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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O MARAVILHOSO AGORA - João de Paula

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O Maravilhoso Agora


Nós não somos os mesmos de ontem, nem mesmo o que fomos desde há 15 minutos. O mundo de ontem não é o mesmo de agora. Viva o hoje. Viva uma vida feliz.
Nada melhor do que ficar ao lado de quem amamos e gostamos.
Nada melhor do que telefonar para quem admiramos e consideramos em nossa amizade, para agradecer e felicitar pela vida, pelas pessoas maravilhosas que são.
Homenagear alguém e oferecer flores, palavras amáveis, porque os elogios sinceros vogam muito mais. A beleza e a boa ação despertam gratidão, porque toda beleza vem de Deus.
O maravilhoso agora é possível, com gente sorrindo, gente feliz, gente que vive em nível elevado de satisfação, gratidão, realização e bem-estar. A boa saúde é fundamental em todos os sentidos, além do conhecimento das culturas espiritualista e materialista.
Ofereça um livro, uma joia, faça sua oferta generosa;
Ofereça sua ajuda, sua doação, sua participação;
Sua boa ação, seu servir, sua presença amiga;
Sua presença, sua amizade, seu amor e atenção;
Seu amor, o amor amplo, amor que vem dos céus;
Sua atenção, sua dedicação, sua ajuda;
Amizade, sinceridade, fidelidade;
Ofereça seu apoio, apoio incondicional... Apoio sem interesses egoístas;
Faça o melhor, com zelo, com sentimentos nobres e que possam gerar felicidade através de suas atitudes e ações.
Faça o que for possível para chegar ao fim do dia muito feliz, com a consciência tranquila de que fez o seu melhor, sua força, sua torcida, sua participação sincera e espontânea no dia de hoje.
A felicidade e o amor devem fazer parte do maravilhoso agora e cada um de nós deve chegar ao final do dia: bem mais feliz por não ter omitido o bem, por ter sido um bom exemplo, por ter sido amigo, amado filho de Deus na campanha amar teu próximo.
Estamos vivos com boa saúde, boa amizade, bom conhecimento, bom relacionamento, com uma boa estabilidade, com uma boa visão e toda razão de ser feliz; e de fazer as outras pessoas felizes, neste maravilhoso agora, por um mundo bem melhor.
Faça afirmações positivas para um viver feliz agora.
Faça agora o que pode ser feito para sua realização pessoal e de bem-estar junto aos seus familiares; junto aos seus amigos; junto as suas amigas; junto a sociedade organizada; junto a igreja; junto ao grupo de ação comunitária ou mais.
Insista, persista e não desista, porque um dia sua sorte chegará. Boa Sorte...
O maravilhoso agora é o momento para saltar de felicidade, fazer o que tem vontade de fazer: ler, orar, brincar, viajar, presentear, correr, amar, namorar, sorrir, gargalhar, pintar, bordar, escrever, telefonar, viver a dois a beleza do sol, a beleza do dia, a beleza da natureza, a beleza das aves e dos animais, rios e florestas, além de contemplar os céus. Viver a beleza da arte de elevado nível.
Faça do agora o ponto ideal para recomeçar uma vida nova, um ano novo  com novas perspectivas de vida e de uma rotina renovada, para que o bem, a bondade, a cortesia e a generosidade, o amor amplo, a humildade e a tolerância sejam exemplos de uma vida que se liga a Deus.
Que Deus?
O Superior Racional.
É tempo de ser feliz!
O maravilhoso agora é para sorrir, colocar os pés no chão, é para somar o que é bom e belo, é para falar de amor e esperança, é para edificar uma nova historia de vida, com irmandade e fraternidade, com homens livres e de bons costumes.
Vamos praticar mais a caridade e o amor.
O maravilhoso agora é para meditar, refletir, elevar o nível de sentimentos bons e positivos, para ajudar o mundo a ser bem melhor para todos nós. É tempo de luz! É tempo de corrigir os erros, ter os pés no chão e o olhar voltado para o futuro.
É para dizer sim para o amor à vida.
E para dizer não a doença, a pobreza e ao conflito.
É para viver
Para amar e ser amado de todos nós e por Deus.
Para ser bem sucedido, no amor e na pratica do Bem.
Ser grato... Grato a tudo que nos reanima e nos tornam felizes.
Ser útil... Útil a Deus, útil aos nossos amigos e conhecidos.
Doar... Doar o que não vai fazer falta ao nosso coração e a mente.
Crescer... Crescer e evoluir rumo à paz, à saúde, à prosperidade e ao paraíso.
O maravilhoso agora é...
Ficar ao lado das coisas que amamos, que gostamos, que admiramos e que nos tornam de bem com a vida em seus momentos gozosos e gloriosos.
É nesta bendita hora, nesta hora feliz, que devemos viver e vivenciar o maravilhoso agora. Porque amanhã, será um novo dia. E o que importa é o hoje, o agora, em que rimos e somos felizes, em que somos corteses, maravilhosos e bondosos,
Nesta bendita hora sejamos bem vindos e benquistos, generosos e amáveis, na edificação de templos as virtudes, porque o bem deve prevalecer sempre ao lado do amor.
O maravilhoso agora é quando somos bem vindos e benquistos, seja qual for a ocasião, onde estamos, com o que somos, com o que temos pouco ou muito, com a presença da bondade, cortesia, generosidade, sinceridade, verdade, louvores e orações, com os bons tratos e a simplicidade de um coração feliz do tamanho do coração de Deus!

