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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

REDUZIRAM UM CELULAR A PÓ. VEJA O QUE ENCONTRARAM



Por Pedro Valls Feu Rosa Em 19 ago, 2019

Dia desses li sobre uma interessante pesquisa realizada na Universidade de Plymouth, no Reino Unido. Alguns cientistas reduziram a pó um telefone celular, a fim de poderem determinar, de forma detalhada, sua composição.

Uma vez consolidada a relação de minerais e seus quantitativos, os pesquisadores lançaram mão de uma simples calculadora, multiplicando todos os resultados por 1.457.000 - o número aproximado de telefones celulares produzidos no mundo a cada ano.

Os resultados foram surpreendentes. Gastamos, apenas com estas engenhocas, 131 toneladas de prata, 52 toneladas de ouro, 10.200 toneladas de cromo, 3.600 toneladas de alumínio, 8.700 toneladas de cobre, 3.900 toneladas de níquel, 2.300 toneladas de cálcio, 5.800 toneladas de carbono, 48.100 toneladas de ferro e 1.000 toneladas de estanho.

Há também, nesta relação, minerais mais raros, daqueles encontrados em poucos países do planeta. A eles: 3 toneladas de disprósio, 7 toneladas de gadolínio, 44 toneladas de praseodímio, 233 toneladas de neodímio, 3 toneladas de índio, outras 3 toneladas de germânio, 10 toneladas de antimônio, 15 toneladas de nióbio, 29 toneladas de tântalo, 102 toneladas de molibdênio e outras 102 toneladas de cobalto e 1.312 toneladas de tungstênio.

Fiquei a meditar longamente sobre este quadro. Comecei observando ser o mesmo referente única e exclusivamente a telefones celulares - não estão aí incluídos os populares “tablets”, os computadores de mesa e portáteis, as televisões etc. Tradução: estes números, já impressionantes, atingirão marcas estratosféricas se computada toda a “família” de engenhocas eletrônicas avidamente consumidas por todos nós.

Meu olhar seguinte foi sobre os países que produzem a esmagadora maioria destes aparelhos. A maior parte deles não dispõe de recursos minerais suficientes para suprir uma mínima parte que seja desta demanda - aliás, há casos em que não seria possível obter-se sequer um quilo dos minerais exigidos.

A matéria-prima, assim, valiosíssima e não-renovável, vem de países em regra “atrasados” ou “emergentes”, seja lá o que for isso. Pergunto: a que preço? Quanto os respectivos países recebem de “royalties”? Quem explora estes minerais? Suspeito que da resposta a estas perguntas surgirá a maior e mais urgente “reforma” que o Brasil precisa.




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quarta-feira, 21 de março de 2018

EXAGERO MUNDIAL! - Antonio Nunes de Souza


Exagero mundial

Temos que agradecer aos renomados técnicos e cientistas as novas descobertas e invenções de equipamentos sofisticados para facilitar a vida moderna!

Antes, quando aparecia uma novidade dizia-se: Uma maravilha. Só falta falar! Pois, atualmente as maravilhas que aparecem, falam, enviam imagens, correspondências, informações, além de milhares de outras coisas, úteis e idiotas também. São inegavelmente completos. Isto é, quase completos, pois a cada dia aparecem novos modelos com novos poderes e inovações inesperadas!

Pelo que já disse acima, percebe-se que estou falando do miraculoso “CELULAR”, sendo que, tem equipamentos outros que também fazem essas coisas todas, porém já com certas estruturas aumentadas de tamanhos, mas, mesmo assim, ainda pequenas para suas imensas capacidades, para atender os mais exigentes na área!

Até aí, tudo bem! Vê-se que estamos bem servidos, bem equipados e, consequentemente, vivendo a atual era mágica da tecnologia informática, sem direito a se queixar.

