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quarta-feira, 30 de março de 2022

ORAÇÃO PARA APRESSAR O TRIUNFO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA



Tendo em vista a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, Dom Athanasius Schneider (bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão) compôs uma oração que aqui transcrevemos na tradução para o português feita pelo nosso colaborador Hélio Dias Viana.


Ó Imaculado Coração de Maria, Santa Mãe de Deus e nossa terna Mãe, olhai para a angústia em que vive toda a humanidade devido à propagação do materialismo, da impiedade e da perseguição à fé católica.

Em nossos dias, o Corpo Místico de Cristo está sangrando de tantas feridas causadas dentro da Igreja pela propagação impune de heresias, pela justificação dos pecados contra o Sexto Mandamento, pela busca do reino da terra em vez do reino dos céus, pelos horrendos sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia, especialmente através da prática da Comunhão na mão e da forma protestante de celebração da Santa Missa.

Em meio a essas provações surgiu a luz da consagração da Rússia ao vosso Imaculado Coração, pelo Papa em união com os bispos do mundo. Em Fátima Vós pedistes a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados do mês. Implorai ao vosso Divino Filho que conceda uma graça especial ao Papa, para que aprove a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados.

Que Deus Todo-Poderoso apresse o tempo em que a Rússia se converta à unidade católica, a humanidade tenha um tempo de paz, e a Igreja receba uma renovação autêntica na pureza da fé católica, na sacralidade do culto divino e na santidade da vida cristã.

Ó Medianeira de todas as graças, ó Rainha do Santíssimo Rosário e nossa doce Mãe, voltai para nós os vossos olhos misericordiosos e atendei graciosamente esta nossa oração confiante.

Amém!

+ Athanasius Schneider

 

https://www.abim.inf.br/oracao-para-apressar-o-triunfo-do-imaculado-coracao-de-maria/

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

RETUMBANTE CONVERSÃO DE UM JUDEU – Plinio Corrêa de Oliveira

 


REPRESENTAÇÃO DA APARIÇÃO DE

NOSSA SENHORA A ALPHONSE

RATISBONNE

No dia 20 de janeiro de 1842, há exatamente 180 anos, o judeu Alphonse Ratisbonne se converteu milagrosamente ao catolicismo, por intervenção direta de Nossa Senhora

Plinio Corrêa de Oliveira

De família muito rica de banqueiros de Estrasburgo (Alemanha), o jovem judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) percorria vários países. Após uma viagem ao Oriente, em 1842 passou uma temporada em Roma, onde se encontrou com um antigo colega, Gustavo de Bussières, de religião protestante. Na residência deste, conheceu seu irmão, o Barão Teodoro de Bussières, que havia se convertido ao catolicismo.

Naqueles dias falecera em Roma um grande amigo do Barão, o Conde de La Ferronays (1777-1842), ex-embaixador da França junto à Santa Sé.

Assim, Bussières convidou Ratisbonne para acompanhá-lo à igreja de Sant’Andrea delle Fratte a fim de tratar de uma cerimônia fúnebre pelo falecido. Concordou de mau grado, pois o judeu detestava a religião católica, mas como turista iria para apreciar as obras de arte daquela igreja romana.

Após tratar do assunto da cerimônia, o Barão de Bussières voltou para o centro da igreja e se deparou com uma grande surpresa: Ratisbonne ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo! O judeu rezando fervorosamente, extasiado, maravilhado.

Banhado em lágrimas, disse ao amigo que tinha visto Nossa Senhora numa aparição sobre o altar. Pela descrição que fez, tratava-se de Nossa Senhora das Graças, como aparece na Medalha Milagrosa [foto ao lado].

Ratisbonne achava-se completamente mudado, estava convertido, e queria mudar de vida. Ele se fez batizar. Alguns até consideram que ele tenha morrido em odor de santidade.

Naquele altar da aparição foi introduzido um quadro que representa Nossa Senhora segundo as descrições de Ratisbonne. Ela é chamada de Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre).

