Há uma passagem na Bíblia onde Deus nos compara as Rosas de Saron.
para entendermos essa analogia, temos a seguinte explicação:
Saron era uma terra de difícil sobrevivência, uma terra no deserto,
árida e muito quente.
Mas Saron tinha a terra ideal para produzir as rosas mais perfumadas
que já se viu na terra, onde apenas uma pétala chegaria a produzir uma grande
quantidade do mais valioso perfume.
Essas flores possuíam um valor tão alto que os cultivadores na época de
floradas costumavam colocar guardas armados para guardar seus cultivos.
As Rosas de Saron são flores cultivadas em terras difíceis, debaixo de
um forte sol escaldante, em meio a terreno pedregoso, cheio de espinhos, onde a
água é difícil de encontrar, e os predadores são muitos, pois ela é uma flor
muito apreciada.
Meditando na comparação de Deus e as rosas de Saron assim somos nós
para Deus, flores cultivadas no meio das provas, das dificuldades, das
angústias, testados no fogo ardente, humilhados pelos que poderiam nos amar,
perseguidos por aqueles que não amam a Deus, e não reconhecem em nós a beleza
das flores e seu perfume.
E, quando começamos a exalar nosso perfume, muitos tentam roubar nosso
dom, nossa linguagem, nossa virtude, a alegria de servir a Deus e a confiança
de que venceremos, colocando em nós tristezas que até chegam a muitas das vezes
nos afastar do jardim de Deus.
Mas assim como os cultivadores das rosas de Saron colocam guardas
armados, Deus também coloca seus anjos armados com espadas de fogo como guardas
dos seus fiéis, pois aqueles que exala perfume são perseguidos pelo adversário,
mas são guardados por Deus.
O perfume do cristão é o seu testemunho, seu temor, sua obediência, a
capacidade de suportar as provas sem murmurar, é um doce perfume, e ter em si o
dom maior, o amor é o mais caro perfume que temos, e por essa razão Deus
comparará aqueles que tem essas características as rosas de Saron.
Somos as flores que produzem o mais valioso perfume: A glória,
obediência, o temor, a consagração, a reverência e toda honra que é dada a um
único Deus que fez o céu a terra e tudo quanto neles há!
Perfume esse que o próprio inferno se levanta para tentar roubar.
Mas nada pode te tocar ROSA DE SARON, porque a teu respeito foi dada a
ordem aos anjos para te guardarem em todos os teus caminhos.
Depois de algum tempo sem produzir eventos em Tabocas, a
Associação Cultural Amigos do Teatro - ACATE, volta a cena cultural da cidade
prometendo agitar a avenida Beira Rio, tendo como pano de fundo o pôr do Sol às
margens do Cachoeira e também o mais novo cartão postal da cidade que é a
Passarela da histórica Ilha do Jegue.
Com uma proposta de unificar, socializar e difundir as
diversas modalidades artísticas e culturais do imenso celeiro que é a cultura
de Itabuna, a ACATE traz uma proposta que não é novidade, pois os festivais não
competitivos se espalham por todas as regiões do país, mas são de fundamental
importância para divulgação de artistas emergentes e consolidação dos já
consagrados numa troca de experiências frenéticas que é semelhante às grandes
festas literárias ou festivais de MPB, gastronômico dentre outros.
Segundo Ari Rodrigues, idealizador da ação, a primeira
edição do Festival Pôr do Sol é um projeto piloto que se emplacar, movimentará
o cenário artístico cultural desta cidade. Rap, Forró e Rock, Literatura,
Gastronomia, Contação de histórias, Poesias, Lançamentos de Livros, Artesanatos
e muito mais é o que promete a organização do evento. “Como não temos
patrocínio, contamos com nossos parceiros, que viabilizaram a realização deste
evento” ressalta a presidente da ACATE Eva Lima que chega recentemente de uma
jornada por dez cidades do interior realizando um projeto de sua autoria
contemplado pelo FAZCULTURA.