Porém, infelizmente, foi criada uma doença, ou praga coletiva, do absurdo “exagero mundial” de termos que ver, aturar e ao mesmo tempo lamentar o uso abusivo desses aparelhos, pois, NORMALMENTE, em todos ambientes possíveis e impossíveis as pessoas estão dedilhando suas maquininhas poderosas, trocando mensagens, ou na maioria das vezes, alimentando papos idiotas e sem sentido! Inclusive em pleno trânsito, não só os pedestres como os condutores de veículos, muitas vezes ocorrendo atropelos e acidentes maiores.

Vale a pena nos educarmos e passar a ter mais um pouco de respeito pelos outros, se policiar para ter as horas de usar, evitar em reuniões sociais e comerciais, interromper para a “dedilhação” de respostas. Enfim, saber desfrutar da mágica tecnológica, sem que seja um escravo, ou debiloide viciado incontrolável.

Tenho plena convicção que quem ler essa crônica e parar um pouco para raciocinar, verá que estou coberto de razões e, urge imediatamente, uma série de ponderações nos extravagantes e exageros comportamentais!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A ESTRANHA - Dom Fernando Arêas Rifan

A Estranha


Alguns anos depois que nasci meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena cidade.

Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, em seguida, a convidou a viver com nossa família.

A estranha aceitou e, desde então, tem estado conosco.

Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Meus pais eram instrutores complementares... Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.

Mas a estranha era nossa narradora.

Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ela sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.

Fazia-me rir, e me fazia chorar.

A estranha nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.

Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez para que a estranha fosse embora).

Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas a estranha nunca se sentia obrigada a honrá-las.

As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse.

Entretanto, nossa visitante de longo prazo usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.

Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas a estranha nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.

Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.

Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.

Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pela estranha.

Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a estranha veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio.

Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda a encontraria sentada em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

Seu nome? Ah, seu nome…

Chamamos de televisão!

É isso mesmo, a intrusa se chama TELEVISÃO!

Agora ela tem um marido que se chama Computador, um filho que se chama Celular e um neto de nome Tablet.

A estranha agora tem uma família. A nossa será que ainda existe?

 Dom Fernando Arêas Rifan


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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.


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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SEM ELE EU NÃO VIVO! - Antonio Nunes de Souza

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Sem ele eu não vivo!

Nunca imaginei em minha vida, algum dia ter que dizer essa frase: SEM ELE EU NÃO VIVO! Principalmente, por tratar-se de “masculino”, e eu nunca tive tais preferências em minha vida, muito embora respeito, e muito, as preferências de todos nessa vertente de gêneros!
É bom que eu diga logo a que estou me referendo, pois, com a curiosidade peculiar dos leitores, devem estar fazendo milhares de deduções, muitas até escabrosas. Estou referindo-me ao meu pequenino e eficiente telefone celular que, acompanhando-me por todos os lugares que vou, deixa-me tranquilo em saber que em qualquer necessidade, serei localizado imediatamente, para tomar as providências que forem devidas!
Infelizmente, nossas provedoras são chatas, desagradáveis e persistentes, sempre estão nos enviando umas mensagens tolas oferecendo milhares de vantagens, ou benefícios, contanto que aceitemos pagar mais uns reais mensalmente. Essa parte é, sem dúvida, intolerável! Sinceramente, não fosse essa parte chata, ele seria um sonho de equipamento, ainda mais que, com as tecnologias se aprimorando diariamente, os celulares se tornaram verdadeiros mini computadores que, se você não for esperto, não saberá nem usar os seus ricos recursos!
A verdade é que ele é, realmente, indispensável na vida moderna, já fazendo parte integrante de nosso corpo, ou vestuário. Para você poder dizer que já está pronto para sair, tem que estar com seu celular no bolso, ou na bolsa, inclusive com bateria carregada e com créditos!
Pela variação de preços, dependendo dos exageros das suas funções, passou, lamentavelmente, a ser um grande alvo preferencial dos ladrões que, cinicamente dizem em represália: “Com eles é que vivemos numa boa”!

Antonio Nunes de Souza, escritor

Membro da Academia Grapiúna de Letras–AGRAL  

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