Estamos todos vivendo a era da informática que, a cada
minuto, coloca em nossas mãos aparelhos muitos sofisticados, dando margens a
maravilhas em termos de informações, notícias com fotos e filmes de
comprovações ao vivo, na hora e a cores.
Essas assombrosas técnicas nos deixam pasmos e hipnotizados
pelo que estamos vendo e ouvindo. Coisas que jamais imaginamos pudessem
acontecer no mundo, principalmente para os mais velhos que, como eu, que tinha
de assistir na televisão os jogos da copa do mundo dois dias após as
realizações, em função dos filmes chegassem via aérea e fossem apresentados nas
estações de tv! Isso, tido hoje como uma mediocridade ridícula e engraçada,
contado serve de deboche para as pessoas jovens atualmente!
Essa nossa introdução, somente para ativar a memória e ser
um informativo para os poucos ou menos esclarecidos, é pra falar também dos
malefícios que essa maravilhosa ciência da internet, pode e tem causados aos
verdadeiros tolos, idiotas e desocupados que, para se apresentarem como entendidos
e interessados em tudo, repetem e repassam qualquer bobagem que está sendo
divulgada, como se fosse uma verdade absoluta. Geralmente, os bobões que
repetem as notícias surpreendentes (Fake News ou notícias falsas), ainda batem
no peito com orgulho ds suas imbecilidades, dizendo: “É verdade que eu vi na
internet!”
E, pior ainda são os que recebem e, mais que depressa, para
provar que estão atualizados, idiotamente, repassam para milhares de outros
pobres coitados, gerando uma cadeia de informações, totalmente
desclassificadas!
Essa triste prova de mediocridade humana, infelizmente nos
devemos a grande falta de educação do nosso povo, que os políticos,
tranquilamente, desejam para que melhor possam manipulá-lo!
Sejam mais comedidos, parem de provar suas faltas de
esclarecimentos básicos, antes dessas repetições tolos e prejudiciais,
comprovem a veracidade através de fontes confiáveis, inclusive na própria NET!
Elane Lima Marques nasceu em Aracaju em 17 de março de 1959.
Na graduação, é formada em Pedagogia pela Faculdade Pio X, com especialização
em Administração Escolar. Na pós-graduação cursou Psicopedagogia Institucional
e Clínica.
Na área de voluntariedade notabiliza-se no Lions Club
International, tendo ocupado a Presidência do Lions Clube Atalaia, assim como
os cargos de Coordenadora do Gabinete de Integração, Assessora da Mulher e da
Família, Assessora Distrital das Crianças, Assessora Distrital de Eventos,
Presidente da Divisão D, e atualmente exerce o cargo de Presidente da Região D
do Distrito LA3 que abrange Pernambuco, Alagoas e Sergipe. É sócia também do
Woman’s Club International of Sergipe onde ocupa o cargo de 2ª Vice-Presidente.
“Satisfação pessoal em ver o meu trabalho sendo divulgado,
propalado, lido, por vezes elogiado pelo público; enfim, deixando como
parâmetro para pesquisas de futuras gerações.”
Boa leitura!
Escritora Elane Lima Marques, é um prazer contarmos com a
sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter
gosto por temáticas voltadas para o cangaço?
Elane Marques - Sendo Conselheira do Movimento Cariri
Cangaço e acompanhando o meu companheiro, escritor Archimedes Marques, também
me apaixonei por esse tema culminando em escrever o livro “Sila, do Cangaço ao
Estrelato”, uma obra que minucia a história de vida dessa cangaceira,
companheira de Zé Sereno, uma mulher que sobreviveu ao cangaço e também venceu
na grande metrópole São Paulo.
Em que momento pensou em escrever “Sila, do Cangaço ao
Estrelato”?
