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domingo, 17 de abril de 2022

SANTA PÁSCOA! TENDE CONFIANÇA, POIS “O RESTO VOLTARÁ!”

 


Padre David Francisquini *

 

Depois da crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, para redimir o pecado dos homens e reabrir as portas do Céu, toda a Terra foi coberta por densas trevas, a tristeza e a desolação contagiaram os povos, liquidando com tudo o que restava de ordem. É o que poderíamos esperar depois da ignominiosa morte do Homem-Deus.

Do Santo Sepulcro ressurge a primeira claridade de esperança. As almas fiéis que o rodeavam para prestar as últimas homenagens a Nosso Senhor, pressentiam que algo de maravilhoso estava para acontecer. Junto àquela tumba, que aparentemente havia selado a derrota do Divino Redentor, eles presenciaram a glória triunfadora de Sua ressurreição.

Com efeito, como diz São Paulo, se Ele não tivesse ressuscitado, a nossa fé seria vã. Os anjos cantaram “glória a Deus nas alturas”. As trevas se dissiparam. A natureza inteira se rejubilou com a luz emanada daquele Corpo glorioso. Jesus Cristo realmente ressuscitou como triunfador da morte e do pecado. Tendo cumprido a vontade de Deus Pai, reabriu as portas dos céus aos justos.

Apesar de a notícia do enorme prodígio ter corrido como um raio, muitos discípulos ainda andavam tristes com a morte de Cristo — após ter sido entregue à soldadesca romana pelos magistrados e sacerdotes judeus —, pois a alegria da Sua ressurreição não havia ainda inundado os seus corações.

Tinham uma fé incompleta e não conheciam verdadeiramente quem era Jesus. Uns achavam que fosse um profeta com grande poder, que restauraria o reino temporal de Israel. Outros, confusos e perplexos, prestavam atenção nos acontecimentos sem entender o que se passava.

Foi necessário que Cristo morresse e ressuscitasse dos mortos para manifestar que Ele era Deus. Sendo já o terceiro dia de sua morte na Cruz, não havia mais razão para que não se conhecesse tudo o que havia se passado em Jerusalém com o Filho de Deus desde a traição do infame Judas Iscariotes.

Quando as santas mulheres chegaram pela manhã de domingo, não encontraram mais o corpo de Jesus na sepultura. Seguiu-se o anúncio do anjo de que Ele não se encontrava mais lá, mas havia ressuscitado dentre os mortos. O que parecia uma derrota, foi a confirmação na fé dos discípulos — a vitória de Cristo sobre seus inimigos —, e todos creram n’Ele depois de manifestar assim a Sua divindade.

É uma prefigura da paixão que nestes dias de trevas sofre a Santa Igreja, corpo místico de Cristo, contra a qual todos os agentes infernais conspiram e desferem golpes, mas Ela segue com vida plena nos fiéis que depositam suas certezas em Jesus Cristo vencedor e triunfador.

Poucos são os que realmente amam a Santa Igreja e estão dispostos a tudo suportar e resistir em sua honrosa defesa, bem como de tomar a iniciativa da luta a fim de que Ela seja restaurada de modo ainda mais excelente do que foi outrora, sempre segundo a lei e a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas aqueles que têm verdadeira devoção a Nossa Senhora recebem d’Ela o inestimável dom da fé, da pureza, e da bravura para lutar. Deus lhes dará a vitória.

Se correspondermos a esse dom, estaremos juntos daquelas almas privilegiadas que viram, testemunharam e registraram para os pósteros aquele momento, talvez o maior acontecimento da História: Jesus Cristo saindo vitorioso de seu sepulcro. Assim como Nossa Senhora nos deu o exemplo de nunca duvidar, Ela nos ensina e alenta a nunca desanimar nas vias da confiança.

Devemos, portanto, confiar contra todas as aparências em sentido contrário, de que junto d’Ela haveremos de encontrar forças e adquirir a certeza de que o bem não está sepultado para sempre, mas que residuum revertetur — o resto voltará, segundo Isaías. Dos escombros e das cinzas da civilização atual surgirá o Reino de Maria, com o fulgor de Cristo no momento de Sua ressurreição.

Espero que todos os fiéis e leitores tenham uma Santa e feliz Páscoa, na alegria de saber e confiar, com uma confiança sem limites, na promessa de que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

 https://www.abim.inf.br/santa-pascoa-tende-confianca-pois-o-resto-voltara/

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quinta-feira, 24 de março de 2022

POR FALAR EM BOMBA ATÔMICA…LEMBREMO-NOS DO MILAGRE DE HIROSHIMA



Hiroshima destruída pela bomba atômica em 1945.

Os sacerdotes Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer, Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik [assinalados no círculo da foto] estavam em Hiroshima no momento da explosão da bomba atômica. Eles se encontravam na casa paroquial da igreja de Nossa Senhora da Assunção, um dos poucos edifícios que resistiu à bomba. Um dos sacerdotes estava celebrando a Santa Missa, outro tomava o café da manhã e os demais se encontravam em dependências da paróquia.

