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domingo, 29 de setembro de 2019

TRANSFORME-SE EM UM JARRO! - Antonio Nunes de Souza


Nosso poder de concentração mental tem, seguramente, a capacidade de transformar nossos pensamentos, cérebros e corações, dirigindo-nos para os lados e caminhos que mais nos aprazem, enfeitando melhor nossas vidas, ajudando a termos coragem, perseverança, fé e confiança que dias melhores virão!

Parece em princípio, mais uma das normais ladainhas que ouvimos, lemos e vemos espalhadas pelas esquinas, mas, nesse nosso caso, estou atendo-me a chegada da nossa querida “Primavera”, estação das mais belas que, carinhosamente, nos rodeia de lindas flores, embelezando os jardins, ornamentando nossas paisagens e, consequentemente, nos revitalizando para enfrentarmos a convivência brutal dessa vida louca que vivemos, onde, pelas podres atitudes animalescas, cotidianamente, somos transformados em grandes latas de lixo, para, obrigatoriamente, recebermos tristemente os atos e fatos dos mais absurdos possíveis!

Chegamos ao ponto mais crítico de termos que, obrigatoriamente, em nossas salas estarmos assistindo atentados, guerras, decapitações, crimes e roubas, como se essas barbaridades fossem naturais e banais entre os seres humanos. Se, com esforços e tristezas, conseguimos nos capacitar a tolerar por falta de opções tais assuntos, nos fazendo de lixões, por que não, com a chegada da “Primavera”, não nos transformamos em lindos jarros para acolher a grande diversidade de cores das suas belíssimas flores?

Tenhamos todos a consciência e paixão efetiva e afetiva, mostrando ao mundo, ou, mesmo que seja apenas em nossa volta, que podemos, queremos e desejamos um mundo bem melhor, onde exista não só o respeito humano, como também a valorização da natureza!

Transforme-se em um jarro, ou no mínimo uma tulipa, mas, não deixe de acolher as flores que perfumam e enfeitam esse mundo que Deus criou e nos entregou com muito carinho e amor!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (150)


26º Domingo do Tempo Comum – 29/09/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 16,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado.
Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado.
Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’.
Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’
O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’.
Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Prof. Felipe Aquino:

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A indiferença cria abismos

“E, além disso, há um grande abismo entre nós”. (Lc 16,26)

O Evangelho deste domingo volta a tratar do tema das riquezas com a parábola do rico Epulón e o pobre Lázaro. Uma parábola desconcertante e inquietante porque nos situa frente a uma cena que sacode o coração, pois concentra, em uma só imagem, a realidade presente em nosso mundo: o abismo entre ricos e pobres. Existe a injustiça, existe a humilhação e a indiferença para com os menos favorecidos; existe o esbanjamento de uns frente à miséria de outros. E isto acontece também entre nós, comunidades e famílias cristãs. 

Há muitos aspectos da riqueza que podem ser injustos e nocivos; mas nesta parábola Jesus critica a indiferença do rico diante do sofrimento do pobre que está próximo, à porta. Jesus nos previne contra essa tendência a evitar que os problemas alheios perturbem nossa “zona de conforto”.

O pobre necessitado não é alguém que possamos escolher; ele aparece junto à porta de nossas vidas...

Assim, pois, estamos diante de um texto duplamente perturbador: ele nos deixa inquietos ante a humilhante situação inicial do pobre, coberto de chagas e com vontade de saciar-se das migalhas que caiam da mesa do rico; e diante do destino último do rico, que gritava para que Lázaro lhe refrescasse a língua porque as chamas o torturavam.

Se tivéssemos que escolher uma palavra que fosse a chave de leitura da parábola deste domingo, essa palavra seria “abismo”. E se pudéssemos nomear a atitude denunciada na mesma parábola, essa seria “indiferença”.

Experimentamos um grande pecado de raiz, que a todos nos envenena: a cultura da indiferença. Questões gerais, comuns a grande número de pessoas, não nos provocam e nem nos movem para além de nossos umbigos. Também os problemas dos outros não nos dizem respeito. E se há fome e sofrimento ao nosso redor, isso não nos inquieta. A maldade, a violência, as mortes, as perseguições e escravidões não nos afetam mais. E vivemos como se nada disso tivesse relação conosco. Não choramos mais as dores do mundo que construímos e ao qual pertencemos. E o caos que enfrentamos em nossa sociedade nos deixa sem horizontes e perspectivas de futuro. Sentindo que tudo vai muito mal, anestesiamos nossa sensibilidade e entramos num estado de apatia e indiferença para com o mundo, as coisas e as pessoas.

A indiferença é cruel. Ela edifica uma barreira instransponível entre grupos, classes sociais, ideologias, religiões... Tornamo-nos uma ilha sem vida e triste, negamos a condição criatural de vivermos ao lado dos diferentes, nossos semelhantes. Em nós, a indiferença é sintoma de desumanização. E essa desumanização é tanto prejudicial a nós quanto às outras pessoas. Todo mundo perde. Aos poucos, nos recolhemos em nossos medos, em nossas inseguranças e começamos a acreditar que os diferentes são nossos inimigos. Da indiferença passamos aos discursos fascistas, às práticas fundamentalistas, à segregação... 

“Os cristãos devem ser ilhas de compaixão num mar de indiferença”.

O grau de humanidade (ou de indiferença) de nosso mundo se mede pelo grau de sensibilidade diante da dor humana. E é a compaixão a melhor expressão dessa sensibilidade e humanidade: deixar-nos afetar pelo que acontece – ou seja, ter uma sensibilidade limpa, desbloqueada e vibrante.

Definitivamente, a compaixão é central para sermos humanos. O sofrimento das vítimas nos “descentra” e nos faz “descer com paixão” aos seus pés e nos situar ao lado (a favor) delas. Sempre podemos fazer a “travessia para o outro lado”. Ali é onde se abrem espaços à compaixão.

Esta compaixão não é meramente um sentimento privativo, mas reação “apaixonada” diante das injustiças sangrentas de nosso mundo. Nos sofredores há algo que atrai e convoca, que nos faz sair de dentro de nós mesmos e nos tornar próximos deles; aí reside a origem da solidariedade que suscita uma ação eficaz e um compromisso de vida a favor de quem é vítima de situações injustas.

