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domingo, 12 de agosto de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: CONSTRUA- SE - Rene Juan Trossero


Construa-se

Quando cortas uma flor para ti, começas a perdê-la...  
Porque murchará em tuas mãos e não se fará semente para outras primaveras.

Quando aprisionas um passarinho para ti, começas a perdê-lo... Porque não mais cantará no bosque para ti nem criará outros passarinhos em seu ninho!

Quando guardas teu dinheiro começas a perdê-lo... 
Porque o dinheiro não vale por si , mas pelo o que com ele se pode fazer.

Quando não arriscas tua liberdade para tê-la começas a perdê-la... Porque a liberdade que tens se comprova quando te atiras optando e decidindo!

Quando não deixas partir o teu filho para a vida, começas a perdê-lo... 
Porque nunca o verás voltar para ti livre e maduro.

Aprende no caminho da vida a paradoxal lição da experiência: sempre ganhas o que deixas e perdes o que reténs. Grandes artistas obtiveram o melhor das suas obras nos grandes momentos de aflição e dor. 

Faça o mesmo: Mostre o que de grande há em você tirando partido das suas decepções!

CONSTRUA-SE!

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Rene Juan Trossero - escritor e psicólogo argentino, autor de vários livros de autoajuda, suas palavras são muito sábias, com sua poesia aprendemos a conhecer-nos e a outros, construindo uma vida mais completa.

"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (91)


19º Domingo do Tempo Comum – 12/08/2018

Anúncio do Evangelho (Jo 6,41-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. Eles comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?”
Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Air José:

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O desafio de "ser pão" para os outros


“Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo. 6,51) 

Continuamos no cap. 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as doentias murmurações. “E começaram a murmurar contra Jesus”.   Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também não confiam nas palavras do próprio Jesus.

Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras, sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas ácidas... Murmurar é contraproducente e nocivo. Alguém que murmura é uma pessoa difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si mesmo, justificativas... entrando numa espiral de amargura e fechamento.  À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto das suas murmurações, fica mais e mais perdida, até que, no fim, acaba achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada do mundo.

Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições, crenças, valores... e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente. Como quebrar os ferrolhos das murmurações e estender as mãos para acolher o surpreendentemente novo? Como passar do coração de pedra para a morada da fonte de água viva?

Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à morte. Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida. Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabe nos nossos esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito, realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma dimensão profunda de nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o que vivemos até então.

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já. Para o evangelista João, a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em plenitude. Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”.

Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo; alimentar-nos d’Ele, desperta nossa vida interior, fazendo-nos redescobrir nossa verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”, Jesus nos ensina a gerar vida, ou seja, Ele nos move a fazer com que nossa própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida. A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.

Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos saciamos com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...

Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente.  Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração... porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Portador de uma vida inesgotável, somos muito mais que o simples resultado de nossos esforços e lutas. Vivemos para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.

Nossa vida não é um problema a resolver, mas uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, somos discípulos(as) permanentes na escola do Mestre da vida! Nesse sentido, a experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser, para enraizar nossa vida no coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-nos plenificar pela graça transbordante de Deus. Nada mais contrário ao espírito do Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Texto bíblico:  Jo 6,41-51 

Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.

- Temos nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de murmurações” (queixas, ressentimentos e desencantos) ou “em chave de benção”, descobrindo na vida a presença d’Aquele que nos faz estremecer de alegria, desafiando-nos a ser “pão para os outros”.

- Sua vida cotidiana: “pão amargo de murmurações” ou “pão substancioso de bênçãos”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 11 de agosto de 2018

MARIA DE NAZARÉ TEVE OUTROS FILHOS? - Pe. Zezinho scj.


O texto do PADRE ZEZINHO é  para que  aqueles que fazem teologia a partir das novelas da Record...

Ligue o vídeo abaixo:



A Record do Bispo Macedo está veiculando na novela dele, que Maria teve outros filhos e que Jesus teve outros irmãos. 


Faz 50 anos que explico aos jovens quem era Judas/Tiago/José e Simão, citados como irmãos de Jesus. Eles tinham outro pai que não era José. E a mãe deles não era a Maria de José.

Na Bíblia, primos eram chamados de irmãos. Aliás, há tribos na África que ainda hoje consideram os primos como irmãos.

Quando o adolescente Jesus, aos doze anos foi encontrado no Templo, Maria lembrou dizendo: “Teu pai e eu te procurávamos  aflitos”... E porque será que não falam dos irmãos? Eles não foram juntos para a peregrinação?  

