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domingo, 9 de julho de 2017

PALAVRA DA SALVAÇÃO (34)

 
14º Domingo Comum - 09/07/2017

Anúncio do Evangelho (Mt 11,25-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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Divino coração humano



“...porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós” (Mt 11,29)

Em toda visão antropológica, o coração ocupa o centro profundo de nosso ser, o nosso cerne mais íntimo, o coração do coração, que não consiste no mero sentimento, mas trata-se do centro existencial que nos permite orientar-nos como um todo e plenamente em direção ao bem, à verdade, à justiça...
O coração é uma dessas palavras sobre a qual toda a multiplicidade se torna uno.

Ele simboliza, para a grande maioria das culturas, o centro da pessoa, onde se unificam todas suas dimensões. Uma pessoa com coração não é a dominada pelo sentimentalismo, senão aquela que alcançou uma unidade e coerência, um equilíbrio de maturidade que lhe permite ser objetiva e cordial, lúcida e apaixonada, intuitiva e racional; nunca fria, mas sempre acolhedora; nunca cega, mas realista.
Ter coração equivale a ser uma personalidade integrada. O coração é o símbolo da profundidade e da interioridade. Só quem chegou a uma harmonia consciente com o profundo de seu ser consegue alcançar a unidade e a maturidade pessoais.

O coração do ser humano é a própria fonte de sua personalidade consciente, inteligente e livre. É o lugar de suas escolhas decisivas, fonte das bem-aventuranças, santuário da ação misteriosa de Deus e do encontro com Ele. Recordações, pensamentos, projetos e decisões são alguns dos componentes essenciais do órgão vital por excelência. O que acontece nele tem caráter decisivo. “O mistério interior do ser humano, tanto na línguagem bíblica como na não bíblica, se expressa com a palavra coração” (Xavier León-Dufour).  Por isso é importante permanecer atento aos seus movimentos. É a única forma de nos conhecer e de conhecer verdadeiramente uma pessoa. O coração pode palpitar ao ritmo da soberba ou da humildade, do amor ou do ódio, do egoísmo ou da generosidade. E está cheio de mesclas: de trigo e de joio.

Vivemos imersos em uma multiplicidade de realidades, imagens, ofertas, caminhos, ideias diferentes... No entanto, quando procuramos reunir e estruturar nossa busca e orientá-la para a realidade última de nossa existência, recorreremos a expressões, palavras, imagens que brotam do mais profundo de nós mesmos, do nosso coração. Trata-se, pois, de chegar à unificação de nossa pessoa, integrando a afetividade, a sensibilidade, a razão, os desejos..., para além da bela expressão de Pascal: “O coração tem razões que a razão não conhece”. O fato é que há “olhos no coração” que permitem compreender o que nem os olhos do corpo, nem a razão são capazes de perceber: “Rogo a Deus que ilumine os olhos dos vossos corações, para que conheçais qual é a esperança à qual fostes chamados” (Ef. 1,18).

A antropologia bíblica considera o coração como o interior do ser humano, num sentido muito mais amplo que o das línguas latinas; não o coração entendido como o órgão da afetividade (uma zona muito inconsistente e instável), mas uma dimensão mais interna e transparente, que se converte em “sede” do espírito. Já no AT, o coração designava o complexo mundo interior do ser humano.

Fechamento, insensibilidade, indiferença, impassibilidade, surdez, falsidade, murmurações... eram razões mais que suficientes para exortar a uma mudança de atitude. “Eu lhes darei um só coração e infundirei neles um espírito novo: tirarei de seu peito o coração de pedra e lhes darei um coração de carne” (Ez 11,19). A conversão devia empapar todo o ser, especialmente o coração petrificado.

Segundo a tradição bíblica, o que mais nos desumaniza é viver com um “coração fechado” e endurecido, um “coração de pedra”, incapaz de amar e de crer. Quem vive “fechado em si mesmo”, não pode acolher o Espírito de Deus, não pode deixar-se guiar pelo Espírito de Jesus.

