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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

“NA SALA, COM RUBEM BRAGA” É O TEMA DA PALESTRA DE ABERTURA DO CICLO DE CONFERÊNCIAS “CADEIRA 41”, COM O PROFESSOR E ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN


A Academia Brasileira de Letras abre seu Ciclo de Conferências do mês de setembro, intitulado Cadeira 41, com palestra do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, professor emérito de Literatura Brasileira da UFRJ e Doutor em Letras pela mesma Universidade. A coordenação geral é da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido foi Na sala, com Rubem Braga. O evento está programado para o dia 5 de setembro, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.
A intitulação Cadeira 41 remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o número máximo de Acadêmicos era 40, o que continua até os dias de hoje. Este Ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas Cadeiras e que, por razões diferentes e individuais, não se tornaram membros da Academia.
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.
Os Ciclos de Conferências, com transmissão ao vivo pelo portal da ABL, têm o patrocínio da Light.
Serão fornecidos certificados de frequência.
O Ciclo Cadeira 41 terá mais três palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, nos seguintes dias, com os conferencistas e temas, respectivamente: dia 12, Acadêmico Geraldo Carneiro, No bar, com Tom Jobim; dia19, Acadêmico Joaquim Falcão, Na varanda, com Gilberto Freyre; e dia 26, Marisa Lajolo, Na classe, com Mestre Candido.
O Acadêmico
Antonio Carlos Secchin é professor emérito de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutor em Letras pela mesma Universidade. Foi professor de Literatura Brasileira das Universidades de Bordeaux, Roma, Rennes, Mérida e Paris III-Sorbonne Nouvelle.
Em 2013, a editora da UFRJ publicou Secchin: uma vida em letras, com 88 artigos, ensaios e depoimentos sobre a sua atuação como escritor, professor e bibliófilo.
É poeta com vários livros publicados, entre eles Desdizer, de 2017, que reúne sua poesia.
Em 2018, publicou, na área da literatura infantil, O galo gago, que recebeu o selo “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Ensaísta, publicou, ainda em 2018, Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ao século XXI, que recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como o melhor livro de ensaios publicado no país.
Em março de 2019, recebeu o Grande Prêmio Cida
Leitura complementar
Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "João Cabral [texto] : a poesia do menos""Machado de Assis [texto] : ensaios da crítica contemporânea" e "O homem rouco [texto] : crônicas".
Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.

29/08/2019



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sábado, 6 de julho de 2019

MELANCÓLICO EM LIVRO DE BANDEIRA, CARNAVAL EM 1919 FOI PURA LIBERTINAGEM - Antonio Carlos Secchin


Segundo o dicionário Houaiss, efeméride designa, primordialmente, “a tábua astronômica que registra, em intervalos de tempo regulares, a posição relativa de um astro”. Na segunda acepção, “fato importante ou grato ocorrido em determinada data”.

E, na terceira acepção, “comemoração de um fato importante, de uma data etc.” Muita coisa cabe nesse “etc”, principalmente a jubilosa celebração de alguma cidade, município ou estado. Mais frequentes, porém, são as efemérides temáticas: já foram publicadas em livros, entre outras, as aeronáuticas, as astronômicas, as judiciárias, as navais. 

No campo literário, ressalte-se livro de 1997 dedicado a efemérides da Academia Brasileira de Letras e dois outros similares, das academias mineira e pernambucana.

Nas sessões acadêmicas rememoram-se vida e obra de um escritor a partir de um ano chave de sua biografia, em especial se representa data redonda: cinquentenário de morte, centenário de nascimento. Sendo usual o recurso a tais datas para evocar os antecessores, seria igualmente possível a comemoração de uma outra espécie de aniversário, não do criador, mas da criatura: a obra. 

