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domingo, 17 de abril de 2022

PALAVRA DA SALVAÇÃO (261)



Páscoa do Senhor | domingo, 17 de abril de 2022


Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.

Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.

Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.

Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.

De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Donizete Ferreira, Sacerdote da Comunidade Canção Nova:


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O Ressuscitado nos ensina a exercer o "ministério da consolação"

 


+ Na alegria da ressurreição, prepare a oração, criando um clima de profunda intimidade com o Ressuscitado.

+ Suplique a Deus o dom da alegria com Cristo Ressuscitado; que a experiência da Ressurreição o(a) impulsione a viver com mais intensidade em comunhão com toda a humanidade e toda a Criação.

+ Antes de “entrar em contemplação”, repasse os “pontos” seguintes:

 

Mestre Crucificado, Mestre Ressuscitado. O ensinamento de Jesus revelou-se inseparável de sua vida; em outras palavras, Ele ensinou com sua vida. Certamente, Jesus ensinou com parábolas, com gestos ousados... Mas, no final, o que educa de verdade é sua própria vida de Mestre amigo, terapeuta, compassivo, crucificado, ressuscitado... Por isso, não basta dizer que o ensinamento de Jesus “segue adiante”, mas que devemos acrescentar: Jesus mesmo, ressuscitado por Deus, é o autêntico educador.

Os relatos de suas Aparições nos revelam como Ele foi reconstruindo as pessoas, amigas e amigos, quebrados(as) pelo fracasso, pela tristeza, pela decepção... Jesus os(as) ressuscitou por dentro, despertando a vida bloqueada e abrindo o horizonte da missão. 

“Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor exerce” (EE. 224). S. Inácio utiliza esta expressão quando apresenta, na 4ª Semana dos Exercícios, a contemplação das aparições do Ressuscitado.

Consolar é o que define a ação do Ressuscitado, transformando a situação dos seus discípulos e discípulas: a tristeza se converte numa alegria contagiosa, o medo em valentia e audácia, a negação de Jesus em profissão de fé e martírio... Não se trata de um ato pontual senão de um “ofício” , que definirá para sempre a atividade de seu Espírito no mundo.

Nas cenas evangélicas das aparições, o efeito da presença do Ressuscitado sobre os discípulos e discípulas termina sempre em reconhecimento, em chamado e envio, em restauração de uma vocação e missão.

Jesus ressuscitado exerce sobre eles(elas) um original “ofício de consolar”, cujo efeito é iluminar o caminho pelo qual, em seu nome e com Ele, eles e elas hão de percorrer. O “ofício de consolar” é a marca do Ressuscitado, é força recriadora e reconstrutora de vidas despedaçadas. Jesus “ressuscita” cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles(as) o sentido da vida, reconstruindo os laços comunitários rompidos, e sobretudo, oferecendo solo firme a quem estava sem chão, sem direção... 

O verbo “consolar” tem, no hebraico, um sentido mais amplo e forte que nas línguas latinas, porque, muito mais que animar a alguém abatido, expressa a ação eficaz de conseguir com que desapareçam os motivos de seu abatimento. Neste sentido, consolar não é tão somente acompanhar senão, também, inclui a ação de dar esperança, uma esperança fundada, capaz de produzir uma mudança radical no estado de ânimo do outro.

Nos relatos das aparições de Jesus Ressuscitado, esta experiência de ficar consolado aparece muito evidente, porque passa-se da angústia do túmulo vazio à consolação na presença d’Aquele que vive; é a passagem da ausência desconcertante à presença significativa.

O Ressuscitado se aproxima como Presença viva que comunica Vida: deixa-se ver, caminha, fala, interpela, corrige, anima, transmite paz e alegria. Em uma palavra, presenteia seu Espírito.

Sua maneira de se fazer presente é pessoal, personalizante, identificadora: dizer o nome, suscitar recordações e experiências comuns, fazer vislumbrar projetos de futuro.

