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terça-feira, 26 de maio de 2020

"ENTRE ASPAS"



“O Amor não suporta dúvida – a crença lhe 
é fundamental.”
- BETTY MILAN, em E o que é o amor? (Editora Record)
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“Deixe o tempo soprar seu cabelos, 
enquanto ainda tem alguns.”
- DAVE WEINBAUM
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“Os jovens estão quase biologicamente 
destinados a terem esperança.”
- MARSHALL GANZ, citado por SARA RIMER no New York Times
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“Quem não faz 
sacrifícios não 
alcança benefícios.”
- MARQUÊS DE MARICÁ
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“O que é visão? É uma imagem 
compulsiva de um futuro exequível.”
- LAURA BERMAN FORTGANG, Take yourself to the top (Werner)
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“Eu pensava que o cérebro humano 
fosse a parte mais fascinante do 
corpo. Mas depois percebi: Bem... vejam 
quem está me dizendo isso!”
- EMO PHILIPS
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“Grande parte da vitalidade numa 
amizade é respeitar as diferenças, e 
não apenas gozar as semelhanças.”
- JAMES L. FREDERICKS em Journal of Ecumenical Studies
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“A vista mais bonita é a da beira 
do abismo.”
- FRITS BOLKENSTEIN, citado por L. J. BRUIJN. Países Baixos
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“O bravo não é 
quem não sente 
medo, mas quem 
vence esse medo.”
- NELSON MANDELA
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”A pessoa não pode existir sem esforço. 
Os seres humanos não nascem 
com a alma pré-fabricada; recebem 
os materiais para construí-la.”
- J. L. MARTÍN Descalzo em blanco y negro, Espanha
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“O pai é um homem que espera 
que os filhos sejam tão bons quanto 
ele pretendia ser.”
- CAROLYN COATS, Thingsyour dad Always told you but you didn’t want to hear (Nelson)
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“Chamamos de complexo aquilo 
que não compreendemos, mas isso 
significa que não encontramos um 
bom meio de pensar no assunto.”
- TSUTOMO SHIMOMURA, Takedown (Hyperion)


FONTE: Reader’s Digest – SELEÇÕES, Abril 2000

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segunda-feira, 25 de maio de 2020

A ROSA COM AGRURAS E ARISTON CALDAS – Cyro de Mattos


A Rosa com Agruras e Ariston Caldas  
Cyro de Mattos

         
             Nome completo, Ariston Ribeiro Caldas, nascido em 15 de dezembro de   1926, na fazenda Boa Sorte, no município de Alagoinhas. Aos oito anos veio com a família para Uruçuca, antiga Água Preta, terra do contista Jorge Medauar e do poeta Florisvaldo Mattos. Tempos depois mudou para Itabuna, onde passou grande parte de sua vida e teve suas melhores emoções.

            Ariston Caldas foi cronista, poeta e contista. Jornalista com passagem na imprensa de Salvador. Confessava que desejava escrever romances, mas não tinha fôlego para empreender a aventura de representar a vida em níveis mais amplos. Publicou A hora sem astros, Olhos d’água, Mar distante, Balada que vai e vem, A rosa daquela esquina e Dissipação. Sua  Obra Reunida (2014) tem o selo da editora Mondrongo, Em 2014, depois de um recolhimento de trinta e quatro anos, voltou a publicar literatura, dessa vez com Linhas intercaladas, volume de cinquenta contos, da  editora Via Litterarum,  com prefácio do compositor Fernando Caldas, sobrinho do poeta.
    
             Suas histórias alcançam interesse pelo que têm de gente comum vivendo no interior e do   cenário que não mais se encontra nos tempos atuais de globalização, da tecnologia e da imagem visual. Em nosso entendimento, o poeta está acima do contista, que não usou bem a estilização do discurso na arte de contar história, oscilando entre vícios e virtudes. Sua poética instintiva, de inquietação e sentimento do que imagina e vê, não recorre aos elementos formais com exagerada preocupação da técnica, nem é influenciada pelas vanguardas. Também não se esforça para ressaltar a sonoridade e o embelezamento do verso, dando a perceber o desinteresse pela mensagem lírica do conteúdo.   Não tende para a estética parnasiana, que muito pouco acrescentou à poesia em termos de mensagem como vínculo de gravidade de nossa condição humana, limitando-se mais à perfeição formal como o primeiro plano do poema.
 
