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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

SUA ÚNICA BRIGA - Cyro de Mattos


Só brigou uma vez no internato. Foi com um menino que jogava de ponta-esquerda no time de camisa branca. Jogando como lateral direito no time de camisa azul, ele dava uma marcação implacável àquele menino gago, troncudo, baixo, braços musculosos. Em compensação era menor do que ele, que sempre se antecipava para tomar a bola dele, um atacante arrojado, precisando ser marcado de perto.

Era um duelo à parte entre os dois quando o time de camisa azul enfrentava o de camisa branca.

Na última partida, o marcador e o atacante chocaram-se na lateral do campo, temeu-se que os dois contendores tivessem se machucado gravemente. Houve bate-boca, dedo em riste no rosto, da próxima vez eu lhe quebro a canela, jogadores dos dois times apartaram os dois para evitar a briga. Terminado o jogo, com o sangue ainda quente, atracaram-se, a briga não continuou por mais tempo porque o Irmão Já-Morreu trilou o apito várias vezes, pedindo a seguir que os dois rivais lhe acompanhassem.

Adiante, no campo vazio, sem grama, improvisado no terreno arenoso, localizado entre a parede alta de um dos pavilhões do pavimento térreo, de um lado, e um muro, no outro com uma tela aramada, também alta, na frente e fundo, o Irmão Já-Morreu ordenou:

- Agora podem brigar à vontade. Ninguém vai apartar.

A briga demorou mais de uma hora. Nos lances com murros desfechados um ao outro, procurou evitar que o rival agarrasse o seu corpo. Se isso acontecesse, seria derrubado, e, no chão, dominado, certamente ia ser massacrado pelo rival, sem ter a mínima chance para vencer a briga.

A certa altura da briga renhida, os brigões mostravam cansaço, um se agarrava ao outro para não cair, mas nenhum deles recuava, pensando em correr. Até que de tão cansados com os golpes desfechados, os dois desabaram ao mesmo tempo, cada um caiu para um lado. E ali mesmo ficariam desacordados, sem forças para levantar, não fosse o Irmão Já-Morreu que jogou um balde de água para despertar os brigões, ainda com o sangue quente.


Cyro de Mattos é poeta e ficcionista. Detentor de prêmios literários importantes e, entre eles, o Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, Associação dos Críticos Literários de São Paulo, Nacional de Poesia Ribeiro Couto (UBE-RJ), Internacional Maestrale Marengo d’Oro, Itália, duas vezes, Menção Honrosa do Jabuti, Nacional Pen Clube do Brasil e Nacional Cidade de Manaus. Publicado em oito idiomas.

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QUANDO O GENERAL SE DESCOLA DA TROPA - Marcos Machado


20 de Fevereiro de 2019
♦  Marcos Machado

 Contrariando o verdadeiro papel do chamado 4º. Poder, que é o de coadjuvar o Estado na procura do “bem comum”, a mídia de esquerda — das poucas armas que restam ao PT — vem reproduzindo com “torcidas”, más interpretações e futricas quaisquer desavenças ou comentários menos felizes provenientes de membros do governo, logo agora que o Brasil começa a reatar-se consigo mesmo.

 Posto esse princípio fundamental, que é a procura do “bem comum”, passemos à questão do aborto na entrevista concedida pelo general Mourão ao jornal “O Globo” (1º-3-19):

“A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto no qual a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher tivesse que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto’. Minha opinião como cidadão, não como membro do governo, é de que se trata de uma decisão da pessoa.”

Palavras sem dúvida censuráveis, das quais “O Globo” — useiro e vezeiro na arte de explorar e distorcer entrevistas (“’Aborto deve ser uma decisão da mulher’, diz o vice-presidente”) — se utilizou em detrimento da boa imagem do próprio governo e em benefício da agenda petista e antifamília. Mas isso só foi possível porque o general se descolou do sentimento geral da tropa…

A esquerda autêntica tem uma mentalidade, e não um conjunto de opiniões desconexas, pela qual ela sempre defende o aborto, e nunca a propriedade privada ou a família. Nos 13 anos de pesadelo petista, assistimos à investida furiosa a favor da ideologia de gênero, das invasões rurais e urbanas, do aborto e da agenda homossexual. Há, portanto, um nexo profundo entre destruir a família e perseguir a propriedade, como reza a teoria marxista.

