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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

UM LIVRO QUE VEM TRANSFORMANDO HISTÓRIAS DA AUTORA MICHELE STRINGHINI

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

A escritora Michele Stringhini da Silva nasceu em 1980, na serra gaúcha, Rio Grande do Sul. Estilista formada em Estilismo e Figurinismo pela Escola de Moda Profissional (EMP), São Paulo, é poetisa, compositora musical (com músicas registradas) e empreendedora (lojas on-line). Michele está no último semestre do curso de Letras – Português/Inglês pela Universidade Braz Cubas (UBC) – São Paulo.

É esposa de pastor, casada com Euclevos A. Stringhini da Silva, e o acompanha ministerialmente. Conheceu verdadeiramente a pureza e a pregação da Palavra de Deus, vivenciando assim experiências com o Espírito Santo, por meio da revelação da Palavra, da oração e do louvor. É apaixonada pela simplicidade da vida e pela arte de escrever, pois escrever livros, poesias e letras musicais é mais que um prazeroso hobby, é um chamado para amar. Ama estudar e tem forte interesse por língua estrangeira (é estudante do idioma finlandês), como também, moda, fotografia e artesanato; enfim, ama a natureza e conhecer novos lugares.

“A jovem se depara com as limitações da sabedoria humana, pois a alma é território exclusivo. E somente quem criou a alma pode manifestar a cura infalível, a cura que vem do Amor infalível.”

Boa Leitura!

Escritora Michele Stringhini, é um prazer contarmos com sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a inspirou a escrever o livro “Elixir do Amor – a cura infalível do amor”?

Michele Stringhini – Shirley, primeiramente agradeço a oportunidade. Sempre tive  interesse em publicar um livro,pois escrevo desde os 15 anos de idade e primo por transmitir uma mensagem inspiradora que possa ajudar alguém.O leitor pode se identificar com a história em partes ou tê-la como um exemplo de alerta;ou como conteúdo que agregue valor ao seu caráter e seja reconhecida como uma obra que possa ser indicada a outra pessoa.Assim, terei cumprido o mais belo propósito,que é ter feito o bem a alguém. E com esse intuito fervoroso em meu coração – do importar-se com a dor alheia e/ou fazer que aquele coração que se massacrava diariamente consiga ser desvencilhado de algum fato passado– esta obra tem por objetivo servir de mola propulsora e corajosa, acreditar na força do Amor Divino, aceitando o perdão de Deus, e ensinar a perdoar, pois a história é um testemunho de vida. Afinal, só o Amor cura e tem a capacidade de sarar todas as feridas da alma.

Quais temáticas estão abordadas nesta obra literária?
Michele Stringhini – Romance, drama, suspense e não ficção.

Apresente-nos a obra.
Michele Stringhini – “Elixir do Amor – a cura infalível do amor”é baseado em fatos reais e compartilha a transformação de vida da jovem Milena Minchillo, que sofreu duas tentativas de estupro, é enganada e invejada por falsas amizades, mergulhada num estado depressivo profundo, sofrendo com problemas espirituais e opressões malignas. Milena se vê na necessidade de buscar a solução para problemas, tanto espirituais emocionais ou familiares. Sente a carência de sua alma ferida ser curada. A jovem se depara com as limitações da sabedoria humana, pois a alma é território exclusivo. E somente quem criou a alma pode manifestar a cura infalível, a cura que vem do Amor infalível.

Sendo um livro baseado em acontecimentos reais, apresente-nos os principais desafios para a escrita do enredo que compõe o livro.

Michele Stringhini – Este livro foi escrito em três dias e meio. Meu esposo e eu estávamos em consagração em prol da igreja e entre outros propósitos particulares. O meu maior Ajudador em todo o desenvolvimento do livro até a sua conclusão foi Deus. (Essa história eu queria ter escrito antes, mas não me sentia preparada pelo fato de ser baseada em situações reais, e simplesmente pelo cuidado de preservar a vítima.) E essa consagração foi baseada no livro de Apocalipse 11:11, que fala sobre os 3 dias e meio.A revelação foi a seguinte: em três dias e meio Deus restauraria aquela área da vida ou manifestaria o sonho (projeto) desejado havia tanto tempo. Está consumado: “Escrevi o livro em 3 dias e meio!”. Deus me fazia perder o sono, eu ia para o notebook e acrescentava o que precisava. Após essa consagração, 7 dias se passaram, nenhuma linha ou letra de inspiração, só na semana seguinte retornou o ânimo (vontade) de outros versículos serem adicionados e rever o conteúdo.

Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor pela leitura do enredo que compõe a trama?

Michele Stringhini – O conteúdo do livro em si não é para criar doutrina alguma, nem expor a situação alheia ou vivida de maneira humilhante, nem condenar, nem castigar, mas promover o perdão de Deus. Contudo, os nomes dos personagens foram alterados; apenas vêm para despertar sincero perdão, tirar aprendizado dos erros, tirar lições da falta de sabedoria e da falta de entendimento. Com certeza, não existe caso irreversível para Deus; existe uma nova oportunidade, quando essa pessoa está disposta e aceita essa oportunidade. O conteúdo está recheado de experiências com Deus em Sua Palavra; claro, baseadas em acontecimentos reais que vão alimentar a fé, tornar-lhe (o leitor) mais sentinela. Por que não aprender com os erros e acertos de alguém? É apenas para a edificação, independentemente do credo ou religião. Conheça o amor transformador!

O que mais chamou sua atenção enquanto escrevia o livro?

Michele Stringhini – O que mais me chamou a atenção enquanto escrevia o livro foi que cada desenrolar da história encaixava-se como um quebra-cabeça; cada “pecinha” deixava a história mais envolvente e reveladora, mais empolgante, mais recheada de emoção e expressão. Cada instante foi análogo à gestação de um bebê no ventre da sua mãe; “sentindo as dores, os chutes, os enjoos, as alegrias e as ansiedades”, um mix de emoções num curto espaço de tempo (em 3 dias e meio escrevi esta obra). Escrevi com tamanha liberdade e otimismo, que as palavras fluíam como águas agitadas, sem me afogar nelas. Essa experiência foi ímpar, com sabor de bis. Sou grata ao Deus Todo-Poderoso por essa experiência! “Elixir do Amor – a cura infalível do amor” é o meu primogênito.

Onde podemos comprar seu livro?

Michele Stringhini – Livro impresso: www.clubedeautores.com.brwww.submarino.com.brwww.americanas.com.br. E-book: www.saraiva.com.br .

Quais os seus principais objetivos como escritora? Soube que você já tem novos livros no prelo para 2018; apresente-nos seus novos projetos literários.

Michele Stringhini – O gosto pela escrita começou desde a minha adolescência; de lá pra cá, escrever é missão, é cumprir parte do meu chamado. Sinto vontade de escrever livros voltados ao público infanto-juvenil e criar histórias em quadrinhos. Os meus novos livros para lançamento em 2018 são: “Tempo para a poesia – poesias que transportam memórias” – 1ª edição e “Pronta para Dançar! – no ritmo da fé”, inspirado em uma história real – 1ª edição. 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Michele Stringhini. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Michele Stringhini – Carinhosamente, saliento como forma de mensagem um trecho que consta em meu livro:
“O amor sempre vence a dor, o amor vence o pecado, o amor sempre age com a verdade, o amor sempre traz esperança, o amor sempre traz reconciliação, o amor segundo o amor de Deus, aquele amor incondicional, está à disposição de todo aquele que precisa de perdão, de todo aquele que precisa de uma nova chance, seja ele culpado ou inocente. Para esse amor não existe caso perdido, por mais que alguém tenha ido longe demais. O amor, segundo Deus, faz-nos perdoar até o pior transgressor, faz perdoar a nós mesmos; faz o outro, o ofensor ser livre e aprender a depender desse amor, assim, viver em novidade de vida.”
(Aquele que não ama não conhece Deus; porque Deus é amor – João 4:8 – ACF).

