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segunda-feira, 8 de março de 2021

MULHER – Maria Irene Frieza




MULHER

Maria Irene Frieza

 

 Mulher

Mãe presente 

Por vezes ausente

Tens que trabalhar 

Teus filhos amamentar... 

Mulher és força da natureza!

Por Ela foste escolhida...

Para pores no mundo a vida.

Por vezes és maltratada,

Como objeto utilizada...

Como mãe és sofredora 

És rocha quando é preciso...

Hoje desgastada, tua pele dilacerada!

Por vezes até, por quem te maltrata...

Mulher nunca te esqueças!

Das vidas que um dia em teu ventre,

Carregaste, com doçura as amaste...

Teu sorriso ilumina o mundo... 

Com esse teu amor tão profundo.

 

Maria Irene Frieza



Bom dia amizades! Como se comemora o dia da mulher, embora para mim, essa consciência deva estar presente todos os dias das nossas vidas e em todos os seres humanos, aqui vos deixo a contribuição, para lembrar o que ainda é muito esquecido

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domingo, 7 de março de 2021

PALAVRA DA SALVAÇÃO (224)

 


3º Domingo da Quaresma – 07/03/2021


Anúncio do Evangelho

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”.

Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”

Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. André Teles:


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Corpo, novo templo


 

“Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo”. (Jo 2,21


O evangelista João, no relato da expulsão dos “vendilhões do Templo”, revela que os conflitos maiores vividos por Jesus se deram no campo religioso; e isso esteve presente já no início de sua vida pública. Com seu gesto Jesus atinge o centro do poder religioso; Ele arremessa diretamente contra o Templo, pois este deixou de ser espaço de encontro com o Pai e passou a ser um local de comércio explorador.

O Templo já não é mais a morada de Deus, pois Ele foi desalojado pelo poder sacerdotal; por isso, Jesus expulsa seus representantes. O Templo, o sacerdócio, a lei, já não são mais mediadores de libertação para o ser humano. Estão aí, secos e estéreis, e não estão a serviço da vida, mas da exclusão.

Jesus rejeitou o Templo e suas instituições por serem improdutivos e manipuladores; Ele pôs em evidência que a relação com Deus não necessita intermediários, como o Templo e o sacerdócio, e a relação entre as pessoas é relação de encontro e comunhão. Por isso, Jesus não propõe sua restauração, mas seu término. Em lugar do Templo, Ele colocou o ser humano no centro, e diz “não” a uma religião fundada na Lei e no culto externo; rompe com todo o ritualismo e legalismo anterior e oferece uma alternativa encarnada na vida. Deus é adorado em “espírito e em verdade” e não depende de “espaços sagrados” para manifestar sua presença providente. 

Os fariseus e sacerdotes queriam um Deus e um céu que não se contaminassem com os deserdados desta terra; queriam um Templo como lugar de pureza e de perfeição, legitimado por uma ordem que se constrói sobre o sofrimento e a exclusão. Eles não queriam um Templo que fosse a casa dos impuros, dos abatidos e excluídos, dos encurvados e oprimidos, dos leprosos, cegos e coxos...

A partir de agora, o encontro com o Pai e com os outros não se realiza no Templo, mas fora, nas casas abertas, nas ruas e estradas, onde todos têm acesso e a partilha criativa possibilita que todos tenham vida. A mesa de Jesus, fora do Templo, estava aberta a todos. Ele não inicia uma nova religião, não cria um novo sacerdócio, não restaura o templo. O templo agora são as próprias pessoas que estão acima da lei e do culto. Todos estão implicados nessa nova maneira de viver e de se relacionar com o Pai, superando o medo do castigo e confiando uns nos outros.

