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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

ACADÊMICO E POETA GERALDO CARNEIRO É O PALESTRANTE DA SEGUNDA CONFERÊNCIA DO CICLO “CADEIRA 41”


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu Ciclo de Conferências intitulado Cadeira 41, com palestra do Acadêmico, poeta e letrista Geraldo Carneiro. O tema será No bar, com Tom Jobim, com a coordenação geral da Acadêmica Ana Maria Machado. O evento está programado para quinta-feira, dia 12 de setembro, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203 - Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
A intitulação Cadeira 41 remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o número máximo de Acadêmicos era de 40, o que continua até os dias de hoje. Este Ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas Cadeiras e, que, por razões diferentes e individuais, não se tornaram membros da Academia.
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.
Os Ciclos de Conferências, com transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, têm o patrocínio da Light.
Serão fornecidos certificados de frequência.
Cadeira 41 terá mais duas palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 19, Marisa Lajolo, Na classe, com Mestre Candido; e dia 26, Acadêmico Cacá Diegues, Com Jorge de Lima no coração
O Acadêmico
Geraldo Carneiro é poeta, letrista e roteirista de televisão, teatro e cinema.
É autor dos livros de poesia Em busca do Sete-EstreloVerão vagabundoPiquenique em Xanadu (prêmio Lei Sarney de melhor livro do ano), PandemônioFolias metafísicasPor mares nunca dantesLira dos cinquent’anos e Balada do impostor.
Publicou também Vinicius de Moraes: A Fala da Paixão Leblon: A Crônica dos Anos Loucos, além de alguns sonetos traduzidos de William Shakespeare, na coletânea Sonhos da Insônia (Impressões do Brasil, 97), publicada em parceria com Carlito Azevedo.
Escreveu letras para canções com diversos parceiros, tais como, Egberto Gismonti, Astor Piazzolla, John Neschling, Francis Hime, Wagner Tiso. Além de textos para cinema, teatro e TV. Pelo último roteiro escrito, a adaptação da novela O Astro, em parceria com Alcides Nogueira, recebeu o prêmio Emmy. 
No cinema, assinou os roteiros dos filmes Eternamente Pagu (1987), de Norma Bengell, e O judeu (1996), escrito com Millôr Fernandes, Gilvan Pereira e o diretor do filme, Jom Tob Azulay.
Teve diversos textos teatrais encenados, originais e traduções, entre os quais A Tempestade, As You Like It e Antonio & Cleópatra, de William Shakespeare; A Bandeira dos Cinco Mil Réis (encenada em 86, publicada em 92), Manu Çaruê (ópera pós-tudo com música de Wagner Tiso, encenada em 88).
Leitura complementar
Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "João Ubaldo Ribeiro ou o banquete da linguagem""Poemas reunidos" e "Discurso de posse do Sr. Geraldo Carneiro e resposta do Sr. Antonio Carlos Secchin".
Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.



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DEUS DESTRONADO PELA “MÃE TERRA”?! - Marcos Luiz Garcia


12 de setembro de 2019
Marcos Luiz Garcia


             Embora este artigo seja aberto a quem estiver disposto a degluti-lo, convido especialmente os católicos a me acompanharem nestas considerações.

            Desde a década de 1950, mais especialmente a partir do Concílio Vaticano II, vem se verificando na opinião pública católica um afastamento insensível, paulatino e ininterrupto em relação a Deus, em nome da ideia cínica de que Ele não castiga, de que não há inferno e nem mesmo purgatório.

            Por causa disso, os problemas, sobretudo os morais, vêm progredindo, com o sinal verde ou a complacente passividade de inúmeras autoridades religiosas, principais responsáveis pela observância dos Mandamentos da Lei de Deus na sociedade.