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio

Corrêa de Oliveira em 20 de janeiro de 1973. Esta

 transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte:

Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022.

https://www.abim.inf.br/retumbante-conversao-de-um-judeu/

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domingo, 18 de abril de 2021

RECEBENDO A SAGRADA COMUNHÃO NO ESPAÇO – Plinio Maria Solimeo


Plinio Maria Solimeo

É corrente que aqueles que se dedicam especialmente às ciências e às coisas técnicas, são pouco propensos para seguirem à risca seus deveres religiosos. Pois, em grande número de casos, tratando somente com coisas práticas e concretas, acabam amortecendo o senso religioso e se tornando materialistas ou agnósticos. Isso, que infelizmente é muito frequente, não foi o que ocorreu com quatro astronautas americanos dedicados ao que há de mais moderno na ciência e na técnica, que é a carreira espacial. Pois, não só conservaram e afervoraram sua fé em suas aventuras pelo espaço, mas tiveram a grande graça de nele receber a Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.


A folha de serviço do mais antigo deles, Thomas Jones [foto], nascido em janeiro de 1955 em Baltimore, por exemplo, é considerável. Ele participou de quatro missões espaciais, e quando deixou a NASA em 2001, trabalhou depois como cientista planetário e consultor em operações espaciais, cientista pesquisador sênior no Instituto de Cognição Humana e de Máquina da Flórida, envolvido no planejamento de expedições de robôs e astronautas ao espaço profundo e asteróides próximos à Terra, palestrante e escritor de quatro obras. De 2006 a 2009, ele serviu no Conselho Consultivo da NASA, e foi membro do conselho da Astronauts Memorial Foundation. Por tudo isso, mereceu ser colocado no Astronaut Hall of Fame dos Estados Unidos em 21 de abril de 2018. Portanto, é um cientista de muito renome.

Jones, detentor de quatro prêmios concedidos pela NASA e pela Força Aérea dos Estados Unidos, seu livro autobiográfico Sky Walking: An Astronaut’s Memoir (Caminhando pelo céu: Memória de um astronauta), de 2006, foi escolhido pelo Wall Street Journal como um dos cinco principais relatos dedicados ao assunto do espaço. Católico convicto, Jones narra sua experiência espiritual, no livro acima citado, de receber a Sagrada Comunhão no espaço.

Isso se deu em sua primeira participação em uma missão espacial como membro da tripulação da nau espacial Endeavour no programa STS-59, entre 9 e 20 de abril de 1994. O objetivo da missão era o de colocar em funcionamento, no espaço, um radar para estudo do ecossistema terrestre, além de coletar dados sobre a quantidade e distribuição de monóxido de carbono nos níveis mais altos da atmosfera terrestre e fazer, por radar, observações oceanográficas, geológicas, hidrológicas e estudo e observação de placas tectônicas ao redor do planeta.

O astronauta considerou o participar dessa grande aventura um privilégio pois, além de adquirir experiência e de o familiarizar com a vida no espaço, sobretudo ia lhe proporcionar a possibilidade de ver a Deus em suas obras no imenso firmamento.

Suas expectativas, entretanto, ultrapassaram toda expectativa. Pois ocorreu que, como três dos seis tripulantes da nave espacial eram católicos — ele, o comandante, Gutiérrez, e o piloto Kevin Chilton, que era ministro extraordinário da Eucaristia —, eles puderam receber a Sagrada Comunhão em pleno vôo da nave espacial. Pois Kevin tinha recebido do seu vigário licença para levar consigo em sua missão algumas hóstias consagradas.


Isso ocorreu da seguinte maneira: no domingo, duas semanas depois da Páscoa, quando estavam já no espaço, os três astronautas se reuniram na cabine de vôo para comungar. Nesse momento, diz Jones, “os três agradecemos a Deus pelas vistas de Seu universo, pela boa companhia, e pelo êxito que tínhamos tido até então. Kevin então repartiu o Corpo de Cristo com Sidney e comigo, e permanecemos na cabine de vôo refletindo no silêncio, esse momento de paz e de verdadeira comunhão com Cristo”. Quando acabaram de comungar, conforme narra Jones, ocorreu que, “enquanto meditávamos tranquilamente na escura cabine, uma deslumbrante luz branca irrompeu pelo espaço, e nela penetrou. A luz radiante do sol que se avistou através das janelas dianteiras da nau espacial e nos deu calor, que outro sinal [da presença de Deus] podíamos pedir senão esse? Foi a afirmação gentil de Deus de nossa união com Ele”. Comovido até às lágrimas, o astronauta se afastou de seus companheiros, e contemplou então através das janelas da nave o amanhecer e, debaixo, o Oceano Pacífico, cuja superfície azul resplandecia com a luz do sol. Acrescenta ele que “com esta formosa luz entrando na nave, e o formoso oceano azul em baixo, estive a ponto de chorar”. E então se lembrou das palavras do evangelho de São Mateus (18, 20): “Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou Eu no meio deles”.