Quando disseram a Jesus que a mãe e os irmãos o estavam procurando, Jesus respondeu que todo mundo era sua mãe e seus irmãos.

E quando na hora da morte, estando Maria ao pé da Cruz, porque não havia lá nenhum dos chamados irmãos de Jesus? Eram covardes? Eles deixaram a mãe sofrer sozinha? 

Por que razão  Jesus confiou Maria aos cuidados do jovem discípulo João, que nem sequer era parente de Jesus, dizendo que, agora, João seria filho dela e ela seria a mãe de João? 

Se Maria tivesse outros filhos morando  na mesma casa, não seria estranho esta entrega de Maria aos cuidados de João? 

E se fossem já casados, não seria normal que um dos  4 filhos homens e talvez alguma mulher também irmã deles, ficasse com Maria? Na sua família é isso que aconteceria hoje em dia. Também naquele tempo seria assim!

As palavras de Jesus deixam claro que não havia outros filhos ou filhas  morando  com Maria e Jesus . Maria ficaria sozinha ! 

Faz sentido ou você ainda tem dúvidas?  Ou você vai ficar com a versão da novela do Bispo Macedo que já disse claramente que ele é a favor do aborto. Não é o que Jesus dizia! Ele está mostrando outro tipo de Evangelho. É o evangelho segundo Edir Macedo. 

Ele não prega o mesmo evangelho que nós  católicos lemos nas nossas missas e encontros. 

Para ele é fácil dizer que Maria teve outros filhos. Mas que tipo de mãe seria ela, que não conseguiu unir os filhos na hora da Cruz e que teve que ser entregue a um discípulo,  porque os pseudo - irmãos de sangue a abandonaram? Que irmãos de sangue estranhos eram eles? Abandonaram a Mãe e Jesus por medo? Os quatro irmãos de sangue e a possível  irmã de Jesus nunca existiram porque eram parentes mas não eram da mesma casa e não moravam com Maria. 

Não é mais lógico concluir que Jesus entregou Maria aos cuidados de João simplesmente porque Maria não teve outros filhos?

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Padre Zezinho é um padre católico brasileiro, nascido em Machado, Minas Gerais, no dia 8 de junho de 1941. Ele é conhecido também por outras habilidades, como escritor e músico. Tornou-se padre com 25 anos de idade, nos Estados Unidos, e usou vários meios de comunicação, como o teatro e a música para propagar sua evangelização pelo mundo todo.

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GORDURA? TÔ FORA! - Antonio Nunes de Souza



É de conhecimento geral que as pessoas gordas, sofrem bastante pelas discriminações a que são submetidas ao longo de suas vidas, desde a infância até as idades maduras!
E, muitas vezes, talvez sempre, essa aparência recheada é uma culpa dos pais e avós que, querendo que seus descendentes sejam de aparências sadias, forçam muito durante as refeições, fazendo as vontades de seus gosto e, naturalmente, vem aquela quantidade de carnes sobrando nas cinturas, barriguinhas pronunciadas que, na infância ainda se encara como “engraçadinhas”, com suas bochechas papudinhas e arredondadas!

Mas, com o passar dos tempos, essas pobres crianças tornam-se mais lentas, tímidas e, inevitavelmente, vítimas de apelidos nada agradáveis, criando um problema nas formações de suas personalidades.
E, como sabemos de cor e salteado, reverter esses corpinhos exagerados torna-se difícil, pois, com a criação de estímulos para comer, a garotada torna-se gulosa e não tem mais paciência para não se empanturrar na mesa das refeições e nas das merendinhas caseiras e das cantinas dos colégios, ou casas de hot-dogs.

Com essas conjecturas nada agradáveis, vão se tornando adultos com seus corpos avantajados e mal feitos, alguns levando na esportiva os deboches sofridos, assim como a maioria que tornam-se pessoas fechadas, complexadas e com poucos amigos!
Certamente, se você é uma pessoa gorda deve saber muito bem essas facetas e, caso não seja, também tem conhecimento de casos com colegas de colégio, profissão, ou trabalho.
Vale a pena ser pai, amar seus filhos querer vê-los saudáveis e bonitos, mas, para isso, seja comedido nas “forçações” alimentares, inclusive escolhendo iguarias adequadas e recomendadas, por médicos e nutricionistas!

Quando eu era jovem meu querido e saudoso avô me dizia: “Mulher de gordo é feliz porque goza três vezes”! A primeira quando ele tira a roupa e ela morre de ri do seu corpo. A segunda é quando ele sobe sobre ela para transar. E a terceira é quando ele sai de cima e paga, pois gordo só encontra mulher só se for pagando!

