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sábado, 6 de julho de 2019

MELANCÓLICO EM LIVRO DE BANDEIRA, CARNAVAL EM 1919 FOI PURA LIBERTINAGEM - Antonio Carlos Secchin


Segundo o dicionário Houaiss, efeméride designa, primordialmente, “a tábua astronômica que registra, em intervalos de tempo regulares, a posição relativa de um astro”. Na segunda acepção, “fato importante ou grato ocorrido em determinada data”.

E, na terceira acepção, “comemoração de um fato importante, de uma data etc.” Muita coisa cabe nesse “etc”, principalmente a jubilosa celebração de alguma cidade, município ou estado. Mais frequentes, porém, são as efemérides temáticas: já foram publicadas em livros, entre outras, as aeronáuticas, as astronômicas, as judiciárias, as navais. 

No campo literário, ressalte-se livro de 1997 dedicado a efemérides da Academia Brasileira de Letras e dois outros similares, das academias mineira e pernambucana.

Nas sessões acadêmicas rememoram-se vida e obra de um escritor a partir de um ano chave de sua biografia, em especial se representa data redonda: cinquentenário de morte, centenário de nascimento. Sendo usual o recurso a tais datas para evocar os antecessores, seria igualmente possível a comemoração de uma outra espécie de aniversário, não do criador, mas da criatura: a obra. 

Embora o escritor seja o pai do livro, o livro, de algum modo, é o pai do escritor, pois este, o autor, só nasce, enquanto tal, em decorrência daquele, o livro. O cidadão Manuel Bandeira, por exemplo, chegou ao mundo em 1886, mas o poeta Manuel Bandeira viria à luz apenas em 1917, graças ao volume “A Cinza das Horas”, que conferiu a ele a certidão de nascimento como escritor. Autor que, literalmente, brotou da cinza.

O poeta renasceria em livro dois anos depois, com a publicação de “Carnaval”. Este 2019, portanto, corresponde ao ano do centenário da obra. Ocasião propícia para redimensioná-la no conjunto da produção poética do escritor.

Constatamos que seu teor antecipatório do modernismo não se dá na amplitude que lhe conferiu Mário de Andrade, a ponto de haver cognominado Manuel Bandeira de “o são João Batista” do movimento. 

Com a lucidez que o caracterizava, o poeta pernambucano declarou que devia muito mais ao modernismo do que o modernismo a ele, e que só 11 anos mais tarde, com “Libertinagem”, de 1930, aderiria inteiramente à estética de 1922.

Talvez tenha contribuído para o hiperdimensionamento do papel de Bandeira como vanguardista “avant la lettre” o fato de um poema de “Carnaval” ter sido lido em São Paulo na Semana de Arte Moderna: o famoso “Os Sapos”, sátira ao parnasianismo.

Observemos o poema no conjunto do livro. Trata-se do segundo texto de “Carnaval”, composto de 13 quadras e um terceto. Os 55 versos são rigorosamente pentassilábicos, e todas as quadras são rimadas no esquema a-b-a-b. Nada que prenuncie o verso livre —presente, aliás, numa única peça da coletânea, “Debussy”, em flagrante contraste com os demais 31 poemas, regularmente rimados, escandidos e metrificados.

Na estrofação, predomínio quase absoluto da quadra, ao lado de poucas quintilhas e pouquíssimos tercetos. Mesmo “Os Sapos” empreende menos uma crítica ao parnasianismo como um todo do que a certos tiques e lantejoulas do estilo. Seria, aliás, contraditório Manuel Bandeira atacar indistintamente o movimento, pois seu livro contém vários poemas de nítida e bem executada fatura parnasiana, seja pela forma (versos isométricos, sonetos etc), seja pelo vocabulário de elevada extração.

Resta examinar a configuração do Carnaval propriamente dito na obra homônima de Bandeira. Ainda sob esse aspecto, ela muito pouco prefigura o despojamento vocabular e a extraordinária incorporação das cenas populares do futuro poeta. Nela desfila, para citar o último verso da coletânea, “o meu carnaval sem nenhuma alegria”.