Segundo o evangelista João, Jesus começa sua vida pública denunciando o “deus” apresentado pelos dirigentes religiosos do Templo e em quem eles buscavam a justificação de seus poderes. Tal denúncia desestabilizou o sistema religioso sobre o qual a instituição sacerdotal se sustentava. Por isso, Jesus compreendeu que, para mudar o comportamento dos dirigentes do Templo, a primeira coisa a fazer era desmontar o “ídolo” que legitimava o poder autoritário daqueles que oprimiam o povo indefeso. No fundo, o que preocupava Jesus era o problema de “Deus”; e Deus não era como os dirigentes imaginavam e que estava de acordo com seus critérios e sua posição social.

Deus era tão desconcertante como desconcertante era aquele Nazareno que eles tinham diante de si. Jesus transcende todas as religiões quando propõe uma maneira nova dos seres humanos se relacionarem com o Transcendente e entre si, onde não se faz necessário nem sacerdotes, nem templo, nem culto. O “ser humano” é agora o centro desse culto, que consiste na entrega e no serviço aos outros. Não é mais a Lei que impera, mas o amor; não é condenação que tem mais força, mas a acolhida e a compaixão.

A fé é a que faz vencer o medo diante de qualquer tentativa de domínio ou manipulação, e a solidariedade é a que possibilita que a vida se multiplique. O Deus que Jesus revela não é propriedade de nenhuma religião ou sacerdócio e ninguém pode reduzi-Lo a uma verdade única, porque Ele se revela no amor mútuo e na entrega da própria vida. 

“Mas Ele falava do templo de seu corpo”. Este é o verdadeiro Templo de Deus: o próprio “corpo” de Jesus, o Seu e o de todos os homens e mulheres que vem a Ele se unir e constituir um só “corpo de amor e solidariedade”. Este é o Templo, o “corpo messiânico”, o corpo da vida solidária de homens e mulheres que se escutam e se ajudam, se amam e se animam mutuamente. Jesus veio estabelecer um Templo Novo, pois Ele é o verdadeiro construtor, é o autêntico edificador de humanidade. Agora não é preciso sacrificar animais e dar seu sangue a Deus; não precisa de dinheiro ou banco para criar novos negócios e viver da exploração dos outros... Jesus quer humanidade e com sua própria humanidade vai construir o Templo Novo.

Surgiu um novo Templo, nosso próprio corpo, “morada sagrada” da Trindade. Costumamos distinguir entre sagrado e profano. Dentro do templo está o “sagrado”: Deus e as realidades que se relacionam com Ele. Fora do templo está o “profano”, identificado muitas vezes não só como o que não é sagrado, mas como o que se opõe ao sagrado. Curiosamente, a última página da Bíblia afirma que na Jerusalém celeste “não se vê nenhum templo” (Apoc 21,22). Alguém poderia chegar à absurda conclusão que no céu não há lugar para Deus, porque não há templo.

Será esta imagem do futuro uma crítica do presente, ou seja, uma separação entre lugares onde pensamos que está Deus e lugares onde pensamos que Ele não está? Quê acontece na terra, este espaço nosso no qual há tantos templos? Acaso Deus precisa deles, porque foi expulso dos lugares “profanos”? Não será, talvez, porque não O reconhecemos nesses lugares? Deus está em todos os lugares, sua presença providente envolve tudo e todos.

Para nós cristãos, o Templo está em Jesus e em todo ser humano que é morada do seu Espírito. Esse é o lugar do verdadeiro culto, que não se expressa em ritos vazios, mas em “fazer memória” viva de Jesus que nos impulsiona a viver como Ele. Essa é a verdadeira espiritualidade: deixar-nos conduzir pelo Espírito, no grande “templo da vida”: lugar do verdadeiro culto que se faz visível no serviço oblativo e na compaixão solidária.

Estamos nos despertando para esta realidade: hoje, os “templos” estão cada vez mais vazios; o máximo que fazemos é admirar as grandes obras de arte de um passado glorioso. Mas, ao mesmo tempo, vamos amadurecendo a consciência de que os templos são nossos corpos, os de nossos irmãos e irmãs que sofrem fugindo da violência e buscando um lar, os corpos dos “sem teto”, os corpos das vítimas do tráfego de pessoas, os corpos das pessoas exploradas por uma “economia que mata”... O templo é hoje a terra, explorada e espoliada, colocando em risco a teia de relações vitais.

