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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

OS CARDEAIS BURKE-BRANDMÜLLER-MÜLLER E “O PAPA DITADOR”

3 de dezembro de 2017
Roberto de Mattei (*)
Nas últimas semanas houve três entrevistas de alguns eminentes cardeais. A primeira foi concedida em 28 de outubro de 2017 pelo cardeal Walter Brandmüller a Christian Geyer e Hannes Hintermeier, do Frankfurter Allgemeine Zeitung; a segunda foi dada em 14 de novembro pelo cardeal Raymond Leo Burke a Edward Pentin, do National Catholic Register; e a terceira, do cardeal Gerhard Müller ao jornalista Massimo Franco, apareceu em 26 de novembro nas colunas do Corriere della Sera.

O cardeal Brandmüller [foto acima] manifestou sua preocupação com a possibilidade de se abrir uma divisão na Igreja. “O simples fato de uma petição com 870.000 assinaturas dirigidas ao Papa solicitando-lhe esclarecimentos permanecer sem resposta — como não obtiveram resposta 50 estudiosos internacionais — levanta questões. É verdadeiramente difícil de entender.” “Dirigir dúvidas ao Papa, dúvidas, perguntas, sempre foi uma forma absolutamente normal de dissipar as ambiguidades. Simplificando, a questão é a seguinte: o que ontem era pecado pode hoje sem bom? Pergunta-se também: existem realmente atos — é a doutrina constante da Igreja — que são sempre moralmente reprováveis em todas as circunstâncias? Como, por exemplo, o assassinato do inocente ou o adultério? Este é o ponto. Caso, de fato, se devesse responder à primeira pergunta com um ‘sim’ e com um ‘não’ à segunda, isso seria realmente uma heresia e, portanto, um cisma. Uma divisão na Igreja.”



O cardeal Burke, [foto ao lado] que declarou estar sempre em comunicação com o cardeal Brandmüller, formulou um novo alerta “sobre a gravidade de uma situação que nunca cessa de piorar” e reafirmou a necessidade de que todas as passagens heterodoxas da Amoris laetitia sejam esclarecidas. De fato, enfrentamos um processo que constitui “uma subversão das partes essenciais da Tradição”. “Além do debate sobre a moral, está cada vez mais erodido na Igreja o sentido da prática sacramental, especialmente no que diz respeito à penitência e à Eucaristia.
O cardeal se dirige novamente ao Papa Francisco e a toda a Igreja, frisando “quão urgente é que o Papa, exercendo o ministério que recebeu do Senhor, possa confirmar seus irmãos na fé, exprimindo claramente o ensinamento sobre a moral cristã e o significado da prática sacramental da Igreja”.

O cardeal Müller [foto ao lado], por sua vez, afirma existir o perigo de um cisma dentro da Igreja e que a responsabilidade da divisão não é dos cardeais dos dubia sobre a Amoris laetitia nem dos signatários da Correctio filialis ao Papa Francisco, mas do “círculo mágico” do Papa, que impede um debate aberto e equilibrado sobre os problemas doutrinários levantados por essas críticas:

 “Atenção: se se generalizar a percepção de que uma injustiça foi praticada pela Cúria Romana, quase por força da inércia poder-se-ia pôr em movimento uma dinâmica cismática difícil depois de reabsorver. Creio que os cardeais que expressaram suas dúvidas sobre a Amoris laetitia, ou os 62 signatários de uma carta com críticas até mesmo excessivas ao Papa devem ser ouvidos, e não liquidados como ‘fariseus’ ou pessoas revoltosas. A única maneira de sair desta situação é um diálogo claro e direto. Em vez disso, tenho a impressão de que no ‘círculo mágico’ do Papa existem aqueles que estão especialmente preocupados em espionar seus pretensos adversários, impedindo assim uma discussão aberta e equilibrada. O dano mais grave que eles causam à Igreja é de classificar todos os católicos de acordo com as categorias ‘amigo’ ou ‘inimigo’ do Papa. Fica-se perplexo que um conhecido jornalista ateu [Eugenio Scalfari, fundador do La Repubblica] se gabe de ser amigo do Papa; e, paralelamente, que um bispo católico e cardeal como eu seja difamado como adversário do Santo Padre. Não acho que essas pessoas possam dar-me lições de teologia sobre o primado do Romano Pontífice.”

