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terça-feira, 30 de outubro de 2018

ALÍVIO, ESPERANÇAS E VIGILÂNCIA - Péricles Capanema


30 de outubro de 2018

No Rio de Janeiro, comemoração da vitória em frente ao condomínio onde reside Bolsonaro

♦  Péricles Capanema
Pouco depois das sete horas da noite de domingo, o Brasil tomou conhecimento de que Jair Bolsonaro estava eleito. Apesar do bombardeamento pró-Haddad dos últimos dias da campanha, proveniente de todos os setores da opinião que se publica, a votação consagradora de Bolsonaro evidenciou a exasperação do sentimento antipetista e antilulista (na opinião que não se publica).
Alívio generalizado – ufa! ­– a brisa fresca alimentou a esperança de nunca mais termos o pesadelo macabro que assombrou a nação de 2002 a 2016. Contudo, porcentagem considerável, quase 45%, manteve-se chegada ao avantesma, cujo retorno aterroriza a maioria.

Em linhas muito gerais, de um lado esteve o Brasil que anseia por crescer, produz, aspira a autonomias e liberdades. Passa além das fronteiras agrícolas na busca de espaços novos e ultrapassa limites difíceis na vida pessoal e profissional. Esbanja ânimo, topa enfrentar as agruras da vida, esperançado encara o futuro.

Convém lembrar rapidamente, é o Brasil que nutre simpatias pelo princípio de subsidiariedade, quer menos Estado e mais protagonismo da sociedade. Nesse lado está também o País apavorado com a desordem, com a violência no campo e na cidade, amigo da família e da disciplina, religioso em sua maioria. É significativo, no geral as grandes cidades votaram mais pró-Bolsonaro que os núcleos do interior. É o Brasil do avanço. No que tem de melhor, mesmo que de forma inexplícita, são setores atraídos pelo crescimento, pela plenitude.

Vamos ao outro lado. Votou na chapa do PT – PC do B o Brasil que depende do Estado, acostumado ao clientelismo, agarrado a privilégios injustificados, receoso da autonomia e da competição. A esse contingente, somaram-se grupos letrados, enquistados na alta administração (nossa Nomenklatura), no entretenimento, nas redações, na academia, nas sacristias; também em franjas de clubes grã-finos.

No entretimento, o ambiente contestatário e libertário alimentou os apoios de Fernando Haddad. Nas sacristias, academia e redações, além de tal caldo de cultura, a escravidão a ideais coletivistas e igualitários. Contingente gigantesco que se nutre de mitos, é infecção resistente aos antibióticos da realidade. No que tem de mais preocupante, é sempre leniente com as atrofias pessoal e social, presentes nas soluções totalitárias, por vezes as namora. Como na Venezuela. Representa com autenticidade a vanguarda do atraso, o Brasil do retrocesso.

De passagem, mais uma vez se revelou atual o livro de Julien Brenda, primeira edição de 1927, La trahison des clercs [A traição dos intelectuais], denúncia aguda da misteriosa propensão que têm os letrados, desde há muito, de se unirem ao que existe de pior na sociedade – cegos e obstinados companheiros de viagem de correntes demolidoras; vão até o precipício e nele pulam, juntamente com os fanáticos da revolução, afundando todos. Foi assim na Revolução Francesa, foi assim na Revolução Comunista, será assim aqui algum dia, se o povo não se vacinar contra os vírus que disseminam.

Um reparo. O Brasil simples que depende do Estado não é majoritariamente esquerdista. Parte importante dele nem sabe o que é esquerda, precisa sobreviver. Fatia grande dele votou no Andradepor medo do desamparo. Tem condições de ser resgatado do rumo errado. Ajudado com critério, pode tomar rumo certo.

Acabou a campanha, chegou a hora de pensar feridas, relevar agravos, procurar a reconciliação. Seria bom que assim acontecesse. Receio que, se vier, será superficial. As divisões na sociedade brasileira estão enraizadas. Desmobilização e descuidos serão fatais no lado que venceu as eleições. No mais profundo, uma parte do Brasil optou pelo crescimento, deseja a plenitude. A esperança deita nele suas raízes. Outra parte, infelizmente, favorece o coletivismo, não foge da atrofia. Que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.