João Batista de Paula- Escritor e Jornalista


SEM ELE EU NÃO VIVO! - Antonio Nunes de Souza

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Sem ele eu não vivo!

Nunca imaginei em minha vida, algum dia ter que dizer essa frase: SEM ELE EU NÃO VIVO! Principalmente, por tratar-se de “masculino”, e eu nunca tive tais preferências em minha vida, muito embora respeito, e muito, as preferências de todos nessa vertente de gêneros!
É bom que eu diga logo a que estou me referendo, pois, com a curiosidade peculiar dos leitores, devem estar fazendo milhares de deduções, muitas até escabrosas. Estou referindo-me ao meu pequenino e eficiente telefone celular que, acompanhando-me por todos os lugares que vou, deixa-me tranquilo em saber que em qualquer necessidade, serei localizado imediatamente, para tomar as providências que forem devidas!
Infelizmente, nossas provedoras são chatas, desagradáveis e persistentes, sempre estão nos enviando umas mensagens tolas oferecendo milhares de vantagens, ou benefícios, contanto que aceitemos pagar mais uns reais mensalmente. Essa parte é, sem dúvida, intolerável! Sinceramente, não fosse essa parte chata, ele seria um sonho de equipamento, ainda mais que, com as tecnologias se aprimorando diariamente, os celulares se tornaram verdadeiros mini computadores que, se você não for esperto, não saberá nem usar os seus ricos recursos!
A verdade é que ele é, realmente, indispensável na vida moderna, já fazendo parte integrante de nosso corpo, ou vestuário. Para você poder dizer que já está pronto para sair, tem que estar com seu celular no bolso, ou na bolsa, inclusive com bateria carregada e com créditos!
Pela variação de preços, dependendo dos exageros das suas funções, passou, lamentavelmente, a ser um grande alvo preferencial dos ladrões que, cinicamente dizem em represália: “Com eles é que vivemos numa boa”!

Antonio Nunes de Souza, escritor

Membro da Academia Grapiúna de Letras–AGRAL  

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ENTENDO O POVÃO, MAS É DIFÍCIL EXPLICAR A ATITUDE DOS INTELECTUAIS DE ESQUERDA - Ferreira Gullar