Embora o escritor seja o pai do livro, o livro, de algum modo, é o pai do escritor, pois este, o autor, só nasce, enquanto tal, em decorrência daquele, o livro. O cidadão Manuel Bandeira, por exemplo, chegou ao mundo em 1886, mas o poeta Manuel Bandeira viria à luz apenas em 1917, graças ao volume “A Cinza das Horas”, que conferiu a ele a certidão de nascimento como escritor. Autor que, literalmente, brotou da cinza.

O poeta renasceria em livro dois anos depois, com a publicação de “Carnaval”. Este 2019, portanto, corresponde ao ano do centenário da obra. Ocasião propícia para redimensioná-la no conjunto da produção poética do escritor.

Constatamos que seu teor antecipatório do modernismo não se dá na amplitude que lhe conferiu Mário de Andrade, a ponto de haver cognominado Manuel Bandeira de “o são João Batista” do movimento. 

Com a lucidez que o caracterizava, o poeta pernambucano declarou que devia muito mais ao modernismo do que o modernismo a ele, e que só 11 anos mais tarde, com “Libertinagem”, de 1930, aderiria inteiramente à estética de 1922.

Talvez tenha contribuído para o hiperdimensionamento do papel de Bandeira como vanguardista “avant la lettre” o fato de um poema de “Carnaval” ter sido lido em São Paulo na Semana de Arte Moderna: o famoso “Os Sapos”, sátira ao parnasianismo.

Observemos o poema no conjunto do livro. Trata-se do segundo texto de “Carnaval”, composto de 13 quadras e um terceto. Os 55 versos são rigorosamente pentassilábicos, e todas as quadras são rimadas no esquema a-b-a-b. Nada que prenuncie o verso livre —presente, aliás, numa única peça da coletânea, “Debussy”, em flagrante contraste com os demais 31 poemas, regularmente rimados, escandidos e metrificados.

Na estrofação, predomínio quase absoluto da quadra, ao lado de poucas quintilhas e pouquíssimos tercetos. Mesmo “Os Sapos” empreende menos uma crítica ao parnasianismo como um todo do que a certos tiques e lantejoulas do estilo. Seria, aliás, contraditório Manuel Bandeira atacar indistintamente o movimento, pois seu livro contém vários poemas de nítida e bem executada fatura parnasiana, seja pela forma (versos isométricos, sonetos etc), seja pelo vocabulário de elevada extração.

Resta examinar a configuração do Carnaval propriamente dito na obra homônima de Bandeira. Ainda sob esse aspecto, ela muito pouco prefigura o despojamento vocabular e a extraordinária incorporação das cenas populares do futuro poeta. Nela desfila, para citar o último verso da coletânea, “o meu carnaval sem nenhuma alegria”.

Com efeito, em vez do rumor das ruas, haverá, na maioria dos poemas, a encenação do medieval triângulo pierrô-colombina-arlequim, num confronto cujo desfecho é pré-conhecido. Leia-se o fúnebre autorretrato de pierrô: “Atrás de minha fronte esquálida,/ Que em insônias se mortifica,/ Brilha uma como chama pálida/ De pálida, pálida mica...”. Apesar do Carnaval, não há dança de salão, e, sim, dança da solidão.

Se o derradeiro verso de “Carnaval” confirma a tonalidade depressiva e melancólica do volume, se o penúltimo poema descreve uma túnica de pierrô “feita de sonho e de desgraça”, o verso inicial do volume, no entanto, prometia um roteiro de puro prazer e desregramento: “Quero beber! Cantar asneiras”. 

Como a sequência do livro demonstra, nunca se deve acreditar rápido demais nos poetas. E, a propósito desse verso, Bandeira, numa entrevista de 1964, registra, com deliciosa autoironia: “Em ‘Carnaval’ eu dizia: ‘Quero beber! Cantar asneiras!’. Pois um crítico observou: ‘Conseguiu plenamente o que queria’”.

