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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

NEM TÃO SIMPLES - Ana Maria Machado

Nem tão simples

"Simples assim. Entendeu ou quer que eu desenhe?”

A toda hora estamos esbarrando em variantes dessa atitude arrogante, seja em comentários na internet ou em palpites que surgem em conversas ao vivo, com a pretensão de calar o outro. Por vezes, vem revestida de um tom teórico peremptório, cheio de ecos intelectuais, a insinuar que qualquer discordância é estúpida. Nem por isso deixa de ser uma forma de ofensa, a chamar o outro de burro.

No entanto, o que a história do pensamento nos mostra é bem diferente. Sempre foi um trajeto calcado em dúvidas e hesitações, por mais que o processo da busca do conhecimento se faça com certa teimosia e algumas raras certezas muito bem focadas — de que Galileo é um bom exemplo. Mas a honestidade que marca a ânsia de saber convive com a admissão das inseguranças que abrem portas, desde o axioma socrático do “só sei que nada sei”, passando pela dúvida metódica cartesiana, até os princípios da complexidade que Edgar Morin aponta ao sublinhar as incertezas que caracterizam nosso tempo.

Neste momento em que os eleitores brasileiros sentem a necessidade de analisar a nossa atual crise com algum exame que vá além da superfície imediata, pode valer a pena lembrar que nada é “simples assim”. Não dá para resumir num mero desenho. Mas convém admitir que grande parte do retrocesso que aí está a nos assombrar é fruto de uma complexa conivência da nossa sociedade. A tal omissão dos bons que permite a expansão do crime e da injustiça. Às vezes por comodismo, às vezes por simplismo, às vezes por recusa a admitir o próprio engano. E como fomos enganados...

Votando em Lula, Dilma, Aécio, Cabral, Cunha ou Renan, e tantos outros, fomos engambelados por belas palavras, fartas promessas e bom mocismo. Como se tudo fosse simples assim. Só que não é. Convém não esquecer. É preciso admitir que fomos traídos. Transformar o arrependimento em alguma sabedoria. Aprender com os erros, para não repeti-los. Ao menos, tentando escolher melhor o futuro Congresso.

Não que a sociedade tenha ficado apática e de braços cruzados. Movimentos sociais se organizaram e reivindicaram. Manifestos e abaixo-assinados se espalharam pela internet. Conseguiram gerar fatos concretos e positivos, como a Lei da Ficha Limpa. Ou sugerir as Dez Medidas contra a Corrupção.

Mas agora se assiste a um retrocesso que tem como objetivo atrapalhar toda e qualquer melhoria nessa área. E em outras.

O fato de não se fazer uma reforma eleitoral tem muito a ver com isso. Continua havendo uma proliferação de partidos que seria cômica se não fosse trágica — mas que é muito eficiente em atrapalhar a governabilidade e estimular esse abominável balcão de negócios no Congresso. Os exemplos se multiplicam.

A análise racional mostra que é indispensável para as futuras gerações que se faça já a reforma da Previdência, cujo desequilíbrio paralisa investimentos em saúde, educação, saneamento. No entanto, aí estão os políticos barganhando e impedindo que ela se faça, mesmo reduzida, desvirtuada e insuficiente.

Em outro âmbito, a recusa em fazer a reforma eleitoral (tanto no Legislativo quanto no Judiciário) prorroga a existência desordenada de partidos e ameaça recuos na Lei da Ficha Limpa ou na determinação do STF de que a pena comece a ser cumprida após decisão em segunda instância. E continuamos sujeitos a esse Congresso tecido de políticos corruptos, incapaz de dar um mínimo passinho à frente que faça avançar alguns milímetros.