Elane Marques - Na qualidade de autêntica representante
da mulher, conforme sempre procurei ser em todas as áreas de minha atuação,
quando me inteirei mais profundamente do tema cangaço, procurei dentre as cangaceiras
aquela que melhor fizesse parte do meu perfil, pois pretendia escrever algo a
seu respeito. Assim, em uma dessas pesquisas de campo alguns anos atrás,
próximo a Curituba, município de Canindé do São Francisco, em Sergipe,
conhecemos uma pessoa encantadora, humilde, um homem simples e castigado pelo
tempo: José de Souza Lins Ventura, mais conhecido por Zé Leobino, vaqueiro
aposentado, nascido na fazenda Cuiabá, em 3 de fevereiro de 1924. Zé Leobino,
nos seus doze anos de idade, conheceu Lampião, Maria Bonita e diversos outros
cangaceiros, dentre os quais Sila, que sempre se acoitavam naquela propriedade
pertencente à portentosa família Brito que dominava o baixo São Francisco. Após
sermos apresentados, depois de uma curta conversa, ele foi logo dizendo que eu
era bonita e bem feita igual a Sila, com uma “anca” bem torneada, também uma
mulher determinada, decidida e acima de tudo, uma mulher que demonstrava saber
o que queria, enfim, o retrato em pessoa de Sila. Oportunamente fizemos outra
visita ao simpático Zé Leobino, e novamente esse “galanteador” asseverou estar
olhando para Sila, para ele a mais bela das cangaceiras. Desse modo, vaidosa
como sempre fui, me despertou a ideia fixa de melhor pesquisar essa mulher, uma
brava cangaceira do passado e uma grande mulher no período pós-cangaço. Aquele
cansado homem me fez ver o que estava “escrito nas estrelas”, ou seja, que eu
deveria escrever sobre Sila, e assim foi feito.
Apresente-nos a obra.
Elane Marques - O envolvimento de Sila com o cangaço se
deu na segunda metade de 1936, quando passou a conviver maritalmente com o
então cangaceiro Zé Sereno (José Ribeiro Filho) que pertencia ao bando de
Lampião. Esse acontecimento mudou para sempre a vida dessa jovem sertaneja,
natural de Poço Redondo, Sergipe, menina nos seus 13 anos de idade que,
juntamente com sua família, se tornou a partir de então alvo das perseguições
das Forças Policiais Volantes que atuavam no combate ao banditismo pelos
sertões.
Sila e seu companheiro estiveram presentes em alguns combates
e sobreviveram à emboscada realizada pela Força Policial Volante de Alagoas,
comandada pelo então Tenente João Bezerra, que vitimou Lampião, Maria Bonita e
outros nove cangaceiros, além de um soldado da Força Policial, fato ocorrido em
28 de julho de 1938 na grota do Angico, em Sergipe.
Após a morte de Lampião, o casal se entregou às autoridades
em troca da anistia prometida pelo governo Vargas, e pouco tempo depois de
serem liberados pela Justiça, seguiram perambulando a pé pelas estradas vivendo
grandes aventuras, com destino ao sul da Bahia, indo posteriormente para Minas
Gerais e por fim para a grande São Paulo, onde se estabeleceram
definitivamente.
De que forma Sila se destacou após o cangaço?
Elane Marques - Assim que chegou a São Paulo, nasceu o
quarto filho com vida do casal; entretanto, somente três estavam em sua
companhia, pois o primeiro, nascido na época de cangaço, fora entregue a
terceiros para uma melhor criação. A exemplo das outras paragens, sem dinheiro
algum, comeram o “pão que o diabo amassou” entre os paulistanos da periferia,
não somente por terem um passado de sangue, mas principalmente por serem
sertanejos nordestinos, pior ainda, por terem sido cangaceiros. Mas os dois
foram à luta: Zé Sereno fazia “biscate” aqui e acolá até que conseguiu um
emprego fixo como vigilante e faxineiro em uma escola municipal. Sila, por sua
vez, mostrava seus dotes na costura. Costurava em casas diversas ganhando
diárias ou por encomenda. Costurava na sua residência as roupas dos clientes da
redondeza.