Entendo o povão, mas é difícil explicar a atitude dos intelectuais de esquerda
Cada dia que passa me convenço mais de que, sobretudo quando se trata de política, as pessoas, em geral, têm dificuldade de aceitar a realidade se ela contraria suas convicções.
Recentemente, durante um almoço, ouvi, perplexo, afirmações destituídas de qualquer vínculo efetivo com a realidade dos fatos. Minha perplexidade foi crescendo tanto que, após tentar mostrar o despropósito do que afirmavam, fingi que necessitava ir ao banheiro e não voltei mais ao tal papo furado.
Não resta dúvida de que, até certo ponto, essa dificuldade de aceitar a realidade decorre do momento que estamos vivendo, tanto no Brasil como no mundo em geral.
Tem-se a impressão de que atravessamos um período de mudanças radicais quando os valores, sejam ideológicos, econômicos ou éticos, entram em crise.
Isso parece ter a ver tanto com as utopias quanto com a implantação de novos meios de comunicação. Estes tornaram o mundo menor ou, dizendo de outro modo, é como se todos os povos, nos diversos pontos do planeta, vivessem uma mesma atualidade. Sabemos, a todo instante, de tudo o que ocorre em qualquer região, em qualquer país, em qualquer cidade do planeta.
No caso de nós, brasileiros, acresce o fato de que chegamos ao fim de uma fase que culminou no afastamento da presidente da República e na implantação de um governo interino, agora permanente. Acresce o fato de que o governo que findou era a expressão de um regime populista, caracterizado por um ideologismo demagógico, apoiado no setor pobre e carente da população. Na verdade, versão primária de um regime dito de esquerda em aliança com o capitalismo corrupto, que ele fingia combater.
Pois bem: que o povão desinformado se deixe levar pelas benesses recebidas é compreensível. Difícil de explicar, porém, é a atitude de intelectuais de esquerda que aceitam a burla como verdade.
E era isso que transparecia na tal conversa do encontro a que me referi no começo desta crônica. Uma das pessoas presentes, dizendo-se contra Dilma Rousseff, tampouco admitia o governo Michel Temer. Quando a lembrei que o governo de Temer tinha apenas um mês de existência e que herdara do anterior uma situação crítica com mais de 11 milhões de desempregados, ela respondeu: "Na cidadezinha onde moro não há desemprego. Duvido muito desses números".
Lembrei-a que aqueles eram dados do IBGE, divulgados havia três meses, quando ainda era Dilma quem presidia o país, ela respondeu: "E o IBGE não podia estar infiltrado por adversários do governo?"
É que essa senhora se diz de esquerda e, embora não possa negar o estado crítico a que o PT conduziu o país, usa de argumentos infundados para colocar em dúvida o fracasso petista. Já observaram que os que defendem esse populismo nunca tocam nos escândalos revelados pela Lava Jato, no assalto à Petrobras, nas propinas dadas a funcionários e políticos inclusive do PT? É que têm dificuldade de aceitar a realidade dos fatos e admitir que estão errados. E se alguém faz referência a tais escândalos, gritam: "Mas isso é mentira!" Ou seja, para quem não suporta a realidade, só é verdade o que lhe convém.
Saí dessa roda e fui me sentar com outro grupo, que falava de futebol, particularmente do Vasco, meu time do coração, que anda mal das pernas, pois acabara de ser desclassificado, ainda na primeira rodada da Copa do Brasil. Mas eis que chega um velho companheiro, simpatizante do PC do B, do finado PCB e muda o assunto da conversa, de futebol para a polícia. Foi então que um dos presentes afirmou que o comunismo já acabara, uma vez que a própria China era hoje a segunda maior potência capitalista do mundo.
– Isso não, contestou o velho comuna. O comunismo está mais vivo do que nunca. A China encarna a nova forma que o regime socialista ganhou.
– Sim –brinquei eu–, é o comunismo capitalista! Todos riram, menos o autor daquela tese surrealista. 
Folha de São Paulo, 06/11/2016


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Ferreira Gullar - Sétimo ocupante da cadeira nº 37 da ABL, eleito em 9 de outubro de 2014, na sucessão de Ivan Junqueira, e recebido em 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.