A programação começará a partir das 16hs. com as seguintes atrações:
Aulão de Zumba com o Studio S Dance
Contação de histórias com o projeto Letras que Voam da FICC
Apresentação do Raaper Mano Sabota
Apresentação do Coral – Vocal Orion
Número de dança Malandros com Aldenor Garcia
Número de Tango com o grupo Conectango
Show com a Banda Cangaceiros do Forró
Show com a Banda Caput Rock
Esta é a programação que vai acontecer no palco. Paralelo a
isso, vão estar acontecendo lançamentos de livros no stand da editora
Mondrongo, visitação e também lançamentos de livros no stand da Academia
Grapiúna de Letras-AGRAL, contação de histórias e brincadeiras infantis no
stand do projeto Letras Que voam, Chá de tortas doces e salgadas no stand do
Instituto Luz do Novo Mundo e bebidas e comidas nas diversas barracas além de
chocolates artesanais que estarão a venda também na praça.
A expectativa é que a segunda edição do projeto aconteça
ainda neste semestre.
SERVIÇO
O que? Projeto Festival Pôr do Sol
Onde? Avenida Firmino Alves, em frente ao Módulo Center
O humor
acontecia no Campo da Desportiva e entrava para o anedotário com os apelidos
dos jogadores. Balaco, Galeão, Puruca, Pedra, Tuta, Zé Prego, Sapateiro,
Tenente Cotó, Ruído, Pipio,Jeguinho,
Lubião, Bacamarte e Mil e Quinhentos. Notempo da Associação, São Cristóvão, Grêmio, Itabuna e Janízaros,primeiros anos do Campo da Desportiva, os
apelidos soavam como fantasia ou um sinal de identificação de inteira verdade.
Apareceram
tempos depois jogadores com o apelido de Camamu,Mão-de-Tripa, Porroló. Galalau, Pantaleão,
Nonô Piquete. Carrapeta,Gajé.
Chicletes,Mundeco, Bita.Pintado Alfaiate, FerrugemeDiaço.Dois jogadores tiveram o
apelidode Jeguinho em épocas diferentes.
Eramparentes, tio e sobrinho, jogaram
no Janízaros comozagueiro central.Bacamarte também foi o apelido de dois
zagueiros. Umjogou na Associação, o
outro no Flamengo de Paulo Ribeiro. Eram defensores vigorosos.O chute violento de cada um delesexplodia como um tiro de bacamarte.
Oapelido era tirado do sobrenome do
jogador.Carpóforo, Mangabeira, Barros,
Marinho e Wense, que de vez em quando aparecia no jornal escrito como Vence.
Fazia alusão a um bicho. Caxinguelê, Peba e Macaquinho. Bacurau, atacante,
gostava de marcar gol no fim do segundo tempo, as sombras do entardecercomeçandoa dificultar a visão da bola.
Às vezes,a expressão composta de nome e apelido
formava o chamamento inusitado.Eliezer
Melgaço, Orlando Anabizu, Ronaldo Chiranha, Edson Gasolina, Alberto Pastor,
Valdemir Chicão. Ou consistia em um composto sonoro, comentonação agradável de ser pronunciada.Carlos Riela, Fernando Riela, Plínio
Assis.Alguns apelidos revelavam que o
seu dono era um jogador de recursos técnicos e possuía um futebol de alto
nível. Doutor Clóvis, Professor Juca, MestreDelicado.
Havia
Tombinho e Tombinha. O primeiro jogou na Associação, ponta-direita,de estatura pequena,o corpo redondo tombava a todo instante, era
só o marcador disputar a jogada com o ombro ou encostar nele, mesmo de
leve.Tombinha jogava para o time, não
aparecia durante o decorrer da partida. Poucas eram as pessoas que o conheciam
quando se falava emManoel Marques. Se
você falasse em Tombinha, as façanhas do jogador mais catimbeiro que atuouno Campo da Desportiva eram lembradas por
jogadores e desportistas.
Corria no
jogoapelidos com o nome de mulher.
Odete e Vanda. Do último se sabe que a alcunha veio da infância. O menino tinha
os cabelos grandes e usava trança, a mãe achava-o parecido com uma menina,
daíter dado ao filho o apelido de
Vanda. De tanto os irmãos chamá-lopelo
apelido, pegou feito visgo.Também o
craque Santinho trouxe o apelido da infância.Familiares que viam o menino dormindodiziam que “ele parece um santinho.”
Uns
aludiam a peixe. Piaba,Peixe-Louro.
Outros lembravam um bicho. Caxinguelê. Gato Preto, Aranha, Macaquinho, Ratinho.