Não resta dúvida que o sentimento nuclear do evangelho, o eixo ao redor do qual tudo gira, é a compaixão. Na sua missão, Jesus sempre se mostrou um homem compassivo, que revelou um Deus Compaixão e que, como consequência, nos convida a viver essa mesma atitude: “Sede compassivos como vosso Pai é compassivo” (Lc 6,36).

Expressão de fraternidade e vivida como serviço, a compaixão é a capacidade de situar-se no lugar do outro, sentir e sofrer com ele. É provavelmente o máximo sinal de maturidade humana e todas as tradições espirituais reconhecem isso. No budismo, especialmente, se afirma que, enquanto alguém não for capaz de colocar-se no lugar do outro, não poderá alcançar a iluminação.

Se a compaixão constitui a coluna central do evangelho, não causa estranheza que as denúncias mais fortes de Jesus são dirigidas contra a atitude de indiferença. É o que Ele revela na parábola deste domingo, onde a indiferença é retratada na atitude do rico epulón, que não causa dano ao pobre Lázaro, mas é incapaz de abrir a porta de sua casa e deixar-se afetar pela situação miserável dele.

Aqui, a chave de compreensão da parábola é encontrada na expressão “um grande abismo”. Um abismo que, não só se faz intransponível depois da morte, mas que foi alimentado exclusivamente pela indiferença do rico. Não tinha feito mal ao pobre; simplesmente, não tinha visto aquela pessoa necessitada de suas migalhas para saciar sua fome. É esse “não ver” que cria um abismo profundo em nossas relações pessoais, em nossos países e em nosso mundo.

Há uma “massa sobrante” que se torna “invisível” porque nossa sensibilidade está bloqueada ou petrificada, fechando-nos em um caracol egocêntrico e instalando-nos na indiferença, que está na origem das injustiças e violências que diariamente ferem o nosso mundo.

Vivemos tempos de “globalização da indiferença”, ou seja, a indiferença está se convertendo em um fenômeno mundial. É uma mancha de óleo que invadiu todos os ambientes, é um som desagradável que molesta todos os ouvidos, é um comportamento nefasto que se espalhou como pólvora, é um péssimo modo de proceder que se converteu em denominador comum de toda a humanidade.

Nós, seguidores(as) de Jesus, precisamos vigiar se não quisermos cair na tentação da indiferença. Costumeiramente, tendemos ao conformismo. A cultura da indiferença é fortalecida toda vez que deixamos de acreditar que a realidade pode e deve ser diferente. Não podemos nos dar por vencidos acreditando que estamos no fim, que nossas forças já se esgotaram, que não há mais sentido para lutar.

O primeiro convite que nos faz a parábola deste domingo é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. Sempre é tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós o encontra no próprio caminho. Cada vida que se cruza conosco é um dom e merece aceitação, cuidado, amor.

Nesse sentido, “amar é abrir a porta”. 

Texto bíblico:  Lc 16,19-31

Na oração: É possível superar os tempos sombrios que estamos vivendo, não nos deixando dominar pela indiferença, alimentando a capacidade de nos indignar, compadecer e afetar pela situação do outro. Que a dor, a injustiça, a morte, a fome, a mentira, o futuro não nos seja indiferente.
- Quê lugar ocupa a “compaixão” em sua vida interior, em seu compromisso diário, no horizonte de sua vida, nos encontros cotidianos? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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sábado, 28 de setembro de 2019

GRANDES MILAGRES OPERADOS PELO PADRE PIO - Plinio Maria Solimeo


27 de setembro de 2019 
O santo chegou a deter o percurso de aviões durante a II Guerra Mundial, que bombardeariam sua cidade
Plinio Maria Solimeo
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O Padre Pio de Pietrelcina já era mundialmente famoso antes mesmo de sua morte, ocorrida em 23 de setembro de 1978, e de sua canonização por João Paulo II no dia 16 de junho de 2002. Com efeito, muita gente já o considerava santo em vida por causa de seus muitos carismas e dons espirituais, entre os quais o da bilocação, levitação, de operar curas milagrosas e, sobretudo, por ter recebido de Nosso Senhor Cristo Jesus os estigmas da Paixão.

Por isso multidões acorriam a San Giovanni Rotondo (pequena cidade italiana da região da Puglia – Foto abaixo), onde ele vivia, para vê-lo, assistir sua Missa e, se possível, ser atendido por ele em confissão.
Impede aviões de bombardearem sua cidade

Vista da cidade

Hoje apresentamos quatro extraordinários milagres ocorridos com ele, entre os quais o de parar aviões na II Guerra Mundial, impedindo-os de bombardear sua cidade.
Esse fato insofismável é relatado pelo Pe. Damaso di Sant’Elia, superior do convento de Pianisi (Itália), na Positio — isto é, no documento oficial utilizado no processo de um Servo de Deus no caminho de beatificação e canonização – ecitado pelo site católico Aletéia, em português[i]. Portanto, provém de fonte segura.