Quando nosso coração está “fechado”, nossos olhos não vêem, nossos ouvidos não ouvem, nossos braços e pés se atrofiam e não se movimentam em direção ao outro; vivemos voltados sobre nós mesmos, insensíveis à admiração e à ação de graças. Quando nosso coração está “fechado”, em nossa vida não há mais compaixão e passamos a viver indiferentes à violência e injustiça que destroem a felicidade de tantas pessoas. Vivemos separados da vida, desconectados. Uma fronteira invisível nos separa do Espírito de Deus que tudo dinamiza e inspira; é impossível sentir a vida como Jesus sentia.
Quando vivemos a partir do coração, escutamos com mais paciência, olhamos com cumplicidade, tocamos com ternura, sofremos com fortaleza, assumimos o risco com naturalidade, misturamos nossa vida com a dos outros e avançamos em comunidade realizando projetos solidários.

Jesus dava decisiva importância ao coração: “a boca fala daquilo que está cheio o coração” (Lc. 6,45); “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). “Onde está teu tesouro, ali está teu coração” (Mt. 6,21). Jesus vivia a partir de seu coração e contagiava com a força poderosa de seu amor e de sua entrega. Nele se realizou definitivamente sua promessa. Ele nasceu com um coração de carne, ou seja, humano, absolutamente divino. Estava chamado a ser o coração de todos, o centro nevrálgico da humanidade.

Jesus é o homem para os outros, que tem coração, um coração não de pedra, mas de carne. Sua vida, um sinal do bem amar, do saber amar. Mas, sobretudo, Jesus, em seu Coração, é a profundidade mesma do ser humano e de Deus. Nele está a fonte do Espírito que brota como água fecunda até a vida eterna. Graças à Encarnação, o Filho de Deus trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, sentiu com vontade humana, amou com coração humano.

O coração de Jesus nos fala de iniciativa, de liberdade, de entrega absoluta e amor profundo. O coração de Jesus revela que sua vida implica um movimento de saída, que provoca encontros pessoais, que transforma a vida daqueles(as) que o seguem, abrindo-lhes novos horizontes, ampliando a visão e descentrando-os de sua própria lógica.

O evangelho deste domingo mostra um dos mais vivos exemplos de coração agradecido que podemos encontrar. Jesus, que acaba de passar por uma profunda experiência de rejeição por parte das cidades da Galileia, explode no canto que começa: “Eu te louvo, Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos”.

O coração de Jesus é sustentado, alimentado, irrigado pelo amor cuidadoso e providente do Pai. É no coração que também nós, seus(suas) seguidores(as), poderemos estar em segurança, profundamente repousados. É no coração, “última solidão do ser”, que decidimos por Deus e a Ele aderimos. Aqui Deus marca “encontro” com cada um de nós. “Deus é mais íntimo a cada um de nós do que nós mesmos” (S.Agostinho).

Texto bíblico:  Mt 11,25-30

Na oração: Todos estamos no coração de Cristo. Todos estamos no Amor de Deus. Todos fomos introduzidos na Sagrada Humanidade d’Aquele que, sendo Deus, se fez semelhante a nós para que possamos todos nos sentir n’Ele.
O coração se revela como imagem de amor, de humanidade, de entranhas compassivas. Identificamos as pessoas por seu bom coração, por terem entranhas de misericórdia.
- Você deixa transparecer seu coração na relação com as pessoas? As atividades que você realiza tem coração?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 8 de julho de 2017

DOM CESLAU STANULA EM GLIWICE – POLÔNIA.