E ainda outros davam a entender que o jogador tinha outra nacionalidade. Sírio,
Sueco, China, Gringo, Americano, Paraguaio.Para não se falar do apelido indicando que ali no donoestavaum jogador igual a um corredor nato. Velocidade, Carlito Agonia.
Chegavam a ser reverenciados pelos seus admiradores como os filhos do vento,
tanto eles corriam. O apelido de Zé Pretinho e Louro revelavam a cor do
distinto jogador,claro.
Qual
desses era o melhor, o mais ou menose o
pior? O artista e o mais eficiente? No começo, meio ou fim de carreira?
Qualquer atividade humana é feita com gradações como resultado de quem a
exercita. É assim também com o futebol,um jogo coletivo no qual cabem diversos protagonistas. Nesse esporte, a
individualidadesurge com o coletivo. Não
importa o apelido, haverá sempre os que se sobressaem,os que rendem pela eficiência e os que ficam
no anonimato.
Cada um
com a sua classe, seu esforço, sua graça. Levava o torcedor ao pequeno e
prazeroso Campoda Desportivapara aplaudir, vaiar ou sorrir,do primeiro ao último minuto do jogo.
.................
Cyro de Mattos – é baiano de Itabuna. Escritor e poeta,
Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia).
Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de
Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.
Nós não fomos feitos para isso, a não ser para policiarmos
áreas em que já destruímos o inimigo praticamente de maneira total, pelo
emprego total de nossas armas e poder de fogo.
Não temos o perfil de patrulhar ações pontuais, em área
completamente sob o poder do inimigo. Estão nos colocando (e a nosso potencial
humano combatente) numa situação de fragilidade perante a lei do politicamente
correto. Qualquer militar que atira, que matar, certamente vai começar tendo
sua arma recolhida, para exame balístico.
Isso não existe para nós na guerra, nossa destinação.
Somos totalmente diversos de uma destinação da honrosa
policia, por princípios de emprego. O policial atira se a voz de prisão não for
respeitada, o Exercito é feito para atirar primeiro e quem não quiser morrer
que se renda, totalmente diferente.
A Policia é muito mais capaz de atuar nesses eventos
pontuais de desordem. Nós somo profissionais do aniquilamento, embora muitos
que já se tornaram "vovôs" tenham perdido a noção desse conceito.
Temo muito por nossos rapazes, soldados, demais graduados e
oficiais... largados numa arena e tendo um braço amarrado...
Não se esqueçam de ou por isso me critiquem: nós somos profissionais do
aniquilamento do inimigo e só somos aptos a patrulhar áreas onde nosso
potencial já se fez totalmente sentido.
Não somos policia. Policia é coisa especializada, nós somos
o caos e a guerra. Temo a desmoralização... as armas recolhidas para balística
pelos "direitos humanos", etc, etc... Temo o tenente preso e
abandonado pelos chefes (como já aconteceu no Alemão), temo a proximidade de
conversas com o inimigo, temo mais um escândalo.
C2-50 Manual de Campanha da Cavalaria ... art...paragrafo
... "é terminantemente PROIBIDO entabular conversações com o inimigo.
Qualquer tentativa deste, nesse sentido, deve ser repelida pelas armas ".
O que vai dar para fazer sem que a "justiça" (que
está em posição de emboscada) não condene o guerreiro que seguiu o regulamento?
Eu não consentiria a menos que houvesse Lei Marcial e estado
de Guerra.
Eu gosto de soldados...
E quando uma mãe manda seu filho para servir ao Exercito,
ela até sabe que ele pode morrer em alguma guerra, mas jamais se conformará se
ele for preso por atirar em vagabundo.
Se alguém esperava que a CNBB se pronunciasse sobre os
valores morais (como a defesa da família e da propriedade) a propósito das
eleições de 2018, ficou totalmente frustrado com as recentes declarações do
Cardeal Sergio da Rocha, arcebispo e Brasília e presidente da Conferência
Episcopal, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade de 2018. [foto
acima]
Esqueceu-se o purpurado do clamor popular contra o aborto e
a ideologia de gênero?