O astronauta comenta que, “cada vez que tens algum tempo livre [na nave espacial], e olhas pela janela, há um tremendo sentimento de gratidão [para com Deus] por olhar abaixo com esta perspectiva única de teu mundo. Tu te sentes muito especial e muito humilde ao mesmo tempo. É muito comovedor e inspirador”.


Comentando 10 anos depois essa aventura, afirma Jones: “Estamos destinados a nos assombrar no espaço. Se nossa espécie imperfeita encontrou tais cintilações de deleite em nosso primeiro encontro com o cosmos, então verdadeiramente encontramos a um Deus muito carinhoso e generoso”. Ele diz que “era consciente de que cada dia no espaço era um regalo especial [de Deus], e sabia que me havia sido concedido esse regalo único. Cada noite, antes de dormir, agradecia a Deus por essas maravilhosas vistas da Terra, e pelo êxito de nossa missão. Continuamente pedia pela segurança de nossa tripulação, e para que tivéssemos um feliz encontro com nossas famílias”. Ele era casado com Liz Jones, e tinha duas filhas.

Tom Jones confessa que, ao contrário do que se poderia pensar, no espaço sempre lhe foi mais fácil rezar. Ele levava consigo textos das leituras das Missas dos domingos e outras passagens da Sagrada Escritura, anotados em um caderno que tinha para utilizar em suas missões. Sobretudo, afirma ele, o Rosário sempre fez parte de sua equipagem pessoal.

Depois dessa inesquecível viagem espacial, Thomas Jones participou de mais três missões, e realizou três passeios espaciais durante a construção da Estação Espacial Internacional. No total, ele passou 53 dias no espaço o que, segundo afirma, o ajudou a acrescentar ainda mais a fé católica que já professava quando voou ao espaço pela última vez em 2001.

Atualmente Jones é paroquiano na igreja de São João Newmann, em Reston, na Virginia, onde exerce a função de leitor.


Outro astronauta que teve a graça de comungar no espaço foi Michael Hopkins [foto]. Nascido em dezembro de 1968, ele é coronel da Força Espacial dos Estados Unidos e astronauta da Nasa.

Casado com Júlia Stutz e pai de dois filhos, antigo membro da Igreja Metodista, ele se converteu e foi recebido na Igreja Católica em 2013, unindo-se assim na mesma fé à sua esposa e aos filhos.

Hopkins participou de várias missões da NASA, sendo o primeiro membro de sua aula a voar no espaço, e o primeiro astronauta a se transferir para a Força Espacial dos Estados Unidos, participando de uma cerimônia de transferência na Estação Espacial Internacional.

Em setembro do ano de 2013, o astronauta americano foi designado para participar, com seus congêneres soviéticos, da missão Soyuz TMA-10M. Essa nave espacial permaneceu seis meses no espaço, acoplada à Estação Espacial Internacional para servir como veículo de escape em caso de emergência.

Para se ter uma ideia da profundidade da conversão à verdadeira Igreja deste ex-metodista, que ocorrera nesse mesmo ano de 2013, considere-se que, para não ficar durante esse longo período sem receber a Sagrada Comunhão, Hopkins obteve do arcebispo de Galveston-Houston, por intermédio de seu pároco, o Pe. James H. Kuczynsky, que fosse nomeado ministro extraordinário da Eucaristia, e licença para levar consigo ao espaço uma teca com seis hóstias consagradas, número suficiente para que ele pudesse comungar aos domingos, durante as 24 semanas que ficaria no espaço. Afirma ele que isso “foi extremamente importante para mim”.

Desse modo, chegando o domingo, ele se recolhia na Estação Espacial, e preparava-se para a Comunhão com algumas leituras e orações. Depois comungava. Nos dias da semana em que não comungava, Hopkins sempre fazia alguns momentos de adoração do Santíssimo Sacramento.

