"O laicismo se vitimiza diante da moral bíblica apenas
como arma retórica para legitimar a perseguição sistemática ao
cristianismo"
Por que queimam igrejas? Certamente não é por brincadeira.
Dom Henrique Soares da Costa, que em paz descanse, já tinha
alertado que as chamas em Nôtre-Dame eram um sinal. De fato, nos últimos meses,
criminosos incendiaram dezenas de igrejas mundo afora em nome de ideologias
extremistas ardentes de ódio. Os casos mais recentes, no Chile, foram uma mostra
especialmente virulenta e escancarada desse ódio ideológico.
Sobre isso, o pe. José Eduardo de Oliveira se manifestou
via rede social:
“A queima de Igrejas no Chile é uma demonstração de que o
laicismo não veio para brincar. É uma ideologia assassina, que se vitimiza
diante da moral bíblica apenas como arma retórica para legitimar a perseguição
sistemática ao cristianismo. Infelizmente, muitos trocaram os fundamentos
da fé pelos pressupostos laicos, desconstruindo a teologia cristã a partir de
categorias emprestadas do marxismo atual, travestido de eco-feminismo. Isso não
é uma brincadeira! Primeiro, queimam a teologia católica; depois, queimam
Igrejas”.
“Salgados pelo fogo”
Antes dele, dom Henrique havia escrito sobre as chamas ateadas na catedral
parisiense de Nôtre-Dame em abril de 2019. Na ocasião, ele deu ao texto o
título “Salgados pelo fogo”:
“O incêndio da Notre Dame de Paris é um sinal, um
símbolo… Quem o entenderá?
Os grandes da terra choram e lamentam… E tantos franceses
inimigos do cristianismo e da Igreja choram… E os filhos dos que no século
XVIII colocaram naquele mesmo Altar sagrado uma mulher fantasiada de deusa
Razão lamentam…
Não por um lugar de culto a Deus, não por uma Catedral onde
o Sacrifício do Cordeiro é oferecido para a Vida do mundo…
Lamentam porque um museu incendiou… Hipócritas!
Não compreendem que sem a fé, sem o cristianismo genuíno,
sem a fé católica inteira e integral, sem negociações mundanas, é a Europa, é o
Ocidente que incendiarão e virarão cinzas…
O incêndio da Notre Dame de Paris é um sinal… Triste e
potente sinal…
Quem a incendiou? Foi mesmo um acidente?
Mais de dez igrejas foram incendiadas na França, nas últimas
semanas…
Que sinal! Sinal potente, eloquente, para a França, para a
Igreja, para a Europa, para o Ocidente… Mas, não ouvirão… Não darão
atenção…”.
Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes
que compareceu com sua filhinha para consultas. Assim que chegaram a
menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa
distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora.
O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de
óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com vários
de problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida
tu vista. (https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/).
Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a
criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O
oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando.
Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais da importância
de fazer a menina a passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais.
É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das
crianças, como pediatras, optometristas etc.
Os pais devem se informar dos graves problemas que provocam
nas crianças o mau uso das novas tecnologias, que podem produzir zumbis
digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e
outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em
Digital Zombie: https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Zombie
Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as
idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são:
Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia.
Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes
causar muitos problemas no futuro.
Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo.
Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo.
Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e
tablets nas crianças
1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais
Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de
aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva
frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade
infantil, psicose e outros transtornos.
2. Atraso no desenvolvimento infantil
Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas,
que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos
problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente.
3. Aumento no número de crianças míopes
4. Obesidade infantil
A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que
permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais.
5. Distúrbios do sono
6. Agressão
As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais
ficam expostas.
7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e
dos amigos.
8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED.
A Organização Mundial de Saúde classifica os celulares como
um risco à saúde devido à emissão de radiação. A superexposição à luz azul
emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. AOMS publicou em
2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê
de especialistas. Cfr. “El Universo”.
Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos
prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades
sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos”.