“Em entrevista após o lançamento da campanha, em Brasília, o
presidente da entidade [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e arcebispo
metropolitano de Brasília, cardeal Sérgio da Rocha, informou que a Igreja não
apoiará, nas eleições deste ano, candidatos que promovam o discurso da
violência.” Ele reafirmou a posição da Igreja Católica favorável ao
Estatuto do Desarmamento, o qual foi rejeitado pelos brasileiros no plebiscito
de 2005, pois retira do cidadão de bem o direito de defesa.
Continua o Cardeal: “Nós queremos candidatos
comprometidos com a justiça social e a paz. Não [queremos] candidatos que
promovam ainda mais a violência”.
Talvez S. Emcia. se esqueceu de que Raul Castro ou Nicolás
Maduro não são candidatos às eleições brasileiras de 2018. Ou estará se
referindo a Stédile, que comanda impunemente as invasões de propriedades? Ao
MST? Ou então à CPT ou ao CIMI, que tentam jogar água “benta” da “Teologia da
Libertação” nas invasões “indígenas”?
Não tomamos aqui uma posição partidária em face dos
candidatos. Lutamos em defesa de valores morais, valores perenes da Civilização
Cristã.
A missão da Igreja é defender os valores morais, e como
afirmou São Pio X, a civilização “é tanto mais verdadeira, mais durável,
mais fecunda em frutos preciosos quanto mais puramente cristã; tanto mais
decadente, para grande desgraça da sociedade, quanto mais se subtrai à ideia
cristã” (Encíclica Il Fermo Proposito, de 11 de junho de 1905).
Se estamos em uma sociedade de violência, a CNBB deve ir à
raiz do problema e pregar os (esquecidos) valores morais.
A parti
daqui, vou tentar reconstruir a trajetória dos pioneiros domésticos, ou seja,
aqueles que, após selarem sua fé nas águas, continuaram a disseminar aqui seu
cristianismo e diretamente ajudaram a formar o Adventismo que se instalou em
toda a região cacaueira e sul baiana. São situações concretas do passado,
colhidas da Revista Adventista e por meio do testemunho dos remanescentes dos
pioneiros com quem tive contato direto.
Em 1912, o
colportor Manoel Margarido, de passagem pela região, distribuiu e vendeu literatura para fazendeiros; um deles foi Joaquim Melo. Sua família ficou
interessada pelo assunto. O material é emprestado ou repassado à família de
João Roberto Ramos, que se encanta com os ensinos e incorpora a mensagem ali
contida, dando um passo adiante em relação aos vizinhos. Joaquim Porto também
foi responsável por anunciar a boa nova àquelas pessoas por meio da página impressa.
O próprio Ricardo Wilfart, administrador da obra no Nordeste, reconheceuque “o interesse em Boqueirão foi despertado
pela literatura vendida, em tempos passados, pelo irmão colportor Joaquim
Porto”.
Antes de
pormenorizar um fato sucedido no Boqueirão, vou relembrar um episódio ocorrido
em 1845 nos Estados Unidos, quando o Sr. James Hall e José Bates atravessavam
juntos a ponte Fairhaven, no estado de Massachusetts. José Bates é tido como o
pioneiro dos pioneiros entre os Adventistas do Sétimo Dia, o fundador mais
interessante do Adventismo norte americano. Do grupo dos líderes iniciais, foi
o primeiro a entender, aceitar e advogar o mandamento sabático. Por mais de um
ano, ficou sozinho no movimento, defendendo tal ensino. Quando o Sr. James
Hall, seu vizinho, passou por ele na ponte, saudou-o e fez a pergunta usual, de
sempre, quando dois conhecidos se encontram: “Olá, capitão Bates! Que há de
novo?”. Prontamente, carregado de zelo, respondeu: “A novidade é que o sétimo
dia é o sábado do senhor nosso Deus!” (Ex. 20:10). A novidade para o ancião
Bates era aquilo que mais martelavaseu intelecto!
O Sábado era sua verdadepresente! E
aquilo o consumia. O desconhecimento por parte de seus irmãos daquela verdade
olvidada dilacerava seu interior. O Espírito Santo, agindo em sua mente e
coração, impelia-o a falar daquilo que sabia ser um ensino necessário e
plenamente em vigor! Diante de uma boa nova tão importante e defendida tão
vigorosamente, Hall aceitou estudar o tema e em pouco tempo seria um observador
do sábado.
