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sábado, 2 de maio de 2020

CONSAGRAÇÕES ATUAIS – Péricles Capanema


1 de Maio de 2020
Péricles Capanema

Em 15 de abril último o Pe. José Alves de Amorim, reitor do Santuário de Nossa Senhora da Lapa [foto], consagrou os países de língua portuguesa e mais de 60 santuários no mundo inteiro a Nossa Senhora da Lapa, no santuário-mãe de Nossa Senhora da Lapa, na diocese lusitana de Lamego, o mais antigo santuário dedicado a Nossa Senhora sob tal invocação.
Declarou a respeito o padre Amorim em 14 de abril: “Porque este santuário divulgou-se precisamente por esses povos e chegou a ter presença no Brasil, em África, na Índia e a devoção à Senhora da Lapa permanece ainda hoje em mais de 60 lugares, de uma maneira viva. Por isso amanhã todos esses povos e santuários derivados deste são convidados para se associarem a esta consagração. Convidamos toda a gente para se associar a esta oração, para que Nossa Senhora da Lapa nos proteja”.

Nicho com a imagem de Nossa Senhora da Lapa
Lê-se no alvissareiro comunicado do Santuário: “Atendendo ao momento de dor e sofrimento que a pandemia, provocada pelo Covid-19, está a provocar em todo o mundo, o Santuário de Nossa Senhora da Lapa tomou a iniciativa de invocar a proteção maternal da Mãe de Deus, de forma muito especial para todos os povos de língua portuguesa e, mais concretamente, para as comunidades onde o culto secular à Senhora da Lapa continua presente. Na impossibilidade de nos reunirmos fisicamente no Santuário-mãe, na diocese de Lamego, vimos por este meio convidar os devotos da Senhora da Lapa, espalhados pelos quatro cantos do mundo, a associarem-se a nós e a acompanharem-nos espiritualmente, através das redes sociais e outros meios de comunicação”.

O convite aos fieis
São solicitados à consagração os devotos de Nossa Senhora da Lapa e os povos de língua portuguesa. Eu, aqui no Brasil, fui convidado (o leitor também), fiquei sabendo por amigo e pela imprensa, aceitei agradecido o apelo. Convido a quem me leia que o aceite — a fórmula da consagração está na rede, é fácil encontrá-la.
A prática piedosa das consagrações, em especial ao Sagrado Coração de Jesus, ganhou enorme presença na Igreja a partir do apostolado da Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) [quadro ao lado], freira reclusa no convento das visitandinas de Paray-le-Monial. Ali teve, entre seus confessores, a são Cláudio La Colombière (1641-1682), jesuíta, também considerado um dos grandes difusores da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Consagração, reparação, esperança de triunfo
Três características marcaram especialmente tal prática na Igreja: consagração, reparação, esperança de triunfo. A consagração não pode ser ato meramente formal; supõe propósito sério de reforma de vida, é renovação das promessas do batismo.
Antes das aparições de Paray-le-Monial a devoção ao Sagrado Coração de Jesus não era muito difundida, não exista ainda o conjunto das práticas ascéticas que hoje a acompanham e não era inequívoco seu caráter reparador. Reparação pelos pecados próprios, reparação pelos pecados familiares, reparação pelos pecados sociais. Os últimos séculos foram de descristianização e o abandono dos preceitos de Cristo torna congruente, até mesmo inelutável, a atitude de reparação. Aceitar o peso da responsabilidade prepara a leveza do perdão.
A última característica é a esperança de triunfo. Triunfo sobre os vícios pessoais, mas também sobre a indiferença e os pecados sociais, trazendo à Terra o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a ordem temporal cristã. Nosso Senhor é Rei dos corações. Rei da sociedade e do Estado.
Texto expressivo

Estão presentes no texto as mencionadas três características na fórmula de consagração lida pelo reitor do Santuário de Nossa Senhora da Lapa, o que a coloca em longa esteira histórica. Reata com o passado piedoso, hoje tão atual; o texto não está contaminado pela atmosfera intoxicada de relativismo e laicismo, muito disseminada nos anos pós-conciliares que tendiam a ver tais movimentos de piedade como anacrônicos.