Além desses danos, os especialistas registraram transtornos
do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras
nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou
Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR).
“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos,
cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que
causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos
Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do
membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia
do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA).
Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno
social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a
ambientes diferentes. Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade
precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso
prolongado de celulares podem causar tumores cerebrais.
A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a
preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de
desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”.
Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a
atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições.
A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles
cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos
(celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto. As crianças devem
sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de
controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais
aparelhos mais tempo do que o necessário.
O problema está muito mais nos pais do que nos filhos.
Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa
se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações.
Cobria-se a Serra de flores. Correu primeiro um balbucio de
primavera. Seria já a florada? Botões, aqueles pequenos sinais? No meio dos
bosques escondidos entre os montes, o amarelo e o vermelho salpicavam, abriam
no verde sorridente espanto. Em lugares mais resguardados, mais favorecidos, em
breve surgia a neve florida cobrindo as pereiras e transformando, enriquecendo
a paisagem. E logo também floriram os pessegueiros. Junto das favelas, nos
parques dos sanatórios, rodeando os bangalôs, à beira das águas mansas, a
florada em rosa e branco apontou finalmente, luminosa, irreal.
Perto do pequeno lago em que se debruçavam as pereiras
alvas, encantadas, o pintor armou o cavalete. Tocados de primavera, os galhos
roçavam a água que reproduzia a fila das árvores. Amarrada à margem, a pequena
canoa envernizada, vazia, estava juncada de flores que o vento carregara.
Elza surpreendeu Flávio pintando com aquele entusiasmo e
fervor. Tocou-lhe no ombro.
Espere um pouco.
- Você pediu licença para pintar aqui?
- Claro, disse Flávio sem olhá-la. Deixe-me acabar uma
coisa.
Elza passeou uns momentos pelas alamedas, depois voltou,
esteve a contemplar Flávio de costas. Vestia malha acinzentada descobrindo a
nuca vermelha. As mangas arregaçadas deixavam ver o braço queimado de sol, com
veias salientes. Elza aproximou-se, olhou-o de perfil. Sempre aquela maneira
nervosa de morder o lábio! Antes lhe dava ele tanta impressão de força, de
saúde. Mas agora apreendera o desmentido daquele empastamento, daquelas
rugazinhas quase invisíveis junto dos olhos, daquela curva dos ombros cansados
precocemente.
- Que é que você olhando?
- Você.
Levantou-se, desarmou a tela, guardou a tinta e pincéis,
vagarosamente, limpou os dedos. Enxugou o rosto suado.
- É mesmo maravilhosa a florada aqui. Você tinha razão.
Elza apanhou um pequeno galho, fez uma coroa, colocou-a em
cima da cabeça.
- Você já viu grinalda mais linda?
- Linda, disse ele, olhando-a muito sério. Tão linda que
receio que desapareça. Parece que a estou vendo, coroada de flores, subindo um
altar...
Apanhou um galho, outro, outro mais, fez um imenso ramo,
encheu-lhe os braços de flores.
- Não se mova. Assim.
Esteve a contemplá-la. Depois, subitamente, mudou de humor,
encostou-se a um pinheiro com um repentino enervamento.
- Que é que você tem, Flávio?
Atirou as flores ao chão. Chegou-se a ele, muito perto. O
rapaz desviou os olhos.
- Nada, disse por entre dentes. Nada a não ser um cansaço...
Cansaço de mim mesmo, que de vez em quando me vem. É preciso muito esforço para
construir uma lenda e viver dentro dela... Já estou cansado.
- Lenda por que, Flávio? Se a doença o impediu de seguir a
carreira escolhida, também não criou em você um artista, que com certeza não
teria existido, se não tivesse esta vida isolada?
- Artista...
A sua voz soou amargamente.
- Artista... Viver aqui sonhando que faço obras-primas.
Prodígio de auto-sugestão! E ainda mais...
Riu um pouco fino.