A isenção fiscal para igrejas resulta em bancadas religiosas retrógradas que esgrimem argumentos autoritários para impor à nação atitudes e comportamentos medievais. A degradação pública e o opróbrio são amplamente utilizados nos linchamentos morais a que assistimos a todo momento. Já chegamos ao ponto de literalmente queimar bruxas — ainda que por enquanto nos limitando ao simbolismo de bonecos que as representem, como se viu no caso da filósofa Judith Butler. Mas nem sempre é só simbólico: a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi linchada até a morte no Guarujá a partir de uma falsa acusação, na internet, de sequestrar crianças para magia negra. Uniu-se a reles mentira com a sanha de condenar sem apurar. Males atuais.

Tudo isso desvia da justiça necessária. Vemos todo dia as tentativas de retrocesso que impedem a punição de culpados de corrupção, na Lava-Jato ou fora dela. Vale tudo, a começar pela manutenção do foro privilegiado para milhares de políticos — e agora se fala em estendê-lo a ex-presidentes.

O discurso para a aparente justificativa é sedutor: alardeia a garantia de direitos dos investigados e acusados (que têm mesmo de ser garantidos). Mas esquece a garantia do direito da sociedade, de não ver perpetuada a impunidade de criminosos por meio de manobras e chicanas.

Esses diversos fios se tecem em tramas e tramoias. Pelo menos, fiquemos atentos para perceber a complexidade do mecanismo. Há que abrir os olhos para votar melhor no futuro. Nada se resume a um “simples assim”.

O Globo, 09/12/2017


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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

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CENÁRIOS DE CERA – Wagner Albertsson

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CENÁRIOS DE CERA 


DIANTE DA VIDA QUE PASSA,
EMBALADA PELOS SABORES DOS DIAS,
ROMPEM-SE PARA ALGUNS, TRISTEZAS;
LUZEM PARA OUTROS, ALEGRIAS.
POIS VIVER É INCORPORAR PERSONAGENS,
É VESTIR TOSCAS FANTASIAS,
PORQUE A VIDA É UM PALCO DE MOMENTOS
DE CENÁRIOS DE CERA E SOFRIMENTOS
ONDE A FELICIDADE É O TEMA PRINCIPAL.

NESTA BUSCA DESENFREADA DE EMOÇÃO,
A CORTINA DA MORTE É REAL,
O TEATRO DA VIDA É ILUSÃO,
E SÓ DEUS É O ATOR PRINCIPAL.

WAGNER ALBERTSSON

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A MULTIFORME INSPIRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NOS PANETONES E BOLOS DE NATAL

27 de dezembro de 2017
Santiago Fernandez

Nos países católicos há uma imensa variedade de pratos e bolos que se preparam somente para o Natal. Nesse ponto os italianos acabaram passando na frente de todos os outros ao criarem o universalmente conhecido e cobiçado “panettone”.

De onde ele vem?

Discute-se fortemente na Itália sobre a sua origem. Todos concordam que nasceu na região de Milão.

Segundo uma versão, o panettone apareceu pelo fim do século XV num banquete oferecido pelo tempestuoso duque Ludovico Sforza, dito “o Mouro”. O ajudante de cozinha, de nome Toni, encarregado de vigiar o forno durante a preparação da sobremesa, teria dormido. E quando acordou ela estava queimada!

Para se salvar da ira do colérico duque, ele apanhou então tudo o que sobrara na cozinha e misturou, para produzir um pão “enriquecido” que fez as delícias de todos. Essa obra-prima passou para a posteridade como o “pão de Toni”, que acabou dando em “panettone”.

Mas há outra versão: o jovem nobre Ughetto degli Atellani, que desejava casar-se com Algisa, filha do padeiro Toni, teria conseguido ser contratado pela padaria, onde concebeu o famoso pão de Natal para conquistar a moça.

Outra versão ainda é aquela segundo a qual Sóror Ughetta — cujo nome significa passa — teria comprado com suas últimas moedas algumas passas e frutas cristalizadas para acrescentar a seu pão de Natal, levando assim um sorriso às irmãs de seu convento.

