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segunda-feira, 20 de abril de 2020

ASSIM OPERA A MÁFIA QUE NÃO PARA DURANTE A PANDEMIA


20/04/2020
Os clãs do sul da Itália aproveitam a crise para ganhar apoio distribuindo comida e dinheiro, mas alguns moradores se organizam para evitar

Bairro napolitano de Santa Lucia.PAOLO MANZO / EL PAÍS

Um assassinato em Agrigento (Sicília). Um barco na Calábria com 600 quilos de coca. Um fugitivo capturado depois de uma longa fuga quando ia fazer compras usando máscara e luvas. Ninharias em comparação com o ritmo normal. Mas a principal atividade dos clãs mafiosos na Itália hoje em dia é se reposicionar, ganhar apoio e buscar novas formas de usar seu dinheiro, que retornará em abundância quando a crise sanitária acabar. Na Calábria e na Sicília, a polícia já surpreendeu mafiosos distribuindo sacolas de compras para alguns moradores. Enquanto não chegar a ajuda anunciada pelo Governo de Giuseppe Conte, as máfias se infiltrarão no tecido social, concordam as fontes judiciais e policiais consultadas. Também são abundantes os empréstimos a empresários com a corda no pescoço que precisam de dinheiro vivo. “Agora são só facilidades”, assinala um comandante dos carabinieri em Trapani. Os clãs têm liquidez. Quando a crise passar, vão cobrar a conta.

O confinamento tem alguns mestres que o praticavam muito antes que o mundo soubesse o que é um coronavírus. Nicola Gratteri, procurador-chefe de Catanzaro e provavelmente o maior especialista do mundo na ‘Ndrangheta − a máfia mais poderosa da Itália, com mais de 30.000 filiados só na Calábria e capaz de faturar 43 bilhões de euros (245 bilhões de reais) anuais −, teme o pior: “O objetivo da elite da ‘Ndrangheta não é só enriquecer, mas exercer o poder. No sul há milhares de pessoas que sempre trabalharam na informalidade e ganhavam no máximo 40 euros [228 reais] por dia. Esse dinheiro evaporou. O Estado está preparando uma injeção que chegará em poucos dias, mas muitas pessoas necessitadas aceitam encantadas as compras pagas pelo chefão da vez. Aceitam também ajudas de 300 ou 400 euros [1.710 ou 2.280 reais]. Para eles não é nada, para o pobre é tudo. Daí surge o modelo do homem poderoso, que poderá pedir que votem em seu candidato quando houver eleições”. É hora de semear.

As recessões são oportunidades perfeitas para as máfias, alertam o chefe da polícia nacional da Itália, Franco Gabrielli, e o procurador-geral antimáfia do país, Federico Cafiero de Raho. A crise acaba com o dinheiro em espécie, algo que organizações como a ‘Ndrangheta, cuja principal fonte de renda é o tráfico de drogas, têm em abundância, lembra Gratteri. “[Essas organizações] buscarão emprestar dinheiro com usura a empresários. A juros baixos, para competir com os bancos. As pessoas − hoteleiros, donos de restaurante − vão procurá-las. O objetivo do agiota mafioso é se apoderar dessa atividade comercial quando, pouco a pouco, forem aumentando os juros até o empresário não conseguir pagar. Depois que o negócio for roubado, o mafioso o usará para lavar dinheiro. É assim que funciona. Este período servirá para isso”, acrescenta o procurador.

Isso acontece na Calábria. Mas também na Sicília e nas vielas do centro de Nápoles. Quando o Estado dá um passo atrás, os clãs devoram o território. As três regiões estão no topo das estatísticas de pobreza e de economia informal, com cifras em torno de 20% de sua riqueza, segundo o Instituto de Estatística Italiano (Istat). São milhares de famílias sem nenhuma provisão neste momento. O Governo prometeu 400 milhões de euros (2,3 bilhões de reais) aos municípios para a concessão de vouchers, mas o sistema é lento e a burocracia, fatal para o tecido social. Em Palermo e Nápoles, multiplicam-se as denúncias de assaltos a supermercados.