Com efeito, em vez do rumor das ruas, haverá, na maioria dos poemas, a encenação do medieval triângulo pierrô-colombina-arlequim, num confronto cujo desfecho é pré-conhecido. Leia-se o fúnebre autorretrato de pierrô: “Atrás de minha fronte esquálida,/ Que em insônias se mortifica,/ Brilha uma como chama pálida/ De pálida, pálida mica...”. Apesar do Carnaval, não há dança de salão, e, sim, dança da solidão.

Se o derradeiro verso de “Carnaval” confirma a tonalidade depressiva e melancólica do volume, se o penúltimo poema descreve uma túnica de pierrô “feita de sonho e de desgraça”, o verso inicial do volume, no entanto, prometia um roteiro de puro prazer e desregramento: “Quero beber! Cantar asneiras”. 

Como a sequência do livro demonstra, nunca se deve acreditar rápido demais nos poetas. E, a propósito desse verso, Bandeira, numa entrevista de 1964, registra, com deliciosa autoironia: “Em ‘Carnaval’ eu dizia: ‘Quero beber! Cantar asneiras!’. Pois um crítico observou: ‘Conseguiu plenamente o que queria’”.

O centenário de “Carnaval” nos dá oportunidade de falar também dos festejos carnavalescos propriamente ditos no ano de 1919. Inexiste no livro a presença da festa popular, salvo no poema “Sonho de uma Terça-feira Gorda”. Mas a folia carioca de então guardou uma peculiaridade que a tornou, de certo modo, inesquecível: aquele carnaval ficou conhecido como “o da gripe espanhola”, quando os habitantes do Rio, pela via dionisíaca, exorcizaram a sombra da morte que descera sobre a cidade pouco tempo antes.

No artigo “O Carnaval da Gripe Espanhola”, o historiador Ricardo Augusto dos Santos informa que a gripe aqui desembarcou em setembro de 1918, tendo efeito catastrófico. Num Rio de Janeiro de cerca de 1 milhão de habitantes, estima-se que 600 mil contraíram o vírus e 15 mil morreram. Comércio, indústria e serviços públicos foram afetados, nos casos em que não tiveram paralisadas por completo suas atividades. 

Abandonaram-se os cadáveres, na falta de coveiros para enterrá-los. Mas, conforme poderia ter escrito Machado de Assis, a gripe entrou à socapa e saiu à sorrelfa, pois desapareceu em novembro, depois de dois meses devastadores.

Para comemorar simbolicamente a vitória contra a doença, a gripe espanhola foi logo cantada nas ruas, tornando-se tema de marchinhas carnavalescas, como: “Não há tristeza que possa/ Suportar tanta alegria./ Quem não morreu da espanhola,/ Quem dela pôde escapar/ Não dá mais tratos à bola/  Toca a rir, toca a brincar...”.

Houve, porém, algo mais apimentado no Carnaval de 1919, a ponto de, décadas depois, três grandes cronistas a ele retornarem.

Ruy Castro: “Quem não morreu sentiu-se no dever de celebrar a vida, brincando o Carnaval como nunca antes. A cidade saiu em peso para os corsos, ranchos e batalhas de confete. Os pierrôs e caveiras não se contentavam em pular —invadiam as casas e arrastavam os renitentes para a folia. Pela primeira vez, o samba superou os outros ritmos nas ruas. E, numa dessas, o menino Nelson [Rodrigues] viu, dançando no alto de um carro, na praça Saenz Peña, uma moça fantasiada de odalisca, com o umbigo à mostra. Ninguém de sua família tinha umbigo —ele próprio só agora descobria o seu”.

