances de ser o próximo presidente dos Estados Unidos (98% de probabilidade de vencer no voto popular).

Se os atuais prognósticos foram confirmados, e não é difícil que o sejam — ainda que pesem sobre eles as justificadas reservas sobre a objetividade das pesquisas —, Biden chegará ao poder à frente de gigantesca coligação que incluirá, apenas como exemplos, simpatizantes do movimento vandálico de derrubada de estátuas, setores extremados do “Black Lives Matter”, defensores da pauta LGBT, ideologia do gênero, aborto. E ainda forças políticas que simpatizam com partidos de esquerda na América Latina. Em outro âmbito, presumivelmente ficarão mais fáceis as manobras de Xi Jinping e Vladimir Putin para expandir a própria influência e minar a importância dos Estados Unidos no mundo. Queira-se ou não, terão sido enormes golpes nos interesses do Ocidente, eco pálido (a demolição interna é enorme) e, paradoxalmente poderoso (engloba países de grande poder) do que foi a Cristandade. Enormes golpes, disse e reafirmo. Presumivelmente desferidos de forma gradual, passamos por era girondina. E possivelmente menos contundentes para a opinião pública pela restauração parcial, quando menos publicitária, do papel internacional dos Estados Unidos, com a recusa do “America first”.

Descendo a detalhes e analisando de perto o período pré-eleição, Joe Biden tem contra si a falta de carisma, o ar distante e a aparência um tanto avoada. Não galvaniza seguidores, eleitores potencialmente seus poderão não se sentir animados a votar no 3 de novembro. Contudo, tais circunstâncias devem ser vistas com olhar matizado. Biden sabe ganhar eleições. Senador aos 30 anos, venceu a seguir seis disputas sucessivas para o Senado; e por duas vezes, junto com Barack Obama, foi vitorioso em eleições presidenciais. É nome nacional desde 1973.

Católico, não age na política de forma coerente com a fé, tendo tido choques com o bispo diocesano, por causa de seu favorecimento do aborto. Semanas atrás, declarou que agirá contra os estados da União que promulgam leis restritivas ao aborto: “Os direitos à saúde das mulheres estão sob ataque quando estados no país inteiro aprovam leis extremadas restringindo o direito de escolha das mulheres sob quaisquer circunstâncias”. Continuou: “Como presidente vou colocar na legislação o determinado pela decisão Roe vs. Wade da Suprema Corte e o Departamento de Justiça fará tudo que estiver a seu alcance para impedir a avalanche de leis estaduais que tão claramente violam o direito de escolha das mulheres”. Suas posições pró-aborto e favoráveis ao “same sex marriage” podem lhe tirar votos; é forte o eleitorado conservador nos Estados Unidos.

Joe Biden tem histórico familiar amplo e controverso. Alguns fatos o favorecem eleitoralmente; outros podem prejudicá-lo, em proporção ainda não conhecida. Casou-se em 1966 com Neilia Hunter. Tiveram três filhos, dois meninos e uma menina. A mulher e a filha, em 1972, morreram em desastre de automóvel. Biden casou-se uma segunda vez, em 1977, com Jilly Tracy, com quem teve uma filha. O filho mais velho de Biden, Beau, faleceu de câncer aos 46 anos. O outro filho, Hunter, — observa o sociólogo Manuel Castells, favorável a Biden, em “La Vanguardia” de Barcelona — “uma bala perdida, expulso da Marinha por vícios em drogas e envolvimento em negócios com empresas chinesas e depois ucranianas, que lhe pagavam salários astronômicos por ter um Biden em seus conselhos. Isso explica o escândalo da negociação de Trump com o presidente da Ucrânia para que lhe facilitasse informação sobre Biden júnior em troca de ajuda, um assunto que levou à tentativa de impeachment contra Trump”. De momento, as estrepolias do filho parecem não prejudicar significativamente a candidatura do pai. Os Estados Unidos têm outras preocupações, em especial a crise econômica e a pandemia.

Uma palavra sobre Donald Trump. Mesmo sem mudanças ideológicas e de aspirações no eleitorado, a crise econômica e a decepção com o comportamento presidencial podem lhe tirar votos decisivos. E, então, reitero, pode começar uma época particularmente difícil: liberdades ameaçadas, crescente desagregação social, ameaças de totalitarismo caminhando a nosso encontro.

Percebo, não despertei esperanças róseas, e fico sujeito à censura de atrair, quiçá prematuramente, o olhar do leitor para perspectivas sombrias. Errei? Não me parece. Em primeiro lugar, não é tão prematuro assim. E a seguir, tudo o indica, teremos avalanche de fatos que, já agora, precisam ser entendidos, combatidos e detidos quanto possível. A mais, pode-se alegar em favor de tal atitude exemplo histórico de um grande vitorioso. Sem ele, a história da liberdade e das democracias ocidentais teria sido outra. Quando ascendeu ao cargo de primeiro-ministro, no discurso inaugural de 13 de maio de 1940, julgou Winston Churchill necessário para enrijecer a fibra britânica e preparar o país para uma luta vitoriosa expor de forma escancarada a realidade sombria: “Só tenho a oferecer sangue, sacrifícios, lágrimas e suor. Temos diante de nós provação muito dolorosa. Diante de nós estão muitos e muitos meses de luta e sofrimento. Qual é nosso objetivo? Fazer a guerra por terra, mar e ar. Guerra com todo o nosso poder, com toda a força que Deus nos deu. Guerra contra uma tirania monstruosa nunca suplantada no escuro e lamentável catálogo dos crimes dos homens. Esta é nossa política. Qual é nosso objetivo? Respondo com uma palavra: a vitória. Vitória. Não importam os custos, apesar de todos os sofrimentos. Vitória, ainda que o caminho seja longo e duro. Sem vitória, não há sobrevivência”.

