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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS Por M. Cavalcanti Proença



            Joaquim Maria Machado de Assis nasceu na Rua Nova Livramento, no Rio de Janeiro, filho de Francisco José de Assis, “mulato pintor” e de Maria Leopoldina Machado de Assis, “portuguesa ilhoa e, segundo a tradição, lavadeira”. Como se vê, os pais eram pobres; mas dados a relações com gente de sociedade. Por isso, o “inocente”, como se dizia nas certidões de batismo, teve padrinhos importantes – Maria José de Mendonça Barroso, viúva do general Bento Pereira Barroso, que fora ministro no primeiro reinado e na regência, e senador do império; e Joaquim Alberto de Sousa Silveira, dignitário do Paço, comendador da Ordem de Cristo, oficial da Ordem Imperial do Cruzeiro. O batizado foi na capela dedicada a N. S. da Penha, construída em terras que haviam pertencido ao general e, por isso, mais conhecida como “capela da chácara do Barroso”. Dos nomes dos padrinhos formou-se o Joaquim, sendo que o “Maria” contentava também a mãe do menino.

            Foi garoto alegre e travesso, querendo bem a madrinha e dela muito querido; teve mãe e irmã pequena, ambas deixando a vida e Joaquim Maria muito cedo. O pai casou-se com Maria Inês, mulata que não teve filhos e se afeiçoou maternalmente ao enteado; foi ela quem lhe ensinou a ler, sem poder adivinhar o que viria a fazer o menino com as letras que ia aprendendo a juntar. “Coisas futuras.”

            Continuou os estudos na escola pública, com disciplina reforçada pela palmatória. Depois, morto o pai, lá se foi, com a madrasta, para um colégio dirigido por senhoras não muito prósperas; tanto que, para reforço do orçamento, fabricavam balas e doces; madrasta e enteado trabalhavam nessa indústria, ela na cozinha, ele de vendedor ambulante. Nesse tempo moravam em São Cristóvão, para onde se haviam mudado ainda em vida do pai, que era amigo do vigário do bairro. E Joaquim Maria já revelava pendores intelectuais, não perdendo ocasião de ler e de aprender: a padaria do bairro era de uma francesa, e francês o forneiro, lá ia o menino tomar lições de língua então indispensável para dar lustro às pessoas.

            Já rapazinho, se aproximou de Paula Brito, proprietário do periódico Marmota Fluminense, e que tinha uma tipografia e loja de artigos diversos, onde se reuniam intelectuais. A tradição refere, sem prova, que ele foi aprendiz nessa oficina. Certo mesmo é que, no nº 539 daquele “jornal de modas a variedades”, edição de 21 de janeiro de 1855, aos dezesseis anos, publicou o seu primeiro poema – “Ela”. Fraco poema; mas não inferior aos que outros, já veteranos, publicavam. E, principalmente, era a estreia, o nome em letras de forma, o marco inicial de uma carreira que, até 1908, se estenderia por mais de meio século de trabalho paciente, ascendendo, sem parada e sem retorno, rumo à perfeição.

            Nesse tempo, diariamente, toma a barca na Praia Formosa, desce no Cais dos Franceses, atual Praça Quinze, e vai, a pé, até a Imprensa Nacional, que ficava na Rua da Guarda Velha (atual Treze de Maio) , onde, aí sim, em 1856, era aprendiz de tipógrafo. Aprendiz não dos melhores, no conceito do chefe das oficinas, implicando com seu jeito de mergulhar na leitura sempre que lhe dava uma folga, e até fora dela. Mas o Diretor deseja conhecê-lo, talvez mesmo em consequência do motivo das queixas. Conhece-o, e logo se tornam amigos; coisa muito natural, porque esse diretor se chamava Manuel Antônio de Almeida, o romancista de Memórias de um Sargento de Milícias, livro hoje considerado peça indispensável de nossa evolução literária.

            Em 1858, Machado de Assis é revisor e caixeiro na tipografia de Paula Brito; nessa época se vão ampliando as suas colaborações em vários jornais, até que, a convite de Quintino Bocaiúva, começa a escrever no Diário do Rio de Janeiro e na Semana Ilustrada.

