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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

RETUMBANTE CONVERSÃO DE UM JUDEU – Plinio Corrêa de Oliveira

 


REPRESENTAÇÃO DA APARIÇÃO DE

NOSSA SENHORA A ALPHONSE

RATISBONNE

No dia 20 de janeiro de 1842, há exatamente 180 anos, o judeu Alphonse Ratisbonne se converteu milagrosamente ao catolicismo, por intervenção direta de Nossa Senhora

Plinio Corrêa de Oliveira

De família muito rica de banqueiros de Estrasburgo (Alemanha), o jovem judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) percorria vários países. Após uma viagem ao Oriente, em 1842 passou uma temporada em Roma, onde se encontrou com um antigo colega, Gustavo de Bussières, de religião protestante. Na residência deste, conheceu seu irmão, o Barão Teodoro de Bussières, que havia se convertido ao catolicismo.

Naqueles dias falecera em Roma um grande amigo do Barão, o Conde de La Ferronays (1777-1842), ex-embaixador da França junto à Santa Sé.

Assim, Bussières convidou Ratisbonne para acompanhá-lo à igreja de Sant’Andrea delle Fratte a fim de tratar de uma cerimônia fúnebre pelo falecido. Concordou de mau grado, pois o judeu detestava a religião católica, mas como turista iria para apreciar as obras de arte daquela igreja romana.

Após tratar do assunto da cerimônia, o Barão de Bussières voltou para o centro da igreja e se deparou com uma grande surpresa: Ratisbonne ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo! O judeu rezando fervorosamente, extasiado, maravilhado.

Banhado em lágrimas, disse ao amigo que tinha visto Nossa Senhora numa aparição sobre o altar. Pela descrição que fez, tratava-se de Nossa Senhora das Graças, como aparece na Medalha Milagrosa [foto ao lado].

Ratisbonne achava-se completamente mudado, estava convertido, e queria mudar de vida. Ele se fez batizar. Alguns até consideram que ele tenha morrido em odor de santidade.

Naquele altar da aparição foi introduzido um quadro que representa Nossa Senhora segundo as descrições de Ratisbonne. Ela é chamada de Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre).

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio

Corrêa de Oliveira em 20 de janeiro de 1973. Esta

 transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte:

Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022.

https://www.abim.inf.br/retumbante-conversao-de-um-judeu/

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

8 de dezembro de 2021

 

A Coluna da Imaculada, na Piazza di Spagna (Roma), erguida a 18 de dezembro de 1856 e abençoada pelo Bem-aventurado Pio IX em 8 de setembro de 1857.


Hoje, 8 de dezembro, é festa da Imaculada Conceição, uma das magnas celebrações da Santa Igreja. Neste dia em 1823, na cidade de Ariano di Puglia, os padres dominicanos Gassiti e Pignataro obrigaram satanás, em nome de Deus, provar Imaculada Conceição de Maria, através de um menino de 12 anos, possesso, analfabeto, que estava sendo exorcizado. Obrigado, e muito contra sua vontade, fez satanás com este soneto:

 

Sou verdadeira mãe de um Deus que é Filho

E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe

Ele de eterno existe e é meu Filho

E eu nasci no tempo e sou sua mãe

                   Ele é meu criador e é meu Filho

                   E eu sou sua criatura e sua mãe

                   Foi divinal prodígio ser meu Filho

                   Um Deus eterno e ter a mim por mãe

O ser da mãe é quase o ser do Filho

Visto que o filho deu o ser a mãe

E foi a mãe que deu o ser ao Filho

                   Se, pois, do Filho deve o ser a mãe

                   Ou há de se dizer manchado o Filho

                   Ou se dirá Imaculada a mãe.

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Pio IX, que proclamou o dogma da Imaculada Conceição em 1854, se emocionou ao ler este soneto (Apud. Salve Rainha, pág.147, Caxias do Sul-RG, 1955).

https://www.abim.inf.br/imaculada-conceicao-de-nossa-senhora/

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domingo, 17 de outubro de 2021

Algumas frases escolhidas para reflexão neste mês de Na. Sra. do Rosário



“Por Vós, ó Maria, se encheu o Céu e se despovoou o Inferno.”

(São Bernardo de Claraval)

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 “Maria é a obra-prima de Deus, que nela esgotou sua sabedoria, seu poder e sua riqueza.”