 

Plinio Maria Solimeo

No dia 6 de agosto de 1945, solenidade da Transfiguração de Nosso Senhor e praticamente no fim da II Guerra Mundial, a aviação americana lançou sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, a bomba atômica “Little Boy”, de urânio, que provocou a morte de 140 mil pessoas, mais de 70 mil feridos, e grande parte da cidade destruída. Três dias depois, a mesma aviação lançou a bomba nuclear de plutônio, “Fat Man”, sobre a cidade de Nagasaki. Essa bomba destruiu a catedral da Imaculada Conceição, matando muitos católicos que estavam no templo. Foi a primeira e única vez em que armas nucleares foram usadas contra alvos civis.

Devido à radiação, entre dois a quatro meses após os ataques atômicos, os efeitos agudos das explosões mataram entre 90 e 166 mil pessoas em Hiroshima, e 60 a 80 mil em Nagasaki. Durante os meses seguintes, várias pessoas morreram por causa do efeito de queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões, que foram agravadas pelos efeitos da radiação.

Nesse terrível cenário, ocorreu nessa cidade um fato surpreendente, que passou a ser conhecido como o “Milagre de Hiroshima”: quatro sacerdotes jesuítas alemães sobreviveram à catástrofe, inclusive a seus efeitos, apesar de estarem muito perto do local onde a bomba explodiu.

Esses religiosos eram os padres Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer, Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik [assinalados no círculo da foto acima]. No momento da explosão, eles se encontravam na casa paroquial da igreja de Nossa Senhora da Assunção, um dos poucos edifícios que resistiu à bomba. Um dos sacerdotes estava celebrando a Santa Missa, outro tomava o café da manhã e os demais se encontravam em dependências da paróquia.

O edifício religioso sofreu apenas danos menores, como vidros quebrados, conforme escreveu o Pe. Hubert Cieslik em seu diário, mas nenhum dano em consequência da energia atômica liberada pela bomba. O Pe. Schiffer escreverá depois o livro O Rosário de Hiroshima, no qual narra tudo o que lhes sucedeu naqueles dias fatídicos.

Os religiosos atribuem sua preservação a uma proteção particular da Santíssima Virgem, pois “vivíamos a mensagem de Fátima e rezávamos juntos o Rosário todos os dias”.

Quando, mais tarde, esses jesuítas receberam tratamento médico, foi-lhes dito que devido à radiação eles teriam lesões graves, enfermidades, e inclusive uma morte prematura. Porém, contra todas as expectativas, tal não sucedeu. Nenhum deles teve qualquer transtorno físico.

Pelo contrário, em 1976 — 31 anos depois do lançamento da bomba —, o Pe. Schiffer participou do Congresso Eucarístico de Filadélfia, onde relatou sua história. Ele confirmou que os quatros jesuítas ainda viviam, sem nenhuma enfermidade. Isso foi comprovado por dezenas de médicos que os examinaram cerca de 200 vezes nos anos posteriores, não encontrando qualquer sinal da radiação em seus corpos.

O Pe. Hugo Lassalle continuou em Hiroshima, e em 1948 naturalizou-se japonês com o nome Enomiya Mabiki. De passagem por Roma, recebeu do Papa Pio XII autorização para recolher fundos destinados a reconstruir a igreja dedicada à Assunção de Nossa Senhora. Em 1959, com a elevação de Hiroshima a diocese pelo Papa João XXIII, ela passou a ser catedral. Sua construção começou em 1950 e foi concluída no dia 6 de agosto de 1954, nove anos após a explosão da bomba atômica.

É preciso dizer que a rendição do Japão se daria na solenidade da Assunção da Virgem aos Céus, 15 de agosto de 1945, poucos dias depois da explosão das bombas atômicas.

Hiroshima foi reconstruída totalmente, com aquela tenacidade própria aos filhos do Sol Nascente, contando hoje com mais de um milhão e cem mil habitantes.

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Fonte principal: https://www.aciprensa.com/noticias/el-milagro-de-hiroshima-jesuitas-sobrevivieron-a-la-bomba-atomica-gracias-al-rosario-50173?utm_source=boletin&utm_medium=email&utm_campaign=noticias_del_dia

 

https://www.abim.inf.br/por-falar-em-bomba-atomica-lembremo-nos-do-milagre-de-hiroshima/

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domingo, 17 de outubro de 2021

Algumas frases escolhidas para reflexão neste mês de Na. Sra. do Rosário



“Por Vós, ó Maria, se encheu o Céu e se despovoou o Inferno.”

(São Bernardo de Claraval)

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 “Maria é a obra-prima de Deus, que nela esgotou sua sabedoria, seu poder e sua riqueza.”

(São Boaventura)

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“Descansa o teu ouvido no coração materno de Maria e escuta as suas sugestões, e assim sentirás nascer em ti os melhores desejos de perfeição.”

(São Maximiliano Kolbe)

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“Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria Santíssima, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço Ela merece.”

(São Luís Grignion de Montfort)

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“Maria sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e os seus rogos para a confusão dos inimigos e benefícios dos seus servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo nome.”