- Construir em você uma outra criatura, afeiçoar-me a ela
sem querer olhar, ver afinal a verdadeira...
Os lábios de Elza tremeram. Esperara sempre por aquilo, mas
apesar disso, fugiu-lhe a calma.
- Por que não quer a verdadeira? Será assim tão cheia de defeitos,
tão incompleta para ser querida?
Sentiu-se atingida dolorosamente no íntimo. Com voz aguda
prosseguiu:
- Tudo porque sarei. Desde que o Dr. Celso apregoou a minha
cura, que vocês me detestam. Sim, não negue. Para quê?
Lágrimas queimaram-lhe as faces.
- Você e Lucília... Com toda a certeza julgam que estou
cometendo uma traição. Quando falo em minha casa, no prazer de rever as minhas
criaturas queridas, ofendo a vocês...
Com a ponta do sapato Flávio esmagava pequeninas plantas,
num movimento obstinado.
- Elza...
Pegou-lhe o braço.
- Quer que me alegre, me envaideça...
Riu excitado, nervoso.
- ... por mandá-la de volta para o seu noivo?
- Você nunca falou nele.
- Ah... era um perigo longínquo.
Ainda é, disse Elza, penetrando os olhos de Flávio. Está longe.
Está na Inglaterra.
- Mas volta, volta breve para você. Como a imaginei há
pouco... Numa igreja toda iluminada, linda como uma imagem e pelo braço dele...
Olhou-a de perto com os olhos apertados, maldosos.
Beijos não deixam marca, felizmente para você.
- Flávio!
Elza empalideceu.
- Por que mudou assim? Por que esse ódio?
Teve uma imensa vontade de fugir. Sentiu a vista turva.
Voltou-lhe as costas. Encaminhou-se para o portão. Pisava um mundo fantástico e
desconhecido, com uma angústia de fugitiva. Quando atingiu a saída, Flávio
puxou-a pela mão. Elza resistiu. "Ouvira demais, não havia dúvida",
dizia com uma voz fria que a si mesma assombrava.
- Escute... Você há de se arrepender a vida toda, se não me
ouvir.
Ela resistia, procurava retirar a mão, vibrante, nervosa,
toda rosada. Ele largou-lhe a mão. Elza abriu resolutamente o portão, mas,
antes que passasse à estrada, sentiu-se presa pela cintura.
- Não adianta teimar, disse Flávio. Você tem que me ouvir.
Guiou-a até junto a uma pereira florida, Encostou-a nela.
Com as mãos coladas ao tronco da árvore, junto dos seus braços, prendeu-a:
- Sei a idéia que fazia de mim... Um fraco. Um fraco de
corpo e de espírito. E está muito admirada com a minha atitude. Então você não
compreende como essa separação é cruel, é desumana? Crê que eu não tenho
nervos? Vê-la de volta para retomar a mesma vida de há um ano...
- Deixe-me.
Os braços e Flávio caíram.
- Você não sabe lutar pelo que quer? Você me quer realmente?
disse Elza com profunda emoção.
- Quero-lhe, como nunca foi nem será querida por outra
pessoa.
A sua voz se tornava mais lenta, bizarramente pausada, e
como que envelhecida.
- Toda a minha vida, toda a minha esperança eu ponho em
você. Não tenho ninguém que me queira, e ao cabo de tanto tempo minha família
já se distanciou de mim. Tenho amizades que duram pouco. Iludi-me a mim mesmo
criando em você uma companheira de solidão. Nada lhe podia oferecer senão esse
mundo de amor e de ternura disperso nos outros homens, mas que eu conservo
intacto para você. Afundei-me tanto na nossa felicidade futura que a vivi
quase. Agora... vejo as coisas friamente. Você curada, pronta a retomar o fio
interrompido das suas relações, das suas amizades, e eu aqui... preso para
sempre.
Contraiu a fisionomia, cerrou os punhos, sacudiu os ombros,
encostou-se ao lado oposto da árvore, com a cabeça repousando nos braços
cruzados.