Não se trata de restaurar o “templo-espaço” com todas as suas implicações, mas de voltar às origens desse “movimento itinerante” que Jesus começou pelas aldeias da Galiléia, onde um pequeno grupo, entusiasmado pelo Reino, reuniam-se nas casas e partilhavam pão e vida. O movimento de Jesus é um movimento de “casas”: lugar da acolhida, do encontro, da festa, da celebração...

Seremos nós, seguidores(as) de Jesus que deveremos recordar que o “templo” não é um edifício de pedra mas a vida inspirada pelo Espírito, em meio a um contexto social e religioso que faz da “casa do Pai uma casa de comércio”; que o verdadeiro culto que agrada a Deus é nossa relação filial com Ele, e que isso tem consequências concretas no modo como nos relacionamos com os outros. Em sintonia com o Pai, estamos mergulhados no “sagrado”, porque a vida é sagrada. 

Texto bíblico:  Jo 2,13-25 

Na oração:

- Você sente o “pulsar” do coração de Deus nas realidades mais cotidianas: ambiente familiar, trabalho, relações, oração, descanso...?

- Diante da “cultura de morte”, como viver a “cultura do encontro”, a verdadeira “religião” de Jesus?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2279-corpo-novo-templo

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sábado, 6 de março de 2021

ESPERANZA - Alexis Valdés




Esperanza

Alexis Valdés


Ligue o vídeo abaixo:


Cuando la tormenta pase
y se amansen los caminos,
y seamos sobrevivientes
de un naufragio colectivo.
Con el corazón lloroso
y el destino bendecido
nos sentiremos dichosos
tan sólo por estar vivos.

Y le daremos un abrazo
al primer desconocido
y alabaremos la suerte
de conservar un amigo.

Y entonces recordaremos
todo aquello que perdimos
de una vez aprenderemos
todo lo que no aprendimos.

Y no tendremos envidia
pues todos habrán sufrido.
Y no tendremos desidia
Seremos más compasivos.
Valdrá más lo que es de todos,
que lo jamás conseguido.
Seremos más generosos,
y mucho más comprometidos.

Entenderemos lo frágil
que significa estar vivos.
Sudaremos empatía
por quien está y quien se ha ido.

Extrañaremos al viejo
que pedía un peso en el mercado,
que no supimos su nombre
y siempre estuvo a tu lado.

Y quizás el viejo pobre
era tu Dios disfrazado.
Nunca preguntaste el nombre
porque estabas apurado.

Y todo será un milagro
y todo será un legado.
Y se respetará la vida,
la vida que hemos ganado.
Cuando la tormenta pase
te pido Dios, apenado,
que nos devuelvas mejores,
como nos habías soñado.

        Alexis Valdés, marzo 2020


Esperanza, es un poema escrito por el multifacético artista Alexis Valdés.

El talentoso cubano ha encontrado inspiración en el COVID-19 y la ha querido transmitir como mensaje de esperanza.

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TRADUÇÃO:


 

Ter esperança

 

Quando a tempestade passar

E as estradas forem aplainadas,

e formos sobreviventes

de um naufrágio coletivo.

 

Com o coração choroso,

e o bendito destino

vamos nos sentir felizes

apenas por estarmos vivos.

 

E nós vamos dar um abraço

para o primeiro estranho,

e vamos elogiar a sorte

para manter um amigo.

 

E, então, vamos lembrar

tudo que perdemos,

e de uma vez vamos aprender

tudo que não aprendemos.

 

Não teremos mais inveja,

pois todos terão sofrido.

Não teremos mais preguiça,

Seremos mais compassivos.

 

O que é de todos vai valer mais

Que você nunca alcançou

Seremos mais generosos

E muito mais comprometidos.

