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quinta-feira, 15 de julho de 2021

SÃO ROQUE - PATRONO CONTRA EPIDEMIAS E DOENÇAS CONTAGIOSAS - Plinio Maria Solimeo



Modelo de caridade e confiança, o santo muito auxiliou e operou milagres junto a pessoas infectadas durante uma epidemia na época medieval.

Plinio Maria Solimeo


          No final do século XIII e início do XIV a cidade de Montpellier, hoje francesa, pertencia ao reino de Mallorca, da casa real de Aragão. O governador da cidade, João, cuja esposa Libéria era também de ilustre família, gozava de todo o prestígio do cargo e de boa fortuna. Mas não tinham filhos. Com muita fé, importunaram os Céus para obtê-los, e foram ouvidos. Roque, o menino que lhes nasceu, trazia impressa no peito uma cruz vermelha, sinal de sua predestinação.

Busca da perfeição

         Herdeiro de uma família que dera ao conselho da cidade vários membros, Roque era de natural bondoso, afável e cordato, conquistando facilmente os corações. Amando a Deus sobre todas as coisas, é natural que tivesse também caridade extrema para com o próximo, e os pobres eram seus preferidos. Socorrê-los, ampará-los, fazer-lhes bem era sua maior alegria, pois neles via o Divino Salvador.

          Roque perdeu o pai aos 19 anos, e a mãe quase em seguida. Único herdeiro da considerável fortuna da família, herdava também o cargo de governador da cidade. Entretanto, de há muito vinha meditando o conselho evangélico: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19, 21). E ele queria ser perfeito, por isso vendeu tudo o que conseguiu e distribuiu o produto aos pobres. Deixou a seu tio paterno a administração do que restou, cedendo-lhe também o direito de sucessão.

Atendendo as vítimas


         Com traje de peregrino e um bastão na mão, Roque partiu com destino a Roma, para visitar os lugares santos e decidir seu futuro.

          Andando sempre a pé, e alimentando-se com o que recebia de esmola, chegou a Aquapendente, nos Estados Pontifícios. Ali grassava a peste, causando grandes danos especialmente entre os pobres. Inspirado por Deus, deteve-se na cidade com o desejo de assistir os empestados. Para isso dirigiu-se ao hospital local. O administrador, vendo-o tão jovem e delicado, mostrou-lhe os inconvenientes do ofício, inclusive a probabilidade de contágio. Roque insistiu, acabando por ser aceito.

          Percorrendo as salas onde estavam os empestados, lavava-lhes as feridas, fazia-lhes o leito e prestava-lhes os serviços mais repugnantes. Suas palavras tinham a virtude de inundar de alegria aquelas almas tão provadas, devolvendo-lhes a esperança da salvação neste mundo e principalmente no outro. Fazia sobre as chagas o sinal da cruz, curando milagrosamente a muitos.

          Visitava as casas onde havia pessoas atingidas pela peste, e ali desempenhava o mesmo papel, com igual sucesso. Logo correu pela cidade a notícia de que um “anjo” tinha descido do Céu para socorrer os flagelados pela epidemia. Todos queriam vê-lo, tocá-lo, ter alguma coisa sua.

         Não procurando sua glória, mas a de Deus, Roque fugiu dessa popularidade, abandonando furtivamente a cidade.

Na Cidade Eterna

Parte do bastão de São Roque

         Dirigiu-se então para Cesena, na Lombardia, ao saber que a cidade fora também atingida pela peste. Prodigalizando aos flagelados os mesmos cuidados, conseguiu debelar a peste. Um afresco na catedral local registra essa benéfica passagem do apóstolo da caridade.

         Chegando a Roma, constatou que a epidemia a atingira da maneira mais inexorável. A cidade parecia deserta, todos temendo sair às ruas devido ao risco do contágio. O medo e o egoísmo endureciam os corações, e apenas alguns generosos cidadãos e magistrados dedicavam-se a atender os atingidos pelo peste. Os doentes em estado terminal eram postos nas ruas pelos próprios parentes, e não havia quem deles cuidasse.

         À vista desse lúgubre espetáculo, Roque pôs-se imediatamente ao trabalho, determinado a morrer, se necessário fosse. Sua caridade heroica não recuava diante de nenhum obstáculo ou perigo, por mais terrível que fosse. O mal diminuía por toda parte onde atuava, o contágio desaparecia. Viam-se doentes no estado mais desesperador voltar à vida, tão logo ele lhes fazia o sinal da cruz.

         Os empestados arrastavam-se até os locais onde o santo iria passar, para vê-lo, tocá-lo e receber a cura prodigiosa que se obtinha com sua presença. Os próprios cardeais da Santa Madre Igreja procuravam-no para que, traçando sobre eles o sinal da nossa salvação, fossem preservados do contágio da temível epidemia.

         Passado o surto da doença, permaneceu ele ainda em Roma durante três anos, pedindo esmolas nas portas dos palácios para levá-las aos tugúrios, visitando as basílicas e indo de hospital em hospital para levar o alívio a todos os contagiados que gemiam no leito de dor.

         Percorreu depois as cidades atingidas pela epidemia na campanha romana, prodigalizando os mesmos cuidados e operando os mesmos prodígios.

Vítima da caridade

         Chegando a Placência, foi logo ao hospital, onde atendeu os doentes. Mas teve que ir para o leito. Em sonho aparecera-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: “Servo bom e fiel, até agora suportaste grandes trabalhos por amor do Deus todo poderoso. É agora necessário que sofras também os mesmos males, para que padeças um pouco o muito que [Jesus] sofreu por ti”. Roque acordou ardendo em febre, sentindo na coxa esquerda uma dor tão violenta que era quase insuportável: fora atingido pela peste!

         Sofria tanto, que gritava de dor. Para não atrapalhar os outros doentes, arrastou-se até uma floresta vizinha, apoiado num bastão. Além da febre altíssima, devorava-o uma sede insaciável, o que o fez suplicar a Deus o socorro naquele transe. No mesmo instante surgiu uma fonte, quase a seus pés, na qual ele pôde saciar a sede, lavar suas feridas e refrescar-se.