(São Boaventura)

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“Descansa o teu ouvido no coração materno de Maria e escuta as suas sugestões, e assim sentirás nascer em ti os melhores desejos de perfeição.”

(São Maximiliano Kolbe)

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“Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria Santíssima, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço Ela merece.”

(São Luís Grignion de Montfort)

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“Maria sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e os seus rogos para a confusão dos inimigos e benefícios dos seus servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo nome.”

(Santo Afonso Maria de Ligório)

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“Ó Maria, se eu fosse a Rainha do Céu e Vós fôsseis Teresa, eu desejaria ser Teresa para que Vós fôsseis a Rainha do Céu.”

(Santa Teresinha)

 

https://www.abim.inf.br/algumas-frases-escolhidas-para-reflexao-neste-mes-de-na-sra-do-rosario/ 

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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O OLHAR DOS BRASILEIROS SE VOLTA PARA O TRONO DA RAINHA DA CLEMÊNCIA

 11 de outubro de 2020

 


Em louvor a Nossa Senhora Aparecida, neste dia em que celebramos a Rainha do Brasil, segue trecho de um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “O Legionário” de 17-12-1939.

“Lembro-me invencivelmente de Aparecida do Norte, e das impressões profundas que tenho colhido sempre que ali vou rezar aos pés de Nossa Senhora.

Onde, no Brasil inteiro, um lugar para o qual, com tanta e tão invencível constância, se voltam os olhos de todos os brasileiros? Qual a palavra que tem entre nós o dom de abrir mais facilmente os corações? Qual a evocação que mais ardentemente do que a Aparecida nos fala de toda a sensibilidade brasileira retificada em seu curso e nobilitada em seus fins sobrenaturais?

Quem, ao ouvir falar em Nossa Senhora Aparecida, pode não se lembrar das súplicas abrasadoras de mães que rezam por seus filhos doentes, de famílias que choram no desamparo e na miséria o bem-estar perdido e se voltam para o Trono da Rainha da clemência, de lares trincados pela infidelidade, de corações ulcerados pelo abandono e pela incompreensão, de almas que vagueiam pelo reino do erro à procura do esplendor meridiano da Verdade, de espíritos transviados pelas veredas do vício, que procuram entre prantos o Caminho, de almas mortas para a vida da graça, e que desejam encontrar nas trevas de seu desamparo as fontes de uma nova Vida?

Onde se pode sentir de modo mais vivo o calor ardente das súplicas lancinantes, e a alegria magnífica das ações de graças triunfais? Onde, com mais precisão, se pode auscultar o coração brasileiro que chora, que sofre, que implora, que vence pela prece, que se rejubila e que agradece, do que na Aparecida? E sobretudo, onde é mais visível a ação de Deus na constante distribuição das graças, do que na vila feliz, que a Providência constituiu feudo da Rainha do Céu?

Nada, no ambiente de Aparecida, impressiona a imaginação pela grandeza das linhas arquitetônicas ou pela riqueza do acabamento. Mas o ar está tão saturado de eflúvios de prece e de orvalhos de graça, que qualquer pessoa sente perfeitamente que Aparecida foi designada pela Providência para ser a capital espiritual do País”.

https://www.abim.inf.br/o-olhar-dos-brasileiros-se-voltam-para-o-trono-da-rainha-da-clemencia/

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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

SANTO ROSÁRIO — Poderosa arma contra o demônio e seus sequazes

7 de outubro de 2020

 


Neste dia 7 de outubro celebramos a festa do Santo Rosário. Essa festividade foi instituída pelo grande Papa São Pio V em ação de graças pela vitória alcançada na batalha de Lepanto (1571) contra o poder maometano, prestes a invadir a Europa.