Esse astronauta genuinamente católico, também procurava ver a Deus no espaço. Para ele, “quando você vê a Terra desde esse ponto de vista [de uma obra de Deus], e a beleza natural que existe, é difícil não sentar-se aí, e dar-se conta de que tem que haver uma força superior que fez tudo isso”. Isto é, um Deus criador do Céu e da Terra, e de tudo quanto existe[i].


[i] Fontes

– https://www.religionenlibertad.com/ciencia_y_fe/734263843/tom-jones-astronauta-catolico-comulgar-espaci-nasa.html?utm_source=boletin&utm_medium=mail&utm_campaign=boletin&origin=newsletter&id=31&tipo=3&identificador=734263843&id_boletin=218880017&cod_suscriptor=452495753

– https://en.wikipedia.org/wiki/Michael_S._Hopkins

– https://www.catholicherald.com/News/Local_News/For_veteran_astronaut_and_Catholic_Tom_Jones,_space_was_a_spiritual_experience/

– https://www.religionenlibertad.com/personajes/55296/astronauta-revela-tremenda-experiencia-comulgar-espacio.html

 

https://www.abim.inf.br/recebendo-a-sagrada-comunhao-no-espaco/

 

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

AFONSO RATISBONNE

Algo de legislador, de Moisés e de bíblico no judeu convertido ao Catolicismo no dia 20 de janeiro de 1842.

Plinio Corrêa de Oliveira


A fisionomia de Afonso Ratisbonne* [foto] é de uma pessoa que tomou uma resolução firme. O porte, o corpo, todo o conjunto é de um homem possante, que enfrenta qualquer dificuldade. Até pela postura das mãos e dos braços se percebe um homem de decisão forte.

Ele não aparenta introspecção alguma, está completamente posto no mundo exterior, na objetividade, na verdade. Sem devaneios, pois entende que a vida não é feita de ilusões; tem o garbo de um gigante na presença de Deus. Estes aspectos revelam a sua grandeza de alma.

O Pe. Afonso Ratisbonne tem algo de bíblico, Moisés poderia ser assim. Esta fotografia é benfazeja, como também o é a de São Charbel Makhlouf. Mas a fisionomia de São Charbel lembra a de um profeta, enquanto a de Ratisbonne lembra muito a de um legislador.


Como legenda desta fotografia, poder-se-ia escrever: O varão a quem apareceu Nossa Senhora do Milagre [foto ao lado]. Dessa aparição resultou a conversão, que impregnou essa fisionomia com algo de exorcizante. Mil morcegos e mariposas da dúvida, da incerteza, da moleza, da introspecção e da cupidez fogem da presença dele.

Este é um verdadeiro católico, nem um pouco tolo, pois sabe o que deseja. Compreende inteiramente a malícia dos revolucionários e como deve ser o combate aos maus. Ele era um homem riquíssimo, frequentava a melhor e mais alta aristocracia. Sua conversão do judaísmo ao catolicismo deslocou-o desse ambiente para tornar-se sacerdote. O amor que ele tinha a si mesmo, transferiu-o a Deus Nosso Senhor, com todas as suas potencialidades colocadas inteiramente a serviço do amor de Deus.

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* O banqueiro judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) converteu-se ao catolicismo em 20 de janeiro de 1842. O extraordinário fato se passou em Roma, na igreja de Sant’Andrea delle Fratte, diante da imagem da Madonna del Miracolo. Nossa Senhora apareceu-lhe e o converteu instantaneamente, de inimigo da Igreja Católica em seu fervoroso apóstolo.

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Excertos da conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 25 de agosto de 1977. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/afonso-ratisbonne/

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quarta-feira, 27 de maio de 2020

QUANDO UMA CONVERSÃO É PROFUNDA – Plinio Maria Solimeo

27 de maio de 2020

 Plinio Maria Solimeo


          Às vezes vemos notícias sobre conversões ao catolicismo de atletas famosos. O que nos surpreende é a seriedade com que os neo convertidos passam a viver a vida religiosa, sendo comum procurarem a forma antiga da liturgia para as suas devoções. John Scott é um desses exemplos. Nascido no Canadá 37 anos atrás, passou sua vida profissional entre seu país e os EUA, onde se formou em engenharia pela Universidade de Michigan. É casado e pai de cinco filhas, incluindo duas gêmeas.