            Vamos a exemplos concretos. Todos sabem que motéis são locais destinados à prática de pecados contra o sexto e o nono Mandamentos. Quem passa pela rua, sabe o que está ocorrendo lá dentro. Mas hoje essa triste realidade é inteiramente tida como normal. Chegou-se a isso porque muitos dizem “Deus perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            Os trajes imoralíssimos de hoje, mais próximos do nudismo do que nunca, são utilizados até dentro das igrejas, nas missas e — oh dor! — na comunhão. Sacrilégios se sucedem às catadupas. Claro, isso porque “Deus perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            As praias se tornaram locais de nudismo efetivo. Quem ousaria chamar de traje o que se usa nelas? Homens e mulheres pecam olhando-se impudicamente sem restrições, porque “Deus perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            As famílias inteiramente afinadas com a verdadeira Doutrina Católica estão reduzidas a um número mínimo. E, num leque de pecados gravíssimos, chega-se até a realizar casamentos entre seres humanos e animais! Nada demais? Claro que não, dizem, pois “Deus perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            O consumo de drogas está de tal maneira dominante, que já se cogita em liberá-lo. Claro, uma vez que “Deus perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            O aborto é um assassinato cometido aos milhões, mas Deus não dá importância. Claro, “Ele perdoa tudo e a todos e não castiga ninguém…

            O leitor ou a leitora já deve estar com náusea desse triste elenco, o qual, aliás, poderia continuar com outros temas, como a monstrificação das pessoas, a extinção da civilização, a implantação do horrendo, o satanismo etc.

            Embora esse fenômeno respingue em toda a humanidade, os católicos foram mais especialmente influenciados pela falsa máxima de que Deus não castiga ninguém, de que seu Poder é fictício, de não se deve temê-Lo. Isso leva as pessoas a pecarem cada vez mais abertamente, ofendendo-O sem o menor sentimento de dor.

            Aqui vem a razão mais profunda deste artigo.

            Aqueles que mais incutem a falsa ideia de que não se deve temer a Deus e fecham os olhos para a imensidão de pecados que se cometem, procuram de outro lado incutir um temor terrível — este sim, infundado, porque destituído de base científica consistente — de que a natureza vai punir a humanidade se esta não cumprir as normas ditadas pelos movimentos ecologistas, especialmente pelo Sínodo da Amazônia.

            Isso explica porque Fátima não é pregada suficientemente nas igrejas, nem se fale da ameaça enunciada por Nossa Senhora de que Deus punirá com um castigo terrível as infidelidades a Ele. Afinal, como Deus pode estar indignado se, segundo o Papa Francisco disse na Cova da Iria, “Deus perdoa tudo e a todos”?

            Fica claro que tal postura em face de Fátima neutraliza inteiramente o efeito salvador da Mensagem da Santa Mãe Deus em 1917 e explica por que a humanidade ainda não se converteu.

            E o temor maior fica transferido para a natureza. Esta, sim, castiga! E para evitar que isso aconteça, é necessário realizarmos o novo comunismo indígena, propalado pelo Sínodo da Amazônia e pela nova igreja que ele vai lançar.

            O temor do Deus Eterno, que fará um juízo também eterno, é substituído pelo temor da natureza e dos ancestrais indígenas.

            Aqueles mesmos que minimizam o temor de Deus, que é real, exageram, inculcam o temor fictício da natureza.

            O mais triste é que tudo isso recebe um impulso muito forte do clero progressista, que se faz passar como sendo a autêntica Igreja de Deus.

            Caminhamos assim para uma nova religião, na qual, pelas próprias mãos de seus pastores, se destrona a Deus e O substitui pela “Mãe Terra” ou Pachamama.

            Miserere nobis, Domina!


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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

ACADÊMICO E PROFESSOR EVANILDO BECHARA LANÇA LIVRO “BECHARA PARA CONCURSOS”


O Acadêmico Evanildo Bechara lança seu novo livro Bechara para concursos pela editora Nova Fronteira. O lançamento acontecerá no dia 12 de setembro, às 17h00, na Sala dos Fundadores do Petit Trianon da Academia Brasileira de Letras.

O Acadêmico

Evanildo Bechara, professor titular e emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), atua nos cursos de pós-graduação e de aperfeiçoamento para professores universitários e de ensino fundamental e médio oferecidos pelo Liceu Literário Português. É também membro da Academia Brasileira de Filologia, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra e o representante brasileiro do novo Acordo Ortográfico. Em 2018, o Instituto de Letras da UERJ aprovou a criação da Cátedra Evanildo Bechara para promover eventos sobre Língua Portuguesa e estudos linguísticos no Brasil e no exterior. Entre centenas de artigos, comunicações a congressos nacionais e internacionais, Bechara escreveu livros que já se tornaram clássicos pelas suas sucessivas edições. Bechara para concursos está à venda on line e nas livrarias.