Seleciono alguns trechos da consagração do último 15 de abril. Ela é pródiga em afirmações de contrição, humildade e reparação, faz bem repisá-las: “a prece ardente que hoje contritos vos dirigimos”; “embora réus da excelsa justiça de Deus e quão merecidos são os castigos que sobre o mundo ingrato e impenitente se possam abater”“nos deis um coração e vida penitentes”. E que o Coração Imaculado de Maria se apiede de nossos corações e nos inspire a penitência que almejamos.
O texto também é copioso nas manifestações de consagração: “consagrar os nossos povos e Vos pedir que deles afasteis a atual pandemia”; “ó dulcíssimo Jesus, Vos pedimos por intercessão da Senhora da Lapa, a Quem hoje nos consagramos”.
Finalmente, rico de passagens denotando a esperança do triunfo e afirmação do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo: “que sejais a Rainha daqueles que vivem obscurecidos pelos erros”; “obtenhais para todas as nações tranquilidade e ordem, em tudo submetidas à beleza da Fé”.
Trouxe excertos, a consagração é muito maior. E começa com frase conhecida de grande densidade teológica: “Se foi por Vós que Jesus Cristo, Senhor Nosso, veio ao mundo, é também por Vós que nele deve reinar”. A consagração se coloca especialmente oportuna, lembra o Santuário e repito, “atendendo ao momento de dor e sofrimento que a pandemia, provocada pelo covid-19, está a provocar em todo o mundo”.

Consagração da Colômbia
Este mesmo momento foi invocado por iniciativa semelhante, rumo idêntico, encabeçada pela Sociedad Colombiana Tradición e Acción, que pede ao presidente da República e à Conferência Episcopal que consagrem a Colômbia ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora de Chiquinquirá [foto], padroeira do País. O texto do importante documento, assinado por seu diretor, Eugenio Trujillo Villegas, suplica e lembra:
“Queremos lhe pedir com veemência, que diante da incerteza pela qual passamos, junto com as autoridades da Igreja Católica, renove a consagração ao Sagrado Coração de Jesus, que se fez ininterruptamente de 1902 a 1992. E também que consagre o País a Nossa Senhora de Chiquinquirá, padroeira da Colômbia”.

Faróis a iluminar os rumos
Duas iniciativas atuais e exemplares. Empreendimentos assim, acompanhados da contrição congruente, infelizmente muito raras, atrairiam a misericórdia divina nos presentes dias duros trilhados por todos nós. Sua ausência, é incoercível, a lógica nos arrasta até lá, pressagia maiores sofrimentos e tragédias. A elas nossa adesão e aplauso. São faróis, iluminam e indicam rumos.

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HISTORINHAS DE ODILON PINTO - Cyro de Mattos

Historinhas de Odilon Pinto

Cyro de Mattos


Na Bíblia encontram-se rápidos relatos em forma de alegoria ou parábola, que contam um acontecimento com vistas a tirar um ensinamento espiritual. Kafka usa a parábola em poucas linhas para mostrar o ilógico como uma coisa natural da vida. No caso de Odilon Pinto adota-se a técnica realista franca para escrever a vida com as suas historinhas, de tema variado, introduzindo-se no conteúdo as coisas que apesar de miúdas correm no mundo e formam um delicioso episódio. Para os gregos quanto menor a extensão, maior a compreensão; se maior a extensão, menor a compreensão. Certo é que do texto de ficção, menor no conto, maior no romance, espera-se do autor que transmita um novo sentido de vida, logrando-se extrair da matéria a parte noturna do ser.

Coisas da Vida (2004) reúne ficções bem escritas em apenas uma página, fantasias que dão prazer na leitura. No conteúdo da vida como ela é, cada uma delas arrasta o leitor com engenho e leveza, surpreende-o no desengano, no amor abortado, na ardência da paixão, no drama recheado de hipocrisia e ciúme. A vida apresentada na narrativa veloz vem quase sempre acompanhada de observações certeiras.