            O primeiro volume publicado é de versos; nem tão moço o autor (25 anos), como era costume na época; título meio simbólico para quem sonhava com a glória – Crisálidas.

            Tem aumentado o número de amigos e camaradas de rodas intelectuais, do grupo de Marmota, da Sociedade Petalógica (Peta – mentira; lógica – estudo), onde há muita mediocridade. Mas há, também, o grupo, em que ele se integra, dos que frequentam o consultório do médico Dr. Andrade Filgueiras, conhecem Ramos da Paz, Macedo, José de Alencar, Francisco Otaviano, o escritor francês Charles Ribeyrolles, cujo livro Brasil Pitoresco, Manuel Antônio de Almeida traduz. O filho herdara a tendência paterna de relacionar-se com gente de nível social mais elevado que o seu.

            Na Imprensa Nacional, torna-se auxiliar do Diretor do Diário Oficial. Em 1873 foi nomeado primeiro-oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; em 1881, Oficial de Gabinete do ministro que é Pedro Luís, autor de um poema célebre ”Terribilis Dea”, em que se inspiraria Castro Alves para escrever o seu poema, antitético, “Deusa Incruenta”.

            Em 1888 recebe a comenda da Ordem da Rosa, no grau de oficial; no ano seguinte é nomeado diretor da Diretoria de Comércio; em 1892, já na República, Diretor-Geral de Viação; posto em disponibilidade em 1898, logo depois reverte à atividade, como diretor da Secretaria da Indústria do Ministério da Viação, e, mais tarde, Diretor-Geral de Contabilidade.

          Nessa altura da vida, podia olhar para trás e rever-se no menino que brincava descalço no morro do Livramento. Recebera títulos e honrarias, era, deste 1897, presidente da Academia Brasileira de Letras; recebera em sessão solene, dessa mesma Academia, um ramo de carvalho de Tasso, enviado da Itália por Joaquim Nabuco. (1) A honra final não poderia prever: diante do seu ataúde, em nome dos acadêmicos, falaria comovidamente o mais ilustre dos brasileiros vivos, Rui Barbosa.

            Esta acumulação de datas, indicando a sua ascensão econômica e social, impôs-se neste resumo, pois, num país em que a profissão de escritor ainda hoje é precária, quisemos acentuar que a carreira burocrática lhe deu tranquilidade econômica para escrever e aperfeiçoar-se, ficando o serviço público, neste, como em outros casos, credor de nossa literatura.

            Duas outras datas, e que não podem ser esquecidas: 1869, ano do seu casamento com D. Carolina Augusta Xavier de Novais, e 1904, ano em que ela morreu. A mulher, imortalizada no seu melhor soneto, lhe trouxe uma tranquila felicidade; e, até certo ponto, se pode dizer que ao seu desvelo se deve a plena realização do escritor: sem Carolina, principalmente depois que nele se manifestou a epilepsia, seria, talvez, interrompida a linha ascensional que diagramatiza a carreira literária de Machado de Assis.

            Conheceu-a quando entrou a fazer parte do grupo chefiado por José Feliciano de Castilho, escritor português, erudito, mas sem talento criador, o mesmo que negou, em campanha sistemática, a obra de José de Alencar. Do grupo participavam Emilio Zaluar, Ernesto Cibrão, Artur Napoleão, e, mais tarde, Faustino Xavier de Novais, poeta satírico. Entre Castilho e Alencar, Machado de Assis não tomará partido, se bem que, anos depois, venha a escolher o romancista de Iracema para patrono de sua cadeira na Academia, e lhe preste publicamente o testemunho de sua admiração.

            Amigo de Novais, veio a conhecer-lhe a irmã que ele mandara buscar a Portugal. Ela chegou ao Brasil na casa dos trinta, livre e desimpedida de compromisso de amor; na idade em que a maioria das mulheres já tinham filhas casadoiras, não será muito rigor chamá-la de solteirona. Cinco anos mais velha que ele, “sem ser bonita, deve ter sido extremamente simpática e atraente”, supõe Lúcia Miguel Pereira, em sua biografia do escritor. Em Portugal, conhecera Camilo Castelo Branco, Gonçalves Crespo, outros literatos; aqui, estando o irmão doente dos nervos, organiza reuniões para distraí-lo. Entre os convidados, Machado de Assis. E o namoro começou. E teve logo a oposição de parte da família, Adelaide e Miguel, os últimos chegados de Portugal. Motivo: Carolina era alva, branca, e o namorado, mulato sem disfarce. Duas senhoras brasileiras amadrinharam a causa, o casamento se fez. A operação durara dois anos, de começos de 1867 a 1869.

