Esses últimos dias estiveram prenhes de datas marcantes, a
nos lembrar de nossa História e ainda impregnados da religiosidade das festas
judaico-cristãs da Aleluia e Páscoa.
Dia 19 foi Dia do Índio e Dia do Exército. O Dia do Índio me
recorda a reportagem que fiz, em disputa com outros candidatos, que me valeu
uma vaga na maior escola de jornalismo da época, o Jornal do Brasil, em 1971.
O Dia do Exército nos lembra que a instituição se forjou com
índios, negros, luso-brasileiros e portugueses, que se uniram, há 371 anos, na
colina dos Guararapes, para derrotar e expulsar os holandeses. Eu fiz o
primário no Grupo Escolar Vidal de Negreiros; minha irmã no Grupo Escolar
Fernandes Vieira, nomes dos chefes vitoriosos. Com eles, o negro Henrique Dias
e o indígena Filipe Camarão. Cidadãos em armas, tal como hoje, marcam o início
da nacionalidade, no Brasil ainda colônia.
Dia 21 foi o aniversário do enforcamento e esquartejamento,
de um precursor da Independência, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o
Tiradentes. Aconteceu 141 anos depois da expulsão dos holandeses. Um imposto de
20% sobre o ouro encontrado foi a causa da conspiração, que a coroa portuguesa
português reprimiu exemplarmente. Isso aconteceu no mesmo ano em que começava a
Revolução Francesa, pelas liberdades. Hoje nossa carga tributária mostra que
pagamos quase o dobro disso para os três níveis de governo.
Dia 21 também marca os 59 anos da inauguração de Brasília,
uma decisão estratégica já prevista nas constituições desde 1891. Brasília
inaugurou a ocupação do território, antes concentrada no litoral.
Neste dia 22, o aniversário oficial do Brasil: 519 anos
desde a Descoberta. Na verdade, uma carta náutica de 1424 já identificava, no
Atlântico Sul, uma ilha chamada de Braxil, por seu pau cor de braxa. O
pesquisador Lenine Barros Pinto escreve que Vasco da Gama reabasteceu sua frota
em direção às índias, de água fresca e frutas, no saliente nordestino. Era uma
rota secreta portuguesa, que evitava calmarias e piratas da costa africana.
Afirma que Cabral, antes de seguir para as índias, fora
mandado chantar(plantar) marcos portugueses, com a Cruz da Ordem de Cristo,
para assinalar a posse, prevenindo-se dos espanhóis, que já haviam chegado no
novo continente. Fez isso por “2 mil milhas de costa". O último marco está
em Cananéia, São Paulo. Contada essa distância para o Norte, vai dar em Touros,
RN, e não em Porto Seguro, como pensava o historiador Varnhagen. O Cabugi vê-se
do mar; o Monte Pascoal, não.
Ao fim dessas memórias sobre nosso passado, deixo aqui a
polêmica, para que busquemos a verdade sobre nosso nascimento.
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Alexandre Garcia, jornalista,
apresentador e colunista de política brasileiro, tendo sido porta-voz do último
presidente do período da ditadura militar do Brasil, general João Batista
Figueiredo. Atuou no Jornal do Brasil, na extinta TV Manchete e na Rede
Globo.
"Era uma vez um rei que, há muito tempo, governava um país.
Um dia, ele saiu em viagem para algumas áreas bem distantes.
Quando retornou ao palácio, reclamou que seus pés estavam terrivelmente
doloridos, porque era a primeira vez que fazia uma viagem tão longa e que havia
muitos pedregulhos pela áspera estrada.
Ele ordenou a seus servos que cobrissem toda a estrada, por
todo o país com couro.
Definitivamente, essa obra necessitaria de milhares de vacas
esfoladas e custaria uma quantia enorme de dinheiro.
Então, um dos mais sábios entre os criados ousou falar ao
rei:
– Por que o rei tem que gastar essa quantia? Por que,
simplesmente, não manda cortar um pequeno pedaço de couro para cobrir seus pés?
O rei ficou surpreso, mas concordou com a sugestão. E
ordenou que lhe fizessem um par de sapatos.
Moral da história:
Para fazer deste mundo um lugar feliz para se viver, é
melhor você mudar a si próprio e não ao mundo!"