(Santo Afonso Maria de Ligório)

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“Ó Maria, se eu fosse a Rainha do Céu e Vós fôsseis Teresa, eu desejaria ser Teresa para que Vós fôsseis a Rainha do Céu.”

(Santa Teresinha)

 

https://www.abim.inf.br/algumas-frases-escolhidas-para-reflexao-neste-mes-de-na-sra-do-rosario/ 

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO


No dia 26 de abril a Santa Igreja celebra a festividade de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, cujo miraculoso quadro é venerado, desde 1467, na pequenina e encantadora cidade de Genazzano (Itália), na Basílica do mesmo nome [foto].

Em homenagem à Mãe do Bom Conselho transcrevemos a seguir uma análise da pintura. Trata-se de um comentário feito de improviso pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 29 de junho de 1974, durante uma conferência para sócios e cooperadores da TFP.



Mãe do Bom Conselho de Genazzano

Bondade, ternura e proteção

Plinio Corrêa de Oliveira

A fisionomia de Nossa Senhora neste quadro está completamente distendida. Não se nota um músculo que esteja contraído. Sua expressão é tão somente a de contentamento por estar com o Menino Jesus nos braços. Só está pensando n´Ele. Não tem outra preocupação. O mundo inteiro não existe para Ela, mas apenas o Menino.

Ela não está olhando propriamente para Ele. Está fixando quem reza diante d´Ela. Mas, percebe-se que o fato de a face da Virgem Santíssima tocar na fronte de Seu filho faz com que Ela experimente certa degustação da presença d´Ele, de alegria daquele contato de corpo, que é sobretudo um contato de alma muito íntimo e que A enche de satisfação.


A bondade, a ternura, a proteção d´Ela para com o Filho fazem-se notar muito na posição do pescoço e da cabeça. O Menino está suspenso n´Ela e A agarra pelo pescoço, a ponta de Sua mão aparece por detrás. E isso explica que Ela esteja com o pescoço ligeiramente inclinado pelo peso d´Ele. A intimidade do Divino Infante para com a Mãe é extraordinária. Ele A agarra como uma pessoa que está habituadíssimo a fazê-lo. E Ela deixa-se agarrar, como quem já foi segura mil vezes. E, até julga agradável de sentir-se curvada diante de um peso tão suave, tão doce e tão deleitável.

O Menino Deus está unido a Sua Mãe como quem não quer tomar conhecimento do mundo exterior. Ele apenas degusta a alegria de estar ligado à Mãe, de sentir-se protegido por Ela e unido à Sua progenitora. Está todo entregue a Ela, como a Mãe está toda dedicada ao Divino Filho.

Essa Criança não está pensando em bola, em doce, não está pensando em nada disso. Seu único pensamento: Mamãe. E no espírito d´Ela há somente uma ideia: “Meu Filho”.

Toda intimidade constitui uma relação fechada entre pessoas, exclui os que dela não participam. O pintor soube — aliás, a meu ver, esse quadro foi pintado por um Anjo —, criar uma impressão curiosa, que é uma intimidade aberta. Tem-se a impressão de que, chegando-se perto da pintura entra-se no circuito dessa intimidade: é-se amado por Ela, caso seja-se amado por Ele; e que se é entendido pelos dois, socorrendo ambos a pessoa que se aproxima deles.

Qualquer um que se aproxime desse quadro pode sentir-se íntimo a ele, pode experimentar o aconchego que a presença da pintura incute no espírito. Seja uma alma reta, seja um pecador, seja até um inimigo: caso se aproxima, degusta tal aconchego.

Nossa Senhora está sorrindo? Olhando para os lábios d´Ela, vê-se que não. Mas, há qualquer coisa de ligeiro sorriso, irradiado por todo o rosto. É um certo comprazimento para com o Filho; mas, de outro lado, também é uma complacência para com o devoto, com o fiel que se achega. Está insinuado no quadro: quem se aproxima, também é irmão do Menino Jesus, é, portanto, filho d´Ela.

Esse quadro poder-se-ia chamar Adoção, porque o devoto que simplesmente se avizinha dele, sente-se filho adotivo, ou até mais que adotivo.



  https://www.abim.inf.br/nossa-senhora-do-bom-conselho-2/


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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

CONFIANÇA – Plinio Corrêa de Oliveira


Foto: Frederico Viotti

Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às nossas forças


Plinio Corrêa de Oliveira

 

Neste momento de aflições e de perigos, quando a humanidade inteira geme sob o peso de desditas que se multiplicam a cada momento, crescem nossas necessidades e tornam-se mais prementes as nossas preces. Nestas circunstâncias, mais importante se torna sabermos rezar bem.

Deus quer nossas preces confiantes. Não deseja Ele que nos apresentemos ante seu trono como escravos se aproximando de um temível senhor, com medo, e sim como filhos diante de um Pai infinitamente generoso e bom. Essa confiança é mesmo uma das condições para a eficácia de nossas preces.