Cachorro levava pão para São Roque doente

          Faltava-lhe o que comer, mas a Providência velava por ele. Havia perto do local umas casas de campo, nas quais se haviam refugiado habitantes da cidade para escapar do contágio que os flagelava. Numa delas, no momento em que o proprietário se punha à mesa, um de seus cães de caça pegou um pão na boca e saiu em disparada. Isso ocorreu nos dias seguintes. Intrigado, o seu dono Gotardo seguiu-o, descobrindo Roque (a quem o cão levava o alimento) estendido no solo, numa cabana abandonada. O santo pediu-lhe que permanecesse longe, para não ser contagiado.

          Gotardo voltou para casa, mas a sucessão de fatos não lhe saía da cabeça. Chegou à conclusão de que seu cão era mais caridoso que ele, pois socorria o doente, enquanto ele nada fazia. Iluminado pela graça, voltou à cabana, dizendo a Roque que estava determinado a ficar ali e a dele cuidar até que sarasse ou morresse. Vendo nisso a mão de Deus, o santo assentiu.

         Entretanto o cão não mais voltou, e agora eram duas bocas a alimentar, pois Gotardo estava determinado a não voltar para casa. O que fazer? Roque sugeriu-lhe então um ato heróico: pegasse seu manto de peregrino e fosse à cidade pedir pão de esmola para a sobrevivência de ambos, mostrando-lhe o valor que isso teria aos olhos de Deus. Resolvido a vencer-se a si mesmo, Gotardo aceitou jubiloso o conselho.

         Quando os conhecidos de Gotardo o viram na cidade vestido daquele modo e pedindo esmola, ficaram estupefatos. Uns riam-lhe na cara, outros lhe viravam o rosto, de modo que no fim da jornada só tinha conseguido de esmola dois pãezinhos. E assim foi até que Deus, nos seus desígnios insondáveis, curou o santo, inspirando-lhe também o desejo de voltar para sua cidade natal. Partiu depois de ver Gotardo instalado numa cabana como eremita. Ele também vendera todos os seus bens e distribuíra o produto aos pobres, determinado a procurar a perfeição. A respeito desse Gotardo tão generoso, muitos afirmam que morreu também em odor de santidade, embora se ignore a data de sua morte.

Rejeitado pelos seus


Relíquia do santo

         Quando Roque chegou a Montpellier, a cidade estava em guerra. Vestido pobremente como estava, e não querendo informar quem realmente era, foi tido como espião. Por ordem do governador da cidade — seu próprio tio, que não o reconheceu, tão mudado estava pela doença e privações — foi condenado à prisão perpétua. Permaneceu numa enxovia por cinco anos, acrescentando aos naturais sofrimentos outros que a penitência e a piedade lhe sugeriam. No fim desse tempo, entregou a Deus sua bela alma, purificada e embelezada pela caridade, no dia 16 de agosto de 1327, com apenas 32 anos de idade.

         Ao removerem seus restos mortais, os carcereiros descobriram a cruz em seu peito, por meio da qual foi revelada sua identidade. Foi extremo o pesar do governador, ao saber que daquele modo tão ignominioso morrera quem tinha o seu mesmo sangue, e que tão generosamente lhe dera o cargo que ocupava. Preparou-lhe os mais honrosos funerais.

         A fama das virtudes desse santo singular ultrapassaram as fronteiras da França, espalhando-se por toda a Europa. Passou a ser invocado como o patrono contra a peste e as feridas incuráveis.

         Narra-se que durante o Concílio de Constança (novembro de 1414 a abril de 1418, na Alemanha) uma terrível epidemia ameaçava interromper os trabalhos da magna assembléia. Por sugestão de um de seus membros, que deu como exemplo o que se fazia na França, foram prescritas rogativas e jejuns em honra do então venerável Roque. Uma imagem sua percorreu as ruas da cidade, e quase imediatamente cessou a epidemia.

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Fonte : Revista Catolicismo, Agosto/2010.

Obras Consultadas:

● Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IX, pp. 645 ss.

● Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, tomo III, Ediciones Fax, Madri, 1945, pp. 369 ss.

● Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1948, tomo IV, pp. 473 ss.

● Gregory Clearly, Saint Roch, The Catholic Encyclopedia, Online version, www.newadvent.com.

https://www.abim.inf.br/sao-roque-patrono-contra-epidemias-e-doencas-contagiosas/

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E PANDEMIA - Plinio Maria Solimeo


Plinio Maria Solimeo

 

Nos idos tempos em que ainda havia fé no mundo, recorria-se à Providência Divina em todas as vicissitudes da vida, principalmente por ocasião de calamidades. Operaram-se incontáveis milagres, registrados em fidedignos documentos de várias épocas.

Um desses milagres ocorreu durante uma terrível epidemia de peste bubônica em Marselha, na França, em 1720, que ceifou a vida de mais de 100 pessoas. Foi quando o Sagrado Coração de Jesus, aparecendo a uma alma santa, pediu que fosse instituída uma festa em seu louvor, para debelar a epidemia. O que realmente ocorreu, como veremos.

Antecedentes da devoção ao Sagrado Coração

Entre os anos de 1672 e 1686, Nosso Senhor Jesus Cristo, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque [quadro acima], religiosa visitandina francesa, foi lhe revelado os mistérios da devoção ao seu Sagrado Coração. Como narra a vidente em sua Autobiografia, Ele lhe mostrou “o ardente desejo que tinha de ser amado pelos homens e de retirá-los da via da perdição, onde Satanás os precipitava em multidões”. Para isso, havia estabelecidoo desígnio de manifestar seu Coração aos homens, com todos os tesouros de amor, misericórdia, graça, santificação e salvação que ele continha”, para que lhe manifestassem seu amor.

Numa das várias revelações, Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria: “Por isso te peço que a primeira Sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio de um ato público de desagravo, e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância o influxo do seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.


Difundiu–se desde então a devoção a esse adorável Coração, tendo como centro o convento da Visitação de Paray-le-Monial [foto ao lado], onde Santa Margarida Maria vivia. Essa Ordem religiosa, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, tornou-se desse modo apropagadora dessa devoção.

