Total de visualizações de página

sábado, 10 de junho de 2017

10 DE JUNHO - DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Dia da Língua Portuguesa


O Dia da Língua Portuguesa é comemorado no dia 10 de junho, dia em que a morte de Luiz Vaz de Camões é lembrada. Autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”, Luis de Camões é considerado um dos maiores poetas da história lusitana.

A língua portuguesa é nosso patrimônio comum, além de ser a matéria-prima para nossa literatura e poesia, por isso a importância da comemoração da data. Vale lembrar, que o idioma tem sua origem no latim vulgar – o latim falado, que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao sudoeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.

Atualmente, segundo dados da ONU, pelo menos 235 milhões de pessoas têm o português como primeira língua, em oito países que vão das Américas à Ásia. Mais de 80% desses falantes são brasileiros. Entretanto, muitos falantes do português vivem fora dos países lusófonos em nações da Europa e nos Estados Unidos. Não oficialmente, o português é falado por uma pequena parte da população em Macau, no estado de Goa, na Índia, e na Oceania.

A língua portuguesa é a quinta língua mais falada do planeta e a terceira mais falada entre as línguas ocidentais, ficando atrás somente do inglês e do castelhano. Por toda a importância dada à  língua portuguesa, seu ensino agora é bastante valorizado nos países que compõem o Mercosul, e é a língua oficial em diversos países como: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe e, ainda, Timor-Leste após sua independência.




=======


Língua portuguesa
Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


 (POESIAS), Livraria Francisco Alves - Rio de Janeiro, 1964, pág. 262.

* * *

O MALANDRO E O DELEGADO – Antonio Hygino

O malandro e o delegado


Após assumir sua nova comarca, o magistrado foi convidado pelas autoridades locais para almoçar em um hotel. De início pensou em declinar do convite, pois, a seu juízo, não ficava bem aparecer em público acompanhado de pessoas até então desconhecidas e comprometer, de certo modo, sua autoridade. Eram, em sua maioria, políticos.

Foi dissuadido pelo Pároco local. E lá se foi a comitiva. Chegando ao hotel foi calorosamente recepcionado pelo Gerente e funcionários do estabelecimento. Entre uma conversa e outra, um drink e outro, percebeu a simplicidade daquelas pessoas, daquela gente humilde. Servidos foram frutos do mar e pratos exóticos. Ao se servir, observou do outro lado o Presidente da Câmara colocando em seu prato um pouco de tudo (moqueca de peixe, carne, camarão, feijão, arroz, salada) que se avolumava à medida que ia se servindo. A certa altura já se encontrava ele na parte da sobremesa. Quando ia colocar um pouco de farinha sobre o macarrão, o gerente dele se aproximou e disse-lhe discretamente: Presidente, é açúcar! Ao que ele respondeu disfarçando: lá em casa eu só como macarrão com açúcar! O juiz fingiu nada ter presenciado. Depois do almoço, a comitiva retornou. O tempo foi passando e novas pessoas foram conhecendo. Ficou familiarizado com os jurisdicionados, sem perder a sua autoridade. Era muito respeitado. Certa feita, o Delegado de Polícia o convidou para almoçar em um restaurante pitoresco da cidade. Lá foi apresentado a “Capado”, o proprietário do estabelecimento. Era uma figura engraçadíssima.

O Delegado, apesar de boa gente, era cismado. Para se ter uma ideia, cismava até da própria sombra. E “Capado” sabia disso. Num dia de sábado, o delegado comprou um cambiasse de cerca de 8 quilos e levou o bicho para “Capado” fazer uma moqueca que seria servida, no dia seguinte, aos seus convidados. Na manhã de domingo, o juiz antes de viajar para cidade vizinha onde iria almoçar com seus pais, resolveu passar no quiosque de “Capado”. Lá chegando, viu alguns tururins assando, ardendo na brasa e um cheiro gostoso se espalhava pelo ar. Pediu-lhe que lhe fosse servido um pouco para experimentar da iguaria. “Capado”, então, virou-se e disse: “Dotô, não compre a carne, porque eu fiz uma moqueca de peixe para o sinhô almoçar com seus pais”. O juiz aceitou o presente e seguiu viagem. Afinal, não podia fazer uma desfeita ao amigo diante de tamanha gentileza. 

