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domingo, 19 de agosto de 2018

A ESTRADA DE FERRO – Helena Borborema

ITABUNA, TERRA AMADA!
A Estrada de Ferro


             Às 13 horas e 45 minutos em ponto, os moradores do centro da cidade ouviam, impreterivelmente, o apito do trem da Companhia Estrada de Ferro Ilhéus a Conquista. Na realidade essa ferrovia nunca chegou ao Sudeste da Bahia, mas o nome estava lá, na estação: Ilhéus a Conquista, embora terminasse em Itabuna, em meio do caminho. No primeiro apito, como numa compulsão coletiva, os senhores da cidade tiravam os seus relógios das algibeiras para conferir. O apito, além de anunciar a partida, alertava a cidade  de que era chegada a hora de retornar à lida. Os colégios começavam as suas aulas, o comércio abria as suas portas, a cidade como que acordava de vez da modorra do meio-dia. A hora era exata, infalivelmente. A locomotiva Ilhéus e Conquista parecia até querer competir com o Big-Ben em pontualidade. Às duas horas em ponto, era a partida anunciada pelo segundo apito.

            Antes da partida, o movimento era bastante grande na estação ferroviária. Gente que se abraçava, uns chorosos, outros alegres, na despedida. Todos tinham alguma coisa para falar. Sobre o alto passeio acumulavam-se malas, pacotes, caixas enormes, cestos, à espera do embarque. Havia vagões para passageiros e vagões para malas, cargas e mercadorias. Na casa da estação, pela janela de uma das salas, seu Leocádio, o chefe, fiscalizava tudo com atenção, acompanhado por outros funcionários. Postado junto a um dos vagões, seu Ferreira, de uniforme cáqui com botões dourados, de quepe, na sua costumeira cortesia, recebia e picotava os bilhetes de embarque. Aí embarcavam homens de negócio que tinham o que tratar no comércio de Ilhéus, moradores de lugarejos próximos da linha férrea que vinham a Itabuna fazer compras, fazendeiros que tinham suas roças de cacau em meio do caminho, advogados que tinham causas a tratar no Fórum de Ilhéus, pessoas que se destinavam ao embarque de navio no porto de Ilhéus com destino, a Salvador, como políticos e pessoas outras que se dirigiam à Capital a passeio. Todos se cumprimentavam, todos se conheciam. Não havia medo nem desconfiança, todos se respeitavam.

            No alvoroço da partida, no meio do burburinho de vozes, sobrepunha-se de repente um ranger de ferro e o ruído forte de uma máquina em movimento. Ouvia-se o apito estridente, e a grande máquina começava a se preparar para a partida. Vagarosamente a princípio, rangendo sobre os trilhos, expandindo grande quentura, fumegando, ela deixava a estação cantando  monótona o seu velho estribilho: Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não! E lá ia ela chispando fagulhas, lançando fumaça no ar, barulhenta, a despertar  alegria por onde passava. Pouco a pouco a estação ia ficando vazia, silenciosa, onde eram ouvidas apenas as vozes dos funcionários e de alguns carregadores que por ali sempre ficavam postados, como Prego, negro alto, forte, educado e humilde; Padre, negro forte, caladão; Abacaxi, de cor parda, forte, roliço, meio baixote e prestativo; Baratinha, branco, corado, baixo, com uma ferida fétida na perna, tomador de pinga. Esses eram os carregadores mais conhecidos e, por isso mesmo, os mais solicitados. Todos,  homens humildes, porém honestos e respeitadores.

            Deixando a estação, que ficava no local onde hoje se ergue o prédio da antiga Prefeitura e atual Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC, em frente ao canal, transpondo um pontilhão mais adiante, a grande máquina passava pela Rua da Linha, hoje Avenida Ilhéus, no Pontalzinho, onde era saudada pela criançada que, de suas casas, sobre altos barrancos laterais da estrada de ferro, descia correndo para dar adeus aos passageiros que, de suas janelas, respondiam alegremente. Passava pelo arruado da Caixa d’Água para mais adiante entrar na zona rural, quando apareciam,  aqui q acolá, casas grandes e confortáveis das fazendas de cacau.

            Uma parada no povoado de Mutuns, e o trem continuava sua marcha, apitando para responder às saudações dos moradores das fazendas, sempre cantando o refrão: Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não!... E lá se ia ele em direção aos povoados de Rio do Braço e Água Branca. Nesses lugarejos, uma parada suficiente para descer e receber passageiros. Um ramal da estrada de ferro se estendia para Água Preta, hoje Uruçuca, onde havia uma estação de passageiros, indo até Itapira, atual Ubaitaba. A estação de Água Branca era o ponto alvo da viagem para a criançada que ia nos vagões para Ilhéus. Na parada, os gritos dos moleques vendedores de guloseimas soavam como uma tentação:

            - Olha o amendoim torrado!

            - Olha o pé-de-moleque e o beiju de Água Branca!

            - Castanhas! Quem quer castanhas?

            Água de coco! Amendoim cozido!

            - Bolinhos de arroz e de milho! Quem quer?

            - Cajus doces!