Em “A Doida”, que “se apegava à rua, era o caminho que devia percorrer...”; em “Paixão Recolhida” quando “durante dois anos fora senhor dos seus beijos, do calor do seu corpo, do cheiro dos seus cabelos. Isso tudo, quando se perde, cresce, até ficar do tamanho do mundo” , assim, embaralhando observações com dizeres suficientes, Odilon Pinto pontilha uma sintaxe verbal impregnada de sutilezas, mínimas referências instigantes.

Em Coisas da Vida encontramos, de página em página, a atuação humana na rotina chata da vida, às vezes de amores abortados, em outra hora com a faca que a traiçoeira invenção do gesto suspende e se completa no desfecho inusitado.

Em “Dick”, o cão retira do dono a sensação asfixiante de estar vivo, mas em “Sem Terra” o drama completa-se com o seu instante duro de sofrimento na solidão. No exemplo de “A Família”, a farsa vai tomando forma nas observações feitas pela personagem, uma mulher velha, sobre a palhaçada armada para ela na igreja como ritual de amor dos filhos. Ficam também em nossa lembrança as cenas de que a ocasião faz o ladrão e o acaso torna em vingança. O duelo entre o real e o sonho na doméstica sonhadora, com o sonho vencido pela dura lei da vida.

Com estofo de crônica, anedota esticada, texto motivado por noções de filosofia, fantasia do real fundido com o desastre conjugal, poesia da vida carregada de inconformismo, tristeza e revanche, é visível nesses quadros pintados com rápidas pinceladas por mão de mestre o quanto é rica a humanidade na sua pobreza social, no pequeno mundo rotineiro da vida. Não resta dúvida que desses quadros compostos por Odilon Pinto brilham momentos diletantes de leitura. O valor dessas historinhas primorosas força-nos dizer que nos pequenos frascos é que estão guardados os melhores perfumes.

Ligue o vídeo abaixo:




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Cyro de Mattos é escritor de contos, crônicas, romance, poemas, literatura infantojuvenil, ensaio e memorialista. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários importantes. Também é editado no exterior.

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sexta-feira, 1 de maio de 2020

ITACOATIARA - Marco Lucchesi

Parte de minha juventude floresceu nesta pequena praia de Niterói. Em tupi-guarani, Itacoatiara significa pedra riscada. Nem ferida, nem magoada. Riscada, apenas. Sigo o mesmo destino das pedras.

Herdei um azul feroz e contundente: no céu onde se esconde o Sagitário; no além do mar oceano, e com saudades de África. É tanto azul que já não sei o que faço. Distribui-lo entre Rafael Sanzio, Raul Brandão e a mesquita de Isfahan.

Repousam no jardim, onde me ponho a escrever, os ossos de Carina, minha saudosa pastora alemã, e uma funda geologia da memória. Guardada a sete chaves, talvez impronunciável, com antigas falhas sísmicas. 

Poderia invocar mil vezes outras potências do azul, o mesmo azul que me deixa em estado de sítio e põe o mundo entre parênteses, quando me deito, como substância pensante, a olhar o céu.

Cultivo a biblioteca polifônica, as mãos que me precederam ao piano e o vigoroso telescópio, que me leva a contemplar a noite fria, como os românticos alemães. Itacoatiara deu-me, desde cedo, uma proximidade com estrelas, nebulosas e parcelas de infinito.

Darwin adentrou o cromatismo da mata atlântica, aqui, na serra da Tiririca, onde me entrego ao ócio das manhãs, subindo e tornando a descer a pedra do Costão. 

Tornei-me adicto da maresia. Preciso de iodo e sal. Não posso viver sem o mar, sem as ondas que se agitam.

Morder o mundo e abocanhá-lo, a partir dessa fronteira, sonho e matéria, aqui, onde transito e onde me perco, entre antúrios e magnólias. Talvez entre Florbela e Sophia, Al Berto e Pascoaes, Helder e Jorge, Fernando e Camões. 

“Tranquei o mundo lá fora”, disse um poeta brasileiro. Pois cada qual se reinventa, ao medir forças com a pandemia. Um mundo vasto que se desbasta.

A realidade virtual, a ideia mística e técnica, empresta caráter relativo ao que está próximo ou distante. Cresce o desejo de estarmos juntos e a revisão geral da biopolítica.