            Valeu a pena insistir: D. Carolina foi excelente esposa e companheira. Deu-lhe um lar harmonioso; concentrou em si a bondade e o carinho da mãe, da madrasta, da madrinha que ele perdera. Morta a esposa, dizem os biógrafos de Machado que ele retratou a vida do casal em Memorial de Aires. Vida realmente feliz.

            Bem casado, glorioso, reconhecido, inclusive, pela nova geração do seu tempo, como escritor máximo da literatura brasileira, realizou-se, lenta e progressivamente, sem retornos, sem descaídas. É tempo, assim, de falar de sua obra.

            Na poesia não esteva à sua própria altura. Diríamos, até, que se lançou no gênero, porque era esse o de maior voga na época, o que reunia os grandes nomes literários. Poucos os poemas em que atingiu a atmosfera da poesia. O restante é um versejar nem sempre com bons ouvidos ou boas imagens.

            É verdade que Lúcia Miguel Pereira afirma que “ele foi inegavelmente poeta”; mas, na mesma página, tratando das resistências de Machado a dar a edição das Poesias Completas, reconhece que “talvez sentisse, com o seu agudo senso crítico, que na poesia não se realizaria inteiramente”. Nesse tempo, 1901, já haviam sido publicados: de Bilac, Poesias; de Alberto de Oliveira, Canções Românticas, Meridionais, Sonetos e Poemas, Versos e Rimas, Poesias Completas; de Raimundo Correia, Primeiros Sonhos, Sinfonias, Versos e Versões, Aleluias, Poesias; de Vicente de Carvalho, Relicário. Note-se que, em Poesias Completas, muitos poemas dos primeiros livros aparecem com correções de métrica e de vocabulário, supressão ou alteração de versos, mostrando que Machado de Assis acompanhava a evolução da técnica literária, posta em evidência pelo parnasianismo.

            A prosa, entretanto, é o terreno eu que edificou a sua glória. Nela se tornou mestre e modelo, a seguir e imitar.

            Para Lúcia Miguel Pereira, os três primeiros livros – Contos Fluminenses, Histórias da Meia Noite e Ressurreição, - ele os conseguiu fazer “quase inteiramente maus”. Os contos foram escritos de encomenda, premência de colaboração para os jornais; o romance foi armado obedecendo a um esquema, e não contém aquele traço de catarse, de confissão, a presença, enfim, do escritor que precisa libertar-se do tema que o empolga de entusiasmo ou de angústia. Mas não são matéria a desprezar esses primeiros livros de prosa, pois, neles, aqui e ali, já desponta o talento que irá dirigir o escritor sempre para o melhor, o mais alto, como aquele moço do poema de Longfellow, em cuja flâmula se achava inscrito o lema – ad Excelsior. (2)

            Helena, ainda romântico, de enredo folhetinesco, e Iaiá Garcia, história do nascimento, vida e glória de um amor, já possuem muito daquele estilo remanchado, passinho à frente, passinho atrás, que irá dar-nos a pintura minuciosa, quase microscópica, de Brás Cubas. Quincas Borba, Capitu e Bentinho, para atingir a cristalização sem jaça de Esaú e Jacó e Memorial de Aires.

            Dos contos poderemos citar “A Academia de Sião”, “A igreja do Diabo”, “A Cartomante”, “Cantiga de Esponsais”, “A Desejada das Gentes”, “Noites de Almirante”, para falar só dos que reúnem o beneplácito coletivo, embora saibamos muito incompleta a lista.

            Pouco a pouco o estilo de Machado de Assis atingiu a condição de Instrumento afinadíssimo, capaz de entretons, de sugerir mais que dizer, dominando o leitor, com quem dialoga e discute os estados de alma dos personagens. E a quem transmite o ceticismo, a dúvida, a ironia melancólica das afirmações interrogativas, das perguntas que não pedem resposta.