Comentário:

Costa Marques
30 de outubro de 2018
Afastada a ditadura petista temos condições para re-pensar o Brasil. Como bem observou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro “Projeto de Constituição Angustia o Pais” (1988) o presidente da República é um mandatário e o mandante é o povo que o elegeu. Por causa disso, sempre as forças vivas da Nação poderão fazer lobbyes no sentido conservador, favorável à propriedade privada, à familia, aos valores morais. CostaMarques.



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A LEITURA REAL DA URNA


E pra encerrar a conversa com quem quer que seja, que não aprove a vitória de Bolsonaro, olhem que texto perfeito e que recado bem dado.

A Leitura Real da Urna

Os petistas ainda não entenderam o que aconteceu.

Eu explico.

Quem venceu a eleição fomos nós e não o Bolsonaro.

Nós vencemos a eleição para ele.

Nós vencemos sem partido.

Nós vencemos sem Jornal Nacional.

Nós vencemos sem Exércitos MST e cia Ltda

Nós vencemos sem dinheiro.

Nós vencemos sem horário político e propagandas milionárias.

Nós vencemos sem a presença do candidato por mais de 30 dias hospitalizado.

Nós vencemos sem Temer, FHC, Marina, Ciro, Alckmin, Barroso, Tofolli, Chico, Caetano, Segunda Instância, Folha, Estadão, e o Diabo a Quatro.

Pra falar a verdade, eu não sei como vencemos, o que sei é que vocês erraram o alvo, erraram feio, perderam um tempo danado tentando achar uma culpa no Capitão e não perceberam que o inimigo era nós e não ele.

Vocês esqueceram toda a tortura que nos fizeram durante esses 16 anos. Seus ídolos nos fizeram de idiotas e vocês riram na nossa cara de coxinha com o seu bafo de mortadela.

Vocês se esqueceram de tanta crueldade feita contra esse povo. 

Vocês  esqueceram de que cada real roubado saiu do bolso de um de nós.

E, o pior, vocês esqueceram de que tudo tem um limite, e esse limite fomos nós.

Desta vez nos iríamos ganhar de qualquer maneira, com Bolsonaro ou com qualquer outro que se posicionasse a direita desta máfia esquerdista instalada nos quatro cantos da nação.

E para encerrar, eu os conforto, não se preocupem com o Bolsonaro, nos sabemos muito bem o que queremos e se por uma fatalidade ele sair fora da linha, nos iremos sair com ele muito mais fácil do que saímos com a sua presidenta.

Democracia não tem partido e bandeira, somente a vontade do povo.


(Recebi  via WhatsApp - Autor desconhecido)


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LÍNGUA PORTUGUESA E CULTURA DA PAZ - Marco Lucchesi


Exmo Sr. Presidente da ACL, dr. Artur Anselmo
Exmo Sr. Acadêmico Antonio Valdemar
Ilustres membros
Senhoras e Senhores

Do sonho dos poetas e escritores lusitanos vivi anos a fio de minha juventude. Protegido pelos fortes dos séculos XVI e XVII que margeiam a Guanabara, entre o Rio e Niterói, e velam o tesouro da língua que me precede e arrebata. Tal como o farol intermitente da fortaleza de Santa Cruz, quando fixo a entrada noturna da baía. Origem de uma língua que tem o mar como destino e comunhão.  Minha janela alcança o velho mar que nos une.

Nenhum corsário, por incógnito e sub-reptício, será capaz de arrancar de nosso meio a intensidade do til e da nasalização e a plácida melodia das vogais manuelinas, vibráteis, cuja precisa escansão é um tributo ao erário de um português fiel a seu passado. Nossa língua não perdeu seu dna, antes amoldou-se, onívora, a um destino polifônico.

Se adentrarmos os subúrbios da Leopoldina, a voz do povo reveste-se da pátina quinhentista, para além da toponímia, nas antigas flexões e prefixos verbais, boa parte de quanto surde nos cantos de Os lusíadas, pronunciados pela gente simples, as levas migratórias das ilhas e continentes que foram outrora de el-rei e dos impérios da África.

Meus ouvidos de menino seguiam essas ondulações, fluxo e refluxo, passado e futuro, aquela mesma síntese com a qual Machado de Assis inventou uma expressão toda sua, forjada num eterno presente, rigoroso e salutar.