Assim, quando cai a noite, brilham os olhos de Ana, como dois gatos. O que virá depois? A fome nas favelas, a dança macabra no cárcere, o jogo de xadrez da morte e Antonius Block? Sinais do Dia do Juízo, como apregoam os corneteiros do fim do mundo. Igrejas abertas, durante a pandemia, para aquecer a venda de promissórias e salvo-condutos para depois do Apocalipse. 

A política do vírus e o vírus da política perversa, a pandemia e o pandemônio, produzem fortes dissonâncias. Mas a sociedade civil compreende a gravidade e não abre mão do isolamento. As comunidades mais pobres oferecem as respostas mais solidárias e criativas.

Morre-me um parente na Toscana. As janelas da Itália perdem um cantor. Ana escreve um diário sutil, a tradução do mundo, em haicais e iluminuras. Indaga para onde caminhamos e até quando haverá mundo?
  
Não o mesmo, talvez. Sairemos diversos, mesmo de Itacoatira. E terá de ser forçosamente outra civilização, voltada para a humanidade e a Mãe-Terra. 

Lembro-me de Jorge de Lima: “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.


Jornal de Letras de Lisboa, 21/04/2020



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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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quinta-feira, 30 de abril de 2020

BISPO ITALIANO: “6 MILHÕES DE ABORTOS TAMBÉM SÃO UMA PANDEMIA!”


QUARTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2020 - 19:30 - IGNEWS

Legalizar o aborto não o torna moralmente aceitável, afirma dom Alberto Maria Careggio

Dom Alberto Maria Careggio, bispo emérito da diocese italiana de Ventimiglia e Sanremo, afirmou que os 6 milhões de abortos legalizados que são perpetrados por ano em todo o planeta também são uma pandemia a ser combatida.O site da diocese publicou um artigo em que dom Alberto declara:

“Quanto tempo vai durar a pandemia do coronavírus não é possível saber, nem durante quantos dias ainda teremos que ouvir o boletim das mortes, dos infectados e dos recuperados. E se o mesmo fosse feito em relação aos mais de 6 milhões de abortos legalizados em todo o mundo? Essa também é uma pandemia, que mata a consciência daqueles que a praticam e a dos governantes que, ao legislar, pretendem eliminar o horror do assassinato.

Legalizar não significa de modo algum moralizar uma ação que é contra a vida: dizem popularmente que o aborto clama por vingança diante de Deus – e é isso mesmo!

O heroísmo de todos aqueles que fazem o possível para salvar a vida dos outros arriscando a própria é mais edificante. O mal não tem a última palavra. Da catástrofe e dos escombros desta pandemia devemos esperar o despertar desses valores humanos e cristãos de amor e solidariedade, de altruísmo e generosidade, de compaixão e ternura, adormecidos, mas não desaparecidos: são e continuam sendo a marca da mão de Deus, que quis criar o homem à Sua imagem e semelhança”.

Fonte: Redação da Aleteia  https://pt.aleteia.org 


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quarta-feira, 29 de abril de 2020

CENTENÁRIO DE WILSON LINS - Aramis Ribeiro Costa

Centenário de Wilson Lins

Aramis Ribeiro Costa*


            Não fosse essa tragédia que se abateu sobre a humanidade em forma de vírus, e certamente a Academia de Letras da Bahia estaria celebrando, com pompas e circunstâncias, o centenário de nascimento de Wilson Lins. A data é 25 de abril, mas o ano nem sempre foi um ponto pacífico na biografia do jornalista, político, escritor e acadêmico. É que havia, na primeira metade do século passado, o costume de se alterar a data do nascimento em documentos e informações biográficas, para atender a certas circunstâncias, como, por exemplo, matricular-se em curso superior, emancipar-se, casar-se, e tantas outras coisas. E o resultado é encontrarmos uma quantidade surpreendente de pessoas que, durante toda a vida, tiveram duas datas de nascimento, a verdadeira, oculta, e a inventada, a servir aos interesses.