Segundo o seu entrevistador, o cardeal Müller ainda não se recuperou da “ferida” causada pela exoneração de três de seus colaboradores pouco antes de sua não recondução à frente da Congregação pela Doutrina da Fé, em junho passado. “Eram bons e competentes sacerdotes que trabalhavam para a Igreja com dedicação exemplar”, é o seu julgamento. “As pessoas não podem ser mandadas embora ad libitum, sem provas nem processo, só porque alguém denunciou anonimamente vagas críticas de uma delas ao Papa…”.

“Qual é o regime sob o qual as pessoas são tratadas assim?”, pergunta Damian Thompson em The Spectator no dia 17 de julho passado. (https://blogs.spectator.co.uk/2017/07/pope-francis-is-behaving-like-a-latin-american-dictator-but-the-liberal-media-arent-interested/). E responde que a demissão dos colaboradores do cardeal Müller “traz à mente alguns de seus predecessores mais autoritários, ou até mesmo algum ditador latino-americano que abraça as multidões e dá uma demonstração de seu estilo de vida humilde enquanto seus lugar-tenentes vivem no temor de sua cólera”.

Este aspecto do pontificado do Papa Francisco é agora objeto de um livro que acaba de ser publicado com o significativo título O Papa ditador [foto ao lado] (https://www.amazon.it/Papa-Dittatore-Marcantonio-Colonna-ebook/dp/B077M5ZH4M ). O autor é um historiador formado em Oxford que se oculta sob o nome de “Marcantonio Colonna”. O estilo é sóbrio e documentado, mas as acusações dirigidas ao Papa Bergoglio são fortes e numerosas.

Muitos dos elementos sobre os quais o autor se baseia para formular suas acusações eram conhecidos, mas o que é novo é a acurada reconstrução de uma série de “quadros históricos”: o pano de fundo da eleição do Papa Bergoglio, guiada pela “máfia de São Galo”; as pendengas argentinas de Bergoglio antes de sua eleição; os obstáculos encontrados pelo cardeal Pell ao tentar fazer uma reforma financeira da Cúria; a revisão da Pontifícia Academia para a Vida; a perseguição aos Franciscanos da Imaculada e a decapitação da Soberana Ordem Militar de Malta.

A mídia, sempre pronta a fustigar alhures qualquer episódio de desgoverno e de corrupção, silencia-se diante desses escândalos. O principal mérito deste estudo histórico é de tê-los trazido à luz. “O medo é a nota dominante da Cúria sob a lei de Francisco, juntamente com a suspeita mútua. Não se trata apenas de informantes que procuram vantagens relatando uma conversa privada — como descobriram os três subordinados do cardeal Müller. Em uma organização onde as pessoas moralmente corruptas foram deixadas no lugar e até promovidas pelo Papa Francisco, uma chantagem sutil está na ordem do dia. Um sacerdote da Cúria ironizou assim: ‘Há um ditado segundo o qual [para encontrar emprego ou ser promovido] o que conta não é aquilo que sabes, mas quem conheces. No Vaticano, ele se aplica assim: o que conta é aquilo que sabes a respeito de quem conheces.”

Em suma, o livro de Marcantonio Colonna confirma aquilo que a entrevista do cardeal Müller deixa nebuloso: a existência de um clima de espionagem e delação que o antigo Prefeito da Doutrina da Fé atribui a um “círculo mágico” que condiciona as escolhas do Papa, enquanto o historiador de Oxford o imputa ao próprio modus gubernandi do Papa Francisco, que ele compara com os métodos autocráticos do ditador argentino Juan Perón, do qual o jovem Bergoglio era um seguidor.