O fato histórico incontestável é que, entre outras coisas, na Idade Média nasceu o costume de comemorar o Natal com um pão que fosse melhor do que o quotidiano. Até 1395 os fornos de Milão só podiam assar esse pão no período natalino, e ele era marcado com frequência com uma cruz.

“Pandoro” de Verona
 Mas há o “panettone” glacê e com amêndoas de Turim. E também o “pandoro”, de Verona, que é muito alto, pesa cerca de um quilo, tem sabor de baunilha, uma miga muito leve e é servido num pacote feito com açúcar cristalizado que também se come.

“Panforte” de Siena

Em Veneza, o “panettone” vem acompanhado de um creme de frutas cristalizadas. Há ainda o “pandolce” de Gênova, um pouco mais compacto, bem como o “panforte” de Siena, feito com especiarias e sem farinha, com a massa consolidada com mel, pimenta e canela.

O sul da Itália aplicou sua inspiração ao “panettone”, que vinha do Norte, acrescentando-lhe delícias que são inéditas nas regiões frias: laranja, limão, pistache, bergamota e o licor limoncello.

O “panettone” de Nápoles é feito com laranjas cristalizadas de Amalfi e limoncello. Em Siracusa, ele vem com chocolate, pistaches, laranjas cristalizadas da Sicília e passas de Pantelleria. Todos eles em geral têm preços acessíveis.

“Christmas pudding” inglês

Deixando agora a Itália e passando a outros países, os britânicos preparam o tradicional “pudding”, oriundo da Idade Média. Segundo instrução da Igreja Católica, ele “deve ser feito no domingo após a festa da Santíssima Trindade, que neste ano de 2017 foi celebrado em 18 de junho. É preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e todos os membros da família devem dar uma mexida em sua massa durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”.

Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles” ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.

“Christstollen” alemão

Os alemães preparam o “Christstollen”, bolo muito denso perfumado com especiarias e recheado com frutos cristalizados e passas, assado numa forma especial.

Os espanhóis no Natal preferem o “turrón”, uma massa feita com amêndoas e mel. Ele tem muitas variantes: com chocolate, nozes, frutas secas etc.

Os franceses comemoram com a “bûche”, literalmente pedaço de lenha, que suscita todo ano um verdadeiro concurso para ver quem é o “pâtissier” que concebe a variante mais criativa.

“Büche de Noël”

Durante séculos, as famílias francesas acendiam na noite de Natal um pedaço de lenha de árvores frutíferas como cerejeira, ameixeira, macieira ou oliveira, ou de madeiras nobres ou comuns. Ficou conhecida como a “bûche de Noël”.

A família aquecida por esse fogo se reunia para a Ceia de Natal entoando canções. Com o tempo entraram novos sistemas de aquecimento e as velhas lareiras foram se apagando.

Mas eis que a “bûche de Noël” se transformou em uma obra-prima da pâtisserie francesa, a sobremesa indispensável nos lares da França nos dias abençoados do Natal. É difícil conhecer o autor do prodígio, embora talvez tenham sido muitos, guiados em diversas partes pelo instinto católico, pela tradição e pelo bom gosto.

Fala-se que um aprendiz de Paris, que trabalhava numa chocolataria do aristocrático bairro de Saint Germain des Prés, teria sido o autor da ideia. Os palacetes do bairro eram habitados por nobres ligados a seus castelos, erigidos muitas vezes em bosques e em contínuo contato com a agricultura e as tradições locais.

Como esses nobres não encontravam suas rústicas, mas abençoadas “bûches de Noël” na refinada Paris, então o aprendiz concebeu um doce em forma de lenha para lhes aplacar a saudade inspirada pela fé.

Segundo outros, o famoso bolo foi inventado em Lyon por volta de 1860. Há os que defendem que Pierre Lacam, pasteleiro e sorveteiro do príncipe Carlos III de Mônaco, teria concebido a primeira requintada “bûche” em 1898.