                Certa vez confessou que ser poeta é abraçar a vida no plano integral dos sentimentos, que emergem da viagem perigosa do existir. Sabê-la, com os momentos fortes, como o amor, o ódio, a dor, a mágoa, o tédio, as desilusões, a saudade, a esperança, a tristeza e a fé, é o prisma pelo qual o poeta universal se direciona no seu discurso.  Acreditava que o poeta é portador de todas as sensações do mundo. Frisava: “Todos os enfermos repousam em sua alma, sente todas as ingratidões, ama ao extremo e sofre como ninguém jamais sofreu. Tem esperança imorredoura, o que não é simplesmente uma esperança, mas o pressentimento do significado absoluto da vida universal.”

           Nessa poesia desvinculada de estéticas definidas, que configuram a conduta de gerações, usou o verso livre e o tradicional com as unidades rítmicas apoiadas na métrica e na rima. Utilizou os dois padrões mencionados, conforme o momento para conversar com a vida na sua passagem fugaz, se esconder no caminho que não tem volta, no sentimento forte do amor, no trágico que não se desvenda e  é dissolvido   na indiferença.

          Escreveu neste sentido o poema “Convicção”, até hoje perfeito, criação feliz que aborda o instante extremo definido como enigma, que, inexplicável, apresenta-se com as vestes da vida e da morte.  Vejam o poema abaixo transcrito. 
         
  Convicção

A vida é assim mesmo, meu amigo:
A gente nasce e morre num instante,
Esta é a recompensa, este é o castigo,
Que nos espera pouco ou mais distante.

Nem nos vale o beijo quente da amante
Nem a bênção mesquinha do mendigo;
Até o santo amor, agonizante,
Terá seu fim no fundo do jazigo.

Nós somos tudo,  meu amigo, enquanto
Nos olhos vivos nos ocorre o pranto
Ou nos lábios um sorriso de alento.

Apenas o consolo que nos resta
É de  sabermos que depois da festa,
Mergulhamos de vez no esquecimento.

           Poeta de compulsões anímicas, que se nutria com o eu de confissões, conversas com o velho rio, a amada que ficou “no poema recriado pela colegial de olhos miúdos, numa tarde de sete de setembro”, mistura a agonia  com  estrelas e oceanos. Teve no estro como companhia a rosa com agruras, o sentido da vida  dirigido à intimidade   “com um sabor  amargo de partida”.

           Homem simples, voz mansa, o coração fraterno.  Quando rapaz, gostava de jogar futebol, atuando como goleiro em partidas aguerridas no saudoso Campo da Desportiva.
           
          Faleceu em 20 de fevereiro de 2007, em Salvador.

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Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).  Possui prêmios importantes. Publicado no exterior.

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domingo, 24 de maio de 2020

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Divina Família – Geraldo Maia

Divina Família

Geraldo Maia


Lá em casa habita um Deus
em todos os lugares,

Um Deus que é Pai e Mãe
antes de existirem lares,

Um Deus que é Filho fruto
da pureza com a santidade;

E um Espírito que paira
sobre os rios e os mares.


Lá em casa mora
uma Santíssima Trindade,

Que trabalha sem parar
por amor e piedade;

Seu foco é a remissão,
sua meta é a salvação,

Seu princípio é o fim
da morte e do pecado.


Minha casa é a que Jesus
constrói em cada passo,

Me abrigo a Seus pés,
me alimento de Seu verbo,

Me visto de Sua luz,
e tudo o que carrego

é o amor que Ele me deu,
meu Deus Eterno.


Geraldo Maia
Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto) Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA. Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon. Trabalha na empresa Folha Notícias. Filho de Itabuna/BA/BRASIL, reside em Louveira /SP.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (184)


Ascensão do Senhor | Domingo24/05/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 28,16-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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“Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20)

Mistério Pascal é uma realidade única: nem a ressurreição, nem a ascensão, nem o sentar-se à direita do Pai, nem a glorificação, nem a vinda do Espírito, são fatos separados.

As diferentes “expressões” do Mistério Pascal, pertencem ao hoje como ao ontem, são tão nossas como foram para Pedro, João ou Madalena. Não aconteceram só no passado, mas também estão acontecendo neste instante. São realidades que estão afetando nossa própria vida. Podemos e devemos vivê-las como os(as) discípulos(as) de Jesus as viveram.

Para nós seguidores(as) de Jesus, Ascensão é abertura para o cotidiano, para a realidade do serviço. É preciso partir e viver o chamado do Mestre para prolongar, neste mundo, seu modo de ser e de viver.