Na moto, Vincenzo e Antonio, voluntários da ONG San Gennaro, distribuem alimentos aos necessitados no bairro de Sanità, em Nápoles.PAOLO MANZO / EL PAÍS

Alguns moradores, liderados pela associação Liberi di Volare (Livres para voar)e pela Fundação San Gennaro, organizaram-se para distribuir alimentos a famílias necessitadas em Nápoles. É outra forma de evitar a infiltração de clãs mafiosos. Davide Marotta faz parte do esquadrão que distribui 350 pacotes de comida semanais e vales-compra no bairro napolitano de Sanità. “Quem recebe ajuda, muitas vezes, não pensa se vem de alguém que mata ou vende drogas. Fome é fome. Nápoles já estava cheia de problemas antes do coronavírus. O Estado está ausente nessas áreas, e muitas vezes a Camorra o substitui. O único mercado que não para é o ilegal. E é usado o velho método do clientelismo político. O que nós fazemos é ocupar esse espaço”, diz Marotta, por telefone, no único dia de descanso dos voluntários.

O prefeito de Palermo, Leoluca Orlando, um dos primeiros a alertar sobre o incêndio social que estava chegando às ruas de sua cidade, resume assim: “Quando você está doente e o médico não chega, acaba indo ao curandeiro. Devemos evitar que esses falsos médicos batam à porta. Os mafiosos estão alimentando o mal-estar social para transformar aos novos pobres em transportadores de drogas, escravos. Só o dinheiro público é a alternativa ao dinheiro mafioso. E isso vale em toda a Itália, também no norte”. E hoje tudo acontece às escuras.

A pandemia complica o trabalho de investigação, explica um dos procuradores mais importantes da luta contra a máfia em Palermo, que pede anonimato. “Neste momento, os pontos de escuta, os lugares onde foram instalados microfones [pela polícia], os esconderijos, já não estão dando muitos frutos, porque não são frequentados. Os carros estão parados, e nas residências, estando em família, nem sempre é possível obter informações, porque há mais barulho e as conversas são de outro tipo. Quanto menor o movimento, menos visíveis são os encontros e menos informações obtemos”, diz ele. Um comandante policial especialista no combate à Cosa Nostra assinala: “É mais difícil para todos: para eles, que dão cobertura e logística para a distribuição de drogas, e para nós, que devemos segui-los e não podemos nos camuflar entre os carros e as pessoas”.

A Covid-19, no entanto, corrói a parte fraca da máfia. A que precisa do barulho para viver em silêncio. Para grandes fugitivos, como o chefe da Cosa Nostra Matteo Messina Denaro, foragido há 26 anos, hoje é mais difícil se esconder. “São como baleias. Vivem submersos e de vez em quando têm de vir à superfície para respirar. Vamos caçá-los quando fizerem isso… ou morrerão afogados.”

No Brasil o crime organizado se divide. Segundo o jornal O Globo, as milícias fluminenses pressionam comerciantes para que continuem trabalhando, uma vez que sem receita eles não tem como pagar os grupos criminosos que vivem da cobrança de taxas e extorsão. Por outro lado, traficantes de facções como Comando Vermelho e Amigo dos Amigos tem colocado faixas em algumas comunidades pedindo que todos fiquem em casa.



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POR QUE OS LAÇOS FAMILIARES SÃO TÃO IMPORTANTES? – John Horvat II


19 de abril de 2020

John Horvat II*

A importância das relações familiares pode também, entre diversas razões, ser constada nos benefícios para a saúde que advêm de laços afetivos entre parentes.

Em um estudo realizado nos anos cinquenta, a um grupo de estudantes da Universidade Harvard (na cidade de Cambridge – EUA), escolhidos aleatoriamente, foi solicitado aos alunos que descrevessem o nível de calor de seus relacionamentos com os pais. Cerca de 35 anos depois, foi feita uma verificação de seus registros médicos.

O psicólogo britânico Prof. David Halpern** [foto ao lado] destacou que: “Entre aqueles que classificaram os relacionamentos com os pais como calorosos e estreitos, um pouco menos da metade (47%) teve doenças graves diagnosticadas na meia-idade; mas entre aqueles que descreveram os relacionamentos com os pais como tensos e frios, todos (100%) tinham doenças graves diagnosticadas na meia-idade”.
___________
Fonte: David Halpern, Social Capital, Polity Press: Cambridge, 2005, p. 81).

