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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

ROSA DE SHARON


Rosa de Sharon

Há uma passagem na Bíblia onde Deus nos compara as Rosas de Saron. para entendermos essa analogia, temos a seguinte explicação:

Saron era uma terra de difícil sobrevivência, uma terra no deserto, árida e muito quente.

Mas Saron tinha a terra ideal para produzir as rosas mais perfumadas que já se viu na terra, onde apenas uma pétala chegaria a produzir uma grande quantidade do mais valioso perfume.

Essas flores possuíam um valor tão alto que os cultivadores na época de floradas costumavam colocar guardas armados para guardar seus cultivos.

As Rosas de Saron são flores cultivadas em terras difíceis, debaixo de um forte sol escaldante, em meio a terreno pedregoso, cheio de espinhos, onde a água é difícil de encontrar, e os predadores são muitos, pois ela é uma flor muito apreciada.

Meditando na comparação de Deus e as rosas de Saron assim somos nós para Deus, flores cultivadas no meio das provas, das dificuldades, das angústias, testados no fogo ardente, humilhados pelos que poderiam nos amar, perseguidos por aqueles que não amam a Deus, e não reconhecem em nós a beleza das flores e seu perfume.

E, quando começamos a exalar nosso perfume, muitos tentam roubar nosso dom, nossa linguagem, nossa virtude, a alegria de servir a Deus e a confiança de que venceremos, colocando em nós tristezas que até chegam a muitas das vezes nos afastar do jardim de Deus.

Mas assim como os cultivadores das rosas de Saron colocam guardas armados, Deus também coloca seus anjos armados com espadas de fogo como guardas dos seus fiéis, pois aqueles que exala perfume são perseguidos pelo adversário, mas são guardados por Deus.

O perfume do cristão é o seu testemunho, seu temor, sua obediência, a capacidade de suportar as provas sem murmurar, é um doce perfume, e ter em si o dom maior, o amor é o mais caro perfume que temos, e por essa razão Deus comparará aqueles que tem essas características as rosas de Saron.

Somos as flores que produzem o mais valioso perfume: A glória,  obediência, o temor, a consagração, a reverência e toda honra que é dada a um único Deus que fez o céu a terra e tudo quanto neles há!
Perfume esse que o próprio inferno se levanta para tentar roubar.

Mas nada pode te tocar ROSA DE SARON, porque a teu respeito foi dada a ordem aos anjos para te guardarem em todos os teus caminhos.         

VOCÊ É ESSA ROSA!

(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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O FESTIVAL PÔR DO SOL PROMETE AGITAR AS TARDES DE DOMINGO EM ITABUNA


Depois de algum tempo sem produzir eventos em Tabocas, a Associação Cultural Amigos do Teatro - ACATE, volta a cena cultural da cidade prometendo agitar a avenida Beira Rio, tendo como pano de fundo o pôr do Sol às margens do Cachoeira e também o mais novo cartão postal da cidade que é a Passarela da histórica Ilha do Jegue.

Com uma proposta de unificar, socializar e difundir as diversas modalidades artísticas e culturais do imenso celeiro que é a cultura de Itabuna, a ACATE traz uma proposta que não é novidade, pois os festivais não competitivos se espalham por todas as regiões do país, mas são de fundamental importância para divulgação de artistas emergentes e consolidação dos já consagrados numa troca de experiências frenéticas que é semelhante às grandes festas literárias ou festivais de MPB, gastronômico dentre outros.

Segundo Ari Rodrigues, idealizador da ação, a primeira edição do Festival Pôr do Sol é um projeto piloto que se emplacar, movimentará o cenário artístico cultural desta cidade. Rap, Forró e Rock, Literatura, Gastronomia, Contação de histórias, Poesias, Lançamentos de Livros, Artesanatos e muito mais é o que promete a organização do evento. “Como não temos patrocínio, contamos com nossos parceiros, que viabilizaram a realização deste evento” ressalta a presidente da ACATE Eva Lima que chega recentemente de uma jornada por dez cidades do interior realizando um projeto de sua autoria contemplado pelo FAZCULTURA.