O centenário de “Carnaval” nos dá oportunidade de falar também dos festejos carnavalescos propriamente ditos no ano de 1919. Inexiste no livro a presença da festa popular, salvo no poema “Sonho de uma Terça-feira Gorda”. Mas a folia carioca de então guardou uma peculiaridade que a tornou, de certo modo, inesquecível: aquele carnaval ficou conhecido como “o da gripe espanhola”, quando os habitantes do Rio, pela via dionisíaca, exorcizaram a sombra da morte que descera sobre a cidade pouco tempo antes.

No artigo “O Carnaval da Gripe Espanhola”, o historiador Ricardo Augusto dos Santos informa que a gripe aqui desembarcou em setembro de 1918, tendo efeito catastrófico. Num Rio de Janeiro de cerca de 1 milhão de habitantes, estima-se que 600 mil contraíram o vírus e 15 mil morreram. Comércio, indústria e serviços públicos foram afetados, nos casos em que não tiveram paralisadas por completo suas atividades. 

Abandonaram-se os cadáveres, na falta de coveiros para enterrá-los. Mas, conforme poderia ter escrito Machado de Assis, a gripe entrou à socapa e saiu à sorrelfa, pois desapareceu em novembro, depois de dois meses devastadores.

Para comemorar simbolicamente a vitória contra a doença, a gripe espanhola foi logo cantada nas ruas, tornando-se tema de marchinhas carnavalescas, como: “Não há tristeza que possa/ Suportar tanta alegria./ Quem não morreu da espanhola,/ Quem dela pôde escapar/ Não dá mais tratos à bola/  Toca a rir, toca a brincar...”.

Houve, porém, algo mais apimentado no Carnaval de 1919, a ponto de, décadas depois, três grandes cronistas a ele retornarem.

Ruy Castro: “Quem não morreu sentiu-se no dever de celebrar a vida, brincando o Carnaval como nunca antes. A cidade saiu em peso para os corsos, ranchos e batalhas de confete. Os pierrôs e caveiras não se contentavam em pular —invadiam as casas e arrastavam os renitentes para a folia. Pela primeira vez, o samba superou os outros ritmos nas ruas. E, numa dessas, o menino Nelson [Rodrigues] viu, dançando no alto de um carro, na praça Saenz Peña, uma moça fantasiada de odalisca, com o umbigo à mostra. Ninguém de sua família tinha umbigo —ele próprio só agora descobria o seu”.

Carlos Heitor Cony: “No Rio, o sujeito ia atravessar a rua, botava o pé no meio-fio com plena saúde e chegava morto ao meio-fio do outro lado. Era fulminante a gripe, os parentes deixavam os mortos nos bondes, pagavam a passagem deles, como se passageiros fossem. Não havia tempo nem lugar para o enterro. Natural que, depois da fase mortuária, viesse a fase libertária, ou libertina, basta dizer que as delegacias da cidade registraram a queixa de 4.315 defloramentos e outros tantos casos de abandono do lar, adultério e até incesto. E assim é que o Carnaval de 1919 permanece inédito, à espera que algum desocupado encare a época, o Rio da gripe e de depois da gripe, o Rio cuja violência explodiu no sexo de um Carnaval como nunca houve nem haveria igual. A ideia [...]  era pegar como narrador um personagem nascido nove meses depois, um filho dessa esbórnia, desse pânico pela morte que estourou donzelas e famílias. Os brasileiros nascidos na feliz data de novembro de 1919 que se habilitem”.

