Total de visualizações de página

sábado, 24 de dezembro de 2016

TEU NATAL - Wagner Albertsson

Teu Natal  

Te desejo um Feliz Natal,
minha amiga.
Não se deixe contaminar
pelo consumismo exagerado
da tua cidade.

Lembre-se que os
melhores presentes
ainda são: a palavra
solidária que levanta
o caído, a veste
para o despido, o pão para
o faminto e o abrigo
para o sem-teto.

Natal não é uma
festa familiar,
pois nem todos
têm família.

Natal é uma festa
para todos aqueles
que creem que Cristo
ainda é o melhor caminho
a ser seguido pela
humanidade.

Te desejo um Feliz
Natal onde quer que
esteja neste lindo
planeta azul feito por Deus
(que te pertence também !).

Wagner Albertsson

* * *

AMOR E FLORES - Oscar Benício Dos Santos

Amor e flores


Amor se expressa com flores,
que do amor são declaração: 
cartão imbuído de odores
passado de mão pra mão.

Buquê manchado com cores
das flores ou do botão
são declarações de amores
e desculpas também são. 

Independe a quantidade
da flor, ou sua qualidade,
se diz amor ou perdão: 

Meia dúzia ou várias grosas 
de violetas, lis ou rosas,
falam sempre ao coração.




Oscar Benicio Dos Santos


* * *

E OS DEFENSORES DA VENEZUELA? – Rodrigo Constantino


E os defensores da Venezuela?
22.dez.16

Hugo Chávez despertou a esperança de muitos, levou às lágrimas de felicidade inúmeros esquerdistas mundo afora, inclusive no Brasil. Foram diversos artigos em defesa do “socialismo do século XXI”, intelectuais explicando como finalmente um país latino-americano focava na “justiça social” e declarava guerra à ganância capitalista. Não faltou gente na imprensa em defesa do modelo bolivariano. Mas agora todos sumiram. O que aconteceu? Como presidente da Associação dos Socialistas Notáveis e Obstinados (ASNO), não lamento o desaparecimento dos defensores do modelo venezuelano, que contou com apoio do PT e do PSOL. Os poucos que restaram tecem comentários tímidos, sem coragem de defender o legado de Chávez e de Maduro, endossado por Lula e Dilma. Por quê?

Só porque a inflação disparou no país vizinho, levando a população ao desespero, com muitos dispostos até a atravessar para Roraima. Não percebem que tudo não passa de conspiração capitalista contra o sucesso socialista? É verdade que os liberais alertaram que isso aconteceria, mas essa previsão não muda nada. Os empresários venezuelanos se mostraram egoístas demais, ao contrário dos americanos e canadenses, que enchem as prateleiras com fartura a preços acessíveis. Os liberais dizem que isso se deve ao interesse no lucro, mas estão enganados, claro. Os empresários dos países capitalistas, onde há abundância de produtos, são abnegados, enquanto os empresários venezuelanos só podem ser sovinas safados. É a explicação!

Como presidente da Associação dos Socialistas Notáveis e Obstinados (ASNO), lamento repentino desaparecimento dos defensores do modelo venezuelano.

A violência também explodiu na Venezuela, apesar do desarmamento civil defendido até por ONGs brasileiras. Mas a culpa é do capitalismo, por vender as armas. Sim, há muitas armas nos EUA, na Suíça e em Israel, países com índices menores de criminalidade. Mas é que na Venezuela os que são roubados ostentam em meio à desigualdade. Por isso as “vítimas da sociedade” precisam reagir. O culpado é sempre o capitalismo, como meu professor marxista explicou.

Maduro está tendo que aumentar a repressão no país, mas é porque muitos egoístas se recusam a aceitar as maravilhas do socialismo, como ocorreu em Cuba. Por isso é preciso reagir com força, impedir a saída do povo ingrato. Até o dia em que o novo homem será criado, e todos ficarão cantando “Imagine” sob a chuva. Será lindo!

Até lá, temos de insistir. Esses relativos fracassos que os liberais apontam não são do socialismo em si, mas do “socialismo real”. Deturparam Marx. Nós, da ASNO, temos a convicção de que na centésima-oitava tentativa o socialismo dará certo…

Sobre o autor
Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta


* * *


CONSTRUINDO UM FELIZ NATAL - Eglê S Machado

Construindo um Feliz Natal


          Na solidão da noite saí para a rua pensando em Jesus Menino e vi o menino de rua olhando para meu coração com olhos cheios de medos e esperanças...

          Mas eu estava com pressa, queria ver Papai Noel, o bom velhinho e dei de cara com aquele velhinho solitário e cansado, também a olhar para o meu coração com olhos medrosos, mas ainda mantendo a esperança...

          Voltei para casa, abri o armário - quanta roupa sem uso há anos! - que farei com tudo isso?