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura




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FELIZ NATAL, VOTOS DE FESTAS SÉRIAS – Péricles Capanema

28 de dezembro de 2017 
Péricles Capanema

Anima ouvir “Feliz Natal”! Soa agradável Natal de muita saúde e paz. “Santo Natal”, expressão afável, cada vez menos comum. Escutei sem-número de vezes votos de alegre Natal. Óbvio, jamais me deram votos de tristes festividades natalinas.

E nem de sério Natal. Cairia estranho, poderia parecer censura a um brincalhão. Pensando bem, nem tão estranho assim. Pelo menos uma vez, gostaria que alguém me tivesse dito: “um sério Natal”.

Desejar “Feliz Natal” é querer as festas em ambiente leve. “Sério Natal”, que continuem presentes as graves questões que povoam a vida de cada um de nós. Gravidade e leveza não se excluem, nunca se excluíram, complementam-se. Leveza sem gravidade despenca para a leviandade.

Gravidade sem leveza descamba para caturrice. Sábia é a pessoa que alia leveza e gravidade. Minha ambição hoje é alcandorar a seriedade, raiz da sabedoria, caminho para a felicidade. Se conseguir bem, será brilhante bola vermelha na árvore da sala, meu presente de Natal para os leitores.

Já no começo, faz falta acabar com a confusão entre alegria e felicidade. Em geral, as pessoas querem ser vistas alegres para assim parecer felizes. E é comum um abismo entre as duas realidades. Le bonheur n’est pas gai (a felicidade não é alegre), frase que retumbou mundo afora, resumia o filme Le Plaisir, baseado em três contos de Guy de Maupassant.

Continuando no tema, mudo o cenário. Li, faz pouco, o mesmo por aqui: “Sou alegre, mas não feliz”, lamento de Dadá Maravilha, o futebolista folgazão. O mais alegre dos jogadores se vê como um infeliz. Uma mãe que trabalha de sol a sol para pagar os estudos da filha aplicada pode não estar alegre, mas será intensamente feliz, animada com o cumprimento do dever e por abrir boas perspectivas para a moça.

Todos percebem, o esforço e o dever estão mais ligados à felicidade que à alegria. Enfim, são várias as formas de alegria. A felicidade pode ser alegre, pode estar triste, pode brilhar num rosto esgotado. Um menino brincando sozinho com um carrinho em geral tem semblante sério e feliz. Nietzsche afirmava, o homem se torna maduro quando reencontra a seriedade que tinha quando brincava em criança.

Temos aqui, não a procura, mas o reencontro de um tempo às vezes perdido durante a adolescência e a juventude. O Natal autêntico tem isso, festa familiar com nota infantil séria. A alegria natalina — calma, temperante, esperançosa, entendendo o sofrimento — é átrio para entrar no palácio da felicidade.

Sem seriedade, não alcançamos ser felizes. A alegria contemporânea desembesta para o rumo oposto.
Para esconder a infelicidade, procura saída artificial, aparece vestida com roupagem extravagante. Basta examinar os role models atuais, celebridades do entretenimento em primeiro lugar, a mais de outras nos mais variados espaços da vida humana.Inautênticos, estadeiam estilos de vida estapafúrdios, sorrisos exagerados, risadas desatinadas. Ali pululam as drogas, o suicídio, as separações matrimoniais contínuas, tanta coisa mais. O que são em suas representações enganadoras? Embusteiros, alguns geniais, juntos na promoção de uma fraude.

O bem não faz barulho e o barulho não faz bem, escreveu São Francisco de Sales, o suave doutor da Igreja. Discreta, a verdadeira felicidade pode conviver com a tristeza, a dor, o fracasso; também com a alegria, os êxitos, as grandes conquistas. Mas sempre se manifestará veraz. Assoma agora à porta uma irmã da seriedade, a autenticidade, saudemo-la.

Verazes, autênticos e sérios caminhemos até a manjedoura onde dorme placidamente o Menino-Deus. Súplices, peçamos a Ele que nos sustente em todos os passos da peregrinação ao encontro da Felicidade infinita.