Dei início a uma navegação de cabotagem, sem agulhas de marear, na imensidão linguística do português, às vezes, em horizonte trágico-marítimo, armado de sonho claro e de esperança vã, ao renegar o nec plus ultra de minhas colunas de Hércules, inspiradas desde a escola de Sagres ao tempo extinto da Ulisseia, de Gabriel Pereira Castro. 

Em meus albores, tomei o partido de Vieira na carta ao Bispo do Japão, porque um dia dom João IV há de ressuscitar, e a cujo encalço lançamo-nos há séculos para, quem sabe, atravessarmos, um dia, o atalho do espaço-tempo, a famosa ponte de Einstein-Rosen. Teci infinitas conversações com Cesário e Florbela, desde a rapariga de “um bairro moderno” a seu anverso feminino e àquele cabo tormentório, em cujas águas se ocultou.

Tal como Sá-Carneiro, ando perdido entre o que sou e uma intangível alteridade, a salvo, tão-somente, porque unido aos heterônimos de Pessoa, em cujas formas se dissolvem meus cuidados.

Quantas luas contei nas águas, densas e bravias, plácidas e altivas, de Camões, antes de vislumbrar a esplendorosa Vênus desnuda. Morro-me quando procuro Antero, entre nuvens e relógios, ao longo de um inacabado por de sol e, com igual fervor, afundo os remos na noite escura de Al Berto, furiosa e quebradiça, tamanha a sua beleza imponderável.

Não me afasto um centímetro da matemática de Gedeão, pois a ideia-número guarda uma poética intrínseca.

E vou cercado pelo magma de Herberto, cuja atividade vulcânica não cessa na minha alma sísmica, lapili de palavra e soledade, ritmado o esconjuro intermitente à hora mortis.

Embora a lista se apresente inacabada, invoco a latência de um emblema: dom Sebastião, perdido nas lonjuras de um império imaterial.

Procuro a desejada parte oriental, mais imprecisa e ecumênica, através de Mensagem e Tabacaria, frutos sazonados de uma abrangência fundada nas coisas mais diáfanas e sutis.

Como não lembrar de José Régio, “naquela alvorada de névoa”,  prefácio do rosto de el-rei: 

“Numa Ilha ignota é que ele agora vivia, o Encoberto e o Desejado de sempre. E um dia viria, numa alvorada de névoa, resgatar o seu Reino da pobreza e da vergonha [...] o capitão de Deus, o Rei da esperança maior que os desesperos, o vencedor da sua própria imperfeição mortal...”

Quanto seria longo e inútil confessar a adesão sebástica de que sou vítima, os encobertos que busquei, nos labirintos de Vieira e nas águas conceituais de Pessoa, nos excessos de Sampaio Bruno e no feixes de sentido em Teixeira de Pascoaes. Cada qual inclinado ou arrastado a um multiverso de futuro incompossível, tão variegados se mostram entre si as leituras dissonantes de um rei inacabado.

A inscrição do futuro dá-se através do legado de um espectro flutuante das línguas portuguesas, a imagem sebástica,  aqui e agora, pois a volta ao passado é apenas uma hipótese da teoria de Gödel, restrita a não poucos impasses.

Em outras palavras, não será possível alcançar, através da máquina do tempo, o rosto de dom Sebastião. Somente nas malhas da língua viva, nos poros da pele, nas muitas cores e diversas latitudes, na forma de grafá-las ou traduzi-las é onde daremos início a uma  nova epistemologia: na interface com outras línguas, no tempo agora, no vislumbre da aura e de sua consequente epifania.

Língua que une e separa, integra e desintegra, partilhada por avaros e pródigos. Língua indomável, nas dobras e rizomas da interlíngua, no espaço entre as palavras, vogais e consoantes. Somente aqui a língua portuguesa assume toda a sua vocação especular, como na hóstia do padre Manuel Bernardes. Brilha no fragmento o sinal de uma totalidade interrompida, sem exclusão do sujeito, de seu irredutível espaço, de sua corrente identidade. Toda a  pertença, todo o acúmulo de sonhos que o atravessa, no rumorejar do tempo.