A programação começará a partir das 16hs. com as seguintes atrações:
Aulão de Zumba com o Studio S Dance
Contação de histórias com o projeto Letras que Voam da FICC
Apresentação do Raaper Mano Sabota
Apresentação do Coral – Vocal Orion
Número de dança Malandros com Aldenor Garcia
Número de Tango com o grupo Conectango
Show com a Banda Cangaceiros do Forró
Show com a Banda Caput Rock

Esta é a programação que vai acontecer no palco. Paralelo a isso, vão estar acontecendo lançamentos de livros no stand da editora Mondrongo, visitação e também lançamentos de livros no stand da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL, contação de histórias e brincadeiras infantis no stand do projeto Letras Que voam, Chá de tortas doces e salgadas no stand do Instituto Luz do Novo Mundo e bebidas e comidas nas diversas barracas além de chocolates artesanais que estarão a venda também na praça.
A expectativa é que a segunda edição do projeto aconteça ainda neste semestre.

SERVIÇO
O que? Projeto Festival Pôr do Sol
Onde? Avenida Firmino Alves, em frente ao Módulo Center
Dia e hora? Dia 4 de Março das 16 às 22h.

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OS APELIDOS ENTRAM EM CAMPO - Cyro de Mattos


Os apelidos entram em campo

          
         O humor acontecia no Campo da Desportiva e entrava para o anedotário com os apelidos dos jogadores. Balaco, Galeão, Puruca, Pedra, Tuta, Zé Prego, Sapateiro, Tenente Cotó, Ruído, Pipio,  Jeguinho, Lubião, Bacamarte e Mil e Quinhentos. No  tempo da Associação, São Cristóvão, Grêmio, Itabuna e Janízaros,  primeiros anos do Campo da Desportiva, os apelidos soavam como fantasia ou um sinal de identificação de inteira verdade.

          Apareceram tempos depois jogadores com o apelido de Camamu,   Mão-de-Tripa, Porroló. Galalau, Pantaleão, Nonô Piquete. Carrapeta,   Gajé. Chicletes,  Mundeco, Bita.  Pintado Alfaiate, Ferrugem  e  Diaço.  Dois jogadores tiveram o apelido  de Jeguinho em épocas diferentes. Eram  parentes, tio e sobrinho, jogaram no Janízaros como  zagueiro central.  Bacamarte também foi o apelido de dois zagueiros. Um  jogou na Associação, o outro no Flamengo de Paulo Ribeiro. Eram defensores vigorosos.  O chute violento de cada um deles  explodia como um tiro de bacamarte.
 
        O  apelido era tirado do sobrenome do jogador.  Carpóforo, Mangabeira, Barros, Marinho e Wense, que de vez em quando aparecia no jornal escrito como Vence. Fazia alusão a um bicho. Caxinguelê, Peba e Macaquinho. Bacurau, atacante, gostava de marcar gol no fim do segundo tempo, as sombras do entardecer  começando  a dificultar a visão da bola.

       Às vezes,  a expressão composta de nome e apelido formava o chamamento inusitado.  Eliezer Melgaço, Orlando Anabizu, Ronaldo Chiranha, Edson Gasolina, Alberto Pastor, Valdemir Chicão. Ou consistia em um composto sonoro, com  entonação agradável de ser pronunciada.  Carlos Riela, Fernando Riela, Plínio Assis.  Alguns apelidos revelavam que o seu dono era um jogador de recursos técnicos e possuía um futebol de alto nível. Doutor Clóvis, Professor Juca, Mestre  Delicado.