         Scott se tornou conhecido como jogador da Liga Profissional americana de hóquei sobre gelo, a qual move milhões naquele país. Esse esporte é tão violento ou mais que o futebol americano. Por isso, com seus quase dois metros de altura ele se sobrepunha aos adversários. Sua maior notoriedade ocorreu na temporada 2015-16, quando foi escolhido pelos fãs como capitão da equipe da Divisão do Pacífico da Conferência Oeste para o All-Star Game.

 

        Desde criança começou a praticar hóquei, esporte muito popular no Canadá devido à neve. Ele confessa que aprendeu a interagir com outras pessoas por meio do esporte. Como não possuía formação religiosa, o hóquei teria sido para ele a coisa mais próxima de uma religião, pois coloriu a sua visão da vida. Como profissional, Scott adquiriu fama de violento durante os jogos: “Lutar era parte rotineira da minha carreira. Fui pago para proteger meus colegas de equipe, mas gostaria de não ter feito isso”.    

          Universitário, ele conheceu sua futura esposa, Danielle, uma moça católica cuja fé lhe proporcionou uma base estável de vida. Ele estava de algum modo ‘patinando no gelo fino’, pois não tinha uma explicação geral de como o mundo foi montado ou seu significado. Quando pernoitava na casa de sua namorada, dormia no porão, enquanto ela dormia em seu próprio quarto. Iam juntos à missa com os pais dela.

 

        Quando os dois falaram sobre o casamento, Danielle deixou claro que “se eu quisesse me casar, teria de ser na Igreja Católica, e eu teria que concordar em criar nossos filhos como católicos. Depois nos reunimos com um padre e discutimos o compromisso de toda a vida um com o outro, a procriação e instrução das crianças”. Nessa conversa ficou bem claro que o casamento era para toda a vida, que não fariam controle artificial da natalidade, pois a Igreja o proíbe, e deveriam aceitar todos os filhos que Deus mandasse.

         Quando o repórter lhe observa que o tamanho de sua família é maior que o da maioria dos americanos, ele afirma: “É estatisticamente incomum, mas o importante não é ser mediano, mas viver como a Igreja nos ensina a viver, estando abertos à vida”. Ele, com efeito, sabe o que quer e quer o que faz: “Com famílias maiores, há amigos incorporados e oportunidades de abnegação e expansão dos horizontes, há sempre algo para aprender”.

         Embora fosse à Missa com a esposa e seus familiares, John não deu logo o passo decisivo para se tornar católico. Foi só em 2016, quando se aposentou, que ele fez o curso completo de catequização, sendo batizado na Páscoa de 2017. Cumpre salientar que, além de profundos, esses cursos de catequizaçãonos EUA são muito conservadores do que no Brasil. Para ele, os católicos são obrigados a compartilhar a fé, mas, ao mesmo tempo, permitir que cada pessoa tome a própria decisão.

           A família de John Scott adota o homeschooling, ensinando suas filhas em casa. Ele comenta que como estavam com isso perdendo um pouco o senso de comunidade, decidiram procuraram uma paróquia em que houvesse muitas famílias numerosas para se relacionarem. Encontraram então igreja do Santíssimo Rosário, em Cedar, Michigan, conhecida por seus vitrais em estilo gótico e cuja Missa é celebrada com suma reverência no rito extraordinário, além de ser uma rica fonte de catequese familiar.

           Scott comenta: “Somos afortunados por assistir a uma missa solene aos domingos. É gratificante fazer parte dela, com a precisão dos acólitos, o incenso, a música celestial, e a língua usada. Eu até estou aprendendo mais o latim para poder acolitar a Missa”. A igreja tem uma capela de adoração perpétua do Santíssimo Sacramento: “Aguardo com expectativa minha hora semanal de adoração eucarística, que é um período muito valioso para estar na presença direta de Deus”, onde há paz e se obtém ajuda para viver melhor.

         Perguntado sobre as devoções familiares, Scott diz: “Todos nós temos nossas devoções individuais. Mas juntos rezamos um Rosário diário em família, que é a coisa mais importante que todos podemos fazer juntos agora”. Em sua casa foram entronizados o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, praticam a devoção recomendada em Fátima da Primeira Sexta-feira e o Primeiro Sábado do mês, além das orações da manhã, do Ângelus, e ainda, quando podem, assistem à Missa durante a semana. Essas devoções lhes dão uma sensação de estrutura e lhes recorda a necessidade de pedir ajuda para superar as tentações do mundo e fazer a vontade de Deus.