Mas como podemos ter confiança, se examinando a nós mesmos sentimos faltar-nos as razões de confiar? E se não temos confiança, como esperarmos ser atendidos?

Assim, por mais miseráveis que sejamos, podemos apresentar a Deus confiantemente nossos pedidos. Se eles forem sempre apoiados por Nossa Senhora, encontrarão um valor inestimável aos olhos de Deus, e certamente nos obterão os favores pedidos.

Convém meditarmos incessantemente sobre esta grande verdade. Como católicos, devemos enfrentar nesta vida as lutas comuns a todos os mortais, e além destas as decorrentes do serviço de Deus.

Embora os horizontes pareçam prestes a verter sobre nós um novo dilúvio, mesmo que diante de nós os caminhos se fechem, os precipícios se abram, e a própria terra se abale debaixo de nossos pés, não percamos a confiança, pois Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às nossas forças.

Enquanto esta confiança não desertar de nosso coração, a vitória será nossa. De nada valerão os ardis de nossos adversários; caminharemos sobre as áspides e os basiliscos, e calcaremos aos pés os leões e os dragões.

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Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (“Legionário”, 1º de junho de 1941).

https://www.abim.inf.br/confianca/

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

O QUE O ÍCONE DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO TEM A VER COM O NATAL?


Tom Hoopes publicado em 28/12/20

O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não é associado ao Natal, mas deveria

Depois de anos sem prestar muita atenção a ele, o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se tornou minha imagem favorita de Natal neste Advento.

A imagem é, de fato, um ícone bizantino do século 13, que atualmente instalado na Igreja de Santo Afonso em Roma. Ele retrata a A Virgem Maria e o Menino Jesus ao centro, além dos arcanjos Miguel e Gabriel em cada lado.

Adam Jan Figiel | Shutterstock


Os anjos e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

O ícone me fez lembrar que as coisas que me desencorajaram no passado são o que me atraem agora, revelando todo o significado do Natal.  Os anjos, portanto, são lembretes do verdadeiro poder do Natal. Os dessa imagem sempre me lembravam insetos incomodando a Mãe Santíssima. Mas é claro que não são. Ao contrário: eles são mensageiros de Deus carregando uma cruz e pregos.

Além disso, Eles são lembretes de que Jesus nasceu em Belém para morrer por nós no Calvário. E sua morte não foi uma coisa fácil, porque ele era, de fato, Deus. Foi, portanto, uma coisa dolorosa que o assustou porque ele também era homem. E, como um verdadeiro homem, precisava de apoio e encorajamento. Ele herdou isso de sua mãe, e nós também podemos herdar.

Jesus

Jesus se parece com uma criança e com uma pessoa mais velha ao mesmo tempo, lembrando-nos que o Natal é para todos. No ícone, seguindo os costumes das Igrejas Orientais, não parece infantil. Este é um bom lembrete de duas coisas. Primeiro, que mesmo quando adulto, seu relacionamento com a mãe perdurou. Segundo: ele nos convida a esse relacionamento com ela, não importa nossa idade.

Da mesma forma, o filme A Paixão de Cristo expressa a mesma ideia quando a presença de Maria dá a Jesus a força para enfrentar a Paixão. Isso está especificamente em uma cena em que Maria o confortou quando criança.

No ícone ele segura a mão dela assustado com os sinais de sua Paixão, um hábito que teria começado na primeira noite de Natal – e um hábito que pode começar para nós agora mesmo.

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Neste ícone, a imagem séria de Maria nos lembra que o Natal é mais profundo do que a superficialidade com que o vestimos.

Eu já vi, entretanto, versões do ícone em que os artistas colocam um sorriso no rosto de Maria. Eu entendo por que eles fazem isso. Seu rosto parece duro e desagradável para nós, pessoas do século 21, acostumadas a celebridades sorridentes e fotos de perfil selecionadas.

Mas as pessoas da maioria dos tempos e lugares do mundo reconheceriam esse olhar: é a expressão de uma mulher que sabe que a vida é difícil e que o futuro trará mais dificuldades. Entretanto, ela olha para o céu em busca de esperança – e sabe que ela virá.

As sandálias

A sandália caindo do pé de Jesus me lembra que há Alguém maior do que João Batista aqui. Além disso, o fato de a sandália estar caindo pode significar que Ele não esta amarrado a esta terra, pois ele também é divino.

Para mim, esta cena sempre me faz pensar em João Batista, que repetiu notoriamente durante o Advento que não era digno de amarrar as sandálias de Jesus. Gosto de lembrar que Maria, sim, era digna de fazer isso.

Enfim, no Natal, esse ícone me lembra que, embora o presente mais importante que recebemos seja um salvador glorioso, o presente secundário que recebemos é uma ótima mãe.

O Natal, portanto, é o tempo perfeito para nos consagrarmos a ela!

 

https://pt.aleteia.org/2020/12/28/o-que-o-icone-de-nossa-senhora-do-perpetuo-socorro-tem-a-ver-com-o-natal/?

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

É ERRADO FALAR DE NOSSA SENHORA ENQUANTO MÃE SOLTEIRA? – Padre David Francisquini

 19 de novembro de 2020


Anunciação – Girolamo Lucenti (1602-1624). Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia.