Lembro-me do ensaio de Mircea Eliade, Camões e Eminescu, no elogio das línguas extremas da latinidade, o romeno e o português, línguas de fronteira, capazes de enorme assimilação de mundo e espaço-tempo, um romaneio de palavras, para torná-las sui juris.

Línguas que se fazem notar pela beleza, Vênus desnuda, cujas extremidades se tocam no corpo de um latim que mal se reformou, entre o Atlântico e o Mar Negro, à deriva de demandas prístinas e atuais, como um graal inquieto e preservado. 

Língua sem barreiras, sem medo de arrostar novas comunidades, formas de diálogo que dissolvam  fantasmas ideológicos, em decomposição.

Foi Eduardo Lourenço quem corajosamente definiu, em A nau de Ícaro, o movimento pendular que une e divide nossos países. O Brasil não cometeu devidamente o parricídio, como se filho de si próprio se tornasse, sem forças de recuperar os laços fundadores. E Portugal não se libertou de uma saudade projecional do império, preso no labirinto de suspiros e saudades, nos braços do Minotauro, sem o fio de Ariadne. Diz Eduardo Lourenço, em outra parte, sobre uma possível lusodifusão:

“é no espaço cultural, não só empírico mas intrinsecamente plural, que os novos imaginários definem que um qualquer sonho de comunidade e proximidade se cumprirá ou não [...] É bom estar na casa dos outros como na nossa. É melhor que os outros estejam em nossa casa como na sua. Mas isso nem se pede, nem se sugere. Esperemos que nos encontremos em qualquer coisa como a antiga casa miticamente comum por ser de todos e de ninguém”.

Essa casa miticamente comum repousa na dinâmica de um projeto em construção, de todos e de ninguém, como o Homero da Grécia, reclamado por todas as cidades, nascido em todas as épocas.  Assim, pois, a casa comum da lusotopia, multidiversa e plurimodal, dispõe de um volume generoso de tempo, onde nos assentamos, respeitosos, sem esconder a síntese de que somos filhos e protagonistas, com as línguas ao sul do Atlântico, das Áfricas e das Índias.
   
Leio o capítulo sexto  da História do futuro e  substituo a presença de Portugal, sem a apagar, fixando-me no rizoma de proporções planetárias, a própria lusocromia:

Não venceram só a Poro, rei da Índia, e seus exércitos; mas sujeitaram e fizeram tributárias mais coroas e mais reinos do que Poro tinha cidades. Não navegaram só o mar Indico ou Eritreu, que é um seio ou braço do Oceano, mas domaram o mesmo Oceano na sua maior largueza e profundidade, aonde ele é mais bravo e mais pujante, mais poderoso e mais indômito: o Atlântico, o Etiópico, o Pérsico, o Malabárico, e, sobre todos, o Sínico, tão temeroso por seus tulões e tão infame por seus naufrágios. Que perigos não desprezaram? Que dificuldades não venceram? Que terras, que céus, que mares, que climas, que ventos, que tormentas, que promontórios não contrastaram? Que gentes feras e belicosas não domaram? Que cidades e castelos fortes na terra? Que armadas poderosíssimas no mar não renderam? Que trabalhos, que vigias, que fomes, que sedes, que frios, que calores, que doenças, que mortes não sofreram e suportaram, sem ceder, sem parar, sem tornar atrás, insistindo sempre e indo avante, com mais pertinácia que com instancia?”

Não se trata de um discurso de guerra, mas de seu contrário, uma conquista de mão dupla, sem vencedores ou perdedores. Metáfora de paz arrevesada.

Em tamanha diversidade, havemos de recuperar um dia o rosto de dom Sebastião. Como quem reúne os 14 pedaços de Osíris, ao longo do Nilo, para recompor sua figura. Ou, ainda, os 201 pedaços de Exu, desde a cultura iorubá, como lembrou recentemente o rei de Ifé, em visita ao Brasil, a fim de apaziguar a alma dos escravos mortos. Ou talvez melhor: quando, no Bhagavadgītā, toda a beleza de Kṛṣṇa se desvela, em seus olhos, como o Sol e a Lua conjugados,  os braços infinitos, sob intensa “massa de esplendor”, guardião do devir, fruto de uma insólita adição épica.

Assim também a língua portuguesa, como os rostos e os corpos de Kṛṣṇa, centrada e descentrada, ao longo de um núcleo semântico centrado  e descontínuo.