         Havia Tombinho e Tombinha. O primeiro jogou na Associação, ponta-direita,  de estatura pequena,  o corpo redondo tombava a todo instante, era só o marcador disputar a jogada com o ombro ou encostar nele, mesmo de leve.   Tombinha jogava para o time, não aparecia durante o decorrer da partida. Poucas eram as pessoas que o conheciam quando se falava em  Manoel Marques. Se você falasse em Tombinha, as façanhas do jogador mais catimbeiro que atuou  no Campo da Desportiva eram lembradas por jogadores e desportistas.
  
         Corria no jogo  apelidos com o nome de mulher. Odete e Vanda. Do último se sabe que a alcunha veio da infância. O menino tinha os cabelos grandes e usava trança, a mãe achava-o parecido com uma menina, daí  ter dado ao filho o apelido de Vanda. De tanto os irmãos chamá-lo  pelo apelido, pegou feito visgo.   Também o craque Santinho trouxe o apelido da infância.  Familiares que viam o menino dormindo  diziam que “ele parece um santinho.”

              Uns aludiam a peixe. Piaba,  Peixe-Louro. Outros lembravam um bicho. Caxinguelê. Gato Preto, Aranha, Macaquinho, Ratinho. E ainda outros davam a entender que o jogador tinha outra nacionalidade. Sírio, Sueco, China, Gringo, Americano, Paraguaio.  Para não se falar do apelido indicando que ali no dono  estava  um jogador igual a um corredor nato. Velocidade, Carlito Agonia. Chegavam a ser reverenciados pelos seus admiradores como os filhos do vento, tanto eles corriam. O apelido de Zé Pretinho e Louro revelavam a cor do distinto jogador,  claro.

            Pelé-Cotó. Brezegue, Dinho do Roque, Rocha.  Zezé, Zezeco, Zelinho. Balancê da Mata, Mateirinho, Sami.  Boca-Rica. Charuto,  Barril, Tertu. Lau, Leto, Lua. Caxanga,  Pedrinha, Roliço. Raminho, Bento, Perivaldo. Deti, Bira, Quinho. Neguinho, Maninho, João Som, Gel, Coroinha.

             Qual desses era o melhor, o mais ou menos  e o pior? O artista e o mais eficiente? No começo, meio ou fim de carreira? Qualquer atividade humana é feita com gradações como resultado de quem a exercita. É assim também com o futebol,  um jogo coletivo no qual cabem diversos protagonistas. Nesse esporte, a individualidade  surge com o coletivo. Não importa o apelido, haverá sempre os que se sobressaem,  os que rendem pela eficiência e os que ficam no anonimato.

               Vevé,  Zeferino,  Colatino,  Madeira. Manchinha,  Caticuri, Vivi, Zezito Agonia. Marão, Tindola,  Zoinho,  Mudo.  Noca, David Pintado,  Nocha.   Macarrão, Roseno,   Daú.  Nenzinho,   Jonga,  Beca. Neném, Pinga,  Zé Neguinha,  Nininho.  Abissínia,  Bié.   Mamão.   Justo,  Bel,  Wilson Longo.  Zequinha  Carmo,   Zé Moleque,  Zé Reis. Patuca,   Mágoa, Chico.

             Cada um com a sua classe, seu esforço, sua graça. Levava o torcedor ao pequeno e prazeroso Campo  da Desportiva  para aplaudir, vaiar ou sorrir,  do primeiro ao último minuto do jogo.
     
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Cyro de Mattos – é baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

CEL. CARLOS ALBERTO BASTOS MOREIRA A TODOS MEUS IRMÃOS EM ARMAS


Não se iludam com aplausos de intervenção de EB.

Nós não fomos feitos para isso, a não ser para policiarmos áreas em que já destruímos o inimigo praticamente de maneira total, pelo emprego total de nossas armas e poder de fogo.

Não temos o perfil de patrulhar ações pontuais, em área completamente sob o poder do inimigo. Estão nos colocando (e a nosso potencial humano combatente) numa situação de fragilidade perante a lei do politicamente correto. Qualquer militar que atira, que matar, certamente vai começar tendo sua arma recolhida, para exame balístico.