Carlos Heitor Cony: “No Rio, o sujeito ia atravessar a rua, botava o pé no meio-fio com plena saúde e chegava morto ao meio-fio do outro lado. Era fulminante a gripe, os parentes deixavam os mortos nos bondes, pagavam a passagem deles, como se passageiros fossem. Não havia tempo nem lugar para o enterro. Natural que, depois da fase mortuária, viesse a fase libertária, ou libertina, basta dizer que as delegacias da cidade registraram a queixa de 4.315 defloramentos e outros tantos casos de abandono do lar, adultério e até incesto. E assim é que o Carnaval de 1919 permanece inédito, à espera que algum desocupado encare a época, o Rio da gripe e de depois da gripe, o Rio cuja violência explodiu no sexo de um Carnaval como nunca houve nem haveria igual. A ideia [...]  era pegar como narrador um personagem nascido nove meses depois, um filho dessa esbórnia, desse pânico pela morte que estourou donzelas e famílias. Os brasileiros nascidos na feliz data de novembro de 1919 que se habilitem”.

Nelson Rodrigues: “Estou aqui reunindo as minhas lembranças. Aquele Carnaval foi, também, e sobretudo, uma vingança dos mortos mal vestidos, mal chorados e, por fim, mal enterrados. Ora, um defunto que não teve o seu bom terno, a sua boa camisa, a sua boa gravata é mais cruel e mais ressentido do que um Nero ultrajado. E o Zé de S. Januário está me dizendo que enterrou sujeitos em ceroulas, e outros nus como santos. A morte vingou-se, repito, no Carnaval... E tudo explodiu no sábado de Carnaval. Vejam bem: até sexta-feira, isto aqui era o Rio de Machado de Assis; e, na manhã seguinte, virou o Rio de Benjamim Costallat [...] Desde as primeiras horas de sábado, houve uma obscenidade súbita, nunca vista, e que contaminou toda a cidade. Eram os mortos da espanhola e tão humilhados e tão ofendidos que cavalgavam os telhados, os muros, as famílias... Nada mais arcaico do que o pudor da véspera. Mocinhas, rapazes, senhoras, velhos cantavam uma modinha tremenda. Eis alguns versos: ‘Na minha casa não se racha lenha,/ Na minha racha, na minha racha./ Na minha casa não há falta d’água,/ Na minha abunda, na minha abunda’”.

Regressemos agora ao dicionário Houaiss, que deixamos aberto na página do vocábulo efeméride. Ele se localiza imediatamente após um outro que é o seu oposto, como se o veneno da fugacidade estivesse à espreita para inocular-se em tudo que se deseja eterno. Sim, porque a palavra que dicionariamente antecede efeméride é efemeridade. O efêmero é o reino daquilo que só dura um dia, numa negação do resgate que a efeméride intenta efetuar. 

Diversamente dos dois carnavais aqui referidos, o literário e o literal, que perduram na memória de nossa cultura, quantos milhares de livros e milhares de festas de 1919 extinguiram-se na modesta condição de terem sido somente efêmeros? 

Talvez valesse a pena considerar que, na sábia lição oferecida pelo dicionário, é de apenas um passo, ou um verbete, a distância entre a pretensão da eternidade e a realidade do esquecimento. 

Folha de S. Paulo, 22/06/2019


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Antonio Carlos Secchin - Sétimo ocupante da Cadeira nº 19 da ABL, eleito em 3 de junho de 2004, na sucessão de Marcos Almir Madeira e recebido em 6 de agosto de 2004 pelo acadêmico Ivan Junqueira.


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CHARLIE CHAPLIN


Charles Chaplin faleceu com 88 anos.

Nos deixou 04 declarações:

1. Nada é para sempre neste mundo, nem mesmo os nossos problemas.

2. Eu gosto de andar na chuva, porque ninguém pode ver minhas lágrimas.

3. O dia mais desperdiçado na vida é o dia em que não rimos.

4. Os Seis Melhores Médicos do Mundo...

1. Luz do sol,
2. Descanso,
3. Exercício,
4. Dieta,
5. Autoestima
6. Amigos.

Mantenha-os em todas as fases da sua vida e você vai desfrutar de uma vida saudável ...