Imaginemos
agora um encontro semelhante, só que dessa vez na América do Sul, na Bahia, no
Boqueirão de Itabuna, lá pelos idos de 1910/1912, envolvendo um carpinteiro e
um fazendeiro que se reuniam em suas horas de folga para estudarem o Texto
Sagrado. Embora os aspectos físicos, culturais e geográficos relacionados a
esses homens fossem diferentes dos norte-americanos, seus anseios espirituais
eram idênticos.
O encontroconcebido pode ter sido muito apropriadamente
ocorrido num pontilhão sobre o riacho do Boqueirão, e José Aniceto de Souza,
proveniente da cidade, pergunta: “Quais são as novidades, compadre?” Tal como
Bates, consumido pelas descobertas bíblicas impulsionadas pelos folhetos que
vizinhos lhe ofertara, prontamente João Roberto responde: “A novidade, Aniceto,
é que o sábado é osétimo dia, e que
precisamos observá-lo!”.
A rapidez
do momento não permitiria maiores delongas, mas um encontro mais pensado e
demorado fora marcado para mais tarde, à noite, quando Aniceto poderia acalmar
seu espírito atordoado e surpreso com aquela história.
Mais tarde,
naquele dia, os ripões, tábuas e martelos foram abandonados mais cedo por parte
de Aniceto. Com certeza, a empreitada da nova barcaça seria atrasada, pois ele
teria algo mais importante a buscar e realizar. Ele, munido de uma Bíblia que
lhe fora presenteada por amigos da Igreja Batista em Itabuna (ainda existe e
está em posse de parentes no Rio de Janeiro), apressara-se para o encontro que
mudaria sua vida,de seus familiares e
da cidade que o abraçara em 1905, depois que saiu de Campo Formoso, em busca de
dias melhores. E aquele seria, talvez, o melhor de seus dias.
Na sede da
fazenda Pacífica, o patriarca João Roberto Ramos, impaciente, esperava a
chegada do amigo. Os facões, enxadas, caçuás e animais foram guardados, também,
mais cedo do que de costume. Os afazeres agrícolas foram celeremente terminados
naquele dia, e a atenção e educação dos seus oito filhos ficariam na
responsabilidade única de sua esposa, dona Senhorinha Oliveira Ramos.
Os textos já estavam marcados (também numa
Bíblia adquirida por intermédio dos batistas Itabunenses), as anotações e
folhetos sabatistas todos arrumados sobre a mesa. Somente a cabeça do
fazendeiro estava um tanto desarrumada, em face de sua ansiedade momentânea. Com
certeza, o encontro iminente e o estudo conjunto com Aniceto iriam definir o
aprendizado daquilo que pautaria sua vida, de sua família e da futura Igreja
Adventista que surgiria na região. Não somente Itabuna, como Ibicaraí e
Floresta Azul, sofreriam as consequências daquele encontro e dos muitos que
ainda ocorreriam!
Aniceto vivia
situações financeira e físicadiferentes
das vividas por João Roberto. Sua saúde não era das melhores, nem as economias
domésticas. Provavelmente, o mal de Parkinson que o vitimaria já apresentasse
alguns sinais degenerativos. Sua família exibia uma pré-divisão, exatamente em
virtude de fatores religiosos, pois seu filho Sinphrônio de Souza começou a
namorar uma jovem de família batista, o que levou Aniceto a buscar qualquer
passagem bíblica que embasasse a guarda do Domingo. Não encontrando o
pretendido e imaginado texto, discussões sérias ocorreram entre os dois. tinha
dificuldade também em aceitar as proibições bíblicas em relação a algumas
carnes consideradas imundas. Desde sua chegada em Tabocas, já havia frequentado
cultos com os irmãos presbiterianos e com os batistas. Depois dos encontros com
João Roberto, as coisas pareciam mais claras, conforme ele mesmo já havia
descoberto em alguns versículos bíblicos. Mas a cisma familiar acabou adiando
um pouco sua decisão de batismo.
Aquela reunião
foi fundamental para iniciação da propagação da tríplice mensagem angélica em
Itabuna. E outros encontros advindos semelhantes, promovidos e participados por
aqueles dois pioneiros, produziram a gênese da Igreja Adventista atual.
(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.3.)
Clóvis Silveira Góis Júnior
-------------
Sobre o autor:
Clóvis Silveira Góis Júnior é trineto de Genoveva
França Jacó (integrante do primeiro batismo adventista realizado em Boqueirão,
no ano de 1918).