          De repente senti sobre mim o olhar daquela mulher que sempre encontro sob a marquise da padaria aconchegando ao corpo o seu bebê seminu. Ela me fitava olhos medrosos e mão estendida na esperança de uma esmola.

          Foi ao sentir na minha frente aqueles olhos cheios de medos e de esperança que descobri a quem pertencia tudo aquilo que ocupava o meu armário.

          Cobertores, lençóis, casacos cheirando a naftalina, não são usados há tempos, alguns nunca foram usados por falta de oportunidade; os olhares, os corpos trêmulos lá fora me dizem que são seus legítimos donos, eu não tenho o direito de reter o que não é meu. Nada me pertence, negar isso a eles é roubá-los.

          Abro minha despensa. Vinhos, guloseimas, alimentos prestes a terem prazos de validade vencidos, pois estocados há meses para que nada falte à minha família. Senti a força do chamado dos que na rua aguardam um milagre de Natal um pouco de alimento para saciar sua fome urgente. Fiquei envergonhada, perturbada resolvi ir à igreja rezar um pouco, precisava espairecer apagar tais visões de minha alma já que não posso mudar nada, o mundo é assim mesmo!... Só posso é rezar pelos que padecem e rezei, conversei muito com ELE. Diante do presépio ali adornado me expliquei, perguntei, mas em resposta senti de novo no coração aqueles olhares dizendo-me “você pode construir um Feliz Natal”.

          Como vou começar a construir esse Feliz Natal? Que tenho de fazer? E de repente fiquei frente a frente com aquele rapaz que procurou Jesus desejando segui-lo, mas teve que voltar para casa triste porque tinha muitos bens. Aí aprendi que o desapego é o caminho ideal, a ferramenta indispensável para a construção de um Natal Feliz.

          Resolvi ir à luta!

          Voltei-me para a realidade da minha vida. Parei alguns segundos diante do meu espelho que me mostrou uma enorme interrogação. E passei a olhar para minha empregada, para o velhinho, para a criança de rua e para a mulher do bebê seminu como partes de minha vida, pela primeira vez os senti de fato no meu coração, percebi o quanto são diletos convidados do aniversariante do mês de dezembro e experimentei um grande afeto para com esses meus irmãos.

          Finalmente eu tinha começado a construir um Feliz Natal...



Eglê S Machado

Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

DE CANÇÃO NATALINA... - Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
De canção Natalina...



Que no Natal minha canção

Tenha timbre cristalino

Da paz daquele Menino

De Deus riqueza e feição!...


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL



===

COMO UMA VELA EM BERLIM - Por Theodore Dalrymple

Como uma vela em Berlim
22 de dezembro de 2016
Por Theodore Dalrymple*

Um instante já foi definido como o tempo entre um sinal de trânsito ficar verde na Cidade do México e a buzina do primeiro carro tocar, mas agora poderá ser definido como o período entre um ataque terrorista numa cidade do Ocidente e a primeira aparição pública de uma vela. Todo ataque terrorista, incluindo o último em Berlim, é imediatamente sucedido por uma exibição pública de velas acesas. É quase como se a população tivesse um estoque delas pronto para esse propósito.

O que eles glorificam com essas velas? Nós estamos todos acostumados às luzes de velas em igrejas católicas, mas Berlim não é uma cidade católica e, como quase todas as capitais ocidentais, não é particularmente devota de qualquer religião. Suas feiras natalinas pertencem mais a uma tradição folclórica do que a uma fé real. É provável, na verdade, que as pessoas cujo primeiro impulso é acender velas tenham orgulho da sua falta de fé religiosa. Por outro lado, alguns deles dizem que não são religiosos, mas espiritualizados.
A razão, eu suponho, que faz com que tantas pessoas se digam espiritualizadas e não religiosas é que ser espiritualizado não impõe qualquer disciplina a elas, ao menos nenhuma que elas não optem por assumir. Ser religioso, por outro lado, implica na obrigação de observar regras e rituais que podem interferir de maneira incômoda na rotina diária. Ser espiritualizado-mas-não-religioso dá a você aquele conforto, aquele sentimento interior, algo como tomar um uísque num dia frio, e reafirma a você que há algo mais na vida – ao menos, algo mais para a sua vida – do que seus olhos podem ver, mas sem ter que interromper de verdade o fluxo do seu dia-a-dia. É a gratificação que vem com a religião sem os inconvenientes da religião. Infelizmente, como toda bebida muito diluída, não tem gosto.

As velas são a manifestação do paganismo moderno, uma sede de transcendência sem qualquer crença para acreditar. Elas são também uma espécie de símbolo de auto-felicitação por nosso temperamento pacífico, já que gente violenta não é muito conhecida por acender velas. Nós não conseguimos, por exemplo, imaginar Gengis Khan acendendo velas pelas almas que partiram (e não que a gente realmente acredite em alma). Mas qual o mal de se acender velas imediatamente após um massacre? Não contribui para o aquecimento global então Gaia não vai ser ferida. É uma maneira de nos expressarmos e auto-expressão é um bem absoluto, assim como falhar na auto-expressão é um mal absoluto.