Ana-Madalena Remuzat e o Coração de Jesus


Seis anos após o falecimento de Santa Margarida Maria, ocorrido em outubro de 1690, Marselha veria nascer, no dia 29 de novembro de 1696, Madalena Remuzat [quadro ao lado], que se tornaria visitandina e seria a continuadora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Madalena ingressara aos nove anos no convento das Visitandinas de Marselha como estudante, e depois nele professou como religiosa em 1713, acrescentando Ana ao seu nome.

Por ter sido muito favorecida desde pequena com aparições de Nosso Senhor, por sua prudência, retidão e avançado progresso espiritual, deram-lhe no convento o encargo de atender às pessoas que pediam aconselhamento espiritual. Depois de certo tempo, ela pediu para ser disso dispensada a fim de cuidar dos doentes.

A heresia jansenista

Nessa época o erro jansenista era generalizado na França, perturbando a vida da Igreja e da sociedade. De acordo com essa doutrina perniciosa, Cristo não derramou seu Preciosíssimo Sangue por todos os homens, mas apenas por uma pequena porção deles. Quanto aos outros, o acesso aos frutos da Redenção estaria fechado para sempre, não importando o que fizessem. Segundo essa seita, para se receber a Comunhão Eucarística era necessário não apenas o estado de graça, como é da doutrina católica, mas também um tão grande e puro amor a Deus, que excluísse qualquer falta, mesmo leve. Essa severidade afastou muitos fiéis da Sagrada Comunhão.

Em 8 de setembro de 1713 — mesmo ano em que Ana-Madalena fez a sua profissão religiosa —, o Papa Clemente XI condenou na bula Unigenitus Dei Filius os erros jansenistas. A condenação encontrou grande resistência na França, cuja situação política e religiosa se tornou extremamente tensa.

Valoroso bispo combate na luta contra o jansenismo


Ora, o bispo de Marselha era então Dom Henrique Francisco Xavier de Belsunce de Castelmoron [gravura ao lado], um lídimo e valente prelado, inimigo mortal do jansenismo. Em sua batalha contra essa heresia, ele encontrou a oposição de alguns padres e também do Parlamento de Aix-en-Provence, conquistados pela seita.

Consciente dos dons que a irmã Ana-Madalena recebera de Deus, ele pediu à Superiora que a fizesse retomar seu ministério junto aos que procuravam o convento em busca de orientação.

Confrontada com o orgulho que levou os jansenistas a se levantarem contra a Igreja e o Papa, Ana-Madalena aconselhava seus dirigidos a terem uma confiança sem limites em Deus Nosso Senhor e em sua misericórdia, colocando-se amorosamente nas mãos divinas. Graças a ela, muitas pessoas passaram de uma vida tíbia e indiferente, para outra segundo o Evangelho e os ensinamentos tradicionais da Igreja.

Associação em louvor ao Sagrado Coração de Jesus

A Irmã Ana-Madalena teve várias aparições do Sagrado Coração de Jesus, o que a levou a fundar uma associação dedicada ao Santíssimo Coração. Seu objetivo era, em primeiro lugar, agradecer a Nosso Senhor por seu amor por nós na Eucaristia; depois, reparar pelas indignidades e afrontas que Ele sofreu durante sua vida terrena, e que ainda hoje recebe nesse Sacramento de amor.

Em 1717 o Vaticano aprovou a associação. No ano seguinte, enquanto cerca 60 de seus membros adoravam o Santíssimo numa igreja, eles viram durante mais de meia hora o rosto de Jesus Cristo na Hóstia.

A Grande Praga de Marselha


Naquela época, Deus revelou à irmã Ana-Madalena que Marselha seria punida se não se arrependesse de sua imoralidade.

E realmente, em maio de 1720, um navio do Oriente Médio ancorou na cidade, levando a bordo a peste bubônica que deu início à Grande Praga de Marselha. Pouco depois, naquele verão, com mais e mais casos de praga sendo relatados, decretou-se uma quarentena em toda a cidade e região. Apesar de as igrejas terem sido fechadas, o mosteiro da irmã Ana-Madalena foi poupado e sua comunidade realizou muitos atos de caridade durante esse período.

Com as igrejas fechadas, o corajoso bispo Dom Henrique começou a fazer as celebrações ao ar livre e, acompanhado por vários sacerdotes, a percorrer as ruas para atender espiritual e materialmente os doentes [representação ao lado]. Muitos de seus padres morreram em consequência da peste, vítimas da caridade, a qual hoje falta tanta faz a muitos eclesiásticos.

Instituição da festa do Sagrado Coração

Ocorreu então que, por recomendação de sua Superiora, a Irmã Ana-Madalena pediu a Deus que lhe comunicasse como desejava que seu Sagrado Coração fosse honrado para se obter a extinção da praga. Nosso Senhor lhe respondeu que desejava o estabelecimento de uma festa solene para honrar seu Sagrado Coração.

Confiando na idoneidade da Irmã e atendendo ao pedido de Nosso Senhor, Dom Henrique instituiu então na Diocese de Marselha a festa em honra do Sagrado Coração de Jesus, com o plano de Lhe consagrar perpetuamente a diocese e a cidade em 1º de novembro de 1720.

Acontece que a impetuosidade do vento nesse dia tornava impossível realizar a procissão. Somente à noite todos os sinos da igreja puderam tocar, o vento foi amainando e o bispo pôde então fazer a almejada consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Essa foi provavelmente a primeira consagração e culto público ao Sagrado Coração. A partir desse momento, a doença começou a diminuir gradualmente.

Magistrados atestam o milagre


Entretanto, como não houve reforma dos costumes e o povo continuava a ofender a Deus, a praga reapareceu em 1722. Para debelá-la, Dom Henrique [ao lado foto de sua estátua em Marselha] ordenou procissões para o dia de Corpus Christi, e a realização de uma nova festa em honra do Sagrado Coração.

Os vereadores da cidade de Marselha — que não haviam participado da consagração e da Missa em 1720 — desta vez participaram. No mês de setembro desse mesmo ano a praga terminou completamente.

As autoridades de Marselha foram então levadas a afirmar, em declaração pública nesse ano de 1722, que: “Quando todo esforço humano fracassou irremediavelmente, orações e atos de religião seguraram a mão de Deus. Para todos houve uma visível demonstração de que a praga não apenas diminuiu, como que cessou desde o dia em que Dom Belsunce consagrou Marselha ao Sagrado Coração de Jesus”. Eles se comprometeram doravante a renovar anualmente a consagração pública e perpétua da cidade ao Sagrado Coração, tradição interrompida durante a diabólica Revolução Francesa, mas que foi depois — um tanto modificada — restaurada pelo município em 1877.