Ascensão de Jesus não significa evasão aos céus - “Homens da Galileia por que ficai aqui, parados, olhando para o céu?” (At. 1,11) – mas imersão na vida. Aquele que Vive não escapou do mundo; sua Ascensão significa expansão e presença no universo inteiro, plenificando tudo em todos; Ele agora assume todos os rostos, identifica-se com toda a humanidade e continua a caminhar pelas Galileias dos excluídos, das periferias, dos pobres, acampa junto aqueles que vivem às margens...

Ao celebrarmos a entrada de Jesus na glória, não celebramos uma despedida ou um distanciamento, mas um novo modo de presença; celebramos a proximidade radical d’Aquele que é, realmente, o Emanuel, o Deus-conosco para sempre.

Ao “subir aos céus”, Jesus se faz mais radicalmente próximo de todos, ultrapassando tempo e espaço. Ascensão não é afastamento, mas uma maneira nova de fazer-se presente a todos e em todos os lugares.

O único que Jesus faz é restabelecer e assegurar a proximidade e comunicação com toda a humanidade. Isto deve nos dar uma grande alegria, pois Ele permanece aqui na terra, junto a nós. Assim, a Ascensão de Jesus nos desafia a romper a estreiteza de nossa vida para expandi-la a horizontes mais inspiradores.

Na festa da Ascensão deste ano, a liturgia nos propõe a cena final do evangelho de Mateus; embora não fale expressamente da “elevação” de Jesus ao céu, nele se condensa todo o caminho anterior, e se abre ao mundo inteiro, como presença e promessa de vida.

Mateus termina seu evangelho narrando um breve encontro entre Jesus Ressuscitado e o grupo dos onze que havia regressado à Galileia, depois de receber a mensagem das mulheres que tinham ido ao sepulcro. Este encontro acontece longe de Jerusalém, afastado do lugar onde eles tinham vivido a experiência traumática da paixão de Jesus. Esta distância física é também existencial. Depois da crise, do medo, do deses-pero que os havia paralisado, o Mestre os convida a voltar à Galileia, às origens, para percorrer de novo os caminhos, para “fazer memória” das experiências junto d’Ele e que agora hão de reler de forma diferente.

A Ascensão é a festa por excelência da nova proximidade de Jesus. No entanto, devido à situação pandêmica, celebramos fisicamente distanciados uns dos outros; mas, a Ascensão pode ser um momento oportuno para ativar outras maneiras de nos fazer próximos, inspirados na proximidade do Ressuscitado.

A festa da Ascensão pode também ser uma ocasião para des-velar (tirar a máscara) o farisaísmo que está latente em todos nós: a vivência camuflada de um distanciamento humano.

O isolamento sanitário pôs às claras esta dura realidade: já levamos anos praticando o distanciamento político, a polarização religiosa, o enfrentamento de extremos, a separação ideológica, a distância como meio para nos fechar em nossas posições fanáticas, preconceituosas e intolerantes. Uma voz surda sempre esteve presente: devemos nos separar dos outros, daqueles que pensam diferente, sentem diferente, vivem diferente, assumem posições e opções diferentes...

Não podemos deixar que a atual crise sanitária acentue mais ainda os diferentes distanciamentos que estavam escondidos, mas que agora vieram à tona com mais força.

Esta é a dura contradição que estamos vivendo: se, estar separados fisicamente de nossos seres queridos e vizinhos é o mais eficaz para combater a pandemia, precisamos, então, buscar outras expressões de proximidade para que essa distância não se converta em ecossistema e modo de vida. A distância sanitária não pode servir de cortina de fumaça para reforçar outras distâncias que se abrem diante de nós, no campo social-político-religioso-cultural...

Não podemos deixar que o sonho do Reino, o projeto universal de Jesus, se dilua em meio às distâncias artificiais que desumanizam. Hoje, mais do que nunca, devemos celebrar e recordar que juntos, unidos, orientados para um horizonte comum, poderemos enfrentar qualquer crise que nos venha. Talvez, esta pandemia nos oferece uma ótima oportunidade para crermos nisso, de verdade: de transformar declarações ocas em atos sólidos, de resumir tudo o que é a humanidade numa só palavra: proximidade. Proximidade com aqueles que sofrem, com aqueles que buscam um mundo melhor, com aqueles que menos tem, com aqueles que se sentem excluídos... Em meio a um mundo onde a distância e a suspeita crescem e se enraízam, a Ascensão é a alternativa de proximidade e colaboração que todos precisamos.