 

“O Santo Rosário é a homenagem mais agradável à Mãe de Deus”

(Santo Afonso de Ligório)

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 “Nunca será considerado um bom cristão, quem não reza o Santo Rosário”

(Santo Antônio Maria Claret)

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“Rezar meu Rosário é minha doce ocupação e uma verdadeira alegria, porque sei que enquanto o rezo estou falando com a mais amável e generosa das mães”

(São Francisco de Sales)

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 “A devoção do Santo Rosário cotidiano defronta-se com tantos e tais inimigos, que julgo uma das mais assinaladas mercês de Deus perseverar na mesma até a morte”

(São Luís Grignion de Montfort)

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 “Amar a Senhora e rezar o Rosário, porque o Rosário é a arma contra os males do mundo”

(São Pio de Pietrelcina)

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 “O Santo Rosário contém todo o mérito da oração vocal e toda a virtude da oração mental”

(Santa Rosa de Lima)

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 “Dai-me um exército que reze o Rosário, e eu vencerei o mundo”

(Papa São Pio X)

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“O Rosário flagela o diabo”

(Papa Adriano VI)

 

https://www.abim.inf.br/santo-rosario-poderosa-arma-contra-o-demonio-e-seus-sequazes/


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sábado, 15 de agosto de 2020

O MILAGRE DO VÍSTULA E A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – Luis Dufaur

14 de agosto de 2020

Dormição e Assunção da Virgem – Fra Angélico (1395-1455). The Isabella Stewart Gardner Museum, Boston (EUA)

As dores da Santíssima Virgem são representadas por espadas cravadas em seu Coração, e o dogma da Assunção evoca seu triunfo sobre tantos sofrimentos. Na festa da Assunção, em 15 de agosto, uma renovação desse triunfo foi a vitória da Polônia católica sobre os exércitos soviéticos, milagre cujo centenário comemoramos neste ano.

Luis Dufaur

A Assunção de Nossa Senhora foi confirmada como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1° de novembro de 1950.[1] Essa verdade era professada desde os tempos dos Apóstolos, suas testemunhas oculares, que a narraram a seus sucessores. O dogma coloca a Santa Mãe de Deus acima de qualquer criatura, mesmo as canonizadas, justificando o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa.

Após uma morte suavíssima, qualificada de “dormição de Nossa Senhora”, a Santíssima Virgem se ergueu como quem sai de um sono, numa transição efetuada pelo poder de Deus, e subiu aos céus na presença dos Apóstolos e fiéis reunidos em torno d’Ela. A glorificação e a alegria por este privilégio, sem equivalentes até o fim do mundo, só foram inferiores às da Ascensão triunfal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como figurar o esplendor da Assunção

Maria Santíssima foi elevada ao Céu, rodeada pelo respeito e recolhimento dos presentes, diante dos quais se acentuava assim, cada vez mais, sua semelhança com seu Filho Divino. O esplendor de Nosso Senhor transfigurado se comunicava a Ela, fazendo-a refulgir cada vez mais como rainha e mãe, até desaparecer dos olhos humanos. Ao mesmo tempo o Céu se transformava, porque sua Rainha nele ingressava em triunfo.

Pouco depois, na Terra tudo voltava à sua rotina, mas os primeiros católicos retornavam para suas casas com uma sensação parecida com a que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor. Maravilhados, com enorme saudade, levando na retina algo que nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.

No momento da Assunção transpareceu a alegria e a vitória sobre as dores inenarráveis que Ela padeceu em vida, segundo lhe anunciara o profeta Simeão: “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35). O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira se alegrava com essa arquitetonia da dor transformada em alegria eterna: “Nossa Senhora é representada com o coração circundado de gládios espirituais, que representam a alma d’Ela ferida pela espada da dor, de que falou o profeta Simeão. Eu gostaria de ser pintor para representar Nossa Senhora subindo ao Céu, com o coração ferido à mostra, mas saindo dessa espada as mais belas luzes que se possa imaginar. Porque a sua grande alegria era ter suportado os tormentos e ter vencido todas as batalhas.[2]

Glorificação no Céu e novos triunfos na Terra

Depois de ter passado por toda espécie de sofrimentos, angústias, dilacerações e humilhações, a Santa Mãe de Deus foi honrada por seu Divino Filho com a Assunção, um privilégio único na história do mundo. A glorificação de Maria deixa eclipsada a dos Césares vitoriosos aclamados na Via Triunfal de Roma, a dos exércitos aliados desfilando sob o Arco do Triunfo de Paris, e a de qualquer outra exaltação humana. Por isso sua glória na ordem do universo é o mais alto reflexo criado do resplendor supremo de Deus.