Poder-se-ia responder nihil sub sole novum (Eclesiastes 1:10). A Igreja viu muitas outras deficiências de governo. Mas se este pontificado está realmente levando a uma divisão entre os fiéis, como sublinham os três cardeais, as causas não podem se limitar ao modo de governar de um Papa, mas devem ser procuradas em algo absolutamente inédito na História da Igreja: o afastamento do Romano Pontífice da doutrina do Evangelho, que ele tem, por mandato divino, o dever de transmitir e guardar. Este é o cerne do problema religioso do nosso tempo.
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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 29-11-2017. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana. 

Comentário:

Celso da Costa Carvalho Vidigal
3 de dezembro de 2017

Os fatos narrados acima aumentam a perplexidade dos católicos atentos à Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo, contida no Novo Testamento, que, por isso são atentos às palavras do Santo Padre. São Paulo disse que “quem ensinar um evangelho diferente daquele que eu ensino, seja anátema”, quer dizer, excomungado. O Papa festeja Lutero; portanto, festeja as obras deste. Lutero, ao traduzir para o vernáculo a Sagrada Escritura, adulterou milhares de trechos da mesma. As cartas de São Paulo e o Santo Evangelho fazem parte da Sagrada Escritura. Portanto, Lutero incorreu na excomunhão declarada por São Paulo. E quem aplaude Lutero e não reprova os seus erros também incorre na excomunhão. Diante desse raciocínio, como explicar a propaganda que o Papa Francisco faz de Lutero, até mesmo “entronizando” uma imagem do mesmo no Vaticano? Levando a sério as palavras de São Paulo, deve-se dizer que Francisco I esteja excomungado? Ou as palavras de São Paulo não devem mais ser levadas a sério?!



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ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - O mais belo poema de Charlie Chaplin

Este é um poema de Charlie Chaplin, escrito em seu 70º aniversário, em 16 de Abril de 1959. É um lembrete inspirador que me tocou muito quando eu o li pela primeira vez. Era como se o ícone das grandes telas estivesse se comunicando com o meu espírito, entendendo exatamente sobre o que é a jornada da vida. Eu tinha que compartilhar esse poema com vocês, porque eu sei que ele vai soar verdadeiro para muitas pessoas que, como eu, compreendem a maturidade.

Quando comecei a amar-me,
eu entendi que em qualquer momento da vida,
estou sempre no lugar certo na hora certa.
Compreendi que tudo o que acontece está correto.
Desde então, eu fiquei mais calmo.
Hoje eu sei que isso se chama CONFIANÇA.

Quando eu comecei a me amar,
entendi o quanto pode ofender alguém
quando eu tento impôr minha vontade sobre esta pessoa,
mesmo sabendo que não é o momento certo e a pessoa não
está preparada para isso, e que, muitas vezes, essa pessoa era eu mesmo. Hoje, sei que isto significa DESAPEGO.

Quando comecei a amar-me
eu pude compreender que dor emocional e tristeza
são apenas avisos para que eu não viva contra minha própria verdade.
Hoje, sei que a isso se dá o nome de AUTENTICIDADE.

Quando comecei a amar-me,
eu parei de ansiar por outra vida
e percebi que tudo ao meu redor é um convite ao crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama MATURIDADE.

Quando comecei a amar-me,
parei de privar-me do meu tempo livre
e parei de traçar magníficos projetos para o futuro.
Hoje faço apenas o que é diversão e alegria para mim,
o que eu amo e o que deixa meu coração contente,
do meu jeito e no meu tempo.
Hoje eu sei que isso se chama HONESTIDADE.

Quando comecei a amar-me,
tratei de  fugir de tudo o que não é saudável para mim,
de alimentos, coisas, pessoas, situações
e de tudo que me puxava para baixo e para longe de mim mesmo.
No início, pensava ser "egoísmo saudável",
mas hoje eu sei que trata-se de de AMOR PRÓPRIO.