Eis o que o Pe. Damaso narrou na Positio“Vários pilotos, da aviação britânica e norte-americana, e de várias nacionalidades e religiões diversas que, durante a II Guerra Mundial, depois de 8 de setembro de 1943, estavam na área de Bari para cumprir missões em território italiano, foram testemunhas de um fato fora do normal. No cumprimento de suas obrigações, alguns aviadores passaram pela região de Gargano, perto de San Giovanni Rotondo, e viram um ‘monge’ no céu que lhes proibia lançar bombas no local.”
 Casa natal do Padre Pio
Ora, isso circulou muito nos meios militares, o que fez com que “o general da Força Aérea Italiana, Bernardo Rossini, que na época fazia parte do Comando de Unidade Aérea junto com as forças aliadas, quis certificar-se por si mesmo do alegado fato. O general Rossini me referiu que, entre os militares, falava-se de um ‘monge’ que aparecia no céu e fazia os aviões se retirarem. Muitos riam incrédulos diante dessas histórias mas, devido à ocorrência repetida dos episódios, e sempre com diferentes pilotos, o general decidiu intervir pessoalmente: assumiu o comando de uma esquadrilha de bombardeiros para destruir um depósito alemão de munições que ficava justamente em San Giovanni Rotondo. […] Quando a esquadrilha retornou, fomos de imediato encontrar o general que, atônito, contou que, logo ao chegar ao local, tanto ele quanto seus pilotos, viram no céu a figura do ‘monge’ com as mãos elevadas; as bombas se desprendiam sozinhas, e caíam num bosque; e os aviões deram a volta sem qualquer intervenção dos pilotos. Todos se perguntavam quem era aquele ‘fantasma’ a quem os aviões obedeciam.
“o general da Força Aérea Italiana, Bernardo Rossini, que na época fazia parte do Comando de Unidade Aérea junto com as forças aliadas, quis certificar-se por si mesmo do alegado fato. O general Rossini me referiu que, entre os militares, falava-se de um ‘monge’ que aparecia no céu e fazia os aviões se retirarem. Muitos riam incrédulos diante dessas histórias mas, devido à ocorrência repetida dos episódios, e sempre com diferentes pilotos, o general decidiu intervir pessoalmente: assumiu o comando de uma esquadrilha de bombardeiros para destruir um depósito alemão de munições que ficava justamente em San Giovanni Rotondo. […] Quando a esquadrilha retornou, fomos de imediato encontrar o general que, atônito, contou que, logo ao chegar ao local, tanto ele quanto seus pilotos, viram no céu a figura do ‘monge’ com as mãos elevadas; as bombas se desprendiam sozinhas, e caíam num bosque; e os aviões deram a volta sem qualquer intervenção dos pilotos. Todos se perguntavam quem era aquele ‘fantasma’ a quem os aviões obedeciam.
“Ao ouvir dizer que em San Giovanni Rotondo havia um frade com estigmas, considerado santo pela comunidade, o general pensou que talvez fosse ele o ‘monge’ visto no céu e resolveu comprovar pessoalmente assim que fosse possível. Quando a guerra acabou, foi esta a primeira coisa que fez. Acompanhado de alguns pilotos, foi até o convento dos capuchinhos e, ao cruzar o limiar da sacristia, viu-se diante de vários frades, entre os quais reconheceu imediatamente aquele que tinha parado os seus aviões.
“O Padre Pio se aproximou e, colocando a mão sobre seu ombro, disse: ‘Então era o Sr. que queria matar a todos nós?’. O general se ajoelhou diante do Padre Pio que, como de costume, tinha lhe falado no dialeto de Benevento. O general, no entanto, tinha certeza de que o ‘monge’ lhe falara em inglês. Os dois se tornaram amigos e o general, que era protestante, se converteu ao catolicismo”.
Cura um câncer terminal e converte ortodoxos
Entre os incontáveis milagres atribuídos a São Padre Pio, está o da cura de um câncer terminal e a subsequente conversão à fé católica de toda uma paróquia de greco-cismáticos da Romênia.
O fato ocorreu em 2002. Lucrécia, mãe do sacerdote ortodoxo Victor Tudor, foi diagnosticada com um câncer no pulmão, já em metástase, pelo que lhe davam poucos meses de vida. Outro de seus filhos, Mariano, que era pintor especializado em iconografia, morava em Roma e quis que a mãe fosse atendida lá por um médico italiano.
Lucrécia viajou então para Roma. Entretanto, o médico que a examinou disse que no caso dela, pouca coisa podia fazer. Pediu, entretanto, mais alguns exames, mas alertou que só podia receitar alguns remédios para aliviar suas dores.
Em sua estadia em Roma junto ao filho, Lucrécia, para não ficar só, começou a acompanhá-lo a uma igreja católica, onde Mariano produzia um mosaico. Enquanto o filho trabalhava, ela ficava contemplando a igreja e as imagens.
Foi assim que descobriu, num canto do templo, uma imagem que chamou sua atenção. Era a do Padre Pio. Mariano lhe contou brevemente a história do santo de Pietrelcina e dos inúmeros milagres atribuídos a ele.
Ocorreu então que, nos dias seguintes, notou que a mãe passava boa parte do tempo sentada em frente à imagem do santo, “conversando” com ele, como se falasse com uma pessoa. Mais especificamente, pedia ao taumaturgo que a curasse de sua terrível enfermidade.
Qual não foi a surpresa de ambos quando, duas semanas depois, mãe e filho foram ao hospital para novo exame, e constataram que o câncer terminal tinha desaparecido completamente!
Mas o milagre não parou aí. A cura chamou a atenção do filho, Pe. Victor, que até então nada conhecia do Padre Pio. Começou então a admirá-lo imensamente e ler sobre ele.
Fez mais: contou o milagre aos seus paroquianos. “Todos conheciam minha mãe, sabiam que ela tinha ido à Itália para tentar uma operação, e que voltou para casa curada, sem que nenhum médico a tivesse operado”.
Isso levou toda a comunidade ortodoxa da paróquia a procurar conhecer e amar cada vez mais o Padre Pio. Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. A santidade dele nos conquistava”, diz o Pe. Victor.
O que levou outros enfermos da paróquia a recorreram ao Padre Pio, e a receberem também graças extraordinárias por sua intercessão. Desse modo, os quase 350 paroquianos, juntamente com seu pároco ortodoxo, decidiram se tornar católicos. Eles hoje pertencem ao rito greco-católico da Romênia e, embora suas vidas tenham sido transformadas, ainda precisam enfrentar grandes provas de fé.
Em entrevista à TV Padre Pio, o pároco relata que ele e sua paróquia passaram por “inúmeras dificuldades”, inclusive políticas e até policiais, quando resolveram se tornar católicos num país ortodoxo com passado comunista. Mas os novos católicos não só não desanimaram, como ainda começaram a construir uma igreja dedicada ao Padre Pio. Para isso enfrentaram novos desafios de todo tipo, financeiros a burocráticos, além de não terem durante a construção uma igreja onde celebrar os Santos Mistérios. Tiveram mesmo que celebrar a missa na rua, sob as gélidas temperaturas do inverno.
O Pe. Victor recorreu novamente a Roma para pedir ajuda, e relatou a um bispo as dificuldades que enfrentava, quando o prelado lhe perguntou: “Quem será o padroeiro da sua igreja?”. Ao ouvir que seria o Padre Pio, o bispo sorriu e o tranquilizou, dizendo: “O próprio Padre Pio vai fazer essa igreja”.
Em 1959, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima visitou a cidade de San Giovanni Rotondo. Nesta ocasião, o Padre Pio rezou diante da imagem e ofereceu-lhe um terço de ouro [na foto, Padre Pio colocando o terço nas mãos da imagem].
Curado por Nossa Senhora de Fátima
O outro fato ocorreu com o próprio Padre Pio. Ele era muito devoto de Nossa Senhora de Fátima, recorrendo a Ela com frequência. Ora, em abril de 1959, quando estava com 72 anos de idade, foi atacado por uma pleurisia tão grave, que teve de parar de ouvir confissões, de dar a bênção do Santíssimo Sacramento, e até de celebrar o Santo Sacrifício. A doença piorou muito em maio.
Foi então que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima chegou à Itália, começando a percorrer algumas localidades. O Padre Pio não estava em condições para acompanhar a peregrinação. Entretanto, ocorreu uma providencial mudança de planejamento, que fez com que a imagem fosse levada exatamente a San Giovanni Rotondo.
Desse modo, apesar de bastante debilitado, pôde o Padre Pio, no dia 6 de agosto desse ano de 1959, ir até a igreja para venerar Nossa Senhora de Fátima. Sentado diante dela, rezou um rosário, e osculou os pés da imagem.
             Sucedeu então outro fato inesperado: à tarde, quando o helicóptero que levava a imagem peregrina levantou voo para se dirigir a outra localidade, deu três voltas imprevistas sobre o convento do Padre Pio. O piloto afirmou depois que não sabe explicar por que fez isso.
            Alegre com o ocorrido, o santo de Pietrelcina rezou: Ó minha Mãe, quando vieste à Itália, me encontraste com esta doença. Vieste para me visitar aqui em San Giovanni, e me encontraste ainda sofrendo com ela. Agora estás de partida, e eu não fiquei livre da minha doença!” Nesse instante, subitamente sentiu um arrepio seguido da sensação de calor e bem-estar, e exclamou: “Estou curado! Nossa Senhora me curou!”.
Quis assim a Santíssima Virgem premiar seu filho dileto cuja devoção a Ela era sem limites. Ele rezava os 15 mistérios do rosário até 35 vezes por dia, e um de seus conselhos aos peregrinos era:
“Amar Nossa Senhora e rezar o rosário, porque o rosário é a arma contra os males do mundo. O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas. Invoquemos sempre o auxílio de Nossa Senhora!”
Cura do câncer um menino brasileiro
O outro fato miraculoso obtido por intercessão do Santo Padre Pio ocorreu com um menino brasileiro em Corbélia, no Paraná.
A Sra. Greicy Schmitt, mãe do menino miraculado, narra que seu filho Lázaro [Na foto ao lado, em trajes de coroinha na paróquia], em maio de 2017, foi diagnosticado com um câncer maligno (retinoblastoma, ou câncer nos olhos). Um amigo sugeriu a ela que recorresse ao Padre Pio. Ela não o conhecia, mas a família começou a rezar a ele suplicando a cura do menino.
O tratamento durou nove meses, durante o qual o pequeno Lázaro teve que fazer a enucleação do olho esquerdo, e passar por várias sessões de quimioterapia. Quando chegou na última, a Sra. Schmitt fez uma promessa ao Padre Pio pedindo sua proteção, comprometendo-se a dar uma imagem dele ao noviciado de uma irmandade católica, O Caminho.
O Padre Pio não se fez esperar, e o menino foi curado de seu câncer. A mãe comunicou então o milagre no Instagram@opadrepio por Grecy Schmitt, mãe do menino, que hoje vive com a família em Corbélia.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2019/09/23/ha-51-anos-o-padre-pio-partia-desta-vida-relembre-4-dos-seus-incriveis-prodigios.