Isso não existe para nós na guerra, nossa destinação.

Somos totalmente diversos de uma destinação da honrosa policia, por princípios de emprego. O policial atira se a voz de prisão não for respeitada, o Exercito é feito para atirar primeiro e quem não quiser morrer que se renda, totalmente diferente.

A Policia é muito mais capaz de atuar nesses eventos pontuais de desordem. Nós somo profissionais do aniquilamento, embora muitos que já se tornaram "vovôs" tenham perdido a noção desse conceito.

Temo muito por nossos rapazes, soldados, demais graduados e oficiais... largados numa arena e tendo um braço amarrado...

Não se esqueçam de ou por isso me critiquem: nós somos profissionais do aniquilamento do inimigo e só somos aptos a patrulhar áreas onde nosso potencial já se fez totalmente sentido.

Não somos policia. Policia é coisa especializada, nós somos o caos e a guerra. Temo a desmoralização... as armas recolhidas para balística pelos "direitos humanos", etc, etc... Temo o tenente preso e abandonado pelos chefes (como já aconteceu no Alemão), temo a proximidade de conversas com o inimigo, temo mais um escândalo.

C2-50 Manual de Campanha da Cavalaria ... art...paragrafo ... "é terminantemente PROIBIDO entabular conversações com o inimigo. Qualquer tentativa deste, nesse sentido, deve ser repelida pelas armas ".

O que vai dar para fazer sem que a "justiça" (que está em posição de emboscada) não condene o guerreiro que seguiu o regulamento?

Eu não consentiria a menos que houvesse Lei Marcial e estado de Guerra.

Eu gosto de soldados...

E quando uma mãe manda seu filho para servir ao Exercito, ela até sabe que ele pode morrer em alguma guerra, mas jamais se conformará se ele for preso por atirar em vagabundo.


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CNBB E ELEIÇÃO 2018: COERENTE NA INCOERÊNCIA - Marcos Costa


18 de Fevereiro de 2018
Marcos Costa

Se alguém esperava que a CNBB se pronunciasse sobre os valores morais (como a defesa da família e da propriedade) a propósito das eleições de 2018, ficou totalmente frustrado com as recentes declarações do Cardeal Sergio da Rocha, arcebispo e Brasília e presidente da Conferência Episcopal, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade de 2018. [foto acima]

Esqueceu-se o purpurado do clamor popular contra o aborto e a ideologia de gênero?

“Em entrevista após o lançamento da campanha, em Brasília, o presidente da entidade [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Sérgio da Rocha, informou que a Igreja não apoiará, nas eleições deste ano, candidatos que promovam o discurso da violência.” Ele reafirmou a posição da Igreja Católica favorável ao Estatuto do Desarmamento, o qual foi rejeitado pelos brasileiros no plebiscito de 2005, pois retira do cidadão de bem o direito de defesa.

Continua o Cardeal: “Nós queremos candidatos comprometidos com a justiça social e a paz. Não [queremos] candidatos que promovam ainda mais a violência”.

Talvez S. Emcia. se esqueceu de que Raul Castro ou Nicolás Maduro não são candidatos às eleições brasileiras de 2018. Ou estará se referindo a Stédile, que comanda impunemente as invasões de propriedades? Ao MST? Ou então à CPT ou ao CIMI, que tentam jogar água “benta” da “Teologia da Libertação” nas invasões “indígenas”?

Não tomamos aqui uma posição partidária em face dos candidatos. Lutamos em defesa de valores morais, valores perenes da Civilização Cristã.

A missão da Igreja é defender os valores morais, e como afirmou São Pio X, a civilização “é tanto mais verdadeira, mais durável, mais fecunda em frutos preciosos quanto mais puramente cristã; tanto mais decadente, para grande desgraça da sociedade, quanto mais se subtrai à ideia cristã” (Encíclica Il Fermo Proposito, de 11 de junho de 1905).