O caráter marcadamente conservador, familiar e, portanto, de direita, ficou patente nas grandes demonstrações populares que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras a partir de 2015. Ficou patente na campanha presidencial de Jair Bolsonaro a defesa dos valores familiares e da propriedade privada, bem como a orientação da política externa brasileira “sem viés ideológico” esquerdista. Os discursos de posse do Presidente e de Ernesto Araújo foram tomados como uma confirmação do cumprimento das promessas de que o Brasil se livrou da agenda petista, que incluía o aborto.

Como o filho pródigo que volta à casa paterna, ou São Paulo a caminho de Damasco, com o novo governo o Brasil livrou-se do despenhadeiro petista para retomar as esperanças de cumprir seu papel conservador, anticomunista e pró-família em âmbito não apenas latino-americano, mas mundial.

Segundo o princípio da democracia, o eleitor é o mandante e os representantes eleitos são os mandatários que recebem dele uma procuração específica para executar a sua vontade. No presente caso, a vontade de um povo conservador, antipetista e pró-família. A força das redes sociais conservadoras aí está: vigilante, atuante e disposta a servir o Brasil. Já tivemos um exemplo de quão viva permanece essa reação anticomunista na rejeição da infeliz viagem de uma comissão de Parlamentares do PSL à China vermelha. Não é fazendo concessões à esquerda que se edificará o novo Brasil. General, a tropa é antiabortista!


“A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica. Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos,para racismos estultos, para imperialismos criminosos. Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro.

“Explorai, senhores do poder temporal, as riquezas de nossa terra; estruturai segundo as máximas da Igreja, que são a essência da civilização cristã, todas as nossas instituições civis. Deus jamais é tão bem servido, quanto se César se porta como seu filho. E, senhores, em nome dos católicos do Brasil, eu vo-lo afianço, César jamais é tão grande, como quanto é filho de Deus”. *

Nem concessões à esquerda nem atentados contra a família e a propriedade nos afastarão de nossa missão providencial. Pelo contrário, seguindo a lei natural e as vias da Civilização Cristã, se construirá um Brasil autêntico, forte e coeso, para exemplo e edificação de nossas irmãs latino-americanas e o bem do mundo inteiro.

O Cristo Redentor e Nossa Senhora Aparecida nos mantenham alertas e fortes na defesa e no fortalecimento dos pilares da civilização, a tradição, a família e a propriedade.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA ARTES & LITERATURA PERDE SEU MAIS NOTÁVEL COLABORADOR.


Dia 18/02/2019 pp, faleceu o Poeta Oscar Benício dos Santos, grande colaborador e incentivador da ICAL, aos 83 anos, no auge da criatividade poética. Após 5 meses de luta pela vida, ele entregou a alma placidamente, cercado pelos seus filhos e netos. Seu corpo foi sepultado no jazigo da família Benício dos Santos, no cemitério Campo Santo, em Itabuna/BA.

Itabuna Centenária-ICAL, comovida, presta uma homenagem ao grande amigo que tanto contribuiu para o crescimento do blog e grandeza de Itabuna, sua terra natal.

Descanse em paz, amável poeta!
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SOBRE O POETA:
Oscar Benício dos Santos nasceu em Itabuna BA no dia 08 de dezembro de 1926, filho do desbravador de Itabuna e historiador Francisco Benício dos Santos e de dona Adelaide. Estudou em Itabuna e depois em Salvador no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Maristas. Fez o curso de Odontologia na Faculdade Federal da Bahia. Ao se formar montou consultório em Salvador e também cuidava das suas fazendas de cacau em Itabuna e de gado em Itaju do Colônia. Aposentou-se e passou a residir na Fazenda Guanabara de sua propriedade, em Itabuna. É autor do livro CACAU EM VERSOS lançado com grande sucesso na 1ª Feira Universitária do Livro da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no dia 21/10/2013.

Cacau em Versos foi indicado pela UESC para ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura/2014.

Oscar Benício dos Santos faleceu no dia 18 de fevereiro de 2019.