            São unânimes os críticos em dividir a obra machadiana em duas fases, ficando as Memórias Póstumas de Brás Cubas como marco divisório. A segunda não é, certamente, a que mais agrada ao grande público, mas é nela que encontramos o escritor na plenitude do poder criador, do talento e da técnica; nela é que se devem deter os que desejam estudar a literatura em si, como transmissão de experiências e como integração de tema e expressão.

            Antes de passar à relação das obras do escritor, limitando-a à poesia e ficção, nada melhor para encerrar esta biografia, que já vai longo, do que o fecho posto por Lúcia Miguel Pereira na sua Biografia de Machado de Assis, hoje livro fundamental para o estudo e conhecimento do romancista.

            “À medida que se vai recuando para o passado, sentimos melhor o que representa para o Brasil este mestiço que tanto elevou a sua gente e o seu país, a pureza dessa personalidade que paira sobre a literatura brasileira, como um símbolo da nobreza do pensamento e do poder do espírito.”

 

OBRAS POÉTICAS E DE FICÇÃO:

1864 – Crisálidas (poesia)

1870 – Falenas

1870 – Contos Fluminenses

1872 – Ressurreição

1873 – Histórias da Meia-Noite

1874 – A Mão e a Luva

1875 – Americanas (poesia)

1876 – Helena

1878 – Iaiá Garcia

1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas

1882 – Papéis Avulsos

1884 – Histórias sem data

1891 – Quincas Borba

1896 – Várias Histórias

1899 – Páginas Recolhidas

1900 – Dom Casmurro

1901 – Poesias Completas

1904 – Esaú e Jacó

1906 – Relíquias de Casa Velha

1908 – Memorial de Aires

 

( 1) Torquato Tasso (1544-1595) – poeta italiano, autor da epopeia GERUSALEMME LIBERATA.

(2) Longfellow, Henry Wadsworth (1807-1882) – poeta norte-americano, muito conhecido pelo seu poema romântico EVANGELINA         

 

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Fonte:

CLÁSSICOS BRASILEIROS (Machado de Assis) – Dom Casmurro

EDIÇÕES DE OURO

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA ARTES & LITERATURA PERDE SEU MAIS NOTÁVEL COLABORADOR.


Dia 18/02/2019 pp, faleceu o Poeta Oscar Benício dos Santos, grande colaborador e incentivador da ICAL, aos 83 anos, no auge da criatividade poética. Após 5 meses de luta pela vida, ele entregou a alma placidamente, cercado pelos seus filhos e netos. Seu corpo foi sepultado no jazigo da família Benício dos Santos, no cemitério Campo Santo, em Itabuna/BA.

Itabuna Centenária-ICAL, comovida, presta uma homenagem ao grande amigo que tanto contribuiu para o crescimento do blog e grandeza de Itabuna, sua terra natal.

Descanse em paz, amável poeta!
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SOBRE O POETA:
Oscar Benício dos Santos nasceu em Itabuna BA no dia 08 de dezembro de 1926, filho do desbravador de Itabuna e historiador Francisco Benício dos Santos e de dona Adelaide. Estudou em Itabuna e depois em Salvador no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Maristas. Fez o curso de Odontologia na Faculdade Federal da Bahia. Ao se formar montou consultório em Salvador e também cuidava das suas fazendas de cacau em Itabuna e de gado em Itaju do Colônia. Aposentou-se e passou a residir na Fazenda Guanabara de sua propriedade, em Itabuna. É autor do livro CACAU EM VERSOS lançado com grande sucesso na 1ª Feira Universitária do Livro da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no dia 21/10/2013.

Cacau em Versos foi indicado pela UESC para ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura/2014.

Oscar Benício dos Santos faleceu no dia 18 de fevereiro de 2019.