Se estamos em uma sociedade de violência, a CNBB deve ir à raiz do problema e pregar os (esquecidos) valores morais.


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domingo, 18 de fevereiro de 2018

CONHECENDO E DISSEMINANDO A MENSAGEM (III) – Clóvis Silveira Góis Júnior


4.3 – Boqueirão


            A parti daqui, vou tentar reconstruir a trajetória dos pioneiros domésticos, ou seja, aqueles que, após selarem sua fé nas águas, continuaram a disseminar aqui seu cristianismo e diretamente ajudaram a formar o Adventismo que se instalou em toda a região cacaueira e sul baiana. São situações concretas do passado, colhidas da Revista Adventista e por meio do testemunho dos remanescentes dos pioneiros com quem tive contato direto.

            Em 1912, o colportor Manoel Margarido, de passagem pela região, distribuiu e vendeu literatura para fazendeiros; um deles foi Joaquim Melo. Sua família ficou interessada pelo assunto. O material é emprestado ou repassado à família de João Roberto Ramos, que se encanta com os ensinos e incorpora a mensagem ali contida, dando um passo adiante em relação aos vizinhos. Joaquim Porto também foi responsável por anunciar a boa nova àquelas pessoas por meio da página impressa. O próprio Ricardo Wilfart, administrador da obra no Nordeste, reconheceu  que “o interesse em Boqueirão foi despertado pela literatura vendida, em tempos passados, pelo irmão colportor Joaquim Porto”.

            Antes de pormenorizar um fato sucedido no Boqueirão, vou relembrar um episódio ocorrido em 1845 nos Estados Unidos, quando o Sr. James Hall e José Bates atravessavam juntos a ponte Fairhaven, no estado de Massachusetts. José Bates é tido como o pioneiro dos pioneiros entre os Adventistas do Sétimo Dia, o fundador mais interessante do Adventismo norte americano. Do grupo dos líderes iniciais, foi o primeiro a entender, aceitar e advogar o mandamento sabático. Por mais de um ano, ficou sozinho no movimento, defendendo tal ensino. Quando o Sr. James Hall, seu vizinho, passou por ele na ponte, saudou-o e fez a pergunta usual, de sempre, quando dois conhecidos se encontram: “Olá, capitão Bates! Que há de novo?”. Prontamente, carregado de zelo, respondeu: “A novidade é que o sétimo dia é o sábado do senhor nosso Deus!” (Ex. 20:10). A novidade para o ancião Bates era aquilo que mais martelava  seu intelecto! O Sábado era sua verdade  presente! E aquilo o consumia. O desconhecimento por parte de seus irmãos daquela verdade olvidada dilacerava seu interior. O Espírito Santo, agindo em sua mente e coração, impelia-o a falar daquilo que sabia ser um ensino necessário e plenamente em vigor! Diante de uma boa nova tão importante e defendida tão vigorosamente, Hall aceitou estudar o tema e em pouco tempo seria um observador do sábado.

            Imaginemos agora um encontro semelhante, só que dessa vez na América do Sul, na Bahia, no Boqueirão de Itabuna, lá pelos idos de 1910/1912, envolvendo um carpinteiro e um fazendeiro que se reuniam em suas horas de folga para estudarem o Texto Sagrado. Embora os aspectos físicos, culturais e geográficos relacionados a esses homens fossem diferentes dos norte-americanos, seus anseios espirituais eram idênticos.

            O encontro  concebido pode ter sido muito apropriadamente ocorrido num pontilhão sobre o riacho do Boqueirão, e José Aniceto de Souza, proveniente da cidade, pergunta: “Quais são as novidades, compadre?” Tal como Bates, consumido pelas descobertas bíblicas impulsionadas pelos folhetos que vizinhos lhe ofertara, prontamente João Roberto responde: “A novidade, Aniceto, é que o sábado é o  sétimo dia, e que precisamos observá-lo!”.

