Quando cortas uma flor para ti, começas a
perdê-la...
Porque murchará em tuas mãos e não se fará semente para
outras primaveras.
Quando aprisionas um passarinho para ti, começas a
perdê-lo... Porque não mais cantará no bosque para ti nem criará outros
passarinhos em seu ninho!
Quando guardas teu dinheiro começas a perdê-lo...
Porque
o dinheiro não vale por si , mas pelo o que com ele se pode fazer.
Quando não arriscas tua liberdade para tê-la
começas a perdê-la... Porque a liberdade que tens se comprova quando te atiras
optando e decidindo!
Quando não deixas partir o teu filho para a vida, começas
a perdê-lo...
Porque nunca o verás voltar para ti livre e maduro.
Aprende no caminho da vida a paradoxal lição da
experiência: sempre ganhas o que deixas e perdes o que reténs. Grandes artistas
obtiveram o melhor das suas obras nos grandes momentos de aflição e dor.
Faça o mesmo: Mostre o que de grande há em você tirando partido das suas
decepções!
CONSTRUA-SE!
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Rene Juan Trossero - escritor e psicólogo argentino, autor
de vários livros de autoajuda, suas palavras são muito sábias, com sua poesia
aprendemos a conhecer-nos e a outros, construindo uma vida mais completa.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a
respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. Eles
comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua
mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?”
Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode
vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último
dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora,
todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que
alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o
Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no
deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem
dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer
deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a
vida do mundo”.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Air José:
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O desafio de "ser
pão" para os outros
“Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo. 6,51)
Continuamos no cap. 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão
entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu
ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles
aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as
doentias murmurações. “E começaram a murmurar contra Jesus”.
Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É
o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra
Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes
recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também
não confiam nas palavras do próprio Jesus.
Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras,
sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas
ácidas... Murmurar é contraproducente e nocivo. Alguém que murmura é uma pessoa
difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por
outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a
murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa
murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si
mesmo, justificativas... entrando numa espiral de amargura e fechamento.
À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto
das suas murmurações, fica mais e mais perdida, até que, no fim, acaba
achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada
do mundo.
Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito
não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as
doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o
coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com
isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições,
crenças, valores... e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente. Como
quebrar os ferrolhos das murmurações e estender as mãos para acolher o
surpreendentemente novo? Como passar do coração de pedra para a morada da fonte
de água viva?
Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de
existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina
na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à
morte. Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e
ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da
ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o
Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas
fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida. Em Jesus acontece algo
totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não
cabe nos nossos esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma
vida diferente, de qualidade nova, expansiva...
A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente
amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito,
realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de
reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma dimensão profunda de
nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o
que vivemos até então.
A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito
de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa
existência. Ela torna-se “eterna” desde já. Para o evangelista João, a “vida” é
uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal
plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com
tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.
Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do
espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo
modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração. A vida,
desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em
plenitude. Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”.
Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo;
alimentar-nos d’Ele, desperta nossa vida interior, fazendo-nos redescobrir
nossa verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”,
Jesus nos ensina a gerar vida, ou seja, Ele nos move a fazer com que nossa
própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida.
A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.
Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida
estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos
saciamos com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e
torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade,
consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de
ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de
significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão,
solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o
olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é
convocação...
Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos
revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um
fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe,
simplesmente. Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e
veneração... porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados,
boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua
força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Portador
de uma vida inesgotável, somos muito mais que o simples resultado de nossos
esforços e lutas. Vivemos para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.
Nossa vida não é um problema a resolver, mas uma experiência
a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, somos
discípulos(as) permanentes na escola do Mestre da vida! Nesse sentido, a
experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja
aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser, para enraizar nossa vida no
coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-nos
plenificar pela graça transbordante de Deus. Nada mais contrário ao espírito do
Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para
sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...