A venerável Ana-Madalena Remuzat faleceu em 1730 e seu processo de canonização está em curso.

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Fontes:

– https://www.ncregister.com/daily-news/sacred-heart-devotion-established-as-plague-raged?utm_campaign=NCR%202019&utm_medium=email&_hsmi=89858993&_hsenc=p2ANqtz-8dU5QV453x30LcMoM48QGddcz3nzDToJOetGU79A_R07BQUKfZW1A67nNUj1yXz6wMHr6pgpIun36bmqTDORDHshgG2A&utm_content=89858993&utm_source=hsemail

– https://www.clairval.com/lettres/en/2017/07/25/2260717.htm

https://en.wikipedia.org/wiki/Henri_Fran%C3%A7ois_Xavier_de_Belsunce_de_Castelmoron


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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

“PANDEMIA E O VELHO ANORMAL” É O TEMA DA PRÓXIMA CONFERÊNCIA DO CICLO DE PODCASTS INTITULADO "PENSANDO O NOVO NORMAL"


Academia Brasileira de Letras prossegue com o seu o ciclo de podcasts "Pensando o novo normal", gravado por seus acadêmicos e que aborda as relações entre a pandemia e as diferentes áreas do conhecimento humano. O décimo terceiro episódio disponibilizado foi gravado pelo Acadêmico João Almino e estará disponível para os ouvintes a partir das 16h da próxima quarta-feira, dia 23 de setembro. O tema escolhido foi "Pandemia e o Velho Anormal". A apresentação do programa e coordenação-geral do ciclo cabem ao Acadêmico Antônio Torres.

Durante a emissão, o Acadêmico discute as diferenças entre o pré e o pós-pandemia: “O que é normal? Se considerássemos 'normal' o que havia antes da pandemia, miséria, desigualdade, crises políticas e ambientais, teríamos de admitir que estamos vivenciando uma velha normalidade piorada. Pois o fato é que a pandemia está agravando coisas que já conhecíamos. Suas consequências na economia e muito especialmente no campo social são claras. Não estamos diante de um novo normal, mas sim de um velho e insistente normal, quando pessoas perdem o emprego e têm dificuldade de se manter quando a pobreza avança, quando as desigualdades internas internacionais ficam mais evidentes e quando as condições gerais de saúde pioram por causa do vírus e por seus efeitos indiretos. (...) Agora, se tivermos a expectativa de que as coisas mudem para melhor num determinado horizonte de tempo, então podemos considerar que esta normalidade piorada é passageira. A humanidade terá atravessado um período excepcional de meses ou anos, como aconteceu em outras pandemias, ou durante guerras. Já a velocidade das soluções vai depender da criatividade de governos e sociedades, da ciência e da tecnologia, da cooperação internacional, de medidas governamentais, de iniciativas privadas, coletivas e individuais. Acho que nem tudo vai mudar para pior, algumas oportunidades se abrem: tendências promissoras que já se percebiam antes da pandemia podem se reforçar.”

Está previsto, até o final de setembro, mais 1 episódio, sempre apresentado às quartas-feiras. Todos os podcasts gravados ficarão disponíveis no site da Academia, assim como nas plataformas de streaming Spotify, Apple Podcasts, Deezer e Castbox.

21/09/2020

https://www.academia.org.br/noticias/pandemia-e-o-velho-anormal-e-o-tema-da-proxima-conferencia-do-ciclo-de-podcasts-intitulado

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

NA PRESENTE PANDEMIA, A MÃO DE DEUS CASTIGA? – Luiz Sérgio Solimeo

31 de julho de 2020

Jesus Cristo expulsa os vendilhões do Templo – Giotto di Bondone, séc. XIV. Capella degli Scrovegni, Pádua.

 Luiz Sérgio Solimeo

 Para alguns altos prelados, Deus jamais castiga. Dizer que o flagelo da atual pandemia possa ser um castigo divino seria, para eles, uma coisa pagã. Foi o que declarou em recente entrevista Dom Mario Delpini, atual sucessor de São Carlos Borromeu na arquidiocese de Milão. O repórter perguntou-lhe se “devemos implorar a Deus por socorro porque, como dizem alguns pregadores, é Ele quem envia o flagelo do vírus”. A resposta do arcebispo foi surpreendente: “Essas são teorias sobre Deus, que eu não sei de onde veem, e que não compartilho. A oração agora não pretende pedir a Deus que remova um castigo que Ele mesmo enviou; nós não temos um Deus irado que deve ser acalmado. Para mim, isso parece uma concepção muito pagã”.1

O Cardeal Antônio Marto, bispo de Leiria-Fátima, Portugal, se pronunciou do mesmo modo. Questionado se concordava com os padres, e mesmo cardeais, que alegavam ser o coronavírus um castigo de Deus, ele respondeu, em flagrante contraste com a mensagem de Fátima: “Isso não é cristão. Só o diz quem não tem na sua mente ou no seu coração, por ignorância, fanatismo sectário ou loucura, a verdadeira imagem de Deus Amor e Misericórdia revelada em Cristo”.2

Outro prelado, o Cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago, também parece dar pouco valor à oração durante uma pandemia. Com relação ao desejo de alguns fiéis, de que as missas sejam permitidas aos fiéis nas igrejas, ele comentou: “Religião não é mágica, onde apenas fazemos orações e pensamos que as coisas vão mudar. Deus nos deu um cérebro e o dom da inteligência, e temos que usá-los neste momento”.3

O Pe. Raniero Cantalamessa, OFMCap. [foto abaixo], Pregador da Casa Pontifícia desde 1980, também negou, em sermão na noite da Sexta-Feira Santa na Basílica de São Pedro vazia, que a atual pandemia pudesse ser um castigo de Deus: “Deus é nosso aliado, não o aliado do vírus! […] Se esses flagelos fossem castigos de Deus, seria inexplicável, por que eles atingem bons e maus; e porque, geralmente, os pobres sofrem as maiores consequências. São eles mais pecadores que outros?”.4

Não existem razões para uma punição?