Não nos sobram muitas outras oportunidades de transformar este sonho em realidade. Vivemos na distância, necessária no momento, mas não façamos dela nosso estilo de vida; não devemos convertê-la em meio que determine o que somos. Somos chamados a ser algo mais que compartimentos estanques e seguros, isolados. Podemos ser “praça comum” de encontro e diálogo, de mãos estendidas e ouvidos atentos para dar forma a isso que tanto precisamos: sentir-nos próximos uns dos outros.

À luz da Ascensão podemos afirmar: fisicamente distanciados é quando nos sentimos mais próximos.

Podemos recordar o constante convite de Jesus a provocar encontros que ajudem a integrar, a re-unir, a re-ligar, a articular o tecido comunitário. Há tantas vidas esparramadas, isoladas, rejeitadas... esperando por sinergia. Na verdade, Ele provocou as pessoas a saírem de seu isolamento e padrões alienados de relacionamento para expandir-se em direção a uma nova forma relacional com tudo o que existe; tal relação é a concretização do sonho do “Reino de Deus”.

Como homem e como mulher, trazemos esta força interior que nos faz “sair de nós mesmos”  e criar laços, fortalecer a comunhão, romper distâncias...

O ser humano não é feito para viver só; ele necessita con-viver, viver-com-os-outros; ele é um ser constitutivamente aberto, essencialmente em referência a outras pessoas: estabelece com os outros uma interação, entrelaça-se com eles, e forma um nós: a comunidade.

Textos bíblicos:  Mt 28,16-20   
Na oração: Jesus vive sua proximidade radical através dos seus(suas) seguidores(as) que se fazem próximos. A “opção de vida” em favor do próximo é o indicador de uma vida aberta e comprometida na construção de uma convivência social na qual predomine a ternura e não a dureza de coração, o respeito à vida e o amor e não a violência e a exclusão.
- de quem eu sou próximo, ou, como me faço próximo, nestes tempos de isolamento social? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 23 de maio de 2020

ITABUNA CENTENÁRIA, UM POEMA: Maria da Pandemia - Roberto Malvezzi (Gogó)

Maria da pandemia
Roberto Malvezzi (Gogó)


Maria da Pandemia,
Rogai pelos que estão entubados nos hospitais,
Buscando um pouco de ar para sobreviver,
Agonizando e morrendo na solidão.

Rogai por seus familiares e amigos,
Nessa hora de angústia,
Quando a dor é maior.
E a esperança menor.

Rogai pelos médicos, enfermeiras,
Profissionais da limpeza, religiosos,
Todos os que cuidam dos contaminados.

Livrai-nos da indiferença e dos indiferentes,
Dos adoradores da morte,
Dos que celebram as desgraças alheias,
Dos que deveriam ser os primeiros em responsabilidade
E se colocam de forma fria e sórdida diante desses tormentos.

Rogai para que Deus ilumine os cientistas,
Que seja encontrado rapidamente um caminho
Para neutralizar a ação do vírus.

Quando tudo passar,
Que o ar permaneça limpo,
Que as águas permaneçam puras,
Que as florestas permaneçam em pé,
Que nossas ruas tenham o silêncio da paz,
Que nosso céu permaneça azul
Que todas as formas de vida continuem celebrando sua liberdade
Que a humanidade aprenda que a Terra não é lugar só da humanidade.
Que todos vivemos em uma Casa Comum

Amém!


Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

MENSAGEM DE UMA ELEITORA DO BOLSONARO PARA SEU PAI ESQUERDISTA


"Sabe, papai...
Fico aqui pensando...
Ele tem a sua idade... Família, filhos, Inclusive, uma filha pequena...
Ele poderia estar assim, em casa, resguardadinho nessa hora, exatamente como você está, de boa, apreciando o mar, como todo aposentado merece estar.
Nesse momento de epidemia, sendo ele, também, pertencente ao grupo de risco...está, agorinha e o dia todo, reunido com governadores, empresários, comerciantes, etc., juntamente com aqueles excelentes e sérios ministros, decidindo quais providências tomar em meio ao caos inevitável. Fazendo das tripas um coração para que os danos físicos e econômicos sejam os menores possíveis. Por que não é fácil...
É como um cobertor... Você precisa cobrir tudo mas, se esticar muito aqui, descobre ali... e vice-versa...
Que missão a desse homem!
Ter que transformar em hospitais os estádios que o Lula preferiu construir, em nome da Copa (vergonhosa, aliás)!
Ter que se virar para cobrir os rombos que nos outros 16 anos foram abertos, descaradamente, na nossa nação.
Esse homem poderia estar passando álcool nele o dia todo e de máscara...apenas ouvindo aos noticiários e dando uma de especialista em política, economia, saúde, segurança, etc., pagando de militante nas redes sociais da vida e debochando de cada passo que o presidente estivesse dando... ou da "máscara" que ele não soube usar...
Mas ele preferiu ser o "linha de frente". Ser bombardeado todos os dias, mas tentar fazer algo por esse país, de dimensões continentais...
Ele erra como todos nós, mas quem de nós gostaria de estar no lugar dele, principalmente agora?
Deboches e críticas tão pessoais mostram tremenda falta de empatia e amor ao próximo. E é o que mais me entristece.
Não temos bons exemplos que o antecederam. Não estamos nem na metade do seu mandato.
Mas os leigos esquerdistas, trancafiados em suas casas, confortavelmente, acham-se capacitados para condená-lo.
Que o façam!
Ele é valente, graças a Deus; e boca dura para quem merece.
Vai permanecer firme e muito ainda fará. Independente da torcida contrária.
Somos maioria. Estamos com ele...
Primeiro porque ele é um ser humano como nós,  por isso merece respeito.
Segundo porque o elegemos.
E terceiro porque sabemos que quem coloca Deus na frente já está com a vitória garantida.
E venceremos...
Somos Bolsonaro, bolsomínions, robôs, o que quiserem.
Mas somos convictos, assim como ele!
Ser Bolsonaro e eleitor do Bolsonaro é para os fortes.
Não é para qualquer um!"

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Fiz questão de copiar esse texto. Ele não é meu. Mas é de alguém que pensa, age e fala, EXATAMENTE COMO EU.
Faço dessas palavras não uma idolatria, mas um olhar de orgulho e amor, por um homem que está lutando por seu povo e que esse povo não quer enxergar.

(Recebi via WhatsApp)

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

VIDAS PARALELAS - Marco Lucchesi


Como todos os meninos, fui também um caçador de heróis. A leitura das Vidas paralelas de Plutarco, largo manancial de coragem e ousadia, ordenou parte desse imaginário caçador. Sonhava ideias generosas e temperava o caráter com Alexandre e Júlio Cesar, Teseu e Rômulo, Demóstenes e Cícero. Textos paralelos, espelhos de diálogo, esquinas do passado com o futuro. Não havia nada que não fosse amplo e altissonante naquelas páginas. Não se perdoavam gestos pequenos ou indignos. As vidas ensinavam, mas eram três: as duas, que Plutarco redigia, e a do leitor, buscando imprimir, de forma altiva, para si mesmo, a renovação de uma biografia.

Sou amigo de Plutarco –, não o melhor, nem o único –, dentre as muitas amizades que se formaram, em torno de seu nome, ao longo de dois mil anos. Atravesso alguns cenários invisíveis, quase desfeitos. Bato à porta de fantasmas vivos, mais vivos que meus contemporâneos, com quem ressuscita algumas vozes, a buscar formas híbridas para a leitura do mundo.

Tais questões emergem do livro Como se tornar um líder, de Jeffrey Beneker. Ideias que tangenciam a crise da política e representação, nas democracias de baixa intensidade, como a brasileira, com a perda de espessura institucional e a decorrente escassez de lideranças.

O mundo antigo tem muito a ensinar. Se todas as épocas possuem uma visão do sublime, não podemos desconsiderar os elementos seminais da História do Ocidente. Plutarco é um aliado na recuperação do território, da cidade, do governo concreto, longe de uma certa abstração federativa que despreza o lugar onde se vive.

A visão do herói serve para a formação dos meninos, com um arquétipo incontornável. Adultos, não precisamos de heróis. E os que se arrogam tal condição ameaçam as instituições republicanas.

Desejo lideranças corais, que não percam o horizonte da comunidade e do pertencimento. Lideranças que compreendam a formação do consenso e a liturgia do poder. As Vidas paralelas brilham como um farol em tempos obscuros. E comprovam, uma vez mais, que sem educação republicana não haverá saída para o futuro.

Jornal de Letras, Artes e Ideias (Lisboa), 20/05/2020


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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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