            O trem parava e grande excitação tomava conta da meninada. Era uma algazarra de compra e venda. Depois da parada, a locomotiva retomava a sua marcha, só que reabastecida. Tendo pela frente uma grande reta, ela parecia agora mais rápida. Resfolegante, sacudia-se sobre os trilhos, alegre, chiando,  e com um novo estribilho repetia: Vou com Deus, vou com o diabo! Vou com Deus, vou com o diabo!...

            Com o diabo, não; com Deus, sim, porque nunca descarrilou, nunca matou ninguém, nunca despencou numa ribanceira, e assim, despertando alegria por onde passava, saudada pelas casas lá longe, anunciando a sua passagem com o apito, corria se sacodindo sobre os trilhos, atravessando áreas de baixa vegetação. De repente, a paisagem para os seus ocupantes ia mudando, terrenos cobertos de areia alva e fina apareciam, cajueiros aqui e acolá; adiante, zonas de mangues podiam ser vistas, enfim, uma brisa gostosa vinda do mar anunciava a proximidade  da cidade de Ilhéus. Os passageiros saindo da modorra conversavam mais animados, as crianças se alvoroçavam com aquela mudança de ares, e assim, na alegre expectativa, ia a locomotiva se aproximando cada vez mais do seu destino: a estação de Ilhéus. Novo apito, mais fagulhas entrando pelas janelas como minúsculas estrelas cadentes, e seu Ferreira, que acompanhava a viagem, sempre solícito, passando de um vagão para outro fechando janelas, cuidava para que as faíscas não caíssem na roupa e na pele dos passageiros. Começavam os preparativos para o desembarque. A locomotiva da Estrada de Ferro Ilhéus a Conquista nunca chegou a ir tão longe, mas cumpria galhardamente a sua função de unir dois grandes municípios, integrando sua economia e sua gente.

            O progresso é quase sempre um demolidor e,  quando mal compreendido, muitas coisas boas, tanto valores materiais como morais, são abatidas, imoladas em seu nome. E em nome do progresso a velha Estrada de Ferro Ilhéus a Conquista foi desativada, depois completamente destruída. Seus trilhos e dormentes foram arrancados, seus vagões sucateados, destruídos pela ação do tempo, sem a piedade dos homens que da sua existência nada guardaram, nem como lembrança que se preserva de um ente querido morto. A sua lentidão tinha de ceder lugar à velocidade dos caminhões, ônibus e automóveis. A sua segurança, em nome da evolução, tinha de ser substituída pelos riscos da alta velocidade. A alegria que tanto deu aos seus usuários hoje faz parte de um passado que ainda é lembrado como grata recordação por aqueles que tiveram a dita de usufruir das gostosas viagens sobre os seus trilhos, embalados pelo acalento da voz de suas máquinas no Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não! Café com pão, bolacha não! Café com pão...

(RETALHOS)
Helena Borborema
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Helena Borborema - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)
“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos)

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6 LIXOS ACADÊMICOS CUSTEADOS POR VOCÊ – PRIMEIRA PARTE


9 de agosto de 2018

Por Luan Sperandio, publicado pelo Instituto Liberal

Em 2014, a revista britânica Nature, que é especializada em ciência, analisou a qualidade da produção acadêmica entre diferentes países. Os resultados dos pesquisadores brasileiros são de envergonhar qualquer um minimamente preocupado com o avanço da ciência.

Os dados demonstram que a academia brasileira produz mais pesquisa de baixa qualidade do que de boa – e a um custo bastante elevado. Nos periódicos de excelência, apenas 1% das publicações é de brasileiros. Enquanto o Brasil despendeu R$ 30 bilhões para veicular 670 artigos em revistas de prestígio, o Chile, para pegar um exemplo latino americano, publicou 717, gastando absurdamente 15 vezes menos. Isso faz com que a nossa relação de eficiência no uso de recursos aplicados à pesquisa coloquem o Brasil em 50º lugar entre 53 países analisados.

A academia é um instrumento que, se bem utilizado, impulsiona o desenvolvimento da sociedade por intermédio das inovações que os pesquisadores descobrem. Assim, embora haja um dogma bastante presente em nossas universidades de que qualquer forma de conhecimento é válida, é preciso ter em mente o fato de que há um custo de oportunidade ao seguir determinadas linhas de pesquisa.

Ao se decidir analisar a psicologia por trás de um jogo de RPG, se deixa de pesquisar as reais motivações que levam indivíduos em boas condições e estruturas sociais a praticarem crimes, por exemplo. Enquanto esta produção acadêmica pode resultar em um diagnóstico que, eventualmente, fundamente políticas públicas que possam reduzir a criminalidade, aquela está fadada a ter um impacto social nulo.

Quem vive nos corredores das universidades brasileiras tem a impressão de que a maior parte das pesquisas é produzida com a única finalidade de, ao final, constar no currículo lattes do pesquisador. Além disso, qualquer pesquisador de ponta sabe que suas preferências ideológicas não devem atrapalhar ou contaminar análises científicas. Há uma excessiva politização em nossos trabalhos acadêmicos, ao passo que ciência boa é aquela em que o método possui objetividade, evitando vieses.