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"CACAU EM VERSOS é um belíssimo álbum, com ilustrações magníficas. Cada verso ali impresso é como uma gota de suor. É como uma chama que o caçula de Dona Adelaide e do historiador e desbravador Francisco Benício ficou encarregado pelo destino de manter acesa. Para iluminar Itabuna e fazê-la vibrar na esperança de que dias melhores virão..." 
(Eglê S Machado)

Existem vários textos da obra de Oscar Benício dos Santos postados no Blog Itabuna Centenária, Artes & Literatura- ICAL. https://cemanosdeitabuna.blogspot.com

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Foto: Itabuna Centenária – ICAL 



De Luta e Razão

Dueto formando espontaneamente entre os poetas Oscar Benício dos Santos e Eglê S Machado através de comentários, a partir de uma trova postada no Facebook.

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DE LUTA E RAZÃO...

E NESTA LUTA RENHIDA
QUERO MANTER A RAZÃO,
SEMEANDO FÉ NA VIDA
E AMORES EM PROFUSÃO!...

Eglê S Machado

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“E nesta luta renhida”,
Batalha que não tem fim,
É a da morte contra a vida
E desta a favor de mim.
(Oscar)

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“É a da morte contra a vida”
Uma luta sem igual,
Que excede toda medida
E jamais chega ao final!...
(Eglê)

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“E jamais chega ao final.”
Ah! Que nos dera fosse assim,
Claro, com de Deus o aval,
E a vida não teria fim.
(Oscar)

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“Claro, com de Deus o aval”
Chegamos à Eterna Glória,
O que é mesmo, afinal,
Da vida a GRANDE VITÓRIA!...
(Eglê)

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“Da vida a Grande Vitoria”
 Não está em fugir da Morte,
 Mas esquecer-se da sorte,
 Que é só, somente, ilusória.
(Oscar)

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“Mas esquecer-se da sorte”
Mantendo a essência serena,
Pois logo que chega a morte
Entramos na VIDA PLENA!...
(Eglê)

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 “Entramos na vida plena”

Ao sairmos da gaiola,
Livres da vida terrena
Voamos pela portinhola.

(Oscar)

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“Voamos pela portinhola”
-  Que imagem mais bonita!
E vamos dar cabriola
Na imensidão infinita!...
(Eglê)

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“Na imensidão infinita”
Almas se perdem nos céus,
Mas se encontram com Deus
Na Sua morada, onde habita.
(Oscar)

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“Na Sua morada, onde habita”,
O nosso Deus soberano
Livra-nos de sofrer dano
Porque em nós acredita!...
(Eglê)

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“O nosso Deus Soberano”
Reina só, mas não é Rei.
É o Superior Decano,
Que rege a Divina-Lei.
(Oscar)

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“É o Superior Decano”
Rege a Lei e a nossa vida,
É nossa meta querida
E jamais comete engano!...
(Eglê)

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“E jamais comete engano”.
E por não compreendê-lo
Aqui não lhe faço um apelo
Pois poderia ser profano.
(Oscar)

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“E por não compreendê-lo”
Sofremos de desencanto
Neste terrível duelo
Entre o mendaz e o santo!...
(Eglê)



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APRENDENDO A JOGAR NO INÍCIO DO GOVERNO - Ana Maria Machado


Chegamos à metade dos tais cem dias de lua de mel do governo. Teve de tudo : Davos, caso Queiroz/Flávio, cirurgia, Brumadinho, pacote penal, circo no Senado, incêndio no CT do Flamengo, laranjal no PSL desmentido, fritura. E o país, como na canção: vivendo e aprendendo a jogar.

Estamos todos aprendizes. Eles, a governar. Nós, a sermos governados por algo diferente. Com a perspectiva de um Estado menor. Um ministério com menos sindicalistas e mais militares. Situando-nos em outro mapa. Alguns, a desconfiar que talvez exista um caminho liberal, diverso do ideal socialista da esquerda e do autoritarismo da direita. Talvez, abandonar rótulos e ofensas da história recente e reconhecer que andamos chamando o centro de direita, que FH é diferente de Bolsonaro, Tony Blair não era Thatcher, Clinton não era Trump, Macron não é Le Pen. E, a partir daí examinar o que estamos vivendo.