Padre David Francisquini

Pergunta — A freira americana que fez um discurso contra o aborto na convenção do Partido Republicano, elogiando as iniciativas pró-vida do presidente Trump em defesa dos direitos do nascituro, disse uma frase que me chocou: “Como cristãos, conhecemos Jesus pela primeira vez como um embrião no ventre de uma mãe solteira, e o vimos nascer nove meses depois na pobreza de uma gruta”. Por mais que a frase estivesse destinada às moças que ficam grávidas, recomendando-lhes que não abortem, essa analogia me pareceu inapropriada, pois parece esquecer a virgindade perpétua de Nossa Senhora e o fato de que Ela estava casada com São José. O que o senhor pensa disso?

Resposta — A Igreja tem muitas formas de censura para as proposições contrárias ao seu ensinamento. São chamadas de “notas teológicas”. As mais graves se relacionam com o conteúdo das proposições censuradas: herética, errônea na fé, temerária. Outras se referem à forma defeituosa pela qual elas são expressas: equivocada, suspeita, malsoante. Por fim, uma formulação pode não ser errônea no conteúdo e na forma, mas ser censurada pelos efeitos que produz num contexto determinado, qualificando-se então como escandalosa, perigosa, sedutora dos simples ou ofensiva aos ouvidos pios. Por exemplo, seria verdadeira uma ladainha que dissesse São Pedro renegado, rogai por nós, porque de fato ele negou Nosso Senhor três vezes. Mas a piedade dos fiéis ver-se-ia contundida pela evocação desse gravíssimo pecado no contexto de uma ladainha em que se pede sua intercessão. Da mesma maneira, é louvável o corajoso discurso contra o aborto, evocado na pergunta; mas foi muito infeliz a formulação com que a freira se referiu à concepção virginal, pois choca os ouvidos piedosos dos fiéis, especialmente dos devotos de Nossa Senhora.

É preciso reconhecer que a frase da freira é até certo ponto materialmente verdadeira, pois no momento da Anunciação e da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria Ela ainda não estava casada legalmente com São José, nem vivia com ele sob o mesmo teto. Essas duas realidades estão declaradas explicitamente no primeiro capítulo do Evangelho de São Mateus. No versículo 18, ele diz que Nossa Senhora tinha concebido por virtude do Espírito Santo “antes de coabitarem”. E no versículo 20, que o anjo disse em sonhos a São José: “Não temas receber Maria por esposa”, o que significa que ele ainda não a havia recebido como tal.


O anjo disse em sonhos a São José:

“Não temas receber Maria por esposa”

Como explicar que no primeiro dos versículos citados se diga que Maria estava “desposada com José”? Como podia recebê-La por esposa, se já estava desposado com Ela? A aparente contradição resulta das traduções portuguesas da Bíblia, pois nas traduções em outras línguas os substantivos e verbos indicam claramente que Nossa Senhora estava apenas prometida, e ainda era noiva de São José. Essa afirmação pode causar surpresa em alguns leitores, mas será desfeita conhecendo-se melhor a legislação e as tradições matrimoniais dos judeus.

No início da história do povo eleito — como fica patente no relato do casamento de Isaac com Rebeca — eram os pais que negociavam o casamento de seus filhos. Depois passaram os próprios filhos a escolher suas futuras esposas, como ocorreu com Sansão. Querendo casar-se com uma filha dos filisteus, ele pediu aos pais para negociarem a boda, pois o candidato deveria oferecer um dote que fosse aceitável pela família da moça. Uma vez obtido o consentimento desta, fazia-se um contrato, que era verbal antes do cativeiro na Babilônia e passou a ser escrito depois, como o que foi redigido conjuntamente por Tobias e o pai de Sara.

Celebrava-se então com certa solenidade a cerimônia do noivado, durante a qual o noivo dava à noiva (se ela fosse menor, ao pai dela) um anel de ouro ou algum outro objeto de certo valor. A duração do noivado era de um ano, para dar tempo à noiva de se preparar para o casamento e aprontar seu enxoval. Durante esse período os futuros esposos permaneciam em suas respectivas casas, só se comunicando através do “amigo do esposo”, personagem ao qual São João Batista se comparou quando explicou a seus discípulos que não era Cristo, mas um enviado para anunciá-Lo.

Porém é necessário notar que, ao contrário de nossos dias, o noivado era tão irrevogável quanto o casamento; de tal maneira que, se a noiva se deixasse seduzir por outro homem, era punida de morte por lapidação, tal como acontecia com uma mulher adúltera já casada. E caso seu noivo viesse a morrer antes do casamento, ela deveria ser desposada por um cunhado, não podendo casar-se fora dessa família com um estranho, respeitando o costume do levirato (Deut. 25, 5). Devido ao caráter irrevogável do noivado, não existia na língua hebraica uma palavra específica para designar esse período, sendo assimilado linguisticamente ao casamento.