Em atenção a essa vitória, o católico deve levar ao último extremo sua combatividade pela glorificação da Corredentora do gênero humano, e lutar como um cruzado pelo seu reinado na Terra. São ainda de Plinio Corrêa de Oliveira estes comentários: “Algo da luminosa magnificência da Assunção se repetirá quando começar o Reino de Maria. Veremos então o mundo todo transformado, e Nossa Senhora brilhando sobre a Terra; pois seu reinado estará se efetivando, e estarão começando também dias maravilhosos de graças como nunca houve antes”.[3]

Após a Assunção, a Santíssima Virgem nunca mais estaria estavelmente na Terra, mas começava do Céu sua grande missão. Estabeleceu uma misteriosa comunicação com os seus devotos, sobretudo os que se consagraram a Ela com amor, coragem, constância e fé, virtudes recomendadas por São Luís Maria Grignion de Montfort. São estas virtudes necessárias sobretudo diante do neopaganismo moderno, monstro apocalíptico que tenta tiranizar os fiéis, privando-os de apoios terrenos para arrastar consigo grande número de tíbios e interesseiros.

O “milagre do Vístula” (agosto de 1920) – Jerzy Kossak, 1930.

O milagre do Vístula: vitória sobre o comunismo

Neste ano de 2020 a Igreja comemora o centenário de um exemplo característico da ação de Nossa Senhora da Assunção em favor dos fiéis: o “milagre do Vístula”, ocorrido em agosto de 1920 (trinta anos antes da proclamação do dogma).

Quatro corpos de exército da URSS comunista avançavam contra a capital da católica Polônia. Numa ordem dada a seus soldados em 4 de julho de 1920, o general bolchevista Mikhail Tukhachevsky foi lapidarmente claro: “No caminho para a conflagração mundial comunista, tem-se que passar sobre o cadáver da Polônia”.[4] Em Moscou, Lenin exigia ferozmente a “revolução mundial” e a aniquilação do “obstáculo polonês”. E os soldados comunistas cantavam: “Esta é nossa batalha última e decisiva. Surgirá a nova raça humana”.

Cena de um filme representando a batalha

Revoluções marxistas explodiam na Europa ocidental arruinada pela Primeira Guerra Mundial; a grande mídia anunciava falsamente que os russos já eram donos de Varsóvia; os embaixadores ocidentais fugiram da capital (com exceção do Núncio, que era o futuro Papa Pio XI); os especialistas militares ocidentais davam a situação por perdida; e a confluência das hostes russas com as massas subversivas europeias parecia um fato incontornável.

O Papa Bento XV enviou um apelo ao mundo católico, pedindo orações a Nossa Senhora de Czestochowa (Padroeira da Polônia) e à Mãe do Bom Conselho, por essa nação ameaçada de naufragar no próprio sangue, perseguida pelo exército vermelho. E o jornal socialista italiano Avanti debochava do Papa, espalhando sarcasticamente: “Fiquem tranquilos! O Pontífice Romano acredita na eficácia da Virgem!”.[5]

Na Polônia, anciãos, mulheres, adolescentes e feridos, prosternados em igrejas, ruas e praças, multiplicavam seus apelos ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora. A desproporção das forças era evidente, e só um milagre evitaria a catástrofe. Contudo, corria de boca em boca uma intuição, sem se saber sua origem: no dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, Ela faria o milagre.

Apesar das tendências socialistas do marechal Józef Piłsudski (1867–1935) [foto ao lado], coube a ele conduzir a guerra contra os soviéticos. Percebendo que na linha de ofensiva dos inimigos se abrira uma brecha, empreendeu uma manobra desesperada e muito ousada: retirou de Varsóvia as tropas habilitadas ao combate, que a defendiam, e preencheu as vagas das trincheiras convocando todos os que podiam segurar uma arma, ainda que não soubessem usá-la. Além de mulheres, velhos e feridos, destacaram-se nesse palco da batalha os escoteiros, que ali morreram em grande número na luta corpo a corpo contra soldados experimentados e cruéis.

Com o destacamento que conseguira em Varsóvia, o marechal Pilsudski atravessou a brecha sem ser percebido. Talvez sem se lembrar do significado daquele grande dia 15 de agosto, festa da Assunção, deu o golpe decisivo contra os exércitos soviéticos. Após um giro perigoso, atacou-os de surpresa, em manobra envolvente. A coincidência de datas empolgou os poloneses, que infligiram aos comunistas uma derrota da qual jamais se recuperariam, e foi completada por sucessivas batalhas posteriores. Narra-se que alguns soldados soviéticos teriam visto Nossa Senhora de Czestochowa aparecer sobre as nuvens.