Tenham cuidado com suas aparências e, principalmente, com o colesterol. Nada de forçar as criancinhas.
Doutor Delamare, grande Mestre da ciência infantil dizia sempre que a criança na hora que está com fome ele come, não se faz necessário querer entupi-la de alimentos, só porque é meio dia!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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A RELAÇÃO DE ROBERTO MARINHO COM COMUNISTAS E MILITARES Por Roberto Rachewsky


10 de agosto de 2018
Por Roberto Rachewsky, publicado pelo Instituto Liberal

Boni, o todo poderoso da Globo, braço direito de Roberto Marinho nas três décadas que fizeram da emissora o gigante que se tornou, contou para a revista Piauí um pouco da história daqueles tempos obscuros da ditadura e do período entre a derrubada de Jango e o AI-5. Vale a pena ouvir essa história envolvendo Paulo Francis que teve a participação de Roberto Marinho e do próprio Boni. (Melhor que mensagens do além recebidas pela Miriam Leitão)

“Se alguém pensa que o dr. Roberto foi subserviente aos militares ou que tirou algum proveito pessoal com a ditadura, está absolutamente enganado.

Em 1964, O Globo e todos os jornais mais importantes – o Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e a Folha – apoiaram a chamada revolução redentora. Nesse período, o dr. Roberto era tratado por alguns detratores como o general civil da revolução, mas não se incomodava. Ele acreditava piamente que o único regime que servia para o Brasil era a democracia, do ponto de vista político, e a economia de mercado, do ponto de vista econômico. Nunca imaginou uma ditadura de longo prazo e se surpreendeu com o decreto do Ato Institucional nº 5 e com o fechamento do Congresso.

Como empresário, nunca fez qualquer restrição à ideologia de seus funcionários, escolhendo-os pelo talento e pela capacidade. Costumava dizer: “Nos meus comunistas mando eu.” Pela Rede Globo passaram alguns dos mais ilustres subversivos, cultuados e admirados pelo dr. Roberto. Ele tinha especial carinho pela obra e pelos textos do Ferreira Gullar, adorava as espertezas do Dias Gomes para driblar a censura e chegou a emprestar dinheiro para o Mário Lago quando ele se atreveu a pedir uma grana para saldar uma dívida. O dr. Roberto fez um cheque e disse:

– Se os comunistas assumirem o poder, peça para me enforcarem com uma corda de seda… bem fininha.

Ele também tinha uma grande capacidade de entender e esquecer desafetos. Um dos exemplos é o Paulo Francis, que fez duras críticas e baixas ofensas. Um dia, o Armando Nogueira, diretor de jornalismo, e eu fomos consultar o dr. Roberto sobre a possível  ida do Paulo Francis para a Globo. Ele estranhou:

– Ué… Ele aceita?

Ao que o Armando respondeu:

– Aceita, dr. Roberto.

– Que bom. Se aceita, quer dizer que ele não pensa mais o que pensava da gente. Pode contratar.”

Paulo Francis esteve do outro lado, como bom comunista que era. Recobrou a consciência e se tornou quase um libertário. Não podemos esquecer que ele foi o primeiro e mais incisivo jornalista a denunciar a corrupção na Petrobrás.


Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO - Infância


Infância


Pouco me recordo de meu pai. Ficamos muito crianças eu e minha irmã, eu com cinco anos, quando ele morreu. Lembro-me apenas que minha mãe soluçava, os cabelos caídos sobre o rosto pálido e que meu tio, vestido de preto, abraçava os presentes com uma cara hipócrita de tristeza. Chovia muito. E os homens que seguravam o caixão andavam depressa, sem atender aos soluços de mamãe, que não queria deixar que levassem o seu marido.

Papai, quando vinha da fábrica, me fazia sentar sobre os seus joelhos e me ensinava o ABC com a sua bela voz. Era delicado e incapaz, como diziam, de fazer mal a uma formiga. Brincava com mamãe como se ainda fossem namorados. Mamãe, muito alta e muito pálida, as mãos muito finas e muito longas, era de uma beleza esquisita, quase uma figura de romance. Nervosa, às vezes chorava sem motivo. Meu pai tomava-a então nos seus braços fortes e cantava trechos musicais que faziam com que ela sorrisse. Nunca ralhavam conosco.

Depois que ele morreu, mamãe passou um ano meio alucinada, jogada para um canto, sem ligar aos filhos, sem ligar às roupas, fumando e chorando. Tinha ataques por vezes horríveis. E enchia de gritos dolorosos as noites calmas do meu Sergipe.