Devido ao seu excelente desempenho, montou um atelier de
costura nos Jardins, em São Paulo e fez bicos de vendedora e enfermeira,
virando-se como podia. Durante alguns anos, trabalhou como costureira na TV
Bandeirantes, costurou roupas para as dançarinas do Chacrinha, foi camareira
das atrizes Regina Duarte e Fernanda Montenegro. Também fez figuração nas
novelas “Sapos e Beijos” e “Os Imigrantes”. Auxiliandonas filmagens da
minissérie “Lampião”, da Globo, nos anos 80, regressou ao palco de sua tragédia.
Sila começou a viajar, dar palestras e resgatar a epopeia do cangaço, que viveu
na carne.
Mas Sila era “ranhenta”, sempre queria mais. Quando
descansava, estava lendo ou escrevendo algo, aprimorando a língua portuguesa,
daí virou escritora, autora de três livros: (SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila Uma
Cangaceira de Lampião”. São Paulo: Traço Editora e Distribuidora Ltda, 1984. /
SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila, Memórias de Guerra e Paz”. Recife: Imprensa
Universitária, 1995. / SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Angicos Eu Sobrevivi”. Oficina
Cultural Mônica Buonfiglio, 1997).Pelo fato de ser conferencista em vários
eventos, congressos e afins, Nordeste afora, Sertão adentro e noutros tantos
lugares do Brasil, passou a ser mais conhecida ainda, dando entrevistas para
muitas revistas, rádios, televisões, jornais... Sila agora já era uma
celebridade, uma estrela...
Quais os principais desafios para a escrita do enredo que
compõe o livro?
Elane Marques - Os desafios e dificuldades vieram e se
foram à medida que a “colcha de retalhos” ia sendo remendada com a ajuda do meu
companheiro, do amigo escritor Paulo Gastão, do cineasta Aderbal Nogueira, do
pesquisador Geraldo Junior e dos remanescentes familiares de Sila, dentre
tantos outros pesquisadores que contribuíram para a grandeza da obra.
O que mais a marcou enquanto escrevia o enredo que compõe
“Sila, do Cangaço ao Estrelato”?
Elane Marques - Sem sombra de dúvida, o que mais me
marcou foi o falecimento de Gilaene de Souza Rodrigues, a Gila, filha de Sila,
pessoa que acolheu na totalidade os meus propósitos, que me forneceu
importantes informações, fotografias inéditas; enfim, uma santa alma que se
colocou à minha inteira disposição e que ficou radiante com minha ideia de
escrever sobre sua mãe. Uma pessoa extraordinária que também deixou marcadas as
suas considerações no meu livro em texto simples, mas direto sobre seus pais.
Uma pessoa que também viria pessoalmente para o lançamento do meu livro, mas
que infelizmente faltando apenas alguns dias para o evento partiu para o outro
mundo, quem sabe a se reencontrar com Sila e Zé Sereno.
O que mais a encanta na trama?
Elane Marques - A lição de vida que nos traza grande
Sila, provando que quando há perseverança se pode mudar da água para o vinho.
Onde podemos comprar seu livro?
Elane Marques - Nas livrarias: Leitura, no Shopping Boa
Vista, em Salvador; e Escariz, no Shopping Jardins, em Aracaju. Também por
correspondência fazendo o pedido pelo meu e-mail: marqueselane2@bol.com.br
Quais os seus principais objetivos como escritora?
Elane Marques - Satisfação pessoal em ver o meu
trabalho sendo divulgado, propalado, lido, por vezes elogiado pelo público;
enfim, deixando como parâmetro para pesquisas de futuras gerações.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom
conhecer melhor a escritora Elane Lima Marques. Agradecemos sua participação na
Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Elane Marques - Desejo que as pessoas não deixem os
livros impressos morrerem. Adquiram, leiam, continuem colecionando e engordando
suas bibliotecas. Usem seus computadores e celulares para outros fins,
esquecendo um pouco dessa história de livro virtual.
Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura
Pronunciar “Sinto muito” devolve a unidade perdida ao viajar pela tua
pele, que é o órgão mais extenso, que te conecta e te faz sensível frente às
vivências dos demais, te desapega dos resultados e te converte em
unidade.
O som “Perdão”, perdoa-me, faz eco em teu pâncreas e em teu cólon
desatando laços, liberando histórias.
E se pudesses ver o que mobiliza um “Agradeço”, Sou Grata ,
sorririas junto a todas as células do teu corpo sacudindo suas veias,
convertendo teu sangue em luz nesse ato desprendido.
“TE AMO”é o som mais curador do Universo…
Esta frase cobre teu corpo e viaja através de teus pulmões desobstruindo
tua respiração…
Percorre teus rins transmutando os medos e faz com que milhões de
células sorridentes deem energia às células tristes de teu sistema imunológico,
ou com que algumas outras que nasceram com a arte da jardinagem, semeiem relva
suave, fresca e verde ao redor das zonas mais áridas do teu corpo.
Se pudesses ver o que provocam as palavras em ti e nos demais,
começarias a observar teus pensamentos, teus silêncios, teus sons e teus ruídos
porque neste oceano de energia que somos, cada onda que emites cria ondas de
diversas cores influenciando aos demais…
Sinto muito, Perdoa-me, Agradeço, Te Amodevem ser
palavras cotidianas em nosso vocabulário.
A Ideologia de Gênero quer impor-se “na lei ou na
marra”, do mesmo modo como os movimentos sociais revolucionários querem a
Reforma Agrária a todo o custo, legal ou ilegalmente. Como ela não o consegue
pela lei, está sendo implantada “na marra”, ou seja, através de decisões dos
poderes judiciais em diversos países. Isto acontece porque os juízes não devem
satisfação à opinião pública, conforme declarou cinicamente certa vez um
magistrado brasileiro. Pela lei é mais difícil, porque os legisladores são
escolhidos por eleitores, cuja esmagadora maioria é contrária a essa absurda
ideologia.
Apesar de não haver legislação específica, juízes de vários
países ditos desenvolvidos como a Noruega, a Alemanha, os Estados Unidos etc.
já condenaram pessoas por discordarem da Ideologia de Gênero. O judiciário
brasileiro está a seguir esta mesma conduta.1
Recentemente, a psicóloga Marisa Lobo2 [foto acima] foi
condenada a pagar a exorbitante multa de 30 mil reais. Eis a notícia no site
“Conexão Política”: “Devido à postagem de um vídeo no Facebook, onde
denunciou discursos que, em sua opinião, favorecem a aceitação social da
pedofilia, ela foi processada. Perdeu e foi condenada a pagar R$30.000,00 por
‘dano moral’. O juiz do caso entendeu que a postagem de Marisa gerou
‘violência’ contra a pessoa que ela denunciava, pois os cerca de 5 mil
comentários na página da psicóloga mostravam sua indignação contra esse
discurso de que um pedófilo é ‘vítima de seus desejos’.”
“No momento, ela enfrenta três outros processos na justiça.