         Em uma demonstração da profundidade de sua conversão, John Scott fala da pouco praticada devoção ao castíssimo esposo de Maria: “O que também faz todo sentido, especialmente para nós, homens, é aprender mais sobre São José, e confiar em sua ajuda”. Considera São José o modelo de todos os maridos e pais cristãos. Foi ele quem deu o nome a Jesus e salvou-O de Herodes. Seu silêncio foi sua força, liderou e protegeu a Sagrada Família.

         John Scott fala sobre a necessidade de se praticar abertamente a fé: “Este é o momento em que precisamos ouvir mais sobre a grandeza do catolicismo, que oferece uma alternativa ao que ouvimos e vemos tanto hoje. A felicidade do mundo é muito superficial, mas a felicidade do catolicismo é profunda”. Para ele, existem muitos caminhos possíveis para partilhar a fé, mas todos eles são motivados pelo desejo de ajudar as pessoas a encontrar o caminho para o Céu. Essa é a luta que importa. A Igreja Católica, com suas devoções e seus sacramentos, torna isso possível.

         John Scott escreveu sua autobiografia [capa acima], com o título: A Guy Like Me: Fighting to Make the Cut (em tradução livre: Um homem como eu: lutando para fazer a diferença).

 

 http://www.abim.inf.br/quando-uma-conversao-e-profunda/


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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O MILAGRE DE LOURDES QUE CONVERTEU UM GANHADOR DO NOBEL



Ele aceitou ir a Lourdes pensando em comprovar pessoalmente a falsidade dos supostos milagres – mas acabou presenciando um deles

Desde a primeira aparição da Santíssima Virgem Maria à menina francesa Bernadette Soubirous, a água da gruta de Lourdes tem sido fonte de curas milagrosas, tanto para quem visitou a gruta quanto para quem usou a água em lugares distantes. Desde a época de Bernadette, mais de 7.000 curas milagrosas foram relatadas ao Departamento Médico de Lourdes por peregrinos que visitaram o santuário. Este número não inclui os casos ocorridos fora de Lourdes.


Havia tantas curas supostamente associadas à água e à gruta de Lourdes que a Igreja Católica decidiu criar o Departamento Médico de Lourdes, a ser constituído e liderado por médicos e cientistas. O objetivo do “Bureau“, como também é chamado, é avaliar os alegados casos milagrosos e verificar, entre outros critérios, se a cura em questão foi quase instantânea, se a saúde restabelecida se manteve durante todo o resto da vida e se a cura é cientificamente inexplicável. O Bureau é constituído por 20 médicos e cientistas. Seus registros estão abertos a qualquer médico ou cientista que queira fazer a própria investigação particular ou contestar qualquer caso específico reconhecido como “milagroso”.

Um dos casos mais significativos já registrados em Lourdes foi a cura de Marie Bailly, testemunhada por um médico então agnóstico, o Dr. Alexis Carrell. Ele próprio acabou se convertendo à fé católica depois de estudar a inexplicável cura que tinha presenciado.sua conversão.

O milagre de Marie Bailly

Em 1902, um amigo médico do Dr. Carrell o convidou para ajudar a cuidar de pacientes doentes que eram transportados por trem de Lyon até Lourdes. Carrell, na época, não acreditava em milagres, mas concordava em ajudar por amizade e pelo interesse em descobrir as causas naturais que permitiam curas tão rápidas como as que aconteciam em Lourdes.

No trem, ele encontrou uma mulher chamada Marie Bailly, que sofria de peritonite tuberculosa aguda. Seu abdômen estava consideravelmente distendido, com grandes massas duras. Marie estava apenas parcialmente consciente. Carrell acreditava que ela morreria muito rapidamente depois de chegar a Lourdes – ou até antes. Outros médicos presentes no trem concordaram com esse diagnóstico.

Assim que o trem chegou a Lourdes, Marie foi levada até a gruta, onde três jarros d’água foram derramados sobre seu abdômen distendido. Após o primeiro derramamento, ela sentiu uma dor lancinante, que diminuiu depois do segundo. Após o terceiro derramamento d’água, ela experimentou o que descreveu como uma sensação agradável. Seu estômago começou a se achatar e seu pulso voltou ao normal.