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Péricles Capanema

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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

NASCEU HOJE, IRMÃOS, O NOSSO SALVADOR! – Dom Ceslau Stanula II

26/12/2017
S. Agostinho (+430) na sua homilia natalina fala:

«Hoje nasceu para nós o Salvador.
 Nasceu, portanto, para todo o mundo o verdadeiro sol.
Deus Fez-se homem para que o homem se fizesse Deus.
Para que o escravo se tornasse senhor, Deus assumiu a condição de servo.
Habitou na terra o morador do céu para que o homem, habitante da terra, pudesse encontrar morada nos céus».

Com a minha benção e oração. Boa Noite, Feliz Natal.
Dom Ceslau
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27/12/2017
S. Inácio, bispo e mártir de Antioquia, (+ 100), contemplando o mistério do Natal, expressa, figuradamente, a alegria até dos astros  no céus quando a  Estrela Guia  aparece:

“Mistérios clamorosos que se realizaram no silêncio de Deus”.

«No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras!
A sua luz era indescritível.
A sua novidade causou estranheza.
Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela.
Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais.
Houve, por isso, agitação.
Donde lhes viria tão estranha novidade?
Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal.
Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente (no presépio) para a novidade de uma vida eterna».

Com a minha benção e oração.
Feliz Natal e o Ano Novo cheio de realizações com constante presença de Deus.
Dom Ceslau

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de  Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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NEM TÃO SIMPLES - Ana Maria Machado

Nem tão simples

"Simples assim. Entendeu ou quer que eu desenhe?”

A toda hora estamos esbarrando em variantes dessa atitude arrogante, seja em comentários na internet ou em palpites que surgem em conversas ao vivo, com a pretensão de calar o outro. Por vezes, vem revestida de um tom teórico peremptório, cheio de ecos intelectuais, a insinuar que qualquer discordância é estúpida. Nem por isso deixa de ser uma forma de ofensa, a chamar o outro de burro.

No entanto, o que a história do pensamento nos mostra é bem diferente. Sempre foi um trajeto calcado em dúvidas e hesitações, por mais que o processo da busca do conhecimento se faça com certa teimosia e algumas raras certezas muito bem focadas — de que Galileo é um bom exemplo. Mas a honestidade que marca a ânsia de saber convive com a admissão das inseguranças que abrem portas, desde o axioma socrático do “só sei que nada sei”, passando pela dúvida metódica cartesiana, até os princípios da complexidade que Edgar Morin aponta ao sublinhar as incertezas que caracterizam nosso tempo.

Neste momento em que os eleitores brasileiros sentem a necessidade de analisar a nossa atual crise com algum exame que vá além da superfície imediata, pode valer a pena lembrar que nada é “simples assim”. Não dá para resumir num mero desenho. Mas convém admitir que grande parte do retrocesso que aí está a nos assombrar é fruto de uma complexa conivência da nossa sociedade. A tal omissão dos bons que permite a expansão do crime e da injustiça. Às vezes por comodismo, às vezes por simplismo, às vezes por recusa a admitir o próprio engano. E como fomos enganados...

Votando em Lula, Dilma, Aécio, Cabral, Cunha ou Renan, e tantos outros, fomos engambelados por belas palavras, fartas promessas e bom mocismo. Como se tudo fosse simples assim. Só que não é. Convém não esquecer. É preciso admitir que fomos traídos. Transformar o arrependimento em alguma sabedoria. Aprender com os erros, para não repeti-los. Ao menos, tentando escolher melhor o futuro Congresso.

Não que a sociedade tenha ficado apática e de braços cruzados. Movimentos sociais se organizaram e reivindicaram. Manifestos e abaixo-assinados se espalharam pela internet. Conseguiram gerar fatos concretos e positivos, como a Lei da Ficha Limpa. Ou sugerir as Dez Medidas contra a Corrupção.

Mas agora se assiste a um retrocesso que tem como objetivo atrapalhar toda e qualquer melhoria nessa área. E em outras.

O fato de não se fazer uma reforma eleitoral tem muito a ver com isso. Continua havendo uma proliferação de partidos que seria cômica se não fosse trágica — mas que é muito eficiente em atrapalhar a governabilidade e estimular esse abominável balcão de negócios no Congresso. Os exemplos se multiplicam.