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COMPROMISSO - Wagner Albertsson

COMPROMISSO

 QUEM TEM 
COMPROMISSO SÓ
COM DEUS E
ESQUECE DO
SEU PRÓXIMO,
ESTÁ CAMINHANDO
NA ESTRADA 
ERRADA PARA
O PARAÍSO.
O INFERNO SERÁ
O LIMITE DA
SUA ÁRDUA
JORNADA.
POIS ATÉ SATÃ,
TEME A JAVÉ.

WAGNER ALBERTSSON

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

MENSAGEM - Tetsuo Watanabe*

Mensagem

Todo mundo deve ter minutos por dia para apreciar o mar, o céu, a mudança das marés, as flores.
Aprendemos muito com a natureza. Precisamos olhar para ela.
Na verdade, o que eu queria é que as pessoas pensassem de forma simples.
Que percebessem que o verdadeiro aprendizado está em observar as pequenas coisas, os detalhes delicados e sutis.
Nisso consiste a verdadeira sabedoria humana.
Sempre penso que a grama cresce todos os dias em direção ao sol.
A árvore balança ao vento.
O nó fortalece o bambu.
A nuvem sempre passa e vai embora.
Se a grama cresce cada dia um pouquinho, por que não nos preocupamos em crescer também?
Se a árvore balança ao vento, deixando-o passar, por que nos mantemos inflexíveis em nossos pontos de vista?
Se o nó fortalece o bambu, por que os nós de nossas vidas nos entristecem tanto?
Se a nuvem sempre passa, nossos problemas não passarão também?
Quando não souber o que fazer, abra a janela de sua sala ou de sua vida.
A natureza é a mais sábia dos mestres.
Aprenda com ela tudo o que ela tem para ensinar.

*Reverendíssimo Tetsuo Watanabe - presidente mundial da Igreja Messiânica.

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O IMPÉRIO DA IGNORÂNCIA - Olavo de Carvalho