Clique sobre as fotos, para vê-las no tamanho original
Gliwice, é uma cidade universitária que as suas origem chega ao século XIII (1204) na alta Silesia,  onde existem, na região, as principais minas de carvão preto (pedra). Hoje, depois de muitos anos voltei aqui para visitar o "meu primeiro amor".
Aqui está o convento dos Redentoristas desde 1926. Esta foi a minha primeira comunidade onde trabalhei depois da ordenação sacerdotal. Aqui trabalhei como capelão dos hospitais principalmente no Instituto de Oncologia (hoje um dos maiores e melhores na Polônia), e como catequista. Quantas lembranças! Daqui, fez já 52 anos, quando sai para a América Latina - Argentina.

A igreja é do ano 1409. Passou pelos incêndios várias vezes, principalmente na invasão da Suécia do Rei Carlos Gustavo no século XVIII. Mas único objeto dos incêndios se salvou sempre foi o Grande Crucifixo, provavelmente ainda do século XIII. A igreja é de estilo de Barroco, mas com certa moderação dada pelos frades franciscanos, que com o seu espírito de pobreza também marcaram a sua presença.

Os Redentoristas vieram aqui em 1926. Restauraram a Igreja e o convento. Este foi o meu primeiro lugar de evangelizar como jovem padre de 25 anos, e daqui sai, em 1966 para as missões na Argentina e depois para o meu querido Brasil.

Chamo atenção na foto do púlpito onde fiz a primeira pregação para o povo, durante a novena Perpétua de N.S. do Perpétuo Socorro. A novena aqui iniciou em 1951. Hoje nas quartas feiras, em vários horários temos a Novena e Igreja enche com os devotos de Nossa Senhora. É um fenômeno mesmo. Aqui iniciei a minha vida sacerdotal...

Desculpem-me os acentos pessoais e sentimentais.

E Que o Cristo Crucificado aqui venerado abençoe a todos.

Uma abençoada noite. Com a benção e oração. (De o bom desconto de 5 horas para o fuso horário). Em anexo alguns registros fotográficos atuais.



Estes castiçais no altar são de carvão. O altar onde estão os castiçais é de Santa Bárbara, padroeira do mineiros (os que trabalham nas minas).

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 Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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REMINISCÊNCIA DA ROÇA – Helena Borborema

Reminiscência da Roça


          Como era gostoso, tranquilizador, um dia passado numa fazenda de cacau, daquelas de antigamente, que não tinham conhecido ainda os horrores da praga que as atingiria mais tarde, quando ainda se estendiam verdejantes, pujantes de vida vegetal. A quietude reinante acalmava o espírito, a paisagem bucólica despertava um quê de doce nostalgia, mesmo no espírito simplório de uma criança. Na propriedade grande de um fazendeiro,  a  visão era a da casa ampla, de construção simples, porém sólida, cheia de janelas, telhado à vista, tendo de frente uma comprida varanda onde a brisa da tarde bafejava a família reunida no ajuntamento feliz de um entardecer.
        
          Mais à frente as barcaças, repletas de sementes de cacau secando ao sol, revelavam riqueza. Aves de criação ciscando aqui e acolá em volta da casa, as árvores do pomar ao lado balançadas  pela brisa, quase sempre o murmúrio  de um rio ou riacho mais além completavam a beleza da paisagem.
  
          Homens de pele morena, tostada pelo sol, outros de pele negra lustrosa, mostrando nos braços nus a força musculosa da raça, entregues à sua faina diária, circulavam dando mais vida ao conjunto. Eram os trabalhadores, barcaceiros, às vezes vaqueiros, empregados, enfim, que no dia-a-dia afanoso ajudavam o proprietário a manter em funcionamento o seu grande império de cacaueiros. Aqueles cacaueiros robustos e carregados de frutos representavam a força do trabalho, a fertilidade da terra, a bonança do clima, e eram a garantia da riqueza de uma vasta região.
         