              Não sei o que aconteceu com a data de nascimento de Wilson Lins, qual o motivo da duplicidade. O fato é que o ano de 1919 aparece em vários verbetes e informativos biográficos como o ano do seu nascimento. Não foi por outro motivo, aliás, que publiquei um longo artigo intitulado “O Escritor Wilson Lins” na Revista da Academia de Letras da Bahia nº57, trazendo, no pé da página, a informação de que se tratava de “uma homenagem do autor ao centenário de nascimento do acadêmico Wilson Lins, nascido em 25 de abril de 1919”. Mas era engano. Meu e de muita gente. Wilson nasceu, na verdade, em 1920.

 Wilson Mascarenhas Lins de Albuquerque baiano de Pilão Arcado, foi uma dessas personalidades que, no seu tempo, dispensava qualquer apresentação. Tornou-se, muito moço, redator-chefe do jornal O Imparcial, de propriedade do seu pai Franklin Lins de Albuquerque, quando também se fez cronista político. Fechado O Imparcial, passou a exercer o jornalismo no Diário de Notícias, depois no Diário da Bahia e, finalmente, em A Tarde. Os mais velhos ainda devem se lembrar de Rubião Braz, o pseudônimo que fazia tremer os políticos da época com sua mordacidade e sua aguda ironia.

               Do jornalismo passou à política, tendo sido deputado estadual por mais de uma legislatura, presidente da Assembleia Legislativa de Bahia, secretário de Educação e presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Na Academia de Letras da Bahia, para a qual foi eleito em 1967, ocupou a Cadeira número 38.

               Não fora eleito para a casa das letras por acaso. Mais do que um notável da Bahia, tratava-se de um de seus maiores escritores. A obra que publicou em livro é considerável e diversificada, passa por coletâneas de crônicas, ensaios, uma novela, memória, mas, principalmente, é alicerçada em seis romances, cinco dos quais poderiam figurar, sem nenhum favor, no cânone da literatura brasileira, como exemplares no seu gênero.

                E, de fato, o são. Os Cabras do CoronelO Reduto, Remanso da ValentiaResponso das Almas e Militão sem Remorso, romances de coronéis e jagunços, recriam uma dura realidade do sertão baiano no início do século passado, realidade que fez parte da infância do autor, filho de pai coronel. Não fossem as inexplicáveis barreiras que impedem a divulgação, para o resto do país, da literatura produzida na Bahia, ao menos daqueles que daqui não saem, e esses cinco romances de Wilson Lins estariam no catálogo nacional, ao lado dos de Jorge Amado, Adonias Filho e Herberto Sales, o que vale dizer, ao lado do que melhor se fez nesse gênero, na literatura brasileira e em qualquer outra.

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*Aramis Ribeiro Costa é ficcionista, poeta e orador de primeira linha, fazendo uso da palavra serena e atraente. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, na qual exerceu o mandato de presidente por duas temporadas.


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terça-feira, 28 de abril de 2020

TEMPO DE PANDEMIA... OU DE TRAVESSIA? - Ir. Helena T. Rech


Estou completando 71 anos de vida. Não sei se são muito ou poucos anos? Só sei que estes anos os vivi intensamente e, muito eu aprendi com a vida...

Neste tempo que chamo de travessia, outros dizem que é pandemia e, há ainda quem diga que é o “fim do mundo”, que o Anti-Cristo vai chegar e tudo consertar... outros dizem ser a Terceira Guerra Mundial, sem armas de fogo, sem bombas terríveis... Esta guerra do “Corona Vírus”, não será vencida com armas nucleares, mas com amor, cuidado com a vida, solidariedade, investimento na ciência e na saúde, infra estrutura hospitalar, dedicação de nossas agente de saúde e humanidade.

Eu acredito que é tempo de mudar. Mudar nosso jeito de pensar, de se relacionar; de amar, de se doar, de acreditar e até de rezar ou se olhar; sentar lado a lado no sofá, na mesa, na sala... tempo de compartilhar sentimentos, medos, sonhos e esperanças... é tempo de resignificar a vida, o saber, o isolamento e o sofrimento... Saber calar, silenciar e sem muito entender ou questionar tempo de simplesmente contemplar a vida, as pessoas, as ruas vazias, as lojas fechadas por causa da pandemia, da quarentena... tudo isso é para mim, e para você, tempo de renascer e reaprender a VIVER. Redescobrir o belo da vida, o lado lúdico de cada um... olhar pro céu e ver que ele está mais azul... O pôr-do-sol encantador que vai se despedindo no horizonte num bailado de corres fascinante. E isso não é fantasia. É o mais belo presente que o universo nos dá. Como se não bastasse isto... e a chuva de meteoros que aconteceu nestes dias de quarentena? Tantas reportagens nos mostraram que durante o isolamento a natureza é mais feliz, as águas dos oceanos e dos rios estão mais límpidas e transparentes. Estou sentindo que dentro de minha casa e o ar que respiro e o ambiente físico tem menos poluição.