O império da ignorância

Vamos falar o português claro: Aquele que não dá o melhor de si para adquirir conhecimento e aprimorar-se intelectualmente não tem nenhum direito de opinar em público sobre o que quer que seja. Nem sua fé religiosa, nem suas virtudes morais, se existem, nem os cargos que porventura ocupe, nem o prestígio de que talvez desfrute em tais ou quais ambientes lhe conferem esse direito.
Discussão pública não é mera troca de opiniões pessoais, nem torneio de autoimagens embelezadas: é eminentemente intercâmbio de altos valores culturais válidos para toda uma comunidade humana considerada na totalidade da sua herança histórica, e não só num momento e lugar.
O direito de cada um à atenção pública é proporcional ao seu esforço de dialogar com essa herança, de falar em nome dela e de lhe acrescentar, com as palavras que dirige à audiência, alguma contribuição significativa. O resto, por “bem-intencionado” que pareça, é presunção vaidosa e vigarice.
Todos os males do Brasil provêm da ignorância desses princípios. Políticos, empresários, juízes, generais e clérigos incultos, desprezadores do conhecimento e usurpadores do seu prestígio, são os culpados de tudo o que está acontecendo de mau neste país, e que, se esses charlatães não forem expelidos da vida pública, continuarão aumentando, com ou sem PT, com ou sem “impeachment”, com ou sem “intervenção militar”, com ou sem Smartmatic, com ou sem Mensalão e Petrolão.
Desprezo pelo conhecimento e amor à fama que dele usurpa mediante o uso de chavões e macaquices são os pecados originais da “classe falante” no Brasil.
Só o homem de cultura pode julgar as coisas na escala da humanidade, da História, da civilização. Os outros seguem apenas a moda do momento, criada ela própria por jornalistas incultos e professores analfabetos, e destinada a desfazer-se em pó à primeira mudança da direção do vento.
A cultura pessoal é a condição primeira e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.
Vou lhes dar alguns exemplos de desastres nacionais causados diretamente pela incultura dos personagens envolvidos.
Só pessoas prodigiosamente incultas podem ter alguma dificuldade de compreender que uma eleição presidencial com apuração secreta, sem transparência nenhuma, é inválida em si mesma, independentemente de fraudes pontuais terem ocorrido ou não.
O número de jumentos togados e cretinos de cinco estrelas que, mesmo opondo-se ao governo, raciocinam segundo a premissa de que a sra. Dilma Rousseff foi eleita democraticamente em eleições legítimas, premissa que lhes parece tão auto evidente que não precisa sequer ser discutida, basta para mostrar que o estado de calamidade política e econômica em que se encontra o país vem precedido de uma calamidade intelectual indescritível, abjeta, inaceitável sob todos os aspectos.
Quando na década de 90 os militares aceitaram e até pediram a criação do “Ministério da Defesa”, foi sob a alegação de que nas grandes democracias era assim, de que só republiquetas tinham ministérios militares.
Respondi várias vezes que isso era raciocinar com base no desejo de fazer boa figura, e não no exame sério da situação local, onde a criação desse órgão maldito só serviria para aumentar o poder dos comunistas. Mil vezes o Brasil já pagou caro pela mania de macaquear as bonitezas estrangeiras em vez de fazer o que a situação objetiva exige. Esse caso foi só mais um da longa série.
Mesmo agora, quando a minha previsão se cumpriu da maneira mais patente e ostensiva, ainda não apareceu nenhum militar honrado o bastante para confessar sua incapacidade de relacionar a estrutura administrativa do Estado com a disputa política substantiva. Continuam teimando que a ideia foi boa, apenas, infelizmente, estragada pelo advento dos comunistas ao poder – como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra, como se fosse tudo uma soma fortuita de coincidências, como se a demolição do prestígio militar não fosse um item constante e fundamental da política esquerdista no país e como se, já no governo FHC, a criação do Ministério não fosse concebida como um santo remédio, com aparência legalíssima, para quebrar a espinha dos militares.
Um dos traços mais característicos da incultura brasileira, já assinalado por escritores e cientistas políticos desde a fundação da República pelo menos, é a subserviência mecânica a modelos estrangeiros copiados sem nenhum critério.
Numa sociedade culturalmente atrofiada, a coisa mais inevitável é que todas as correntes de opinião que aparecem na discussão pública sejam apenas cópias ou reflexos de modelos impostos, desde o exterior, por lobbies e grupos de pressão que têm seus próprios objetivos globais e não estão nem um pouco interessados no bem-estar do nosso povo.
Cada “formador de opinião” é aí um boneco de ventríloquo, repetidor de slogans e chavões que não traduzem em nada os problemas reais do país e que, no fim das contas, só servem para aumentar prodigiosamente a confusão mental reinante.
Como é possível que, num país onde cinquenta por cento dos universitários são reconhecidamente analfabetos funcionais e os alunos dos cursos secundários tiram sistematicamente os últimos lugares nos testes internacionais, o currículo acadêmico de um professor continue sendo aceito como prova inquestionável de competência?
Não deveria ser justamente o oposto? Não deveria ser um indício quase infalível de que, ressalvadas umas poucas exceções, o portador dessa folha de realizações é muito provavelmente, por média estatística, apenas um incompetente protegido por interesses corporativos? Terá sido revogado o “pelos frutos os conhecereis”? A interproteção mafiosa de carreiristas semianalfabetos unidos por ambições grupais e partidárias tornou-se critério de qualificação intelectual?
Não é mesmo um sinal, já não digo de mera incultura, mas de positiva debilidade mental, que os mesmos apologistas do establishment universitário fossem os primeiros a apontar como mérito imarcescível do candidato Luís Ignácio Lula da Silva, em duas eleições, a sua total carência de quaisquer estudos formais ou informais? Não chegava a prodigiosa incultura do personagem a ser louvada como sinal de alguma sabedoria infusa? Todo sujeito que, à exigência de conhecimento, opõe o louvor evangélico aos “simples”, é um charlatão. Jesus prometeu aos “simples” um lugar no paraíso, não um palanque ou uma cátedra na Terra.