 

Vamos entender o frágil

o que significa estar vivo;

Vamos suar empatia

para quem é e quem se foi.

 

Vamos sentir falta do velho

que pedia um peso no mercado,

e não sabíamos o nome dele

que sempre esteve ao nosso lado.

 

E talvez o pobre velho

Era o seu deus disfarçado,

Você nunca perguntou o nome

porque você estava com pressa.

 

E tudo será um milagre,

E tudo será um legado,

E então será respeitada,

a vida que ganhamos.

 

Quando a tempestade passar

Eu vos peço, Deus, entristecido,

que você nos dê o melhor

que você sonhou para nós.

 



Alexis Valdés, março de 2020

 


Esperanza, é um poema escrito pelo multifacetado artista Alexis Valdés.

O talentoso cubano se inspirou no COVID-19 e quis transmiti-lo como uma mensagem de esperança.

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sexta-feira, 5 de março de 2021

NADA ERA MELHOR – Cyro de Mattos



Nada Era Melhor

Cyro de Mattos

 

            Já vai longe o tempo da minha infância na cidade onde nasci. A cidade tinha poucas ruas calçadas, três bairros, o jardim, o cinema, o ginásio e a igrejinha. Seu rio, chamado de Cachoeira, dividia a cidade em duas partes. E uma gente ribeirinha tirava dele o sustento de suas famílias: lavadeiras, tiradores de areia, pescadores e aguadeiros.

            Lá naquela cidade distante joguei bola com a turma de queridos amigos nos campinhos improvisados dos terrenos baldios.  Roubei fruta madura nos quintais das casas perto da beira do rio.  Brinquei de mocinho e bandido. Fiz a primeira comunhão e tive a primeira namorada.

            Lá também criei vaga-lumes para vê-los à noite piscando no quarto. Nadei como um peixe ágil nos poços bem claros do rio que tinha as águas doces. Andei como um bicho solto, sem ter medo de nada, nos caminhos do mato. Feito pássaro dava cada voo com o vento mais alto. Quando cresci, soube que a infância tem um sabor de fruta doce que acaba quando chega o tempo dos homens.

              Não querendo que aqueles dias vividos com aventuras, descobertas e sustos esplêndidos se perdessem no tempo que se foi, sem que eu percebesse de tão rápido, ficando trancados pelos homens dentro de mim, resolvi então escrever umas breves memórias com pedaços da infância. Nesses episódios que agora procuro contar, tecidos com os fios eternos do sonho, tento compartilhar com você um pouco da aventura da vida. Percorro caminhos e procuro encontrar o menino na fumaça do tempo, mas que ainda pulsa no meu coração porque não se cansou de ser menino. 

 


          
Em Nada Era Melhor (Editus, 2020), cada episódio pode ser concebido como uma história, possui autonomia na sua estrutura, foi reinventado com os elementos tradicionais  de princípio, meio e fim. Como cada um deles é protagonizado por um menino em sua pré-adolescência, tendo como espaço a infância e o lugar onde acontece é a uma cidade do interior baiano, no início da segunda metade do século XX, com personagens secundárias que participam algumas vezes de muitos deles, não se pode deixar de considerar que Nada Era Melhor é também um romance, uma história comprida representativa da vida, ou seja, um romance de iniciação.

 

Cyro de Mattos - Escritor e poeta. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Publicado nos Estados Unidos, Dinamarca, Rússia, Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor  Honoris Causa pela  Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC

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quarta-feira, 3 de março de 2021

ITABUNA CENTENARIA SORRINDO: Tragédias de antigamente

 


Tragédias de Antigamente:

 

 

 1. Quando as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão.

 

2. A agulha riscava o LP bem na melhor música.

 

3. Você datilografava errado a última palavra da página.

 

4. E não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar.

 

5. A fita do Atari não funcionava nem depois de você assoprar.

 

6. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta BEM NO MEIO DA MÚSICA que você tinha passado horas esperando pra gravar na fita K7.