Há uma falta de compreensão na academia brasileira a respeito do research design (desenho de pesquisa), que serve justamente para estabelecer regras metodológicas robustas a fim de validar o estudo produzido. Nesse sentido, o papel das universidades brasileiras tem sido muito mais o de uma busca por justiça social do que de produção científica séria.

Embora não deva ser difícil para o leitor entender o porquê de uma produção acadêmica não poder ser um fim em si mesmo ou das motivações éticas e práticas que deveriam impedir alguém de fazer um paper acadêmico como manifestação de sua militância ideológica, esse tipo de conduta parece ser a regra de grande parte dos pesquisadores brasileiros.

Vale destacar que projetos ruins ganharem bolsas no Brasil é uma questão de incentivos institucionais: pelo método de nota que a Capes dá aos cursos de graduação, para manter nota é preciso utilizar as bolsas; caso não sejam concedidas a nenhum pesquisador, o departamento pode a perder para sempre. Dessa forma, alguns projetos que talvez não merecessem financiamento são aprovados a fim de que não essas bolsas não sejam perdidas. Nesse sentido, separei 6 exemplos de trabalhos acadêmicos que demonstram o que você andou financiando nos últimos tempos – e que é difícil acreditar que alguém se disporia a pagar voluntariamente por eles.

1) Você pagou por um trabalho que defende “mostrar o Cu contra o capital”

A título de dissertação de mestrado para design, Carlos Guilherme Mace Altmayer apresentou em 2016 “Tropicuir. (Re)existências políticas nas ações performáticas de corpos transviados no Rio de Janeiro”. O título é um neologismo criado pelo autor, que mistura “tropical” e “queer” (termo em inglês utilizado para conceituar pessoas que não seguem o modelo de heterossexualidade ou de binarismo de gênero).

No trabalho, o autor analisa diferentes representações artísticas no Rio de Janeiro que contrariam o ambiente multicultural “em que há uma falsa tolerância em que estamos inseridos”. Para o pesquisador, há na sociedade um estímulo a uma série de comportamentos reprováveis, tais como a “homofobia, o racismo, o etarismo, o colonialismo, o capacitismo, a gordofobia, a transfobia, a lesbofobia, a bifobia e os discursos de ódio em geral”. O investigador culpa o contexto capitalista neoliberal por produzir a heteronormatividade, isto é, a marginalização ou perseguição de orientações e práticas sexuais que não sejam hétero.

Entre os trabalhos analisados para a produção da dissertação – apenas para citar um exemplo para o leitor entender o nível do trabalho – está a obra do artista Kleper Reis e seu projeto “CU É LINDO”. A obra compõe uma trilogia de trabalhos denominada “A Santíssima Trindade ou Em Nome Do Pau, Do Cu e Da Buceta”.

Para o autor, a mídia brasileira possui um papel de controle moral e invisibilizador das dissidências sexuais. É por isso que “A sociedade brasileira está em crescente processo de fascistização, e que insiste em controlar, manter e promover o autocontrole de nossos cus.”

Ao final ele propõe uma “urgente política na criação de linguagens estético-políticas para proteger práticas artísticas” no sentido de confrontar com uma visão binária de gênero, sendo preciso haver uma resistência a eles.

E você, leitor, pagou essa militância tese acadêmica, porque o autor foi beneficiário de um programa de bolsas da CAPES.


2) Você pagou para os níveis de problematização chegarem a um jogo

World of Warcraft é um popular jogo de RPG que se passa no universo de Azeroth. Há mais de 5 milhões de jogadores em todo o mundo, sendo bastante famoso entre os brasileiros. Como o próprio nome sugere, trata-se de um jogo de guerra, mas isso não o impediu de ser objeto de uma problematização de masculinidades a título de dissertação de mestrado.

A ideia do trabalho é relativamente simples: a mídia propaga os símbolos da masculinidade viril por intermédio de filmes, livros, revistas, séries e jogos. “Os protagonistas masculinos possuem imagens fortes, grandes e conquistadores”. Assim, há um endosso na formação de estereótipos, disseminando referências e marginalizando muitos homens que não conseguem atingir esse status hegemônico, sendo, portanto, marginalizados.

Para demonstrar isso, o pesquisador se aprofunda na narrativa do jogo em questão para identificar as estratégias discursivas presentes nas representações de tipos de masculinidades e identidades em dois personagens do jogo, entendendo que eles acabam por reforçar o estereótipo de gênero.

O trabalho é uma reflexão sobre modelos socialmente impostos por uma sociedade patriarcal em que a supremacia masculina possui sua hegemonia baseada na dominação. Na narrativa desenvolvida, ele fala de “Garrosh”, um orc que, segundo o autor, possui um problema de masculinidade por causa da relação que nunca teve perante sua figura paterna. Por ser incapaz de lidar com seus sentimentos, o orc extravasa o que sente por intermédio de sua agressividade.

Nada mau ganhar uma bolsa para passar o semestre jogando e problematizando um game e, ao final, receber um título de mestre em letras por isso.