Como podem esses eclesiásticos ter tanta certeza de que a pandemia de coronavírus não é uma manifestação da ira de Deus, pelos muitos pecados hodiernos? E certeza também de que não é um castigo ou um aviso de Deus?

A apostasia impressionante da sociedade moderna, em relação à verdade do Evangelho, leva muitos a se perguntarem se Deus não está enviando uma mensagem à humanidade por meio do coronavírus. Ele poderia estar dizendo: “Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te” (Apoc. 3,19).5

Poderia Deus estar mostrando Seu supremo descontentamento com a amoralidade, a libertinagem, a perda de fé e o pecado hoje reinantes?

Se considerarmos apenas o aborto voluntário, por exemplo, não poderia a pandemia ser um castigo divino pelo sangue de milhões de vítimas inocentes, que sobe ao Céu clamando a Deus por justiça? “Eles derramaram o sangue dos santos como água ao redor de Jerusalém. E não houve quem os sepultasse. Vinga, ó Senhor, o sangue dos Teus santos, que foi derramado sobre a terra”.6

As declarações dos eclesiásticos acima mencionados resultam de uma falsa noção da misericórdia e justiça divinas, e estão em contradição com a doutrina católica e a Tradição. Por isso parece oportuno relembrar alguns pontos doutrinários e responder a algumas objeções.

“Se a pandemia de coronavírus pode ser explicada cientificamente, não pode ser uma intervenção divina”.

Esta é a objeção usual à intervenção de Deus. Se a ciência pode explicar a natureza e as consequências do coronavírus (SARS-Cov-2), não haveria necessidade de considerar a intervenção divina. Entretanto, embora a ciência positiva possa explicar a mecânica dos desastres naturais, ela não explica seu significado transcendente.

Excluir qualquer intenção divina nos eventos, seria negar que “todas as coisas, na medida em que participam da existência, devem igualmente estar sujeitas à providência divina”.7 Caso contrário, Deus teria feito a criação sem fim e propósito, portanto não seria sábio; ou então Ele seria incapaz de intervir em sua própria criação, portanto não seria onipotente. Mas isso equivaleria a negar sua existência, pois a simples possibilidade de um Deus imperfeito contradiz a própria noção de Deus. Ou Ele é um Ser absolutamente perfeito, ou o próprio conceito de Deus não faz sentido.

Toda a Criação está sob o poder do governo divino, e sujeita aos sábios desígnios de Deus. [Foto: Frederico Viotti / Vitral da igreja de São Sulpício, Fougeres (França)].

 Nada na criação escapa ao governo de Deus

De fato, Deus não apenas criou todos os seres por meio de um ato soberano de sua divina Vontade, mas os sustenta na existência e os guia para o fim para o qual os criou, a saber, Sua glória extrínseca, sem entretanto tirar a liberdade das criaturas racionais. Em outras palavras, toda a Criação está sob o poder do governo divino, e sujeita aos sábios desígnios de Deus. Como ensina São Tomás de Aquino:

“Deus é governador e causa dos seres; pois a Ele pertence produzi-los e dar-lhes a perfeição, o que tudo é próprio de quem governa. Ora, Deus é, não a causa particular de um gênero de seres, mas a causa universal, da totalidade dos seres. Por onde, assim como nada pode existir sem ser criado por Deus, assim também nada há que lhe possa escapar ao governo. […] Por onde, como nada pode haver que não se ordene à bondade divina como fim, segundo do sobredito se colhe, impossível é a qualquer ser subtrair-se ao governo divino”.8

São Tomás explica ainda que, embora esse governo divino seja direto e imediato do ponto de vista do desígnio, isso não significa que Deus não possa usar meios secundários para a execução final de seus planos. Consequentemente, Ele pode usar os anjos ou até homens para intervir na História. Ele pode usar as forças naturais e as leis físicas, que são derivadas da natureza dos seres quando Ele os criou, e seus relacionamentos entre si.9

No entanto, apenas porque Deus normalmente se utiliza dessas causas secundárias para executar seus planos, isso não significa que Ele não esteja direcionando, de maneira superior, todas as coisas para o seu verdadeiro propósito, que é a sua glória. Deus geralmente age na História sem suspender as leis da natureza, mas orientando-as na obtenção de resultados específicos. Por exemplo, quando o Profeta Elias orou pedindo pela chuva em Israel, que estava sofrendo com uma seca terrível, Deus fez com que muitas nuvens se juntassem e chovesse fortemente (1 Reis 18, 41-45). Em outras ocasiões Ele suspendeu as leis da natureza, como, por exemplo, quando os israelitas cruzaram o Mar Vermelho (Ex 14, 16).

De fato, a perfeição absoluta de Deus exige que Ele aja continuamente na História. Isto é abundantemente confirmado pelas Sagradas Escrituras e pelos escritos dos Padres e Doutores da Igreja. Portanto, ao analisar a atual catástrofe, o governo de Deus no mundo deve ser levado em consideração.

● “Deus é a própria bondade, portanto, jamais castiga os homens”.

Esta é outra objeção comum ao castigo divino. No entanto, se levada à sua consequência lógica e última, negaria o dogma da existência do inferno.

Visto que Deus é o Ser absolutamente perfeito e a causa de toda perfeição, Ele deve ter em Si todas as perfeições possíveis.10 Assim, Ele não é apenas infinitamente bom e misericordioso, mas também infinitamente justo.

Deus reserva a recompensa ou o castigo final e definitivo para a outra vida, como pode ser visto na parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-30). Mas Ele também castiga nesta Terra. Esta verdade é formalmente encontrada nas Sagradas Escrituras. Alguns exemplos são as pragas do Egito (Ex 7-8), o dilúvio (Gen. 6-8), a destruição de Sodoma e Gomorra (Gen. 19) e a destruição de Jerusalém (Mt 24, 1-2).

Deus julga e castiga os homens, e cada um individualmente

Estátua de Carlos Magno. São Paulo afirma que a “autoridade [terrena] está a serviço de Deus, […] não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal” (Rom. 13, 4).

Além disso, São Paulo afirma que a “autoridade [terrena] está a serviço de Deus, […] não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal” (Rom. 13, 4). Mas, como é evidente, nenhuma autoridade humana poderia ser um ministro ou agente da justiça divina, se o próprio Deus não aplicasse o castigo terrestre.