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RAONI: UMA fábula


"Uma fabula chamada Raoni...

Anita Roddick é o nome de uma dona de casa inglesa que começou a fabricar cosméticos e perfumaria com ingredientes naturais e se transformou em um gigante da indústria de cosméticos com mais de 5 400 lojas em todo mundo THE BODY SHOP

Essa mulher notável e muito adiante do seu tempo como defensora do meio ambiente teve uma desoladora experiência (como ela mesmo descreve em seu livro) no Brasil.

Eram os anos 80 e seu amigo o cantor Sting a convenceu a visitar o Brasil e a Amazônia de onde saía boa parte da matéria prima utilizada nos produtos da Body Shop.

Ao conhecer a Amazônia e as comunidades indígenas ela também foi apresentada pelo Sting ao Cacique Raoni da tribo yannomani de quem o cantor havia recebido uma Cobra Sucuri de presente e que usava pendurada no pescoço em seus shows.

Encantada com toda aquela natureza e após tomar banho pelada no rio Negro em companhia das índias (imagina isso na cabeça de uma inglesa) ela determinou que a sua empresa realizasse doações de 10 milhões de dólares através da ONG Cobra Coral para comprar remédios e instalar ambulatórios e escolas nas comunidades indígenas.

Isso feito após passados alguns meses ela recebeu a solicitação da compra de um segundo avião ambulância no valor de seis milhões de dólares.

Achou o pedido estranho e pediu para sua auditoria verificar a necessidade da aquisição.

Que SURPRESA!

A tal da Fundação Cobra Coral do cacique larápio descobriu que não existia mais um centavo das doações e que o primeiro avião comprado estava apreendido por contrabando e que os índios pilantras estavam todos andando de F1000 e compraram máquinas para garimpo e extração de madeira ilegal das suas reservas chefiados pelo Cacique Bandido Raoni.

Para encurtar a história

Essa mulher que faleceu em 2017 determinou que a Body Shop jamais abrisse uma loja no Brasil por conta da maior decepção da sua vida (O nome é Raoni).

Após o seu falecimento o The Body Shop foi vendido para Natura que então abriu a primeira loja da marca no Brasil.

Se duvidarem é só ler o livro da Anita Roddick.

Está tudo lá!

Uma Vergonha!".


(Recebi via WhatsApp)

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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Medicina preventiva antienvelhecimento



Após uma conferência sobre prevenção do câncer, alguns pontos interessantes surgiram: 


1-Não para óleo refinado.

2- Não a lixos de origem animal (por exemplo, leite ninho).