* John Horvat II, é vice-presidente da TFP norte-americana, autor do best-seller “Return to Order”.
** David Halpern foi professor de ciências sociais humanas na Universidade de Cambridge. Atualmente ele supervisiona a resposta do governo do Reino Unido à pandemia de coronavírus como parte do Grupo Consultivo Científico para Emergências, concentrando-se em mudanças comportamentais.


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domingo, 19 de abril de 2020

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: O Jumentinho Vaidoso


O Jumentinho Vaidoso


Um jumentinho chegou em casa todo contente e disse para sua mãe:

Mãe, você não sabe como sou querido!

Fui a Jerusalém e todo mundo me aplaudiu e gritava:

Viva, viva, salve, salve...

Então a mãe perguntou: "Quem você estava carregando?"

Ah mãe.. era um tal de Jesus Cristo!

Então a mãe disse:

"Amanhã volte lá, mas não carregue ninguém."

No outro dia o jumentinho foi para Jerusalém e voltou triste...

Mas, Mãe, como pode? As pessoas nem me olharam, passei despercebido entre as pessoas, e teve gente que até me enxotou.

É isso aí meu filho.

Você sem Jesus é apenas um Jumento!


Reflexão: Não somos nada sem Jesus!

Boa, né!?


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (179)


2º Domingo da Páscoa – 19/04/2020

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.

Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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“...mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20)

No segundo domingo de Páscoa de cada ano, a liturgia nos apresenta o belíssimo relato que só se encontra no evangelho de João. Esta dupla aparição do Ressuscitado aos discípulos, primeiro na ausência de Tomé, e depois na sua presença, nos diz algo sobre a comunidade cristã primitiva, mas também traz luz sobre as nossas comunidades hoje.

Aí está constituída a nova comunidade pascal; uma comunidade em torno à presença de Jesus; uma comunidade chamada a viver da experiência do encontro com Aquele que consumou sua vida em favor da vida de todos; suas chagas serão, de agora em diante, a melhor expressão da identidade entre o Crucificado e o Ressuscitado. Uma comunidade animada pelo mesmo Espírito de Jesus; uma comunidade não fechada sobre si mesma, alienada das chagas da humanidade, mas aberta, como Ele, ao amor universal para com todas as pessoas. Uma comunidade de amor, capaz de viver o perdão e ser presença misericordiosa.

Somos já “seres ressuscitados” quando vivemos estes dons do Ressuscitado, comprometidos com o Seu projeto carregado de vida, para aliviar as dores e as feridas da humanidade.

A CF deste ano, com o tema “Vida: dom e missão”, nos faz tomar consciência que, aquele(a) que se experimenta a si mesmo como “Vida” é já uma pessoa “ressuscitada”. Pois a vida autêntica é a vida movida, iluminada, impulsionada pelo amor.

Quando acolhemos a presença do Ressuscitado, nossa vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo e move à missão.

Chama-nos a atenção (sobretudo nos evangelhos de Lucas e de João) que Jesus ressuscitado tenha tanto interesse em mostrar a seus discípulos as chagas de suas mãos, seus pés e de seu lado aberto. Quê significa isto, um ressuscitado com chagas? Diante de um martirizado ressuscitado, qualquer um esperaria ver um corpo totalmente renovado, rejuvenescido, limpo, sem feridas e marcas do martírio.

E, no entanto, Jesus ressuscitado toma a iniciativa, deixa-se ver, faz-se presença, provoca um encontro. Os discípulos e discípulas buscam um cadáver, para lhe manifestar respeito e carinho. Jesus ressuscitado, como bom pedagogo, busca aqueles e aquelas que o tinham seguido desde a Galileia e, respeitando a liberdade e os tempos de cada um(a), os ressuscita também, reconstruindo-os em sua identidade ferida.

As chagas de Jesus ressuscitado são algo mais que um modo de dizer “sou eu mesmo”. Elas são expressão de identidade, ou seja, pertencem a seu novo ser de ressuscitado. Dito de outro modo: Jesus, vencedor da morte, não abandona o que é caduco e frágil da existência mortal. A fragilidade da carne foi assumida na glória do Corpo ressuscitado. Por isso, suas chagas são terapêuticas, pois curam as nossas chagas do fracasso, do medo, da tristeza, da solidão, da dor... São feridas que curam feridas

A ressurreição afeta todo o nosso ser: tudo é iluminado, re-significado, tudo adquire novo sentido.