Segundo o Apóstolo, o homem não pode escapar à justiça divina, seja nesta vida ou na próxima: “Tu, ó homem […] pensas que escaparás ao juízo de Deus? […] Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal” (Rom. 2, 2-8).

Deus é misericordioso. Mas “sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 50), proclama a Santíssima Virgem no Magnificat.

“Como a calamidade afetou tanto os bons quanto os maus, não pode ser um castigo divino — Deus jamais castigaria o bom”.

Para tratar adequadamente desta objeção, cumpre primeiro relembrar alguns ensinamentos básicos de nossa Fé católica:

a — Deus é o Senhor da vida: a Ele devemos nossa existência; e, assim como Ele livremente nos deu vida, é livre para no-la tirar. Não há injustiça quando Ele o faz, independentemente do estágio da vida, seja a de um bebê, de uma criança, de um adulto em pleno vigor, ou de alguém que atingiu a venerável velhice.

b — A vida e a felicidade eternas, não as terrenas, são nossos objetivos finais: além do mais, nossa vida terrena e a felicidade não são fins em si mesmas. Elas não são a principal razão de nossa existência. São o caminho, o meio para alcançarmos a vida eterna, que é nosso verdadeiro objetivo. Assim, São Paulo nos lembra: “Nós, porém, somos cidadãos dos céus” (Fip. 3, 20). O modo de agir de Deus se torna incompreensível quando perdemos de vista a vida eterna e a felicidade celestial.

c — Deus pune o pecado coletivo coletivamente: quando o pecado se generaliza e é grandemente tolerado, ou cometido por indivíduos muito representativos, ele compromete toda a família, a cidade, a região, a nação, e mesmo épocas históricas. Essa dimensão coletiva torna o pecado particularmente grave e ofensivo a Deus, trazendo como resultado o castigo divino também coletivo. Os bons e os maus sofrem: os primeiros, para se tornarem mais perfeitos; os segundos, como castigo por suas faltas e convite à conversão.

O vulcão Galeras ameaça com a sua erupção a cidade de Pasto, no sul da Colômbia. Foram feitas procissões pedindo a Deus que poupasse a cidade do castigo.

Santo Agostinho explica o castigo coletivo

O grande Santo Agostinho, bispo de Hipona, Doutor e Padre da Igreja, viveu durante as invasões bárbaras que provocaram a queda do Império Romano do Ocidente. De fato, os vândalos estavam assaltando as muralhas da sua cidade quando ele morreu.

Durante esse período conturbado, os romanos pagãos culparam a Igreja pelo colapso do Império e da Civilização. Argumentavam eles que, se o Império não se tivesse tornado cristão, Júpiter e os outros deuses de Roma o teriam salvo da destruição. Acrescentavam ainda que o Deus dos cristãos não era nenhum deus, pois não os havia poupado dos bárbaros.

Santo Agostinho escreveu o livro “A Cidade de Deus” para defender a Igreja e fortalecer a fé nos corações. Nessa sua obra-prima ele explica o motivo dos castigos coletivos. Seu raciocínio pode ser resumido da seguinte forma:

1 — Como as nações como tais não passam para a vida eterna, elas são recompensadas ou castigadas nesta vida pelo bem ou pelo mal que praticam. Os bons e os maus sentem os efeitos da recompensa e do castigo.11

2 — Quanto aos bons, o castigo purifica neles o amor a Deus. Pode até levá-los das tribulações desta vida para a vida eternamente feliz do Céu. “Os bons têm ainda outra razão para sofrer os males temporais. É a mesma de Job: que o homem submeta o seu próprio espírito à prova, e comprove e conheça com que grau de piedade e com que desinteresse ama a Deus”.12

3 — Por outro lado, com frequência os bons são justamente castigados pelo egoísmo, falta de coragem e de zelo apostólico, que os impede de apontar para os maus o desacerto de seus caminhos: “Receiam pôr em perigo e perder a sua integridade e reputação, […] se comprazem nas adulações e temem a opinião pública, os tormentos da carne ou da morte, isto é, por causa dos grilhões de certas paixões e não por causa do dever de caridade”.13

4 — Quanto aos maus, eles são castigados pela “divina Providência que costuma, com guerras, purificar e castigar os costumes corrompidos dos homens”.14

Este é também o ensinamento de Santo Tomás, que afirma: “Justiça e misericórdia aparecem no castigo dos justos neste mundo, uma vez que pelas aflições são limpos de falhas menores, e eles são mais elevados das afeições terrenas a Deus. Da mesma forma, São Gregório diz: ‘Os males que nos pressionam neste mundo nos forçam a ir a Deus’”.15

Nossa Senhora de Fátima: uma advertência profética e maternal

Em 1917, Maria Santíssima apareceu em Fátima para advertir que, se o mundo não se convertesse e não fizesse penitência, seria castigado: “Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. […] Espalhará [a Rússia] seus erros pelo mundo […]; os bons serão martirizados, […] várias nações serão aniquiladas”.16

Independentemente de as causas da pandemia de coronavírus serem naturais ou provocadas pelo homem, não podemos excluir os sábios e insondáveis desígnios da Divina Providência. Pelo contrário, por todas as razões expostas acima, e de maneira particular pela mensagem de Nossa Senhora em Fátima, parece-nos que a prudência exige que consideremos com seriedade a possibilidade de que Deus esteja nos advertindo de nossas falhas e nos conclamando ao arrependimento.

Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão.17 No entanto, se o mundo não atender ao chamado de conversão de Nossa Senhora, não ficaremos surpresos se tragédias ainda piores afligirem o mundo — a aniquilação de nações inteiras, por exemplo, como mencionado por Ela em Fátima.

Seja qual for o futuro que nos é reservado, devemos sempre lembrar que Nossa Senhora também predisse em Fátima a conversão definitiva da humanidade e sua vitória: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!”.

Que a série de catástrofes que caíram sobre o nosso País e o mundo nos ajude a levar a sério o chamado maternal de conversão feito por Nossa Senhora, pois existe esta promessa divina: “Sê fiel até a morte, e te darei a coroa da vida” (Apoc. 2, 10).