Elza tocou-lhe no ombro.
- Você há de ficar bom. Há de descer um dia curado. Seremos
felizes como toda a gente.
- Não sente o que diz... Não sente...
Olhou-a com os olhos vermelhos.
- Deixe-me descer com a lembrança do seu carinho, da sua
companhia. Espere um tempo... Talvez possa descer, esteja curado. Talvez eu
tenha que subir, adoeça de novo.
Um pequeno galho em que o vento bulira prendeu o cabelo de
Elza. Ela puxou a cabeça, desprendeu-se. Uma chuva de flores caiu sobre eles.
Flávio esteve a vê-la agitando os cabelos, sacudindo o vestido, atirando as
flores ao chão. Tomou-a bruscamente nos braços. Inclinou a cabeça, olhou de
perto, cada vez mais perto, aqueles lábios úmidos que se descerravam. Esteve
assim, sentindo-lhe a respiração e contemplando o rosto adorado. Uma abelha
zumbiu pertinho. Ele inclinou-se ainda mais, ia tocar naqueles lábios que
esperavam o beijo, mas largou Elza subitamente.
Dinah Silveira de Queiroz - Sétima ocupante da Cadeira
7 da ABL, eleita em 10 de julho de 1980, na sucessão de Pontes de Miranda e
recebida pelo Acadêmico Raymundo Magalhães Júnior em 7 de abril de 1981.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus
tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles
perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento
da Lei?”
Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e
o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois
mandamentos”.
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...”;
“amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37-39)
Segundo o teólogo Yves Congar “a essência do farisaísmo
é absolutizar coisas secundárias”. E disso todos temos experiências:
muitas vezes, a nossa vivência cristã está mais focada nos ritos, nas
doutrinas, nas normas morais..., e isso acaba atrofiando aquilo que é mais
decisivo no seguimento de Jesus Cristo.
Quando nos afastamos do essencial, facilmente nos desviamos
para os caminhos da mediocridade piedosa, do ritualismo estéril ou da
casuística moral, que não só nos incapacitam para uma relação sadia com Deus,
mas nos esvaziam dos sentimentos mais humanos, desfigurando-nos e nos fechando
no intimismo que rompe toda proximidade e comunhão com os outros. Todos
corremos este risco.
A cena relatada pelo evangelho deste domingo (30o Dom. Tempo
comum) tem, como pano de fundo, uma atmosfera religiosa na qual os mestres e
letrados classificam centenas de normas da Lei divina em “fáceis” e “difíceis”,
“graves” e “leves”, “pequenas” e “grandes”. Impossível mover-se com um coração
sadio nesta “teia” de leis.
Diante da pergunta dos fariseus pelo maior mandamento da
Lei, Jesus rompe com aquilo que eles tão bem tinham aprendido. Ele acolhe a
pergunta que lhe fora feita e aproveita para recuperar o essencial, descobrir o
“espírito perdido”: qual é o mandamento principal? onde está o núcleo de tudo?
A resposta de Jesus parte da experiência básica de Israel,
onde o coração da fé é o amor: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o
teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”.
O primeiro mandamento do decálogo bíblico, confirmado por
Jesus, antes que imperativo, é revelação; antes que uma ordem, é uma
proclamação. Não impõe a obrigação de amar a um “deus” separado, ciumento de
sua honra, que se assemelharia a um soberano narcisista e vaidoso. Uma tal
caricatura de “deus”, fruto da projeção humana e condicionada por falsas
imagens míticas, se torna claramente blasfema. É um dos “deuses” que precisamos
“deletar”.
O “primeiro mandamento” revela algo fundamental, do qual a
Bíblia irá tomando consciência progressivamente, até chegar a proclamar com
intensidade: “Deus é Amor” (1Jo 4,8). Deus, na sua essência, é puro
Amor. Daqui se derivam, como em cascata, toda uma torrente de consequências.