Dois deles por suas opiniões públicas contra a ideologia de gênero. Um deles é
de um professor da Universidade Federal da Bahia, defensor da ‘teoria queer’,
que acusa a psicóloga de ofender sua honra por ela ter se posicionado contra o
que ele defende.”3
Certa vez, o Ministro Gilmar Mendes declarou: “De vez
em quando nós somos esse tipo de Corte que proíbe a vaquejada e permite o
aborto”. Agora, tal Corte parece querer proibir qualquer pessoa afirmar que
menino nasce menino e menina nasce menina.4
As Supremas Cortes às vezes cometem supremos absurdos.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo
modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho
do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida
eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito,
para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para
condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está
condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os
homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz,
para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a
verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são
realizadas em Deus.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci
Mendes da Luz, OFM:
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Deus marca encontro com a
humanidade
“Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho
unigênito...” (Jo 3,16)
O evangelho indicado para este 4º. dom. da Quaresma nos faz
retomar o verdadeiro sentido do Mistério da Encarnação. Pode parecer estranho,
uma vez que a liturgia quaresmal nos motiva e nos prepara para viver os
mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Mas os “mistérios”
da vida de Jesus não estão separados: trata-se de um só e único “Mistério”,
qual seja, do “Deus que se humaniza” para redimir a humanidade perdida.
O que aconteceu no mistério da Encarnação é algo
surpreendente e cheio de novidade. Não só Deus ama radicalmente a sua criatura,
senão que se “abaixou” e se fez um de nós em Jesus: a carne é digna de Deus, o
mundo é digno de Deus, a Encarnação é a expressão mais profunda de que somos de
Deus. Com isso, rompe-se o medo do corpo, o medo do humano, o medo do
diferente, o medo do mundo, o medo de sentir e experimentar a condição humana,
com sua grandeza e fragilidade.
Ao se revelar Manancial e Fonte de nossa humanidade, não é
mais possível crer que o Criador seja nosso rival, mas amigo; não é possível
mais aceitar que Ele seja insensível, mas providente; que seja nossa ameaça,
mas alívio; que seja nossa diminuição, mas plenitude; Ele não é o “juiz
distante” mas o “Deus encontro”, fonte de nossa liberdade...
O relato do Evangelho de hoje nos revela a atitude de Deus
no seu encontro com o mundo, marcado por uma atitude amorosa. Em Jesus Cristo,
nos fazemos conscientes da relação que há entre todos os seres humanos e destes
com todas as demais criaturas e com o Criador. Ele não só tornou próximo um
Deus cuja essência é encontro (cerne da doutrina cristã da Trindade), mas
revelou que o caminho para a plenitude e a transformação humana consiste
“entrar no fluxo do encontro intra-trinitário”, fazendo-nos encontro e
reconstruindo as relações rompidas. Na verdade, Ele chamou o ser humano a sair
de seu mundo fechado, de seu isolamento e padrões alienados de relacionamento
para expandir-se em direção a um novo encontro com tudo o que existe; tal
encontro é o prolongamento do encontro trinitário e concretização do sonho do
Reino de Deus.
Inspirados no evangelho deste domingo, contemplemos, com o
olhar do Deus Amor, nosso mundo fragmentado, vendo as diversidades em conflito
que geram o sofrimento, a exclusão, a morte... Entrar no fluxo do “amor compassivo
e descendente de Deus” ativa também em nós uma maneira cristificada de ser e de
estar no mundo; nossa presença e nossa missão fazem do mundo em que vivemos um
lugar transparente, santo e luminoso em Deus. O “amor descendente” nos expande
e nos lança em direção ao mundo, à humanidade, nos faz mais universais e nos
capacita para sermos “contemplativos nos encontros”.
Na espiritualidade cristã, quem experimenta o encontro com o
Deus vivo e amoroso, começa a “ver” os homens e as mulheres no mundo como Deus
mesmo os vê. Precisamente por ter-se encontrado com o Deus-Amor, a pessoa
torna-se mais “encarnada” na realidade e mais comprometida com os irmãos e
irmãs no mundo, sobretudo com os mais pobres, os mais sofridos e excluídos; é
aquela que mais se compromete com a justiça e é a que mais desenvolve uma
criatividade eficaz na história, com obras que nos surpreendem.