Ora, direis, ouvir histórias... mas é o que proponho neste
mês que celebra o livro infantil. Internacionalmente, pelo aniversário de
Andersen dia 2. No Brasil, porque Monteiro Lobato nasceu a 18 de abril.
Narrativas falsas criam fake news, espalhando mentiras como
se fossem reais. Mas o que vale é o contrário: a ficção que finge ser mentira
para revelar a verdade.
Há poucos dias, um deputado leitor disse que a prioridade do
MEC vinha sendo lutar contra moinhos de vento. Outro viu que o ministro estava
no bico do corvo.
Os bons livros lidos desde cedo abrem o pensamento para
julgar melhor. Sejam originais ou recontos de clássicos. Sobretudo se chegam
pelas mãos de adultos capazes de orientar uma leitura crítica e fecunda.
Referências para toda a vida. Ajudam a se mover entre mentirosos como
Alexandre, o Barão de Munchausen ou Pinóquio, sabendo em cada caso do que se
deve rir ou ter pena. E aquilo que não dá para engolir, como faz o menino que
anuncia que o rei está nu, e espertalhões querem enganar todo o reino.
O convívio com a leitura de ficção deixa marcas. Indaga
“Para que essa boca tão grande?” Mostra que um dia mudará a resposta do espelho
à pergunta de quem é a mais bela de todas. Ensina que há um limite além do qual
a carruagem suntuosa volta a ser abóbora cercada de ratos. E que quem finge ser
Robin Hood pode apenas estar deslumbrado com as riquezas da caverna de Ali
Babá.
Leitores de histórias sabem que há tesouros a descobrir num
texto, mais camadas do que as exigidas pela simples reação imediata de um
clique. Já encontraram Alice sem rumo, sem saber para onde ir, mas capaz de
enfrentar uma Rainha de Copas que insistia em mandar cortar cabeças a torto e a
direito, dando primeiro a sentença e só depois levando a julgamento. Entre os
contemporâneos, deliciam-se com Ruth Rocha, seu “Reizinho mandão” e seu “Rei
que não sabia de nada” — para não falar em sua “História de rabos presos”.
Nada como boas histórias para expor fábulas, mitos e lendas.
O Globo, 15/04/2019
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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL,
eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida
em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia
Brasileira de Letras em 2012 e 2013.
Sem nenhum equívoco, ou contradição, ser feliz é o ideal de
todas as pessoas, sem nenhuma exceção. Porém, para essa realização, se faz
mister que ela esteja preparada, qualificada, reconheça suas limitações e,
principalmente, saiba administrar sua vida com humildade e educação, sempre
preocupada que a sua felicidade não esteja fazendo alguém infeliz!
Pode-se perceber que não é fácil ter esse comportamento em
todas as vertentes. Por incrível que pareça, ironicamente, a felicidade é mais
encontrada nas partes mais pobres da sociedade, pois, com qualquer melhoria que
surja, torna-se um agradecimento de Deus e um mérito de ser gente e poder ter
expectativas! São pessoas conformadas com seus sofrimentos!
O pobre trabalha e deseja comprar uma bicicleta, então,
quando consegue comprar uma de segunda mão, sente-se super feliz por essa
simples realização, vendo-se capaz de que, com outros esforços futuros, poderá
adquirir uma nova. Mas, essa usada já lhe satisfaz!
Já o da classe média, no mesmo caso de transporte, esse está
sempre querendo um veículo da atualidade, para que possa mostrar aos outros que
é rico e privilegiado. Está pondo para fora a sua falta de humildade e
despejando vaidade!
Completamente diferente dos outros, os ricos e abastados,
não tem somente essa preocupação de transporte, pois trata-se de uma coisa
comum em sua vida. Entretanto, sua verdadeira preocupação é de ganhar mais,
ampliar seus patrimônios, usar a necessidade de outros para explorá-los, etc.,
sempre com a grande inveja dos mais ricos e poderosos, querendo a todo custo se
igualar!
Normalmente, pais, ou filhos, enveredam pela política, para
com isso facilitar as suas ambições desmedidas. Pois, para eles a felicidade
está onde está o dinheiro, patrimônios e poderes!
Vejam vocês que somente em um particular, praticamente
relativo a um transporte, a grande divergência existente entre o pobre, o
remediado e o rico é acintosa e bem diferenciada!