3) Você pagou para um pesquisador viver experiências sexuais em um banheiro de rodoviária

Fazer banheirão: as dinâmicas das interações homoeróticas nos sanitários públicos da Estação da Lapa e adjacências é uma investigação realizada por um pesquisador que almejava o título de mestre em antropologia.

Por quatro anos, o pesquisador frequentou banheiros públicos da cidade de Salvador para observar o comportamento de homens que se relacionavam sexualmente com outros homens nesses espaços.

O autor da dissertação relata que o hábito de relacionar-se sexualmente com homens aleatórios em banheiros públicos acompanhou sua sexualidade desde quando mais jovem. Assim, decidiu investigar o caso por meio de metodologia autoetnográfica, o que significa que foi baseada na experiência pessoal do pesquisador. Ao longo de 118 páginas, ele narra vários encontros sexuais que observou e que ele próprio viveu. O objetivo? “desmarginalizar esse tipo de comportamento” para que as pessoas perdessem o preconceito em relação à prática sexual em determinados locais públicos.

A Capes financiou a pesquisa em cerca de 20 mil reais e, ao final, o autor obteve o título de mestre em antropologia na Universidade Federal da Bahia.

Após críticas recebidas pelo trabalho, diversas entidades educacionais de antropologia e grupos de estudos de sexualidade divulgaram notas de apoio à pesquisa – o que diz muito mais sobre a comunidade científica brasileira que sobre a qualidade do trabalho.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (92)


Solenidade da Assunção de Maria – Domingo 19/08/2018

Anúncio do Evangelho (Lc 1,39-56)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a encenação da Visitação de Maria a Isabel:

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“Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”

Na festa da Assunção, a liturgia nos propõe aprofundar o sentido do encontro a partir da contemplação deste horizonte inspirador: a Visitação. Os ícones que ao longo dos séculos expressam esta visita, esta saudação, nos apresentam duas mulheres vinculadas, unidas por um abraço, por um beijo, por uma mesma alegria. Em seu modo de entrar em comunhão, em sua maneira de dialogar e de se alegrar, elas se revelam mestras para nós, para nossa humanidade fragmentada que aspira viver a “cultura do encontro”. 

A cena apresentada por Lucas nos deixa na agradável e desafiante companhia de Maria e Isabel: duas mulheres, dois ventres cheios de vida; duas mulheres cheias de Deus; duas mulheres em um mesmo encontro. Ambas estão grávidas e de um modo surpreendente. As duas esperam filhos muito especiais; sentem que carregam em seus ventres uma novidade que as supera. As duas tem “um corpo abençoado” e um ventre fecundo, sinal e realidade da ação de um Deus que é Vida.

Duas mulheres com duas missões diferentes: uma, portadora do Messias, e outra, portadora daquele que preparará os caminhos. Duas mulheres diferentes, mas cada uma com sua experiência de Deus. Uma, a experiência de Deus em um seio virginal; a outra, a experiência de Deus em um seio seco e estéril. No encontro entre as duas, cada uma descobre e reconhece o mistério da presença de Deus na outra.

O ícone da Visitação contagia e desperta o prazer e a alegria: a do encontrar-se, a do crer e a do servir. Alegria fecunda, já que está ligada a dois nascimentos que vão mudar a história de seu povo e da humanidade. Nesta cena, Deus mesmo se infiltra no cotidiano e naquilo que socialmente não tem maior relevância, ou seja, a vida diária de duas mulheres: Maria e Isabel. Quebra-se assim a centralidade do Templo. Elas festejam as maravilhas do Senhor em um lugar simples, numa região montanhosa, num caminho e numa casa de família simples. O maravilhoso e extraordinário tem lugar no ordinário e humilde. Ali se celebra a vida chegada e por chegar. As protagonistas da cerimônia são duas simples mulheres. 

Neste maravilhoso acontecimento tudo é encontro, junta-se o Antigo e o Novo Testamento, a juventude e a idade madura. As duas mulheres estão profunda e intimamente vinculadas entre si. Com elas e delas nasce o tempo novo, o do Reino, o de Jesus. Tem-se a impressão de viver um momento culminante da história. Elas nos conduzem a agradecer a capacidade feminina de deixar transparecer o Mistério que nos habita, de despertar-nos uns aos outros para essa Vida cuja presença reconhecemos em nosso interior.

Maria, aquela que sente o êxodo de Deus, saindo de si mesmo, para encarnar-se no seu seio virginal, e que a move a pôr-se em caminho, saindo de si mesma, porque o serviço aos outros a apressa.

Maria é a Mulher que inaugura e estabelece os critérios para encontrar-se com o Senhor e com os(as) demais. Sua capacidade de encontro parte de uma experiência de profunda interioridade; interioridade visitada por Deus e, portanto, fecundada por seu olhar cheio de amor e ternura, cheio de compaixão pela humanidade e pela criação. Só a partir de uma interioridade fecunda se dá a possibilidade dos encontros mais verdadeiros.