Outra vez Jesus recria a comunidade que, depois da Paixão, estava se desintegrando; e seus discípulos experimentam novamente o chamado e o envio, a serem testemunhas e cúmplices do Espírito, porque vivem a certeza existencial de que o Crucificado é o Ressuscitado, que a morte foi vencida, que Deus está constituído como Senhor.

Em meio à dor, os(as) discípulos(as) aprendem a confiar em Deus e a não se deixar levar pela tristeza.

alegria não começa quando acabam as dores; a alegria é uma opção de vida, expressão da confiança em Deus, que torna possível enfrentar o sofrimento com esperança. A alegria não suprime o sofrimento, mas lhe dá sentido. A alegria não desconhece o sofrimento, senão que o enfrenta com confiança. 

Em nosso uso habitual, a palavra “consolação” e o verbo “consolar” apontam para um profundo e rico significado: revelam um tipo de proximidade e comunhão com o outro capaz de lhe transmitir compreensão, alento, acolhida, impulso... ou seja, uma transmissão de energia que desperte nele suas próprias capacidades de reação diante de uma situação de tristeza, de fracasso, de desespero ou sofrimento...

Nos Exercícios Espirituais de S. Inácio, consolação e consolar são a linguagem e ação de Deus no ser humano, comunicação do Criador com a criatura, iniciativa de Deus que, quando é recebida com agradecimento e pureza, isto é, como dom gratuito e como escuta disponível, nunca deixam a pessoa consolada no mesmo lugar ou situação onde estava antes.

consolação de Deus é sempre dinamizadora daquilo que é mais divino no ser humano.

Por ser manifestação da comunicação do Espírito de Deus ao espírito humano, gera sempre na pessoa, amor, alegria, fé, entusiasmo..., e desemboca sempre na missão

Deus nos consola para que possamos consolar.

Na consolação, Deus nos chama a ser seus colaboradores. A consolação que recebemos do Senhor não nos é dada tendo em vista um desfrute narcisista e fechado deste dom espiritual, mas tem a finalidade de capacitar-nos para o “ministério da consolação”.

É um dom para a missão; se alguém se apropria dela como coisa pessoal, morre.

Dessa consolação de Deus, da qual nós mesmos e nosso mundo tanto necessitamos, somos chamados a fazer-nos receptores e mediadores.

Trata-se de uma consolação que é pura graça, que não está ao alcance de nossa mão dá-la a nós mesmos, nem dá-la aos outros, mas da qual podemos ser agradecidamente receptores e gratuitamente mediadores. Com isso, a consolação pode estender-se a outros muitos rincões da existência humana.

É tempo de autocompreender-nos e atuar frente aos outros como enviados a exercer ativamente o “ofício de consolar”, tendo sempre presente que a consolação verdadeira pertence somente ao Espírito, já que não é outra coisa que a gratuita autocomunicação do Deus trinitário à humanidade.

É Ele mesmo quem deseja compartilhar conosco este ofício, o ofício de consolar

Consolação e “ofício de consolar” nascem e vem precedidas pela experiência de uma alegria pura e totalmente desinteressada pelo Senhor. Alegria interna e verdadeira que procede e provoca a missão.

Nada mobiliza tanto como o agradecimento e nada revela tanto o agradecimento como a alegria pura pelo bem do outro. A gratuidade é o habitat natural da consolação e do consolado.

Todos somos chamados a prolongar este “ofício de consolar” de Jesus; a experiência da Ressurreição nos move a “descer” junto à realidade do outro (seus dramas, fracassos, perda de sentido da vida...) e exercer este ministério humanizador, ou seja, ministério entre iguais, “vida que desperta outra vida”.

É vida plenificada, iluminada, integrada... pela experiência de encontro com o Ressuscitado e que flui em direção à vida bloqueada, necrosada... ativando-a, despertando-a...

É movimento expansivo da vida.

Assim como a consolação é o canal privilegiado pelo qual Deus se comunica e atua em nós, o ofício do consolo” é o canal por onde flui a vida. 