3- Não para cubos (knorr, maggi, sazon).

4- Não ao consumo dos sucos gaseificados e as diferentes cervejas...  (32 peças de açúcar por litro).

5. Não aos açúcares refinados.

6. Não ao micro-ondas.

7. Não à mamografia, prefira a eco mamária.

8. Não a seios muito apertados, não use sutiã depois de voltar do trabalho.

9. Não ao álcool.

10.Não para reaquecimento de refeições congeladas.

11. Não à conservação de água na geladeira em garrafas de plástico.

12. Todas as pílulas anticoncepcionais não são boas porque alteram o sistema homônimo da mulher e geram câncer.

13. Os desodorantes são perigosos, especialmente roll-on, secos e pós barbear.

14. As mulheres que amamentam são menos propensas a ter câncer de mama do que as que não amamentam.

15. Células cancerosas alimentam-se principalmente açúcar, e todo açúcar é sintético, mesmo marrom.

16. Um paciente com câncer que evita açúcar em sua dieta vê sua doença regredir e pode viver por muito tempo: açúcar = inimigo mortal.

17. Um copo de cerveja permanece 5 horas no corpo e, durante esse tempo, os órgãos do sistema estão funcionando preguiçosamente. 


Diga Sim a: 


1.Legumes

2. Mel em quantidades medidas no lugar do açúcar.

3. Proteínas vegetais, como grãos

4.  Dois copos de água com o estômago vazio antes de escovar os dentes, beba água em temperatura ambiente, evite água muito gelada.

5. Evite refeições reaquecidas.

6. Suco bons para prevenir o câncer: aloé vera (parte gelatinosa da babosa), gengibre, salsa, alho-poró, promalina (parte dura do abacaxi). Bata tudo no liquidificador, misture e beba com o estômago vazio.

7. Coma cenoura ou o suco de cenoura crua ou cozida todos os dias.

Apenas para reforçar esta informação, a Associação de Médicos Americanos deu respostas à causa do câncer:

1.Não beba chá quente em copos de plástico.

2. Não coma nada quente em papel ou plástico.  Evite batatas fritas, melhor assada sem gorduras.

3. Não cozinhe alimentos com micro-ondas usando material plástico. Mais um lembrete: Quando o plástico está em contato com o calor, libera substâncias químicas que podem causar 52 tipos de cânceres. Esta mensagem é melhor do que 100 SMS fúteis. Informe seus entes queridos para se libertar desses efeitos. 

4. Evite beber Coca-Cola, muito menos com abacaxi ou depois de ter comido abacaxi como sobremesa.  Abacaxi com Coca-Cola é mortal! Muitas pessoas estão morrendo com isso e acreditamos erroneamente que foram envenenadas... Eles foram vítimas da ignorância desse coquetel fatal!!! 

...

DICAS IMPORTANTES PARA UMA BOA SAÚDE


 Atente para zumbido no ouvido esquerdo.

Nunca tome medicação com água gelada.

Não coma refeições pesadas depois das 20 horas (noite).

Beba mais água pela manhã e menos à noite.

O melhor horário de sono é 10h - 6h.

Não se deitar imediatamente após tomar medicação ou refeições, espere 30 minutos.

Quando a bateria do seu telefone estiver fraca na última barra, não atenda o telefone, porque a radiação é 1000 vezes mais poderosa.


Texto atribuído a José Luiz Verde, médico da medicina preventiva.

(Recebi via WhatsApp)

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SÃO PAULO – Cyro de Mattos


São Paulo
Cyro de Mattos

(Para Samuel Penido - em memória)


                O Brasil é uma nação com várias nações dentro de seu território de dimensões continentais. Encontramos em São Paulo todas essas nações brasileiras com pessoas vindas dos lugares mais distantes do País. Nessa cidade com uma superpopulação sempre crescente ouvimos, diariamente, vozes estranhas, costumes vindos de povos que possuem tradições das mais singulares.

                 O homem do interior que pisa pela primeira vez nessa aldeia global fica como peixe fora d’água. Impressiona-se com a paisagem feita de cimento e aço, de grandes edifícios, que buscam as nuvens mais altas.  No asfalto, pneus cantam, o homem passa anônimo e veloz nessa forja gigantesca que nunca descansa.

       Corre no tempo que nessa cidade trabalho e dinheiro andam de mãos dadas.  O homem aqui tem que ganhar dinheiro com unhas e dentes numa maratona suicida.  O coração financeiro da cidade é a Avenida Paulista com o seu modo intenso de estipular o mundo.

      Riqueza e pobreza são vizinhas em São Paulo. Ao céu aberto e nas galerias, elas estão juntas, vivem em seu ritmo tumultuado.  Soltam fumaça nas fábricas com suas inúmeras chaminés, que tornam o sol pálido, as nuvens cinzentas e o ar que tosse constante. Prenhe de detritos, o Tietê percorre a cidade na descida triste inventada por bocas de vômito. Um rio com sua mágoa desce no curso viscoso, pulmões quase sem ar nas águas escuras, como a dizer SOS São Paulo antes tarde do que nunca.

       Falam que o ser humano em São Paulo está prisioneiro num tempo de bruma. Diluído na multidão. É um partir que não chega, um caminhar sem parar. Hospitais, escolas, igrejas, fichários, descargas de fumaça, lá se vai o fiel habitante sem bagagem e com suas armas que comovem.  Nas esquinas, bares, restaurantes, danceterias, madrugadas. Nos motéis com fumos, com cio, álcool, drogas. Colmeia gigantesca, aqui o homem tem a língua presa na sua ânsia de falar com solidariedade e doçura.  Esse homem sem nome na selva de pedra.  No shopping center, no subsolo, na Avenida São João, no estádio, no metrô, no supermercado, na fábrica, no elevador. O homem e seus dentes de fera naquele velho aprendizado de ter uma vida com sobras.  Nessa cidade onde o povo é fluxo e refluxo em torno de si mesmo, tão luta.

      O homem tão do mundo, vivendo o seu medo na cidade enevoada.

      Você acha um lugar ao sol na praça, onde os pombos fazem uma bela aparição. Igual à Cinelândia, no Rio de Janeiro. Os pombos fazem uma bela formação, baralham em festa tormentas, suavizando o animal insano, o desarmado pedestre, o audaz andarilho diário em seu estado de graça.