29/08/2019


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PARA MIM O NÃO INEXISTE – Dr. Antonio Luiz Macedo



“Aos 13 anos, eu caí do cavalo, e a queda causou uma paralisia do lado direito do meu rosto.

Disse ao médico que me atendeu, um professor de neurologia do Hospital das Clínicas, que eu queria ser cirurgião.

Ele me aconselhou a procurar outra profissão. Fui para casa abaladíssimo.

 Meu avô então me repreendeu: “Esquece o que ele disse, não sabe nada. Ele é professor de cirurgia, mas não de gente”.

Foi aí que eu mais quis ser cirurgião.

Pouco mais de dez anos depois, operei o médico que me atendeu, por uma grande coincidência. Era noite de Natal. Tirei a vesícula dele.

No dia seguinte, ele me olhou e perguntou: “O que aconteceu no seu rosto, menino?”. Eu relembrei a história a ele.

Ele chorou igual a uma criança.

Para mim, o não inexiste. Vou até o fim, sempre.

Desisto só se me matarem.”


Dr. Antonio Luiz Macedo, 67 anos, médico cirurgião. 
Um dos responsáveis por salvar a vida do então candidato e futuro presidente da República Jair Messias Bolsonaro.

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terça-feira, 10 de setembro de 2019

ENTREVISTA: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL BAIANA


Entrevista de Cyro de Mattos,  concedida a Normeide Rios, Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana. 


Normeide Rios - Como o senhor se tornou escritor? O que o motivou a escrever para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - Publiquei meu primeiro conto “A Corrida” no suplemento literário do Jornal da Bahia, editado por João Ubaldo Ribeiro, em 1960. Daí para cá nunca mais parei. Meu livro de estreia foi Berro de fogo, contos, em 1966. Está riscado de minha bibliografia porque seu texto envelheceu em pouco tempo. Pelo menos serviu para deflagrar meu processo criativo. Escrever começou assim na adolescência e se fez dentro de mim fundamental como o amanhecer. Ainda que seja um grão no deserto, escrever é a minha maneira de inaugurar sentidos, estar sozinho e solidário num só tempo, dizendo silêncios. Este é meu lugar onde arrisco tudo. Agradeço à ternura que herdei de minha mãe a inclinação para escrever livros infantojuvenis. Quando já tinha escrito uma vintena de livros para adultos, aconteceu no escritor idoso o menino acordar e pedir que eu escrevesse para crianças e jovens. Tudo foi de repente, sem programar nada. Não sei explicar. De uns vinte anos para cá, tenho escrito para crianças e jovens.  Vem dando certo, com prêmios importantes e reedições sucessivas de livros.

Normeide Rios - Existem diferenças entre escrever para adultos e escrever para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - O livro para adultos tem suas características próprias, sua técnica, espaço, tempo, lugar e modo. Tratamento e abordagem que o diferem da obra escrita para crianças e jovens. O livro infantojuvenil possui universo criativo específico, com suas nuances, linguagem, ritmo, psicologia. Mas livro bom é o rico de sentidos, servindo para idosos e pequenos. Convenhamos que Kafka, Pessoa, Jorge Luís Borges, Eça de Queiroz e Machado de Assis, entre outros, que eu saiba não escreveram seus livros importantes para crianças e adolescentes.  Não é o caso de Bartolomeu Campos Queirós, Ana Maria Machado, em parte Monteiro Lobato, esse que veio para encantar e morar no coração de crianças e jovens. Para não se falar em Cecília Meireles com o seu admirável Ou isso ou aquilo.

Normeide Rios - O que é preciso considerar para escrever para o público infantojuvenil?
 Cyro de Mattos - A psicologia do que se pretende dizer deve emergir e corresponder às razões e emoções da criança e do jovem. A linguagem ser clara, sem perder o poético. Ternura, graça, ritmo ágil, rima cativante. Na prosa uma história que prenda do princípio ao fim, como aprendi em minhas primeiras leituras das revistas em quadrinhos, os meninos de meu tempo chamavam guri e gibi. 