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"CACAU EM VERSOS é um belíssimo álbum, com ilustrações magníficas. Cada verso ali impresso é como uma gota de suor. É como uma chama que o caçula de Dona Adelaide e do historiador e desbravador Francisco Benício ficou encarregado pelo destino de manter acesa. Para iluminar Itabuna e fazê-la vibrar na esperança de que dias melhores virão..." 
(Eglê S Machado)

Existem vários textos da obra de Oscar Benício dos Santos postados no Blog Itabuna Centenária, Artes & Literatura- ICAL. https://cemanosdeitabuna.blogspot.com

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Foto: Itabuna Centenária – ICAL 



De Luta e Razão

Dueto formando espontaneamente entre os poetas Oscar Benício dos Santos e Eglê S Machado através de comentários, a partir de uma trova postada no Facebook.

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DE LUTA E RAZÃO...

E NESTA LUTA RENHIDA
QUERO MANTER A RAZÃO,
SEMEANDO FÉ NA VIDA
E AMORES EM PROFUSÃO!...

Eglê S Machado

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“E nesta luta renhida”,
Batalha que não tem fim,
É a da morte contra a vida
E desta a favor de mim.
(Oscar)

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“É a da morte contra a vida”
Uma luta sem igual,
Que excede toda medida
E jamais chega ao final!...
(Eglê)

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“E jamais chega ao final.”
Ah! Que nos dera fosse assim,
Claro, com de Deus o aval,
E a vida não teria fim.
(Oscar)

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“Claro, com de Deus o aval”
Chegamos à Eterna Glória,
O que é mesmo, afinal,
Da vida a GRANDE VITÓRIA!...
(Eglê)

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“Da vida a Grande Vitoria”
 Não está em fugir da Morte,
 Mas esquecer-se da sorte,
 Que é só, somente, ilusória.
(Oscar)

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“Mas esquecer-se da sorte”
Mantendo a essência serena,
Pois logo que chega a morte
Entramos na VIDA PLENA!...
(Eglê)

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 “Entramos na vida plena”

Ao sairmos da gaiola,
Livres da vida terrena
Voamos pela portinhola.

(Oscar)

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“Voamos pela portinhola”
-  Que imagem mais bonita!
E vamos dar cabriola
Na imensidão infinita!...
(Eglê)

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“Na imensidão infinita”
Almas se perdem nos céus,
Mas se encontram com Deus
Na Sua morada, onde habita.
(Oscar)

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“Na Sua morada, onde habita”,
O nosso Deus soberano
Livra-nos de sofrer dano
Porque em nós acredita!...
(Eglê)

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“O nosso Deus Soberano”
Reina só, mas não é Rei.
É o Superior Decano,
Que rege a Divina-Lei.
(Oscar)

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“É o Superior Decano”
Rege a Lei e a nossa vida,
É nossa meta querida
E jamais comete engano!...
(Eglê)

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“E jamais comete engano”.
E por não compreendê-lo
Aqui não lhe faço um apelo
Pois poderia ser profano.
(Oscar)

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“E por não compreendê-lo”
Sofremos de desencanto
Neste terrível duelo
Entre o mendaz e o santo!...
(Eglê)



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quarta-feira, 16 de maio de 2018

FREI JOAQUIM CAMELI, A SERVIÇO DE DEUS E DOS HOMENS

Foto: Portal Católico

Ligue o vídeo abaixo:

Em Ripatransone, Itália,
Dia primeiro de Abril,
Mil novecentos e trinta,
Nasceu vivaz e gentil;
Veio pensado por Deus,
Que levou os passos seus
Rumo à missão no Brasil!

A dezenove de abril, (1)
Filho de Lavínia e Sante,
Recebeu nome: Giuseppe,
Na Igreja militante;
Pelo batismo de Luz
E pelo amor de Jesus
Foi recebido o infante.

No templo do lar materno,
Aos onze anos de vida,
Pelo chamado de Deus
Sentiu sua alma atraída:
Giuseppe!... Giuseppe!... E ao Eterno,
Ao Seu amor sempiterno
Entregou-se sem medida.

Foi a quatro de Outubro, (2)
Dia do Santo de Assis,
Que entrou no Seminário
Dos Capuchinos – assim quis;
E, na cidade de Fano,
O rapaz consciente e ufano
Foi muito forte e feliz.