Nelson Rodrigues: “Estou aqui reunindo as minhas lembranças. Aquele Carnaval foi, também, e sobretudo, uma vingança dos mortos mal vestidos, mal chorados e, por fim, mal enterrados. Ora, um defunto que não teve o seu bom terno, a sua boa camisa, a sua boa gravata é mais cruel e mais ressentido do que um Nero ultrajado. E o Zé de S. Januário está me dizendo que enterrou sujeitos em ceroulas, e outros nus como santos. A morte vingou-se, repito, no Carnaval... E tudo explodiu no sábado de Carnaval. Vejam bem: até sexta-feira, isto aqui era o Rio de Machado de Assis; e, na manhã seguinte, virou o Rio de Benjamim Costallat [...] Desde as primeiras horas de sábado, houve uma obscenidade súbita, nunca vista, e que contaminou toda a cidade. Eram os mortos da espanhola e tão humilhados e tão ofendidos que cavalgavam os telhados, os muros, as famílias... Nada mais arcaico do que o pudor da véspera. Mocinhas, rapazes, senhoras, velhos cantavam uma modinha tremenda. Eis alguns versos: ‘Na minha casa não se racha lenha,/ Na minha racha, na minha racha./ Na minha casa não há falta d’água,/ Na minha abunda, na minha abunda’”.

Regressemos agora ao dicionário Houaiss, que deixamos aberto na página do vocábulo efeméride. Ele se localiza imediatamente após um outro que é o seu oposto, como se o veneno da fugacidade estivesse à espreita para inocular-se em tudo que se deseja eterno. Sim, porque a palavra que dicionariamente antecede efeméride é efemeridade. O efêmero é o reino daquilo que só dura um dia, numa negação do resgate que a efeméride intenta efetuar. 

Diversamente dos dois carnavais aqui referidos, o literário e o literal, que perduram na memória de nossa cultura, quantos milhares de livros e milhares de festas de 1919 extinguiram-se na modesta condição de terem sido somente efêmeros? 

Talvez valesse a pena considerar que, na sábia lição oferecida pelo dicionário, é de apenas um passo, ou um verbete, a distância entre a pretensão da eternidade e a realidade do esquecimento. 

Folha de S. Paulo, 22/06/2019


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Antonio Carlos Secchin - Sétimo ocupante da Cadeira nº 19 da ABL, eleito em 3 de junho de 2004, na sucessão de Marcos Almir Madeira e recebido em 6 de agosto de 2004 pelo acadêmico Ivan Junqueira.


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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

ABL: ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN ESTREIA NA LITERATURA INFANTIL COM O LIVRO ‘O GALO GAGO’



O Acadêmico, ensaísta e poeta Antonio Carlos Secchin, sétimo ocupante da Cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras, acaba de lançar seu livro de estreia na literatura para crianças, O galo gago que, segundo os editores, trata-se de um poema cheio de significado.

O autor apresenta uma visão diferente sobre o fluxo do tempo e como é essencial que, depois do Dia, venha a Noite, e, seguida a ela, venha novamente o Dia. “Se não fosse mais assim? Se Sol e Lua não percebessem a hora de chegar e a hora de ir? E, o mais importante, se apenas o galo fosse responsável por avisar Sol e Lua e não pudesse cumprir sua tarefa direito?” questiona o autor no livro.

Secchin, em compasso bem ritmado, conta a história de um galo que não consegue cantar e, por isso, bagunça a vida do Dia, da Noite e dos outros animais. Mas, em vez de ser rechaçado pelos outros bichos, o galo recebe ajuda de seus amigos. Todos estão empenhados em fazer o Dia e a Noite acontecerem para que a vida possa seguir normalmente. O livro, editado pela Rocco, com 40 páginas, custa R$ 34,90.


ANTONIO CARLOS SECCHIN

Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Doutor em letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desde 2004 ocupa a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras.

Poeta e ensaísta, Secchin publicou, entre outras obras, João Cabral: a poesia do menos (1985), Poesia e desordem (1996), Todos os ventos (poemas reunidos, 2002, ganhador dos Prêmios da ABL, da Biblioteca Nacional e do Pen Clube), Escritos sobre poesia & alguma ficção (2003), 50 poemas escolhidos pelo autor (2006), Memórias de um leitor de poesia (2010), Eus & outras (antologia poética, 2013).