Não inveje ninguém, não odeie ninguém, ame à Deus e ao seu próximo e seja feliz com o que você tem.

Se você ver a Lua; Você verá a beleza de Deus...
Se você ver o Sol; Você verá o poder de Deus...
Se você ver o espelho, você verá a Melhor Criação de Deus.

Então, acredite nELE. 
Somos todos turistas, Deus é o nosso Agente de Viagens que já fixou as nossas rotas, reservas e destinos...
Confie Nele e desfrute da "Viagem" chamada VIDA... 

A vida é apenas uma viagem!
Viva hoje!
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Charlie Chaplin
Ator
Descrição:
Charles Spencer Chaplin, foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. Wikipédia
Falecimento: 25 de dezembro de 1977, Corsier-sur-Vevey, Suíça
Nacionalidade: Britânico

(Wikipédia)


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sexta-feira, 5 de julho de 2019

ARTE DE CONTAR HISTÓRIA – Cyro de Mattos


Arte de Contar História
              Cyro de Mattos  


          O que é o conto? São muitas as definições que se encontram na produção desse gênero literário, que se fez autônomo como entidade literária na sua evolução, estruturado nos limites das características próprias, variando, nas suas expressões, como breve história que relata um acontecimento ou como um corte no fluxo da vida. Devido à dificuldade para precisar o que significa, nenhuma definição basta-se para informar   o que é esse gênero. O conto tem aparência fácil, mas é difícil de ser escrito, como já notara Machado de Assis, importante contista brasileiro de acontecimentos interiores.

          As primeiras manifestações do conto começam através da oralidade e se perdem em tempos remotíssimos. Decorrente da convivência humana, contar história reuniu as pessoas que contam e as que escutam, em agrupamentos humanos primitivos, com os sacerdotes e os discípulos juntos para a transmissão de ritos e mitos da tribo. No seu hábito milenar chega aos nossos tempos, à hora da refeição em torno da mesa ou perto do fogão a lenha.

          Ainda sem a marca da tradição escrita, alguns acham que os contos mágicos dos egípcios são os mais antigos, remontam a 4 000 anos antes de Cristo.  Detectar as fases da evolução da arte de contar história é ir de encontro ao itinerário da própria história da humanidade, de sua cultura e dos momentos da narrativa que a representa.  Convém lembrar a história de Caim e Abel na Bíblia, várias estórias que existem na Odisseia e Ilíada, de Homero, os contos do oriente e As mil e uma noites, que da Pérsia, no século X, expandem-se para o Egito, no século XII, e para toda a Europa, no século XVIII.

          No século XIV, o registro escrito do conto ganha uma dimensão estética com o Decameron (1350), de Bocaccio. No século XVI aparecem as Novelas Ejemplares (1613), de Cervantes, enquanto no fim do século surgem os Contos da mãe Gansa, de Charles Perrault.  No século XVIII, La Fontaine aparece no cenário do conto como exímio contador de fábulas, que são breves histórias vividas por animais com o fim instrutivo.

          No século XIX prevalece o conto motivado pela cultura medieval, ligado ao folclore e ao popular. É pelo desenvolvimento da imprensa que o conto encontra o espaço ideal para ser publicado em revistas e jornais. O nome de Edgar Alan Poe insere-se como fundamental no momento da criação do conto moderno. O criador do conto como unidade de efeito propõe em sua teoria para esse gênero de curta duração na escrita o acontecimento extraordinário disposto na sucessão dos momentos de princípio, meio e fim. Com Edgar Alan Poe, um projeto humano para o conto é proposto no qual os acontecimentos obedecem a uma ordem e se organizam em uma série temporal estruturada.  Anton Checov vai substituir o momento do meio no conto tradicional pela atmosfera criada com os acontecimentos interiores.
  