É algo difícil de provar, mas eu imagino que todas essas velas servem de encorajamento exatamente para as pessoas que cometem os massacres que criam essas manifestações. Nós cortamos as gargantas deles, jogamos caminhões em cima deles e eles acendem velas. Eles não são moralmente superiores como costumam pensar sobre eles mesmos. Pelo contrário, são fracos, débeis, molengas, preguiçosos, vulneráveis, indefesos, covardes, chorões, decadentes. Contra este tipo de gente, estamos destinados a vencer. E não vai demorar.

Os terroristas estão errados, mas eles não são espertos ou grandes pensadores. Se você quer mais ataques terroristas, acenda uma vela.

* Publicado originalmente em City Journal, com tradução de Alexandre Borges
 -----------
Fonte: 

BLOG / 

 RODRIGO CONSTANTINO

* * *


LER É PODER - Agenilda Palmeira

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Ler é Poder


           A leitura é talvez o meio mais importante para chegarmos ao conhecimento. Por isso é necessário aprender a ler, mas interessa mais ler em profundidade do que em quantidade. Não é a pergunta: Por que ler? Mas como ler.
            Dominique Mainguenlau, linguista Francês, propõe que os textos possuem, entre outras coisas, uma classificação pragmática (religiosos, políticos, literários, científicos...) e uma genérica (sermão, publicidade impressa, outdoor, reportagem, poema, ofício....), que ele chama respectivamente de “cena englobante” e “cena genérica”. Para cada tipologia textual há um “quadro cênico” que sustenta, em boa medida os processos de significação que dele derivam. Porque não lemos ciência do mesmo modo que ficção, nem lemos uma bula como lemos poemas nem publicidade, como ata e assim em diante.
            Mas além do quadro cênico – cena englobante e genérica, os textos constituem uma “cenografia” . Isto é são constituídos de elementos ( léxicos, estruturais sintáticas típicas, temas, imagens associadas etc.). Dos quais deriva sua cenografia. Os romances, exemplificando, podem ser contados de diversas formas: na forma de um conjunto de cartas trocadas entre aristocratas na França pré-revolução ( Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos), como um jagunço relatando a um interlocutor suas andanças (Grandes Sertões: Veredas, de Guimarães Rosa).
            É bom lembrar que nem todos os gêneros de discurso, elaboram cenografias específicas. Ao elaborar um texto a cenografia emerge, portanto, um tom, já que o processo de leitura de um texto constrói uma voz que se revela na enunciação, que a sustenta e a legitima, e não se restringe aos enunciados orais. A noção de Ethos discursivo, de Dominique é um modo de darmos conta dessa voz que subjaz a textos escritos. Há um laço indissociável entre o que é dito e como é dito. É por isso que o conteúdo dos enunciados e o modo de dizer são mutuamente dependentes e é a partir desta relação que um universo de sentido se constrói em um discurso.
            Por isso diz-se que o Ethos esta na ordem do mostrado e não do dito. A leitura dá sentido às coisas, ao mundo, a vida. Porque ela mobiliza, necessariamente, diversos tipos de saberes e um bom leitor – aquele que sonhamos formar em nossas salas de aula – deve ser capaz de lidar com essas múltiplas faces dos textos.
            Aproveitando a efervescência do momento tomemos como exemplo um português eleitoral. Vejamos a expressão “sociais-democratas” esta é forma usual, mas há quem diga que o plural pode mudar conforme a expressão assuma o papel de derivação imprópria ou conversão, isto é assumindo o papel de substantivo (os sociais-democratas fazem oposição ao governo), sendo adjetivo, somente o último elemento flexionará. Exemplo: São muitas as filosofias socialdemocratas.
            Qual seria o correto: eleições ou eleição? Usar o plural eleições em referência a um processo de votação de cargo público contém, implícita, a ideia de evento múltiplo e grandioso, envolvendo a definição de cargos distintos, como muitas urnas e sessões, muitos eleitores, mesários e representantes partidários, num processo que envolve dois turnos.
            Outra dúvida: abstenção é abstinência? Só numa acepção a palavra “abstenção” é sinônimo de abstinência: na ação de privar-se ou renunciar a algo. O uso mais frequente de abstinência é como restrição de comida, bebida ou sexo. Já abstenção é usada nesse sentido (de privação voluntária), e em particular no de recusa de integrar uma ação, como decisões, ausência de voto eleitoral.


Agenilda Palmeira,  professora  
Membro da Academia Grapiúna de Letras - AGRAL


* * *