Na Laudato si (n. 240) o Papa Francisco nos diz que “a pessoa humana mais cresce, mais amadurece e mais se santifica à medida que entra em relação, quando sai de si mesma para viver em comunhão com Deus, com os outros e com todas as criaturas. Assim, assume em sua própria existência esse dinamismo trinitário que Deus imprimiu nela desde a criação. Tudo está conectado, e isso nos convida a amadurecer uma espiritualidade da solidariedade global que brota do mistério da Trindade”.

O dogma da Assunção, festa do encontro pleno, nos revela que precisamos nos converter à cultura do encontro em todos os sentidos. Maria foi “assumida” para o encontro definitivo com Deus porque foi presença que inspirava e proporcionava encontros humanizadores. Ela “subiu” porque “desceu” ao encontro dos preferidos do Pai. 

Maria, na cena da Visitação, passa da interioridade ao acontecer, à história, ao encontro. É assim como se dá uma autêntica experiência de Deus. Ela nos mostra que tal experiência tem dois pés: um posto na experiência do amor de Deus que nos visita, e outro posto sempre no caminho que precisamos percorrer para ir ao encontro dos demais. Os dois pés são indispensáveis para que a experiência de Deus seja cristã, seja encarnada, seja Visitação. Os dois pés, sempre em movimento cordial: de sístole e diástole.

Deus começa sempre pelo coração; mas logo desce aos pés. Em outras palavras: Deus põe pés no coração. Maria recebeu do anjo a notícia que sua prima Isabel estava esperando um filho e já estava no sexto mês de gestação. Não foi necessário que Isabel pedisse a Maria e solicitasse seus serviços. O amor descobre as necessidades dos outros; o amor não necessita que ninguém lhe peça favores, nem que alguém lhe solicite serviços. Maria não esperou o chamado de Isabel. Porque o amor não espera, antecipa. O amor sempre tem pressa, não sabe esperar. O amor não fica em sentimentos; o amor se faz gesto, atitude, caminho e serviço.  “O amor consiste mais em obras que em palavras” (S. Inácio).

O amor põe o coração em caminho; o coração põe pressas aos pés. Amor, coração e pés se fazem serviço aos demais. Quando amamos, nossos pés se põem em caminho: levar alegria aos outros. Por isso, nesta visita e neste encontro, todas saltam de alegria: João salta de alegria no ventre de Isabel. Isabel salta de alegria e extravasa seu júbilo. Maria salta de alegria e entoa seu hino de reconhecimento e agradecimento. Isabel encheu-se de surpresa ao ver a surpreendente Maria diante de si. E não pode segurar sua alegria; por isso, também explodiu em um grito de louvor e reconhecimento.

Nosso mundo está carente de Visitação, de uma vida cristã com iniciativa e experiência de encontros, que deixe suas seguranças, que saia, atenta às necessidades dos demais, que cuide da vida que há nela e onde queira que esteja germinando ou tenha possibilidades de acontecer; assim entendemos a vida cristã vinculada com a terra e o cuidado da casa comum. 

Encontrar-nos é construir pontes e derrubar muros, é desafiar a cultura do desencontro, da fragmentação e do descarte. Os encontros mudam nossa vida e vamos descobrindo nossa identidade através deles. Eles nos colocam em atitude de êxodo, de saída, de Visitação. O encontro, quando se dá a partir da experiência de Deus, que é contemplação e saída, se torna autêntica e solidária profecia.

Texto bíblico:  Lc 1,39-56
Na oração: é indispensável situar-se na cena da Visitação; escutar as duas mulheres que conversam entre si; seguir seus passos, proceder como elas, viver hoje o que elas viveram.

A Visitação é, portanto, um convite a “cruzar montanhas”, transpassando fronteiras, abrindo buracos nos ilusórios muros de classe, de cultura, de raça, de gênero, de religião, etc... Cruzar montanhas, saindo apressadamente ao encontro do outro, para fazer a experiência de viver, em ritmo de Visitação, o regozijo da vida divina que habita no humano e se expande na criação inteira.
- Como encarnar o ícone da Visitação no seu ritmo cotidiano? Há lugar para encontros surpreendentes? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 18 de agosto de 2018

FUNÇÃO DA BELEZA DOS EDIFÍCIOS SACROS NA ATRAÇÃO DA JUVENTUDE – Plinio Maria Solimeo


17 de agosto de 2018
♦  Plinio Maria Solimeo

         Depois do Vaticano II, utilizou-se cada vez mais a chamada “arte moderna” para a construção dos templos religiosos. Na maioria dos casos, esses templos não têm mais a aparência de igreja e, se não tivessem uma cruz em cima, passariam por simples galpões para qualquer utilidade, sobressaindo-se por sua feiura e extravagância. [Exemplo foto abaixo]

Ora, seus idealizadores e construtores não levaram em consideração o quanto o belo e o artístico falam à alma, e o bem que fazem ainda hoje aos católicos as grandes e venerandas igrejas dos tempos antigos.