Normeide Rios - O conceito de literatura está sempre mudando, de acordo com o contexto histórico e cultural. Qual é a sua visão de literatura? O que é literatura?
Cyro de Mattos - Forma de conhecimento da vida através dos sinais visíveis da escrita. Não resolve os problemas econômicos, políticos, sociais e religiosos. Mas torna a vida viável e viver sem ela é impossível.  Meu livro de crônicas Alma mais que tudo traz esta epígrafe retirada de Drummond: Se procurar bem, você acaba encontrando/ Não a explicação (duvidosa) da vida/ Mas a poesia (inexplicável) da vida. Se quiserem, é como digo neste poema mínimo: Poesia. Meu amor. Minha dor. Ó flor.

Normeide Rios - O que é literatura infantojuvenil?
Cyro de Mattos - Caminhos da escrita que se abre para a formação de uma mentalidade em crescimento. Dá prazer, faz sorrir, viajar na infância ou juventude, enriquece e nada toma em troca. Como a que é feita para adultos, sua matéria são as palavras - o pensamento, a ideia, a imaginação – estando ligada diretamente a uma das atividades básicas do indivíduo em sociedade: a leitura.  Busca alcançar o leitor iniciante para uma formação integral, em que entra o eu mais o outro mais o mundo. Seu espaço, como se vê, é o da iniciação à vida, que cada um deve cumprir e viver em seu meio social.  

Normeide Rios - A literatura direcionada a crianças e jovens durante muito tempo foi marginalizada por ser considerada um gênero menor. Qual a sua opinião sobre isso?
Cyro de Mattos - Esta é uma visão que se ressente de perspectiva crítica. Um grande equívoco, preconceito calcado em uma ótica de que o que vale é o sujeito adulto, criança e jovem ainda não são gente, seu universo pouco tem a dizer, dado que superficial e inconsequente.  Isso é um absurdo adotado pelos distraídos que ainda não perceberam que a verdadeira evolução de um povo se faz ao nível da consciência de mundo, situações e circunstâncias   que cada um vai armazenando desde a infância.  

Normeide Rios - Apenas recentemente a literatura infantojuvenil começou a abandonar o vínculo com a pedagogia, que a marcava desde o seu surgimento, e buscou se afirmar como arte literária. Como escritor de obras literárias para crianças e jovens, quais as suas considerações sobre a relação literatura infantojuvenil, pedagogia e arte?
Cyro de Mattos - O livro predisposto a fazer a cabeça da criança e do jovem revela deformações flagrantes. Tal predominância parece-nos sem sentido. Estamos com Nelly Novaes Coelho quando diz que a Literatura, em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor//livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola.  A escola é hoje o espaço em que a relação entre o leitor e o livro mais se desenvolve na descoberta do eu mais o outro mais o mundo. Natural que os princípios ordenadores da vida neste espaço transmitidos contribuam para motivar o acontecimento de uma nova civilização. De outra parte, a literatura infantojuvenil é arte que se faz com engenho e linguagem sedutora.  As relações de aprendizagem e vivência são fundamentais nesta perspectiva que nos informa ser somente ela, como a que é feita para adultos, capaz de devolver à criatura humana o que é próprio da criatura humana: inteligência e sentimento.

Normeide Rios - E sobre a tríade autor-obra-leitor?
Cyro de Mattos - Ninguém escreve um livro para ficar no fundo da gaveta.  O autor pretende com o livro transmitir uma experiência de vida e estabelecer uma dialética de tácito entendimento com o leitor pelas vias e arredios do ser, entre o belo e o feio, o alegre e o triste, o riso e o rancor, o amor e o ódio, a aventura e o risco, a vida e a morte.

Normeide Rios - Como autor, de que forma o senhor busca interagir com o seu leitor?
Cyro de Mattos - Comprometido com as verdades essenciais do ser humano. Cheio de sonho.

Normeide Rios - Como é o processo de criação de suas obras literárias infantojuvenis? Quais os elementos que o senhor considera essenciais para garantir a qualidade artística das produções?
Cyro de Mattos - É uma viagem gratificante sob os instantes do menino e jovem. Retorno ao tempo colorido do antigamente, que já vai longe. Reúno pedaços da infância e adolescência que os homens trancaram na alma.  Noto que os componentes estruturais do texto resultante desta pulsação do coração devem corresponder ao mundo da criança ou do jovem. Tanto na forma como no fundo. Entra nisso como ingredientes importantes   a espontaneidade e a habilidade, que o autor deve possuir na criação de um livro de poesia ou prosa de ficção para crianças e jovens. A expressão deve se manifestar com simplicidade no aparentemente fácil...