Texto bíblico: Jo 6,41-51
Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é
preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender
a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o
estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte
da vida.
- Temos nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de
murmurações” (queixas, ressentimentos e desencantos) ou “em chave de benção”,
descobrindo na vida a presença d’Aquele que nos faz estremecer de alegria,
desafiando-nos a ser “pão para os outros”.
- Sua vida cotidiana: “pão amargo de murmurações” ou “pão
substancioso de bênçãos”?
O texto do PADRE ZEZINHO é para que aqueles que fazem teologia a partir das
novelas da Record...
Ligue o vídeo abaixo:
A Record do Bispo Macedo está veiculando na novela dele, que Maria teve
outros filhos e que Jesus teve outros irmãos.
Faz 50 anos que explico aos jovens quem era Judas/Tiago/José e Simão,
citados como irmãos de Jesus. Eles tinham outro pai que não era José. E a mãe
deles não era a Maria de José.
Na Bíblia, primos eram chamados de irmãos. Aliás, há tribos na África
que ainda hoje consideram os primos como irmãos.
Quando o adolescente Jesus, aos doze anos foi encontrado no Templo,
Maria lembrou dizendo: “Teu pai e eu te procurávamos aflitos”... E porque
será que não falam dos irmãos? Eles não foram juntos para a peregrinação?
Quando disseram a Jesus que a mãe e os irmãos o estavam procurando,
Jesus respondeu que todo mundo era sua mãe e seus irmãos.
E quando na hora da morte, estando Maria ao pé da Cruz, porque não havia
lá nenhum dos chamados irmãos de Jesus? Eram covardes? Eles deixaram a mãe
sofrer sozinha?
Por que razão Jesus confiou Maria aos cuidados do jovem discípulo
João, que nem sequer era parente de Jesus, dizendo que, agora, João seria
filho dela e ela seria a mãe de João?
Se Maria tivesse outros filhos morando na mesma casa, não seria
estranho esta entrega de Maria aos cuidados de João?
E se fossem já casados, não seria normal que um dos 4 filhos homens e talvez alguma mulher também
irmã deles, ficasse com Maria? Na sua família é isso que aconteceria hoje em
dia. Também naquele tempo seria assim!
As palavras de Jesus deixam claro que não havia outros filhos ou
filhas morando com Maria e Jesus . Maria ficaria sozinha !
Faz sentido ou você ainda tem dúvidas? Ou você vai ficar com a
versão da novela do Bispo Macedo que já disse claramente que ele é a favor do
aborto. Não é o que Jesus dizia! Ele está mostrando outro tipo de Evangelho. É
o evangelho segundo Edir Macedo.
Ele não prega o mesmo evangelho que nós católicos lemos nas nossas
missas e encontros.
Para ele é fácil dizer que Maria teve outros filhos. Mas que tipo de mãe
seria ela, que não conseguiu unir os filhos na hora da Cruz e que teve que ser
entregue a um discípulo, porque os pseudo - irmãos de sangue a
abandonaram? Que irmãos de sangue estranhos eram eles? Abandonaram a Mãe e Jesus
por medo? Os quatro irmãos de sangue e a possível irmã de Jesus nunca
existiram porque eram parentes mas não eram da mesma casa e não moravam com
Maria.
Não é mais lógico concluir que Jesus entregou Maria aos cuidados de João
simplesmente porque Maria não teve outros filhos?
.........
Padre Zezinho é um padre católico brasileiro, nascido em Machado,
Minas Gerais, no dia 8 de junho de 1941. Ele é conhecido também por outras
habilidades, como escritor e músico. Tornou-se padre com 25 anos de idade, nos
Estados Unidos, e usou vários meios de comunicação, como o teatro e a música
para propagar sua evangelização pelo mundo todo.
É de conhecimento geral que as pessoas gordas, sofrem
bastante pelas discriminações a que são submetidas ao longo de suas vidas,
desde a infância até as idades maduras!