Para falar dessa vaga que ocorreu depois do Vaticano II, reproduzo as palavras de um escritor católico inglês, Joseph Pearce, no National Catholic Register: “A partir dos anos 1960 […] a arquitetura da Igreja sucumbiu à feiura do brutalismo, refletindo o massacre bárbaro da liturgia que a acompanhava; e a música, as artes visuais e a literatura [católicas] entraram na calmaria cultural. Era como se o Ocidente tivesse entrado num deserto de desespero, caracterizado pelo fruto estéril da inspiração ressecada[i].

Entretanto, temos notícia de vários movimentos — formados na sua maioria por jovens — que lutam pela revalorização das glórias da Civilização Cristã. Nesse sentido, o site Aletéia publicou um interessante artigo, intitulado: “Estudo revela que beleza das igrejas é importante para a conversão dos jovens”.

Trata-se de um estudo feito pela organização juvenil britânica Hope Revolution Partnership sobre as mais influentes causas de conversão dos jovens ao cristianismo e o papel exercido nesse sentido pelo próprio prédio físico das igrejas.

O resultado desse estudo foi publicado pelo influente órgão de comunicação inglês, Telegraph, segundo o qual “aproximadamente 13% dos adolescentes [entrevistados] disseram que decidiram se tornar cristãos após visitarem uma igreja ou catedral”. Pois, segundo ainda esse estudo, “a influência do edifício da igreja na conversão de adolescentes é mais significativa do que a participação deles em um grupo de jovens, em um casamento, ou o fato de eles conversarem com outros cristãos sobre a fé”.

A coisa vai mais além, como afirma o Telegraph: “O estudo sugere que métodos utilizados pela Igreja, como os grupos de jovens, são menos eficazes para atrair crianças do que a oração ou a visita a uma igreja.”

Embora esse estudo tivesse surgido em torno da Igreja Anglicana, Aletéia afirma que, como é evidente, também se pode aplicar no âmbito da Igreja Católica, onde “muitos Centros Universitários, em vários países, estão descobrindo [a influência da beleza dos prédios sacros sobre a juventude]”. E cita como exemplo que, na igreja de Santo Tomás de Aquino da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, na construção recente do novo edifício da igreja, foi utilizada a arquitetura tradicional “no centro dos esforços de evangelização”. E foram os próprios estudantes que ajudaram a planejar o edifício [foto ao lado].

Isso levou o bispo James Conley, de Lincoln, a explicar, em entrevista ao site Adoremus: “Nós pensamos que o estilo e toda a estrutura da igreja de Santo Tomás de Aquino comunicam beleza, e beleza atrai. […] Nós acreditamos que os estudantes serão atraídos por isso. Eles já estão sendo atraídos. Sempre há estudantes lá”. O que levou também ao próprio arquiteto do edifício, Kevin Clark, a declarar: “É incrível ver católicos e não-católicos participarem da beleza física do edifício”. Pelo que intriga ver “uma série de não-católicos com quem me deparo quando estou dando voltas na igreja. […] Eles só querem estar lá, só querem ver aquilo, e a igreja realmente se tornou um elemento da cidade”.

Afirma Aletéia que situação parecida ocorreu em outro centro universitário, o Centro Católico da Universidade de São Paulo, em Madison, no Wisconsin. A nova capela do Centro foi também construída “com o objetivo inspirar por sua beleza”. Por isso, o responsável pelo Centro explicou “por que eles escolheram construir um edifício de estilo mais tradicional: ‘os estudantes estão sedentos de beleza; um estudo recente mostrou que a beleza era uma das razões mais importantes pelas quais as pessoas vêm e ficam no catolicismo. A instalação precisa ser grande, linda e visível o suficiente para que os estudantes percebam isso. Os alunos nos dizem que seus amigos não entendem que o prédio de concreto cinzento [em arte moderna] ao lado da livraria, é uma igreja. O projeto tomou elementos da história arquitetônica da Igreja que incorporam a beleza da nossa fé, mas também são complementares com o centro da cidade de Madison”.

Manifestação como essas, nesse campo ou no campo religioso, que faz com que muitos jovens procurem igrejas onde se celebrem a Missa tradicional, são cada vez mais numerosos.

Para concluir, a tal respeito declarou o Conselho Pontifício para a Cultura da Santa Sé, no documento Via Pulchritudinis: “O caminho da beleza responde ao íntimo desejo de felicidade que reside no coração de cada pessoa. Abrindo horizontes infinitos, leva a pessoa humana a empurrar para fora de si mesmo, desde a rotina do instante efêmero, até o Transcendente e Mistério, e procura, como objetivo final da busca pelo bem-estar e nostalgia total, essa beleza original que é o próprio Deus, Criador de toda a beleza”.

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O PLANO QUE SÉRGIO MORO TEM RESERVADO PARA LULA – Amanda Acosta


18/08/2018

A luta do juiz Sérgio Moro e da Operação Lava Jato não é contra Lula. Nunca foi. O complicado embate é contra a corrupção.

A luta é árdua. É difícil e necessita de ser jogada com estratégia. Os bandidos são poderosos, inescrupulosos e extremamente numerosos. Proliferam em todos os poderes da República.

Nesse contexto, manter Lula preso é fundamental.

Por esse motivo, Moro se empenhou pessoalmente para frustrar o "Golpe do Plantonista".