Eis a latência infindável de dom Sebastião, mártir redivivo, na etimologia do testemunho, de um tesouro equívoco, a desenhar a cultura da paz, das areias do deserto ao delta do Ganges, ao longo das “colaterais constantes rochas” do Amazonas, do Tejo e do Minho, aos rios e oceanos de um império urdido em metáfora e saudade.

Também aqui Sebastião: a espera ativa, de língua e liberdade,  onde se consumou boa parte de uma persona flutuante ou sediciosa, como em Canudos, visto por Euclides da Cunha, em Pedra Bonita fixada por Ariano Suassuna, nas rútilas distâncias de Goa e de Macau, em Timor Leste, nas ilhas de Cabo Verde afortunadas.

De todas as partes, a casa comum, cresce na urdidura delicada de que somos feitos, e emancipados no futuro, sem perder a origem e as dores do parto.

Um Sebastião travestido de língua, um rei ambíguo, transfigurado. “Última flor do Lácio”,  jardim afro-brasileiro, onde cabem todas as Índias, também uma jangada de pedra.

Não tenho dúvidas: a língua portuguesa é o semblante do Encoberto e Desejado, onde todos se reconhecem  numa densa e luminosa alteridade especular.

Muito obrigado pela acolhida neste egrégio Sodalício.

Discurso de posse na Academia das Ciências de Lisboa 16 de outubro de 2018

Portal da ABL , 18/10/2018


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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

FINALMENTE JÁ TEMOS PRESIDENTE! - Antonio Nunes de Souza


Depois de uma acirrada disputa, onde, praticamente, 50% de ambas as partes queriam eleger suas preferências com diferença pouco significativa, o Senhor Jair Bolsonaro, tornou-se o nosso próximo presidente!

Temos agora de respeitar essa vontade da micro maioria, dando-lhe apoios e participações nos acompanhamentos de projetos, planos e as execuções e realizações das promessas feitas em benefício do povo e do país.

Em nenhuma hipótese deixar que as coisas ocorram como no passado, achando bestamente que “é isso mesmo na política”. Já que estamos mudando para o novo e a novidade de pensamentos, se faz importante que não deixem as coisas caírem nas mesmices, apenas que mudaram as moscas, mas, a “merda” continua a mesma!

Não me canso de dizer, repetidamente, que as falhas nos cumprimentos, são sempre muito evidentes, pois, por mais cuidados que se tenha, nunca deixaremos de ter que enfrentar os larápio e corruptos que se infiltram nos partidos, somente para usufruir de benefícios através de comportamentos deploráveis e condenados. Temos que, mais que depressa, exigir que esses sejam denunciados, julgados, presos e punidos severamente pelos seus sórdidos atos. Felizmente, estamos contando com as polícias, civil, militar, federal e o auxílio direto das forças armadas, para que possamos nos sentir mais seguros e abençoados!

Será ele um bom presidente?

Não temos opiniões formadas para responder, antes de ver seu começo de gestão, a escolha de seus Ministros, auxiliares diretos, andamento das novas ideias e planos, principalmente demonstrando uma atenção bastante acentuada com o povo brasileiro em suas necessidades básicas!

Dou os parabéns pela sua vitória, coloco-me as ordens para ajudar no que for possível, exigir os meus direitos, cumprir os meus deveres, para ver se a escolha do povo foi benéfica ou não!

Não posso deixar de dizer alto e de bom tom que, seguramente, estou muito feliz de ver que essa corja de golpistas corruptos e bandidos está saindo, vergonhosamente, e que não deixarão saudades!

Antonio Nunes de Souza, escritor,
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL



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AOS INIMIGOS, O DIREITO DE ESPERNEAR - Padre David Francisquini


29 de outubro de 2018
♦  Padre David Francisquini*

Quanta sabedoria se encerra nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a hipocrisia e a malícia dos maus! Ele ensina e adverte por meio de São Lucas que nada fica oculto: o que for dito nas trevas será ouvido às claras, e o que se falar ao ouvido ou no gabinete será pregado sobre os telhados. Nas presentes eleições, o povo brasileiro vem tomando conhecimento de tudo aquilo que o PT pretendia fazer para prejudicar ainda mais nosso País.