E, muitas vezes, talvez sempre, essa aparência recheada é
uma culpa dos pais e avós que, querendo que seus descendentes sejam de
aparências sadias, forçam muito durante as refeições, fazendo as vontades de
seus gosto e, naturalmente, vem aquela quantidade de carnes sobrando nas
cinturas, barriguinhas pronunciadas que, na infância ainda se encara como
“engraçadinhas”, com suas bochechas papudinhas e arredondadas!
Mas, com o passar dos tempos, essas pobres crianças
tornam-se mais lentas, tímidas e, inevitavelmente, vítimas de apelidos nada
agradáveis, criando um problema nas formações de suas personalidades.
E, como sabemos de cor e salteado, reverter esses corpinhos
exagerados torna-se difícil, pois, com a criação de estímulos para comer, a
garotada torna-se gulosa e não tem mais paciência para não se empanturrar na
mesa das refeições e nas das merendinhas caseiras e das cantinas dos colégios,
ou casas de hot-dogs.
Com essas conjecturas nada agradáveis, vão se tornando
adultos com seus corpos avantajados e mal feitos, alguns levando na esportiva
os deboches sofridos, assim como a maioria que tornam-se pessoas fechadas,
complexadas e com poucos amigos!
Certamente, se você é uma pessoa gorda deve saber muito bem
essas facetas e, caso não seja, também tem conhecimento de casos com colegas de
colégio, profissão, ou trabalho.
Vale a pena ser pai, amar seus filhos querer vê-los
saudáveis e bonitos, mas, para isso, seja comedido nas “forçações” alimentares,
inclusive escolhendo iguarias adequadas e recomendadas, por médicos e
nutricionistas!
Quando eu era jovem meu querido e saudoso avô me dizia:
“Mulher de gordo é feliz porque goza três vezes”! A primeira quando ele tira a
roupa e ela morre de ri do seu corpo. A segunda é quando ele sobe sobre ela
para transar. E a terceira é quando ele sai de cima e paga, pois gordo só
encontra mulher só se for pagando!
Tenham cuidado com suas aparências e, principalmente, com o
colesterol. Nada de forçar as criancinhas.
Doutor Delamare, grande Mestre da ciência infantil dizia
sempre que a criança na hora que está com fome ele come, não se faz necessário
querer entupi-la de alimentos, só porque é meio dia!
Boni, o todo poderoso da Globo, braço direito de Roberto
Marinho nas três décadas que fizeram da emissora o gigante que se tornou,
contou para a revista Piauí um pouco da história daqueles tempos obscuros da
ditadura e do período entre a derrubada de Jango e o AI-5. Vale a pena ouvir essa
história envolvendo Paulo Francis que teve a participação de Roberto Marinho
e do próprio Boni. (Melhor que mensagens do além recebidas pela Miriam
Leitão)
“Se alguém pensa que o dr. Roberto foi subserviente aos
militares ou que tirou algum proveito pessoal com a ditadura, está
absolutamente enganado.
Em 1964, O Globo e todos os jornais mais importantes – o
Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a Folha – apoiaram a chamada revolução
redentora. Nesse período, o dr. Roberto era tratado por alguns detratores como
o general civil da revolução, mas não se incomodava. Ele acreditava piamente
que o único regime que servia para o Brasil era a democracia, do ponto de vista
político, e a economia de mercado, do ponto de vista econômico. Nunca imaginou
uma ditadura de longo prazo e se surpreendeu com o decreto do Ato Institucional
nº 5 e com o fechamento do Congresso.
Como empresário, nunca fez qualquer restrição à ideologia de
seus funcionários, escolhendo-os pelo talento e pela capacidade. Costumava
dizer: “Nos meus comunistas mando eu.” Pela Rede Globo passaram alguns dos mais
ilustres subversivos, cultuados e admirados pelo dr. Roberto. Ele tinha
especial carinho pela obra e pelos textos do Ferreira Gullar, adorava as
espertezas do Dias Gomes para driblar a censura e chegou a emprestar dinheiro
para o Mário Lago quando ele se atreveu a pedir uma grana para saldar uma
dívida. O dr. Roberto fez um cheque e disse:
– Se os comunistas assumirem o poder, peça para me
enforcarem com uma corda de seda… bem fininha.