          Tanto ao nascer do dia, anunciado pelo canto dos galos e chilrear dos passarinhos no seu despertar, como à tardinha, quando uma paz tristonha descia sobre tudo, homens e natureza, a fazenda na sua quietude se transformava  em imensa tela pintada pelas mãos de um artista invisível. A beleza pictórica da fazenda, o cheiro do cacau secando nas barcaças ou vindo de longe, dos cochos de fermentação, trazido pelo vento, impregnando o ar, não podiam deixar de se  transformar em lembranças indeléveis para quem os viu e sentiu.

          Assim, são relembrados dias passados entre os cacaueiros, quer fossem de fazenda grande, quer fossem de uma simples burara. A quietude era sempre a mesma. Na pequena fazenda ou roça, o silêncio, a nostalgia do cair da tarde, eram os mesmos. O romper da madrugada era também anunciado pelo canto das aves, o mugir de uma vaca no pasto ou o ranger de uma cancela. A mesma sensação de felicidade nunca deixava de invadir a alma, num despertar aquecido pelos raios do sol que se infiltravam mansamente pelas frestas das telhas vãs, trazendo um acordar gostoso, alegre, como sacudido docemente por um afago materno.
  
          Na roça de cacau, pisar aquele chão ensombreado pelas copas dos cacaueiros, coberto de folhas que farfalhavam sob os pés, ouvir o zumbido das abelhas na laranjeira em flor, o pio triste de um pássaro num galho de árvore, nos davam a sensação de sons emitidos pelo mato, só escutados naquele silêncio. Sons que se gravariam na lembrança e que nunca se apagariam. São eles, hoje, ruídos do passado e da saudade que nunca vão embora, vivem sempre ao nosso lado. Nós é que, à medida que caminhamos, os vamos deixando para trás, mas um dia eles sempre voltam e nos alcançam.

(RETALHOS)
Helena  Borborema
          
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Helena Borborema - Conhecida professora itabunense, filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’. (Cyro de Mattos)

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DE TEMPO E CONTRATEMPO... – Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
De Tempo e Contratempo...


Preocupada e sem tempo,

Passo um bom tempo cismando

E esbarro no contratempo

De ver meu tempo acabando!...


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras - AGRAL



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ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Ó, querida Eglê – Oscar Benício dos Santos

Ó, Querida Eglê!


Ó, minha querida Eglê,
sem água o Cachoeira
Já não pode ouvir você,
Que canta da margem à beira,

como se fora uma dublê
da deusa yara, “agueira”
que leva água à sua mercê
por sua singela regueira.

Seu Cachoeira já não chora,
Tristemente sorri agora,
Pois secaram os seus prantos.

Ironicamente sorri
do triste fado, logo aqui,
- Itabuna, seu encanto!


Oscar Benício Dos Santos

Faz. Guanabara

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UM PAÍS PROFUNDAMENTE DOENTE - Marcelo Calero

Do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero:


"Apenas em um país profundamente doente, um deputado é flagrado recebendo uma mala de dinheiro e permanece solto;

Apenas em um país profundamente doente, um senador da República é flagrado combinando propina e permanece em liberdade;

Apenas em um país profundamente doente, o presidente é flagrado em evidente prevaricação e permanece presidente;

Apenas em um país profundamente doente, existem partidos e políticos que se dispõe a defender o deputado da mala, o senador da propina e o presidente da prevaricação."

......

Se vc quer um país melhor, vamos dar o troco nas próximas eleições.



Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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PAPA À CIMEIRA DO G20: prioridade absoluta para os mais pobres e os refugiados

Mensagem endereçada à anfitriã do evento, a chanceler alemã Angela Merkel
7 JULHO 2017

(ZENIT – Ciudad del Vaticano, 7 Jul. 2017).- O Papa Francisco enviou uma mensagem à cimeira do G20, reunida na Alemanha, pedindo aos responsáveis políticos uma “prioridade absoluta” para os mais pobres e os refugiados. O texto foi divulgado nesta sexta-feira pela de imprensa da Santa Sé.

O G20 (abreviatura para Grupo dos 20) é um grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. Entre os principais temas em discussão, estão a luta ao terrorismo, o fenômeno migratório e a preservação do meio ambiente.