Em meio à comunidade dos discípulos reunida, o evangelho de João destaca a figura de Tomé, elaborando em torno a ele um relado de muita densidade e com muita inspiração. Tomé é a expressão do ser humano a quem lhe custa crer na ressurreição do Jesus Histórico, do Jesus das chagas nas mãos e no lado, do Jesus da carne, do Jesus do povo crucificado.

Provavelmente, ele acreditava em Jesus, mas em um “Jesus espiritual”, puramente interior, sem necessidade de compromisso comunitário, sem chagas no seu corpo. Talvez, ele estivesse mais centrado no Cristo glorioso, desligado da história de Jesus, das mãos que tocaram os pobres e curaram os doentes, do coração que amou os excluídos da sociedade, dos pés que romperam barreiras e fronteiras...

Por meio de outros testemunhos da literatura cristã antiga, sabemos que Tomé queria tocar em Jesus só de um modo espiritual, criando um tipo de comunidade de feição “quase angelical”, distanciando-se da humanidade de Jesus e vivendo uma religião desumanizadora, centrada só em ritos, doutrinas, leis...

Contra isso, a comunidade lhe diz que é preciso “tocar nas chagas de Jesus”, que o Ressuscitado é o mesmo Jesus da História, Aquele que foi chagado pela violência e pela rejeição. O Senhor Ressuscitado continua sendo aquele que carrega em suas mãos e lado as feridas de sua entrega, os sinais de seu amor crucificado em favor de todos. Este Jesus pascal, continua estando presente nas chagas dos homens e mulheres de mãos quebradas, na ferida do lado dos homens e mulheres que sofrem.

As chagas de Jesus, em seu lado e em suas mãos, são as chagas de um perseguido e condenado pela “justiça” do mundo. Isso significa que o Jesus ressuscitado não é um “fantasma”, mas o mesmo Jesus que foi crucificado.

Ao mostrar suas chagas, Jesus ressuscitado revela que as chagas da humanidade continuam abertas, esperando que seus(suas) seguidores(as) prolonguem os gestos de cura e cuidado do mesmo Jesus. São estes e estas que hoje atestam a vitalidade do Ressuscitado.

No entanto, não há mais o Cristo visível para tocar. Os únicos traços para ver e tocar, que confirmam a realidade de sua presença, são as pessoas de cada tempo que lutam por uma terra onde os pobres e os excluídos terão seu lugar, onde o ódio não rege as relações, onde a bondade predomina sobre o desprezo, onde o respeito impede a violência capaz dos piores instintos, onde a acolhida impede o fechamento em si mesmo.

Portanto, crer na Ressurreição não é simples adesão a um dogma de fé, é compromisso com a vida.

O “toque pascal” de Tomé (“coloque tua mão em minha ferida...”) é o “toque das chagas”, é a experiência dos crucificados do mundo. Só podemos “tocar” em Jesus de verdade, e confessar sua Páscoa, “tocando” (ajudando) os enfermos e crucificados da história.

Não há experiência pascal se não descobrimos Jesus ressuscitado nas chagas dos pobres, doentes e excluídos de nosso mundo; “tocar” estas chagas vai além de um gesto físico; implica ser presença solidária, acompanhar, ajudar, alimentar uma sintonia e comunhão com aqueles(as) que clamam por uma presença consoladora, carregada de ternura.

Enfim, o evangelho deste domingo nos pede:

- Que abramos as portas e as janelas das comunidades cristãos, para que todos possam ver o quanto de vida há dentro dela, para que vejam quem somos, como vivemos..., de maneira que possamos oferecer e compartilhar espaço de perdão, de acolhida sem preconceitos, de amor oblativo...; é preciso afastar a pedra do dogmatismo, do legalismo, do ritualismo... que nos mantém sufocados ou respirando o ar fétido dos túmulos;

- Que vivamos em comunhão, que permitamos que Tomé retorne à comunidade. A transformação de Tomé implica também uma mudança da Igreja, que o acolhe e lhe oferece um lugar a partir do Jesus crucificado; que ela seja espaço aberto, integrador, acolhedor do diferente.