Mais tarde, chega o Delegado e seus convidados. Uns dez. Todos sedentos e famintos. Passaram a comer churrasco, regado a cerveja e outros aperitivos.

Lá para às tantas, felizes e alcoolizados, o Delegado pediu a “Capado” para servir a esperada moqueca, ao que “Capado”, malandramente, respondeu: “olha, o juiz esteve aqui e disse que cambriassú é peixe de autoridade e que ia levá-la, e assim o fez. Não podia fazer nada”... E rematou: “ele é quem manda, não é?”. 

O delegado ficou embrabecido. O ocorrido se espalhou pela cidade. Houve resenhas e deboches que irritavam o delegado cada vez mais. Queria prender qualquer pessoa que comentasse o assunto, inclusive a “Capado”. 

“Capado” para se livrar das garras do Delegado procurou o juiz e lhe contou a verdade. O Juiz sorriu e em seguida chamou o Delegado. Esclarecida a pegadinha, deram o assunto por encerrado.


Antônio Carlos de Souza Hygino
Juiz de Direito titular da 5ª Vara Cível da Comarca de Itabuna – Bahia.


* * *

JAQUEIRAS - Ritinha Dantas


Jaqueiras


             Ninguém podia pensar que naquele quintal  houvesse tantas jaqueiras, principalmente aquele tipo de jaqueira. Elas pareciam nascidas todas gêmeas, erguendo-se do solo com troncos finos e paralelos que pareciam estacas onde se tivessem incrustado folhagem no topo. Gostávamos delas principalmente pelas histórias que Vó contava sobre as aventuras vividas lá.

            As jacas compridas cresciam pelo tronco afora e muitas vezes nos impediam de escorregar, pernas abertas, pés separados, cada um em um tronco diferente, sentindo então uma dominação alucinante do espaço natural. Velhas jaqueiras tão rijas a suportarem o peso ingênuo das crianças nas suas brincadeiras! Os mais afoitos subiam tão depressa que por vezes rompiam as calças sob um riso geral.

            Vó nesses momentos era apenas olhar. Vibrava com nós todos, mas, impedida, apenas relembrava velhos tempos de liberdade infernal.

            Às vezes conseguia arrastar-se até debaixo das árvores amigas e com seu cachimbo parecia que ali iria recriar alguma lenda, iria trazer para nós os seus duendes e caiporas.

            Vó sempre falava das jaqueiras com uma saudade dolorida e aprendemos logo cedo a diferenciá-las nos quintais. Quase que podíamos contar as suas folhas e os seus frutos com que intimamente convivíamos. E bago mais doce não havia por aquelas bandas!

            Vó, jaqueira só, tão rija e tão querida naqueles quintais...


(“Bença, Vó!”)

RITINHA DANTAS

----------------


RITINHA DANTAS – Licenciada em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Ensinou na Universidade de Brasília. “Curriculum Implementation in the “First Grade”: a case study from Bahia” é a sua tese defendida no Instituto de Educação da Universidade de Londres como requisito para a concessão do título de Mestre em Filosofia – área de Educação.Nasceu em Itabuna a 14 de maio de 1939. Autora de “Bença Vó”, relatos de oitiva e de vida, que foram vivenciados pela autora em torno da avó Zefa. Pequeno e comovente livro que se inscreve, de maneira significativa, na memória lírica da região cacaueira da Bahia. Emoção e prosa ágil na linguagem simples são elementos presentes no texto. Densidade poética emerge dos capítulos breves, sugere um teor literário rico, alcança vibrações líricas na narrativa que transmite emoções, verdades e sentimentos. Bons momentos dessa narrativa podem ser destacados nos capítulos “Bordando Vó”, “Zombando até o Fim” e “Bença, Vó”, este último fecha o livro em tons oníricos com impressionante calor de vida.


Da coletânea ITABUNA, CHÃO DE MINHAS RAÍZES de Cyro de Mattos

* * *

AFRONTA E INDIGNAÇÃO - Ana Maria Machado


Afronta e indignação


Estamos perplexos, chocados, estarrecidos diante de tanta desfaçatez. Um acinte, uma afronta ao cidadão. Faltam palavras para descrever como nos sentimos.