Servidor público federal há 30 anos, é graduado em
Administração e licenciado em história. É casado com Iara Souza Setenta
Góis, pedagoga, e tem dois filhos: Felipe e João.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o
deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado
por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a
Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou
e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes
da Luz, OFM:
----
DESERTO: tempo de
des-velamento interior
“O Espírito levou Jesus para o deserto” (Mc 1,12)
Ao iniciarmos a Quaresma, um lugar que continuamente será
citado e que vai aparecer com frequência nos textos, reflexões e orações, é o
“deserto”. Deserto que deve fazer parte de nossas vidas em algum momento:
espaço de escura e de silêncio, de busca, de despojamento; lugar que nos faz
tomar consciência das coisas essenciais que dão sentido à nossa existência;
ambiente privilegiado para o encontro tu a tu com o Deus amor que nos habita,
ou melhor, em Quem habitamos. Se nos abrirmos à Sua presença amorosa, caminharemos
livres dos falsos absolutos que cada dia nos tentam, e nossos desertos
existenciais se converterão em um jardim onde florescerá de novo a esperança.
Como seres humanos, de tempos em tempos precisamos passar
por experiências de despojamento, de esvaziamento, de vulnerabilidade, de
crise..., para poder suavizar nosso coração e, desse modo, fazer-nos mais
receptivos e expansivos.
O “deserto” é o lugar das perguntas, do discernimento, da
busca de profundidade, o ambiente favorável que nos oferece ferramentas com as
quais poder romper as bolhas que nos aprisionam, impedindo-nos sair para a
aventura da vida.
O “deserto” nos sacode e nos desnuda, porque desmascara
nossas falsas seguranças. Por isso, somos movidos a buscar nossas raízes mais
profundas. Quando esse percurso é vivido adequadamente, é provável que no final
vamos poder dizer, como Kierkegaard, “eu teria me afundado se não tivesse ido
ao Fundo”. Com efeito, antes ou depois, o deserto nos conduzirá para o Fundo
estável e sereno, nos conduzirá à “casa”, à nossa verdadeira identidade, à
“Terra prometida”.
Num mundo em que a imagem e as redes sociais ocupam, com
suas presenças, toda a nossa vida, todos os nossos lares, os espaços públicos,
fazendo-nos viver a cultura da superficialidade, muitas pessoas de diferentes
condições sociais e religiosas já começam a sentir a urgente necessidade de
escapar de tanta solicitação externa que as oprime e alimentam o desejo de se
ocupar mais decididamente com o seu mundo interior. Mas, se somos sinceros,
adentrar-nos em nosso “eu profundo” e viver a partir de dentro é algo que não
sabemos e muitas vezes até sentimos medo. É cada vez mais difícil a criação de
um espaço interior, em sintonia e bem integrado com o mundo exterior.
Nesse sentido, a liturgia quaresmal revela-se como uma
mediação privilegiada para potencializar nossa interioridade, ou destravá-la,
para que a expansão de nossa vida seja possível. Tal experiência resgata-nos do
entorpecimento e nos dá um choque de lucidez. Ela oxigena a nossa mente e
implode nosso conformismo; revela-se instigadora e provocativa, fonte
inspiradora que nos liberta do cárcere da rotina. Ela nos faz lembrar que somos
andarilhos, deslocando-nos no traçado da existência em busca de respostas que
dêem sentido à nossa existência.
O caminho para Deus passa pela experiência mais profunda e
autêntica de si mesmo, convidando cada um a repensar como, em meio às
dificuldades de cada tempo, sempre é possível o percurso em direção à própria
interioridade.
Buscar o Deus que “está dentro de mim, enquanto eu estou
fora” (S. Agostinho), significa entrar em relação direta com nosso interior,
com o que nos move, com o que sentimos e pensamos; significa dissolver
bloqueios afetivos já solidificados e conflitos não resolvidos; é fazer que se
calem muitos ruídos parasitas e que se escute, por fim, o silêncio sonoro que
brota do oculto; desentupir os condutos do coração e processar a lava ardente
dos grandes desejos significa abrir os olhos para uma paisagem desconhecida.