Quando após esse ano ela voltou ao estado normal e quis acertar os negócios de papai, meu tio provou, com uma papelada imensa, que a fábrica era dele só, pois meu pai - afirmava com o rosto vermelho e as mãos levantadas num gesto de escândalo - meu pai, meio louco e meio artista, deixara unicamente dívidas que meu tio pagaria para não se desmoralizar o nome da família.

Mamãe silenciou, coitada, e nos apertou nos seus braços, pois nós tremíamos toda a vez que meu tio aparecia com a sua cara vermelha, a sua barriga cultivada, a sua roupa de brim e aqueles olhos pequenos e perversos.

Vivia passando as mãos pela barriga. O meu tio... Mais velho que meu pai dez anos, cedo se tocara para o Rio de Janeiro, onde levou muito tempo sem dar notícias e sem que se soubesse o que fazia. Quando os negócios de meu pai estavam prósperos, ele escreveu a queixar-se da vida, dizendo que queria voltar. E veio, logo após a carta. Papai deu-lhe sociedade na fábrica.
Veio com a esposa, tia Santa, santa de verdade, pobre mártir daquele homem estúpido.

Papai vivia inteiramente para nós e para o seu velho piano. Na fábrica conversava com os operários, ouvia as suas queixas, e sanava os seus males quanto possível. A verdade é que iam vivendo em boa harmonia ele e os operários, a fábrica em relativa prosperidade. Nunca chegamos a ser muito ricos, pois meu pai, homem avesso a negócios, deixava escapar os melhores que lhe apareciam. Fora educado na Europa e tivera hábitos de nômade. Esquadrinhara parte do mundo e amava os objetos velhos e artísticos, as coisas frágeis e as pessoas débeis, tudo que dava idéia ou de convalescença ou de fim próximo. Daí talvez a sua paixão por mamãe. Com a sua magreza pálida de macerada, ela parecia uma eterna convalescente. Papai beijava as suas mãos finas devagar, muito de leve, com medo talvez que aquelas mãos se partissem. E ficavam horas perdidas em longo silêncio de namorados que se compreendem e se bastam. Não me recordo de tê-los ouvido fazer projetos.

Nós, eu e minha irmã, éramos como que bonecos para papai e mamãe.

Quando meu tio chegou mudou tudo. Ele não fora à Europa e se parecia muito com vovó, que fizera dos dezoito anos de vida em comum com meu avô uma dessas tantas tragédias anônimas e horríveis que nascem do casamento da estupidez com a sensibilidade. Dava nos filhos dos operários, o que não admirava, porque, como murmuravam pela cidade, ele espancava a esposa.

Pobre tia Santa! Tão boa, amava tanto as crianças e rezava tanto que tinha calos nos dedos, provocados pelas contas do rosário. Morreu, e a doença foi o marido. Meu tio deflorara uma operária e fora viver com ela publicamente. Santa não resistiu ao desgosto e morreu com o rosário entre as mãos, pedindo a papai que não abandonasse o miserável.

A fábrica prosperou muito. Nunca consegui compreender por que o salário dos operários diminuiu. Papai, fraco por natureza, não tinha coragem de afastar titio da fábrica e um dia, quando tocava ao piano um dos seu trechos prediletos, teve uma síncope e morreu.

[...]

Quando meu pai morreu e após meu tio declarar a nossa miséria, fomos morar numa casinhola no começo de uma ladeira. Eu fiquei muito mais perto do proletariado da "Cu com Bunda" do que da aristocracia da decadente São Cristóvão.

Acostumei-me a jogar futebol com os filhos dos operários. A bola, pobre bola rudimentar, fazia-se de bexiga de boi cheia de ar. Tornei-me camarada de um garoto Sinval, rebento único de uma operária, cujo marido morrera em São Paulo, metido numas encrencas com a polícia, não sei bem por quê. Sei que os operários falava dele como de um mártir. E Sinval desancava os patrões o que mais que podia. Franzino, os ossos quase a aparecer, possuía no entanto uma voz firme e um olhar agressivo. Chefiava a gente nos furtos às mangas e cajus dos sítios vizinhos. E toda vez que meu tio passava, cuspia de lado. Dizia que apenas completasse dezesseis anos embarcaria para São Paulo, para lutar como seu pai. Só muito depois é que eu vim compreender o que significava tudo isso.

Frequentamos, eu e Elza, a escola. Mamãe fazia rendas e seus pais ajudavam o nosso sustento. Quando fiz quinze anos fui trabalhar na fábrica. Eu era então um rapazola forte, troncudo. O menino anêmico que eu fora se transformara em um adolescente de músculos rijos treinados em brigas de moleques.