 

7. E depois o toca-fitas mastigava a fita K7.

 

8. O locutor não falava o nome da música quando ela terminava.

 

9. E você ficava anos sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que você tinha amado.

 

10. Alguém fumava dentro do ônibus.

 

11. Você tinha que pagar multa por devolver a fita de vídeo VHS pra locadora sem rebobinar.

 

12. O Ki-suco vazava da garrafinha da sua lancheira.

 

13. E molhava seu pedaço de pão com patê.

 

14. Você tirava as letras das músicas em inglês tudo errado.

 

15. E depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo.

 

16. Mas já era tarde, pois você já tinha decorado errado (e canta errado até hoje).

 

17. Você arranhava com todo cuidado, mas quando levantava o papel via que o bichinho do decalque do Ploc tinha saído sem uma perninha.

 

18. A televisão resolvia sair do ar no dia do último capítulo da novela.

 

19. E seu pai tinha que subir no telhado para mexer na antena.

 

20. E ele gritava lá de cima “melhorou?”

 

21. E você, embaixo, avisava: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”.

 

22. E nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo.

 

23. Chegar à padaria e lembrar que você tinha esquecido o “casco” do refrigerante.

 

24. Você descobria que todas as 36 fotos do seu aniversário tinham ficado desfocadas.

 

25. E algumas tinham queimado, porque o rebobinador da câmera estava meio enguiçado.

 

26. Quando sobrava só o lápis branco da caixa de 36 cores.

 

27. Você pensava que ia morrer por ter engolido uma bala Soft.

 

 

Nossa vida era assim.

E nem faz tanto tempo (40 a 50 anos),

mas nossos filhos nem têm ideia do que significa tudo isso.

 

(Autor não mencionado)

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segunda-feira, 1 de março de 2021

O CHARME DO ESPÍRITO VENEZIANO – Plinio Corrêa de Oliveira

 1 de março de 2021

Distinção, dignidade e frivolidade do Ancien Régime numa praça de Veneza

Plinio Corrêa de Oliveira

Em minha sala de trabalho tenho um quadro reproduzindo uma pequena praça de Veneza. Ela tem um charme que toca nos sentidos, inclusive por seus defeitos, revelando a ‘alma’ e o espírito veneziano. Esse charme impregna o conjunto da praça, a igreja no fundo, as casas e os personagens ali presentes, cujas atitudes características dão a impressão de estarem saindo de alguma representação teatral.

A igreja, em estilo que parece do século XVII, irradia alguma paz ao conjunto. É quase o contrário do que transparece nas pessoas, entretanto acaba envolvendo-as. Por uma porta aberta da igreja se percebe algo de meditativo e sério, pela presença do Santíssimo Sacramento no sacrário interno, riquíssimo em graças. É o mesmo imponderável de certas igrejas da Itália.

Campo Santa Maria Formosa, em Veneza, 1741 – Michele Marieschi, séc. XVIII. Museu Correr, Veneza

Essa Veneza do século XVIII tem algo que lembra remotamente a dignidade e distinção próprias do Ancien Régime. Nas pessoas transparece também a frivolidade social daquela época. São habituadas a morar em Veneza e conviver com casas de aspecto um tanto tristonho, com tracinhos de palácio. Elas gostam do estilo, que as eleva a um nível mais alto.

Esses vários aspectos, onde se misturam laivos de séculos anteriores com algo do século que viria, influenciam as almas dos que ali estão, ou que moram na praça.

A mistura de todos esses aspectos lembra certos arranjos de sorvetes, quando a groselha e o creme vão se derretendo, alternando dentro do copo suas cores respectivas. Na praça, os seus vários aspectos formam laivos psicológicos — um ice-cream soda indefinido dentro de um copo, que seria aquela pracinha.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 19 de janeiro de 1984. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/o-charme-do-espirito-veneziano/

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