Circula nas redes sociais em forma de vídeos uma avalanche de documentos demonstrando todo o mal já feito e que poderá ainda ser feito se as urnas entregassem o Brasil à esquerda. Para esta, o que importa não é o País, mas o sistema ideológico de seus protagonistas. A Nação deve apenas lhes oferecer os meios para implantar esse sistema espúrio que nega a ordem natural das coisas e os Mandamentos da Lei de Deus.

Para o comunismo o que importa é a ideia, aquilo que representa o plano traçado, uma concepção metafísica em que a família e a propriedade são golpeadas e feridas de morte, para se chegar à destruição da hierarquia e de todos os valores postos por Deus na ordem do universo. A atual palavra-chave dessa verdadeira seita mundial é “desconstrução”, ou seja, desfazer tudo aquilo que recebemos dos nossos antepassados através das sadias tradições.

Ao desconstruir a família, o que se pretende é demolir igualmente o direito de propriedade e a hierarquia, que é o fundamento de tudo. Se as famílias forem bem constituídas, tudo andará bem, até a economia. Caso contrário, tudo caminhará para o desastre, para a miséria, para a desolação. É o que nos demonstra a História, mestra da vida, e no presente isso é patenteado nos exemplos da Venezuela, Cuba e Nicarágua.

Tomemos o caso da ideologia de gênero e do “casamento” homossexual, presente em todos os programas dos partidos políticos da esquerda. O objetivo apontado por seus ideólogos é eliminar o que ainda resta da família patriarcal, herança da civilização cristã. Teríamos de chegar ao século XXI do nascimento de Jesus Cristo — que dividiu a História em antes e depois — para se falar e se propor tamanha aberração que clama aos céus e pede a Deus vingança.

Na verdade, tal programa visa instaurar no Brasil o regime socialo-comunista, com a eliminação de todas as desigualdades, se possível fosse, e a implantação do amor livre. Seus próceres se empenham em promover manifestações públicas, como a marcha das vadias, com a participação de mulheres nuas e integrantes da chamada contracultura, todos blasfemando, quebrando crucifixos e imagens como a de Nossa Senhora Aparecida, ações que transudam ódio à Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

O plano de governo da esquerda tupiniquim, segundo esse projeto universal, é realizar um novo processo constituinte — como se com suas concessões ao socialismo e outras mazelas a atual Constituição já não bastasse — para o estabelecimento de um Estado totalmente laico que exclua as igrejas do exercício do poder político e promova a “saúde integral da mulher” para o pleno exercício dos seus direitos sexuais e reprodutivos…

Isso significará a liberalização de todo tipo de aborto, a legalização da prostituição, a promoção da cidadania LGBT, a orientação sexual e a identidade de gênero, a implementação do programa da transcidadania, com bolsas de estudo para travestis e transexuais, além da legalização e livre comercialização das drogas.

Não por acaso lemos no ideário de Lênin:

— Corromper a juventude por meio de sexo; controle da mídia; dividir a população em grupos para que haja desentendimentos; desconfiança em relação a seus líderes; derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nos governantes; esbanjar dinheiro público para produzir pânico e desassossego na população; quebrar a imagem do país e infiltrar-se nas instituições; promover greves ilegais, distúrbios, para desestabilizar as autoridades; catalogar todos os que têm arma de fogo, para elas serem confiscadas, e impossibilitar a sua posse para que não haja resistência; falar sempre em democracia e Estado de direito; assumir o poder e o controle de tudo.

Foi exatamente o que o PT tentou fazer em todos esses anos de governo, promovendo a destruição da família e do Estado. Felizmente, entre a Igreja Católica e o socialo-comunismo não há conciliação. Um católico não pode favorecer um regime materialista e ateu. Pio XI e Pio XII afirmaram que não se pode favorecer o regime socialista nem o comunista, porque eles são intrinsecamente maus. Pio XII introduziu pena de excomunhão para quem favorecesse e ingressasse num partido comunista, pois este contraria a doutrina ensinada por Nosso Senhor.

Nosso Divino Salvador nos ensina que não podemos servir a dois senhores. Ele vai mais além, ao afirmar que “sereis perseguidos por causa do meu nome. Não vos admireis de que o mundo vos odeia, porque me odiou primeiro”. E nos recomenda prudência: “Caiu a chuva, transbordaram os rios sopraram os ventos, investiram contra aquela casa e ela caiu e foi grande a sua ruína” (Mt 7, 24 e seg.). Ruiu porque não estava fundada sobre a rocha.