Lógico que a felicidade não está nessa mínima explanação, ou
opinião, existem milhares de exemplos que se pode citar com relação a
felicidade, principalmente no amor, na família, na realização e formação
profissional, alimentação e lazer!”!
Talvez, acredito eu, a maior infelicidade é vista no amor,
uma vez que entramos de peito aberto numa parceria amorosa e, quando menos se
espera, ocorre uma guinada e somos trocados por outras pessoas, nos deixando
sofrendo e infelizes!
Se você for inteligente e de atitude, saber lutar pelos seus
ideais, certamente, poderá se tornar uma pessoa feliz. Mas, jamais ser uma
pessoa conformada com tudo. Nunca esqueça que todos temos o direito de ser
feliz, mesmo sem ter a cobertura integral do vil metal!
escreve crônica, conto, poesia, ensaio e
literatura infantojuvenil. Tem no prelo da Editus, editora da UESC, Nada Era
Melhor, romance da infância, Pequenos Corações, contos, e O Discurso do Rio,
poesia.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor!
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de
Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha
sido tirada do túmulo.
Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o
outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do
túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao
túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa
que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas
de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e
entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que
tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num
lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado
primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Cleberson
Evangelista
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Ressurreição: pedra angular
da vida cristã
Jorge Cocco Santangelo
“...e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo” (Jo 20,1)
A escuridão da madrugada desaparece e desponta a Luz que dá
início à nova Criação e à nova história. Depois do silêncio, renasce a Palavra.
Parecia o fim e, no entanto, aquele silêncio era o mesmo que precedeu à Palavra
criadora: “Faça-se a luz”! O silêncio de Deus é fecundo. É no tempo silencioso
que a semente se torna fruto e o ser humano se torna pessoa. O silêncio permite
transformar a morte em vida. Aquele túmulo, afinal, era uma fonte pujante de
vida e de alegria. Aquele lugar, aparentemente escuro e vazio, veria uma luz
que o mundo inteiro não pode conter. Por isso, para nós, as experiências do
silêncio de Deus serão sempre um convite à fé e à esperança.
Não há razão para o medo e a tristeza, pois o silêncio
esconde a vida e a consolação de Deus. Arrancados do silêncio dos nossos
túmulos, também nós podemos gritar como Maria Madalena no primeiro dia de
Páscoa: “Vi o Senhor”! Este grito, que nos enche de esperança,
rasgará todo o silêncio e ecoará por toda a eternidade.
A pedra que fora removida do túmulo de Jesus revelou a
Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche
o interior do desejo de procura: “Ele vive”. O caminho de Madalena em direção
ao túmulo é símbolo da coragem de atravessar o escuro da madrugada para ver
resplandecer uma nova aurora em sua vida, pela força criadora da única Presença
que tudo sustenta, tudo recria e enche de amor: a presença do Cristo
Ressuscitado.
Ressurreição:experiência de afastamento das pedras que travam o fluir da vida. “Nossa vida está escondida com Cristo em Deus”.
Essa vida quer se expandir. Vida que vem de Deus, vivida em Deus e que
desemboca, como um rio, no Grande Oceano da Vida.
A experiência da Ressurreição permite transformar todas as
pedras da entrada do túmulo em pedra fundamento, sobre a qual construir nossa
vida. A ressurreição tudo integra, tudo pacifica, mesmo as pedras que
bloqueavam a vida.
A ressurreição nos faz sair da estreiteza da vida e renascer
para coisas maiores, do alto.
“Há um risco de acostumarmos e conviver com os sepulcros”
(Papa Francisco).
Sepulcro é passagem: é como ventre materno. Há um tempo para
germinar, potencializar a vida.
Podemos dizer que a Ressurreição é a “pedra angular” da
nossa vida de fé. Pedra sobre a qual a fé pode se construir, base sólida que
fundamenta a nossa vida. Diferença entre a Pedra angular e a pedra rolada na
entrada do túmulo (que impede o fluir da vida): pedra na entrada no túmulo é
sinal de morte, pois se fixa no passado; pedra angular é sinal de vida, base
sobre a qual se constrói um futuro inspirador.