O mais interessante é que na “travessia/epidemia”, a verdadeira sabedoria do isolamento social, nos ajudará a entender que os voos cancelados, as viagens interrompidas, as escolas, universidades, academias e parques fechado... nos aponte que a grande viagem que devemos fazer é pra dentro de nós mesmos. Na interioridade de nosso coração há um lindo “jardim secreto” onde podemos passear
com nossos amigos e amigas, conversar, descansar, sonhar. Em nosso coração existe o mais lindo “santuário” onde posso estar com Deus Trindade em qualquer hora, sem sair de casa, sem buscar um templo ou igreja, hoje fechados.

Em todas as línguas a palavra mais falada é essa mesmo “CASA”...
Sim. “CASA” = moradia, “Casa Comum”, o Planeta. Casa sou eu, é você. Somos todos nós casa habitada pela Trindade, pela vida, pelas pessoas, por sentimentos de todos os tipos, pelo amor, egoísmo, ódio, gratuidade, solidariedade, abertura, alegria. Pois é, não será este o tempo de nos “habitar” de verdade? Estar conosco... visitar nosso "jardim secreto”, contemplar nosso interior? Escutar nossos sentimentos... fazer uma grande faxina em nossa casa interior, para ficar só com aquilo que realmente vale? Deixar o que não serve para nada, a não ser para nos manter doentes, rancorosos, fechados, amargos... quem sabe expulsar os vírus: egoísmo, orgulho, auto-suficiência, consumismo...?

Que tempo fecundo é esse que vivemos!... Estamos “abrigados” em nossas casas. Tão raro esta oportunidade de estarmos juntos, gastar tempo, olhar olho no olho... conversar. Façamos a travessia!

É tempo de “travessias” da “pandemia” para a vida de verdade. De acolhida, cuidado, descobertas, convivência, despojamento. Quantas vezes desejamos e, poucas vezes conseguimos deixar o trabalho, desacelerar o ritmo, parar, curtir, descansar, sonhar o novo... Simplesmente viver em “nossa casa”, estar conosco mesmos.

Vamos qualificar e significar este tempo precioso e singular. Quem sabe único.


Ir. Helena T. Rech, STS
São Paulo, 25 de abril de 2020

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HOJE, HORAS APÓS O QUE ACONTECEU ENTRE BOLSONARO E MORO...


... com a poeira baixa, tive tempo de pensar com mais calma e me dei conta de quantos anos luz a Esquerda, com auxílio da Nova Ordem Mundial, está a nossa frente em planejamento.... Eu explico:

Lembro de Bolsonaro arrastando multidões pelo Brasil, de Norte a Sul, mesmo como Deputado; e as visitas que George Soros fez a Fernando Henrique Cardoso no mesmo período...

A imprensa que escondera o Foro de São Paulo por mais de 15 anos não deu destaque as essas visitas do Líder da Nova Ordem ao passo abafava qualquer reportagem sobre o crescimento de Bolsonaro.

Era claro que aquele Ex-Militar ia dar trabalho e atrapalhar os planos de escravizar a Nação Brasileira, já que ele não entrava nos círculos dos conspiradores... Mas como interromper ou evitar que o povo amasse aquele personagem tão parecido com ele? Já haviam eliminado vários opositores mas acharam que desta vez era melhor usar armas diferentes, como por exemplo a imprensa que o massacraria com falsas acusações...Pelo menos naquele momento acharam melhor não matá-lo.