            A rapidez do momento não permitiria maiores delongas, mas um encontro mais pensado e demorado fora marcado para mais tarde, à noite, quando Aniceto poderia acalmar seu espírito atordoado e surpreso com aquela história.

            Mais tarde, naquele dia, os ripões, tábuas e martelos foram abandonados mais cedo por parte de Aniceto. Com certeza, a empreitada da nova barcaça seria atrasada, pois ele teria algo mais importante a buscar e realizar. Ele, munido de uma Bíblia que lhe fora presenteada por amigos da Igreja Batista em Itabuna (ainda existe e está em posse de parentes no Rio de Janeiro), apressara-se para o encontro que mudaria sua vida,  de seus familiares e da cidade que o abraçara em 1905, depois que saiu de Campo Formoso, em busca de dias melhores. E aquele seria, talvez, o melhor de seus dias.

            Na sede da fazenda Pacífica, o patriarca João Roberto Ramos, impaciente, esperava a chegada do amigo. Os facões, enxadas, caçuás e animais foram guardados, também, mais cedo do que de costume. Os afazeres agrícolas foram celeremente terminados naquele dia, e a atenção e educação dos seus oito filhos ficariam na responsabilidade única de sua esposa, dona Senhorinha Oliveira Ramos.

            Os textos já estavam marcados (também numa Bíblia adquirida por intermédio dos batistas Itabunenses), as anotações e folhetos sabatistas todos arrumados sobre a mesa. Somente a cabeça do fazendeiro estava um tanto desarrumada, em face de sua ansiedade momentânea. Com certeza, o encontro iminente e o estudo conjunto com Aniceto iriam definir o aprendizado daquilo que pautaria sua vida, de sua família e da futura Igreja Adventista que surgiria na região. Não somente Itabuna, como Ibicaraí e Floresta Azul, sofreriam as consequências daquele encontro e dos muitos que ainda ocorreriam!

            Aniceto vivia situações financeira e física  diferentes das vividas por João Roberto. Sua saúde não era das melhores, nem as economias domésticas. Provavelmente, o mal de Parkinson que o vitimaria já apresentasse alguns sinais degenerativos. Sua família exibia uma pré-divisão, exatamente em virtude de fatores religiosos, pois seu filho Sinphrônio de Souza começou a namorar uma jovem de família batista, o que levou Aniceto a buscar qualquer passagem bíblica que embasasse a guarda do Domingo. Não encontrando o pretendido e imaginado texto, discussões sérias ocorreram entre os dois. tinha dificuldade também em aceitar as proibições bíblicas em relação a algumas carnes consideradas imundas. Desde sua chegada em Tabocas, já havia frequentado cultos com os irmãos presbiterianos e com os batistas. Depois dos encontros com João Roberto, as coisas pareciam mais claras, conforme ele mesmo já havia descoberto em alguns versículos bíblicos. Mas a cisma familiar acabou adiando um pouco sua decisão de batismo.

            Aquela reunião foi fundamental para iniciação da propagação da tríplice mensagem angélica em Itabuna. E outros encontros advindos semelhantes, promovidos e participados por aqueles dois pioneiros, produziram a gênese da Igreja Adventista atual.

(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.3.)
Clóvis Silveira Góis Júnior
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Sobre o autor:
Clóvis Silveira Góis Júnior é trineto de Genoveva França Jacó (integrante do primeiro batismo adventista realizado em Boqueirão, no ano de 1918).
Servidor público federal há 30 anos, é graduado em Administração e licenciado em história. É casado com Iara Souza Setenta Góis, pedagoga, e tem dois filhos: Felipe e João.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (66)


1º Domingo da Quaresma -18/02/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 1,12-15)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM:

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DESERTO: tempo de des-velamento interior
 “O Espírito levou Jesus para o deserto” (Mc 1,12)

Ao iniciarmos a Quaresma, um lugar que continuamente será citado e que vai aparecer com frequência nos textos, reflexões e orações, é o “deserto”. Deserto que deve fazer parte de nossas vidas em algum momento: espaço de escura e de silêncio, de busca, de despojamento; lugar que nos faz tomar consciência das coisas essenciais que dão sentido à nossa existência; ambiente privilegiado para o encontro tu a tu com o Deus amor que nos habita, ou melhor, em Quem habitamos. Se nos abrirmos à Sua presença amorosa, caminharemos livres dos falsos absolutos que cada dia nos tentam, e nossos desertos existenciais se converterão em um jardim onde florescerá de novo a esperança.