Quem quer que seja o seu inventor, nas proximidades do Natal a “bûche de Noël” aparece nas pâtisseries da França em forma de sorvete ou bolo, sendo avidamente procurada pelos espíritos amantes da família, da tradição e da Cristandade.

Na Córsega ela é forçosamente feita à base de castanhas, embora as fórmulas e apresentações sejam inumeráveis, de acordo com a preferência das famílias, dos padeiros, dos confeiteiros de cada região, cidade, rua ou loja.

“Galettes des rois” da França

Já no início de janeiro as vitrines das pâtisseriesde Paris se enchem de “galettes de rois”, conta “Le Petit Journal”. O nome — como o de tantos produtos culinários franceses — não tem tradução, mas alguns tentaram “bolo dos reis”. Ele é vendido com uma coroa especial. Em 2014, entre 85% e 97% dos franceses diziam comê-lo na festa da Epifania, ou Reis. As receitas, acompanhamentos e formas são incontáveis, em geral redondas. Quando o “bolo dos reis” contém o apreciado marzipã, é chamado de “parisiense”; com frutas abrilhantadas é o bordalês.

 “Bolo rei” de Portugal

Em Portugal, ele é feito de um modo especial e recebe o nome de “Bolo Rei”, designação que sublevou sem sucesso muitos revolucionários igualitários e republicanos. Existem receitas semelhantes na cidade norte-americana de Nova Orleans, na Bélgica, no México (“rosca”), na Grécia (“vassilopita”) e na Bulgária (“pitka”), para só citar algumas. 
Voltando à França, o mais típico é que a criança mais nova sentada à mesa se encarregue de cortar a “galette des rois” e distribua um pedaço para cada um. Em alguma parte do bolo há uma fava, também chamada “rei”, que faz a alegria da mesa.

A fava respeita a forma de sua humilde semente original, mas depois passa a ser substituída por pequenos objetos simbólicos imaginosos, como lâmpadas douradas e outros. O fato é que quem recebe o pedaço com a “fava” é chamado de “rei”, ganha a coroa que veio com o bolo e deve beber em uma taça especial, enquanto os demais cantam “o rei bebe, o rei bebe”, em meio ao gáudio geral.

Aliás, nos bons tempos partia-se a “galette” de acordo com o número dos presentes mais um. Esse pedaço excedente era chamado “a parte do Bom Deus”, ou “a parte da Virgem”, ou “a parte do pobre”, e era destinado ao primeiro pobre que fosse bater à porta do lar.

O costume comemora a festa da Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos, ou Epifania, celebrada em 6 de janeiro. A Epifania comemora precisamente a chegada de Melchior, Gaspar e Balthazar, conduzidos pela milagrosa estrela.

Na Espanha, os Reis Magos são muito mais importantes para as crianças do que Papai Noel. São eles que trazem os presentes na noite de 5 para 6 do janeiro, depositando-os sobre os sapatinhos infantis deixados na sacada ou na lareira.


“Roscón de Reyes” da Espanha

É normal que o fato seja comemorado com um bolo. É o denominado “Roscón de Reyes” em forma de coroa, o qual introduz uma variedade grande em relação à “galette des rois” francesa.

Foi só no mundo católico que a ação multiforme da graça do Espírito Santo inspirou uma tão larga variedade de pães simples, mas deliciosos, próprios a elevar os espíritos e a fortalecer o corpo nos gaudiosos dias do nascimento do Redentor.

Procure-se entre os protestantes ou nos decaídos países pagãos e veja se eles criaram uma variedade análoga de uma iguaria saborosa e inocente, tão de acordo com o espírito sobrenatural do Natal católico.


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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

E SE O PT VOLTASSE AO PODER EM 2018? - Luiz Felipe Pondé

Folha de SP - 18/12/2017   
Luiz Felipe Pondé


 E se Lula ganhasse as eleições em 2018? O Brasil terá um retrocesso ao paleolítico –sem querer ofender nossos ancestrais.