Crer é uma questão de amor, e isso significa que, antes de
qualquer outra coisa, o fiel se percebe, em seu núcleo mais íntimo, ser e
proceder do Amor. Aquele “em quem vivemos, nos movemos e existimos” (Atos
17,28) é Amor. A fé é, antes de mais nada, experiência de ser amado, que leva a
deixar-se alcançar e impregnar mais e mais por esse dinamismo do amor, para
descansar nele e possibilitar que ele flua e circule, compassiva e eficazmente,
para os outros. Portanto, o essencial da vida é o amor.
O que define o cristão não é dizer “Senhor, Senhor”, mas
viver a prática compassiva do “vá e faça o mesmo”. Essa é a razão, também, pela
qual a vida e a mensagem de Jesus se condensam na prática do amor.
O amor (ágape) que Deus tem pelo ser humano é
totalmente desinteressado, gratuito e livre. Deus envolve a vida de cada um,
banhando-a toda de seu amor. O amor nasce em Deus como um rio imenso
que envolve o ser humano, iluminando e transformando sua existência; este não
se encontra submetido a uma espécie de exigência tirânica, obrigado a cumprir,
no limite de suas forças, alguns mandatos alheios a seu ser. O que lhe é pedido
consiste, justamente, no que previamente é oferecido a ele: ele é chamado a
ser livre e capaz de corresponder ao amor.
Não é o ser humano que é amável; é Deus que
é amor. Esse amor é absolutamente primeiro, ativo e criativo,
absolutamente livre: não é determinado pelo valor de quem Ele ama. Todo ser
humano encontra-se, assim, envolvido pelo amor criativo e providente
de Deus.
Esse amor, ativo e primeiro, suscita na pessoa a
gratidão, levando-a a corresponder com um amor-serviço. A paixão por
Deus implica compaixão pelo ser humano.
Talvez, o que não tem sido totalmente compreendido é que não
são dois mandamentos, mas um só: uma mesma realidade, um mesmo amor e um só
mandamento. Aliás, se damos um passo mais além, não precisa existir mandamento
algum quando há verdadeiro amor.
O amor é raiz e fruto do coração. S. Irineu
convida a nos deixar fazer, a permitir que o amor brote do mais profundo de nós
mesmos, a ser homens e mulheres unificados e centrados em Deus.
Característica desse amor: voltado para o serviço; o amor sempre
se faz serviço, assim como todo serviço é inspirado e
sustentado pelo amor. Trata-se da mística do “serviço por puro
amor”.
Sabemos que o amor é uma das palavras mais
desgastadas e, no entanto, continua sendo a palavra fundante e mais importante
do vocabulário humano; mais importante que a palavra fé. Segundo Mateus, os que
se salvam não são aqueles que creram, mas aqueles que amaram (Mt 25). “No
entardecer da vida seremos examinados sobre o amor”, dizia S. João da
Cruz.
Criados à imagem e semelhança do Deus Amor, trazemos este
mesmo amor gravado nas profundezas do nosso ser. Podemos dizer que o selo mais
profundo na pessoa é o “selo do amor”. Logo, o que precisamos é
ativar esse selo interior do coração que carrega os estigmas do amor. O coração
de toda pessoa traz esta tatuagem de amor nas profundezas de seu ser. Mas, é
necessário reativá-lo, atualizá-lo... ajudar cada pessoa a configurar-se como
tal, pois cada um chega à maturidade de si mesmo quando compreende que, vivendo
esse amor, que leva gravado em seu coração, realiza o amor.
O amor evoca energia, atitude, sentimentos positivos,
proximidade, solidariedade, compaixão, empatia, amizade, erotismo... O amor tem
muitos registros e, por isso, também muitas linguagens que vão configurando
atitudes, hábitos do coração: surpresa, louvor, respeito, ação de graças,
união, serviço...