A análise racional mostra que é indispensável para as futuras gerações que se faça já a reforma da Previdência, cujo desequilíbrio paralisa investimentos em saúde, educação, saneamento. No entanto, aí estão os políticos barganhando e impedindo que ela se faça, mesmo reduzida, desvirtuada e insuficiente.

Em outro âmbito, a recusa em fazer a reforma eleitoral (tanto no Legislativo quanto no Judiciário) prorroga a existência desordenada de partidos e ameaça recuos na Lei da Ficha Limpa ou na determinação do STF de que a pena comece a ser cumprida após decisão em segunda instância. E continuamos sujeitos a esse Congresso tecido de políticos corruptos, incapaz de dar um mínimo passinho à frente que faça avançar alguns milímetros.

A isenção fiscal para igrejas resulta em bancadas religiosas retrógradas que esgrimem argumentos autoritários para impor à nação atitudes e comportamentos medievais. A degradação pública e o opróbrio são amplamente utilizados nos linchamentos morais a que assistimos a todo momento. Já chegamos ao ponto de literalmente queimar bruxas — ainda que por enquanto nos limitando ao simbolismo de bonecos que as representem, como se viu no caso da filósofa Judith Butler. Mas nem sempre é só simbólico: a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi linchada até a morte no Guarujá a partir de uma falsa acusação, na internet, de sequestrar crianças para magia negra. Uniu-se a reles mentira com a sanha de condenar sem apurar. Males atuais.

Tudo isso desvia da justiça necessária. Vemos todo dia as tentativas de retrocesso que impedem a punição de culpados de corrupção, na Lava-Jato ou fora dela. Vale tudo, a começar pela manutenção do foro privilegiado para milhares de políticos — e agora se fala em estendê-lo a ex-presidentes.

O discurso para a aparente justificativa é sedutor: alardeia a garantia de direitos dos investigados e acusados (que têm mesmo de ser garantidos). Mas esquece a garantia do direito da sociedade, de não ver perpetuada a impunidade de criminosos por meio de manobras e chicanas.

Esses diversos fios se tecem em tramas e tramoias. Pelo menos, fiquemos atentos para perceber a complexidade do mecanismo. Há que abrir os olhos para votar melhor no futuro. Nada se resume a um “simples assim”.

O Globo, 09/12/2017


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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

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CENÁRIOS DE CERA – Wagner Albertsson

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
CENÁRIOS DE CERA 


DIANTE DA VIDA QUE PASSA,
EMBALADA PELOS SABORES DOS DIAS,
ROMPEM-SE PARA ALGUNS, TRISTEZAS;
LUZEM PARA OUTROS, ALEGRIAS.
POIS VIVER É INCORPORAR PERSONAGENS,
É VESTIR TOSCAS FANTASIAS,
PORQUE A VIDA É UM PALCO DE MOMENTOS
DE CENÁRIOS DE CERA E SOFRIMENTOS
ONDE A FELICIDADE É O TEMA PRINCIPAL.

NESTA BUSCA DESENFREADA DE EMOÇÃO,
A CORTINA DA MORTE É REAL,
O TEATRO DA VIDA É ILUSÃO,
E SÓ DEUS É O ATOR PRINCIPAL.

WAGNER ALBERTSSON

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A MULTIFORME INSPIRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NOS PANETONES E BOLOS DE NATAL

27 de dezembro de 2017
Santiago Fernandez

Nos países católicos há uma imensa variedade de pratos e bolos que se preparam somente para o Natal. Nesse ponto os italianos acabaram passando na frente de todos os outros ao criarem o universalmente conhecido e cobiçado “panettone”.

De onde ele vem?

Discute-se fortemente na Itália sobre a sua origem. Todos concordam que nasceu na região de Milão.

Segundo uma versão, o panettone apareceu pelo fim do século XV num banquete oferecido pelo tempestuoso duque Ludovico Sforza, dito “o Mouro”. O ajudante de cozinha, de nome Toni, encarregado de vigiar o forno durante a preparação da sobremesa, teria dormido. E quando acordou ela estava queimada!