Na véspera do encontro, em Hamburgo, houve protestos contra a reunião e muita violência entre a polícia alemã e black blocs. Quase 30 manifestantes foram presos e 111 policiais ficaram feridos. O encontro mais esperado foi o dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e Rússia, Vladimir Putin que durou duas horas.

“Há necessidade de dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos que sofrem, aos deslocados e aos excluídos, sem distinções de nação, raça, religião e cultura, bem como de rejeitar os conflitos armados”, escreveu o Papa na mensagem endereçada à anfitriã do evento, a chanceler alemã Angela Merkel.

Depois de manifestar o seu apreço pelos esforços realizados para garantir a governabilidade e a estabilidade da economia mundial, com atenção especial a um crescimento mundial que seja inclusivo e sustentável, lembra a atenção dirigida aos conflitos em andamento e ao problema mundial das migrações.

Os quatro princípios de ação para a construção de sociedades mais justas, contidas na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium são: o tempo é superior ao espaço; a unidade prevalece sobre o conflito; a realidade é mais importante do que a ideia; e o todo é superior às partes.

Assim o Papa afirma que a gravidade e a complexidade das problemáticas mundiais impedem soluções imediatas, e o drama das migrações (inseparável da pobreza e exacerbado pelas guerras) é uma prova disto. Todavia, é possível colocar em ação processos que sejam capazes de oferecer soluções progressivas e não traumáticas e conduzir, em tempos relativamente breves, a uma livre circulação e a uma estabilidade das pessoas que sejam vantajosas para todos.

Contudo, para Francisco, esta tensão entre espaço e tempo requer um movimento exatamente contrário na consciência dos governantes e poderosos. “Em seus corações e mentes, é necessário dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos deslocados e aos excluídos, sem distinção de nação, raça, religião ou cultura, e rejeitar os conflitos armados.”

O Papa faz então um premente apelo aos chefes de Estado e de governo do G20 e a toda a comunidade mundial pela trágica situação do Sudão do Sul, nos Grandes Lagos, Chade, Chifre da África e Iêmen, “onde 30 milhões de pessoas não têm alimento e água para sobreviver”.

A história da humanidade, inclusive hoje, nos apresenta um vasto panorama de conflitos atuais ou potenciais. “Todavia, a guerra jamais é a solução”, acrescenta o Pontífice, afirmando se sentir na obrigação de pedir “ao mundo que ponha fim a inúteis massacres”.

Isso só será possível se todas as partes se empenharem em reduzir substancialmente os níveis de conflitualidade, deter a atual corrida armamentista e renunciar a se envolver direta ou indiretamente em conflitos. “É uma trágica contradição e incoerência a aparente unidade em fóruns econômicos e sociais e a persistência de conflitos bélicos”, constata o Papa.

Para Francisco, as trágicas ideologias da primeira metade do século XX foram substituídas por novas ideologias da autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira. Essas ideologias deixam um rastro de exclusão e de descarte, e inclusive de morte.  “Peço a Deus que a cúpula de Hamburgo seja iluminada pelo exemplo de líderes europeus e mundiais que privilegiaram o diálogo e a busca de soluções comuns.”

Essas soluções, prossegue o Pontífice, para serem duradouras devem ter uma visão ampla e considerar as repercussões em todos os países, não só nos que compõem o G20. Porque é justamente sobre as nações sem voz e seus habitantes que recaem os efeitos das crises econômicas. Para Francisco, é importante sempre fazer referência às Nações Unidas, às agências associadas e respeitar os tratados internacionais.

O Papa conclui invocando a bênção de Deus sobre o encontro de Hamburgo e sobre todos os esforços da comunidade internacional para ativar uma nova era de desenvolvimento inovadora, interconexa, sustentável, respeitosa do meio ambiente e inclusiva de todos os povos e de todas as pessoas.



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