Quando comecei a amar-me
parei de querer  ter sempre razão.
Dessa forma, cometi menos enganos.
Hoje, eu reconheço que isso se chama HUMILDADE.

Quando comecei a amar-me,
recusei-me a viver no passado
e preocupar-me com meu futuro.
Agora eu vivo somente  este momento onde tudo acontece.
Assim que eu vivo todos os dias e isto se chama CONSCIÊNCIA. 

Quando comecei a amar-me,
reconheci que meus pensamentos
podem me fazer infeliz e doente.
Quando eu precisei da minha força interior,
minha mente encontrou um importante parceiro.
Hoje eu chamo esta conexão de SABEDORIA DO CORAÇÃO.

Não preciso mais temer discussões,
conflitos e problemas comigo mesmo e com os outros,
pois até as estrelas às vezes chocam-se umas contra as outras
e criam novos mundos.
Hoje eu sei que isso é a VIDA!





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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

PRESENÇA DE FEIRA DE SANTANA – José Dantas de Andrade

           
Quando as terras do Sul do Estado da Bahia começaram a criar fama, atraindo sergipanos, sírio-libaneses, sertanejos e gente de todos os pontos do Estado e do país, o arraial de Tabocas foi um dos mais preferidos por esses imigrantes.

            Uns chegavam, já com um bom recurso financeiro para iniciar qualquer negócio, outros apenas com a roupa do corpo, a coragem e a disposição para o trabalho, todos animados pela esperança de um futuro promissor.

            Foi naquela época que também aqui chegaram os primeiros feirenses, quase todos com recursos financeiros ou portadores de uma profissão qualquer, principalmente ourives e relojoeiros. Muitos foram os que aqui estiveram estabelecidos  ou ambulantes com negócios de joias fabricadas na própria Feira de Santana pelo competente artista Marionózio de Melo, um dos melhores do país.

            Enquanto os sergipanos internavam-se pelas matas dedicando-se ao serviço da lavoura, os sírio-libaneses dominavam o comércio de tecidos, miudezas, etc., os feirenses  eram os senhores absolutos no mercado das joias, dos brincos, das argolas e dos anéis.

            Não foram poucos os que, confiados no futuro da zona,  se desfizeram de suas propriedades lá em Feira de Santana e se estabeleceram definitivamente em Itabuna, e tornaram –se  grandes negociantes ou abastados fazendeiros.

            Em 1908, quando Itabuna nos seus primeiros dias de liberdade, iniciava a marcha para o progresso, tratando de sua organização administrativa, dois ilustres cidadãos de Feira de Santana tomaram parte nesta grande arrancada, integrando o seu primeiro Conselho Municipal. Foram eles os Srs. Firmino Ribeiro de Oliveira e Antonio Gonçalves Brandão, o primeiro, presidente do Conselho, esteve à frente da Administração Municipal,  como substituto eventual do Intendente Olinto Leone e o segundo foi seu Intendente efetivo no período de 1912 a 1915.

            Também outros feirenses ocuparam cargos na administração municipal e nos serviços da justiça como:  Salvador Ayres de Almeida, Amâncio Oliveira, Ambrósio Rubens, José  Samuel da Costa, Joaquim Brandão, Álvaro do Patrocínio, Pedro Virgínio de Santana e outros.