Todo aquele que ouve essas palavras e não as pratica será como o homem insensato, que edificou sua casa sobre a areia. O Brasil é um país nascido à sombra da Santa Cruz e batizado com a celebração da Santa Missa. Mais tarde, por decreto do Papa São Pio X, ele foi consagrado a Nossa Senhora Aparecida.

A fim de obter a graça de ser mãe, a Princesa Isabel se dirigiu ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida e fez ali uma promessa. Nessa ocasião, entregou o Brasil à sua atual Rainha, ato que foi reconhecido e acrescentado por São Pio X, que constituiu Nossa Senhora Aparecida Imperatriz do Brasil e defensora perpétua do povo brasileiro. A Princesa Isabel mandou confeccionar com suas próprias joias um manto para Nossa Senhora, a quem deu também uma coroa de ouro. E Ela reina sobre o Brasil… Resta aos seus inimigos o jus sperniandi…

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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ), colaborador da Agência Boa Imprensa.


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domingo, 28 de outubro de 2018

ABL: SEMINÁRIO ‘BRASIL, BRASIS’ DE OUTUBRO DEBATE NA ABL O TEMA LITERATURA E MERCADO, COM AS PARTICIPAÇÕES DE SÔNIA MACHADO JARDIM E PAULO ROBERTO PIRES



Academia Brasileira de Letras dá continuidade à série de Seminários “Brasil, brasis” de 2018 com o tema Literatura e mercado, sob coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de 2006), e coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres (oitavo ocupante da Cadeira nº 23, eleito em 7 de novembro de 2013). Os convidados para participar do evento são a Presidente do Grupo Editorial Record, Sônia Machado Jardim e o jornalista, escritor e editor Paulo Roberto Pires. O evento está programado para o dia 30, terça-feira, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.

O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.

 
OS PARTICIPANTES

Graduada em Engenharia Civil pela UFRJ, Sônia Machado Jardim tem Pós-Graduação em Finanças na IAG-PUC/Rio, além de cursar o Mestrado em Administração de empresas na COPPEAD.

Trabalhou por mais de 10 anos em empresa de engenharia antes de ingressar, em 1995, como Diretora Administrativa-Financeira na editora Record – empresa fundada por seu pai, o editor Alfredo Machado, em 1942, e que se tornou um dos maiores conglomerados editoriais da América Latina.

Sônia Machado Jardim foi Presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) entre 2008 e 2014, do Instituto Pró-Livro (IPL) entre 2009 e 2011 e da Associação Nacional dos Editores de Livros (ANEL) entre 2011 e 2014, período em que atuou pelo fim da censura às biografias, pela imunidade tributária dos livros digitais e liderou a realização das bienais internacionais do Livro do Rio de 2010, 2012 e 2014. Desde 2016, é presidente do Grupo Editorial Record.

Paulo Roberto Pires é jornalista, escritor e editor. Professor da Escola de Comunicação da UFRJ, edita a serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, e é colunista da revista Época. É autor das biografias Hélio Pellegrino – A paixão indignada (1998) e A marca do Z: a vida e os tempos do editor Jorge Zahar (2017) e dos romances Do amor ausente (2001) e Se um de nós dois morrer (2011). Trabalha atualmente numa biografia de Millôr Fernandes.

17/10/2018


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TERRAS DA MORTE – Cyro de Mattos


Terras da Morte
Cyro de Mattos


            Queria acompanhar um enterro e ver pela primeira vez como era que enterravam o defunto no cemitério. O enterro às vezes passava pela rua do comércio. As pessoas cabisbaixas atrás seguiam o caixão com o defunto, que era levado pelos homens mais jovens. Quando cansavam, revezavam-se. Outros homens seguravam agora nas alças do caixão, e o cortejo prosseguia em silêncio na rua de chão batido. Contornava a rua do comércio, rumo ao cemitério.