A UFRJ publicou, em 2013, o livro Secchin: uma Vida em Letras, com cerca de 90 artigos, ensaios e depoimentos sobre sua atuação nos campos da poesia, do ensaio, da ficção, do magistério e da bibliofilia. Com a obra Desdizer, lançada ano passado, o autor voltou à poesia 15 anos após a publicação de Todos os ventos.

19/09/2018


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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

ABL:ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN FALA NA ABL SOBRE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu ciclo de conferências do mês de agosto de 2018, intitulado Cadeira 41, com palestra do Acadêmico, ensaísta e poeta Antonio Carlos Secchin. A coordenação será da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido foi Drummond: poesia e aporia.

Serão fornecidos certificados de frequência.

Secchin adiantou um pequeno resumo do que será sua apresentação: “A rosa do povo (1945) é dos livros mais populares de Carlos Drummond de Andrade, contendo muitos poemas de teor político e de grande comunicabilidade. Um pequeno poema, todavia, surge aparentemente deslocado do conjunto, e enigmático já a partir do título: “Áporo”. Na conferência, esse texto será minuciosamente analisado e inserido no contexto geral da obra, na qual parece soar como peça dissonante, e no contexto literário e social da década de 1940”.

Cadeira 41 terá mais duas palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 23, Luís Camargo, Cem anos de “Urupês”, de Monteiro Lobato: o primeiro best-seller nacional; e 30, Hugo de Almeida, Osman Lins, 40 anos depois, mais atual.

O CONFERENCISTA

Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Doutor em letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desde 2004 ocupa a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras.

Poeta e ensaísta, Secchin publicou, entre outras obras, João Cabral: a poesia do menos (1985), Poesia e desordem(1996), Todos os ventos (poemas reunidos, 2002, ganhador dos Prêmios da ABL, da Biblioteca Nacional e do Pen Clube), Escritos sobre poesia & alguma ficção (2003), 50 poemas escolhidos pelo autor (2006), Memórias de um leitor de poesia (2010), Eus & outras (antologia poética, 2013).

A UFRJ publicou, em 2013, o livro Secchin: uma Vida em Letras, com cerca de 90 artigos, ensaios e depoimentos sobre sua atuação nos campos da poesia, do ensaio, da ficção, do magistério e da bibliofilia. Com a obra Desdizer, lançada ano passado, o autor voltou à poesia 15 anos após a publicação de Todos os ventos.

10/08/2018



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sábado, 14 de abril de 2018

ABL: EMMANUEL SANTIAGO FAZ NA ABL TERCEIRA PALESTRA DO CICLO 'AS CIDADES DOS POETAS', SOB COORDENAÇÃO DO ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN


O poeta e crítico literário Emmanuel Santiago faz, na Academia Brasileira de Letras, a terceira palestra do ciclo de conferências do mês de abril de 2018, intitulado As cidades dos poetas. O tema escolhido foi A cidade parnasiana. O evento está programado para terça-feira, dia 17 de abril, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.


Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

A última palestra do mês de abril será proferida pelo professor, poeta e ensaísta Adriano Espínola, que falará sobre o tema Ferreira Gullar: São Luís e Rio de Janeiro, na terça-feira, dia 24, também às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, da ABL.

Santiago adiantou, de forma sucinta, que mostrará em sua palestra que “Olavo Bilac, embora constantemente descrito como um ourives siderado a ouvir estrelas distante do ‘estéril turbilhão das ruas’, foi um intelectual atuante no período entre séculos”.

Disse, ainda, que Bilac foi “presença constante na imprensa da época, poeta de significativa popularidade, conferencista disputado, que empenhou seu prestígio num projeto político reformista e conservador, com o objetivo de modernizar a sociedade brasileira, sem, contudo, alterar suas estruturas”.

“A principal realização de tal projeto foi a reforma urbanística da cidade do Rio de Janeiro nos primeiros anos do século XX, que encontrou no autor de Poesias um de seus mais fervorosos defensores. Analisando a poesia bilaquiana, é possível ver emergir, dela, uma noção excludente de cidadania, em sintonia com os pressupostos ideológicos que nortearam as elites no poder durante a República Velha”, concluiu Santiago.