Indignação, raiva, vergonha, desalento, tristeza, nojo, descrença. Também faltam palavras para dar conta do nosso estado de espírito. Não dá para passar por cima dos horrores acumulados. Nem minimizar ou relevar coisa alguma. Já chega estarmos sendo forçados a mudar de assunto e tirar o foco de Odebrecht, OAS, Bumlai, Guarujá, Atibaia, e da expectativa do que diria Palocci, como se tudo isso tivesse deixado de existir de uma hora para outra.

Essa gente está querendo demais.

Estão há um tempão querendo que acreditemos que presidentes e seus cúmplices são honestos, não sabem de nada — e mesmo com essa incapacidade e incompetência, estão aptos a governar. Também seus auxiliares e apoiadores em todos os níveis. E mais seus opositores e adversários, como se constata nesse pântano onde estão todos atolados e com cujo fedor nos estão obrigando a conviver.

Esperam que aceitemos que não há nada de reprovável em que um presidente receba favores de empresários, com os mais variados pretextos, e em troca esses “amigos” tenham privilégios especiais.

Esperam que possamos engolir que não há nada condenável em receber dinheiro, a qualquer pretexto, com cuidados para não declarar nem pagar imposto. Até em espécie, em malas e mochilas cheias. Ou travestidos de tríplex, sítios, terrenos, guarda de bens, joias, obras de arte. E ainda querem nos empurrar goela abaixo a noção de que não faz mal algum obsequiar altas figuras da República para conseguir se isentar das leis que valem para todos os outros.

Esperam que, quando isso vem à tona subitamente, aproveitemos para tirar do cargo o bandido da vez, afastar o possível bandido de amanhã e nos deixemos manipular para lá recolocar o bandido de ontem ou anteontem, fingindo que a manobra para lhe garantir impunidade é um ato patriótico para salvar o país.

Esperam distrair a pátria mãe com discursos veementes, slogans e firulas de todo tipo, para que, mais uma vez, as tenebrosas transações possam continuar a nos subtrair sob qualquer forma.

Esperam que desviemos o olhar ou fiquemos cegos às variadas tentativas de criar obstáculos para obstruir a Justiça, atrapalhar investigações, fazer sangrar a Lava-Jato, desmoralizar o Ministério Público.

Os exemplos vêm a público diante de um país estupefato. Não dá para esquecer. Já ouvimos as manobras mais escandalosas, na própria voz dos envolvidos. A começar pela nomeação de Lula por Dilma para a Casa Civil, publicada em edição especial do Diário Oficial na madrugada, com termo de posse sem assinatura levado em mãos pelo “Bessias” para ficar como salvo-conduto e lhe garantir foro privilegiado. Em seguida, veio a revelação captada no áudio feito pelo filho de Nestor Cerveró — em que Delcídio transmitia a preocupação de Lula com eventual colaboração e incluía oferta de fuga em jatinho. Ouvimos ainda, com riqueza de detalhes, as conversas gravadas por Sérgio Machado dando conta do complô de parlamentares de alto coturno para deter a investigação. Acompanhamos diferentes tentativas no Congresso para driblar a legislação — como anistia a caixa 2, ou projetos até eventualmente necessários, mas inoportunos, contra abuso de autoridade, abrangentes a ponto de pretender criminalizar juiz que interprete a lei. E chegamos agora às fanfarronices e confissões do Joesley Safadão, gabando-se de controlar juízes e infiltrar procurador — ouvidas sem reação pelo presidente da República, da boca de alguém que o procurara conforme combinado, no porão, na calada da noite, com o cuidado de não deixar rastros, sob nome falso e sem ser revistado.

Meninos, ouvimos!

Esperam também que a nação, estupefata, faça como eles e se disponha a ignorar as leis que nos regem. Apostam na escalada de violência e confronto, como se a depredação fosse um direito democrático irreprimível. Fala-se em PEC para mudar rapidinho a Constituição e permitir diretas-já sem levar em conta que, para evitar casuísmo, a Carta Magna impõe, em seu artigo 16: “A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após sua promulgação”.

E mais: advogados isentos têm opinado que a Lei 12.850/13, que possibilita colaborações premiadas, limita sua aplicação no caso de quem chefie a organização criminosa. Portanto, não admitiria que para pegar os líderes políticos se passasse uma borracha prévia tão radical em líderes criminosos, como a que permitiu que os irmãos Batista se mudem incólumes para os EUA, a gastar o nosso dinheiro, obtido graças a favores especiais do BNDES e outras fontes públicas. Ainda mais agora, depois de especularem com os efeitos de sua delação sobre ações e câmbio. Leves e soltos. Fica no ar a irreverente pergunta de um motorista de táxi carioca, a encarnar com expressividade a reação do comum dos mortais:

— E no tornozelinho? Nada?