Como seres humanos, de tempos em tempos precisamos passar por experiências de despojamento, de esvaziamento, de vulnerabilidade, de crise..., para poder suavizar nosso coração e, desse modo, fazer-nos mais receptivos e expansivos.

O “deserto” é o lugar das perguntas, do discernimento, da busca de profundidade, o ambiente favorável que nos oferece ferramentas com as quais poder romper as bolhas que nos aprisionam, impedindo-nos sair para a aventura da vida.

O “deserto” nos sacode e nos desnuda, porque desmascara nossas falsas seguranças. Por isso, somos movidos a buscar nossas raízes mais profundas. Quando esse percurso é vivido adequadamente, é provável que no final vamos poder dizer, como Kierkegaard, “eu teria me afundado se não tivesse ido ao Fundo”. Com efeito, antes ou depois, o deserto nos conduzirá para o Fundo estável e sereno, nos conduzirá à “casa”, à nossa verdadeira identidade, à “Terra prometida”.

Num mundo em que a imagem e as redes sociais ocupam, com suas presenças, toda a nossa vida, todos os nossos lares, os espaços públicos, fazendo-nos viver a cultura da superficialidade, muitas pessoas de diferentes condições sociais e religiosas já começam a sentir a urgente necessidade de escapar de tanta solicitação externa que as oprime e alimentam o desejo de se ocupar mais decididamente com o seu mundo interior. Mas, se somos sinceros, adentrar-nos em nosso “eu profundo” e viver a partir de dentro é algo que não sabemos e muitas vezes até sentimos medo. É cada vez mais difícil a criação de um espaço interior, em sintonia e bem integrado com o mundo exterior.

Nesse sentido, a liturgia quaresmal revela-se como uma mediação privilegiada para potencializar nossa interioridade, ou destravá-la, para que a expansão de nossa vida seja possível. Tal experiência resgata-nos do entorpecimento e nos dá um choque de lucidez. Ela oxigena a nossa mente e implode nosso conformismo; revela-se instigadora e provocativa, fonte inspiradora que nos liberta do cárcere da rotina. Ela nos faz lembrar que somos andarilhos, deslocando-nos no traçado da existência em busca de respostas que dêem sentido à nossa existência.

O caminho para Deus passa pela experiência mais profunda e autêntica de si mesmo, convidando cada um a repensar como, em meio às dificuldades de cada tempo, sempre é possível o percurso em direção à própria interioridade.

Buscar o Deus que “está dentro de mim, enquanto eu estou fora” (S. Agostinho), significa entrar em relação direta com nosso interior, com o que nos move, com o que sentimos e pensamos; significa dissolver bloqueios afetivos já solidificados e conflitos não resolvidos; é fazer que se calem muitos ruídos parasitas e que se escute, por fim, o silêncio sonoro que brota do oculto; desentupir os condutos do coração e processar a lava ardente dos grandes desejos significa abrir os olhos para uma paisagem desconhecida.

Foi no deserto onde Jesus descobriu o que move verdadeiramente o coração do ser humano. Foi nessa situação – de solidão – onde também descobriu o que Deus ama no coração humano. Nessa experiência de deserto Jesus tomou consciência de duas forças ou dinamismos que atuam no coração humano: um de expansão, de saída de si, de vida aberta e em sintonia com o Pai e com os outros; outro, de retração, de auto-centração, de busca de poder, prestígio, vaidade... 