Já no seu noviciado, (3)
Que se deu em Camerino,
Mudou de nome Giuseppe,
Deixando de ser menino:
Assim, Joaquim seria
Igual ao pai de Maria,
Mãe de Jesus – seu destino!

E cursou Filosofia (4)
Em Ancona, bela cidade;
Teologia em Loreto, (5)
Muito estudo e atividade;
Com obediência e temor
Exercia com louvor
O valor da caridade!

Aos dezoito de Dezembro (6)
Deu-se sua Ordenação
Na cidade de Loreto,
Para a sublime missão;
Destemido, sem vertigem,
No Santuário da Virgem
Consolidou a vocação.

Dois anos depois, Joaquim,
Chega às terras do Brasil,
Coração missionário
Em tempo bom ou hostil.
Cidade de Salvador,
Depois Feira de Santana,
Com a coragem espartana
E confiança varonil!

Deixou a terra natal
Zero grau – em pleno inverno,
Chegando ao Rio de Janeiro,
40 graus – tira o terno;
Itália, a sua nação,
Brasileiro por opção,
Missionário do Eterno!

Ensinou francês, latim,
História e geografia.
Na área educacional
Atuou com maestria;
Dali foi pra Jaguaquara,
Onde, educando, doara
O seu saber com alegria!

Praticou com muito zelo
As Virtudes Teologais
Mantendo a Fé, a Esperança,
E a Caridade, essenciais;
Irmão da Santa Pobreza,
Teve o Amor por riqueza,
PAZ E BEM seus ideais...

Como terna mãe que embala,
Corrigia com carinho;
Longe de jugo ou porfia,
Indicava o bom caminho.
Foi prudente e perspicaz,
Nunca tirano ou mendaz
E nunca esteve sozinho.


Homem leal, para o qual
“Tempestade era chuvisco”,
Frei Joaquim foi fortaleza,
Mas, como a gazela, arisco;
Diligente educador,
Tão clemente confessor,
Ideal de São Francisco.

Transferido pra Itabuna,
Teve a ditosa missão:
Substituir Frei Justo
Na Igreja da Conceição;
Ali atuou demais
Em atividades pastorais,
Sonho do seu coração...

Mas... “Santa Rita de Cássia”
Já brotando igual jasmim,
Surgia recém-criada
E parecia um jardim:
Seu primeiro jardineiro,
Que lhe deu jeito altaneiro,
Foi quem?! – o Frei Joaquim!


E o jovem missionário
Não se sentiu inseguro,
Gostava de criar ponte
E jogar ao chão o muro,
Em dois anos, fé e expensas,
Naquelas áreas extensas
Inaugurou o futuro!

Dava atenção aos mais fracos,
Pra não viverem de esmolas,
Protegia sempre a todos
- Brancos, índios, quilombolas;
Com atitudes tão belas
Permitiu que nas capelas
Funcionassem escolas!

Nessa Paróquia atuou,
Irradiando a virtude;
Orando em favor das almas
Atingiu a plenitude;
Amparar foi seu anseio,
Da Igreja foi esteio
Desde a tenra juventude!


Foi uma graça de Deus
Nas várias comunidades
Da Paróquia Santa Rita
E doutras localidades.
Quem o conheceu de perto
Sentiu e viveu decerto
Enorme felicidade!

Obediente ao Senhor,
Foi honra para os conventos.
Foram de paz e ternura
Os seus melhores momentos;
De alma imensa e festiva,
Construiu a Igreja viva
E foi construtor de templos!

Em Itabuna construiu,
Em cada comunidade,
Muitas e belas capelas
Que enriqueceram a cidade,
Desde o singelo oratório
Até o tão meritório
Santuário da Piedade!


Construiu a ‘Piedade’
E pra Medelín viajou.
Passou por lá algum tempo
E, quando, enfim, regressou,
Teve a alma contristada
Vendo a igreja depredada,
E Frei Joaquim chorou!...

Dedicou à Virgem Mãe
Templos de fé e acolhida:
Vitórias, Do Carmo, Lourdes,
Das Dores, Aparecida,
E Nossa Senhora Das Graças;
Que ali, ferrugem ou traças,
Jamais encontrem guarida.