A soltura de Lula naquele momento representaria por certo o aniquilamento da Lava Jato.

No entanto, a manutenção do petista na prisão, oferece forças para que a Lava Jato continue a avançar e chegue em outras autoridades envolvidas nos escabrosos esquemas de corrupção que estão sendo desvendados.

Nesse sentido, tão logo o pleito eleitoral se encerre, uma nova sentença condenatória será proferida em desfavor de Lula.

Com duas condenações, tudo ficará mais difícil para o meliante petista e assim, chegar aos demais será questão de tempo.

O Brasil vencerá!


Articulista e repórter
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

DOM CESLAU STANULA DO ARRAIAL DA AJUDA

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O mais antigo santuário Mariano no Brasil

13/08/2018:

Bom dia... Saudações do mais antigo santuário Mariano no Brasil, o Arraial da Ajuda, na Bahia. Pedro Álvares Cabral encostou nas margens da Nova Terra em 21 de abril em 1500. Aqui o receberam três nações indígenas do grupo linguístico Tupi: os Tupinambás, Tupiniquins e mais nos interior Aimorés.

Junto com o Cabral vieram os Missionários Franciscanos com  o Frei  Henrique de Coimbra e outros. Construíram a primeira Igreja no país dedicada a São Francisco em 1503.

Em 1549 chegaram missionários Jesuítas. Ficaram residindo em  Salvador, Porto Seguro e Ilhéus. 

A cinco km de Porto Seguro, num arraial, iniciaram em 1550 a construção da Igreja dedicada a Nossa Senhora da Ajuda, que, portanto é o mais antigo Santuário  Mariano no Brasil, onde hoje estou pregando as Glórias de Maria.

Com a benção e oração pela intercessão de N.S. Da Ajuda, nas suas intenções. Bom Dia... Coragem, porque iniciamos a semana com Maria...

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14/08/2018:

O nome do Arraial da Ajuda onde está o Santuário, foi dado em homenagem a Tomé de Souza o primeiro governador Geral do Brasil e aos Jesuítas. Eles chegaram em três naus: Conceição, Salvador e Ajuda, que vieram a ser nomes das cidades e de suas primeiras igrejas. Por isso temos a cidade: Salvador, Conceição  e Arraial da Ajuda.

Na formação do povoado Arraial da Ajuda contribuíram o plantio de cana-de-açúcar, cacau e outras culturas, mas a maior influência, sem dúvida,  teve a peregrinação religiosa  de centenas de pessoas para a "Santa" e o aparecimento da fonte de água, que "fez a Nossa Senhora brotar milagrosamente". Esta fonte hoje é  também uma das principais atrações no Santuário. O milagre espalhou-se por todas as capitanias do Brasil.(Capitania foi o pedaço do Brasil entregue por Dom João II, rei de Portugal, a um governador e capitão, que tinha altos poderes de governar, como criar cidades, julgar, fazer doações etc.) 

A costa baiana do descobrimento foi dividida em cinco capitanias.

Bom dia e que a "água da Santa" lave todas as suas tristezas. Com a oração e a benção.

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 15/08/2018:

Bom Dia... A invocação de Nossa Senhora da Ajuda é da origem portuguesa. No tempo de viagens marítimas perigosas que resultaram o descobrimento da América Latina os marinheiros costumavam "batizar" as suas naus com o nome de Nossa Senhora de Ajuda, O nome  provém provavelmente da ermida (morada de monges), chamada Ajuda existente em Lisboa, onde se encontra uma Imagem de Nossa Senhora milagrosamente encontrada. 

A réplica  desta Imagem veio com os Jesuítas pelo ano 1549 à recém-descoberta terra brasileira. Eles dedicaram a primeira Igreja construída no solo baiano, a Nossa Senhora da Ajuda em Salvador. A segunda construída na Bahia, foi precisamente a do Arraial da Ajuda, que se tornou o Santuário, assinalado também aqui com a fonte da água considerada pelo povo como  milagrosa. A Imagem  apresenta a N. Senhora em pé com o Menino sentado no braço esquerdo e, aqui no Santuário, na mão direita Maria segura o cetro de ouro.

(Mais dados sobre a Nossa Senhora da Ajuda e assuntos ligados com o mais antigo santuário  do Brasil podemos encontrar no  excelente livro do Pe. José Grzywacz: Santuário Mariano Arraial da Ajuda).

 Que Ela, a constante Ajuda, não nos desampare nunca.

 Com a benção e minha oração aos pés da Ajuda, desejo o excelente dia.

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Terminou a bela festa de Nossa Senhora da Ajuda em Arraial da Ajuda. Tanto na missa festiva como principalmente na procissão estava presente uma multidão. Ó, Gloriosa Santa, rogai por nós.


Seguem alguns registros fotográficos:




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17/08/2018:

Bom diaaaa... Observando o desenvolvimento da devoção a Nossa Senhora no Brasil podemos ver claramente como ela acompanha os destinos de um novo povo que nasce.