          São muitos os autores que se destacam na construção do conto moderno, ao trocar a técnica convencional por novos meios de narrar uma história breve. E, entre eles, Faulkner, Jorge Luís Borges, Julio Cortázar, Katherine Mansfield e Clarice Lispector. Transitam esses contistas do que era disposto numa ordem linear para um discurso mesclado com feelings, sensações, percepções, fragmentos, revelações, sugestões íntimas, monólogo ininterrupto, fluxo de consciência, labirintos do pensamento... O que era verdade para vários personagens na história clássica, aventura e reviravolta nos acontecimentos extraordinários, tende a ser agora a prevalência do conflito ou labirinto do herói crítico.

          O conto é uma breve narrativa do acontecimento verdadeiramente falso,  com princípio, meio e fim, na execução antiga.  É síntese da vida, que deixa ao final uma impressão forte no seu auditório. Como querem os modernos, o conto é o corte crítico no fluxo da vida, fragmento que enfoca o conflito no espaço breve da ação ou movimento, sem a importância que se dava antes ao enredo (plot).

          Como acender e apagar de vagalume, obedecendo ou não  a uma ordem linear dos acontecimentos,  estruturado com simplicidade para alcançar a intensidade,  resolução do epílogo, ou como  fragmento  para externar a síntese  no fluxo da vida, usando para isso os elementos novos de sua invenção, o conto torna-se um problema quanto à sua terminologia quando incorpora à sua estrutura elementos de outras artes e novas técnicas.  É conhecido o gracejo de Mário de Andrade quando diz que o conto é tudo que o leitor aceita como conto.


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.


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quinta-feira, 4 de julho de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: A Flor e a Fonte - Vicente de Carvalho


A FLOR E A FONTE 
Vicente de Carvalho


Deixa-me fonte! -  Dizia
A flor tonta de terror.
E a fonte sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

Deixa-me, deixa-me fonte!
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte...
Não me leves para o mar.”

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
corria levando a flor.

“Ai, balanços dos meu galho,
Balanços do berço meu;
Ai, claras gotas de orvalho
caídas do azul do céu!...”

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte sonora e fria,
Rolava, levando a flor.

“Adeus, sombra das ramadas,
Cantigas do rouxinol;
Ai, festas das madrugadas,
Doçuras do pôr do sol;

Carícias das brisas leves
Que rasgões de luar...
Fonte, fonte, não me leves,
Não me leves para o mar!...”

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As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...

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Vicente de Carvalho (Vicente Augusto de Carvalho), advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista, nasceu em Santos, SP, em 5 de abril de 1866, e faleceu na mesma cidade em 22 de abril de 1924.

Era filho do Major Higino José Botelho de Carvalho e de D. Augusta Bueno Botelho de Carvalho. Fez o primário na sua cidade natal e, aos 12 anos, seguiu para São Paulo, matriculando-se no Colégio Mamede e, depois, no Seminário Episcopal e no Colégio Norton, onde fez os preparatórios. Aos 16 anos matriculou-se na Faculdade de Direito. Em 1886, com vinte anos, era bacharel em Direito. 
Republicano combativo, cursava ainda o 4º ano quando foi eleito membro do Diretório Republicano de Santos. Em 1887, era delegado a Congresso Republicano, reunido em São Paulo. Em 1891, era deputado ao Congresso Constituinte do Estado. Em 1892, na organização do primeiro governo constitucional do Estado, foi escolhido para a Secretaria do Interior. Por ocasião do golpe de estado de Deodoro, abandonou o cargo que vinha exercendo. Mudou-se, então, para Franca, município do interior paulista, e tornou-se fazendeiro. Em 1901, regressou a Santos, dedicando-se à advocacia. Em 1907, mudou-se para São Paulo, onde foi nomeado Juiz de Direito. Em 1914, passou a ministro do Tribunal da Justiça do Estado.