Eleições se aproximando e aquele Capitão do Exército só crescia nas pesquisas e no coração do povo... FHC recebeu mais algumas visitas de seu patrão George Soros para receber instruções... Precisavam de um plano maior do que apenas usar a Militância, a Mídia e seus marionetes dentro do Congresso e Câmara... Precisavam urgentemente criar uma figura que se igualasse ao Capitão Bolsonaro , mesmo que fosse pelo menos na admiração do povo, Mas quem seria esse personagem se todos os nomes mais populares já haviam perdido suas máscaras e não conseguiam a mesma sintonia com a população?

Precisavam de alguém que tivesse dentro de si os Ideais Progressistas e fosse admirado por desempenhar bem sua função… Sim precisavam de alguém influente como um Juiz que fosse alinhado com o Progressismo e tivesse amizades capazes de convence-lo a iniciar a empreitada de se igualar ao Capitão do Exército que tomava o coração do povo de assalto…

Lembro que o Capitão também mostrava admiração pelo personagem escolhido pelos conspiradores e até tentou cumprimentá-lo ao cruzar com ele num Aeroporto… Mas o Juiz, assim como os conspiradores, o desprezava e se recusou a cumprimentá-lo…
Será que vai dar tempo de parar esse Capitão? Se perguntavam os conspiradores… A ala radical dentre eles decidiu não esperar e decidiram matá-lo como fizeram com outros desafetos... Veio a facada... Mas o que é isso? Como ele foi capaz de sobreviver e estar saindo da situação mais forte ainda? Atenção, voltem ao plano original, mandem o Juiz ligar para o hospital e se desculpar do incidente no Aeroporto e se oferecer para visitá-lo… O Juiz precisava entrar naquele Palácio da Presidência de alguma forma mesmo que fosse como Ministro ou algo assim…Se não conseguissem vencer o Capitão nas eleições que se aproximam, pelo menos teriam um trunfo próximo dele quando precisassem…

E assim foi feito… Desde a eleição do Capitão , tudo que tem sido feito com a ajuda da Mídia, tem sido para diminuir a imagem de Bolsonaro e fortalecer a do Juiz Moro que conseguiu sim, não só’ a admiração de grande parte da população, como também o mesmo nível de amor que o povo tem pelo Capitão.. A Lava-jato milagrosamente começa a prender criminosos poderosos e contando até com votos do próprio STF… Entende agora as condenações de Lula? E claro que ninguém nunca viu Lula atrás de grades reais, e era um sacrifício necessário arriscar a divulgar uma pequena parte dos crimes cometidos pelo molusco… Colocariam Lula num hotel confortável e chamariam de prisão domiciliar… Eu desafio que haja um brasileiro sequer que tenha visto Lula atrás de grades reais…

O resto acho que não preciso explicar…. Com os ataques coordenados de Rodrigo Maia, Alcolumbre e STF também começando a não dar certo, e a popularidade do Presidente eleito só crescendo, os Conspiradores viram que era hora de usarem seu trunfo…. Grande parte da população virou as costas para o Capitão por causa da saída de Moro e finalmente o Plano que começou com as visitas de George Soros a FHC parece estar funcionando…. A população está confusa e indignada por ver o amado Juiz sair do cargo, e nem se deu conta de que aquele personagem, símbolo de honestidade, está mostrando uma outra face, fazendo acusações que fortalecem as conspirações de Maia, Alcolumbe e STF e se igualando até mesmo a seres desprezíveis como o pretenso jornalista Verdevaldo ao dar print de conversas e entregar para o jornalismo porco da Rede Globo

Sim, os esquerdopatas estão séculos a nossa frente em planejamento e organização, a ponto de nos levar a fazer o trabalho sujo para eles, ajudando a destruir o único político em mais de 100 anos que verdadeiramente se preocupa com o Brasil e seu povo…

Sinto nossa chance de liberdade escorrendo entre os dedos…. Ou colocamos nossa cabeça no lugar e apoiamos Bolsonaro, ou os conspiradores irão vencer e dessa vez será sem volta… Espero sinceramente que pensem nisso e compartilhem com seus amigos… Se não concordarem com meus argumentos apenas ignorem e voltem a dormir…

Ayres 
Abril 2020

(Recebi via WhatsApp)


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