O Pe. Jose Grzywacz, missionário redentorista, estudioso da mariologia aponta estas fases bem nitidamente visíveis. Na primeira fase, no tempo de descobrimento, os portugueses vieram com a profunda devoção a Nossa Senhora é a Ela confiavam o seu destino, expressando esta devoção  nas invocações das Imagens de Maria que trouxeram consigo.

Assim  no tempo do descobrimento as imagens de Nossa Senhora estavam mais ligadas com a navegação. No navio de Cabral em 1500, veio a Imagem de Nossa Senhora da Esperança, logo depois, na frota de  Tome de Souza, em 1549, veio a Imagem de Nossa Senhora da Ajuda e da Conceição. E o culto se desenvolve em torno destas Imagens, que expressavam (a interpretação minha) a incerteza do futuro da viagem...

Confiando nas mãos de N. Senhora da Esperança; as dificuldades e perigos da viagem e o início da nova vida no novo continente, a Nossa Senhora da Ajuda.

Que a mesma Nossa Senhora invocada sob tantos nomes, hoje também nos AJUDE a manter a ESPERANÇA no futuro melhor. Com a benção e a oração. Bom dia...


Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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O FURDUNÇO DE LULA - Carlos José Marques


17/ago/18 

A espetaculosa encenação de Lula e de sua turba é uma Ópera-Bufa em vários atos. Todos de pilhéria à Justiça, invariavelmente. A marcha até Brasília dos movimentos pseudossociais para registrar a candidatura do petista coroou o teatro de mentirinha. Munidos de uma certidão fajuta de antecedentes criminais, que aparece “limpa”, emitida em São Bernardo do Campo, buscaram atender a prerrogativa do registro que estabelece de cada postulante ao cargo de presidente a comprovação da lisura de atos perante a Lei.

Até as pedras do Palácio do Planalto, das cercanias na Suprema Corte e do Lago Paranoá que areja Brasília sabem ser ele um meliante condenado, ficha-suja da pior espécie e ardiloso driblador das regras vigentes. Lula faz troça de todo mundo. Tenta enganar o Brasil inteiro com a ideia de ser um perseguido político. Não é! Só aqui um criminoso julgado e apenado por nove juízes em duas instâncias, por corrupção e formação de quadrilha, empurra os tribunais a uma chicana tão ridícula como inaceitável.

Passa da hora dos senhores magistrados darem um basta definitivo a essa palhaçada. Lei é Lei e vale para todos. O PT, abertamente, tenta postergar o desfecho de uma decisão (que sabe inevitável) da inelegibilidade de seu candidato. Como disse o Ministério Público Federal em parecer apresentado ao TRF-4, Lula “simplesmente não é, nem pode ser, candidato”. Assunto encerrado. O Ministro do Supremo Luiz Fux foi outro que se manifestou contrário à possibilidade, dizendo que Lula não se enquadra na Lei da Ficha Limpa e que, portanto, está desde já inelegível, podendo ser punido, inclusive com a ausência do Partido no horário eleitoral gratuito de TV, se insistir na candidatura improvisada enquanto passa os dias na cadeia. Nesse sentido, mesmo o TSE já planeja cassar a prerrogativa do tempo de televisão caso o PT não indique logo o substituto que, de fato, irá concorrer – o ex-prefeito paulista Fernando Haddad, hoje no papel de preposto acidental do demiurgo de Garanhus.

De uma coisa ninguém dúvida: tudo que Lula anseia é manter as eleições presidenciais nesse furdunço para posar de injustiçado. Em artigo publicado na semana passada no jornal americano New York Times ele cria uma narrativa própria, no mais cristalino exemplo de fake news, enaltecendo conquistas e escondendo convenientemente seus atos ilegais. A peça de ficção de Lula é mais uma de suas artimanhas para consagrar a tese – que não para de pé – de um golpe à democracia. Ele aguarda agora o marco legal de sua inviabilidade política para reforçar o discurso.

Na pantomima montada o líder petista espera ao final e ao cabo transferir o máximo de votos possíveis para a chapa-poste de Haddad e Manuela D’Ávila, essa concorrendo na condição de vice “reserva”, se é possível algo parecido. O modelo “triplex” de postulantes, montado pelo PT, soa como mais uma bofetada contra o processo legítimo da disputa. Um preso comanda direto da cadeia as articulações enquanto o vice (candidato de fato) segue em carreata pelo País e a regra-três se esconde para compor a dobradinha depois.

Em respeito aos eleitores, pelo bem da disputa e da seriedade do pleito, não é razoável levar essa situação adiante por mais tempo. A impugnação, seja através de decisão por ofício ou a pedido de agremiações adversárias, está no radar. Juízes da Lava-Jato também querem dar um “basta” nas regalias do detento. Alegam que Lula vem usando a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde se encontra, como comitê de campanha e pedem, o quanto antes, restrições a essa prática.

Na fronteira do TSE, a alternativa de um candidato ficha suja já foi completamente descartada. Posição nesse sentido parece fechada, principalmente pelo triunvirato que agora comanda o Tribunal, dirigido desde a segunda-feira, 13 por Rosa Weber. Nas mãos de Weber, o showzinho particular de Lula deve ter os dias contados.

Crédito Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três


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