Vicente de Carvalho foi, durante toda a sua vida, um jornalista combativo. Até 1915, sua atuação na imprensa foi quase ininterrupta. Em 1889, era redator do Diário de Santos, fundando, no mesmo ano, o Diário da Manhã, da mesma cidade. Ali manteve ainda colaboração em A Tribuna e fundou, em 1905, O Jornal. Até 1913 colaborou n’O Estado de S. Paulo. No fim da vida, cansou-se do jornalismo, mas continuou em contato com seus leitores através dos versos que publicava nas páginas de A Cigarra.

Poeta lírico, ligou-se desde o início ao grupo de jovens poetas de tendência parnasiana. Foi grande artista do verso, da fase criadora do Parnasianismo. Da sua produção poética ele próprio destacou poemas que são de extrema beleza, como: “Palavras ao mar”, “Cantigas praianas”, “A ternura do mar”, “Fugindo ao cativeiro”, “Rosa, rosa de amor”, “Velho tema” e “Pequenino morto".

Segundo ocupante da cadeira 29, foi eleito em 1º de maio de 1909, na sucessão de Artur Azevedo, e recebido por carta na sessão de 7 de maio de 1910.



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quarta-feira, 3 de julho de 2019

CHAVES PARA VIVER COM HARMONIA


Com certeza você já ouviu falar das resistências psicológicas.
São elas que muitas vezes paralisam grande parte do nosso crescimento pessoal levando a atitudes baseadas no que os outros esperam de nós ou evitando que tenhamos plena consciência do que queremos ou não.

A primeira chave para conviver em harmonia é precisamente a liberdade pessoal. Atreva-se a buscá-la todos os dias. Apenas quando somos capazes de soltar as correntes desses modelos que nos deixam aprisionados por nossos medos e inseguranças, nos tornamos seres autênticos e completos capazes de traçar nossas próprias “partituras vitais”.

A segunda chave é o respeito e a “não resistência”. Essa combinação singular é traduzida em algo tão simples como “viva e deixe viver”. Não precisamos gostar de todo mundo. Trata-se apenas de respeitar uns aos outros, e se alguém “nos incomoda” de maneira particular, não precisamos virar prisioneiros desse sentimento. Ignorar e se distanciar são as melhores formas de diminuir esse ruído particular.

A terceira chave é cultivar a arte de ser feliz com as coisas mais simples e elementares. Uma vez que saibamos “quem é poesia e quem apenas é som de fundo”, basta dar as mãos aos nossos parceiros e nos deixar guiar pela cumplicidade, alegria e aventura.

Não importa se essa música dura um instante ou uma vida inteira, trata-se apenas de se deixar levar… e aproveitar.


Fonte: 
Blog de opinião e entretenimento, sobre temas relacionados a psicologia, filosofia e arte.

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terça-feira, 2 de julho de 2019

DUAS REAÇÕES DISTINTAS! - Antonio Nunes de Souza


Ah! Ah! Ah! Eu sabia e tinha certeza que ia ser assim!

A nossa genial seleção iria dar um banho nos nossos “Hermanos”, e nem iria dar chance a “vedete” deles, o tal do Messe, para brilhar em gramado brasileiro. Achei até que foi pouco o escore de 4 X 0, fora os dois gols que o WAR anulou sem que houvesse motivo justo. E eles deram sorte, pois, se Neymar estivesse jogando a goleada seria bem maior!

Lavamos nossa alma, e fizemos os mineiros esquecerem do traiçoeiro 7x1 que sofremos na copa do mundo. Agora vamos partir para a final tranquilamente, pois, com esse time, será impossível não levantarmos a taça!

Garçom, traga mais uma cerveja bem gelada, alguns salgadinhos e mande preparar um churrasco com picanha argentina bem mole, como foi esse jogo! Ah! Ah! Ah! Braaasiiiill!


Garçom limpe aqui a mesa, e traga uma rodada de conhaque Dreher e umas calabresas cortadas para tira-gosto. Quero tirar o gosto ruim dessa derrota desgraçada para esses argentinos miseráveis. Qualé “Hermanos” que nada!