            Ainda é digna de registro a colaboração dos feirenses no setor da música, pois grande parte dos componentes da filarmônica local, Lira de Minerva, era de Feira de Santana, inclusive os maestros Argeu Oliveira, Afonso Nolasco e Ambrósio Rubens.
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            Este registro é uma homenagem aos bravos filhos da “Princesa do Sertão”, que juntamente com os sergipanos e sírio-libaneses deram uma boa parcela de contribuição para o desenvolvimento de Itabuna, contribuição esta que vem sendo continuada através dos seus descendentes, hoje itabunenses ilustres: médicos, dentistas, advogados, funcionários públicos, serventuários da justiça, professores, operários, negociantes, fazendeiros, pecuaristas, etc. São os descendentes de: Joaquim Gonçalves Brandão, Francisco da Silva Rocha, Francisco da Silva Ribeiro, Aristóteles Pereira Suzart, Agda Borges Braitt, Antídio Borges, Crescenciano Brandão, Adalberto Brandão, Antonio Gonçalves Setenta, Salvador Brandão, Amâncio Oliveira, Everaldino Assis, David Almeida, José Alves Franco, Elísio Oliveira e outros.


Extraído do livro DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO ILUSTRADO DE ITABUNA  de José Dantas de Andrade 1ª Edição - 1968

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EGLÊ S MACHADO – Oscar Benício dos Santos

Eglê S Machado


O seu machado, Eglê,
não derruba sempre planta.
O plantar hoje demodê,
você o mostra quando canta.

Seu verso sem música encanta
por um só motivo, porquê:
o seu machado imanta
sua poesia à sua mercê.

O “S”, entre o pré e o nome
é abreviado sobrenome,
tristonho e sempre calado.

Será de Silva, Sisuda
ou Sabiá, esta letra muda?
– Eglê Sabiá Machado.

Oscar Benício dos Santos

Poeta

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EM ZURIQUE, A AUTORA JANETE REIST RECEBE O TROFÉU CASTRO ALVES

A arte nunca teve fronteiras, nem barreiras, mas sempre existiram obstáculos, que devem ser ultrapassados com muita garra e determinação.

A arte tem asas imaginárias, que voa para bem longe e em questão de segundos chega a lugares que até o próprio artista duvida.

A arte tem vida;Tem nome;Tem corpo.

Digamos que a arte une, transforma, liberta, aflora; ela chora, ela conquista sorrisos, a arte e muito mais que isso, ela é a eterna companheira.

No dia 10 de outubro a arte esteve presente nos palcos de Zurique, na Suíça, em uma das salas de eventos casa de espetáculos Volkshaus,com muita música brasileira, trazida por artistas representando a sua arte em vários gêneros, cantando, declamando, dançando, encantando. A cultura deu espaço a grandes nomes, homenageados com a magnifica estatueta do Troféu Castro Alves.

A vida em versos esteve presente em formas literárias, prestigiando o baiano Antônio Frederico de Castro Alves, o inesquecível poeta dos escravos, e é com muita honra que eu expresso a minha imensa felicidade em ser uma das privilegiadas a representar e receber o Troféu Castro Alves aqui na Suica. Meu especial agradecimento ao ilustre jornalista Clóvis Dragone, o mentor e diretor desse troféu que é representado por uma belíssima estatueta que homenageia o poeta dos escavos, esculpida e confeccionada na Itália pelo mestre Giuliano Ottaviani, que premia há 28 anos os artistas e empresários do Carnaval da Bahia, e que nesse ano de 2017 começou a premiar também a arte brasileira.

Sobre o prêmio, por Clóvis Dragone

A cerimônia de entrega do Troféu Castro Alves de 2017, foi o primeiro evento internacional a ser realizado pela Revista Exclusiva. O evento aconteceu na Cidade de Zurique, na Suíça, na casa de espetáculos Volkshaus, uma das maiores e melhores casas de eventos da Europa, no dia 9 de setembro.

O Troféu Castro Alves é a primeira premiação aos melhores do Carnaval de Salvador, Bahia, Brasil, oferecido por um veículo de comunicação, desde 1989 quando ocupou o espaço deixado pela extinta Federação dos Clubes Carnavalescos da Bahia, presidida pelo carnavalesco baiano Archimedes Silva, falecido, o primeiro carnavalesco que levou o Carnaval de Salvador para fora do país, realizando em Nice, na França, espetáculos ao estilo baiano da época, isso nos anos de 1950.