O amor não é algo abstrato, uma palavra oca, gasta de tanto
ser usada, mas algo pertencente à atitude relacional, à experiência, à
comunicação, às atitudes, aos gestos, aos atos e às palavras. Quando o
experimentamos, sabemos de seu dinamismo em nossas vidas e direção em nossas
condutas.
O amor em nossa vida, portanto, é um dom e
uma missão. Como dom, é fruto da árvore que cresce em nossa natureza
como possibilidade que quer ser atualizada (a maçã é a linguagem amorosa da
macieira).
Como missão, o amor é aprendizagem, internalização, maturação
e crescimento. A arte de amar é o cume de um processo que flui, dando à pessoa
uma das características mais essenciais de sua maturidade.
O amor não é uma lei que se impõe de fora, mas uma resposta
pessoal Àquele que é em nós. “Um amor que responde a seu amor”. O
amor é “mandamento” porque “emana” de dentro, brota da dimensão mais profunda
do nosso ser, morada do Deus Amor. Amar é deixar Deus amar em nós. Pois
o Deus que vem ao nosso encontro é amor sem medida e não nosso rival;
se o cristianismo tem um sentido – viver o amor - este consiste em tornar mais
leve o peso da nossa existência.
Textos bíblicos: Mt. 22,34-40
Na oração: Faça uma leitura das “marcas” do Amor de
Deus em sua vida; crie um clima de ação de graças.
- Peça a graça de descobrir profundamente o amor em sua
vida. Imagine-se com um cantil ou uma lamparina de azeite percorrendo os
caminhos de sua vida, de sua biografia. Ilumina-os, desvelando o amor plantado
nos rincões de sua existência: no mais profundo e na superfície de sua
história. Pessoas, experiências, circunstâncias, gestos ... Olhe o detalhe, mas
também o conjunto de sua existência: você está vivo(a); foi e é amado(a),
permanentemente.
- Tome consciência que o Senhor, ao lhe criar, colocou em
seu peito um coração capaz de amar. Quê você faz com esse amor, semeado em seu
interior?
Peça-lhe que sua presença e seu ser lhe permitam amar mais e
melhor. Expanda seu coração: você foi feito para amar. Acolha o amor que recebe
e no qual acredita, maior do que você possa pensar, e torne-se canal do amor
para os outros, para você mesmo, para Deus.
O escritor e
poeta Cyro de Mattos vai ser distinguido pela Câmara de Vereadores de Salvador
com a Medalha Zumbi dos Palmares, em sessão virtual solene que será realizada
no próximo dia 3 de novembro, às 19 horas. O projeto de outorga da Medalha
Zumbi dos Palmares ao escritor baiano é de autoria do jurista e vereador
Edvaldo Brito, que é membro da Academia de Letras da Bahia.
O Homenageado
Autor premiado, Cyro de Mattos pertence
a instituições culturais importantes, e, entre elas, a Academia de Letras da
Bahia e o Pen Clube do Brasil. Tem no seu currículo um enorme acervo literário,
com cerca de 50 livros publicados, de vários gêneros, além de ser também
editado em Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Um dos temas de seus
livros é o da valorização do negro com a sua cultura e valores, suas tradições
e modos de ser na vida, os quais até hoje vêm sendo alvo da injustiça,
preconceito e violência.
Além de
contos, poemas e crônicas que tratam das questões do negro em vários de seus
livros, de sua obra destacam-se a narrativa Natal das Crianças Negras, em seis
idiomas, editada também na Itália pela Editora Aracne, a história
infantojuvenil O Menino e o Trio Elétrico, Prêmio da União Brasileira de
Escritores (RJ), também publicada em Milão pela Editora Romar, na tradução da
poeta Mirella Abriani, assistente cultural da Casa de Verdi, e Poemas de
Terreiro e Orixás, das Edições Mazza, casa especializada na publicação de
livros com assuntos do negro.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal revoga a prisão de uma
enfermeira acusada de realizar centenas de abortos clandestinos, condena o Pe.
Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto] que impediu, via judicial, um só aborto.