O Tempo Quaresmal nos sensibiliza e nos capacita para nos
aproximar do nosso mundo com uma visão mais contemplativa. Como
“contemplativos nos encontros”, movidos por um olhar novo, entramos em comunhão
com a realidade tal como ela é. É olhar o mundo como “sacramento de
Deus”; um olhar gratuito e desinteressado, que nos abre a uma atitude
acolhedora de tudo que nos rodeia; um olhar que rompe distancias e alimenta
encontros instigantes.
O(a) seguidor(a) de Jesus não é aquele(a) que, por medo, se
distancia do mundo, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical paixão,
desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os
traços da velada presença do Inefável; o mundo já não é percebido como ameaça
ou como objeto de conquista, mas como dom pelo qual Deus mesmo se faz
encontrar. O mundo não é lugar da exploração e da depredação, mas é o lugar da
receptividade, da oferenda e do encontro inspirador.
Para realizar esta nobre missão, não podemos permanecer
sentados. Seguir Jesus exige de nós uma dinâmica continuada, um colocar-nos a
caminho em direção às margens. A disponibilidade, o despojamento e a mobilidade
são exigências básicas.
Corremos o risco de viver em mundos-bolha; podemos construir
nossa vida encapsulada em espaços feitos de hábito e segurança, convivendo com
pessoas semelhantes a nós e dentro de situações estáveis. É difícil romper e
sair do terreno conhecido, deixar o convencional. Tudo parece conspirar para
que nos mantenhamos dentro dos limites politicamente corretos. Todos podemos
terminar estabelecendo fronteiras vitais e sociais impermeáveis ao diferente.
Se isso acontece, acabamos tendo perspectivas pequenas, visões atrofiadas e
horizontes limitados, ignorando um mundo amplo, complexo e cheio de surpresas.
Muitas vezes “vemos” o diferente, mas só como notícia, como o olhar do
espectador que sabe das “coisas que acontecem”, mas não sente e nem se
compadece por elas.
Encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações…;
escutar outros relatos que trazem muita luz para a nossa própria vida. Olhar a
partir de um horizonte mais amplo, ajuda a relativizar nossos próprios
absolutos e deixar-nos impactar pelos valores presentes no outro. Escutar de
tal maneira que o que ouvimos penetra na nossa própria vida; isso significa
implicar-nos afetivamente, relacionar-nos com pessoas, não com etiquetas.
Acolher na nossa própria vida outras vidas; abrir espaços para que as histórias
dos excluídos e diferentes encontrem morada nas nossas entranhas, na nossa
memória e no nosso coração.
O encontro com o diferente possibilita também o encontro
consigo mesmo, ou seja, encontrar a própria verdade. Isso implica em se
perguntar pela própria identidade, por aquilo que dá sentido à própria vida, o
impulso por viver de uma maneira cristificada, conforme os valores do Reino.
Para que haja verdadeiro encontro com o outro, o
deslocamento expõe quem se desloca, deixa-o vulnerável e “contaminado” pela
realidade que encontrou. Quando alguém se desloca e se aproxima de realidades
diferentes, é para encontrar, encontrar-se e encontrar Aquele que veio iluminar
todo encontro.
Como seguidores(as) de Jesus, nosso desafio não é fugir da
realidade, mas aproximarmos dela com todos os nossos sentidos bem abertos para
olhar e contemplar, escutar e acolher, percebendo no mais profundo dela a
presença ativa do Deus que nos ama com criatividade infinita, para
encontrar-nos com Ele e trabalhar juntos por seu Reino. O mundo precisa de
místicos(as) que descubram onde está Deus criando algo novo, para proclamar
esta boa notícia.
É aqui, neste mundo, que Deus nos chama a estender o seu
Reinado, trabalhando cada dia como amigos(as) de Jesus que passam, observam,
curam, se compadecem, ajudam, transformam, multiplicam os esforços humanos.
Apaixonados por Deus, nos apaixonamos pelo mundo que, em sua diversidade,
riqueza, simplicidade, profundidade, fragilidade, sabedoria... nos fala do novo
rosto do Deus que buscamos com desvelo. E amando e investigando tudo o que é do
mundo, adoramos o Deus que habita em tudo.