Para se salvar da ira do colérico duque, ele apanhou então tudo o que sobrara na cozinha e misturou, para produzir um pão “enriquecido” que fez as delícias de todos. Essa obra-prima passou para a posteridade como o “pão de Toni”, que acabou dando em “panettone”.

Mas há outra versão: o jovem nobre Ughetto degli Atellani, que desejava casar-se com Algisa, filha do padeiro Toni, teria conseguido ser contratado pela padaria, onde concebeu o famoso pão de Natal para conquistar a moça.

Outra versão ainda é aquela segundo a qual Sóror Ughetta — cujo nome significa passa — teria comprado com suas últimas moedas algumas passas e frutas cristalizadas para acrescentar a seu pão de Natal, levando assim um sorriso às irmãs de seu convento.

O fato histórico incontestável é que, entre outras coisas, na Idade Média nasceu o costume de comemorar o Natal com um pão que fosse melhor do que o quotidiano. Até 1395 os fornos de Milão só podiam assar esse pão no período natalino, e ele era marcado com frequência com uma cruz.

“Pandoro” de Verona
 Mas há o “panettone” glacê e com amêndoas de Turim. E também o “pandoro”, de Verona, que é muito alto, pesa cerca de um quilo, tem sabor de baunilha, uma miga muito leve e é servido num pacote feito com açúcar cristalizado que também se come.

“Panforte” de Siena

Em Veneza, o “panettone” vem acompanhado de um creme de frutas cristalizadas. Há ainda o “pandolce” de Gênova, um pouco mais compacto, bem como o “panforte” de Siena, feito com especiarias e sem farinha, com a massa consolidada com mel, pimenta e canela.

O sul da Itália aplicou sua inspiração ao “panettone”, que vinha do Norte, acrescentando-lhe delícias que são inéditas nas regiões frias: laranja, limão, pistache, bergamota e o licor limoncello.

O “panettone” de Nápoles é feito com laranjas cristalizadas de Amalfi e limoncello. Em Siracusa, ele vem com chocolate, pistaches, laranjas cristalizadas da Sicília e passas de Pantelleria. Todos eles em geral têm preços acessíveis.

“Christmas pudding” inglês

Deixando agora a Itália e passando a outros países, os britânicos preparam o tradicional “pudding”, oriundo da Idade Média. Segundo instrução da Igreja Católica, ele “deve ser feito no domingo após a festa da Santíssima Trindade, que neste ano de 2017 foi celebrado em 18 de junho. É preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e todos os membros da família devem dar uma mexida em sua massa durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”.

Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles” ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.

“Christstollen” alemão

Os alemães preparam o “Christstollen”, bolo muito denso perfumado com especiarias e recheado com frutos cristalizados e passas, assado numa forma especial.

Os espanhóis no Natal preferem o “turrón”, uma massa feita com amêndoas e mel. Ele tem muitas variantes: com chocolate, nozes, frutas secas etc.

Os franceses comemoram com a “bûche”, literalmente pedaço de lenha, que suscita todo ano um verdadeiro concurso para ver quem é o “pâtissier” que concebe a variante mais criativa.

“Büche de Noël”

Durante séculos, as famílias francesas acendiam na noite de Natal um pedaço de lenha de árvores frutíferas como cerejeira, ameixeira, macieira ou oliveira, ou de madeiras nobres ou comuns. Ficou conhecida como a “bûche de Noël”.

A família aquecida por esse fogo se reunia para a Ceia de Natal entoando canções. Com o tempo entraram novos sistemas de aquecimento e as velhas lareiras foram se apagando.

Mas eis que a “bûche de Noël” se transformou em uma obra-prima da pâtisserie francesa, a sobremesa indispensável nos lares da França nos dias abençoados do Natal. É difícil conhecer o autor do prodígio, embora talvez tenham sido muitos, guiados em diversas partes pelo instinto católico, pela tradição e pelo bom gosto.