Cyro de Mattos é autor de mais de 50 livros, de diversos gêneros. Também editado no exterior, Do Pen Clube do Brasil e Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

* * *

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

MARIA CABOCLA – Catulo da Paixão Cearense


Maria Cabocla


Patroa: eu sou sertaneja
Vassuncê não me aconsêie
Prá tomar banho de ingrêja.
Crédo em cruz!... Nosso Sinhô!...
Eu sou curada do amô!

Vassuncê pode falá,
Póde mêmo me xingá
Cum tudo que é nome feio...
Me chama todos os nome,
Mas porém nunca me fale
No amô tinhoso dos hôme!

Meu pae que dênde criança
Era Passadô de Gado,
Só se cazou cum a mãezinha,
Pruquê, sá dôna, a mamãe
Era tão bela e fermosa
Que todo o hôme que via
A minha mãe, sá dôninha,
Ficava logo imbeiçado,


Meu avô, esse, sá dona,
Era um cabra tão safado,
Que despois de inchê de fio
A minha santa vozinha,
Se dizovou lá dos matto,
Prá vim sê gallo infeitado.

Meu padrinho apremetteu
Casamento a uma tapuia
Lá das banda do Páu Fundo,
E fartando uma sumana
Prô dia do casamento,
Fugiu prô ôco do mundo.

O Antonico da Favella,
Que era também meu êrmão,
Só se acuêirou cum a Rita,
A neta do Zé Pinguella,
Prá fazê fio na Rita
E se casá cum uma china,
Nascida no Tapadão.

Têve um hôme no sertão,
Um véio, um sinhô de Engenho,
Tão isturrado e crué,
Que se casou-se cum a Rosa,
(que era a branca mais fermosa...)
E tinha prá aquellas banda
Mais de oito ou dez muié!!!

O érmão do douto Jão Gôme,
Que fez tantas imbrêtada
Prá ajuntá cum a afiada
Do Bastião do Gerôme,
Sá dôna sabe o que fez!?

Matou a pobre de fome!!

Não ficava mais calada,
Se fosse fala de todas
As cafangada dos hôme!

Sá dona, a prêmêra vez
Que eu senti a navaiada
D`um disgraçado chamego
Pulo Reimundo Curúmba,
Um tocado de zabumba,
Nunca mais tive assucêgo!!!

Eu fui bonita, sá dôna!...

Sá dôna, eu já tive uns óio
Tão vivo, que parecia
Duas fulô de pôdóio!

Esta carinha enrugada
Já fez munto fôiaráda
Andá de reda no chão!

Mas porém, amô de véra,
Amô cá do coração,
Amô fixe, amô fié,
Eu só tive um só, sá dôna,
Cumo todas as muié.

Eu vi esse hôme mardicto
Tocando aquelle insturmento,
N'uma noite de Natá!

Era um, cabra chaboquêro,
Mas porém chorava tanto
No zabumba feiticêro,
Que o coração aqui dento
Se damnou-se a zabumbá!

Dênde essa noite mardicta
Nunca mais assuceguei!
O hôme jurava tanto,
Cum uma carinha de santo,
Que tudo que elle me disse,
Santamentes, crêditei.

Eu tinha vinte e dois anno
E não sabia, patrôa,
Que coisa era namorá,
Quando sujuguei minh`arma,
Sem arreceio e sobrôço,
Pulo cabôco que tinha
Os dente cumo caroço
De mio de mucunzá.

Deus Nosso Sinhô me váia!

Nem falando uma sumana,
Sem cumê e sem drumi,
Eu dizia o que suffri
Prú móde aquelle canáia!

Todo o mundo me dizia
Que o hôme era arreminado,
Máiscánga e marombadô!

Meus óio não via nada!...

Minhárma táva introzada!...

Eu tava zanza! Era o amô!

Suffri três anno puxado,
Inté que um dia o marvado
Me pediu-me em casamento,
Dizendo ä minha mãezinha
Que dênde aquele momento
Tudo tava apreparado.

Mas porém nesse intrevállo,
Vira, méxe, larga e péga,
Curumba fez um manzéga
E foi prezo... já se vê!

Três dia despois da briga,
Eu desandei cum as bexiga,
Que me botou n'uma cama
Dois mez intêro a soffrê!

Graça a Jesus, fiquei boa!

Mas porém minha patrôa
Já póde fazê indéa
Do que eu penei cum esta cara,
Que já deu tanto cavaco,
E tá cheia de buraco,
Que nem tronco de manguêra,
Quando tá podre de véia.

No intrévallo de dois anno,
Que ele teve na prisão,
Cozinhando prô mardicto,
Prá leva toda a minhã
A comida cum estas mão,
Eu suffri, eu suffri tanto,
Que nem sei lhe dizê, não,
Apois, tarvez, vassuncê,
Sá dôna, não me credite!

A mamãezinha (coitada!!)
Me vendo assim padecê,
Morreu de lerzão cardite!

Apois bem, vassuncê sabe
O que fez o goróróba,
Quando sahiu da taioba,
Que é o nome lá da prisão?
Abrindo os panno, sá dôna,
Deu de perna prô sertão,
E foi se casá cum a fia
Do LiopordoMarruá,
Um hôme que foi vaquêro
E é hoje um sinhô de Engenho
Nas varge de Pirauá.

Cahi ôtra vêis de cama
No dia que o marupâma
Sahiu de lá da prizura.

Quando aquelle mesquinhez
Me viu a primêra vez,
Cum a cara sarapintada
E cheia de quêmadura,
Já me ôiôu cum farsidez!...

Já não me ôiôu cum ternura!

Oiando prá minha cara,
Quêmada que nem coivara,
O marvadão se esquecia
Que dentro dárma eu trazia
Toda a minha fermuzura!!

O raio do mariola
Não me quis mais, pruquê eu tinha
Nesta cara uns pipocão!!

Sá dôna, o coisa mesquinha
Sabia que a varióla 
não bole cum o coração!

Ele é que era o bexiguento,
Pruquê se não tinha a cara
Quêmada como a coivara,
Seu coração táva negro...
Escuro como um cravão!

Aquelle não-sei-que-diga
Tinha a pió das bexiga
Que se chama... Ingratidão!!!