Foi no deserto onde Jesus descobriu o que move
verdadeiramente o coração do ser humano. Foi nessa situação – de solidão – onde
também descobriu o que Deus ama no coração humano. Nessa experiência de deserto
Jesus tomou consciência de duas forças ou dinamismos que atuam no coração
humano: um de expansão, de saída de si, de vida aberta e em sintonia com o Pai
e com os outros; outro, de retração, de auto-centração, de busca de poder,
prestígio, vaidade...
Jesus viveu impulsionado pelo Espírito, mas sentiu em sua
própria carne as forças do mal: “foi tentado por satanás”; satanás significa “o
adversário”, a força hostil a Deus e a quem trabalha por seu reinado. Na
tentação de Jesus se des-vela o que há em nós de verdade ou de mentira, de luz
ou de trevas, de fidelidade a Deus ou de cumplicidade com a injustiça. Qual dos
dois dinamismos internos alimentamos?
O evangelista Marcos ressalta que o “deserto” não é só um
lugar geográfico; é também o lugar que buscamos para nos silenciar e nos
oferecer a oportunidade para reconectar conscientemente com nosso centro. Em
todo processo de crescimento, e mais ainda nos períodos críticos do mesmo,
vamos nos deparar com a presença dos “animais selvagens” e dos “anjos” em nosso
eu profundo.
É assim que nomeamos as experiências que acontecem quando
nos adentramos em nosso mundo interior. Os “animais selvagens” são aquelas
circunstâncias internas e que nos frustram e, sobretudo, aquele material
psíquico que não reconhecemos ou aceitamos em nosso interior: nossas paixões,
nossos traumas, nossas feridas, nossos instintos, nossa impotência e
fragilidade... É a “sombra” que vamos arrastando, e que continua nos assustando
enquanto não a reconhecemos e a abraçamos abertamente em sua totalidade.
Os “anjos” são os consolos – externos e internos – que
aparecem em nosso caminho, em forma de paz, de luz, compreensão, de fortaleza,
de amor...
“Animais selvagens e anjos” cumprem seu papel, pois nos
“obrigam” a avançar para nossa verdade profunda, tirando-nos da superfície de
nós mesmos, ou talvez da “zona de conforto” na qual tínhamos nos instalado,
conformando-nos com uma vida “normótica” e sem criatividade.
O amadurecimento humano implica abraçar toda nossa verdade,
também aquela que nos aparece sob disfarces temerosos, como o medo, a solidão,
a tristeza, a angústia... Lidar com tais “feras” requer capacidade de olhá-las
de frente, com compreensão, paciência e muito afeto. A espiritualidade cristã
nos mostra que exatamente em nossas feridas nós descobrimos o tesouro do nosso
verdadeiro “eu”, escondido no fundo de nosso coração.
Tradicionalmente, fomos coagidos a viver uma espiritualidade
que nos ensinou a prender os “animais selvagens” e a levantar junto deles um
edifício de “grandes ideais”. E com isto, passamos a viver constantemente com
medo de que as feras pudessem fugir e nos devorar.
Sabemos que tudo quanto nós reprimimos nos faz falta à nossa
vida. Os “animais selvagens” tem muita força. Quando os prendemos, fica nos
faltando a sua força, de que temos necessidade para o nosso caminho para Deus,
para nós mesmos e para os outros. Somos obrigados a fugir de nós mesmos,
ficamos com medo de olhar para dentro de nós, pois poderíamos correr o risco de
nos deparar com as feras perigosas.
Quando, graças à presença dos “anjos”, deixarmos de rejeitar
e de resistir aos “animais selvagens”, iremos tomando consciência como a luz e
a fortaleza vão se expandindo em nosso interior; nós nos perceberemos mais
unificados e harmoniosos. E assim, estaremos mais preparados para a “travessia”
em direção à Páscoa.
Texto bíblico: Mc 1,12-15
Na oração: Cuidamos da interioridade quando nos questionamos
sobre o modo como olhamos a vida, como atuamos diante das situações, como nos
relacionamos com os outros, como vivemos nossas convicções e crenças; e,
sobretudo, quando nos exercitamos em determinadas “atividades espirituais” que
podem nos ajudar a des-velar o nosso “eu original”, como o silêncio, os
momentos de oração, o encontro com a Palavra, a partilha em grupo...
- Quê mediações você vai ativar durante a Quaresma para
ajudar a des-velar sua própria interioridade?