Sei que inteligentinhos dirão: pelo contrário, as populações mais pobres voltarão a comprar TVs e carros. E eu direi: a bolsa fome é a grande miséria que alimenta o PT e seus associados.

Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.

O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.

Como o velho coronelismo nordestino – conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia–, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.

Mas quero falar de outras dimensões da tragédia que nos cerca caso o PT retomasse o poder.

Desta vez, o projeto "a Venezuela é aqui" se organizará de forma mais concreta.

O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da "malta" do PT, serviria ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça. Esse processo já está em curso, mas foi, temporariamente, barrado pelo percalço do impeachment e de alguns poucos setores não petistas do Poder Judiciário.

O Legislativo se acomodaria, como sempre, a quem manda.

O mercado também se acomodaria, servindo, de novo, ao coronel Lula ou a algum genérico que o represente. Eliminariam qualquer elo na sua cadeia produtiva que suje seu nome – da empresa, quero dizer– junto à Nomenclatura.

Quanto à inteligência pública, essa seria devastada.

Perda de empregos, contratos, espaços nos veículos, com a bênção da quase totalidade das Redações e editorias. Se não apenas para eles mesmos não perderem empregos, contratos e espaços, também, e principalmente, porque a quase totalidade das Redações e editorias são petistas ou similares.

Nas universidades e nas escolas, a festa. Reforço absoluto da patrulha ideológica de forma orgânica, com apoio da Capes e de sua plataforma Sucupira.

As universidades, entidades quase absolutamente monolíticas e autoritárias, celebrariam a queima total de seus adversários internos e externos. Os alunos, coitados, ou adeririam à retomada vingativa do poder por parte do PT, ou perderão bolsas, vagas e carreiras.

E chegaria a vez de as Forças Armadas também serem cooptadas pela hegemonia petista. Uma vez cooptada, como na Venezuela, a regressão ao paleolítico estaria plenamente realizada.

O controle da mídia, em nome da "democracia", implicaria o silêncio imposto a todos que quiserem pagar suas contas.

A classe artística faria festivais para comemorar o retorno ao poder dos "progressistas" que dão dinheiro para eles gastarem até acabar.

E, quando o dinheiro acabar, como acabou no Dilma 2, os "progressistas" sairiam do poder, darão um tempo para os "conservadores" fazerem o trabalho sujo de reorganizar a economia e, quando a casa estiver um pouco mais organizada, voltariam ao poder para gastar tudo de novo.

Vivemos duas formas de hegemonia do PT e associados no Brasil: a hegemonia da miséria e do discurso populista de cuidado com ela e a hegemonia do pensamento público e de suas instituições.

A diferença entre o PT de antes do impeachment e o PT de agora será que antes ele ainda fazia pose de defensor das liberdades.

Agora, ele perderia a pose e destruiria todo o tecido de liberdade de expressão no país.

E mais: a vitória de Lula em 2018 seria a prova definitiva de que os eleitores não estão nem aí para suspeita de corrupção pairando sobre qualquer que seja o candidato.

Todo esse mimimi ao redor da Lava Jato ficaria claro como mimimi.

Dane-se a corrupção. Ninguém está nem aí para isso. A começar pelos intelectuais, professores, artistas e integrantes de grande parte do Poder Judiciário.

O combate à corrupção é (quase) uma farsa.

Depressão, ressentimento, medo e vingança seriam os afetos que definiriam 2019.

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

NASCEU HOJE, IRMÃOS, O NOSSO SALVADOR - Dom Ceslau Stanula

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Nasceu hoje, Irmãos, o nosso Salvador!