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Notas:

* Este artigo encontra-se disponível em inglês no link: https://www.tfp.org/is-the-voice-of-god-resounding-in-the-present-pandemic/

Salvatore Cernuzio, “Delpini: Da Pagani Pensare a um Dio Che Manda Flagelli. A Milano Chiese Chiuse Mai ‘”, La Stampa, 16 de março de 2020, https://www.lastampa.it/vatican-insider/it/2020/03/16/news/delpini-da-pagani-pensare-a -un-dio-che-manda-flagelli-a-milano-chiese-chiuse-mai-1.38600147 . (Nossa ênfase).

João Francisco Gomes, “’Ignorância, Fanatismo ou Loucura.’ Cardeal António Marto Crítica Quem Diz Que Pandemia É Castigo de Deus”, Observador, 15 de abril de 2020, https://observador.pt/2020/04/15 / ignorancia-fanatismo-ou-loucura-cardeal-antonio-marto-critica-quem-diz-que-pandemia-e-castigo-de-deus /

Bernie Tafoya, “Cardinal Cupich Prepares For A First-Of-Its-Kind Easter Amid Coronavirus,” WBBM780.radio.com, Apr. 9, 2020, https://wbbm780.radio.com/articles/cardinal-cupich-prepares-for-a-first-of-its-kind-easter.

 Notícias do Vaticano, “O Papa celebra a paixão do Senhor, como o pregador papal reflete na pandemia de Covid-19”, Vatican News, 10 de abril de 2020, https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2020 -04 / papa-francis-paixão-do-senhor-cantalamessa-sermon-coronavirus.html.

As citações bíblicas são da Biblia Ave Maria.

Adaptação do Salmo 78: 3, 9–10, Tracto da Missa dos Santos Inocentes, Mártires, (dia da festa 28 de dezembro) antigo missal romano latino.

São Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, q. 22, a. 2c.

Ibid., Q. 103, a. 5.

Ver Idem, Ibid., a. 6.

Assim, Santo Tomás diz: “Visto que Deus é a causa primeira e eficaz das coisas, as perfeições de todas as coisas devem preexistir em Deus de uma maneira mais eminente”. (I, q. 4 a. 2).

Ver A. Rascol, s.v. “Providence, S. Augustin”, em Vacant-Magenot-Amann, Dictionnaire de Théologie Catholique (Paris: Letouzey et Ané, 1936), vol. 13, col. 963.

Santo Agostinho, A Cidade de Deus, livro I, cap. IX. Tradução de J. Dias Pereira. 2.a Edição. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1996, p. 124.

Ibid.

Ibid., Cap. 1.

São Tomás, Summa Theologica, I, q. 21, a. 4.

Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, Editora Vera Cruz Ltda., 35ª edição, São Paulo, 1993, pp. 46-47.

Terei eu prazer com a morte do malvado? – oráculo do Senhor Javé –. Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva?” Ezequiel 18:23.


 http://www.abim.inf.br/na-presente-pandemia-a-mao-de-deus-castiga/


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quinta-feira, 30 de abril de 2020

BISPO ITALIANO: “6 MILHÕES DE ABORTOS TAMBÉM SÃO UMA PANDEMIA!”


QUARTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2020 - 19:30 - IGNEWS

Legalizar o aborto não o torna moralmente aceitável, afirma dom Alberto Maria Careggio

Dom Alberto Maria Careggio, bispo emérito da diocese italiana de Ventimiglia e Sanremo, afirmou que os 6 milhões de abortos legalizados que são perpetrados por ano em todo o planeta também são uma pandemia a ser combatida.O site da diocese publicou um artigo em que dom Alberto declara:

“Quanto tempo vai durar a pandemia do coronavírus não é possível saber, nem durante quantos dias ainda teremos que ouvir o boletim das mortes, dos infectados e dos recuperados. E se o mesmo fosse feito em relação aos mais de 6 milhões de abortos legalizados em todo o mundo? Essa também é uma pandemia, que mata a consciência daqueles que a praticam e a dos governantes que, ao legislar, pretendem eliminar o horror do assassinato.

Legalizar não significa de modo algum moralizar uma ação que é contra a vida: dizem popularmente que o aborto clama por vingança diante de Deus – e é isso mesmo!

O heroísmo de todos aqueles que fazem o possível para salvar a vida dos outros arriscando a própria é mais edificante. O mal não tem a última palavra. Da catástrofe e dos escombros desta pandemia devemos esperar o despertar desses valores humanos e cristãos de amor e solidariedade, de altruísmo e generosidade, de compaixão e ternura, adormecidos, mas não desaparecidos: são e continuam sendo a marca da mão de Deus, que quis criar o homem à Sua imagem e semelhança”.

Fonte: Redação da Aleteia  https://pt.aleteia.org 


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quinta-feira, 2 de abril de 2020

EPIDEMIAS E PANDEMIAS, ONTEM E HOJE – Carlos Sodré Lanna


31 de março de 2020

Carlos Sodré Lanna

As palavras que distinguem as várias amplitudes das epidemias são oriundas do grego. Endemia é uma doença contagiosa que atinge grande número de pessoas de uma região. Epidemia tem caráter transitório e atinge uma ou mais localidades. Pandemia é uma epidemia que se propaga em uma área geográfica internacional, afetando parte da população mundial.

Da Antiguidade até os nossos dias, as epidemias e pandemias foram quase tão comuns como as guerras e os conflitos políticos. Os registros mais antigos remontam ao século V a.C., por ocasião da guerra do Peloponeso. São pouco conhecidas várias epidemias, sobretudo de populações colonizadas pelos europeus nas regiões da América e da África.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), de franca orientação esquerdista, é o único órgão credenciado a declarar a existência de uma pandemia. Depois de alguma relutância, esse rótulo já foi aplicado à pandemia do novo Coronavírus, que recebeu o nome de Covid-19.

Essa pandemia vem sobressaltando o mundo inteiro, a ponto de transformar as perspectivas para a vida normal em um “antes e depois”. Muito se tem dito e escrito sobre ela, sobretudo na grande mídia, gerando um sensacionalismo com eco em inúmeros governos. Tudo isso parece obedecer a uma palavra de ordem, e não se pode fugir à impressão de que em algum posto de comando prevalece o desejo de prolongar o seu ciclo.