Textos bíblicos:  Jo 20,11-18    Lc 24,13-35 

Na oração: faça “memória” das experiências de consolação, suscitadas pela Graça de Deus ao longo desta Quaresma

- Recorde pessoas que foram “presenças consoladoras” em sua vida.

- Traga à memória situações em que você foi o(a) mediador(a) da consolação de Deus. 

Iluminar a madrugada e tecer liberdade, nutrir a vida de compaixão e amizade, celebrá-la e oferecê-la de verdade, orar... Esse é o movimento de Ressurreição? É isto que o evangelista João quer destacar quando escreve que Madalena “saiu correndo”, que Pedro e João “corriam juntos”?

Que a Páscoa seja um tempo de movimento e cada um(a) discirna para onde correr!

Um Santo Tempo Pascal e todos e todas!


Pe. Adroaldo Palaoro sj

17.04.22

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2555-o-ressuscitado-nos-ensina-a-exercer-o-ministerio-da-consolacao

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domingo, 21 de abril de 2019

PALAVRA DA SALVAÇÃO (127)


Domingo da Páscoa do Senhor – 21/04/2019

Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo.
Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Cleberson Evangelista

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Ressurreição: pedra angular da vida cristã

Jorge Cocco Santangelo

“...e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo” (Jo 20,1)

A escuridão da madrugada desaparece e desponta a Luz que dá início à nova Criação e à nova história. Depois do silêncio, renasce a Palavra. Parecia o fim e, no entanto, aquele silêncio era o mesmo que precedeu à Palavra criadora: “Faça-se a luz”! O silêncio de Deus é fecundo. É no tempo silencioso que a semente se torna fruto e o ser humano se torna pessoa. O silêncio permite transformar a morte em vida. Aquele túmulo, afinal, era uma fonte pujante de vida e de alegria. Aquele lugar, aparentemente escuro e vazio, veria uma luz que o mundo inteiro não pode conter. Por isso, para nós, as experiências do silêncio de Deus serão sempre um convite à fé e à esperança. 

Não há razão para o medo e a tristeza, pois o silêncio esconde a vida e a consolação de Deus. Arrancados do silêncio dos nossos túmulos, também nós podemos gritar como Maria Madalena no primeiro dia de Páscoa: “Vi o Senhor”! Este grito, que nos enche de esperança, rasgará todo o silêncio e ecoará por toda a eternidade.

A pedra que fora removida do túmulo de Jesus revelou a Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche o interior do desejo de procura: “Ele vive”. O caminho de Madalena em direção ao túmulo é símbolo da coragem de atravessar o escuro da madrugada para ver resplandecer uma nova aurora em sua vida, pela força criadora da única Presença que tudo sustenta, tudo recria e enche de amor: a presença do Cristo Ressuscitado.

Ressurreição: experiência de afastamento das pedras que travam o fluir da vida. “Nossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Essa vida quer se expandir. Vida que vem de Deus, vivida em Deus e que desemboca, como um rio, no Grande Oceano da Vida. 

A experiência da Ressurreição permite transformar todas as pedras da entrada do túmulo em pedra fundamento, sobre a qual construir nossa vida. A ressurreição tudo integra, tudo pacifica, mesmo as pedras que bloqueavam a vida.

A ressurreição nos faz sair da estreiteza da vida e renascer para coisas maiores, do alto.

“Há um risco de acostumarmos e conviver com os sepulcros” (Papa Francisco).

Sepulcro é passagem: é como ventre materno. Há um tempo para germinar, potencializar a vida.

Podemos dizer que a Ressurreição é a “pedra angular” da nossa vida de fé. Pedra sobre a qual a fé pode se construir, base sólida que fundamenta a nossa vida. Diferença entre a Pedra angular e a pedra rolada na entrada do túmulo (que impede o fluir da vida): pedra na entrada no túmulo é sinal de morte, pois se fixa no passado; pedra angular é sinal de vida, base sobre a qual se constrói um futuro inspirador.