Os delegados soviéticos chegam para as negociações do armistício depois da humilhante derrota comunista na Batalha do Vístula em 1920

A batalha é considerada uma das mais importantes da história universal. Lenin, o tirânico pai da URSS, lamentou em Moscou a “enorme derrota”, que reduziu a supremacia da revolução bolchevista a um único país, a Rússia. O sonho da “revolução mundial” ficou espatifado, pois o próprio Lenin considerava que, para a “experiência socialista” dar certo, deveria ser universal. Em 24 de agosto o embaixador britânico SirHorace Rumbold (1869–1941) chegou a Poznan, Alemanha, procedente de Varsóvia. Espantado com a inversão da sorte das armas, comentou: “É uma repetição da derrota dos turcos sob os muros de Viena, em 1683”.[6]

No enterro do marechal Pilsudski, em 12 de maio de 1935, o Cardeal Primaz da Polônia August Hlond afirmou: “A vitória do heroico exército polonês, chamada de ‘milagre do Vístula’, teve a importância de Lepanto e Viena”.[7] O Papa Pio XI, falando sobre a Mãe de Deus, referiu-se ao “milagre sobre o Vístula”, resumindo-o com estas palavras: “O anjo das trevas empreendeu uma gigantesca batalha contra o anjo da luz”.[8] As forças armadas polonesas adotaram Nossa Senhora da Assunção como Padroeira principal.

Assunção e a glorificação da Igreja

Finalizamos com mais um oportuno e valioso comentário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira aos seus amigos e discípulos:

“Depois da Ascensão de Nosso Senhor, o fato mais esplendorosamente glorioso da História humana foi quando Nossa Senhora subiu ao Céu ante os olhos humanos. Por seu caráter ordenativo, ele é comparável apenas ao dia do Juízo Final. A implantação do Reino de Maria — por assim dizer, a assunção da Igreja Católica — é o que devemos desejar na festa da Assunção. E desejar também que a tristeza e o gládio de dor que traspassou o Imaculado Coração de Maria nos preparem para compreender a alegria imensa dessa vitória, refulgindo com a maior formosura desde os tempos apostólicos.

“Na festa da Assunção devemos pedir a Ela que olhe para nossas falhas e nos conceda o perdão, para atravessarmos a nossa época com a certeza de que, quanto mais profunda for a tristeza, maior ainda será a alegria que teremos depois, na aurora do Reino de Maria Assunta aos Céus”.[9]


[1]http://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html.

[2] Palestra de 15 de agosto de 1966. As palestras citadas neste artigo não foram revistas pelo autor.

[3] Palestra de 14 de agosto de 1965.

[4] “Devocionário e novena a Nossa Senhora da Defesa”, Edições Loyola, SP, 2003, pág. 67 na edição Google, https://books.google.com.br/books?id=roS2x71wX1sC&pg=PA64&lpg=PA64&dq=milagre+do+vistula&source=bl&ots=rIflf1DmkA&sig=ACfU3U2WGFmJT4D8ANAfgszJv6_YZwkFXw&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjh2sXHwozqAhU0GbkGHVIGBAAQ6AEwF3oECGoQAQ)

[5] http://casaggi.blogspot.com/2011/09/cosi-leuropa-fu-salvata-dallarmata.html.

[6] “Devocionário…”. pág. 68.

[7] id. ibid.

[8] http://sunday.niedziela.pl/artykul.php?dz=z_historii&id_art=00072.

[9] Palestra de 14 de agosto de 1963.

 

http://www.abim.inf.br/o-milagre-do-vistula-e-a-assuncao-de-nossa-senhora/


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quarta-feira, 8 de julho de 2020

EM CHIQUINQUIRÁ, A SANTÍSSIMA VIRGEM RESSALTA A LUZ PRIMORDIAL DA COLÔMBIA

8 de julho de 2020
O quadro milagroso de Nossa Senhora de Chiquinquirá

Neste dia 8 de julho celebra-se a festividade de Nossa Senhora de Chiquinquirá — sobretudo na Colômbia, que A tem como principal Padroeira. A seguir matéria a respeito d´Ela, e sobre os estupendos milagres que seu miraculoso quadro tem operado, que foi publicada na revista Catolicismo deste mês.