Para quê? Talvez a fim de testar o grau de preparação da humanidade para aceitar uma nova ordem social. Os primeiros indícios dessa intenção apontam para uma sociedade futura centralizadora, submissa à vigilância onipresente e aos comandos de informática. E já se pode prever também que ela seria diametralmente oposta à civilização cristã. É bom lembrar, a propósito, que a história da humanidade esteve sempre pontuada por doenças infecciosas que espalharam seus tentáculos pelo mundo, e muitas delas alteraram o curso dos acontecimentos.

Indicaremos a seguir algumas outras pandemias, que deixaram impressão duradoura.

1. Praga de Justiniano (541-544)

Um dos sintomas da Praga de Justiniano era a necrose das mãos

Seu nome é uma alusão ao imperador Justiniano I do Império Bizantino, também conhecido como Império Romano do Oriente. Considerada a primeira pandemia da História, ela teve sua origem na Etiópia, de onde se espalhou por todo o império, causando uma das maiores mortandades epidêmicas. Segundo estimativas, 60 milhões de pessoas morreram nesse período. A esse surto de 541 seguiram-se vários outros nos dois séculos seguintes. Assim como a peste bubônica, a de Justiniano também foi causada pela bactéria Yersinia pestis, disseminada por roedores cujas pulgas estavam infectadas com a bactéria. Esses ratos viajavam em navios comerciais ao redor do mundo e faziam circular a infecção, que era transmitida aos seres humanos pela picada de pulgas infectadas. Geneticistas indicam que tal bactéria tem sua origem na China.

2. Peste bubônica (1343-1353)

Conhecida como Peste negra, e também causada pela Yersinia pestis proveniente da Ásia, foi uma doença terrivelmente mortal, que se espalhou por toda a Europa entre os anos 1333-1351, através de ratos infestados de pulgas. Quando chegou à Europa, a peste negra causou grande mortandade, dizimando em poucos meses a metade da população de Florença, na Itália. As infecções se espalhavam pelo sangue e por meio de partículas transportadas pelo ar. Cerca de 80% dos pacientes morriam seis a dez dias após serem infectados. A taxa de mortalidade foi superior a 70%, ceifando a vida de mais de 50 milhões de pessoas em toda a Europa.

Soldados de Fort Riley, Kansas, doentes de gripe espanhola, sendo tratados em uma enfermaria de Camp Funston.

3. Influenza ou gripe espanhola (1918-1920)


“Gazeta de Notícias”, jornal carioca, em 15-10-1918
 A “gripe espanhola”, também chamada pandemia de gripe de 1918, foi uma das mais letais do século XX. Mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pelas três ondas dessa epidemia. O número de mortos é estimado em 50 milhões, em dois anos de expansão do influenzavirus (H1N1), sendo a segunda ocorrida em 2009.

Essa pandemia recebeu o nome de “gripe espanhola”, mas, apesar de atingir fortemente a Espanha — acometendo até mesmo o rei Afonso XIII —, alguns epidemiológicos afirmam que ela surgiu num hospital de campanha no norte da França; outros estudiosos, como o historiador Alfred W. Crosby, garantem que teve origem em Kansas (EUA), num campo de treinamento de tropas destinadas ao front da Primeira Guerra Mundial; outros ainda especulam que ela originou na China, como defendeu o Prof. Claude Hannoun, o principal especialista em gripe espanhola do Instituto Pasteur.

Doentes da gripe espanhola numa enfermaria do Rio em 1918 
Seja como for, tal pandemia se espalhou pela Europa e Estados Unidos, antes de alastrar-se pela Ásia e outras partes do mundo. No Brasil (então contando com apenas 30 milhões de habitantes), aproximadamente 30 mil pessoas morreram da “gripe espanhola” — vitimando inclusive o então presidente eleito, Rodrigues Alves. Durante esse período não houve nenhum medicamento ou vacina capaz de combater essa gripe mortal, o que resultou no fechamento completo das cidades.

4. Vírus Ebola (descoberto em 1976)

No Congo, senhora atingida pelo ebola sendo levada para isolamento

O vírus da doença infecciosa Ebola foi descoberto no fim da década de 70. Seus sintomas mais comuns são dor de garganta, dores musculares, vômitos, diarreia, sangramentos internos e externos. Matou mais de 11.000 pessoas, e sua simples lembrança ainda hoje causa arrepios. Sua origem é atribuída ao morcego-da-fruta que propaga o vírus. Propaga-se pelo contato com fluidos corporais, como saliva, e também por sangue humano ou de outros animais infectados. A epidemia originou-se na África, primeiramente numa região do Sudão e no Zaire (atual República Democrática do Congo) e se espalhou para Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Tem alta taxa de mortalidade, que atinge quase a metade das pessoas que infecta. Demorou dois anos para ser vencido, e suas conseqüências ainda preocuparam o mundo.

5. AIDS – HIV (de 1981 até os presentes dias)

Vítima da AIDS em 1989

         A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência adquirida — em inglês: Acquired immunodeficiency syndrome) é uma doença infecto-contagiosa que ataca o sistema imunológico. Transmite-se por fluidos corporais, e se espalhou por relações sexuais e agulhas infectadas por usuários de drogas. Desde que foi identificado em 1981, o HIV (vírus causador da AIDS) foi classificado como um dos problemas de saúde mais graves do mundo, pois ainda não se encontrou sua cura. No mundo, contraíram AIDS cerca de 75 milhões de pessoas, das quais cerca de 35 milhões morreram, aproximadamente 40 milhões de pessoas vivem hoje com o vírus. Segundo vários cientistas, o vírus passou dos primatas aos humanos.

6. Outras pandemias pelo mundo

Dezenas de outras epidemias poderiam ser citadas. Por questão de espaço, limitamo-nos a enumerar algumas das mais conhecidas: praga de Atenas (429 a.C.); peste de Antonino (165 a.C.); epidemia de Cocoliztli, no México (1545); grande praga de Milão (1629); grande praga de Londres (1664); gripe de Marselha (1720); pandemia de cólera (1846); gripe russa (1889); poliomielite (1908); gripe asiática (1956); gripe de Hong Kong (1968); surto do SARS (2002); gripe suína (2009).



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