O CONFERENCISTA

Emmanuel Santiago é poeta, crítico literário, tradutor e professor de Literatura, com doutorado em Literatura Brasileira pela USP, com a pesquisa A narração dificultosa: o erotismo na poesia parnasiana brasileira; mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela mesma instituição, com A narração dificultosa: “Cara-de-Bronze”, de João Guimarães Rosa; e bacharelado em Estudos Literários pela UFOP. É autor do livro Pavão bizarro (poesia). Atua como coordenador da área de Humanidades e Linguagens no Instituto Alpha Lumen (São José dos Campos/SP).
11/04/2018


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quinta-feira, 12 de abril de 2018

OS ESTILHAÇOS DA REALIDADE - Antonio Carlos Secchin


Os estilhaços da realidade


Na capa de Exílio, de Lucas Guimaraens, uma imagem negra se adensa, depois se esvazia, até se configurar em pigmentos estilhaçados. Que melhor representação para o exílio, senão o estilhaço? Pontos nômades, sem centro, submersos no "lago das incertezas", subtítulo deste que é o terceiro livro de poemas do autor.

As 68 páginas do volume são atravessadas pela presença icônica de algumas linhas que menos costuram do que desfazem os nós de uma aventura na linguagem, espraiada em cinco seções que mesclam prosas e poemas. Pena que o volume, de 68 páginas, abertas por epígrafe de Silviano Santigo, e seguidas por arguto ensaio de Edmilson Pereira, não comporte sumário, para que o leitor se informe das etapas que o esperam nesse périplo: "das asas", "ponto", "histórias reais de um carnaval imaginário", "festival" e "do risoto ao Mar Morto".

Tais títulos já indiciam a resoluta opção por trilhas refratárias a compromissos "realistas", confessionais, em prol de uma elocução que investe na espessura da linguagem. A dicção de Lucas deseja-se intensamente poética, ainda que às expensas de maior grau de comunicabilidade. Daí, em algumas peças, a constituição de um mundo imerso no onírico ("se aros de bicicletas rangessem olhos"), em que as palavras, em vez de "explicar" a realidade, terminam por cifrá-la.

Num poema do livro de estreia. Onde (2011), declara Lucas: "poesia é alumbramento/... /é condensação de vertigens". Na segunda obra, 33,333-conexões bilaterais (2015), esmerada produção gráfica numa parceria com as imagens de Fernando Pacheco, o poeta permanece fiel a esse ideário, na busca de "palavras que trepam delírios". E em Exílio, não sem alguma ironia, declara: "você operária do verso coloquial/ permanecerei na órbita lunar/ .../ lerei seus posts ao contrário/ quem sabe me apaixono por você". Poeta lunar, na trilha de seu bisavô Alphonsus? Não exatamente, porque, se Alphonsus celebrava a luz da Lua refletida na Terra, Lucas prefere não aterrissar no planeta pedestre e "coloquial", optando por encetar viagens verbais que o lancem aos "brilhos das estrelas", território livre em que "feridas e sonhos remanejam o invisível".