Jesus viveu impulsionado pelo Espírito, mas sentiu em sua própria carne as forças do mal: “foi tentado por satanás”; satanás significa “o adversário”, a força hostil a Deus e a quem trabalha por seu reinado. Na tentação de Jesus se des-vela o que há em nós de verdade ou de mentira, de luz ou de trevas, de fidelidade a Deus ou de cumplicidade com a injustiça. Qual dos dois dinamismos internos alimentamos?

O evangelista Marcos ressalta que o “deserto” não é só um lugar geográfico; é também o lugar que buscamos para nos silenciar e nos oferecer a oportunidade para reconectar conscientemente com nosso centro. Em todo processo de crescimento, e mais ainda nos períodos críticos do mesmo, vamos nos deparar com a presença dos “animais selvagens” e dos “anjos” em nosso eu profundo.

É assim que nomeamos as experiências que acontecem quando nos adentramos em nosso mundo interior. Os “animais selvagens” são aquelas circunstâncias internas e que nos frustram e, sobretudo, aquele material psíquico que não reconhecemos ou aceitamos em nosso interior: nossas paixões, nossos traumas, nossas feridas, nossos instintos, nossa impotência e fragilidade... É a “sombra” que vamos arrastando, e que continua nos assustando enquanto não a reconhecemos e a abraçamos abertamente em sua totalidade.

Os “anjos” são os consolos – externos e internos – que aparecem em nosso caminho, em forma de paz, de luz, compreensão, de fortaleza, de amor...

“Animais selvagens e anjos” cumprem seu papel, pois nos “obrigam” a avançar para nossa verdade profunda, tirando-nos da superfície de nós mesmos, ou talvez da “zona de conforto” na qual tínhamos nos instalado, conformando-nos com uma vida “normótica” e sem criatividade.

O amadurecimento humano implica abraçar toda nossa verdade, também aquela que nos aparece sob disfarces temerosos, como o medo, a solidão, a tristeza, a angústia... Lidar com tais “feras” requer capacidade de olhá-las de frente, com compreensão, paciência e muito afeto. A espiritualidade cristã nos mostra que exatamente em nossas feridas nós descobrimos o tesouro do nosso verdadeiro “eu”, escondido no fundo de nosso coração.

Tradicionalmente, fomos coagidos a viver uma espiritualidade que nos ensinou a prender os “animais selvagens” e a levantar junto deles um edifício de “grandes ideais”. E com isto, passamos a viver constantemente com medo de que as feras pudessem fugir e nos devorar.

Sabemos que tudo quanto nós reprimimos nos faz falta à nossa vida. Os “animais selvagens” tem muita força. Quando os prendemos, fica nos faltando a sua força, de que temos necessidade para o nosso caminho para Deus, para nós mesmos e para os outros. Somos obrigados a fugir de nós mesmos, ficamos com medo de olhar para dentro de nós, pois poderíamos correr o risco de nos deparar com as feras perigosas.

Quando, graças à presença dos “anjos”, deixarmos de rejeitar e de resistir aos “animais selvagens”, iremos tomando consciência como a luz e a fortaleza vão se expandindo em nosso interior; nós nos perceberemos mais unificados e harmoniosos. E assim, estaremos mais preparados para a “travessia” em direção à Páscoa.

Texto bíblico:  Mc 1,12-15

Na oração: Cuidamos da interioridade quando nos questionamos sobre o modo como olhamos a vida, como atuamos diante das situações, como nos relacionamos com os outros, como vivemos nossas convicções e crenças; e, sobretudo, quando nos exercitamos em determinadas “atividades espirituais” que podem nos ajudar a des-velar o nosso “eu original”, como o silêncio, os momentos de oração, o encontro com a Palavra, a partilha em grupo...
- Quê mediações você vai ativar durante a Quaresma para ajudar a des-velar sua própria interioridade?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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