Os desponsórios da Virgem

– Sebastián López de Arteaga (1610-1652).
Museu Nacional de Arte, Cidade do México

À vista dessas considerações, compreende-se por que São Lucas, ao escrever que o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, “a uma virgem desposada com um varão, chamado José”, não quis dizer que Nossa Senhora estivesse casada, mas apenas comprometida a casar-se com ele. Tanto os verbos desponso despondeo da Vulgata latina, quanto o verbo μνηστή do original grego e seus derivados, significam prometer em matrimônio, pedir em casamento, pretendente, noivo. Por isso São José e a Virgem Maria não viviam sob o mesmo teto, como refere São Mateus, pois os costumes só autorizavam a coabitação depois das núpcias. Foi após a visita de São Gabriel que “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado, e recebeu em sua casa sua esposa” (Mt 1, 24).

Essa explicação dos fatos, que corresponde inteiramente às tradições do povo judeu, não é desmentida por São Lucas quando, ao relatar a subida do santo casal a Belém para o recenseamento (portanto, depois das núpcias), se refere a Nossa Senhora com as palavras μνηστευμέν ατ (original grego), traduzidas por desponsata sibi uxore na Vulgata latinao que literalmente quer dizer, como vimos acima, “sua noiva”. É possível que o evangelista tome aqui o verbo grego no sentido de “casar-se”, que por vezes tem. Contudo, o mais provável é que tenha desejado expressar-se com uma delicadeza suprema, para dar a entender que, no tocante ao Filho divino que Maria portava em seu seio virginal, Ela era apenas a prometida de São José. De qualquer maneira, São Jerônimo achou por bem acrescentar uxore — ou seja, esposa — para deixar as coisas bem claras.

Em resumo, e para concluir a resposta ao consulente, podemos dizer que a Santíssima Virgem Maria, na hora bendita da Anunciação, ainda não estava casada com São José. Isso não significa que fosse realmente solteira, pois já estava comprometida com ele mediante um contrato irrevogável, prescrito pela tradição judaica. Portanto, ainda que a expressão “mãe solteira” tenha sido utilizada com boa intenção pela religiosa mencionada na pergunta do consulente, ela é inapropriada e até chocante quando associada à concepção virginal de Maria Santíssima.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 839, Novembro/2020.

https://www.abim.inf.br/e-errado-falar-de-nossa-senhora-enquanto-mae-solteira/

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domingo, 15 de março de 2020

REFLEXÕES SOBRE O DIA E A NOITE - Plinio Corrêa de Oliveira


15 de março de 2020

O sol se manifesta à maneira de Deus, e a lua à maneira de Nossa Senhora. Recebendo a luz forte e variegada do sol, a lua a devolve atenuada, como consolação para os que lamentam a retirada do astro-rei.

Plinio Corrêa de Oliveira

O percurso feito por um homem durante a vida pode ser comparado ao curso do sol ao longo de um dia.

Na aurora o sol emite raios suaves, que contemplamos com encanto, e seu brilho se intensifica gradativamente à medida que ilumina todo o panorama. Da mesma forma que o sol, a criança de tenra idade irradia frescores primaveris, reluzentes de encantos que lembram os da aurora. São graciosos atrativos, que não mais se repetem ao longo das idades.

Ao se aproximar o meio-dia, o sol brilha em seu auge. Persistente e imutável, dardeja sem nenhum esforço aparente, parecendo tirar de si todas as energias, para iluminar todas as regiões do universo aonde sua luz deve chegar. Sem parecer fatigar-se com esse esforço colossal, ele se empenha em mostrar uma generosidade imensa. Sua potência incomparável parece fazer a oblação de si mesmo, e nisto simboliza metaforicamente o esforço, a operosidade e a glória de um homem na maturidade.

Quando o sol começa a se pôr, vai aos poucos perdendo o brilho, o que pode ser comparado, na vida do homem, com a fase em que ele já deu o máximo de si, já pode alegrar-se por ter atingido seus objetivos. Diante da missão realizada, do opus factum, ele pode ir-se retirando com dignidade e deixando as coisas deste mundo. Assume uma gloriosa diminuição de si mesmo, como quem diz: Tendo chegado a este ponto, não consigo cessar de repente, e de agora em diante me dedicarei à gloriosa contemplação. Vou sumindo gradualmente, pois foi gradualmente que subi até o mais alto. Combati o bom combate e chego à última etapa, que é a do ocaso.

Bem próximo ao anoitecer, e antes de desaparecer completamente, o sol emite uma última luzinha, que ainda é a glória de si mesmo. Não entra na escuridão, mas o mundo é que perde a luz por ter ele se retirado. A vida do homem justo tem algo disso, quando vai deixando de irradiar luz para entrar na luz da eternidade.

São estes os vários estágios do sol, e em cada um deles temos uma representação da existência de um homem.

Na observação das inúmeras variedades de pôr-do-sol, é interessante considerar também sua semelhança com a história dos impérios, das culturas, da Igreja ou das eras. Sua linha histórica é parecida com a sucessão dos dias: alguns têm suas manhãs magníficas, seguidas de variações diversas ao longo do dia, até que vem a noite. 
A noite representa aspectos inteiramente diferentes.