- Que sonhemos também com uma Igreja que rompa os túmulos do conservadorismo, do legalismo, da apatia, e se abra à desafiante situação de nosso mundo, “vivendo em saída” para “tocar” os chagados e lhes oferecer o dom da unção e do consolo. 

Texto bíblico:  Jo 20,19-31
Na oração: Nos Exercícios Espirituais, S. Inácio   nos convida a considerar como o Ressuscitado exerce o “ofício de consolar”. 
Somos, pois, consolados em nossas tribulações e dores para poder consolar os outros nas suas. Trata-se de uma experiência transbordante, expansiva, que nos impulsiona em direção aos outros.
Como seguidores(as) do Vivente, somos chamados(as) a exercer este “ofício de consolar”; a experiência da Ressurreição nos move a “descer” junto à realidade do outro (seus dramas, fracassos, enfermidades, perda de sentido da vida...) e exercer este ministério humanizador. “Ser vida ressuscitada que desperta outras vidas”: vida plenificada, iluminada, integrada... pela experiência de encontro com o Ressuscitado e que flui em direção às vidas bloqueadas, necrosadas... Assim como a consolação é o canal privilegiado pelo qual o Deus da Vida se comunica e atua em nós, o ofício do consolo é o canal por onde flui a vida.

- Como ser presença consoladora nestes tempos de pandemia?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 18 de abril de 2020

O AMOR - Gibran Khalil Gibran


            Então, Almitra disse: “Fala-nos do Amor”.


            E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão, e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, ele disse:

            “Quando o amor vos chamar, segui-o.

            Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;

            E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,

            Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;

            E quando ele vos falar, acreditai nele,

            Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.

            Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica. E da mesma forma que ele contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda.

            E da mesma forma que ele sobe à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,

            Assim também desce até vossas raízes a as sacode no seu apego à terra.

            Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.

            Ele vos debulha para expor a vossa nudez.

            Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.

            Ele vos mói até a extrema brancura.

            Ele vos amassa até que vos torneis maleável.

            Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.

            Todas essas coisas, o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.


            Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,

            Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor,

            Para entrar no mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.

            O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.

            O amor não possui e não se deixa possuir.

            Pois o amor basta-se a si mesmo.

            Quando um de vós ama, que não diga: ‘Deus está no meu coração’, mas que diga antes: ‘Eu estou no coração de Deus’.

            E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.

            O amor não tem outro desejo, senão o de atingir a sua plenitude.

            Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes vossos desejos:

            ‘De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta a sua melodia para a noite;

            De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;

            De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor;

            E de sangrardes de boa vontade e com alegria;

            De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;

            De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor;

            De voltardes para casa à noite com gratidão;

            E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança’.”


(O PROFETA)
Gibran Khalil Gibran

           
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Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.
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VIDA E OBRA DE GIBRAN (1)

          Seu nome completo é Gibran Khalil Gibran. Assim assinava em árabe. Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada de Khalil Gibran. É mais comumente conhecido sob o simples nome de Gibran.

Nasceu em 6 de dezembro de 1883, de pais pobres, em Bicharre, na montanha do Líbano, a uma pequena distância dos Cedros milenares. Tinha oito anos quando, um dia um vendaval passa por sua cidade. Gibran olha, fascinado, para a natureza em fúria e, estando sua mãe ocupada, abre a porta e sai a correr com os ventos. Quando a mãe, apavorada, o alcança e repreende, ele lhe responde com todo o ardor de suas paixões nascentes: “Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!” (Seu melhor livro em árabe será intitulado Temporais).

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sexta-feira, 17 de abril de 2020

O CARA É FORTE DEMAIS - Fernando Takeshi

"O cara é forte demais

Em plena guerra cultural, um tiozão de 60 e poucos anos, sentado, de chinelo, na frente do palácio do alvorada, é capaz de fazer arrepiar até o último fio de cabelo de todo um império corrupto.

Todas as tentativas de encurralá-lo foram em vão, todas as vezes que ele parecia fraquejar, ele virou a mesa. Todas as narrativas criadas pela extrema mídia e pela esquerda, viraram pó diante das suas atitudes.

Por que você acha que agora será diferente?

- Fez feminista defender a família.

- Fez abortistas se preocuparem com a vida durante o COVID-19.

- Fez profanos odiarem a expressão "golden shower", após um Carnaval.

- Fez a própria Globo repudiar expressões do médico Drauzio Varella.