A enfermeira encontra-se livre por força de liminar
concedida pelo relator do caso no STF, Marco Aurélio Melo, por ter um filho
portador de transtorno de espectro autista, dependente de seus cuidados. Para o
ministro, a prisão que já durava nove meses excedeu o prazo razoável, pois foi
presa em flagrante no ano passado, num hotel, em Belo Horizonte, quando se
preparava para praticar ali mais um aborto clandestino.
Em sua sentença, o ministro Barroso afirmou que a
criminalização do aborto viola os direitos fundamentais das mulheres pobres, já
que elas não podem ter acesso às clínicas de luxo… Por sua vez, a ministra Rosa
Weber alegou que sendo a sociedade machista, não valoriza e nem reconhece os
direitos reprodutivos da mulher… Alexandre de Moraes sentenciou que a soltura
da enfermeira para cuidar de um filho menor ressalta que o distanciamento dos
fatos a impedirá de atitudes criminosas. (Jornal online: Conexão política,
Publicado por Marcos Rocha. Acesso em 17-10-20).
Já o referido caso do Padre Lodi, por ter impedido a
realização de um aborto, foi condenado a pagar uma indenização de quase R$ 400
mil por ‘danos morais’ causados aos pais que desejariam abortar o filho. Antes,
no Supremo Tribunal de Justiça, a ministra Nancy Andrighi, que se declara
católica, na sua sentença afirma que o sacerdote teria abusado de seus direitos
ao pedir liminar para que a realização do aborto não fosse levada a cabo.
Enquanto nos é negada a liberdade de ir e vir a propósito da
epidemia, de trabalhar, de frequentar a igreja, de impedir que cada qual
procure resolver o seu problema de saúde, a magistrada — para condenar o padre
— discorre sobre a liberdade que a pessoa tem para proceder um aborto a fim de
evitar traumas.
Tal ‘liberdade’, aliás muito particular de se fazer aborto,
vem sendo imposta pela agenda esquerdista de todos os naipes ao fornecer os
instrumentos legais para o judiciário, sob pretextos diversos, como no caso em
pauta, de evitar traumas para a mãe. Contudo, um ponto importante é omitido
nessa trama, pois o aborto pode ocasionar traumas ainda maiores como
desequilíbrios psíquicos, loucuras, depressões, podendo chegar até mesmo ao
suicídio pelo problema de consciência causado, pois está inscrito no coração da
mãe a proibição de matar o próprio filho.
O carinho e o afeto maternos são proibidos de ter a sua
livre expansão no coração de uma jovem mãe que pede proteção, evitando usar de
crueldade. Abusar dessa liberdade é um ato cruel. A Ministra sentenciou que o
padre “buscou ao menos por via estatal a imposição de seus conceitos e
valores a terceiros, retirando deles a mesma liberdade de ação que
vigorosamente defende para si”.
Afirmou ainda que o sacerdote violou a liberdade do casal
para fazer prevalecer a sua “posição particular”, tendo pois agredido a honra
da família ao denominar a atitude tomada por eles de “assassinato”, além de ter
agido de forma temerária ao impor a eles “sentimento inócuo”. A criança a ser
abortada, segundo os médicos, não teria condições de sobreviver após o
nascimento. O que de fato sucedeu.
Salta aos olhos que a nossa legislação não está sendo feita
para favorecer a vida, mas para implantar a cultura da morte. A propósito,
levanto algumas questões. Qual a relação entre a interrupção do curso normal de
uma criança que virá à luz do mundo com o poder das trevas e o obscurantismo?
Já estaríamos na época das trevas? Haveria ainda uma relação entre aborto e
drogas, homicídios, amor livre, libertinagem, eutanásia, liberdade dos
traficantes?
Esta sentença que caiu sobre o Padre Luiz Lodi é um fato
inédito no Brasil, por isso não deixa de ser para os defensores do aborto uma
ocasião a ser comemorada. Do ponto de vista judicial, tal medida tem um papel
preponderante de inibir a voz da Igreja em questões morais e religiosas, pois
ninguém se atreverá a impedir o avanço da agenda pró-aborto, mesmo via
judicial, como fez esse zeloso sacerdote.