Nhá moça!... Todos os hôme,
Que tem tantos, tantos nome...
Têm, na verdade, um somentes...
Um só: - Reimundo Curúmba!

E esse nome dento d’árma
Eu sinto que, dia a dia,
Incha mais do que caxumba!

Mas porêm vancê são sabe 
Cumo as cabôca ficava,
Quando o cabra se esfoiava
Num coração d’um zabumba!

Nas festa de Santo Antonio,
Quando isturrava a embolada,
Cada ronco da pancada
Era cumo a trevuada,
Em noite de ventania!

Mas porêm, quando o zabumba
Tocava só prá samba,
Parecia um sabiá,
Chorando a morte do dia!

Crédo, em cruz!... Nosso Sinhô!...

Patrôa: é prú via disso
Que eu lhe disse, inda há pouquinho,
Que eu sou curada do amô.

Já tô véia!... A minha cara
Parece uma biboquêra!

Apois bem! Vancê tá vendo
Em riba daquela serra
Aquelle pé de manguêra?

Agora veje aqui perto
O cadáver quáge secco
Desta véia cajazêra.

Aquella é nova!... Tá moça,
Tá chêrando a mocidade!

Esta aqui já tem cem anno
E nem tem mais uma fôia
Prá de intêrtê cum a sôdade!

Aqui, no cadáver secco
Deste gaio ressequido,
Vancê não ouve um gemido
D’um passo, prú caridade!

Agora veje a manguêra,
Aquella manguêra moça,
Cumo té cheia de ninho!
Vancê vá vê cumo o vento
Abraça aquellas foiage
Cum amô e com carinho!

Carão, Serradô, Bicudo,
Sereno, Cardiá, Canáro,
Margarida, Solitáro,
Sovélla, Vim-Vim, Collêra,
Rabijunco, Jumará...
Tudo tá cantando lá
Na rucéga da manguêra.

Assim sêmo nós, sá dôna!

Os hôme só nos percura,
Quando nós, que sêmo as árve
Tâmo cheia de verdura.

Sá dôna, o hôme é um ladrão!

Esse cabra, esse inadão,
Só jura, quando não sente!

Cum as suas doce leréia,
Esse Dentão é que róba
A fermuzura da gente!

Se um dia eu ficasse doida,
Me casando cum um bárbacho,
Eu haverá de ingeitá
Todo o fio que eu parisse,
Se o fio fosse hôme macho.

Carregá na mãe do corpo
Um anno quáge, sá dôna,
O diabo do curerê!...

O hôme vêio do Inferno!!...

Não é fio de muié!!!

Eu gósto de uvi, sá dôna,
Uma viola chorada,
Quando saluça, maguada,
Nos seus saluço de amô!

Mas porêm, o que se sente,
O que sastifaz a gente,
É as dez corda da viola,
E não a mão do bengóla...
Do violêro... o tocadô.

Sem as dez corda, sá dona,
Póde cantá, cumo quêra,
cantá, inté fica louco,
Que aquelles dêdo, sá dona,
Há de batê n’um páo ôco.

Vancê vêje! O Serra d’Agua,
Um rascado de viola
Do sertão, onde eu nasci,
Quando reméxa na prima,
E canta n’uma peleja,
Desafia um bemtevi!

Benedicto Pereréca
Se adisfóia na rebéca
E geme cumo um cronqui!!

João Quirino da Liança,
Que é fio dp Aracaty,
Quando grogêia n’um samba,
N’um rialêjinho de boca,
Faz a gente fica louca,
Pruquê parece que o cabra
Aninhou dento da boca
Um bando de jurity!

Veja agora!... O Serra d’Agua.
O violêro famanado,
Dá pancada na Totônha!

Benedicto Pereréca,
Esse rei dos rebenquêro,
Prú via d’um comboêro,
Matou a Maria Antônha.

João Quirino da Liança
Dá n’um só dia seis piza
Na sua moça – a Luiza,
Que era gordinha e bonita,
Quando vivia cum os pae,
Tão contente e tão feliz!!...

Quirino só vae prá casa,
Quando cansou de bêbê
E já se póde acendê
Um phóspho no seu nariz.

Patrôa, vancê discurpe!

Vancê são vá se offendê,
Se eu préguntá prá vancê
Adonde véve a rézão
D’esses hôme,  d’esses músgo,
Que quêma o peito da gente,
Cumo se fosse um cravão?!

É que os hôme não têm árma!

Os instrumento, sá dôna,
É que tem um coração!

O amô dos hôme isbilita
As muié, quando é bonita,
Priquê o hôme é um aribú!...
A língua dele é frevente
E istrépa a honra da gente,
Cumo um jaremacurú.

Quando tá mamparriando,
Introviscando as muié,
O cabra chora e saluça,
Taliquá cumo um vim-vim!

Mas porêm, quando o marvado
Já não tá mais embeiçado,
O Capêta arrenegado
Fére as muié, sem piadade,
Cumo um cabacurumim!!!

Vancê veje o que assucéde
Cum as árve dos mattagá!...

As árve sofre de noite
As gambetada do açoite
Dos górpe do temporá!...

O vento passa berrando
E lá se vae truvejando,
De vez em quando aparando,
Prá se rí, prá gargaiá,.
E de novo hi gargaiando,
Vendo as árve se esfôiando,
Cabeceando, esgaiada,
No meio da foiarada,
As suas fôia chamando,
Cum os braço têzo prô á!!

Quando aminhéce, sá dona,
As árve té tão calada,
Tão serena e assucegada,
Bençoando a luz do dia,
Que inté parece que as árve,
Não tendo sofrido nada,
Nem se alembra das cornada
Da sarvage ventania!!

Ansim sêmo nós, sá dôna,
Sêmo todas as muié,
Quando o pampêro dos hôme
Entra cá dentro da gente,
Roncando, cumo um trovão,
Arrancando as fôia verde
Das rosa da mocidade,
Cum tanta sarvagidade,
Que adisfóia o coração!

E assim cumo os arvoredo,
Despois dos beijo da aráge,
Torna a se enchê de verdô,
Abasta um riso, um agrado,
Dos óio do arrenegado,
Prô coração, machucado,
Cobri-se outra vez de frô!!

O hôme, esse barimbé,
Não ama as muié, patrôa,
Ama todas as muié!!