 Luis Fernando Escobar Duque

Na década de 1560, o espanhol Antonio de Santana encomendou a Alonso de Narváez, morador na pequena Villa de Tunja, uma pintura da Santíssima Virgem para ser venerada na residência dos Padres Dominicanos em Sutamarchán. Desse lugar os heroicos missionários partiam para todos os rincões do novo e vasto país. Com seus incansáveis esforços para ensinar a Fé católica aos aborígines, batizando-os a fim de torná-los dignos dos méritos alcançados pelo divino Redentor na Cruz, os missionários transmitiam as graças fundadoras de uma grande nação católica, com a promessa de um não menos grandioso futuro.

Era época da Conquista, cheia de adversidades, e isso fez com que o primeiro centro fosse abandonado, deixando tudo à mercê das intempéries. Consequentemente a tela com a imagem da Virgem se deteriorou, suas cores desapareceram. Em 1578 esse tecido foi levado para Chiquinquirá, onde foi deixado de lado. Maltratado a ponto de ser utilizado para secar o trigo, já não se percebia nele a face celestial de Nossa Senhora, cercada por Santo Antônio e Santo André.

Sabendo que a Mãe de Deus havia sido pintada naquele tecido esmaecido, uma espanhola de nome Maria Ramos o colocou com dificuldade sobre um altar rústico, e pôs-se a suplicar fervorosamente que a Mãe de Deus voltasse a mostrar sua face.

O quadro de Nossa Senhora no altar principal
No dia 26 de dezembro de 1586 a indígena Isabel atravessava a fazenda com seu filho Miguel, de cinco anos, quando perceberam um grande brilho, como de fogo em meio a faíscas e raios. Os habitantes do local acorreram para apagar o “incêndio”, mas se surpreenderam pelo fato de ele não queimar. Só deixaram o local após admirar a pintura renovada, que se manteve brilhante por um dia inteiro. A face da imagem permaneceu restaurada apenas parcialmente.

Movida por tal prodígio, a piedade popular foi se ampliando, sendo recompensada por grandes milagres que não cessaram até hoje. Brotou no local um jorro de água cristalina, e a Ordem de São Domingos decidiu construir ali um templo, a Igreja da Renovação, para promover a veneração da tela milagrosa. Este novo santuário foi consagrado em 1823, e seis anos depois, em 1829, a Santíssima Virgem era ali coroada Padroeira da Colômbia por ordem do Papa Pio VII.

Do alto de seu altar privilegiado, onde sempre nos espera acolhedora e misericordiosa, a Santíssima Virgem reina serenamente desde então sobre todo o povo colombiano, que ali promove jubileus muito concorridos. As multidões que visitam a milagrosa pintura ao longo dos séculos nunca saem decepcionadas: sempre atendidas com magnanimidade.

Na sua prodigiosa renovação, a Santíssima Virgem se manifestou em meio ao fogo e aos raios. Pode-se ver aí uma relação com o caráter ardente e apaixonado de seu povo, que vai delineando gradualmente a sua vocação, a sua luz primordial. O povo colombiano quer a afirmação da verdade: “Seja a tua palavra: Sim, sim; não, não; pois o que não for isso procede do mal” (Mt 5, 37).

Homenagem à Padroeira numa de suas festas anuais

Na contemplação amorosa de sua fisionomia, sempre fica a pergunta: por que, apesar de permanecer intacta, a Santíssima Virgem quer mostrar-se parcialmente restaurada? Parece haver nela uma promessa de restauração total, uma garantia de que a nação se mostrará plenamente em um futuro grandioso, se corresponder às graças da sua Rainha. Unido a Ela, o povo colombiano pode escrever sua própria história, definindo com fé o seu caráter e identidade.

Na próxima festividade de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, a realizar-se no dia 9 de julho, suplicar-lhe-emos com confiança que se manifeste inteiramente à nação da qual é Rainha e Padroeira, e ponha fim à terrível crise de fé em que vivemos.