Uma atmosfera sombria marca a primeira seção da obra. Em "das asas", tanto na prosa do texto inicial quanto nos versos da grande maioria das nove peças subsequentes o desencontro é a tônica, conforme se lê na forte imagem que arremata o poema "exílio": "corrimão de incertezas sob os dedos da saudade". A abertura em prosa, seguida de poemas, é, aliás, um procedimento que se reitera em todas as seções do livro. Um curioso mix de realidade e delírio perpassa os blocos quatro e cinco, em que textos inicialmente "referenciais" - um festival de poesia de que Lucas efetivamente participou, na Turquia, uma viagem à Europa e a Israel - sofrem gradativas interferências e estranhamentos, a ponto de desnortear as balizas de causa e efeito que o leitor, eventualmente, estivesse tentando erguer. Em Lucas, o real surge em fragmentos, e o resultado remete a um conjunto de peças díspares que não propiciam a tranquilidade apaziguadora de um espelho, mas, ao contrário, atiçam a percepção do desencaixe das coisas, afirmando que nada é exatamente o que supomos que seja. Mundo em contínuo deslizamento, espaço de fraturas expostas pelo verbo, eis a fabulação de uma poesia que não nos acalenta, mas provoca e desafia. Contra o bom senso e a previsibilidade, este "exílio", decididamente, nos faz mergulhar no "lago das incertezas".

Estado de Minas, 06/04/2018

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Antonio Carlos Secchin - Sétimo ocupante da Cadeira nº 19 da ABL, eleito em 3 de junho de 2004, na sucessão de Marcos Almir Madeira e recebido em 6 de agosto de 2004 pelo acadêmico Ivan Junqueira.

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sábado, 31 de março de 2018

ABL: ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN ABRE NA ABL O CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘AS CIDADES DOS POETAS’


A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de abril de 2018, intitulado As cidades dos poetas, com palestra do Acadêmico, professor, poeta e ensaísta Antonio Carlos Secchin. O tema escolhido foi Caetano Veloso: Londres e São Paulo. A coordenação do ciclo também é de Secchin.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

As outras três palestras do mês de abril serão proferidas pelos professores, poetas e ensaístas Felipe Fortuna(João Cabral de Melo Neto, dia 10), Emmanuel Santiago(Olavo Bilac, dia 17) e Adriano Espínola (Ferreira Gullar, dia 24). Sempre às terças-feiras, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, da ABL.


Acadêmico Antonio Carlos Secchin convida para o ciclo "As cidades dos poetas"


Sobre sua conferência, Secchin afirmou: “A palestra versará sobre a construção da ideia de cidade – no caso, Londres e São Paulo – a partir da subjetividade do poeta: as cidades, mesmo reais, são também, e sempre, inventadas, pois a memória, em vez de ser objetiva, deixa-se penetrar pelos sentimentos e pela imaginação. Examinarei a elegância discreta de Caetano Veloso ao recordar um espaço – Londres – e um tempo (o do exílio) em que não foi muito feliz, contrapondo essas rememorações ao mergulho afetivo e afetuoso na São Paulo de fins da década de 1960”.

O CONFERENCISTA

Sétimo ocupante da Cadeira nº 19 da ABL, eleito em 3 de junho de 2004, Antonio Carlos Secchin é professor emérito de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Letras pela mesma Universidade.

Poeta com oito livros publicados, entre eles Desdizer (poemas inéditos mais poesia reunida, 2017), e Todos os ventos, ganhador de três prêmios nacionais para melhor livro do gênero publicado no Brasil em 2002. Ensaísta, autor de João Cabral: a poesia do menos (1985), Poesia e desordem (1996), Escritos sobre poesia & alguma ficção (2003), Memórias de um leitor de poesia (2010), Papéis de poesia (2014), João Cabral: uma fala só lâmina (2014) e Percursos da poesia brasileira (2018).

Secchin já proferiu 499 palestras em quase todos os estados brasileiros e no exterior. Professor convidado das Universidades de Barcelona, Bordeaux, Califórnia, Lisboa, Mérida, México, Los Angeles, Nápoles, Paris (Sorbonne), Rennes e Roma.

Autor de mais de 500 textos (poemas, contos, ensaios) publicados nos principais periódicos literários brasileiros e internacionais. Em 2013, a editora da UFRJ publicou Secchin: uma vida em letras, reunião de 88 artigos, ensaios e depoimentos em homenagem à sua atuação nos campos da poesia, do ensaísmo, do magistério e da bibliofilia.

28/03/2018 - Atualizada em 28/03/2018



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