O século virou e a Bahia voltou a invadir o território europeu, dessa vez com o Troféu Castro Alves, oferecido pela Revista Exclusiva, para fazer uma festa baiana em território suíço – a Suíça é um dos países que melhor recebe os brasileiros na Europa.

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“O LEIGO NÃO É UM SÚBDITO, É PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO ECLESIAL” Celso Carias

A Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”
A chegada do Papa Francisco trouxe de volta a teologia do Vaticano II, que partindo de uma Igreja Povo de Deus pretendia fazer realidade um modo de organização em que todos e todas tenham um protagonismo comum dentro da instituição eclesiástica.

Nessa perspectiva, a Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”. A festa de Cristo Rei tem sido a data escolhida para sua abertura.

O teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e nesta entrevista nos ajuda a refletir sobre a necessidade de reconhecer a importância do laicato como elemento fundamental no futuro da própria Igreja Católica.

Numa Igreja onde impera o clericalismo, que o Papa Francisco define como “um câncer”, como bem nos lembra Celso Carias, o Ano do Laicato pode abrir novas perspectivas e caminhos, que reconheçam a importância de todos, também das mulheres, verdadeiras artífices da presença eclesial nas periferias do Brasil e para quem se faz necessário um reconhecimento explícito da Igreja.

Acima de tudo, o Ano do Laicato tem que ajudar a entender que o leigo não é súbdito e sim parte integrante do processo eclesial. Por isso, se faz necessário que a Igreja se organize a partir do sacramento do batismo e não do sacramento da ordem.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou o Ano do Laicato, iniciado com a festa de Cristo Rei. Como membro da Comissão Episcopal para o Laicato, quais são as motivações do Ano de Laicato?

Celso Carias
– Desde o início do Pontificado do Papa Francisco tem-se retomado muito a dimensão da necessidade de integrar o laicato na vida eclesial. Isso possibilitou que a Comissão do Laicato pudesse sugerir, depois o Documento 105 da CNBB, que é o documento que fala justamente da dimensão laical, um evento na Igreja do Brasil que pudesse chamar a atenção para essa necessidade de integração do laicato e ao mesmo tempo a vocação do laicato e sua espiritualidade dentro do processo eclesial.
Reunindo todos esses fatores foi feita a sugestão, foi bem recebida e aceita e aí se efetivou o ano 2018 como o Ano Nacional do Laicato.

De fato, essa integração do laicato na Igreja do Brasil, dentro da vida e da toma de decisões, é algo que já está se fazendo ou ainda é uma realidade pouco presente?

Celso Carias
– Temos que ser sinceros. Logo após do Vaticano II, na América Latina, também no Brasil, que conhecemos melhor, houve sim uma boa integração do laicato com todo o processo eclesial. No entanto, acabamos vivendo um período de nova centralização, um pouco na linha daquilo que o Papa Francisco chama de auto referencial, e aí nesses últimos trinta e poucos anos aconteceu que o laicato acabou não tanto tendo um papel protagonista, mas um papel mais submetido a uma centralização do poder clerical, no sentido de clericalismo.
Isso foi algo que foi afastando daquilo que era a lógica da eclesiologia do Vaticano II. O que estamos propondo na verdade é uma retomada da eclesiologia do Vaticano II, que é  eclesiologia de Igreja como Povo de Deus.

Esse clericalismo, que o Papa Francisco define como um dos grandes pecados da Igreja é algo que só está presente no clero, ou o próprio laicato é clerical?

Celso Carias
– O Papa Francisco usa às vezes figuras muito fortes e ele fala que o clericalismo é um câncer, e câncer não escolhe, digamos assim, um único setor do corpo, ele ataca o corpo como um todo. Então, o clericalismo é uma experiência de auto-referencialismo que vai para todos os cantos, inclusive, infelizmente, para o próprio laicato.
Há laicato clerical, diáconos permanentes clericais, todos os setores da Igreja que infelizmente acabam caindo nisso que o Papa Francisco tem tanto acentuado nesses últimos anos, que não se expressa na dimensão do serviço, não se expressa na dimensão da recuperação da identidade e da cidadania pelo batismo, mas sim por essa centralização.