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domingo, 14 de outubro de 2018

NOSSA SENHORA DO CÍRIO DE NAZARÉ

14 de outubro de 2018

Belém (PA) 13-10-18: Procissão fluvial com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré

Imponente manifestação de fé e devoção mariana no norte do Brasil

♦  Valdis Grinsteins

A Imagem na berlinda que é puxada pelos devotos por meio de uma longa corda

Todo segundo domingo de outubro, quase dois milhões de pessoas convergem à cidade de Belém do Pará, a fim de homenagear a Virgem de Nazaré. Em tal comemoração religiosa, popularmente conhecida como o Círio de Nazaré, há procissões também nos dois dias que antecedem o segundo domingo de outubro. A procissão desse dia é considerada a maior do mundo.

Nessa ocasião a população já numerosa da capital paraense dobra, e verifica-se também uma mudança no estado de espírito da cidade. As pessoas tornam-se mais amáveis, atenciosas, e o relacionamento entre elas fica diferente. Tão importante manifestação de fé não passa desapercebida aos jornais do mundo, dos mais importantes. Assim, o “The New York Times” reconhece que é “a maior festa religiosa de um país com a maior população católica do mundo. […] O Círio talvez seja o exemplo mais impressionante […] a força e viabilidade contínua de um catolicismo popular”.*

O Círio de Nazaré é um exemplo de festividade católica de cunho popular, numa época neopagã como a nossa.

Antiquíssima tradição

Como muitas devoções nacionais, esta também proveio de Portugal. Mas não nasceu lá. Bela tradição narra que a imagem original foi esculpida por São José na própria casa de Nazaré, onde morava a Sagrada Família. Daí o nome da devoção. Tal imagem permaneceu na Terra Santa e veio parar nas mãos de São Jerônimo. Este, temendo pela segurança da imagem, devido aos ataques dos inimigos da fé, enviou-a a Santo Agostinho no norte da África. Os monges agostinianos levaram-na para a Espanha, e quando ocorreu a invasão muçulmana ela foi escondida num local de difícil acesso, ficando esquecida por muito tempo. Até que, em 1182, o nobre português Dom Fuas Roupinho, participando de uma caçada, estava para cair do cavalo num despenhadeiro [no quadro ao lado, a representação do milagre, no Santuário Na. Sra. de Nazaré, na cidade do mesmo nome, Portugal]. Invocou então Nossa Senhora e foi salvo. Em agradecimento, mandou edificar no local uma capela, e os obreiros que a construíam descobriram a imagem. Este fato é lembrado nos vitrais da Basílica paraense, onde aparece um cavaleiro perseguindo um cervo, que cai num precipício.

A devoção à imagem foi aumentando com os milagres e as graças obtidos por seu intermédio. Posteriormente, foi diante dessa imagem que rezou São Francisco Xavier antes de partir a converter o Oriente. E foram os padres jesuítas que trouxeram, por volta de 1653, esta excelente devoção ao Brasil. [Na foto ao lado, o Santuário Na. Sra. de Nazaré, na cidade do mesmo nome, Portugal. Na foto abaixo, a Basílica em Belém do Pará].

A imagem brasileira não é a original, que ainda se encontra em Portugal. Em nosso País, a história começa quando, em 1700, um rapaz chamado Plácido de Souza encontra nas margens do Igarapé do Utinga uma imagenzinha esquecida ou perdida. Ele pegou a pequenina imagem (que mede apenas 28 cm de altura) e a levou para casa. Entretanto, a imagem desapareceu. Plácido voltou ao Igarapé e lá a reencontrou. Novamente retornou para casa com a imagem. O prodígio, contudo, repetiu-se.
Percebendo ele, então, que havia um manifesto e sobrenatural desejo de Nossa Senhora de permanecer no mesmo lugar onde fora encontrada, promoveu ali a construção de uma capela para abrigar a milagrosa imagem. Hoje, nesse local, encontra-se a imponente Basílica de Nazaré. [foto ao lado].

Várias fases da procissão

A primeira procissão do Círio de Nazaré ocorreu em 1793, organizada pelo governador português Francisco Coutinho, impressionado com a força dessa devoção. Desejando que não fosse apenas venerada pela população da cidade, mas de toda a região, convocou ele uma procissão. Justamente um dia antes de sua realização, o governador ficou doente. Prometeu então que, caso ficasse curado, iria até a ermida para buscar a imagem, levá-la-ia até o palácio do governo e a acompanharia de volta. Após tal fato, essa tradicional procissão é sempre realizada até os presentes dias.