Normeide Rios - Como aconteceu o seu primeiro contato com livros literários? O que costumava ler na infância e adolescência?
Cyro de Mattos - Quando era pequeno comecei lendo revistas em quadrinhos. Descobri Júlio Verne, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Poe e Dickens na biblioteca de seu Zeca Freire, o dono da farmácia em minha cidade natal, e também na livraria e papelaria A Agenciadora. Quase adolescente fui estudar interno em Salvador, e, na biblioteca do Colégio Maristas, foi a vez de ler Castro Alves, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, José de Alencar, Humberto de Campos e Machado de Assis. Ingressei na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e nesse tempo gostava de visitar pela tarde a Livraria Civilização Brasileira, na Rua Chile. Sedento, buscava ali o pote da leitura.  Foi o tempo do conhecimento  de Dostoiewski, Tolstoi, Checov, Katherine Mansfield, Sartre, Kafka, Pessoa, Brecht, Joyce, Faulkner,  Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Adonias Filho, Lúcio Cardoso, José Lins do Rego, Jorge Amado,  Autran Dourado, Aníbal Machado, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Mário de Andrade,  Drummond, Cecília  Meireles, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima,  entre tantos admiráveis escritores  que me ensinaram a  ver melhor a vida,  equilibrar-me entre vazios,  crenças e verdades,  que se formavam  tecidas com  os fios eternos do imaginário. 

 Normeide Rios - Qual a sua opinião sobre a atual produção de obras para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - Muita boa, digna de qualquer literatura no mundo. Lembro Bartolomeu Campos Queirós, Elias José, Ana Maria Machado, Lígia Bojunga, Sylvia Orthof, Mário Quintana e outros. Entre nós baianos, gosto da literatura infantojuvenil de Gláucia Lemos.

Normeide Rios - No panorama nacional, como se posiciona a produção de escritores baianos?
Cyro de Mattos - Há quem diga que a melhor poesia brasileira está sendo feita hoje no Nordeste e, em especial, aqui na Bahia. Concordo. Ressalto que contistas e alguns romancistas daqui são também de qualidades insuspeitadas.  A literatura brasileira está entregue hoje em boas mãos aqui na Bahia. Não entendo por que ainda não se escreveu uma crítica e ampla   História da Literatura Baiana, de Gregório de Matos aos tempos atuais. Seria um projeto para ter o apoio do   Governo do Estado, executado por um corpo de professores universitários e autores expressivos, que preencheria certamente uma omissão no mínimo lastimável.     

Normeide Rios - Suas obras infantojuvenis são produzidas tanto em verso quanto em prosa. Há predileção do autor entre essas duas formas de escritura?
Cyro de Mattos - Sinto-me à vontade na prosa como no verso. Quem determina se prosa ou verso é o assunto, o momento, a inspiração, ou seja lá o que for. 

Normeide Rios - Cyro de Mattos recorre a lembranças da infância e da adolescência para criar seu mundo ficcional? Pode-se dizer que Histórias do mundo que se foi é um livro de “memórias da infância”?
Cyro de Mattos - A infância é uma das vertentes de minha poesia para adultos, da prosa de ficção para crianças e jovens. Como acontece em Histórias do mundo que se foi, “memórias da infância” transfiguradas como ficção podem ser encontradas também em Roda da infância, novela que está acabando de sair do forno da editora Dimensão, e O Menino na memória, pequeno romance juvenil ainda inédito. 

Normeide Rios - O menino e o trio elétrico é a história de um sonho que se realiza, mas é também uma narrativa que aborda questões culturais e diferenças sociais. Houve o objetivo de fazer denúncia social? Qual o papel da literatura infantojuvenil frente aos problemas sociais e econômicos presentes na realidade do leitor?
Cyro de Mattos - Não tive intenção de fazer denúncia social na história triste do Chapinha com final feliz. Do texto escorre humanismo social entrelaçado com a poesia da vida. Não forcei nada. Simplesmente busquei representar o real com ternos sentimentos de mundo, ser coerente frente aos problemas e contradições do carnaval hoje em Salvador. Alguns críticos disseram que fui o primeiro a trazer a realidade aguda do carnaval de hoje, em Salvador, para a literatura infantil, numa história bem concebida, escrita com espontaneidade, solidariedade e amor.  