Alegremo-nos! 
Não pode haver tristeza quando nasce a vida;
a qual, destruindo o temor da morte, nos enche
com a alegria da eternidade prometida.
Ninguém está excluído da participação nesta alegria;
a causa desta alegria é comum a todos,
Porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte,
Não tendo encontrado ninguém isento de pecado, a todos veio libertar.
Exulte o santo porque está próxima a vitória;
Rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão;
Reanime-se o pagão, porque é chamado à vida…
Por isso é que, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram em alegria ‘glória a Deus nas alturas’ e anunciaram ‘paz na terra aos homens de boa vontade’.
Porque veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo, obra inexprimível do amor divino, que, se dá tanto gozo
aos anjos nas alturas do céu, que alegria não deverá dar aos homens cá na terra?» (S. Leão Magno +440).
FELIZ NATAL. 
Com a benção e votos natalinos.
Dom Ceslau
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de  Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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POR QUE SE CELEBRA A NOITE DE NATAL COM A “MISSA DO GALO”?

24 de dezembro de 2017
O Patriarca latino de Jerusalém, Mons. Fouad Twal, porta a imagem do Menino Jesus durante a Missa do Galo em Belém
Luis Dufaur

“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal. A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro de seus semelhantes, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.
Galo no alto da torre da Catedral de São Vito, em Praga

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico e alusivo relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Ceia de Natal ou “consoada”

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa. A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal. Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia. Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galo” in galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

Aldeões se dirigem à Igreja para a “Missa do Galo”

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.
Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.*

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente… até o galo cantar anunciando a Boa Nova!
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BISPO DA DIOCESE DE ITABUNA ESCLARECE POLÊMICA SOBRE TRANSFERÊNCIAS DOS PADRES

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O bispo diocesano Dom Carlos Alberto dos Santos, pastor maior da Diocese de Itabuna, concedeu uma entrevista com exclusividade ao repórter do Portal Católico de Notícias, explicando um dos assuntos mais comentados da semana: as transferências dos padres anunciadas no dia 18/12. Na oportunidade, Dom Carlos esclarece todas as dúvidas enviadas ao Portal pelos internautas católicos, paroquianos e população em geral. Confira abaixo a entrevista na íntegra!

Portal Católico: Fale um pouco sobre as transferências dos padres. Eles estavam sabendo dessas mudanças?

Dom Carlos: As transferências são necessárias conforme as orientações que a Igreja nos dá, no mínimo de 6 em 6 anos. Havendo a necessidade, pode acontecer antes ou mesmo depois. Mas a norma, a regra geral, conforme o Direito Canônico, são 6 anos. Aqui, portanto, já tendo gente fazendo 14 anos, já era de se desconfiar, que uma vez, chegando o bispo (já que o anterior não tinha feito), certamente isso iria acontecer. Eu já tinha dito, desde o mês de maio, que cada um se preparasse porque realmente nós pudéssemos fazer isso acontecer. Portanto, todos os padres já estavam sabendo, e de tal forma que, diante de toda necessidade, nós anunciamos essas transferências, para que no próximo ano, a partir do dia 5 de janeiro, possamos já começar a fazer as posses, que já estão marcadas.

Portal Católico: Algum padre que foi transferido está doente? Há algum problema diante dessa situação.

Dom Carlos: Um padre que está doente pediu para ir pra outra Diocese, para fazer uma experiência, tratar da saúde e ficar mais perto da família. Esta foi a palavra que ele colocou em sua carta, por escrito, para mim. Teve um outro caso, que não era tão grave, portanto não tinha motivo para ser transferido para outra Diocese. De forma que, ninguém foi transferido aqui à força, nem para lugares que não tenha como chegar a um médico ou a um hospital. Imaginemos que as pessoas que moram no final de linha da nossa Diocese, que não têm carro, moram no interior, chegam até a paróquia… um padre que tem o carro da paróquia, que tem a possibilidade de alguém que possa trazer, também tem condições de chegar, então este não é motivo para não ser transferido.

Portal Católico: A Igreja Católica tem suas leis reconhecidas no Direito Canônico. Fale um pouco sobre essas normas.