Construiu outras igrejas
Dedicando com carinho:
Ao Coração de Jesus,
E ao grande Santo Agostinho,
Bom Jesus, Santa Luzia,
Pois ao povo pretendia
Demarcar o bom caminho.


Deixar o mundo feliz
Foi a sua meta, enfim;
E ergueu novas igrejas:
Para o Senhor do Bomfim,
Santos Cosme e Damião,
Também São Sebastião
- Igreja é refúgio, sim!

O paciente missionário
Não endureceu a cerviz;
Franciscano construtor,
Alma temente e feliz,
Não edificou por acaso
A igreja no Banco Raso
Pra São Francisco de Assis!

Confessor hábil e clemente,
Tirou almas de prisões,
Sorrindo lhes dava a bênção
Alegrando corações;
Já no final da “peleja”,
Só almejava ir à igreja
Atender às confissões.


Recebeu o honroso título
De Cidadão de Itabuna. (7)
Dos fracos foi defensor
Nesta plaga Grapiúna.
Comendador duas vezes, (8)
Enfrentou ímpios reveses,
O altar foi sua tribuna.

E Frei Joaquim Cameli
É também nome de rua, (9)
E no Hospital de Base
A homenagem continua,
Com seu nome em uma ala
Onde a esperança ainda fala
Da paz da mensagem sua!

Poeta da irmã Pobreza,
Que sempre doa o que tem;
Militante do Evangelho,
Frei Joaquim foi além:
Teve coração de atleta
E decisão de profeta,
Arauto de ‘PAZ E BEM’!


Repousou sobre seus ombros
A tarefa de ser lume,
Sua verve de guerreiro
Fez dissipar o negrume;
Com paciência sorria.
Com competência servia
- servir era o seu costume!

Em 2017, (10)
Partiu pra longe dos seus,
Deixando Itabuna em prantos
Foi para a festa nos céus;
Combatente de alma mansa,
Enfim, Frei Joaquim descansa,
Aos pés do trono de Deus!

E Frei Joaquim Cameli,
Que está na Santa Mansão,
Descansa atento aos aflitos
Em carinhosa atenção;
Seu coração solidário
Foi do Cristo-pão, sacrário.
Não padeceu solidão.


O pobrezinho missionário
Legou riqueza infinita:
“Combateu o bom combate”
Manteve a alma bonita.
Homem virtuoso, enorme,
O seu corpo agora dorme
Na igreja de Santa Rita. (11)

Há de elevar-se aos altares
Da Igreja de Jesus
Ele, que deu esperança,
Foi animação, foi luz,
Paciente, alegre e manso,
Fez da missão seu remanso,
Jamais se queixou da cruz...

Desvelo com a juventude
Que na vida corre risco;
Fiel apascentador
Das ovelhas do aprisco.
No seu carisma eu invisto:
São Francisco – “um novo Cristo”,
Frei Joaquim, - “novo Francisco”!


A Paróquia Santa Rita
Inaugura soberana
Monumento ao Frei Joaquim,
Com a emoção que emana,
Do afeto e do respeito.
Com a devoção e preito
Da Família Franciscana!

Roga por nosso triunfo
O confessor Frei Joaquim,
Cujo viver nos mostrou
Que é o homem do “sim”
Ao Deus que ama e perdoa,
À Caridade que doa
E ao encanto do amor sem fim!
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Poetisa: Eglê Santos Machado (OFS)
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Revisão: Profa. Laura Gonzaga de Aquino Souza
Motivador: Antônio Carlos Saadi
Itabuna-BA. 03 de abril de 2018


PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA
Rua Juarez Távora, S/N, São Caetano, CEP: 45.607-410 Itabuna/BA.
Pároco Frei José Genilton Costa dos Santos Fone: (73) 3617-2722 E-mail: santaritadecassia@ig.com.br
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(1) – 1930
(2) - 1941
(3) - De 1947 a 1948
(4) - 1949
(5) - De 1952 a 1954
(6) - 1954
(7) – 1983
(8) – Comendas São José e Firmino Alves
(9) – Rua Frei Joaquim Cameli, bairro Pedro Gerônimo
(10) – 10 de Julho
(11) – Itabuna /BA.


* * *