Por um lado, há recuos sensatos. Declarações atabalhoadas dão espaço a teleprompter e porta-voz. Já o Twitter…

Nas relações exteriores, a realidade mostra os riscos de bravatas. A ambiguidade em relação à intervenção militar na Venezuela periga ter consequências nefastas. Restrições árabes às exportações brasileiras ensinam a ir devagar com o andor a caminho de Jerusalém.

Por aqui, Brumadinho e os efeitos do temporal no Rio provam que cuidado com meio ambiente é coisa séria, vai muito além de retórica ou indústria de multa. Também a tragédia no Ninho do Urubu reforça o dever e a responsabilidade de prevenção, manutenção, fiscalização.

Num governo com reduzida base de apoio no Congresso, as redes sociais entram em campo. Senadores fotografam e postam seus votos — que o STF, cumprindo a lei derretida, determinara que fossem secretos. Dão uma surra nos velhos caciques. Algo diferente de ganhar no grito e na manobra.

O Globo, 18/02/2019

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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SIMPLIFICAÇÕES DEMOLIDORAS – Péricles Capanema


17 de Fevereiro de 2019 
  Péricles Capanema

Simplificar pode ser bom, em geral as sínteses são simplificações. Ocorrem, no rumo oposto, simplificações que deformam a realidade e, pior, são aríetes de demolição. Vou falar sobre o segundo tipo, no caso com gigantesca capacidade destrutiva e fôlego de gato.

Antes, entro rápido por um atalho. Nelson Rodrigues escreveu, havia sonhado com Deus, que lhe perguntou: “O que é que você fez na vida?”. Nada via de importante, até que, num estalo, encontrou: “Eu promovi, eu consagrei o óbvio”. E prosseguiu: “Aí está o grande feito de toda a minha vida. O óbvio vivia relegado a uma posição secundária ou nula. Arranquei-o da obscuridade, da insignificância”.

Volto ao tema. A simplificação demolidora de que vou tratar tem mais de século. No mundo, certamente é o mais forte motor do igualitarismo, mais no ponto, do socialismo. Contamina de alto a baixo a escala social. Tem mais veneno que a soma dos escritos de Marx, Engels, Lênin e toda a alcateia. O que demole? Corrói hábitos, debilita ou modifica convicções; em resumo, mina barreiras antissocialistas. Por aí se vê, precisa ser (ela mesma) demolida. Tarefa difícil; o mantra, qual fênix de maldição, renasce sempre e no seu voo despeja estragos sem fim, especialmente sobre os mais pobres.

Aqui está o mantra: “O esquerdista (ou o socialista), homem sensível, tem pena dos pobres. O coração é bom, mesmo que erre muito”. Em sentido contrário, o direitista, sujeito egoísta, não tem dó dos pobres. Pode até acertar, mas o coração permanece duro. Com quem fica a maioria do povo? Via de regra, a propensão é por quem tem compaixão pelos pobres. Só o abandona quando ele provoca desastres que mexem fundo no bolso, rouba demais ou esbofeteia costumes muito arraigados. A batalha, antes do primeiro tiro, já fica meio perdida. Simplifiquei, mas não está descrita em linhas gerais a luta política em muitos países?

Poucos dias atrás, ao “Financial Times”, o mais prestigioso órgão do capitalismo britânico, pontificou Paulo Guedes, o superministro da Economia: “Pessoas de esquerda têm miolo mole e bom coração. Pessoas de direita têm a cabeça mais dura e coração não tão bom”.

É o gosto da boutade, dirão alguns, o ministro é chegado numa, não deixa passar a ocasião. Admito, mas atenua o desastre? Lembro, a boutade, para ser exitosa, precisa destacar com espírito certa faceta da realidade. Como a frase “Foi pior que um crime, foi um erro” dito de Boulay de La Meurthe sobre o assassinato do duque de Enghien, Põe em relevo que muitas vezes na política erro destrói mais que crime. Ou o dito cortante de Bismarck sobre Napoleão III: “uma grande incompetência desconhecida”. Metia no ressalto realidade óbvia para Bismarck, mas pouco observada, as limitações enormes do imperador francês.