Ele também tinha uma grande capacidade de entender e
esquecer desafetos. Um dos exemplos é o Paulo Francis, que fez duras críticas e
baixas ofensas. Um dia, o Armando Nogueira, diretor de jornalismo, e eu fomos
consultar o dr. Roberto sobre a possível ida do Paulo Francis para a Globo. Ele
estranhou:
– Ué… Ele aceita?
Ao que o Armando respondeu:
– Aceita, dr. Roberto.
– Que bom. Se aceita, quer dizer que ele não pensa mais o
que pensava da gente. Pode contratar.”
Paulo Francis esteve do outro lado, como bom comunista que
era. Recobrou a consciência e se tornou quase um libertário. Não podemos
esquecer que ele foi o primeiro e mais incisivo jornalista a denunciar a
corrupção na Petrobrás.
Pouco me recordo de meu pai. Ficamos muito crianças eu e
minha irmã, eu com cinco anos, quando ele morreu. Lembro-me apenas que minha
mãe soluçava, os cabelos caídos sobre o rosto pálido e que meu tio, vestido de
preto, abraçava os presentes com uma cara hipócrita de tristeza. Chovia muito.
E os homens que seguravam o caixão andavam depressa, sem atender aos soluços de
mamãe, que não queria deixar que levassem o seu marido.
Papai, quando vinha da fábrica, me fazia sentar sobre os
seus joelhos e me ensinava o ABC com a sua bela voz. Era delicado e incapaz,
como diziam, de fazer mal a uma formiga. Brincava com mamãe como se ainda
fossem namorados. Mamãe, muito alta e muito pálida, as mãos muito finas e muito
longas, era de uma beleza esquisita, quase uma figura de romance. Nervosa, às
vezes chorava sem motivo. Meu pai tomava-a então nos seus braços fortes e
cantava trechos musicais que faziam com que ela sorrisse. Nunca ralhavam
conosco.
Depois que ele morreu, mamãe passou um ano meio alucinada,
jogada para um canto, sem ligar aos filhos, sem ligar às roupas, fumando e
chorando. Tinha ataques por vezes horríveis. E enchia de gritos dolorosos as
noites calmas do meu Sergipe.
Quando após esse ano ela voltou ao estado normal e quis
acertar os negócios de papai, meu tio provou, com uma papelada imensa, que a
fábrica era dele só, pois meu pai - afirmava com o rosto vermelho e as
mãos levantadas num gesto de escândalo - meu pai, meio louco e meio
artista, deixara unicamente dívidas que meu tio pagaria para não se desmoralizar
o nome da família.
Mamãe silenciou, coitada, e nos apertou nos seus braços,
pois nós tremíamos toda a vez que meu tio aparecia com a sua cara vermelha, a
sua barriga cultivada, a sua roupa de brim e aqueles olhos pequenos e
perversos.
Vivia passando as mãos pela barriga. O meu tio... Mais velho
que meu pai dez anos, cedo se tocara para o Rio de Janeiro, onde levou muito
tempo sem dar notícias e sem que se soubesse o que fazia. Quando os negócios de
meu pai estavam prósperos, ele escreveu a queixar-se da vida, dizendo que
queria voltar. E veio, logo após a carta. Papai deu-lhe sociedade na fábrica.
Veio com a esposa, tia Santa, santa de verdade, pobre mártir
daquele homem estúpido.
Papai vivia inteiramente para nós e para o seu velho piano.