Carrel estava em pé logo atrás de Marie, junto com outros médicos, tomando notas enquanto a água era derramada sobre seu abdômen. Ele escreveu:

“O abdome, enormemente distendido e muito duro, começou a se achatar. Em 30 minutos [a protuberância] havia desaparecido completamente. Nenhuma descarga foi observada do corpo”.

Marie, pouco depois, se sentou na cama, jantou (sem vomitar) e, no dia seguinte, saiu da cama sozinha e se vestiu. Embarcou no trem, sentou-se em um dos bancos duros e chegou a Lyon revigorada.

Carrel continuou interessado em suas condições psicológicas e físicas e pediu que ela fosse monitorada por um psiquiatra e um médico durante quatro meses. Depois desse tempo, Marie se juntou às Irmãs da Caridade para trabalhar com os doentes e os pobres em uma vida bastante árdua. Ela faleceu em 1937, aos 58 anos.

A conversão de Carrel

Quando Carrel testemunhou esse evento inacreditavelmente rápido e medicamente inexplicável, acreditou ter visto o que as pessoas chamavam de milagre, mas era difícil, para ele, apartar-se do antigo agnosticismo cético.

Além disso, ele não queria ser testemunha, como médico, de um evento milagroso: Carrel sabia que, se o caso se tornasse público, a sua carreira na faculdade de medicina de Lyon se arruinaria.

Mas a cura de Marie Bailly se mostrava tão evidentemente milagrosa, por ter sido tão rápida, tão completa e tão inexplicável, que acabaria se tornando pública de qualquer forma na mídia da França e do mundo todo. Repórteres chegaram a publicar que Carrel não considerava que a cura tivesse sido um milagre, o que o forçou a escrever uma resposta pública. Em sua manifestação, o doutor afirmou que um lado, composto por crentes, tinha chegado rapidamente demais à conclusão de que ocorrera um milagre, mas também declarou que o outro lado, composto pela comunidade médica, tinha se recusado injustificadamente a reconhecer fatos que pareciam de fato milagrosos.

Como Carrel temia, a sua defesa da possibilidade da cura milagrosa de Bailly causou o fim da sua carreira na Faculdade de Medicina de Lyon. Ironicamente, porém, o efeito foi muito positivo para o seu futuro: ele se transferiu para a Universidade de Chicago e, depois, para a Universidade Rockefeller. Graças ao seu trabalho em anastomose vascular, Carrel recebeu nada menos que o Prêmio Nobel de Medicina de 1912.

Ele ainda retornaria muitas vezes a Lourdes, e, em uma das ocasiões, testemunhou um segundo milagre: a cura instantânea de um menino cego de 18 meses.

Apesar desses dois milagres que viu com os próprios olhos, Carrel relutou até 1942 antes de finalmente conseguir afirmar conclusivamente a realidade dos milagres. Naquele ano, ele anunciou publicamente que acreditava em Deus, na imortalidade da alma e nos ensinamentos da Igreja Católica.

Cientistas e fé

Mais próximo da nossa época, outro médico premiado com o Nobel de Medicina afirmou:

“Muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: ‘A ausência de prova não é prova de ausência’ (…) Quanto aos milagres de Lourdes que eu estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender esses milagres, mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado atual da ciência”.

Trata-se do Dr. Luc Montagnier, que, entre outras relevantes contribuições à ciência, ficou famoso pela descoberta do vírus HIV. Segundo ele, é recomendável que os incrédulos, em vez de promulgarem os seus próprios dogmas de “intelectualidade superior” diante daquilo que não entendem, procurem conhecer o assunto com mais rigor científico e menos conclusões precipitadas (e anticientíficas).

De fato, são milhares os registros de “curas inexplicáveis” que acontecem todos os anos no santuário mariano de Lourdes, mas são pouquíssimas as curas consideradas efetivamente milagrosas por parte da Igreja, que, talvez para surpresa de muitos, adota critérios rigorosos em sua minuciosa avaliação científica de cada caso. Para saber como é feito o detalhado estudo médico de cada suposto milagre relatado em Lourdes, confira o artigo abaixo sobre os 7 critérios científicos de uma cura milagrosa:

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