Paulo Guedes não é um ministro qualquer perdido por Brasília, tem grande agenda que pode fazer o Brasil voltar a crescer e, com isso, tirar do buraco a milhões de pobres. Agiria melhor se fugisse de boutades, frases irrefletidas e análises superficiais, que, sem que ele o queira, admito sem problemas, levam água para o moinho do lulopetismo. Roberto Campos repetia, tinha coração bom, queria acabar logo com a pobreza no Brasil, mas na quadra histórica por ele analisada, constatava: “A cura da pobreza depende do crescimento econômico. E as molas clássicas do crescimento continuam sendo a poupança, a produtividade e o espírito empresarial.” Aí sim, com amparo no Estado, com razão sugeria o político, criar redes de proteção para os desvalidos.

Eu falava em simplificações. O amor romântico (não o efetivo e real) aos pobres pode levar equivocadamente à simpatia com posições socialistas. Tem levado, a dizer verdade, é fator essencial da perenidade socialista nas urnas eleitorais. É simplificação doentia da realidade.

Mas existe outro fator, também fundamental. O que enraíza cúpulas e militância socialista endurecida em suas posições não é a compaixão pelos pobres, é a obsessão igualitária, inimiga furibunda de desigualdades, mesmo harmônicas. Para eles, os pobres que se danem, sofram por décadas sem fim as piores provações provocadas pelas imposições da experiência socialista que supostamente os empurraria para a sociedade dos iguais. Acontece em Cuba, acontece na Coreia, acontece na Venezuela. Onde está ali a compaixão pelos pobres? Inexiste. É óbvio. Ululante. Socialistas autênticos não têm bom coração. A história, repetidamente, esbofeteia o fato em nossa cara. O artigo poderia também se chamar mentiras deslavadas. Por último, promovamos o óbvio, sempre tarefa enorme.



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ESSE ANO NÃO VOU BRINCAR! - Antonio Nunes de Souza


- Não acredito no que você está dizendo, minha filha! Logo você que jamais faltou nas festas carnavalescas, rainha não oficial dos carnavais baianos?

-Pois é, querida. Esse ano deu a maior merda do mundo! Uma grande felicidade, acompanhada de um preocupação e despesas extras que me eram completamente desconhecidas!

-Abra o jogo que já estou curiosa para saber das novidades!

-Como você sabe eu sou super criteriosa, mulher com cabeça feita, mesmo com trinta dois anos, sempre cuidadosa para não dar chance aos azares da vida e me complicar, mas, no ano passado, teve um noite que saí sozinha para dar uma volta na avenida, enquanto você ficava com seu namorado e, nesse passeio, dei minha vacilada imperdoável e as coisas aconteceram de formas lindas e inesquecíveis, deixando-me uma sequela deslumbrante linda, porém, um pepino monstruoso para descascar!

-Pô! Fala logo mulher que merda foi essa que aconteceu!

-Parei numa roda de capoeira e, inesperadamente, surgiu um negro maravilhoso, elegante, ágil, bonito e sem aqueles horríveis cabelos de rastafári. Começou a dar lindos saltos e passes maravilhosos, que me impressionaram, deixando-me perplexa e de boca aberta. Minhas reações foram tão acintosas que ele quando parou, encostou ao meu lado e perguntou se eu havia gostado.

-Claro que disse que sim e, sem pedir nenhuma permissão ele me abraçou e convidou-me pra tomar uma cerveja. Sentamos, conversamos, rimos, nos beijamos e, depois de algum tempo, me pegou pelo braço, levou-me em uma pensão barata e fomos para o quarto transar de todas as maneiras que sabíamos e as que vinham cabeça, esquecendo das consequências posteriores, achando que só acontece com os outros.

-Nada lhe contei dessa aventura louca que, quando cheguei a Curitiba, percebi que estava gravida e, como sou religiosa ao extremo, não quis fazer aborto, preferindo ter a criança!
-Contando os nove meses da data do carnaval, meu pequeno Luigi nasceu, estando hoje com quatro meses de vida (ainda estou amamentando meu querido e inesperado filho!)