Há muitas pedras na entrada do nosso coração, travando a vida (tristeza, fracasso, crise, trauma...); só a experiência de encontro com o Ressuscitado pode rolar estas pedras, integrando-as e dando um novo significado. A experiência de Ressurreição permite transformar a pedra da entrada do túmulo em Pedra angular. 

No evangelho de hoje, a experiência dos três personagens (nossos espelhos), revelam pedras na entrada de seus corações. Madalena, vai ao sepulcro sozinha, de madrugada, busca um corpo, carrega uma pesada pedra de tristeza, fracasso e dor pela perda do amigo. Encontra a pedra do sepulcro removida e fica assombrada diante deste fato. A pedra do seu coração também começa a ser removida (vai culminar no encontro com Jesus); ela entra em outro movimento: sai de sua solidão e vai avisar os outros discípulos, embora não tenha clareza do que está ocorrendo.

Sua vida foi uma longa noite até que o encontro com Jesus a libertou e lhe abriu um novo horizonte, restituindo-a em sua dignidade de filha de Deus e potenciando-a para iniciar uma nova vida e formar parte do grupo dos mais achegados a Jesus. Madalena, a “apóstola dos apóstolos”, é uma de nossas grandes mestras na noite e na crise que supõe a passagem pelo Sábado santo.

Pedro e João também carregam a pedra do medo (estavam trancados em casa, como se fosse sua sepultura). Com o aviso de Madalena, começa um movimento interior neles: saem do esconderijo correndo e vão ao encontro do túmulo. João, talvez com uma pedra menor, corre mais veloz. Foi o único apóstolo fiel até o fim. Pedro, que carrega pedra até no nome, permanece na dúvida. João corre e chega primeiro; não entra de imediato no túmulo: precisa de tempo para processar a novidade da pedra removida. Ele é mais místico e se deixa impactar pela surpresa que encontra. Por isso, quando entra no túmulo, mergulha no mistério: viu e acreditou. Bastou alguns sinais (faixas de linho no chão e sudário enrolado), mas foi o suficiente para compreender o que estava acontecendo. Se não houvesse encontro com o Ressuscitado, para ele bastariam os sinais. 

Pedro, primário na sua reação, entra abruptamente no túmulo: vê os mesmos sinais, mas ainda permanece na dúvida. Mas ambos, Pedro e João, sentem que as pedras interiores começam a ser afastadas.

“A pedra tinha sido removida”: debaixo de cada pedra que parece amassar-nos, há vida que quer ressuscitar. À luz da ressurreição não há pedra que seja capaz de sufocar o impulso vital. O sepulcro vazio é um convite a saber olhar com o coração para descobrir, nas faixas e sudários de nossa vida, a presença do Ressuscitado. Só o amor nos capacita para um olhar contemplativo; por isso, o amor corre mais depressa que a autoridade. Para quem tem olhar contemplativo, as faixas já representam um grande sinal: apontam para uma vida destravada e plena.

“Viver como ressuscitados” é a marca que identifica os(as) seguidores(as) de Jesus.

Estar atentos às faixas e sudários de nosso cotidiano: elas apontam para a vida. 

Texto bíblico:  Jo 20,1-9 

Na oração: Vamos, no dia de hoje, acompanhar Maria Madalena em seu itinerário da morte à vida, vamos fazer o caminho com ela da nostalgia à fé, do luto à esperança, do vazio à comunidade, do silêncio ao anúncio.

Vamos assumir como nossas as suas perdas, seu pranto e seu desconsolo, e identificar neles também nossas perdas e as de nosso mundo. 

Vamos pedir ao Deus de todo consolo que, com sua ternura e cuidado, regue as sementes de nossas perdas, nossas frustrações, nossos ceticismos, nossas expectativas fracassadas, para que engendrem vida nova e não amargura e nem desespero. 