O Globo, 27/05/2017




Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

* * *

sexta-feira, 9 de junho de 2017

JUNHO - MÊS DE MACHADO DE ASSIS (III)

1.º de Junho de 1863


O Jornal de Recife deu-nos duas notícias importantes, com a diferença de alegrar-nos  a primeira tanto quanto nos contrista a segunda; refiro-me às melhorias de saúde de Gonçalves Dias e a morte de J. F. Lisboa, verdadeira a última ou não passa de deplorável engano? É lícito duvidar da exatidão dela, e, sem ofensa a folha pernambucana, deve-se esperar uma confirmação mais positiva.

Não é que o fato seja impossível; mas o silêncio da imprensa portuguesa a respeito, silêncio impossível, a ter-se dado o caso, abre lugar à dúvida. Mau era se a indiferença de um país amigo e irmão fosse a única elegia que tivesse na morte um homem tão ilustre como o autor do Jornal de Timon.

Pelo que respeita a Gonçalves Dias, a mesma folha se refere a uma carta do poeta. Os seus sofrimentos não desapareceram de todo, nem deixam de ser grandes; mas o ilustre poeta está fora de perigo. Escreve de Dresde, e ia partir para Carlsbad, a fim de tomar banhos minerais. A esta notícia acrescenta que tem em mãos vários trabalhos literários que pretende mandar imprimir em Leipzig.

Doente embora, o grande cantor nacional emprega a sua atividade em encher de novas joias o seu já tão farto escrínio literário. Belo exemplo esse à mocidade de hoje, a quem pertence o futuro do país. É deste modo que o talento é sacerdócio.

Que importa o labor de uma longa semana? Há, para muito descanso, o domingo da imortalidade.

Falando dos moços e indicando-lhes tal exemplo, devo mencionar, entre outros nomes, o do Sr. Bruno Seabra, mavioso poeta paraense, a quem já os leitores conhecem sem dúvida por suas delicadas composições. Acaba ele de chegar da Europa para onde partira há oito ou nove meses.
Demorou-se em Paris a maior parte do tempo, aplicando como melhor pôde, a sua aptidão e o seu desejo de saber.
Entre outras composições, trouxe já, impressa uma comédia em um ato, que intitulou: Por direito de Patchouly. O título indica o assunto: é a vitória do néscio cheiroso na luta com o homem chão e sisudo, coisa que se vê todos os dias, mas que o poeta reduziu a um ato chistoso, fácil, epigramático, original. Tem Bruno Seabra boas qualidades para o gênero, e a sua estreia, se alguma coisa tem de menos, apresenta já, uma boa amostra do que ele pode fazer se não parar neste primeiro trabalho. Estou certo de que o autor das Flores e Frutos corresponderá à justiça que lhe faço, e trabalhará como lhe cumpre na medida do seu belo talento.

Em São Paulo publicou o Sr. Luiz Ramos Figueira, bacharel e estudante do 4.º ano de Direito, um volume a que deu por título Dalmo ou os Mistérios da noite.

Em boa justiça devem-se louvores ao Sr. Figueira. Se a sua obra acusa descuidos, revela qualidade de imaginação e de apreciação; há nela muitas belezas derramadas por muitas páginas. Uma boa crítica não pode deixar de acolher a obra do Sr. Figueira como um presente que promete outros muitos, e a isso fica virtualmente emprazado o leitor.

Pertence o Sr. Figueira à mocidade acadêmica de São Paulo, onde os moços sabem entremear os estudos jurídicos com os literários, e não esquecem a vocação do berço pelo labor do curso acadêmico.

E já que estou no capítulo dos moços, falarei de um, verdadeira criança, não tanto pelos anos, como pela ingenuidade do coração e do espírito. É nada menos que um poeta. Se lhe falta a beleza da forma, sobra-lhe o sentimento da poesia, que é o essencial e o que não se adquire.