Texto bíblico: Jo 3,14-21
Na oração: “Pai de bondade, para descobrir tua proposta
original, ensina-nos a contemplar o mundo inteiro com o teu próprio olhar,
respeitoso e fiel à nossa realidade”. (Benjamin Buelta)
- Evangelizar nossos sentidos, muitas vezes atrofiados e
limitados, para que eles sejam mediação cristificada e assim viver encontros
verdadeiramente humanizadores.
A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu ciclo
de conferências do mês de março de 2018, intitulado Guimarães Rosa,
escritor e diplomata, com palestra do escritor e professor Deonísio
da Silva. O tema escolhido foi O julgamento de Zé Bebelo e a Lava Jato. O
Acadêmico Carlos Nejar coordena o ciclo. O evento está programado para
terça-feira, dia 13 de março de 2018, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr.,
Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado,
Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências
de 2018.
Serão fornecidos certificados de frequência.
O ciclo terá mais duas palestras, às terças-feiras, no mesmo
local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas,
respectivamente: dia 20, Acadêmico João Almino, Guimarães Rosa, do sertão
às fronteiras; e 27, Benito Ribeiro, Rios e Riobaldos.
“O propósito desta breve intervenção, adiantou Deonísio
da Silva, é apontar um caminho porventura insólito para outra leitura do trecho
do julgamento do personagem Bebelo, episódio marcante de Grande Sertão:
Veredas, de João Guimarães Rosa”.
De acordo com o conferencista, “o julgamento do personagem
Zé Bebelo será lido de forma a trazer a luz diáfana da literatura para o ato de
julgar. Todos os que leram a obra de Guimarães Rosa sabem o desfecho do
julgamento do personagem que, derrotado, com as mãos amarradas atrás, faz a
própria defesa em meio a jagunços divididos entre matar e perdoar. Mas,
autorizado por Joca Ramiro, o chefe máximo dos jagunços, que preside o
julgamento, solicita que, para falar, lhe sejam desatadas as mãos e que as
acusações sejam feitas de outro modo: “Rompo embargos! Porque acusação tem de
ser em sensatas palavras – não é com afrontas e insultos”.”
E conclui sua breve explicação: “A referência à operação
designada por “Lava Jato” pela Polícia Federal pareceu oportuna pela presença
de figuras referenciais de qualquer julgamento: o réu, a acusação, a defesa, o
juiz – e por estar ubíqua e diuturnamente em todos os lares, por todos os
meios”.
O CONFERENCISTA
Escritor e professor universitário, Deonísio da
Silva é doutor em Letras pela USP, autor de nove romances, vinte livros de
narrativas curtas e seis livros de ensaios.
De seus romances, Avante, soldados: para trás (publicado
também em Portugal, Cuba, Itália etc.) recebeu o Prêmio Internacional Casa de
las Américas, e Teresa D´Ávila foi levado ao teatro e premiado pela
Biblioteca Nacional. O mais recente é Lotte & Zweig, ambientado nos
anos 40, tendo como personagem solar o escritor judeu-austríaco Stefan Zweig.
(Já publicado também na Itália).
Professor aposentado da UFSCar, Deonísio da Silva foi
vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, da qual continua como Professor
Titular Visitante e Diretor do Instituto da Palavra, organismo que fundou ao
transferir-se para o Rio, em 2003.
Vice-presidente da Academia Brasileira de Filologia, Deonísio
da Silva assina colunas semanais de Língua Portuguesa na mídia impressa há
mais de vinte anos, de que é exemplo a de Etimologia na revista Caras,
mantendo, desde 2011, o programa “Sem Papas na Língua”, na rádio Bandnews
Fluminense, na companhia do jornalista Ricardo Boechat, cujo conteúdo é baseado
num de seus livros mais vendidos, intitulado De onde vêm as palavras.