Acompanhando Maria Madalena em seu percurso de luto, façamos memória dos nossos lutos e os de nosso povo e peçamos a Deus para sermos consolados, e assim poder ser testemunhas da consolação em meio a tantos fracassos históricos, como estão acontecendo em nosso mundo e em nossos ambientes cotidianos.

- “Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor exerce...” (S. Inácio de Loyola) 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 15 de abril de 2017

O SANTO SEPULCRO — “Composição de lugar”

14 de abril de 2017
Agência Boa Imprensa

O texto que segue foi extraído de uma conferência de Plinio Corrêa de Oliveira durante a Semana Santa de 1981 e publicado na edição de março de 2012 da revista Catolicismo. Ele — como aconselhava Santo Inácio de Loyola em seus “Exercícios Espirituais” — faz uma “composição de lugar”. No caso, um lugar sacrossanto: o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. O conferencista aconselha e justifica tal método de meditação. E comenta que se todos os católicos, desde o princípio do mundo até o fim dos tempos, refletissem sobre o núcleo da realidade objetiva do grandioso acontecimento da Ressurreição, haveria unidade de pensamento entre eles. E isto apesar de cada católico poder individualmente imaginar aspectos diferentes da Ressurreição, ocorrida três dias após a morte d’Aquele que veio ao mundo para nos salvar.

Vislumbrando no Santo Sepulcro
a arte gótica medieval

Plinio Corrêa de Oliveira

Quem visse o Santo Sepulcro, escavado na rocha, sabendo que Nosso Senhor Jesus Cristo na sua humanidade ali esteve sepultado, teria certa impressão. Em nossos dias, estando o sagrado lugar encimado por uma igreja (a Basílica do Santo Sepulcro) — portanto, em que todo o ambiente encontra-se mudado —, gostaríamos de saber que impressão causaria, antes da Basílica, aquele abençoado lugar.

Para isso, é legítimo fazer o que Santo Inácio de Loyola recomenda nos “Exercícios Espirituais”: a “composição de lugar”. Reconstituir o local — o Sepulcro — e a cena da Ressurreição. Assim, vou imaginar que impressão eu teria se lá estivesse.

Foi pensando nisso que encontrei explicação para os portais de pedra das catedrais góticas: uma enorme pedra na qual em oblíquo se tivesse talhado os contornos de um arco gótico. Também talhadas na pedra as coluninhas, encimadas por pequenas imagens de santos com seus respectivos dosséis.
Quem vê os portais góticos, fica com uma ideia mítica da pedra sagrada que envolve o altar e o tabernáculo que guarda o Santíssimo Sacramento, o Homem-Deus.

Aquele conjunto forma um arco gótico lindo que atravessa várias espessuras da pedra. Transpondo o arco gótico, fica-se com a impressão de que se atravessam vários séculos de História; várias fases do pensar e do sentir da Igreja; atravessam-se mil acontecimentos. Mas que a pessoa não se dá bem conta de quais acontecimentos — e nisso está o mais interessante.

Em Lourdes, a XIV Estação da Via Crucis, Nosso Senhor Jesus Cristo é colocado no Sepulcro

O Santo Sepulcro — a primeira ogiva gótica da História

Nesse sentido, eu imaginaria o Santo Sepulcro aberto na pedra, por ordem de José de Arimatéia, mas de um modo tosco. Alguém que já conhecesse o gótico, olhando para a abertura na pedra, perceberia um arco prodigioso. Quem não conhecesse o gótico — por exemplo, um homem do tempo de Nosso Senhor — não perceberia. Mas um homem do período medieval perceberia, e vendo a abertura do Sepulcro exclamaria: “É o gótico! É a primeira ogiva da História!”.

E isto apesar de aquela pedra bruta, na qual fora cavado o Santo Sepulcro, não ter a beleza, o aspecto leve e nem charme de um portal gótico.