Como assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e seu representante na Comissão Episcopal para o Laicato, Qual é o papel que as CEBs podem ter no Ano do Laicato?

Celso Carias
– Acredito que podem ter um papel muito importante. Embora evidentemente hoje as CEBs não se constatem como meio articulador da pastoral na grande maioria das dioceses, mas o laicato das CEBs é um laicato bastante preparado, com consciência crítica, com fundamentação bíblica, que pode fazer a diferença nesse momento em que a Igreja do Brasil proporciona um espaço de reflexão sobre os leigos e leigas.
Creio que as CEBs aí, mesmo não sendo maioria, muito pelo contrario, podem sim ajudar a pautar, a refletir, a apontar, como já foi dito ainda há pouco por mim, na direção da eclesiologia Povo de Deus, que é isso que está se querendo resgatar.

O papel da mulher na Igreja está querendo ser resgatado, sendo colocado num lugar de maior protagonismo pelo Papa Francisco. O ano do laicato pode ser um momento importante para que o papel da mulher, sobretudo da mulher leiga, seja reconhecido pela Igreja do Brasil?

Celso Carias
– Eu também não tenho dúvida, claro que numa dimensão de processo, não vamos esperar que ao longo de 2018 as mulheres leigas passarão a ser protagonistas em varias dimensões da vida eclesial, seria esperar demais.
Mas não há dúvida que também, como nos diz o próprio título do documento 105, ele configura a questão de género, ao falar de leigos e leigas. Essa consciência de que a mulher não pode ser tratada como submissa à realidade do machismo, é muito forte na compreensão de muitos leigos e leigas e é necessário chamar a atenção para isso.
Acredito que como processo, como elemento que vai levar à reflexão e ao questionamento, pois aí também precisa questionar, não tenho dúvida que se ampliara essa consciência.

Também porque a gente não pode fechar os olhos e dizer que as mulheres não são importantes, quando de fato são a maioria ou a prática totalidade da presença laical na Igreja. Podemos continuar considerando a mulher dentro da Igreja com um papel subserviente?

Celso Carias
– De forma alguma, e muitas vezes sendo tratada como ser humano de segunda categoria. Muitos falam isso, não foi uma imagem que eu inventei, eu vi gente do povo falando isso. Eu sou da Baixada Fluminense, onde muitas comunidades são lideradas por mulheres, e se não fosse pelas mulheres, a maioria dessas comunidades estariam fechadas.
Deixar de reconhecer essa importância, esse papel fundamental, é colocar a poeira embaixo do tapete. É fundamental venha às claras, que isso seja colocado de maneira igual, cada um na sua especificidade de género, mas com a igualdade fundamental da dignidade.

Fechar essas comunidades seria acabar com a presença da Igreja Católica nas periferias. Quando essas mulheres vão ter um reconhecimento expresso da Igreja a partir de um ministério, que poder ser um ministerio laical ou as diaconisas, das que tanto a gente escuta falar, ou inclusive outras propostas nas quais um dia a gente pode chegar lá? Isso é uma necessidade, as mulheres precisam disso?

Celso Carias
– Não tenho nenhuma dúvida que esse reconhecimento é extremamente necessário. Evidentemente que, antes disso, e não é sem fundamento que o Papa Francisco fala muito disso, é necessário atacar o clericalismo. Mas simbolicamente é importante que as mulheres ocupem sim esses espaços de referência, como por exemplo, está já em fase de estudo, a questão do ministério diaconal para as mulheres. Não há, aí eu falo como teólogo, não sou nenhum teólogo de grande profundidade, mas não consigo observar nada nem na Bíblia, nem na tradição magisterial, que possa impedir a mulher de ser contemplada com um ministério específico, como por exemplo o ministério de diaconisa.