A festa do Círio contém diversas etapas. Primeiramente, uma procissão rodoviária; outra fluvial; e, finalmente, o cortejo na cidade.

A procissão em Belém do Pará começa com o traslado da réplica da imagem, desde o Colégio Gentil Bittencourt até a Catedral, no sábado à noite.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

No domingo, às 6 horas da manhã, as pessoas já aguardam o início da procissão. São cinco quilômetros, percorridos em quatro horas, mas que podem chegar facilmente a oito, devido ao impressionante número de participantes. A imagenzinha é colocada numa berlinda de estilo tradicional, construída em 1964. Em 1963, colocaram-na num carro novo, mas a novidade foi rejeitada pelo povo. Originalmente tal berlinda era puxada por cavalos, mas desde 1885 ela é conduzida pelos devotos, que a puxam mediante uma corda [foto ao lado, neste dia 13 de outubro de 2018]. Esta longa corda, de 300 metros, é muito disputada, pois todos querem ter a possibilidade de ter algum contato, mesmo indireto, com a imagem.

Para essa festividade, pagadores de promessas acorrem à cidade, provenientes de todas as partes do Brasil, principalmente do Norte e Nordeste; numerosos meninos vestidos de anjos seguem a imagem; durante o cortejo, romeiros levam casas em miniatura, partes do corpo humano feitas em cera, e até barcos em miniatura. Tudo isso em agradecimento por graças e curas alcançadas. Naturalmente, o mais comum são romeiros portando círios — as velas que dão nome à celebração.

 Manifestações da devoção

Círio fluvial, na manhã do sábado, 13-10-18, com centenas de barcos

Durante todo o trajeto, a imagem não pára de receber homenagens: chuvas de papel picado, palmas, flores, cânticos, especialmente rojões e fogos de artifício.

Após algumas horas a imagem chega à Basílica de Nazaré, construída, como dissemos, no mesmo local em que, há 210 anos, a imagem foi encontrada.

Também faz parte do Círio uma romaria fluvial. A imagem é levada até a vila de Icoaraci. Em seguida, parte pela Baía do Guajará, acompanhada de todo tipo de embarcações embandeiradas até o porto de Belém. É um lindo espetáculo contemplar o rio repleto de barcos escoltando a imagem. [foto ao lado, neste dia 13 de outubro de 2018].

Não poderia deixar de ser mencionado o costume de preparar pratos típicos para essa festa. Se a procissão revigora a alma, é justo que o corpo receba também sua parte. Os pratos mais apreciados na ocasião são o Pato no Tucupi e a Maniçoba.

Um vigor de alma “medieval”

A maior procissão católica do mundo

Como explicar tão impressionante manifestação de fé, no século XXI, herdeiro das desordens do século XX?

É o que se perguntaram os jornalistas do “The New York Times”, que terminam o mencionado artigo com a seguinte reflexão: “Tais costumes e a intensidade do fervor religioso em torno do Círio são um lembrete de que a Idade Média ainda está presente entre nós e não desapareceu completamente”. Heraldo Maués, autor do artigo e professor de antropologia da Universidade Federal do Pará, acrescenta: “Ela [a Idade Média]aparece nas práticas, nas idéias e nas crenças quando menos se espera”.*

É bem isso! As melhores tradições religiosas das épocas de fé ainda estão vivas, após séculos de tentativas para extirpar da alma do brasileiro todo vestígio de Cristianismo.

Mas o século XXI também dá sua contribuição. E ela é muito infeliz. Nos trajes muitas vezes imorais dos romeiros, e em múltiplas manifestações inconvenientes durante a procissão, vemos a marca deste século de abominação em que vivemos.

Peçamos a Nossa Senhora de Nazaré que as manifestações religiosas do Círio sejam para o mundo inteiro um exemplo de fé, em nossos conturbados dias. E que elas, apesar dos ataques dos inimigos da Santa Igreja, continuem crescendo até o advento bendito do Reinado do Imaculado Coração, prometido em Fátima.
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*Em atos de fé no Amazonas, a Idade Média sobrevive. “The New York Times”, 10-10-2000.


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