Se não fosse o Gabriel de Jesus ter perdido o pênalti, o jogo teria empatado e, nos pênaltis, nosso goleiro é o melhor do mundo. Seria a sopa no mel!

Pior de tudo mermão, foi que apostei e ainda dei um gol. Perdi dois mil e vou tomar a maior gozação no trabalho!

Garçom traz mais cervejas meu filho! Quero afogar minhas mágoas antes de ir para casa. Essa foi uma grande decepção. Sempre achei que Tite não era bom técnico. Sinceramente, eu preferia que fosse Dunga que é guerreiro e tem garra!

Agora, com a cara mais cínica, esse timezinho de merda vai disputar o terceiro lugar. Grande porcaria e eu, retado como estou, vou torcer contra!

Essas são duas prováveis reações que veremos hoje a noite, depois do jogo Brasil x Argentina. Os brasileiros só aprenderam a ganhar o primeiro lugar, e não raciocinam que todas as seleções vieram participar com seus melhores e mais bem treinados jogadores, com o pensamento de vencer a competição!

Espero que a primeira reação seja a agraciada!


Antonio Nunes de Souza escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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DOMINAÇÃO E EMANCIPAÇÃO - Péricles Capanema


26 de junho de 2019

Péricles Capanema

Amigos me solicitaram que escrevesse de novo sobre o chamado marxismo cultural — de momento tão relevante e na moda em decisivos meios de esquerda e na direita — e, de forma congruente, pusesse no texto informações pertinentes à Escola de Frankfurt [foto acima], atemorizador negotium perambulans in tenebris para tantos e com bons motivos. Apenas como informação provavelmente inócua, o artigo anterior “Esclarecimentos sobre o marxismo cultural”, está em meu blog (periclescapanema.blogspot.com) desde 25 de fevereiro último.

Obediente, volto ao assunto. De passagem, o hoje denominado marxismo cultural foi também chamado de marxismo ocidental, aqui e ali é qualificado de Teoria Crítica, marxismo da Teoria Crítica, um dos fundamentos doutrinários da revolução cultural. Nem faz falta realçar a importância da revolução cultural (e a consequente necessidade de estudar doutrinas e métodos seus e como a eles fazer frente).

Para cortar caminho, deixar claro o desatino da escola, embarafusto antes por atalho pouco trilhado, pinceladas rápidas sobre dominação e emancipação, duas das obsessões da referida escola. Seus mais conhecidos representantes blasonavam (não custa lembrar, o marco inicial da escola poderia ser cravado em 1923, estamos em sua terceira e quarta geração) o ideal de extinguir a dominação e levar até limites ainda impensados a emancipação humana. E continuam a alardeá-lo. Não custa lembrar por cima, cada vez que líderes de orientação igual ou parecida afirmavam aplicar o marxismo à sociedade, na prática levavam a dominação e sufocavam a emancipação a extremos delirantes. A Coreia do Norte está aí, Cuba que o diga, a Venezuela sofre efeitos dantescos dos partidários da emancipação.

Sempre é bom lutar contra a dominação? Em todas as situações deve ser buscada a emancipação? Dominação vem de dominus, senhor. Dominação é o ato próprio do senhor. Se é má a condição de senhor, maus serão seus atos. Emancipação, o que é? Emancipação igualmente tem origem latina (mancipium, qualidade do proprietário). Emancipar é extinguir a tutela do proprietário sobre outro ser.

Acontece que é boa e nobre a condição de senhor. E assim, seus atos são bons. E são bons e nobres a condição de súdito e o ato de obedecer. Censuráveis, excessos e carências em ambos os casos, senhor e súdito.

Com efeito, a autoridade existe para o bem do súdito. Removê-la em determinadas circunstâncias lesa o inferior. De forma análoga, a emancipação prematura prejudica o emancipado. Enquanto dura em condições adequadas, favorece o tutelado. Retirar o filho menor da tutela do pai, emancipá-lo antes da hora, compromete presente e futuro. Mais ainda, a autoridade e a dependência prolongam bons efeitos vida afora, perfumam-na. Anos atrás, conversei com prima distante, três filhos criados, casada com advogado rico em Belo Horizonte. Aparentemente tudo ia bem. Uma queixa ia e vinha, a morte da mãe anos antes, fazia pouco o pai. Fechava e abria a mão direita. “Me sinto um cachorro sem dono”,espetou o dedo.