Vassuncê vêje um terrêro,
Adonde um gallo, manhêro,
Tá todo a se gambeá,
No meio lá das galinha,
Das galinha mais bonita
E das franga mais catita
Que vassuncê maginá.

Veje agora vassuncê:
Se passá uma galinha
No terrêno da vizinha
D’alli, d’aquella molóca,
Vassuncê logo há de vê
O raio do coróróca,
O hôme de penna, o ingrato,
Se apinhoscá pulos matto,
Correndo que nem um doido,
Atraz da galinha chóca!!

É um cauzo que faz pensá!

Apois o bicho canáia
Nem prú disgraça arrespeita
A galinha rabugenta,
Que é uma mãe, que vai criá.

Esse bengóla-fuméga,
O pinga-fogo sovina,
Que anda lá fora cum as “china”
E vem prá casa impuiá,
Abasta que a gente fale
Cum um franguinho, sem pecado,
Pró gallo fica damnado
E logo querê mata!!!...

Vassuncê tem seu marido,
Hôme de munto valô
E eu não tôu falando ansim
Prá martratá seu doutô!

Mas porêm, ói, eu lhe falo,
Sem sobroço de peccado,
Que o hôme, sá dôna, é um gallo,
Munto disavregonhado!

Os hôme diz que as muié
Quando não mata, consome!...

Mas porêm, eu lhe pregunto:
Quem foi que vendeu Jesus?

Foi muié? Não! Foi um hôme!

Vassuncê não viu, sá dôna,
Quando o Fio do Sinhô
Desceu do céo cá prá terra,
O que foi que aconteceu?

Nosso Sinhô Jesu-Christo,
Duvidando d’elle inté,
Já tarde se arrependeu
De não tê vindo prô mundo
Cum o corpo d’uma muié!!!

Inté São Pedro, esse véio,
Que era um pobre pescadô
E foi apóstro do Christo,
Negou trez vez o Sinhô!

Os canáia, os miseráve,
Garrando o santo Jesus,
Aprégáro aquelle corpo,
Aquelle corpo sagrado,
Em riba d’uma montanha,
Curcificado na cruz.

Mas porêm, quando o Divino,
Cheio de fome e de sede,
Pulos ingrato morria,
Não têve uma só muié
Que não chorasse, de joêio,
Cum a Santa Virge Maria!

Emquanto as muié chorava
E os seus fiinho amostrava
Prá Deos, pedindo perdão,
Os desgraçado insurtava
O Deos, que soçorócava,
No meio de dois ladrão!!...

Inté mêmo Mardalena,
Cum quem os hôme, os canáia,
Sem piedade impilicava
E chamava de catráia
E vendedêra do amô,
No pé da cruz saluçava,
As ferida résfrescava
E cum os cabello enxugava
O sangue do Redemptô.

Os cão dos hôme, nhá moça,
Que apregáro, de mardade,
Naqueles dois páo cruzado
O Christo, o santo Jesus,
Anda agora trabaiando
Prá fazê Nosso Sinhô,
Que morreu prú nosso amô,
Descê de riba da cruz.

Sá dôna, eu sou sertaneja!

Eu já tôu munto madura,
Prá tomá banho de ingrêja!

Vassuncê póde falá,
Póde mêmo me xingá
Cum tudo que é nome feio...
Me chamá todos os nome,
Mas porêm, eu lhe supprico,
Pula luz desses seus óio,
Que nunca mais, sá patrôa,
Vancê me fale, brincando,
No amô tinhoso dos hôme!!!

Sá dôna! A estrella da tarde,
Que nós chama – Papa-Ceia,
Que Deos accende, piadoso,
E parece uma candeia
Na cabêcêra do dia,
Tá cuchichando cum o sino
D’aquella pobre ingrejinha,
Que tá mandando prá estrella
A Estrella da Ave-Maria.

Apois bem!... Prú Jesú Christo,
Pula sua dô sagrada,
Prá sempe amardiçoada
Sêje a raça disgraçada
Dos hôme... desses crué!

E em nome da Santa Virge,
Da Mãe de Deos adorada,
E tômbem da Madalena,
Da catráia apedrejada,
Que foi santa pula fé...
Sêje, apois, abençuada
Prá sempre e sempre as muié!!!!

                               Sá dôna!

Ansim cumo faz a abêia,
Essa cabôca lodassa,
Que o macho logo escurraça,
Despois da acuiêração,
As muié tômbêm devia,
Prá acabá cum o suffrimento,
Despois do acuiêramento,
Dá cabo desse Zangão.

(POEMAS BRAVIOS)
Catulo da Paixão Cearense

.........................
                                                                   Paris, 22 Junho 1919
            Meu Poeta e Amigo:

            “V. continua a afinar as suas cordas pelos motivos sentimentaes do Brasil brasileiro. Seu estro ganha alturas religiosas de um inspirado directo do Povo e da Terra. Seus poemas alimentam-se das raízes suculentas do sertão, florescem no espinhal do Sofrimento, do Trabalho e da Saudade, em que vibra a vida dos nossos desdenhados roceiros.
            Dizer-lhe como, da comoção que me causou a leitura de seu livro nas poeiras estivaes deste Paris atordoado e frenético pela Victória, pela Moda e pelo Tango? Respirei a farta os bons cheiros da agrestia do mato natal; rolei de cambulhada com os rudes pastores do Cariry; sambei com a caboclada nos ranchos; ponteei as violas chorosas dos cabras; suspirei, amei, vivi ao sol de minha terra, a centenas e centenas de léguas de quando a Pátria beija o mar.
            Tudo pelo prestígio do seu plectro, cuja espontaneidade e nacionalismo o impregnam de uma força simples e tocante.
            A’s suas justas vaidades de homem de poesia e coração não será de menos a confissão do exilado, enternecido pelo vigor dessas impressões, que V. faz despertar, encoivarando as redondilhas.
            A “Terra Caída” quanto ganhou de relevo e lirysmo no trespasse musical de suas rimas! Ás páginas desencantadas do “Inferno Verde” V. poz o sello de sua inspiração cândida e fremente”.
            Admirador, amigo, agradecido.
                                               
                                      Alberto Rangel (Carta a Catullo Cearense)

* * *