“Proportione servata”, se as considerações acima valem para a situação geral, valem também para os dias difíceis que podem estar diante de nós no Brasil, em consequência das eleições de 2020 e 2022.


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terça-feira, 21 de julho de 2020

MACHADO DE ASSIS PRESIDE NOSSA REUNIÃO VIRTUAL - Ignácio de Loyola Brandão

Gostaria de saber como Machado de Assis presidiria nossa reunião virtual. Adaptar-se-ia (como diria Michel Temer) ao sistema Zoom? Usaria o Google? Ou recorreria a dezenas de outros sistemas que existem? Conseguiria posicionar a cabeça em relação a câmera? Ele que provavelmente gostava de olhar para o interlocutor, conferir reações, perguntar e ouvir a resposta na hora, olhar em volta para ver as repercussões de uma fala, não se irritaria ao olhar para o monitor e ver apenas uma pessoa?

Como reagiria aos breves lapsos de tempo que oscilam entre uma fala e outra? Chamaria para seu lado dona Lucia, dona Carmem, a Daniela, a Jussara, a Ana Paula pedindo socorro? No final, Castorino resolveria o problema. Ou recriminaria o Raphael Pinheiro: coloque em ordem este aparato parafernálico. Ou se perderia quando vários acadêmicos aparecessem em quadradinhos na tela, sem saber para qual olhar? Ele se lembraria daquela frase do conto Entre Duas Datas que simboliza os tempos da Covid, do isolamento: “ Eram como duas pessoas que se olham, separadas por um abismo, e estendem os braços para se apertarem”.

Ficaria irritado quando a câmera apanhasse um desprevenido cochilando? Criticaria a falta do calor humano, dos risos, das intervenções fora de seu olhar? Ficaria curioso ao ver cochichos ao pé do ouvido, ou confabulações misteriosas apanhadas de surpresa pela câmera. Teria um sistema privado de comunicação – somente ele saberia senha - que lhe mostraria se Capitu estava sendo levada da breca? Ele que prezava a escrita, estaria curioso para saber como seria a ata da reunião? Escrita ou por edição de imagens? No desacerto com a tecnologia e na ausência de filhos ou netos, será que ele pediria ajuda às suas mulheres, Virgilia, Sofia, Flora, Helena, Guiomar, Helena? Ou clamaria: Carolina, Carolina, dê a mão aqui! Mas correria o risco de ouvir: Você que é o Bruxo do Cosme Velho se arranje! Machado imaginando que em matéria de informática se a rêde cai nem os bruxos resolvem, certamente exclamaria: Está na hora de escrever O Alienista.

Portal da ABL, 20/07/2020

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.


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APRESENTAÇÃO DO LIVRO “OS BRABOS” DE CYRO DE MATTOS POR JORGE AMADO NA ABL

              Apresentação do livro “Os Brabos”
de Cyro de Mattos por Jorge Amado
na Academia Brasileira de Letras

“As quatro narrativas de Cyro de Mattos, reunidas em Os brabos, volume de recente edição da Civilização Brasileira, mereceram, ainda inéditas, o Prêmio Nacional de Ficção Afonso Arinos, distribuído pela Academia Brasileira de Letras. Relator da ilustre comissão de romancistas que o concedeu (Bernardo Elis, José Cândido de Carvalho, Herberto Sales, Adonias Filho e Afonso Arinos de Meio Franco), nosso mestre Alceu de Amoroso Lima, a mais alta expressão de crítica literária brasileira, consagrou o livro e o autor.

No livro, Alceu de Amoroso Lima encontrou "narrativas   dramáticas e brasileiríssimas, por seu tema e por sua linguagem", e disse do autor ser ele "escritor visceralmente nosso... Admirável ficcionista." Transcrevo esses trechos do relatório do Mestre Alceu porque sintetizam, com aquele singular poder de análise e definição, a literatura de Cyro de Mattos. Realmente um escritor brasileiríssimo pela temática e pela linguagem. O tema é "o povo brasileiro mais humilde e típico" e a linguagem, depurada, exata, amplia a dramaticidade da ação, impedindo qualquer vulgaridade de sentimento, evitando qualquer recurso aos modismos tão em voga atualmente.

Cyro de Mattos não se confunde à maioria de escrevinhadores que, na falta de real experiência humana e de real experimentação literária, se perdem na imitação uns dos outros, em cacoetes e fogos de artifícios enganadores. Cyro de Mattos possui uma personalidade vigorosa e original: a condição humana dos personagens que surgem de seu conhecimento e emoção nada têm de artificialismo da pequena burguesia a exibir angústia de psicanalista. O autor de Os brabos pisa chão verdadeiro, toca a carne e o sangue dos homens, "entre sombras e abismos".

Largo caminho andou Cyro de Mattos do livro de estreia - estreia, aliás, marcante com  Berro de fogo, em 1966, até as narrativas reunidas neste volume de 1979. O escritor cresceu, depurou-se, a poesia que é parte inerente de sua criação fundiu-se na limpidez da expressão, formando um todo harmonioso, iluminando os personagens de dentro para fora, expressando a vida solidária.

Com seu novo livro, Cyro de Mattos marca mais uma vez a presença na literatura brasileira dos escritores grapiúnas, do poderoso clã de poetas e ficcionistas nascidos da civilização do cacau no sul da Bahia.”

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O Texto de Jorge Amado sobre Os brabos, novelas, de Cyro de Mattos, está registrado na ata da Academia Brasileira de Letras, em 6 de março de 1980.

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