Fala-se que um aprendiz de Paris, que trabalhava numa chocolataria do aristocrático bairro de Saint Germain des Prés, teria sido o autor da ideia. Os palacetes do bairro eram habitados por nobres ligados a seus castelos, erigidos muitas vezes em bosques e em contínuo contato com a agricultura e as tradições locais.

Como esses nobres não encontravam suas rústicas, mas abençoadas “bûches de Noël” na refinada Paris, então o aprendiz concebeu um doce em forma de lenha para lhes aplacar a saudade inspirada pela fé.

Segundo outros, o famoso bolo foi inventado em Lyon por volta de 1860. Há os que defendem que Pierre Lacam, pasteleiro e sorveteiro do príncipe Carlos III de Mônaco, teria concebido a primeira requintada “bûche” em 1898.

Quem quer que seja o seu inventor, nas proximidades do Natal a “bûche de Noël” aparece nas pâtisseries da França em forma de sorvete ou bolo, sendo avidamente procurada pelos espíritos amantes da família, da tradição e da Cristandade.

Na Córsega ela é forçosamente feita à base de castanhas, embora as fórmulas e apresentações sejam inumeráveis, de acordo com a preferência das famílias, dos padeiros, dos confeiteiros de cada região, cidade, rua ou loja.

“Galettes des rois” da França

Já no início de janeiro as vitrines das pâtisseriesde Paris se enchem de “galettes de rois”, conta “Le Petit Journal”. O nome — como o de tantos produtos culinários franceses — não tem tradução, mas alguns tentaram “bolo dos reis”. Ele é vendido com uma coroa especial. Em 2014, entre 85% e 97% dos franceses diziam comê-lo na festa da Epifania, ou Reis. As receitas, acompanhamentos e formas são incontáveis, em geral redondas. Quando o “bolo dos reis” contém o apreciado marzipã, é chamado de “parisiense”; com frutas abrilhantadas é o bordalês.

 “Bolo rei” de Portugal

Em Portugal, ele é feito de um modo especial e recebe o nome de “Bolo Rei”, designação que sublevou sem sucesso muitos revolucionários igualitários e republicanos. Existem receitas semelhantes na cidade norte-americana de Nova Orleans, na Bélgica, no México (“rosca”), na Grécia (“vassilopita”) e na Bulgária (“pitka”), para só citar algumas. 
Voltando à França, o mais típico é que a criança mais nova sentada à mesa se encarregue de cortar a “galette des rois” e distribua um pedaço para cada um. Em alguma parte do bolo há uma fava, também chamada “rei”, que faz a alegria da mesa.

A fava respeita a forma de sua humilde semente original, mas depois passa a ser substituída por pequenos objetos simbólicos imaginosos, como lâmpadas douradas e outros. O fato é que quem recebe o pedaço com a “fava” é chamado de “rei”, ganha a coroa que veio com o bolo e deve beber em uma taça especial, enquanto os demais cantam “o rei bebe, o rei bebe”, em meio ao gáudio geral.

Aliás, nos bons tempos partia-se a “galette” de acordo com o número dos presentes mais um. Esse pedaço excedente era chamado “a parte do Bom Deus”, ou “a parte da Virgem”, ou “a parte do pobre”, e era destinado ao primeiro pobre que fosse bater à porta do lar.

O costume comemora a festa da Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos, ou Epifania, celebrada em 6 de janeiro. A Epifania comemora precisamente a chegada de Melchior, Gaspar e Balthazar, conduzidos pela milagrosa estrela.

Na Espanha, os Reis Magos são muito mais importantes para as crianças do que Papai Noel. São eles que trazem os presentes na noite de 5 para 6 do janeiro, depositando-os sobre os sapatinhos infantis deixados na sacada ou na lareira.


“Roscón de Reyes” da Espanha

É normal que o fato seja comemorado com um bolo. É o denominado “Roscón de Reyes” em forma de coroa, o qual introduz uma variedade grande em relação à “galette des rois” francesa.