Aparentava muito mais idade do que tinha realmente. Vivera sempre entre molecotes pobres da cidade, pobre que eu era como eles. Agora ia ser igual a eles completamente, operário da fábrica. Sinval não me diria mais com seu sorriso mofador:

- Menino rico...

Cinco anos aturei na fábrica a brutalidade do meu tio. Sinval, aos dezessete, vendera o que possuía em roupas e móveis e tocara para as fábricas ou para as fazendas de São Paulo. A primeira e última notícia que tivemos dele foi dois anos depois. Estava metido numa greve e esperava ser preso a qualquer momento. Depois nem uma carta, nem um bilhete, nada. Os operários afirmavam:

- Seguiu o destino do pai - e cerravam os punhos enraivecidos. Mas a fábrica apitava e eles se curvavam, magros e silenciosos.

Minhas mãos estavam então calejadas e meus ombros largos. Esquecera muito do pouco que aprendera na escola, mas em compensação sentia um certo orgulho da minha situação de operário. Não trocaria meu trabalho na fiação pelo lugar de patrão. Meu tio, o dono, estava bem mais velho e mais vermelho e mais rico. A barriga era o índice da sua prosperidade. À proporção que meu tio enriquecia ela se avolumava. Estava enorme, indecente, monstruosa. Poucas fortunas em Sergipe igualavam nesse tempo à sua. Dava esmolas unicamente ao convento (onde papava jantares) e ao orfanato. A este ele dava esmolas e órfãs. Não se podia contar pelos dedos, nem juntando os dos pés, o número de operárias desencaminhadas por meu tio.

Paixão que tive aos catorze anos por uma rameira gasta e sifilítica, com a qual iniciei a minha vida sexual. Amor, aos dezoito, platônico, por uma loura pequena do orfanato que foi ser freira, e enfim aos vinte, o pensamento de me amigar com a Margarida, operária como eu. Isso deu maus resultados. Meu tio andava também de olho na Margarida, que ostentava uns seios altos e alvos, junto a um rosto de criança travessa. Margarida um dia me contou que o patrão andava a apalpá-la. E ria, cínica. Eu acho que foi o seu riso que me fez ir às fuças de meu tio. Estraguei-lhe a cara hipócrita. Fui despedido.

São Paulo parecia à minha mãe e a Elza o fim do mundo. Por nada deixariam que eu fosse para lá. Eu comecei a falar em Ilhéus, terra do cacau e do dinheiro, para onde iam levas e levas de emigrantes. E como Ilhéus ficava apenas a dois dias de navio de Aracaju, elas consentiram que eu me jogasse, numa manhã maravilhosa de luz, na terceira classe do "Murtinho", rumo à terra do cacau, eldorado em que os operários falavam como da terra de Canaã.

Mamãe chorava, Elza chorava, quando me abraçaram na tarde em que segui para Aracaju - tomar o vapor. Eu olhei a velha cidade de São Cristóvão, o coração cheio de saudade. Tinha certeza de que não voltaria mais à minha terra.

Os filhos dos operários jogavam futebol com uma bexiga de boi cheia de ar.

(Fonte: ABL textos escolhidos)


Jorge Amado - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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TEMPO E FELICIDADE


Olá, Meu nome é  Felicidade

Sou casada com o Tempo. Ele é responsável pela solução de todos os problemas. Ele constrói corações, cura machucados, vence a tristeza…

Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos: a Amizade, a Sabedoria, e o Amor.

A Amizade é a filha mais velha. Uma menina linda, sincera, alegre. A Amizade brilha como o sol,  une pessoas, pretendendo nunca ferir, sempre consolar.

A do meio é a Sabedoria.  Culta, íntegra, sempre foi mais apegada ao pai, o Tempo. A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!

O caçula é o Amor. Ah! Como esse me dá trabalho! É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar…

Eu vivo dizendo: Amor, você foi feito para morar nos  corações, não em apenas um só. O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo. Quando ele começa a fazer estragos eu chamo logo o pai dele, o Tempo, e  o Tempo vem fechando todas as feridas que o Amor abriu!

E tudo no final sempre dá certo, se ainda não deu, é porque não chegou o final.

Por isso, acredite sempre na família. Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e no Amor.

Aí, quem sabe, eu, Felicidade, não bato à sua porta?

Palavra de hoje:

Tudo no Tempo de Deus, não no nosso!


(Autor desconhecido)


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