A lua não tem a potência iluminadora do sol. Ao subir no horizonte, sua luz contrasta com as trevas e as trevas vão crescendo em torno dela. Ela se destaca da escuridão, mas sem crescer em luminosidade. Não visa destruir as trevas, não é essa a sua função. Não visa dominar, nem se impõe como o sol. Não estando ele presente, ela devolve amigavelmente parte da sua luz.

Diante dos homens que estão sós e órfãos do sol, o luar entra na intimidade deles e os consola, dando uma ajuda, um lenitivo, uma esperança. Aos que ficaram atemorizados com o esplendor do sol, a lua tranquiliza: Você não interpretou bem o sol. Eu também sou luz, e se você observar como é a luz em mim, amanhã entenderá melhor o brilho do sol. Graças a essa ação benéfica da lua, de Maria Santíssima, homens assim amanhecem reconciliados com o sol. E sob o sol benfazejo eles recomeçam suas jornadas.

Como consoladora, a meia-luz da lua também atenua o que é feio, tosco, defeituoso, bem ao modo de Nossa Senhora. E o sol prossegue sua ação grandiosa, à maneira de Deus Nosso Senhor.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de junho de 1981. Esta transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte: Revista Catolicismo, Nº 830, Fevereiro/2020.



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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O SENSO DOS IMPONDERÁVEIS – Péricles Capanema


Publicado em 5 de janeiro de 2020

Péricles Capanema

O Evangelho do domingo 29 de dezembro relata a apresentação do Menino Jesus no Templo [quadro acima], levado por são José e Nossa Senhora para obedecer à lei de Moisés que determinava, o primogênito do sexo masculino devia ser consagrado a Deus. Chegando ao local da consagração, encontraram Simeão, homem virtuoso, já no ocaso da vida.

Simeão é o personagem menor do relato. O que é ele diante de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José? De outro lado, pela intervenção que ali teve, aparece em destaque na descrição e depois some para sempre.

À medida que o sacerdote lia o Evangelho, provocadas pelo texto carregado de significados, em cambulhada sugestivas miscelâneas de imagens e considerações, tendo como ponto de partida o velho Simeão, atropelavam-se no meu espírito. Confusões agradáveis à maneira de quarto de brinquedos de criança; quando tivesse tempo, eu as arrumaria no espírito — ou nunca.

Imaginava o templo meio vazio, frescor, uma ou outra pessoa passando por ali, lá na frente um casal jovem, pobre (estavam oferecendo o par de rolinhas prescrito pela lei mosaica), certo desinteresse do sacerdote. Súbito, um ancião (“logo que viu o Menino e os Pais, foi tomado por uma graça”) segura Jesus nos braços (“seu pai e sua mãe estavam admirados”) e inicia uma espécie de proclamação, misto de ação de graças, louvor e adoração: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. Após falar da glória do Filho, dirigiu-se a Nossa Senhora, era normal reverberarem nela os esplendores previstos. Vieram, contudo, de natureza inesperada: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma”. A grande surpresa: uma espada atravessará a alma da mãe. Outra: sinal de contradição. Mais uma: causa de queda e soerguimento para muitos. Outra ainda: sua conduta levaria à revelação de pensamentos ocultos.

Simeão se exprimia como profeta visitado por revelações e graças; inspirado, falava como preconizador do Messias. Mas ali havia também um homem de Deus com enorme senso dos imponderáveis sobrenaturais, pensava eu. Sentia a grandeza da cena que via e da qual participava, percebia realidades difíceis ou até impossíveis de definir. Não se caminha nas trilhas da graça sem o senso das realidades imponderáveis, sem saber sentir o dedo de Deus, o sorriso de Nossa Senhora, impossíveis tantas vezes de expor por palavras.

Adiante, não se caminha na vida sem o senso dos imponderáveis. E eles são das mais diversas naturezas. Há pessoas com senso dos imponderáveis artísticos. De outro lado, há dirigentes com finíssimo senso dos imponderáveis políticos. Um comentário, um gesto, um aceno de cabeça, e eles já sentem por onde os acontecimentos irão. É comum, esposas de políticos os orientam por meio de comentários passageiros, cuja raiz, funda no espírito delas, brota de inexplícitas associações de imagens, pequenos gestos de cabeças ou de mãos, elogios discretos ou comentários depreciativos leves, climas de reuniões e encontros fortuitos; até odores, cores e sabores, cada coisa registrada e associada a outras de forma subconsciente. É um gigantesco acervo de observações e impressões inexplícito, mas interrelacionado e ativo. Que a leva a sugerir caminhos vitoriosos e a impedir atalhos de derrota. Podíamos multiplicar, senso dos imponderáveis para negócios, para pesquisas, atitudes de mães de famílias na condução de seu mundo, tanta coisa mais.