            Gente parava nos passeios, tirava o chapéu em sinal de respeito ao morto, curiosos apareciam na porta das lojas.  Ficavam olhando o enterro passar com as pessoas tristes. Algumas levavam flores nos braços, os parentes e amigos do morto. Quando era enterro de criança, meninos e meninas acompanhavam o cortejo à frente do caixão, vestidos como anjo num camisolão de cetim branco, uma coroa de flores na cabeça. Tinham asas feitas com penas de galinha, presas às costas. Levavam flores alvas e cantavam canto de igreja com os pequenos corações contritos.

            A primeira vez que vi um enterro de criança soube então que menino como eu também morria. Ia para o céu, claro, o padre dizia isso na missa, que Jesus gostava muito das crianças porque eram puras, não tinham os pecados de gente grande.

            Mas o que era a morte, comecei a indagar lá em casa. A mãe falou que era uma mulher feia, mas quem acreditava em Jesus e seguia os preceitos que o filho de Deus ensinava não devia temê-la. Quando ela chegava para carregar uma pessoa para o além, que é o outro mundo, quem foi bom aqui nesta terra, não cometeu pecado pesado, vai ter o seu anjo de guarda para levar a alma para morar na casa de Nosso Senhor. Quem foi mau, cometeu os piores pecados, como matar o semelhante, a morte leva a alma dele para o fogo do inferno. Quem foi ora bom, ora mau, vai ser levado para o purgatório, uma espécie de lugar onde a alma fica sofrendo pelos pecados menos pesados que cometeu até se purificar e alcançar o perdão de Deus.

            Tudo isso que a mãe explicava sobre a morte podia ter sua verdade e até me convencia em parte sobre o que essa mulher feia gostava de fazer a cada pessoa que levava para outras terras... Só não gostava quando perguntava se um menino depois de morto podia voltar de novo para brincar com os amigos aqui na terra, e a mãe revelava que nunca ninguém soube que isso já havia acontecido um dia.

            - Então a morte que vá comer bosta de galinha! – dizia eu, fazendo com que minha mãe desse uma boa risada.

            Quando perguntava ao pai o que era a morte, ele prontamente dizia que com ele a bicha imunda não viesse se fazer de prosa. A taca de couro grosso estava ali mesmo guardada no baú para dar umas boas tacadas na indesejada, se ela algum dia entendesse de querer lhe fazer uma visita.

             Sorria agora eu, satisfeito com a coragem que o pai demonstrava para fazer correr a morte, se ousasse aparecer lá em casa, ia receber na mesma hora uma boa surra aplicada nas costelas dela com a taca de couro grosso.

            Naquele dia resolvi acompanhar o enterro que passava pela rua do comércio com poucas pessoas. No início acompanhei de longe, precavendo-me para que algum amigo de meus pais não me visse e fosse contar depois o que eles certamente não aprovariam. Ficariam zangados e me colocariam de castigo. Proibido de brincar com os amigos por vários dias.

            Quando da ladeira em que o enterro subia vagaroso se avistou o muro do cemitério, aproximei-me por trás das pessoas que participavam daquele cortejo calado, com seus ares tristes. Pouco depois, entrava com o enterro no cemitério, que eu via pela primeira vez e que me deu com seus ares sombrios um frio na barriga, como nunca tinha sentido. Tímido passei os olhos pelas galerias com muitas gavetas tapadas com tijolos, pintadas de cal. O nome do falecido inscrito em cada gaveta. Observei capelas com retrato dos falecidos lá dentro, escultura de homens importantes em cima dos mausoléus de mármore. Lá embaixo, a terra cheia de cruzes indicava covas rasas, provavelmente ali os pobres eram enterrados. Foi para lá que o enterro se dirigiu.

            A cova já estava cavada num buraco para receber o caixão com o morto. Antes de descerem o caixão, a mulher de cabelos brancos, num vestido pobre, pediu que tirassem a tampa. Queria ver o marido pela última vez. Ela passou a mão no rosto do morto, que estava preto feito carvão, os olhos fechados. A mulher começou a chorar alto. Esperei que descessem devagar o caixão no buraco, , estava amarrado com cordas grossas pelas alças...O coveiro jogou depois pás de terra, que aos poucos foi enchendo o buraco. A mulher continuava a chorar alto. Comecei também a chorar e, antes que ouvissem meu choro, fui saindo dali nervoso, tropeçando nos passos. 

* Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC.


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