Na fábrica conversava com os operários, ouvia as suas queixas, e sanava os seus
males quanto possível. A verdade é que iam vivendo em boa harmonia ele e os
operários, a fábrica em relativa prosperidade. Nunca chegamos a ser muito
ricos, pois meu pai, homem avesso a negócios, deixava escapar os melhores que
lhe apareciam. Fora educado na Europa e tivera hábitos de nômade. Esquadrinhara
parte do mundo e amava os objetos velhos e artísticos, as coisas frágeis e as
pessoas débeis, tudo que dava idéia ou de convalescença ou de fim próximo. Daí
talvez a sua paixão por mamãe. Com a sua magreza pálida de macerada, ela
parecia uma eterna convalescente. Papai beijava as suas mãos finas devagar,
muito de leve, com medo talvez que aquelas mãos se partissem. E ficavam horas
perdidas em longo silêncio de namorados que se compreendem e se bastam. Não me
recordo de tê-los ouvido fazer projetos.
Nós, eu e minha irmã, éramos como que bonecos para papai e
mamãe.
Quando meu tio chegou mudou tudo. Ele não fora à Europa e se
parecia muito com vovó, que fizera dos dezoito anos de vida em comum com meu
avô uma dessas tantas tragédias anônimas e horríveis que nascem do casamento da
estupidez com a sensibilidade. Dava nos filhos dos operários, o que não
admirava, porque, como murmuravam pela cidade, ele espancava a esposa.
Pobre tia Santa! Tão boa, amava tanto as crianças e rezava
tanto que tinha calos nos dedos, provocados pelas contas do rosário. Morreu, e
a doença foi o marido. Meu tio deflorara uma operária e fora viver com ela
publicamente. Santa não resistiu ao desgosto e morreu com o rosário entre as
mãos, pedindo a papai que não abandonasse o miserável.
A fábrica prosperou muito. Nunca consegui compreender por
que o salário dos operários diminuiu. Papai, fraco por natureza, não tinha
coragem de afastar titio da fábrica e um dia, quando tocava ao piano um dos seu
trechos prediletos, teve uma síncope e morreu.
[...]
Quando meu pai morreu e após meu tio declarar a nossa
miséria, fomos morar numa casinhola no começo de uma ladeira. Eu fiquei muito
mais perto do proletariado da "Cu com Bunda" do que da aristocracia
da decadente São Cristóvão.
Acostumei-me a jogar futebol com os filhos dos operários. A
bola, pobre bola rudimentar, fazia-se de bexiga de boi cheia de ar. Tornei-me
camarada de um garoto Sinval, rebento único de uma operária, cujo marido
morrera em São Paulo, metido numas encrencas com a polícia, não sei bem por
quê. Sei que os operários falava dele como de um mártir. E Sinval desancava os
patrões o que mais que podia. Franzino, os ossos quase a aparecer, possuía no
entanto uma voz firme e um olhar agressivo. Chefiava a gente nos furtos às
mangas e cajus dos sítios vizinhos. E toda vez que meu tio passava, cuspia de
lado. Dizia que apenas completasse dezesseis anos embarcaria para São Paulo,
para lutar como seu pai. Só muito depois é que eu vim compreender o que
significava tudo isso.
Frequentamos, eu e Elza, a escola. Mamãe fazia rendas e seus
pais ajudavam o nosso sustento. Quando fiz quinze anos fui trabalhar na
fábrica. Eu era então um rapazola forte, troncudo. O menino anêmico que eu fora
se transformara em um adolescente de músculos rijos treinados em brigas de
moleques.
Aparentava muito mais idade do que tinha realmente. Vivera
sempre entre molecotes pobres da cidade, pobre que eu era como eles. Agora ia
ser igual a eles completamente, operário da fábrica. Sinval não me diria mais
com seu sorriso mofador:
- Menino rico...
Cinco anos aturei na fábrica a brutalidade do meu tio.