Pelo que eu saiba, nunca ocorrera na América Latina
repercussão tão grave no edifício multissecular do Mandamento da Lei de Deus,
ancorado na lei natural, que proíbe matar, principalmente em se tratando de um
inocente e indefeso no ventre materno.
Talvez nem todo leitor saiba da existência de entidades que
ajudam mulheres entrarem na justiça para receber danos morais reais ou
pretensos. Uma delas é o “Fundo Vivas”, que presta auxílio financeiro, por meio
de doações a essas mulheres e que tem também como objetivo arrecadar dinheiro
para auxiliá-las em situações similares.
Seus dirigentes partem do princípio de que não se pode
defender o nascituro, mas sim os que livremente procederam a geração de uma
criança, isso acima de qualquer princípio moral e ético. Os responsáveis pelo
filho em gestação têm o direito de matá-lo, pois um nascimento indesejado iria
atrapalhar suas vidas despreocupadas e indiferentes a Deus. Imaginam eles que a
liberdade consiste apenas em gozar a vida e ser feliz.
Para eles, o papel do Estado moderno é fazer leis pelas
quais cada indivíduo possa afirmar que ‘na minha vida quem manda sou eu’, e ai
de quem discordar, poderá de ser punido! A isso eu dou o nome de ditadura do
hedonismo, pois a liberdade é para se fazer o bem, e não o que cada um quiser.
Há advogados que afirmam que a interrupção da gravidez é um direito da gestante
e opção do casal, do qual se pode fazer uso, sem persecução penal posterior e
até mesmo sem a interferência de terceiros.
Fatos como esse, poderão abrir precedentes para qualquer
pessoa que queira se utilizar de meios legais para o planejamento e a execução
do crime de assassinato da vida intrauterina, pois terão a garantia da
impunidade. Isso representa de fato um enorme rompimento na história do
cumprimento às Leis de Deus, pois é o homem querendo se sobrepor a Deus!
Com certeza atrairá sobre si e sobre nossa nação terríveis
castigos. Vozes como a do Padre Luiz Lodi precisam ser ouvidas e apoiadas. Não
é permitido que o mal e o erro triunfem sobre a verdade e a virtude! Aqui
poderemos parafrasear David dizendo a Saul que não quis estender a sua mão
contra ele, pois queria conservar a sua mão sem mancha, sem nenhuma iniquidade,
para não pecar contra o ungido do Senhor, mesmo quando Saul o procurava para
matar.
Os abortistas não sossegam, não dão tréguas contra a vida do
inocente: dos ímpios sairá a impiedade; as mãos dos abortistas estão carregadas
de sangue contra as crianças inocentes, clamando a Deus por vingança.
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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso
Moreira (RJ).
Para mim, bom brasileiro se une a seus concidadãos, em busca
de soluções viáveis para os problemas nacionais. Bom brasileiro analisa os
desafios a enfrentar e se dedica a construir pontes para o futuro.
Bom brasileiro não se une a organizações estrangeiras, com
interesses explicitamente contrários aos nossos, e cujos objetivos são intervir
em assuntos internos do Brasil para tirar enormes proveitos econômicos e nos
desqualificar internacionalmente.
Bom brasileiro é o que defende a soberania nacional e
acredita que a Amazônia Brasileira nos pertence e cabe a nós explorá-la, de
forma sustentável, para o bem da nossa gente.
Bons brasileiros discordam, discutem, ponderam, divergem,
mas têm orgulho de saber que, durante séculos, gerações que nos antecederam
preservaram nosso território, nossa cultura, nossas incalculáveis riquezas e
nossa liberdade. Deu pra entender ou precisa desenhar?
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General Augusto Heleno – General do Exército Brasileiro e Ministro
de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da
República. Governo Jair Bolsonaro.