-Assim sendo, achei melhor ficar cuidando da criança, segurar mais os meus ímpetos, tomar maiores cuidados, pois, por incrível que pareça, não sei nem o nome do homem que me engravidou. Foi uma aventura louca e um passo em falso que pensei jamais dar! Mas, um dia a casa caí e acontece com todos nós! Com isso aprendi que devemos ser mais previdentes, nos policiar e medir as consequências que podem causar tais problemas!

-Menina estou pasma! Logo você que sempre foi a mais ajuizada de todas nós, dar uma de cão sem dono e ir parar nos braços de um desconhecido.

-Uma pena a sua ausência querida, mas as razões justificam e muito. Bom descanso, beijo no baby e, depois do carnaval, vou lhe ligar para contar como foram as coisas!

-Tchau Isabella querida! Tudo de bom e tenha seus cuidados para que não aconteça o que aconteceu comigo!

Carnaval é uma festa alucinante, sendo o da Bahia sacrossanto e pecaminoso ao mesmo tempo. Uma armadilha cheia de boas e maus intenções!


Antonio Nunes de Souza, escritor 
Membro da Academia Grapiúna de letras-AGRAL antoniodaagral26@hotmail.com

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domingo, 17 de fevereiro de 2019

INDIANO ABHAY KUMAR LANÇA ANTOLOGIA QUE INCLUI O POETA CYRO DE MATTOS.


Sessenta poetas nacionais estão na antologia bilíngüe New Brazilian Poems/Novos poemas brasileiros, organizada pelo poeta e diplomata indiano Abhay Kumar, que está na capital federal desde 2016, onde trabalha na Embaixada da Índia. Publicada pela editora Ibis Libris, do Rio de Janeiro, a antologia inclui poema do poeta Cyro de Mattos, além dos poetas baianos Myriam Fraga, Antonio Risério, Ruy Espinheira Filho e Roberval Pereyr. O prefácio do livro é assinado por Nicholas Birns, professor de Literatura da Universidade de Nova York nos Estados Unidos.

“Dunas” é o poema do poeta baiano Cyro de Mattos [foto ao lado] que participa da antologia bilíngüe New Brazilian Poems/ Novos Poemas Prasileiros. Foi selecionado do livro Poemas escolhidos/Poesie scelte, da Editora Escrituras, que deu ao escritor Cyro de Mattos o Segundo Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro, Genova, Itália, para obras inéditas.

Abhay Kumar é autor de oito livros de poesia, incluindo O Senhor dos Oito Olhos de Katmandu e A Profecia de Brasília. Também é o editor de CAPITALS – 100 Grandes Poemas da Índia e Mais 100 Grandes Poemas da Índia. Seus poemas já foram publicados em mais de 60 revistas literárias, incluindo Poetry Salzburg Review e Asia Literary Review. Seu poema “Earth Anthem” foi traduzido para mais de 30 idiomas em todo o mundo. Recentemente, foi convidado para gravar seus poemas na Biblioteca do Congresso, em Washington D.C.

"Por trás da janela/ vejo o país/ que me condena:/ cidades e campos,/ rios e ruas/ na retina./ Prisioneiros somos/ da perspectiva/ que nos afasta/ do que é em nós/ mais terra e sangue./ Por isso nos escondemos/ atrás de mesas executivas,/ folheamos manuais/ de covardia./ Há de chegar o dia/ de dizer/ com orgulho: brasileiro,/ muito prazer”, diz o poema Sou brasileiro, do porto-alegrense José Eduardo Degrazia.

Esse dia chegou para os poetas reunidos na antologia bilíngue New brazilian poems, do diplomata indiano Abhay Kumar, que será lançada hoje, às 19h, na Associação Nacional de Escritores (ANE).

O diplomata, responsável pela edição e tradução dos textos que estão na antologia, reúne 60 poetas para compor essa nova antologia de poemas brasileiros traduzidos para a língua inglesa. “São vários poetas de diferentes regiões do Brasil. De Brasília, há nomes como Nicolas Behr, Climério Ferreira, José Carlos Vieira e Francisco Alvim”, diz Abhay, que é também poeta.

“A poesia brasileira fala muito sobre problemas sociais, problemas cotidianos, além de serem também muito geográficos. Aqui, em Brasília, fala-se muito do cerrado; no Nordeste, mais sobre o sertão, e assim por diante”, conta o indiano.

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