Sinval, aos dezessete, vendera o que possuía em roupas e móveis e tocara para
as fábricas ou para as fazendas de São Paulo. A primeira e última notícia que
tivemos dele foi dois anos depois. Estava metido numa greve e esperava ser
preso a qualquer momento. Depois nem uma carta, nem um bilhete, nada. Os
operários afirmavam:
- Seguiu o destino do pai - e cerravam os punhos
enraivecidos. Mas a fábrica apitava e eles se curvavam, magros e silenciosos.
Minhas mãos estavam então calejadas e meus ombros largos.
Esquecera muito do pouco que aprendera na escola, mas em compensação sentia um
certo orgulho da minha situação de operário. Não trocaria meu trabalho na
fiação pelo lugar de patrão. Meu tio, o dono, estava bem mais velho e mais
vermelho e mais rico. A barriga era o índice da sua prosperidade. À proporção
que meu tio enriquecia ela se avolumava. Estava enorme, indecente, monstruosa.
Poucas fortunas em Sergipe igualavam nesse tempo à sua. Dava esmolas unicamente
ao convento (onde papava jantares) e ao orfanato. A este ele dava esmolas e
órfãs. Não se podia contar pelos dedos, nem juntando os dos pés, o número de
operárias desencaminhadas por meu tio.
Paixão que tive aos catorze anos por uma rameira gasta e
sifilítica, com a qual iniciei a minha vida sexual. Amor, aos dezoito,
platônico, por uma loura pequena do orfanato que foi ser freira, e enfim aos
vinte, o pensamento de me amigar com a Margarida, operária como eu. Isso deu
maus resultados. Meu tio andava também de olho na Margarida, que ostentava uns
seios altos e alvos, junto a um rosto de criança travessa. Margarida um dia me
contou que o patrão andava a apalpá-la. E ria, cínica. Eu acho que foi o seu
riso que me fez ir às fuças de meu tio. Estraguei-lhe a cara hipócrita. Fui
despedido.
São Paulo parecia à minha mãe e a Elza o fim do mundo. Por
nada deixariam que eu fosse para lá. Eu comecei a falar em Ilhéus, terra do
cacau e do dinheiro, para onde iam levas e levas de emigrantes. E como Ilhéus
ficava apenas a dois dias de navio de Aracaju, elas consentiram que eu me
jogasse, numa manhã maravilhosa de luz, na terceira classe do
"Murtinho", rumo à terra do cacau, eldorado em que os operários
falavam como da terra de Canaã.
Mamãe chorava, Elza chorava, quando me abraçaram na tarde em
que segui para Aracaju - tomar o vapor. Eu olhei a velha cidade de São
Cristóvão, o coração cheio de saudade. Tinha certeza de que não voltaria mais à
minha terra.
Os filhos dos operários jogavam futebol com uma bexiga de
boi cheia de ar.
Jorge Amado - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito
em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo
Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os
Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.
Sou casada com o Tempo. Ele é responsável pela solução de
todos os problemas. Ele constrói corações, cura machucados, vence a
tristeza…
Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos: a Amizade, a
Sabedoria, e o Amor.
A Amizade é a filha mais velha. Uma menina linda, sincera,
alegre. A Amizade brilha como o sol, une
pessoas, pretendendo nunca ferir, sempre consolar.
A do meio é a Sabedoria. Culta, íntegra, sempre foi
mais apegada ao pai, o Tempo. A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!
O caçula é o Amor. Ah! Como esse me dá trabalho! É
teimoso, às vezes só quer morar em um lugar…
Eu vivo dizendo: Amor, você foi feito para morar nos
corações, não em apenas um só. O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo.
Quando ele começa a fazer estragos eu chamo logo o pai dele, o Tempo, eo Tempo vem fechando todas as feridas que o
Amor abriu!
E tudo no final sempre dá certo, se ainda não deu, é porque
não chegou o final.
Por isso, acredite sempre na família. Acredite no Tempo, na
Amizade, na Sabedoria e no Amor.
Aí, quem sabe, eu, Felicidade, não bato à sua porta?