Quais podem ser os passos, perspectivas, intuições, que podem nascer do Ano do Laicato?

Celso Carias
– Podemos elencar alguns dos que já apareceram na nossa conversa, mas talvez, em grau de importância, o que a gente espera é que seja retomado essa consciência de que leigo e leiga é membro efetivo da Igreja pelo batismo, e não essa posição quase de súbdito muitas vezes que se coloca na realidade eclesial das dioceses, das paróquias.
Leigo não é súbdito, leigo é parte integrante do processo. Se alguma coisa nessa direção for feita, e eu acredito que possa dar uma contribuição nesse sentido, creio que o Ano do Laicato já valerá a pena.

Também porque o sacramento principal e primeiro é o batismo. De fato, numa ocasião 1perguntou ao Papa Bento qual tinha sido o dia mais importante na sua vida e ele respondeu que o dia do seu batismo. Quando a Igreja vai se organizar a partir do batismo e não do sacramento da ordem?

Celso Carias
– Essa é a questão chave, a chave está aí. Numa carta que o Papa Francisco escreveu ao cardeal Oullet, responsável pela Comissão para América Latina, ele falou algo parecido, mas acho que foi até mais contundente, ele diz na carta que ninguém nasce bispo, padre, nós nascemos para a Igreja pelo batismo.
Esse é o postulado fundamental. Recuperar essa teologia é importantíssimo. Se a gente quer pensar em termos de futuro. Se a gente está pensando em mundo moderno, nos desafios urbanos, nos desafios que estão aí circundando na nossa experiência de fé, sem protagonismo dos leigos e leigas acho que a gente vai estar se dando muitos tiros nos nossos dois pés.

Por Luis Miguel Modino
Comunicação das CEBs do Brasil



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domingo, 3 de dezembro de 2017

O MENINO GRAPIÚNA - Jorge Amado

Para o menino grapiúna – arrancado da liberdade das ruas e do campo, das plantações e dos animais, dos coqueirais e dos povoados recém-surgidos -, o internato no colégio dos jesuítas foi o encarceramento, a tentativa de domá-lo, de reduzi-lo, de obrigá-lo a pensar pela cabeça dos outros. A intenção do pai era apenas educá-lo no melhor colégio, o de maior renome. Não se dava conta de como violentava o filho.

Essa mesma sensação de sufoco, de limitação, eu voltaria a sentir mais de uma vez no decorrer de minha vida. No desejo de bem servir causas generosas e justas, aconteceu-me aceitar encargos e desempenhar tarefas de meu desagrado – durante dois anos, Por exemplo, fui deputado federal, apesar de não ter vocação parlamentar nem gosto para o cargo. Da mesma maneira, por idênticos motivos, em certas ocasiões admiti e repeti conceitos, regras e teses que não eram minhas, pensei pela cabeça dos outros.

No colégio dos jesuítas, pela mão herética do padre Cabral,  encontrei nas “Viagens de Gulliver” os caminhos da libertação, os livros abriram-me as portas da cadeia. A heresia do padre Cabral era extremamente limitada, nada tinha a ver com os dogmas da religião. Herege apenas no que se referia aos métodos de ensino da língua portuguesa, em uso naquela época, ainda assim essa pequena rebeldia revelou-se positiva e criadora. A heresia é sempre ativa e construtora, abre novos caminhos. A ortodoxia envelhece e apodrece idéias e homens.

A longa e dura experiência ensinou-me, no passar dos anos, a importância de pensar pela própria cabeça. Para pensar e agir por minha cabeça, pago um preço muito alto, alvo que sou do patrulhamento de todas as ideologias, de todos os radicalismos ortodoxos. Preço muito alto, ainda assim barato.

(O MENINO GRAPIÚNA Cap.15)

Jorge Amado

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