Quem pode alcançar dinheiro de um usurário? Este é um usurário das musas, e para alcançar os versos que abaixo transcrevo, foi-me preciso surpresa. Ainda assim custou-me convencê-lo depois de que devia publicá-los. Consentiu sob condição de lhe não publicar o nome. Anuí. Os versos não são originais; são traduzidos de um poeta da Rumania. Não são perfeitos, mas são agradáveis de ler:

Sincero amor tu me juraste um dia
Até que a morte te deitasse o véu;
Tudo passou, tudo esqueceste, tudo,
Coisas do mundo, o erro não é teu.

“Ó meu amado, me disseste, eu quero,
Eu quero dar-te meu quinhão do céu!”
Dessas promessas olvidaste todas.
Coisas do tempo, o erro não é teu!

Sabes que pranto derramei no dia
Em que juraste o teu amor ao meu;
Morri por ti, tu me esqueceste, embora,
Coisas do sexo, o erro não é teu.

Mudo abracei-te; teu ardente lábio
Celeste orvalho sobre mim verteu;
Veio depois a gota de veneno...
Coisas do sexo, o erro não é teu.

Tudo, a virtude, o amor, a fé, a honra,
Tudo o que prometias, te esqueceu;
Ah! nem remorsos nem amor conheces.
Coisas do sexo, o erro não é teu!

A lei do ouro e da banal vaidade
Dessa tua alma fé e amor varreu;
Curaste a chaga, amorteceste a sede,
Coisas do sexo, o erro não é teu.

Pesar de tudo, o coração amante
Há de bater de amor no peito meu
Ao pressentir-te. Ficas sempre um anjo...
Coisas do amor, o erro não é teu!

O meu poeta procurou conservar a mais estrita fidelidade. Não vi o original e não pude comparar; mas há expressões, que ele próprio indica, e que são verdadeiras belezas do original; aquele verso Curaste a chaga, amorteceste a sede é uma delas.

Parece-me a poesia graciosa, e como tal a ofereço aos leitores.
O meu poeta, esse, encerrado na sua torre de marfim, adormece e procura esquecer-se, poetando para si. Não louvo nem condeno a reclusão voluntária; admiro e lastimo.

Para concluir estas linhas, lançadas ao papel em uma época de verdadeiro fastio para mim, menciono o fato que há muito se não repete de uma reunião, tanto ou quanto numerosa, de artistas nesta Corte. Veio do sul Arthur Napoleão; de Lisboa, o Sr. Croner, clarinete, que teve em Londres o sucesso mais lisonjeiro que pode ter um artista, o da consagração entusiástica da crítica refletida e competente.

Acrescentem-se a esses — outros, filhos do país ou estrangeiros aqui residentes e cujos nomes todos sabem. Se há ocasião para concertos é esta. Se cada um deles der a sua festa artística pode haver muitas e relativamente esplêndidas. No Lírico o barítono Celestino e o soprano Briol são aplaudidos pelos diletantes, e nomeadamente no Rigoletto, onde agradaram. Acrescente-se ainda que esta, a chegar uma companhia de ópera cômica francesa e terá se completado assim o capítulo da música. E eu termino este pedindo escusa da minha avidez.

Post-scriptum.
Já estava composta a crônica quando recebi uma notícia que me confirma nas esperanças de uma boa estação musical. Arthur Napoleão oficiou a comissão da subscrição nacional oferecendo os seus serviços em favor dos fins para que ela se organizou. Naturalmente a oferta será aceita. É inútil repetir o que em todos desperta este ato cavalheiresco do distinto pianista.

Machado de Assis
 -----------
Texto-fonte:
Obra Completa de Machado de Assis.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol. III, 1994.

Publicado originalmente na Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, de 05/04/1888 a 29/08/1889.

* * *

quinta-feira, 8 de junho de 2017

ABL CONFERÊNCIA: "NOBREZAS E PRINCIPAIS DA TERRA: A DINÂMICA DAS ELITES COLONIAIS"

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Historiador Ronald Raminelli faz na ABL a segunda palestra do ciclo de conferências “Capítulos de história colonial”, sob coordenação do Acadêmico Evaldo Cabral de Mello


A moderação é do Acadêmico e jornalista Zuenir Ventura. O tema da palestra será Nobrezas e principais da terra: a dinâmica das elites coloniais, com transmissão direta pelo portal da ABL.