Em suma, é destruidor para o desenvolvimento pessoal arrebentar todas as formas de dominação e promover a desenfreada emancipação. Que o digam em lamentos lancinantes algumas regiões da pobre e devastada África. Aqui rui nas bases o edifício da Escola de Frankfurt, verdadeira Torre de Babel de incontáveis correntes de esquerda, laboriosamente edificado ao longo dos anos.

Em boa hora para a esquerda (péssima para nós) brotou a Escola de Frankfurt. Abriu-lhe horizontes, pôs em evidência matérias imprescindíveis que a doutrina marxista empurrava para o canto ou negava na bruta; enfim, fincou estacas doutrinárias a uma ação revolucionária de maior profundidade que latejava por se expandir.

Movimento intelectual, sobretudo filosófica e sociológica, passou longe do grande público, o que não significa que teve pouca importância. Lembro a propósito, cinco camadas envolvem a Terra: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Existem fenômenos nas quatro camadas superiores, que influenciam a troposfera, ainda que desconhecidos de nós nela imersos. Assim na sociedade humana. A Escola de Frankfurt influenciou a vida acadêmica e os estratos intelectualizados dos movimentos revolucionários no mundo inteiro. E daí seus conceitos embeberam meios de divulgação, a política, outros ambientes intelectualizados e, finalmente, a sociedade em geral. Apenas uma pequena ilustração, o maior guru do maio de 1968 e das agitações de Berkeley, um pouco antes, foi Herbert Marcuse (1898-1979), dos principais representantes da referida escola.

O marxismo, materialista, determinista e evolucionista procura explicar toda a realidade pela economia, de outro modo, pelas forças de produção. Afirmei no artigo acima mencionado: “Segundo o marxismo, o determinante na história é a economia. E na economia os meios de produção, […] base das relações de produção. As forças produtivas e as relações de produção dariam origem aos modos de produção. Existem sete modos de produção: primitivo, asiático, escravagista, feudal, capitalista, socialista e comunista. Um leva ao outro. Temos aqui a infraestrutura. A superestrutura são as ideias e instituições (entre elas, o Estado) que justificariam e garantiriam os modos de produção. O socialismo nasceria apenas depois de a sociedade capitalista estar bem desenvolvida. Por sua vez, o comunismo só depois do desenvolvimento do socialismo. Para o momento, o importante é o determinismo da doutrina marxista. Em doutrina, por ser determinista, desvaloriza o ato volitivo e relativiza por inteiro o bom, o mau, o belo, o feio, o justo e o injusto, colocados na superestrutura, dependentes das relações de produção. Até a ação política e o proselitismo. Na prática, os partidos comunistas nunca agiram segundo a pura doutrina marxista. Não foram deterministas, esperavam da ação partidária a aceleração do dia em que surgisse o homem novo sonhado pela utopia.”

Antes, tínhamos o marxismo focado em fatores econômicos. Não só deformava, limitava o horizonte. A Escola de Frankfurt propôs a revolução não só na sociedade, mas no interior do homem, privilegiou instintos, advertiu contra os perigos da razão
[em especial denunciou a razão instrumental, instrumento favorecedor da sociedade
capitalista em suas digressões]

Propugnou a liberação moral, como atividade emancipadora. Enfatizou o papel central dos hábitos, das mentalidades, das ideias. Enfim, do que se chamou a cultura e não apenas do econômico. Daí ser titulada de marxismo cultural. Era marxismo ainda? Nas bases, não. Mas era doutrina profundamente revolucionária, que servia como luva para o avanço do comunismo no interior do homem e na sociedade. Voltarei ao tema.




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