    
* Entrevista concedida à professora Normeide Rios, da Universidade Estadual de Feira de Santana, incluída na tese de mestrado Os caminhos da literatura infantojuvenil baiana: em sintonia com o leitor, apresentada na Universidade Estadual de Feira de Santana, aprovada com distinção e louvor. A dissertação foi publicada como livro pela Editora da Universidade Estadual da Bahia – EDUFBA.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: 10 usos surpreendentes e desconhecidos da casca de banana!


É difícil encontrar alguém que não goste de banana.
Não por acaso, ela é a fruta mais consumida no mundo.
A banana não é apenas saborosa, mas também muito rica em nutrientes como vitamina B6, potássio, fósforo e pectina.

 Comer bananas regularmente ajuda a combater os radicais livres, a reduzir o inchaço, a prevenir câimbras e a estimular o sistema nervoso.
 Esta saborosa fruta também pode ajudar a prevenir muitas doenças, como a osteoporose, câncer renal e diabetes.
 Mas a força da banana não se resume apenas à parte macia da fruta.
 A casca também é muito poderosa.
 É o que você vai ver agora.

Selecionamos algumas utilidades da casca da banana desconhecidas por muitas pessoas:



1. Tratar psoríase
Basta esfregar a parte interna da casca de banana na região afetada (limpa e sem resíduos de cremes ou outros produtos).
No início, a pele deve ficar mais vermelha do que antes.
Mas não se preocupe, é normal.
Você verá uma grande melhora em poucos dias.

2. Tratar irritações de pele e picadas de insetos
A casca da banana é rica em nutrientes e pode ajudar a aliviar a dor e a diminuir a coceira.
Esfregar o interior da casca de banana diretamente sobre a área irritada.
A casca também mantém a pele hidratada.

3. Eliminar verrugas
Há duas maneiras de usar a casca de banana para remover verrugas.
Você pode esfregar a parte interna da casca de banana diretamente na verruga.
Ou fixá-la como um curativo sobre a verruga e deixar durante a noite para agir.

4. Combater rugas
Casca de banana é excelente para hidratar e nutrir a pele.
Ela fará a pele do rosto mais suave, além de melhorar a elasticidade e reduzir as linhas finas.
Basta esfregar a parte interna da casca de banana diretamente em seu rosto diariamente, à noite, e verá resultados surpreendentes.

5. Tratar dor de cabeça
Sabia que você pode aliviar a dor de cabeça com uma simples casca de banana?
Pois é!
Basta colocar a casca na parte frontal da cabeça e atrás do pescoço.

6. Clarear dentes
Há muita polêmica sobre este uso.
Mas a verdade é que esta é a forma mais natural, simples e econômica de clarear os dentes.
Basta esfregar a parte interna da casca de banana em seus dentes por dois minutos.
Depois escove os dentes como de costume.
Repita isso duas vezes por dia e em breve começará a ver os resultados.
Se você pesquisar na internet, vai ver texto dizendo que funciona, texto dizendo que é farsa, mas nós testamos e podemos afirmar: funciona.
Então, nossa sugestão é: não entre em polêmica.
Faça o teste da casca de banana nos dentes e tire você mesmo(a) sua conclusão.

7. Tratar acne
Os antioxidantes da casca de banana destroem bactérias e ajudam contra a acne.
Basta esfregar o interior da casca diretamente na face por 1 minuto.
Repita três vezes por dia e. no decorrer do tratamento, verá a pele melhorar.

8. Polir móveis
Economize e deixe seus móveis brilhando usando apenas casca de banana.
Basta esfregar a casca de banana (a parte interna, sempre) diretamente sobre o objeto que você deseja polir e depois lustrar com um pano.

9. Dar brilho aos sapatos
Quer deixar seus sapatos com aparência de novo?
Basta esfregar a parte interna da casca de banana neles e depois passar um pano limpo para finalizar.