- Fez a Globo atacar a própria atriz Regina Duarte, após indicação á cargo.

- Fez pessoas pró-drogas começarem a se questionar acerca de efeitos colaterais de medicamentos.

O tiozão de 60 e poucos anos é o maior estrategista da história do BRASIL!

Muitas coisas ainda estão por vir.

#EstouComBolsonaro"


Texto: Fernando Takeshi

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MANDETTA, O INGRATO! – Cláudio Magnavita


15 Abril 2020
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República

Ministro entrará para a história como o homem que tentou fritar quem o nomeou e jogou uma oportunidade única de escrever seu nome nos anais da medicina

Por Cláudio Magnavita*

Há uma máxima na medicina de que todo o médico ortopedista é grosso, truculento e bruto. Não é função para pessoas sensíveis e delicadas. Não se trata de nenhum demérito à especialidade, mas um pré-requisito até para um bom ortopedista.

Foi exatamente esta a especialidade que o acadêmico da Gama Filho do Rio, Luiz Henrique Mandetta, escolheu para seguir a sua carreira.

Nos últimos dias ele tem exercido com perfeição o papel truculento nas relações que emanavam a sua fonte de poder.

Nunca um brasileiro jogou fora uma oportunidade histórica por puro egocentrismo e a incapacidade de perceber que parte da bajulação que recebia tinha um objetivo único: ferrar o seu chefe, constranger aquele que o ungiu ao cargo mais importante da saúde no Brasil.

Por ter tido dois mandatos de deputado e por ter tido duas campanhas financiadas por patrocinadores, que depois viraram fornecedores do próprio Ministério sem ter licitação, não se pode dizer que Mandetta foi um inocente útil na mão de uma oposição velada, e por parte da mídia que quer implodir a popularidade de Bolsonaro.

O certo é que o ministro foi inábil, partiu para o confronto, acreditando que em plena crise ninguém seria capaz de exonerá-lo. O apoio que recebeu de colegas e até da turma verde-amarela do Palácio se esfacelou por pura deslealdade.

Faltou humildade a Mandetta, faltou perceber que ele não era mais detentor de um mandato, no qual teria imunidade por fazer e desfazer ao bel prazer.

Ele estava preso a uma cadeia de comando, a uma delegação de poderes, a uma hierarquia que um dia o nomeou e, como falamos antes, o ungiu ao cargo mais alto da saúde do país. E o que ele fez? Passou os últimos dias, destruindo os tênues fios que o ainda o sustentava.

Como um médico, um brasileiro, um pseudo apaixonado pela ciência, joga fora a maior oportunidade de sua vida por simples orgulho? Por vaidade. Ele não poderia ter usado o seu charme para convencer o presidente dos seus pontos de vista? Não poderia usar a sua eloqüência para equilibrar os ritos do poder?

Por que ser irônico? Por que se aliar a inimigos? Será que o cansaço e o esgotamento físico levou um tarimbado homem público a perde o dom do diálogo?

Mandetta cometeu todos os pecados que um ocupante de uma função de confiança não deveria cometer. Desafiou publicamente o chefe. Foi desleal com os colegas que enfrentaram o presidente e avalizaram sua permanência. Foi desleal com o seu currículo, jogando fora o juramento de Hipócrates, pilotando o maior plano de emergência de saúde da história da humanidade.

Ele vai sair do Governo e vai se abrigar em São Paulo ou em Goiás, atrás de uma trincheira nitidamente de oposição. Será julgado pela história não pela sua capacidade de tentar acertar, mas de não ter a humildade e o jogo de cintura para permanecer em uma função que o destino lhe deu e que, por burrice política, deixou escapar pelas mãos.

A história será implacável, mas o carimbo de traidor e sobretudo de ingrato está fixado em seu currículo. Um ministro que durante semanas fritou o seu próprio presidente e que foi incapaz de perceber que estava fazendo o jogo de uma oposição inconformada de ter no Palácio do Planalto um homem disposto a quebrar paradigmas, acabar com privilégios e que, pela primeira vez, deu carta branca e porteira fechada a todos os seus ministros. Infelizmente, no caso do ortopedista Luiz Henrique Mandetta, ele não soube usar.

*Cláudio Magnavita é diretor de Redação do Correio da Manhã


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