De um lado, no gótico pode-se perceber a ogiva louvando o Filho de Deus, mas de outro lado, na lápide do Sepulcro, percebe-se a morte, a tragédia do deicídio. É um contraste que alguém poderia dizer que é feio. Mas é a justaposição da beleza e da morte, da virtude e do pecado.

Um cortejo para o sepultamento do Divino Redentor

Como se poderia imaginar a câmara funerária onde esteve sepultado Nosso Senhor?

Para exprimir isso, seria preciso imaginar uma rocha muito grande — mas não uma montanha tipo Himalaia —, ainda coberta de terra e plantas. Entrando pela abertura cavada na rocha, haveria um corredor profundo, sem luz. Tudo inerte, dando ideia do âmago da morte.

Poder-se-ia imaginar um cortejo entrando naquele corredor levando o Sagrado Corpo de Nosso Senhor. No cortejo, as pessoas levando archotes. A fumaça marcando o teto e as paredes daquela escavação ainda um tanto escura e tenebrosa. No fundo, o lugar onde depositaram o Corpo Divino.

Pode-se imaginar Nossa Senhora, em cujo claustro esteve o Redentor, que O contempla morto e pensa no crime satânico que se cometeu com a Crucifixão. Na aparência, a vitória fulgurante da impiedade, da vulgaridade, do pecado. O Corpo de seu Filho ali está, aromatizado, mas isolado naquela escuridão. Do Sagrado Corpo emana uma discretíssima claridade. Uma luz mantida por um anjo brilhava como um vitral de catedral gótica, mas apenas num dos cantos, deixando todo o resto na penumbra.

Com o tempo a luminosidade aumentaria, desdobrando-se em fosforescências cada vez mais bonitas, lembrando os tormentos da Paixão, mas também toda a vida do Redentor. Primeiramente, Ele junto à Sagrada Família, depois os três anos de sua vida pública, o período de glória, os dias de perseguição, as apreensões, o Horto das Oliveiras. Enfim, toda Vida, Paixão e Morte do Salvador desdobrando-se em luzes como numa narração. Nossa Senhora percebia tudo isso enquanto adorava o Sagrado Cadáver. Legiões de Anjos também O adoravam.

Ressurreição: Sepulcro transformado numa catedral feita de luzes

Ainda, nesta “composição de lugar”, podemos conceber, três dias após o trágico sepultamento, que algo de novo se passou dentro do Santo Sepulcro. Em certo instante o corpo adorável daria sinais de vida. Aparece uma luminosidade extraordinária. Nosso Senhor se levanta com uma majestade indizível. O Santo Sepulcro estaria transformado numa catedral feita de luzes. A montanha como que se racha; os anjos rolam a pedra que fechava o Sepulcro; o ambiente torna-se festivo e triunfal. É a Ressurreição!

Nosso Senhor sai do Sepulcro com o braço direito levantado e os dedos em posição de quem ensina e abençoa, com ar de desafio vitorioso! Ele aparece para Santa Maria Madalena. Mas é lícito imaginar que antes tenha aparecido ressurrecto para sua Santíssima Mãe.

Justificativa desse método de meditação

Esta seria uma modalidade de meditação, imaginando como transcorreu a Ressurreição. Conforme a piedade e o modo de ser de cada um, poder-se-ia imaginá-la de modos diversos.

A validade desse método imaginativo é inegável, porque como esses acontecimentos constituíram fatos perfeitos, tinham eles todas as excelências que estamos imaginando e ainda muitas outras.

Se todos os católicos da Terra até o fim do mundo meditassem sobre a Ressurreição, haveria uma prodigiosa unidade de pensamento em torno do magno acontecimento da História Universal, apesar de cada um individualmente meditar o mesmo fato central, porém imaginando as cenas de modo diferente.

Podemos assim, conservando o núcleo da realidade objetiva do sublime acontecimento, enriquecê-lo com um misto de imaginações, reflexões, deduções da fé, bem como de revelações de santos e de pessoas virtuosas.



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