Olavo de Carvalho – Escritor, conferencista, jornalista, filósofo e astrólogo brasileiro. Atua nas áreas de filosofia, astrologia e ciência política, sendo um dos principais nomes do discurso conservador no Brasil.
(Wikipédia)
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FEIRA DO LIVRO PORTO ALEGRE: OS ESCRITORES “NÃO LIDOS” COMPARTILHAM SUA ESCRITA COM O PÚBLICO DA FEIRA

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Os escritores “não lidos” compartilham sua escrita com o público da Feira

“Sarau dos não-lidos” apresentou a literatura marginal e periférica na Feira

Foi com o auditório Carlos Urbim lotado de alunos das turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e demais freqüentadores da Feira do Livro, que aconteceu nesta segunda-feira (31), o Sarau dos não-lidos: literatura marginal periférica. Uma das atividades que mais emocionou e aproximou escritores e público na programação do evento. O sarau foi promovido pelo site Nonada, coletivo de jornalismo cultural alternativo de Porto Alegre.
A editora do site, Thaís Seganfredo, conta que a proposta partiu da necessidade de descobrir onde está a literatura de periferiana Capital.  “A gente sabe que Porto Alegre é um centro de literatura independente, no entanto, majoritariamente branca e masculina”, disse, contando que, assim que o evento foi divulgado, diversos escritores se interessaram em participar.
“Não estamos com nossos livros à venda, mas trouxemos nossas palavras”.

A atividade abriu com o show do rapper Guerreiro Poeta & Time show e com a participação mais do que especial de sua filha, a pequena Emily, de seis anos de idade. Letras que incentivavam a leitura e o respeito ao próximo ganharam a plateia. Em seguida, os escritores Ana dos SantosCíntia ColaresJonatan Ortiz BorgesMarcelo MartinsNayara Lemos e Roberta Mello (representando  as escritoras do Ponto de Cultura Feminista) subiram ao palco para a leitura de seus textos. A mediação foi do editor-fundador do Nonada, Rafael Gloria.
Os poemas – e também um cordel – falaram sobre a condição da mulher negra, racismo, consciência política, preconceito, entre outros temas que buscam espaço na literatura. “Não estamos com nossos livros à venda, mas trouxemos nossas palavras”, disse a escritora e poeta Ana dos Santos, em referência ao fato de muitos autores, apesar de sua constante escrita, não conseguirem verba – e espaço também – para publicarem seus livros.
O site da Feira do Livro entrevistou o editor-fundador do Nonada, Rafael Gloria, que falou sobre o evento e a literatura marginal e periférica:
Quem são as vozes da literatura marginal e periférica, como elas se caracterizam? 
Acreditamos que essas vozes abordam temas mais políticos e engajados, e que muitas vezes acabam sendo minorizados por grupos opressores. No próprio evento você pode ver alguns exemplos de poemas dos autores. São temas do cotidiano e da vivência de cada um. Também não acredito que é tudo uma culpa da mídia hegemônica ou de grandes eventos que não dão visibilidade, o problema é um sistema que tende a não dar muita opção para quem deseja trabalhar com cultura.  E a literatura nesse sentido está encaixada em um movimento maior que se une ao hip hop, formado e as suas linguagens: o grafite, dança de rua, que dão voz à periferia e que dão espaço aos que estão à margem da sociedade seja geograficamente, culturalmente ou economicamente.

Quais seriam os prejuízos ao leitor em ter ao alcance apenas o cânone?
Não acho que se deve banir a leitura dos cânones, obviamente, mas devemos sim problematizá-lo sempre. Não só na literatura, mas em qualquer área artística: repensar o porquê de estarmos lendo aquela obra, colocá-lo no devido contexto. Sabe-se que o cânone é elaborado ao longo do tempo por quem tem o controle de algum tipo de poder, seja o acadêmico, econômico ou social. Quero dizer que o cânone não reflete necessariamente uma época, nem necessariamente o que é melhor produzido nele. Há grupos que sempre foram “abafados”, vistos como secundários, apartados do cânone. Quantas mulheres há no cânone da literatura brasileira, por exemplo? Há, mas são poucas e não reproduzem a qualidade e a quantidade de mulheres que já escreveram.
Priscila Pasko


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