O professor, historiador e cientista Ronald Raminelli faz, na Academia Brasileira de Letras, a segunda palestra do ciclo de conferências do mês de junho de 2017, intitulado Capítulos de História Colonial. A coordenação será do Acadêmico e historiador Evaldo Cabral de Mello, e a moderação, do Acadêmico e jornalista Zuenir Ventura. O tema escolhido foi Nobrezas e principais da terra: a dinâmica das elites coloniais.

Serão fornecidos certificados de frequência.

De acordo com Ronald Raminelli, a palestra será, em resumo, um estudo sobre as classificações e hierarquias da nobreza na América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII:

Acadêmico Evaldo Cabral de Mello convida para o ciclo "Capítulos de História Colonial"

“Em princípio, diferencia-se a fidalguia da nobreza civil, os primeiros alçados à nobreza pelo sangue, e os demais por provimento régio. No ultramar, a nobreza criada pela monarquia era mais importante do que a herdada pela linhagem. Estão aí incluídos os cavaleiros das Ordens Militares, os foros de fidalgo e os homens bons das câmaras.
Na América, uma terceira categoria deve ser incluída, os ‘principais da terra’ ou ‘nobreza da terra’, os potentados locais, senhores de terras e escravos e detentores de altas patentes militares nas tropas auxiliares e nas ordenanças.
Vale mencionar, ainda, as justificações de nobreza e os brasões de armas pleiteados, sobretudo por militares que não tinham a sua nobreza respaldada pela linhagem”, adiantou o conferencista.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências deste ano.

Capítulos da História Colonial terá mais duas palestras, às terças-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 20, Luciano Figueiredo, As revoltas e resistências antifiscais no Brasil colônia; e 27, Heloisa Starling, Republicanismo no Brasil colonial.

Saiba mais:

Ronald Raminelli é professor titular em História Moderna do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense e de doutor pelo Departamento de História da USP (1994). Fez estágios na Ibero-Amerikanisches, de Berlim (1995-1996); na L'École des hautes études en sciences sociales (EHESS), de Paris (2002-2004); e Unicamp  (2011-2013). Pesquisador do CNPq, produtividade em Pesquisa 1B, e da Faperj – Cientista do Nosso Estado.

Autor de 5 livros, 46 artigos de periódico e 29 capítulos de livro, publicados no Brasil, Portugal, Espanha, Estado Unidos, França, Argentina e Colômbia. Destaque para os livros: Imagens da Colonização (1996), Viagens Ultramarinas (2008) e Nobrezas do Novo Mundo (2015). Atualmente estuda os conflitos e abusos de jurisdição entre os donatários da Casa Asseca e os oficiais régios.
   
07/06/2017



* * *

JANTAR DIA DOS NAMORADOS NA AABB ITABUNA

Namorados têjantar especial 12 de junho na AABB



Segunda, 12, a partir das 19h00, a AABB Itabuna oferece um jantar para casais, sócios e não sócios. É o 2º Jantar dos Namorados no Salão Social do clube, com música nacional e internacional ao vivo. O ingresso para casal é de R$ 100,00 para sócios e R$ 120,00 para não sócios, incluindo cardápio completo e estacionamento privativo.

As atrações musicais serão a cantora portuguesa Dani Carrapeiro e o cantor e instrumentista Memé Santana. E as atrações culinárias serão pratos à base de carne, ave e peixe, com entradas e sobremesas (pudim e tortas) já incluídas no preço.

A AABB Itabuna possui restaurante e bar administrados pelo próprio clube, com equipe de cozinha fixa e uma equipe de garçons capacitados para bem servir. Seu espaço é amplo, arejado, confortável e oferece toda segurança para fazer do 12 de junho, mais do que um dia, uma noite inesquecível para os namorados.

Os ingressos já estão disponíveis na secretaria do clube. A AABB fica na Rua Espanha s/n, travessa da Av. Europa Unida, no São Judas, Itabuna/BA. Os telefones do clube são (73) 3211-4843/2771 (Oi fixo).

 Fotos: Dani Carrapeiro e Memé Santana no Dia dos Namorados da AABB.


 Contato – Rodrigo Dantas Xavier: (73) 9.8853-4607 (Oi) / (73) 9.9147-7188 (Tim)


Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 9.9133-4523 (Tim) / (73) 9.8877-7701 (Oi)

* * *