Dom Carlos: O Direito Canônico é o que rege, orienta, conduz, indica caminhos para nós vivermos em nossa Igreja com orientações, metas e orientações de como devemos desenvolver. O Direito Canônico é para aqueles que vivem na Igreja Católica. Nós temos pessoas qualificadas para fazerem as coisas que a Igreja deixou através de Jesus e que possam ser continuadas e cada vez mais amparadas, vivendo na cultura, na sua época, do jeito que Jesus realmente necessita.

Portal Católico: O que é o Ano Sabático? Dois padres solicitaram. Quem foram eles?

Dom Carlos: O Ano Sabático se tira de 10 em 10 anos. É um tempo de parada, de escuta da voz de Deus e tem o único objetivo: estudar para que possa revisar a sua vida, silenciar, ouvir a voz de Deus, rezar mais um tempo, revigorar as forças para depois retornar ao trabalho, continuando a obra da evangelização. Nesse, sentido. Nada mais, nada menos.

Portal Católico: Dois padres solicitaram o Ano Sabático. E quais os trâmites para o retorno à Diocese de Itabuna.

Dom Carlos: Pediram licença por 1 ano. Então com 1 ano eles têm que voltar. E vão voltar para algum lugar, contanto que a Diocese fique sabendo onde estão. Nenhum padre pode ficar vacante, sem local apropriado. Ao sair, ele terá que deixar endereço, número de telefone, para que numa necessidade possa ser convidado a chegar, ou até mesmo para dar uma notícia. Nenhum padre pode sair daqui sem que outro receba lá. As pessoas que vão, vão com um conhecimento do outro bispo para que o padre possa atuar no destino.

Portal Católico: Como fica a situação dos diáconos com as transferências dos padres?

Dom Carlos: Os diáconos estão a serviço da Comunidade. Eles continuarão no mesmo ambiente, porém nós vamos fazer uma revisão, para ver se há uma necessidade de mudança ou não. Caso haja a necessidade, conversaremos com ele para ser feita a transferência para um lugar mais adequado, mais necessário, e que ele possa continuar a evangelização.

Portal Católico: Os religiosos não estão nessa relação de transferência. Por que?

Dom Carlos: Os religiosos têm o seu caminho próprio, vivendo na Diocese com licença do bispo, mas tem os seus superiores. Superior é o que tem o direito de fazer as transferências porque tem o seu carisma próprio e também suas orientações próprias. Cada superior e cada comunidade religiosa é quem deve fazer as transferências. Os nossos redentoristas estão saindo porque já havia feito um convênio para que quando Dom Ceslau terminasse o seu mandato aqui, eles também iriam para outro ambiente, visto que não tem pessoas para fazer as transferências. Então a gente está fechando essa casa, para poder completar uma outra que, no mínimo, deverá ficar 3 pessoas como Comunidades, mas virá uma outra Comunidade para a Piedade, a fim de que possa tomar conta daquela comunidade paroquial e dá continuidade com a evangelização.

Portal Católico: É preciso fazer campanhas para padres saírem ou permanecerem em suas paróquias?

Dom Carlos: Pode fazer campanhas, não tem problema, mas quem sabe da necessidade é o Bispo. Pode haver campanha, mas aqui não é lugar de político nem de política, é lugar de fazer a evangelização. O Bispo é quem sabe juntamente com o Colégio de Consultores ou o Conselho Presbiteral que é realmente quem sabe direcionar para isso que tem o voto consultivo (não é deliberativo) para que a gente possa saber como devemos reger e fazer. Todos os padres já sabiam que iam ser transferidos e então só feito o comunicado.

Reportagem e foto: Valdeni Elias
Edição de texto: Anara Passos (Comunicóloga- DRT 7574)


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Comentário:
25 / 12 / 2017 reply
Pior de tudo é que os padres mais atuantes (na rebeldia) são os mais antigos nas paróquias, com mais de dez anos, e também que já passaram da idade de ficar dando maus exemplos aos jovens. – Esqueceram completamente do voto de Obediência, no dia da Ordenação Sacerdotal?

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