10. Tirar arranhões de CD
Acredite!
Você  pode "ressuscitar" aquele seu velho CD cheio de arranhões com uma simples casca de banana.
Aqui você usa, além da casca, a polpa da fruta: esfregue a banana em movimentos circulares no CD.
Depois esfregue a casca e limpe com uma flanela.
Finalize borrifando o limpa-vidros e tirando todo o resto da fruta com um paninho limpo.


Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.



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PRECONCEITO, ESSE MAL BEM MAL DISSIMULADO! - Antonio Nunes de Souza


Embora existam inúmeras Ongs na defesa dos direitos humanos, leis, decretos etc., acredito que jamais vamos conseguir extinguir esse sentimento que entranhou dentro dos seres vivos. Digo vivos, pois até no reino animal, este é comprovado cientificamente.

No nosso país, onde o coquetel de cores é de uma riqueza esplendorosa, encontramos em todas as camadas sociais, empresariais e econômicas, uma discriminação tão evidente e clara como a luz solar.

Nas grandes festas e comemorações, as pessoas de cor são agraciadas com convites, sempre com as expressões ridículas e consideradas normais: Vamos chamá-lo que ele é um preto muito importante e diretor da Simpson Company, ela é uma negra lindíssima e atriz de TV, é um cara de muita classe e rico que nem parece que é preto, ele é preto e um pouco casca grossa, mas é um grande jogador de futebol e vai abrilhantar a festa. E assim sucessivamente, dizendo com a maior simplicidade e naturalidade esses chavões grotescos, querendo separar o joio do trigo, quando na verdade somos todos um monte de joios metidos a trigo.

As empresas no recrutamento de funcionários, sem dúvida nenhuma, quando se referem a “boa aparência”, querem dizer nada mais nada menos, que preto ou mulato, só se for muito bonito e extremamente competente. E, podem observar através das atrizes e modelos, que os negros aproveitados nessa área, são os que têm características faciais brancas. Secretárias então, raramente nos batemos com uma feia ou de cor Não conheço nenhum negro (a) considerado bonito que tenha suas características faciais normais predominantes (Narizes chatos, lábios grandes e grossos, cabelos “pimenta do reino” e queixos pronunciados). Não falo dos dentes, pois nesse particular eles são imbatíveis. No setor comercial/empresarial ainda existe, além do preconceito racial na admissão, a evidente discriminação de salários entre os “coloredes” e os pseudos brancos. Esses últimos, sempre são mais bem remunerados e ocupam os melhores cargos.

Não é que esse mal seja genético, mas é uma tradição colonial que enraizou em nossas entranhas através de vários séculos que, infelizmente, hoje se consegue disfarçar, às vezes até muito bem, mas nunca elimina-lo totalmente. Talvez, com a miscigenação desenfreada que campeia no mundo, daqui a alguns milhares de anos, quando fatalmente seremos todos pretos e mulatos (pela força poderosa da etnia negra), possamos comemorar uma igualdade de cor e direitos. Mesmo assim ainda correremos o perigo de algum mulato metido a besta, que por seu tataravô ter sido irlandês, queira se achar com direitos especiais.

Devem todos os farsantes hipócritas tirar suas máscaras de defensores dos direitos humanos e, em vez de punições tolas que não corrigem o problema, apenas faz com que as pessoas reprimam as palavras, mas não os pensamentos, o importante é educar as crianças desde o maternal (e muitos pais também), para que aprendam desde cedo que nós somos iguais, apenas com características diferentes.

No âmbito geral o fato é também digno de atenções, pois num país onde se bate no peito e diz que não existe preconceitos de cor, raça e credo, diariamente você ouve as expressões mais absurdas contra essas pessoas e crenças. Por exemplo: Quando alguém de cor comete um lapso: “Só podia ser coisa de preto!”. Se for estrangeiro: “Esse gringo branquelo pensa que está na terra dele”. Se for índio ou descendente: “Lugar de índio é no mato!”. Com as religiões o procedimento é levado para a chacota: Se você não é farrista é “crente”. Se alguém tem manias é “macumbeiro”. Se a moça não quer ficar é “freira”. E assim, sucessivamente, existem milhares de exemplos que caracterizam claramente o sentimento preconceituoso, nada velado, do povo brasileiro.

Em vez de tantos órgãos para defender (?) os direitos humanos, muito mais importante seria um investimento maciço na educação, ensinando o que é respeito humano.

                                                                    
Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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