Foi só no mundo católico que a ação multiforme da graça do Espírito Santo inspirou uma tão larga variedade de pães simples, mas deliciosos, próprios a elevar os espíritos e a fortalecer o corpo nos gaudiosos dias do nascimento do Redentor.

Procure-se entre os protestantes ou nos decaídos países pagãos e veja se eles criaram uma variedade análoga de uma iguaria saborosa e inocente, tão de acordo com o espírito sobrenatural do Natal católico.


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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

E SE O PT VOLTASSE AO PODER EM 2018? - Luiz Felipe Pondé

Folha de SP - 18/12/2017   
Luiz Felipe Pondé


 E se Lula ganhasse as eleições em 2018? O Brasil terá um retrocesso ao paleolítico –sem querer ofender nossos ancestrais.

Sei que inteligentinhos dirão: pelo contrário, as populações mais pobres voltarão a comprar TVs e carros. E eu direi: a bolsa fome é a grande miséria que alimenta o PT e seus associados.

Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.

O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.

Como o velho coronelismo nordestino – conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia–, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.

Mas quero falar de outras dimensões da tragédia que nos cerca caso o PT retomasse o poder.

Desta vez, o projeto "a Venezuela é aqui" se organizará de forma mais concreta.

O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da "malta" do PT, serviria ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça. Esse processo já está em curso, mas foi, temporariamente, barrado pelo percalço do impeachment e de alguns poucos setores não petistas do Poder Judiciário.

O Legislativo se acomodaria, como sempre, a quem manda.

O mercado também se acomodaria, servindo, de novo, ao coronel Lula ou a algum genérico que o represente. Eliminariam qualquer elo na sua cadeia produtiva que suje seu nome – da empresa, quero dizer– junto à Nomenclatura.

Quanto à inteligência pública, essa seria devastada.

Perda de empregos, contratos, espaços nos veículos, com a bênção da quase totalidade das Redações e editorias. Se não apenas para eles mesmos não perderem empregos, contratos e espaços, também, e principalmente, porque a quase totalidade das Redações e editorias são petistas ou similares.

Nas universidades e nas escolas, a festa. Reforço absoluto da patrulha ideológica de forma orgânica, com apoio da Capes e de sua plataforma Sucupira.

As universidades, entidades quase absolutamente monolíticas e autoritárias, celebrariam a queima total de seus adversários internos e externos. Os alunos, coitados, ou adeririam à retomada vingativa do poder por parte do PT, ou perderão bolsas, vagas e carreiras.

E chegaria a vez de as Forças Armadas também serem cooptadas pela hegemonia petista. Uma vez cooptada, como na Venezuela, a regressão ao paleolítico estaria plenamente realizada.

O controle da mídia, em nome da "democracia", implicaria o silêncio imposto a todos que quiserem pagar suas contas.

A classe artística faria festivais para comemorar o retorno ao poder dos "progressistas" que dão dinheiro para eles gastarem até acabar.

E, quando o dinheiro acabar, como acabou no Dilma 2, os "progressistas" sairiam do poder, darão um tempo para os "conservadores" fazerem o trabalho sujo de reorganizar a economia e, quando a casa estiver um pouco mais organizada, voltariam ao poder para gastar tudo de novo.

Vivemos duas formas de hegemonia do PT e associados no Brasil: a hegemonia da miséria e do discurso populista de cuidado com ela e a hegemonia do pensamento público e de suas instituições.

A diferença entre o PT de antes do impeachment e o PT de agora será que antes ele ainda fazia pose de defensor das liberdades.

Agora, ele perderia a pose e destruiria todo o tecido de liberdade de expressão no país.

E mais: a vitória de Lula em 2018 seria a prova definitiva de que os eleitores não estão nem aí para suspeita de corrupção pairando sobre qualquer que seja o candidato.

Todo esse mimimi ao redor da Lava Jato ficaria claro como mimimi.

Dane-se a corrupção. Ninguém está nem aí para isso. A começar pelos intelectuais, professores, artistas e integrantes de grande parte do Poder Judiciário.

O combate à corrupção é (quase) uma farsa.

Depressão, ressentimento, medo e vingança seriam os afetos que definiriam 2019.

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