Há muitas pedras na entrada do nosso coração, travando a
vida (tristeza, fracasso, crise, trauma...); só a experiência de encontro com o
Ressuscitado pode rolar estas pedras, integrando-as e dando um novo
significado. A experiência de Ressurreição permite transformar a pedra da
entrada do túmulo em Pedra angular.
No evangelho de hoje, a experiência dos três personagens
(nossos espelhos), revelam pedras na entrada de seus corações. Madalena, vai ao
sepulcro sozinha, de madrugada, busca um corpo, carrega uma pesada pedra de
tristeza, fracasso e dor pela perda do amigo. Encontra a pedra do sepulcro
removida e fica assombrada diante deste fato. A pedra do seu coração também
começa a ser removida (vai culminar no encontro com Jesus); ela entra em outro
movimento: sai de sua solidão e vai avisar os outros discípulos, embora não
tenha clareza do que está ocorrendo.
Sua vida foi uma longa noite até que o encontro com Jesus a
libertou e lhe abriu um novo horizonte, restituindo-a em sua dignidade de filha
de Deus e potenciando-a para iniciar uma nova vida e formar parte do grupo dos
mais achegados a Jesus. Madalena, a “apóstola dos apóstolos”, é uma de nossas
grandes mestras na noite e na crise que supõe a passagem pelo Sábado santo.
Pedro e João também carregam a pedra do medo (estavam
trancados em casa, como se fosse sua sepultura). Com o aviso de Madalena,
começa um movimento interior neles: saem do esconderijo correndo e vão ao
encontro do túmulo. João, talvez com uma pedra menor, corre mais veloz. Foi o
único apóstolo fiel até o fim. Pedro, que carrega pedra até no nome, permanece
na dúvida. João corre e chega primeiro; não entra de imediato no túmulo:
precisa de tempo para processar a novidade da pedra removida. Ele é mais
místico e se deixa impactar pela surpresa que encontra. Por isso, quando entra
no túmulo, mergulha no mistério: viu e acreditou. Bastou alguns sinais (faixas
de linho no chão e sudário enrolado), mas foi o suficiente para compreender o
que estava acontecendo. Se não houvesse encontro com o Ressuscitado, para ele
bastariam os sinais.
Pedro, primário na sua reação, entra abruptamente no túmulo:
vê os mesmos sinais, mas ainda permanece na dúvida. Mas ambos, Pedro e João,
sentem que as pedras interiores começam a ser afastadas.
“A pedra tinha sido removida”: debaixo de cada pedra que
parece amassar-nos, há vida que quer ressuscitar. À luz da ressurreição não há
pedra que seja capaz de sufocar o impulso vital. O sepulcro vazio é um convite
a saber olhar com o coração para descobrir, nas faixas e sudários de nossa
vida, a presença do Ressuscitado. Só o amor nos capacita para um olhar
contemplativo; por isso, o amor corre mais depressa que a autoridade. Para quem
tem olhar contemplativo, as faixas já representam um grande sinal: apontam para
uma vida destravada e plena.
“Viver como ressuscitados” é a marca que identifica os(as)
seguidores(as) de Jesus.
Estar atentos às faixas e sudários de nosso cotidiano: elas
apontam para a vida.
Texto bíblico: Jo 20,1-9
Na oração: Vamos, no dia de hoje, acompanhar Maria
Madalena em seu itinerário da morte à vida, vamos fazer o caminho com ela da
nostalgia à fé, do luto à esperança, do vazio à comunidade, do silêncio ao
anúncio.
Vamos assumir como nossas as suas perdas, seu pranto e seu
desconsolo, e identificar neles também nossas perdas e as de nosso mundo.
Vamos pedir ao Deus de todo consolo que, com sua ternura e
cuidado, regue as sementes de nossas perdas, nossas frustrações, nossos
ceticismos, nossas expectativas fracassadas, para que engendrem vida nova e não
amargura e nem desespero.
Acompanhando Maria Madalena em seu percurso de luto, façamos
memória dos nossos lutos e os de nosso povo e peçamos a Deus para sermos
consolados, e assim poder ser testemunhas da consolação em meio a tantos
fracassos históricos, como estão acontecendo em nosso mundo e em nossos
ambientes cotidianos.
- “Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor
exerce...” (S. Inácio de Loyola)