Esburaquei a memória. Talvez a expressão senso dos imponderáveis, que hoje, julgo, pouco a pouco começa a entrar na linguagem comum, tenha sido criada ou pelo menos posta em ampla circulação nos círculos que frequentava e nos escritos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Nunca vi ninguém que a empregasse com mais talento e adequação. De fato, nunca vi ninguém senão ele a utilizar (também usada pelos que com ele conviviam). É representa, na esfera cultural, grande avanço civilizatório, à vera constitui uma de suas preciosas contribuições para o enriquecimento das almas. Quem não vê, amplia os espaços de conhecimento da realidade, chamando a atenção para desvãos dela, tantas vezes esquecidos e mesmo até então desconhecidos, ainda que determinantes.

Concluo. Matutava eu durante a leitura do Evangelho o que acima vai e ainda outras coisas. A origem dos pensamentos, como disse, foi que Deus não teria escolhido Simeão para pregoeiro de tantas verdades, se aquele filho de Abraão não tivesse sido antes distinguido com forte senso dos imponderáveis sobrenaturais. Rezei a ele, obtivesse de Nossa Senhora para mim o fortalecimento de meus tísicos sensos dos imponderáveis; todos eles, são bússolas, não importa o campo. Rezem também.


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domingo, 10 de novembro de 2019

UMA ORAÇÃO DE 18 SÉCULOS A NOSSA SENHORA PARA REZARMOS NA HORA DE SAIR DE CASA



Chalitsa HONGTONG | Shutterstock

Redação da Aleteia | Set 27, 2019

Ela já era invocada como Mãe de Deus em pleno século III, bem antes que esse dogma fosse promulgado

A Biblioteca John Rylands, de Manchester, na Inglaterra, adquiriu em 1917 um grande painel de papiro egípcio escrito em koiné, o dialeto grego popular que servia como língua franca em toda a região Mediterrânea. É o mesmo dialeto grego, aliás, em que foram escritos os Evangelhos.

No papiro em questão há um fragmento, numerado pela biblioteca como 470, cujo conteúdo, decifrado em 1939, parece proceder de uma antiquíssima liturgia cristã copta de Natal.


Trata-se de uma oração a Nossa Senhora, possivelmente composta no século III, na qual Maria é invocada como “Theotókos”, um termo grego que significa “Mãe de Deus“.

É importante observar que a maternidade divina de Maria só viria a ser oficialmente explicitada pela Igreja no III Concílio Ecumênico, o de Éfeso, cerca de duzentos anos depois. Ou seja: os primeiros cristãos já veneravam Nossa Senhora como Mãe de Deus desde bem antes que o dogma fosse promulgado – e ao menos um século antes de Constantino e do Edito de Milão.

“Sob a vossa proteção”
Diz a oração:

Sob a vossa proteção nos refugiamos,
Mãe de Deus!
Não desprezeis as nossas súplicas
em nossas dificuldades,
mas livrai-nos do perigo,
Vós, toda Santa e bendita!

Esta oração passou a ser tradicionalmente rezada quando se sai de casa, pedindo o auxílio de Nossa Mãe.

“Sub tuum praesídium”
Conheça também a versão em latim:

Sub tuum praesídium confúgimus,
Sancta Dei Génitrix;
nostras deprecatiónes ne despícias
in necessitátibus nóstris,
sed a perículis cúnctis
líbera nos sémper,
Virgo gloriosa et benedicta.




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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

“COISAS DA MÃE DE JESUS” - Um relato divertido



São Pedro investiga por onde almas entram no Céu sem sua permissão
Fev 07, 2018

Um relato divertido e piedoso sobre o que Nossa Senhora anda aprontando na janela...

As redes sociais estão compartilhando o relato que reproduzimos abaixo. Certamente não é nenhum tratado de teologia, mas, imperfeições à parte, ele reflete o quanto Nossa Mãe se empenha em nos ajudar a chegar a Jesus – inclusive quando nos custa tanto perseverar na virtude.

Conta-se que São Pedro, certa vez, ficou preocupado ao notar no Céu a presença de várias almas que ele não se lembrava de ter deixado entrar pela porta. Ele então começou a investigar e, finalmente, encontrou o lugar por onde elas passavam.

Dirigiu-se diligentemente até o Senhor e lhe disse:

“Jesus, percebi que temos aqui várias almas que eu não me lembro de ter deixado entrar. Fiz algumas investigações e descobri por onde elas estão entrando. Gostaria que o Senhor mesmo visse”.

Jesus, com toda a Sua serenidade, acompanhou São Pedro e observou que, de fato, havia uma entrada por onde constantemente subiam almas e mais almas até o Céu.

Ainda um pouco alarmado, São Pedro sugeriu:

“Não deveríamos fechar essa entrada, Senhor?”.

E Jesus, sorridente e até encantado com a cena, respondeu:

“Não, não… Deixe assim. Isso é coisa da Mamãe!”

Maria tinha deixado um enorme rosário pendurado à janela e, por ele, a fila de almas ia subindo continuamente até o Céu.

Não é à toa que se diz que, quando os próprios pecadores se fecham as portas do Paraíso com as trancas do pecado, Maria lhes escancara a janela, para que sempre encontrem alguma nova oportunidade.




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